crónica de PEPETELA

REVISTA ÁFRICA21

“Luta incerta”, por Pepetela

“Estranho a atração fatal de alguns ricalhaços cá da banda que querem agora comprar castelos na Europa”
Redação revista África21
 
Angop

Angop

“Estranho a atração fatal de alguns ricalhaços cá da banda que querem agora comprar castelos na Europa”. O título remete a um livro de John Steinbeck nos tempos da Grande Depressão, primeira metade do século XX. 

Hoje assistimos de novo a uma luta incerta, mas agora entre «austeros» e «crescendistas». De um lado, economistas, governantes e alguns comentaristas (esses que estão sempre a mandar bocas por todo o lado, muitas vezes sem estudo nem fundamento), os quais defendem a austeridade financeira para os países endividados para lá de limites considerados decentes. Do outro lado, os que apostam no crescimento económico, com os respetivos governos (ou os alheios, se os seus estiverem quase falidos) a investirem no desenvolvimento, única forma de obterem dinheiro extra para pagar as dívidas. Se não houvesse pelo meio tantos dramas individuais, tanta miséria e frustração, era caso para se dizer que o combate, além de incerto, é extremamente interessante de seguir. Como se pudéssemos nos alhear dele, resguardados numa redoma de insensibilidade.

A maka é que toca a todos o resultado das asneiras que andam a fazer lá pelo Norte, com a senhora Merkel querendo recuperar para a Alemanha a glória do Império Germânico e conquistando todos os castelos a leste e a oeste, e alguns mais prudentes a dizer que assim não dá, vai provocar uma bronca danada, com gregos a queimarem bandeiras nazis hoje e amanhã a aperfeiçoarem espadas e catapultas, seguidos pelos exaltados espanhóis, machos de puxar logo pela faca e talvez até de barulhentos italianos, sempre prontos a cantarem tragédias. 

No outro lado do tabuleiro, neste momento, curiosamente, o governo de Obama, apoiado por muitos prémios Nobel, defende para a economia mundial um sistema próximo do que se poderia chamar uma social-democracia, pelo menos as teorias recuperadas de Keynes; logo contrariado pelos austeros do Congresso, que lhe cortam as vazas quando se fala em aumentar impostos dos ricos e distribuir melhor os proventos pelos pobres, considerados preguiçosos e incompetentes e por isso mesmo, pobres. 

Como vai acabar a luta? Os «austeros» conseguirão mais uma vez dominar o que lhes vai restando de poder? Ou os «crescendistas» poderão evitar por algum tempo o que parece inevitável, o declínio do chamado Ocidente?

Leia na íntegra a crónica do escritor angolano, na edição de março da revista África21