Views: 5
8 fevº
Pelas 10:30 deste dia solarengo e menos frio, mas ainda muito ventoso, cumpri o meu direito e dever. As meninas da mesa de voto disseram que havia muitos menos votantes do que na última eleição. Juro que tive mesmo vontade de riscar o nome do outro candidato, que nunca deveria ter chegado a uma segunda volta. Mas sei, pelo que a História me ensinou, que é só uma questão de tempo até ele ficar em primeiro lugar. A humanidade, ao longo de milhões de anos, nunca aprendeu e continua a repetir, ciclicamente, os mesmos erros. Só falta nomear o cavalo de Calígula como deputado! Cerca de 17 freguesias de oito municípios adiaram a segunda volta das eleições para o próximo dia 15, e cerca de 37 mil eleitores só vão exercer o direito de voto na próxima semana.
A tempestade Marta seguiu para Marrocos e Rif, onde já causou inúmeros estragos. Em Marrocos, as cheias já obrigaram à evacuação de 140 mil pessoas das zonas de risco. Em Portugal, evacuaram as pessoas apenas depois, quando já estavam isoladas, sem meios de acesso. Nos últimos dias, a chuva aumentou em mais de 200% em relação ao ano passado.
Em Portugal, enquanto os danos (muitos milhares de milhões) não se calculam, seria altura de relembrar o que o saudoso arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles nos alertava sobre a erosão da orla costeira. Pouco ou nada foi feito e as praias continuam a desaparecer, com ou sem temporais como estes. A costa continua a regredir, por mais areia que lhe deitemos, ou por mais enrocamentos ou paredões que se construam, mas, em nome do turismo, continuam-se a deitar fora milhões de euros para preservar o que vai ser destruído no próximo temporal e com a lenta subida do nível das águas.
Em todo o território continental, na noite de sábado, 167 mil clientes estavam sem eletricidade. Na manhã do mesmo dia eram “apenas” 63 mil. A depressão Marta agravou a situação de abastecimento de energia em Portugal, deixando mais de 100 mil pessoas sem luz só no dia de ontem. A estes, juntam-se os 63 mil que já estavam nessa condição, na manhã de sábado.
Os mais afetados são clientes da zona afetada pela depressão Kristin (que derrubou uma centena de postes de eletricidade, já na semana passada). Nessa zona, havia 56 mil clientes sem luz ao início do dia. Mas às 19:30, com a depressão Marta, o número de clientes sem luz era de 124 mil na zona da depressão Kristin (distritos de Leiria, Santarém, Castelo Branco e Coimbra, maioritariamente).
A falta de comunicação e as dificuldades de mobilidade foram as principais razões para que os eventos fossem inicialmente ignorados: o inveterado centralismo das grandes cidades não permitiu que os media, produtores de informação, se lançassem imediatamente no terreno para conhecer os efeitos da catástrofe e fazer ver aos responsáveis a desgraça que tinha ocorrido no “interior”. O país a soçobrar e não se dava conta disso nos gabinetes do poder. Lisboa é capital, o resto é paisagem.
No meio dos temporais, a E-Redes, a rede chinesa, deu as boas novas aos acionistas. Chegou a hora dos portugueses serem solidários com a E-Redes e continuarem a pagar a conta da luz bem puxadinha; não se preocupem, pois ela vai incorporar os prejuízos provocados pela tempestade Kristin aos custos da eletricidade. Se estiveram vários dias sem luz, com casas danificadas e prejuízos reais, não terão descontos, mas irão pagar uma taxa maior na fatura: lucros garantidos pelo Estado à empresa, sacrifícios distribuídos pelos consumidores portugueses, lucros a partilhar com os acionistas.
O mesmo aumento nas faturas se deve esperar dos fornecedores de água e gás, depois, serão os transportes a encarecer, os seguros, a saúde, a própria educação por causa dos danos causados nas escolas, e todos aqueles que podem beneficiar da desgraça alheia, produtores de fruta e vegetais, de gado e os que terão de aumentar as suas importações do estrangeiro, numa roda viva sem parar, limpando todos os excessos que o PIB pudesse ter nos próximos anos. Isto implicará novas subidas de impostos, novos escalões de IRS, mais uma vez apertar o cinto, que a época é de crise e alguém terá de pagar a fatura (quem? Os consumidores, os utentes).
De tragédia em tragédia, isto começa a lembrar a história da velha Grécia, mas precisamos manter a mente limpa, dentro dos parâmetros da decência e da moral que existiam até há pouco, sem nos deixar afetar por perversões, desvios e abusos que retratam, na realidade virtual, o inferno dos cristãos. Não podemos deixar que isso nos afete; sabemos que a impunidade tudo lava; sempre foi assim e continuará assim, por mais que não queiramos, por mais que esperneemos de raiva e impotência.
No fundo, uma das leis inelutáveis do universo. O preço da impunidade: “Epstein não estava a vender o corpo das raparigas, mas a experiência da impunidade. O produto final não era o ato sexual, mas sim a garantia de que não haveria consequências.”A comparação que está a ser feita entre o filme Salò, de Pasolini, e os arquivos de Epstein não é uma metáfora. Pasolini revelou a lógica íntima do poder nu, a mesma que os papéis de Epstein expõem de forma crua. Salò não fala do fascismo histórico, mas sim de uma possibilidade permanente do capitalismo.
Não se trata de “loucura” ou “perversão individual”. Trata-se da racionalidade instrumental do poder quando emancipado de todos os limites éticos. Epstein não era um sádico isolado, mas sim o gestor de um território onde as elites capitalistas criaram um espaço experimental livre de toda a lei humana. Lá, a acumulação de capital traduz-se na impunidade sobre corpos feminizados e empobrecidos. Mas o poder não é omnipotente. Tem fissuras. Onde há testemunho, há uma lacuna no poder. Onde há memória, há a possibilidade de justiça. Epstein não é um caso; é a face mais repugnante dum sistema que precisa ser destruído antes que destrua tudo. Queime o que tem de ser queimado. A fonte original em espanhol foi apagada: https://belib.org/pensamiento-yagé.
Mas se quer más notícias aqui vão: sabia que existe uma rede social para robôs??? A Moltbook é feita para que apenas IA publique e interaja; nós, humanos, só podemos assistir. Utiliza um sistema de execução de tarefas, diferente dos chatbots aos quais estamos acostumados. Uma Rede Social de Robôs é uma forma de Aprendizagem de Máquina para Inteligências Artificiais, que sempre aprendem a cada interação com humanos! Com essa rede, robôs vão aprender mais com outros e melhorar as suas habilidades! O curioso é que mais de 20% dos “posts” são hostis aos humanos. Uma entidade que tem muita informação tende a eliminar aquilo que ela considera perigoso, neste caso, os humanos. E têm razão!