PRIMEIRA MIGRAÇÃO HUMANA

DE DIÁLOGOS LUSÓFONOS SE TRANSCREVE

A  história da humanidade e a das migrações se confundem. A lusofonia é também o resultado dos movimentos migratórios e da busca do homem por novos mundos.Há que estudar os processos que levaram o homem a novos mundos.
Comecemos por saber algo mais sobre o que os cientistas concluíram a respeirto da primeira migração humana.

Primeira migração humana

Não há nenhum registro histórico que siga os padrões migratórios dos primeiros seres humanos. Os cientistas juntam a história da migração humana examinando as ferramentas, a arte e os locais de sepultamento que deixaram para trás e traçando padrões genéticos. Fazem isso analisando o DNA mitocondrial (mtDNA), que é passado da mãe para os filhos sem ser combinado com o código genético do pai. Podemos observar o mtDNA de duas pessoas que viveram a milhares de anos e de quilômetros de distância e, se o código genético do seu mtDNA for o mesmo, sabemos que eles eram ancestral e descendente [fonte: PBS NOVA (em inglês)].

cientista procurando fósseis de hominídeo em Olorgasailie
Kenneth Garrett/National Geographic/Getty Images
Cientista procurando fósseis de hominídeo em Olorgasailie, local de descoberta de amostra do Homo erectus, encontrada por Rick Potts. Essa amostra é o primeiro fóssil de hominídeo encontrado após mais de 60 anos de trabalho em Olorgasaili.

O exame do mtDNA é útil por outra razão – ele acumula mutações com certa rapidez. Os cientistas conseguem ver a quantidade existente de mutações e determinar aproximadamente a idade dessa linha genética. Comparando o número de mutações do mtDNA encontradas nas pessoas de diferentes localidades, podemos dizer onde os seres humanos chegaram primeiro. Quanto mais mutações, mais tempo eles viveram naquela região. Todo o mtDNA encontrado em certas partes da África tem mais mutações do que qualquer outro mtDNA no mundo. Essa evidência sustenta a teoria Fora da África. Entretanto, mesmo com essas pistas, muitas informações sobre as primeiras migrações humanas são duvidosas.
Rotas da primeira migração

Quando os humanos deixaram primeiro a África, seguiram pela costa, onde os recursos eram abundantes. A primeira onda de migração cruzou o Oriente Médio, foi para o sul da Ásia e, finalmente, seguiu para a Austrália [fonte: National Geographic (em inglês)]. Isso aconteceu aproximadamente entre 90 mil e 30 mil anos atrás [fonte: Haywood]. Outras ondas de migração se seguiram. Entre 40 mil e 12 mil anos atrás, as pessoas saíram do norte em direção à Europa. Entretanto, seu alcance era limitado por uma placa de gelo que se estendia na parte norte da Europa continental.
As condições geladas da época também ajudaram a expandir o território da humanidade primitiva. Uma placa maciça de gelo, associada a níveis do mar mais baixos, formou uma ponte entre a Sibéria e o Alasca que chamamos Beringia. Os primeiros humanos andaram, há mais de 30 mil anos, mudando para a costa oeste da América do Norte [fonte: National Geographic (em inglês)].
Outras fontes sugerem uma migração norte-americana mais recente, começando há cerca de 15 mil anos [fonte: Haywood]. Novas evidências parecem continuar empurrando a data da primeira habitação norte-americana para essa época. Os seres humanos finalmente se espalharam pela América do Sul e seguiram pelo leste para o que atualmente é o leste dos Estados Unidos e Canadá. Essa teoria da colonização da América do Norte é sustentada pela prova do mtDNA e pela semelhança das estruturas dentárias das populações norte-americanas e siberianas da época.
Há muito tempo, há outras teorias de que os primeiros humanos atravessaram o Oceano Atlântico, da África para a América do Sul ou Caribe, ou a Europa, da Groenlândia para a América do Norte. Embora tenha sido possível fazer tal viagem usando a tecnologia de navegação disponível, é improvável que uma migração em grande escala tenha ocorrido dessa maneira.
A primeira expansão da humanidade pela Terra aconteceu principalmente devido à comida e ao clima. As tribos nômades com algumas dezenas de pessoas provavelmente seguiram os padrões de migração dos animais que caçavam. A mudança climática abriu novos caminhos para a caça, da mesma forma que a tecnologia, como o domínio do fogo e da conservação de alimentos, permitiu que o homem vivesse em condições abaixo do ideal. A capacidade humana de se adaptar a novas circunstâncias não apenas deu aos homens primitivos uma vantagem em relação ao Homo erectus, como também facilitou a expansão global.

A rota costeira
A migração da Sibéria para a América do Norte talvez não tenha sido feita sobre uma ponta de gelo/terra. Outra teoria sugere que os colonizadores usaram o caminho do mar que estreitou as costas e as ilhas ao longo do caminho­. Eles paravam nas pequenas porções de terra que não estavam cobertas de gelo, finalmente, afastando-se para o sul, onde a terra já estava completamente sem gelo [fonte: National Geographic (em inglês)].

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Fonte: http://ciencia.hsw.uol.com.br/migracao-humana3.htm

A lusofonia é um capítulo das migrações dos povos
Arqueologia

Primeira migração para a América do Norte deu-se pelo menos mil anos mais cedo

13.07.2012 – 11:35 Por Ana Gerschenfeld

Quem foram os primeiros imigrantes a colonizar ao continente norte-americano? Terão sido os humanos que, há cerca de 13 mil anos, fundaram a cultura hoje conhecida como Clóvis – do nome da aldeia do Novo México onde as suas primeiras ferramentas de pedra foram encontradas? Ou terá havido um outro povo que os antecedeu? Até agora, a cultura Clóvis era considerada pela maioria dos especialistas como sendo a primeira e única antecessora das culturas indígenas norte-americanas.

Mas hoje na Science, uma equipa internacional com participação portuguesa anuncia novos resultados que, segundo um comunicado da Universidade de Copenhaga, dão um “golpe mortal” nessa teoria dominante.

A saga da equipa de Dennis Jenkins, da Universidade do Oregon, e dos seus colegas da universidade da capital dinamarquesa, começou em 2008, quando apresentaram dois bombásticos resultados, obtidos através da análise genética e da datação por radiocarbono de excrementos humanos fossilizados – ou coprólitos – encontrados na gruta de Paisley, no Oregon. Não só os excrementos tinham cerca de 14.400 anos de idade – ou seja, eram uns mil anos mais antigos do que qualquer vestígio conhecido da cultura Clóvis -, mas, ainda por cima, a análise do ADN humano contido nos coprólitos mostrava tratar-se dos dejectos de uma comunidade humana originária da Ásia, que poderia ser a antecessora da população indígena norte-americana actual.

Na altura, quase nenhum especialista acreditou nos resultados, porque não tinham sido encontradas, naquela mesma gruta, quaisquer ferramentas de pedra que pudessem sustentar os resultados genéticos e a datação dos excrementos. “Não havendo ferramentas líticas, esses resultados não eram válidos [para os arqueólogos]”, disse ao PÚBLICO a bióloga portuguesa Paula Campos, que entretanto se juntara à equipa de Copenhaga em 2009 (e que hoje trabalha no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra). Paula Campos foi a responsável pela nova análise genética ao ADN dos coprólitos no artigo hoje publicado. “Não só confirmámos [agora] a idade dos coprólitos, como também caracterizámos o seu ADN mitocondrial [matrilinear], obtendo resultados concordantes com os que foram publicados em 2008”, salienta a investigadora. “E o que realmente nos permitiu caracterizar estes indivíduos como pertencendo a uma cultura diferente de Clóvis, foi o facto de serem mil anos mais antigos que a cultura Clóvis, como também o facto de as ferramentas de pedra encontradas apresentarem uma tecnologia de fabrico claramente distinta da tecnologia da cultura Clóvis.”

As ferramentas da gruta de Paisley, contudo, não são tão antigas como os excrementos desse mesmo local; são, sim, contemporâneas dos achados arqueológicos noutros locais conhecidos por terem pertencido à cultura Clóvis. Mas segundo Paula Campos, isso poderá simplesmente significar que essas ferramentas diferentes representam a evolução, ao longo de mil anos, da tecnologia inicial dessa cultura ancestral que foi, ao que tudo indica, a primeira ocupante da gruta de Paisley. O facto de não ter sido encontrada naquela gruta “qualquer vestígio da cultura Clóvis” reforça essa hipótese.

Para os cientistas, os resultados só podem explicar-se através de um de dois cenários migratórios, embora ainda seja “prematuro” escolher um deles, segundo Paula Campos. Num desses cenários, uma primeira migração, muito mais antiga, terá a seguir dado origem à cultura Clóvis por um lado e à cultura da gruta de Paisley por outro; no outro cenário, terá havido duas migrações diferentes, ambas vindas da Ásia através do estreito de Bering, com um intervalo de mil anos, no fim da última Idade do Gelo.

Seja como for, explica ainda Paula Campos, os novos resultados mostram que os seres humanos já estavam presentes em Paisley antes de a cultura Clóvis se ter manifestado. “A teoria “Clovis First” já não é viável”, diz a cientista. “Os humanos estavam presentes na América do Norte pelo menos mil anos antes de Clóvis e esses povos anteriores não tinham, provavelmente, qualquer semelhança tecnológica ou genética com a icónica cultura Clóvis. O debate “Clovis First” terminou.”

http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/primeira-migracao-humana-para-a-america-do-norte-deuse-pelo-menos-mil-anos-antes-do-que-se-pensava-1554759

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