VULTOS TIMORENSES

Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011 D. ALEIXO...
J M Domingues Silva 21 August 18:42
Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011
D. ALEIXO CORTE REAL, UM EXEMPLO DE FIDELIDADE E PATRIOTISMO

«Resta-me citar os indígenas, quer chefes, quer simples habitantes da colónia, que, durante o período dos acontecimentos a que este relatório se refere, deram pelo seu procedimento para com a Pátria e para com os portugueses provas irrefutáveis da sua dedicação, da sua lealdade, do seu absoluto patriotismo.
Avulta entre eles, como estrela de primeira grandeza, o liurai de Ainaro, circunscrição do Suro, D. Aleixo Corte Real. Para esse tive já a honra de fazer uma proposta especial, relatando sucintamente o que foi a acção desse grande chefe e como se manifestou, em termos excepcionalmente vincados, o seu extraordinário patriotismo. E o Governo da Nação premiou já condignamente, com o grau de comendador da Ordem Militar de Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, esse grande português.»

Manuel de Abreu Ferreira de Carvalho em Relatório dos
Acontecimentos de Timor (1942-1945).

Defendia e bem Teixeira de Pascoaes, em Arte de Ser Português, que a superioridade da raça não assenta em pressupostos biológicos, materialistas ou positivistas, mas sim num carácter puro, nobre e distinto, baseado na incorruptibilidade do espírito e de toda a essência metafísica do indivíduo. A Educação dos dias de hoje, bastante distinta daquela apregoada por Pascoaes em inícios do séc. XX, suprimiu por completo a noção de raça, desvirtuando e criminalizando o conceito, substituído pela vacuidade de um paradigma vazio, alheio a valores, identidades e princípios, alimentado pela adaptabilidade do ser humano, em jeito de darwinismo social, aos interesses da ordem vigente, mesmo quando esta desrespeita todos e quaisquer pressupostos éticos, culturais e até humanitários.

Talvez por esta razão, figuras como D. Aleixo Corte Real se tenham tornado tão incomodas e por isso remetidas para um confortável esquecimento. Contudo, a fidelidade e sacra memória que devemos aos nossos antepassados, faz-nos hoje invocar a lembrança deste grande herói português.

D. Aleixo Corte Real nasceu em 1886 na cidade de Ainaro, localizada e 78 km de Díli, capital do Timor Português. Inicialmente chamava-se Nai-Sesu, tendo adoptado o nome pelo qual ficaria conhecido apenas em 1931, ano em que se converteu ao catolicismo e foi baptizado.

A sua fidelidade à pátria-mãe cedo começou a expressar-se quando, entre 1911 e 1912, combateu ao lado dos portugueses na sublevação de Manufahi. O seu papel de régulo conferiu-lhe um importante estatuto em toda a região, sendo um importante embaixador de Portugal naquele território. Porém, não foi devido ao seu relevante papel político-militar que o régulo timorense se destacou, mas sim pelo carácter e nobreza demonstrados ao revelar-se incorruptível aquando da invasão japonesa daquele território português, durante a II Guerra Mundial.

Apesar da neutralidade portuguesa, o território do Timor Português foi inicialmente invadido por um contingente holandês e australiano, com a desculpa de que Portugal não defendia aquele espaço, estando desse modo vulnerável a uma ocupação nipónica. Este facto acabou por verificar-se, provavelmente devido à invasão preventiva perpetrada pelas tropas australianas e holandesas. Durante aproximadamente três anos o terror espalhou-se naquela província ultramarina. Descontentes com a presença proselitista e declaradamente hostil do imperialismo japonês, a maioria da população timorense colocou-se do lado da resistência a estes invasores, apoiados também por uma pequena franja de milícias autóctones, designadas de Colunas Negras. D. Aleixo Corte Real foi, tal como o seu irmão, um dos líderes da resistência contra a ocupação nipónica, tendo acabado cercado e capturado em 1943 pelas tropas japonesas e membros dessas milícias pró-nipónicas.

Foi com sua captura e consequente sacrifício que o régulo alcançou a sua maior glória, mitificando-se, após enfrentar os seus algozes, negando-lhes a legitimidade sobre aquelas terra, depois de lhes negar a entrega da bandeira portuguesa. Este heróico e nobre acto custou-lhe a vida a si e à sua família que foi executada por um pelotão de fuzilamento japonês.

Mesmo destino teve o seu irmão e outros chefes locais que se uniram na defesa dos interesses das suas gentes e da sua pátria: Portugal. D. Aleixo Corte Real tornou-se rapidamente um símbolo do patriotismo nacional e da união entre os diversos povos portugueses. A sua honra e fidelidade foram justamente lembrados pelo Estado Português, tornado-se D. Aleixo Corte Real uma personificação da heroicidade e ferocidade da alma portuguesa, fiel de si mesma e absolutamente incorruptível… em qualquer circunstância!

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uma história esquecida da segunda guerra...
J M Domingues Silva 21 August 20:30
uma história esquecida da segunda guerra mundial

“No dia 19 de Setembro de 1945, data a todos os títulos memorável na nossa história, a bandeira da Pátria desfraldava-se orgulhosamente em todas as localidades importantes e em muitas povoações timorenses enfim libertadas da opressão estrangeira.” – José dos Santos Carvalho, “Vida e Morte em Timor Durante a Segunda Guerra Mundial”, 1970.

Aileu

Em Aileu (Timor Leste) ergue-se um monumento evocativo dos militares portugueses, e respectivas famílias, que se suicidaram aquando da invasão de Timor Leste pelas tropas imperiais japonesas no decorrer da Segunda Guerra Mundial, vítimas da propaganda dos Aliados os militares portugueses estavam convictos de que eles próprios e as suas famílias seriam barbaricamente torturados e violados.

D. Aleixo Corte-Real (régulo timorense), lá onde se mistura a lenda com a História, recusou em reconhecer a soberania japonesa sobre o território, afirmando: “Sou Português, e só os Portugueses me podem prender!”. O resultado: as forças invasoras executaram-no não só a ele, como toda a sua família. A colonização de Timor contava com a presença de Portugal e da Holanda, resta-me realçar que foram os timorenses do lado português que organizaram a resistência aos japoneses, aliados da Itália fascista e da Alemanha nazi, com o propósito de restabelecer a soberania portuguesa no território (a foto que ilustra este artigo é uma vista parcial da cerimónia aquando desse restabelecimento, cujo 65º aniversário passará certamente em branco). A Administração Portuguesa do território foi internada em campos de concentração japoneses. Salazar, tentando manter a necessária neutralidade (violada pelos japoneses) de Portugal não prestou qualquer auxílio aos portugueses presentes no território, nem aos que estavam detidos pelos japoneses, nem aos que participaram nas bolsas de resistência à ocupação, em nome de Portugal.

Portugueses contra o Eixo

Embora não sendo das fontes mais fiáveis (encontra-se completamente esgotada a obra “Timor – Ocupação Japonesa durante a Segunda Guerra Mundial” de Carlos Vieira da Rocha, publicado em 1996 pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal) creio ser digno de nota a seguinte entrada da Wikipédia portuguesa referente à Segunda Guerra Mundial:

“Em Timor ocorrem os únicos combates em que participam forças portuguesas durante a guerra. Apesar de nunca se estabelecer formalmente o estado de guerra entre Portugal e o Japão, militares e voluntários civis portugueses combatem ao lado das tropas australianas e holandesas contra os invasores japoneses. Na Austrália, é inclusive formada a primeira unidade militar pára-quedista portuguesa, que é lançada na retaguarda das linhas japonesas, para realizar operações de guerrilha contra os invasores.”

Com base no citado “Vida e Morte”, “Todos os portugueses que então aí viviam, fossem eles timorenses, metropolitanos, goeses, madeirenses, africanos ou macaenses, estiveram sujeitos a prolongado e pertinaz suplício que estóica e patrioticamente suportaram”.

A mesma obra numera as baixas do lado português: “muitas centenas de timorenses assassinados, mortos em combate ou falecidos na prisão e, entre os não-nativos de Timor, pelo menos, trinta e sete assassinados, dez mortos em combate, seis mortos por suicídio, vinte falecidos ao abandono no interior da ilha onde andavam foragidos e oito que miseravelmente acabaram os seus dias no cárcere japonês”.

Encontra-se ainda disponível a obra “Timor na 2.ª Guerra Mundial — O Diário do Tenente Pires” de António Monteiro Cardoso (Centro de Estudos de História Contemporânea, ISCTE, 2007) que inclui, como o título indica, o diário de um dos oficiais portugueses que participou activamente na guerrilha contra a invasão nipónica.

Ausência de memória

Antes de lerem esta minha curta chamada de atenção, quantos dos leitores estavam a par deste episódio referente à Segunda Guerra Mundial? Muito poucos certamente, as nossas escolas estão mais preocupadas em ensinar banalidades em vez da História nacional, é portanto normal que tal se reflicta não só nos nossos governantes, mas também entre aqueles que se declaram como alternativa a estes… é triste, mas é o Portugal que ainda vamos tendo.

Post-Scriptum – No dia 16 irá decorrer, nas instalações da Biblioteca Nacional, uma Homenagem a António Telmo. Às 18h será apresentada a obra “O Portugal de António Telmo” (Guimarães, 2010) com a presença de Pedro Sinde, Renato Epifânio, Rodrigo Sobral Cunha, Miguel Real e o filósofo Pinharanda Gomes. 2010 tem-nos sido pesado em baixas, há que aproveitar as cada vez mais raras oportunidades para homenagear e recordar os nossos maiores pensadores, pelo andar da carruagem chegará o dia em que também estes poderão desaparecer nas areias do tempo, há que os recordar.

O Diabo, Semanário Independente
14 de Setembro, 2010.


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Não esquecer João Bosco,como um vulto da...
Maria João Moniz Barreto 22 August 12:49
Não esquecer João Bosco,como um vulto da cultura timorense.
Em casa do pintor timorense João Bosco

Um encontro feliz na viagem de regresso de Jaco para Dili.

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