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O seu texto vem ao encontro do que presenciei ontem e que ainda me perturba. Ao passar de carro no centro da cidade, em plena rotunda dos antigos ctt, uma jovem mulher chorava descontroladamente e gritava repetidamente e a plenos pulmões “Dá-me o telemóvel!” O rapaz, aparentemente seu companheiro, circulava calmamente a vasculhar no tlm, de capucho na cabeça e chinelos de dedo, sem qualquer estremecimento. Neste quadro miserável, observado por quem ali circulava, um pormenor muito perturbante: a mulher segurava um carrinho de bebé, com duas crianças dentro, de 2 ou 3 anos, uma mais velha do que a outra. Eram crianças tão bonitas, fixavam o olhar na mãe, com serenidade, ainda assim. Como se defende aquelas crianças daquele quadro psicótico, daquela família, aparentemente disfuncional? Como interromper um ciclo de doenças mentais e de quadros tão violentos de comportamento? Penso que a resposta também passa por isto que o Dr. João aponta como necessidade. Não é possível continuar a esconder tanta necessidade ao nível da saúde mental nesta terra. Mais recursos humanos, mais estratégias, mais meios no terreno são tão urgentes! Abraço!