notícias 23/4/15 pág global

PÁGINA GLOBAL

VIIª CIMEIRA DAS AMÉRICAS: “A INSURGÊNCIA NO HEMISFÉRIO CRISTÃO OCIDENTAL!” – II

Posted: 22 Apr 2015 02:09 PM PDT

Martinho Júnior, Luanda 

5 – A VIIª Cimeira das Américas envolvendo o reaparecimento com “plenos poderes” da revolução cubana, em pé de igualdade institucional, face a face e cumprindo com uma estrita igualdade, precisamente no mesmo patamar de todos os outros estados componentes das Américas, Estados Unidos e Canadá incluídos, ocorreu praticamente na altura em que Cuba festeja o 54º aniversário da vitória em Girón.

Ciosa de sua história de resistência e revolução, Cuba, 54 anos depois de Girón, assume clarividente esta outra vitória, pois a sua presença na Organização de Estados Americanos, dá-se após décadas de forçada ausência, que incluem a ausência em todas as Cimeiras anteriores!

O discurso de Raul de Castro em grande parte sintetiza o histórico da revolução cubana desde 1961 e ao mesmo tempo quanto se tornaram inspiradoras todas as experiências acumuladas, mesmo as que pareciam mais negativas para Cuba, experiências que afinal estão colocadas ao serviço da identidade comum das Américas, muito para lá de sua identidade para com o povo cubano, ou para com os estados e povos mais progressistas da região.

Ciosa de sua história, Cuba e sua revolução, não abdicaram da legitimidade imensa gerada por via das experiências que se foram desenrolando desde o triunfo da revolução e desde Praia Girón, algumas delas experiências intensamente traumatizantes, mas iniciou um novo ciclo prestigiante para a vanguarda: procurou motivar a administração de Barack Hussein Obama a começar a demarcação em relação à aristocracia financeira mundial, seus falcões e “tea parties”, estendendo a possibilidade do enorme potencial da solidariedade latino americana e afrodescendente, tendo em conta as características que se vão agora tornando dominantes nas culturas onde se inscreve o eleitorado norte-americano, algo que corresponde a uma autêntica “insurgência no hemisfério cristão ocidental”!

Entre uma hegemonia unipolar cujo carácter se identifica com o nazismo e o fascismo, por que serve ao domínio de 1% sobre o resto da humanidade, (que só pela força, pela constante manipulação, pela ingerência, pelo embuste e quantas vezes pelo crime se pode impor), é a vanguarda cubana e com ela a América Latina que começa a estender a mão no sentido dos Estados Unidos e do Canadá, os únicos estados da América membros da NATO, poderem assumir um lugar digno no âmbito da multipolaridade e darem uma contribuição útil, ética e moralmente recomendável, em benefício de toda a humanidade!

A partir de agora, mantendo-se a tendência, nenhuma administração mais que venha a ocupar o poder nos Estados Unidos ou no Canadá, poderá deixar de contar com essa mão de solidariedade estendida, por que todos podem caber na multipolaridade e na emergência que conduz a um amplo renascimento de toda a humanidade… bastará cumprir com responsabilidade um papel construtivo e respeitador de outros estados e povos.

Se é certo que os Estados Unidos mantêm mais de 50 bases militares espalhadas na região (só 5 países não as têm em seu território), é cada vez mais evidente a sua inutilidade e o desperdício que elas representam, num perverso processo que ancora o Estados Unidos ao passado.

Tudo isso se encaixa perfeitamente nas alterações que se estão a vitalizar por dentro das religiões cristãs, bem na superestrutura ideológica dos estados, que cobrem todo o espectro geográfico e humano “ocidental” (em especial nas Américas, na Europa e em África) e também no próprio Vaticano onde Papas pan-europeus de origem alemã, ou polaca, vinculados ao prolongamento da guerra psicológica por inércia da Guerra Fria e de tendências ultraconservadoras de acordo com formatação de “think tanks” ao nível dum “Bilderberg”, dum “Le Cercle”, duma “Heritadge Foundation”, ou duma “Fundação Konrad Adenauer”, deram lugar a um Papa de origem e vivência latino americana, humilde mas lúcido e sensível para com os pobres, capaz de abrir uma janela de entendimento sobre as razões profundas da Teologia de Libertação e do facto dessa doutrina ter surgido e ganho persistência precisamente na América Latina e ter a força de não se circunscrever só aí!

Entre a corrupção dos Bancos Ambrosiano e do Vaticano, assim como os escândalos de tantos padres pedófilos espalhados pelo mundo, tudo isso resultado do beco sem saída em que o Vaticano ultraconservador caiu, o Papa Francisco procura identificar-se com os pobres e, a partir deles, contribuir para encontrar melhores opções em benefício de toda a humanidade, o que está em sintonia com a afirmação de independência, de soberania, de integração, de solidariedade, de emergência, da América Latina.

6 – Não foi pois de estranhar que os discursos dos outros Chefes de Estado Latino Americanos presentes no Panamá dessem corpo e substância em torno da assumida vanguarda da revolução cubana, ela própria partilhando com todos (Estados Unidos e Canadá incluídos), suas experiências históricas, até por que para trás estão iniciativas integradoras de suporte, desde o Mercosul, ao Celac, passando pelo Unasul, pela Alba, pelo Petrocaribe!…

Todos os Latino Americanos insistiram na necessidade de se pôr fim ao bloqueio a Cuba, fizeram coro no que diz respeito à necessidade de Cuba ser retirada da lista de “países terroristas” em vigor nos Estados Unidos, assim como foram unânimes em considerar que a Venezuela não pode ser alguma vez considerada uma ameaça aos Estados Unidos, até por causa das políticas de paz com que se tem regido a região, por via de algumas organizações próprias, entre elas a Celac!

Às tensões, conflitos e guerras estimulados pelos falcões doutrinária e ideologicamente ultra conservadores, verdadeiros “fundamentalistas cristãos” aliados tácitos dos “fundamentalistas islâmicos”, a América Latina propõe a busca construtiva e constante da paz, pela cultura do diálogo, edificação de equilíbrios com possibilidades de neutralizar as assimetrias, busca de consensos que conduzam a relacionamentos integradores e capazes de respeitarem amplamente os direitos humanos de acordo com toda a abrangência sócio-cultural do termo.

Nesse quadro o discurso de Maduro em nome da Venezuela Bolivariana, foi oportuno e sensível, ressaltando para além do facto da Venezuela jamais poder ser uma ameaça aos Estados Unidos (contrariando assim o Decreto do Presidente Barack Hussein Obama), estar toda a América Latina empenhada, desde 2005, em prol de avanços que só se puderam alcançar pondo cobro ao neo liberalismo, assumindo uma maior democratização vocacionada à participação popular, contrariando o espectro da pobreza dando luta às desigualdades, possibilitando uma maior distribuição da riqueza e inibindo o manancial doutrinário e ideológico ultraconservador com que se haviam antes municiado e barricado as oligarquias latino americanas, tendo como referência a sua “representatividade” no que ao exercício de poder diz respeito.

O discurso contundente da Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, focou a ocupação das Malvinas e das políticas sincronizadas de Obama e Cameron em conformidade, ou seja no sentido de potenciar divisões no espaço latino-americano, incluindo por via de processos de desestabilização e derrube de governos eleitos em processos democráticos.

A América Latina luta também contra os resquícios coloniais do império!

Esta ênfase foi reiterada pelos Presidentes de Cuba, da Venezuela, da Bolívia e do Equador que se referiram ainda às ingerências de carácter económico, bem como à apropriação de recursos estratégicos, no rescaldo da ALCA que foi tentada entre 1994 e 2005, na sequência da implosão Soviética, do desaparecimento dos países socialistas da Europa e do derrube do muro de Berlim.

A Mensagem do Para Francisco à VIIª Cimeira traduz a opção pelos povos; no seu conteúdo o Papa adianta:

“El mayor reto que tiene el mundo hoy es el de globalizar la fraternidad y la solidaridad, no la discriminación y la indiferencia. Sin la distribución equitativa de la riqueza no pueden resolverse los males de la sociedad”…

“Aún muchos pobres recogen las migajas que caen de la mesa de los ricos. Los convoco a realizar acciones directas en pos de las más desfavorecidos, a que la atención en el seno de las familias sea prioritaria para los gobernantes”…

“Los esfuerzos por tender puentes y buscar entendimiento nunca son vanos”…

 

7 – A Pátria Grande foi assumida e os latino-americanos podem começar a afirmar com justeza que “temos Pátria Grande”, ou que “Pátria Grande somos todos nós”!

A plataforma de “Pátria Grande” foi estendida para além da Cimeira de Chefes de Estado, com a realização de fóruns sociais, de direitos humanos, de direitos dos povos indígenas, onde muitos assuntos relacionados com as múltiplas identidades, com a libertação dos povos, com a riqueza dos processos de independência, soberania e de integração foram discutidos, avaliados e projectados.

As administrações dos Estados Unidos e do Canadá retiraram-se antes dos discursos de muitos dignitários latino-americanos, impedindo assim um Relatório final da VIIª Cimeira, ao mesmo tempo que ONGs vinculadas aos respectivos sistemas de inteligência, contrastaram no seu labor, com a plataforma da Pátria Grande, procurando desvirtuá-la, confundi-la, ou subvertê-la nos propósitos inerentes à sua essência.

Quer Cuba, quer a Venezuela denunciaram as partes de sua competência e de forma a salvaguardar a expressão efectiva da Pátria Grande, algo que vale a pena abordar em sequência, mas importa desde já realçar que nem as bases militares, nem a artificiosa “sociedade civil” presa aos tentáculos da USAID e da NED, cada vez mais identificadas na sua manobra perante os povos, são já suficientes para quebrar o ânimo eu todos estão a depositar na Pátria Grande!

“A insurgência no hemisfério cristão ocidental”, vigorosa nesta VIIª Cimeira das Américas, por via da substância integradora que vai dando fulgor à construção da Pátria Grande, está em dialéctica contradição com a doutrina cristã ultraconservadora que se propõe à iniciativa de dividir e dividir, para que 1% melhor possa reinar e, apesar da ausência dos Estados Unidos e do Canadá em relação a parte dos discursos de alguns dignitários das Américas, nem mesmo isso poderá levar a que os dois representantes máximos desses países em muitos assuntos de interesse comum tenham que efectivamente que optar pelo interesse comum.

Um sinal evidente nesse sentido, apesar da permanência de mais de 50 bases militares norte-americanas espalhadas por todo o espaço latino-americano, é a insistência para a construção da paz na Colômbia, sob mediação cubana.

Com o sistema de agentes do império remetidos para uma defensiva porfiada, a geometria variável das tensões, conflitos e guerras que ainda perduram nas Américas estão e um nível de guerra psicológica de média-baixa intensidade, incluindo por dentro das complexas e multifacetadas sociedades estadunidenses e canadiana, que não estão imunes a tal.

A partir desta VIIª Cimeira das Américas, “a insurgência no hemisfério cristão ocidental” tem pernas para que muito do que diz respeito ao passado não se volte mais a repetir nos termos do que se fez sentir nesse passado.

Não será essa uma razão suficiente da oportuna visita do Papa Francisco aos Estados Unidos, passando previamente por Cuba?

Foto: frente a frente entre Delegações de Cuba e dos Estados Unidos, chefiadas respectivamente por Raul de Castro e Barack Hussein Obama.

A consultar:

. Playa Girón en el recuerdo – http://www.cubadebate.cu/noticias/2015/04/20/playa-giron-en-el-recuerdo/#.VTVx931dZy0

. Pátria Grande – http://en.wikipedia.org/wiki/Patria_Grande

. Pátria Grande – http://www.rebelion.org/noticia.php?id=197740

. En la Cumbre de Panamá se fortaleció el bloque histórico de América Latina – http://www.correodelorinoco.gob.ve/politica/cumbre-panama-se-fortalecio-bloque-historico-america-latina/

. A pior campanha terrorista é a que está a ser orquestrada em Washington – http://pt.euronews.com/2015/04/17/noam-chomsky-a-pior-campanha-terrorista-e-a-que-esta-a-ser-orquestrada-em/

. Horizonte de lealdad y dignidade – http://www.correodelorinoco.gob.ve/politica/horizonte-lealtad-y-dignidad-opinion/

. Latinoamérica después de Panamá – http://actualidad.rt.com/opinion/juan-manuel-karg/171914-latinoamerica-despues-panama

. Vinimos a cumplir el mandato de Martí con la libertad conquistada con nuestras propias manos –http://www.granma.cu/cumbre-de-las-americas/2015-04-11/raul-vinimos-a-cumplir-el-mandato-de-marti-con-la-libertad-conquistada-con-nuestras-propias-manos

. Discurso completo de Raul de Casto – http://convencao2009.blogspot.com/2015/04/cuba-na-cupula-as-americas-discurso.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+blogspot%2FyqJas+%28Solid%C3%A1rios%29

. Maduro: Los problemas de los venezolanos los resolvemos de acuerdo a nuestra Constitución –http://www.granma.cu/cumbre-de-las-americas/2015-04-11/maduro-los-problemas-de-los-venezolanos-los-resolvemos-de-acuerdo-a-nuestra-constitucion

. Cristina Fernández llamó a la sinceridad para discutir los problemas de la región – http://www.granma.cu/cumbre-de-las-americas/2015-04-11/cristina-fernandez-llamo-a-la-sinceridad-para-discutir-los-problemas-de-la-region

. Correa: La paz no es ausencia de guerra, ya es hora de la segunda independencia – http://www.granma.cu/cumbre-de-las-americas/2015-04-11/correa-la-paz-no-es-ausencia-de-guerra-ya-es-hora-de-la-segunda-independencia

. Evo Morales con los Pueblos: Nuestra América no se vende – http://www.cubadebate.cu/noticias/2015/04/10/evo-morales-interviene-en-la-cumbre-de-los-pueblos/#.VSgsFH1dZy0

. Dilma Rousseff: El siglo XXI tiene que rescatar la esperanza – http://www.granma.cu/cumbre-de-las-americas/2015-04-11/dilma-rousseff-el-siglo-xxi-tiene-que-rescatar-la-esperanza

. Varela espera que la visita del papa a EEUU ayude a levantar embargo a Cuba – http://www.correodelorinoco.gob.ve/multipolaridad/varela-espera-que-visita-papa-a-eeuu-ayude-a-levantar-embargo-a-cuba/

Angola. O BANDITISMO E A RELIGIÃO

Posted: 22 Apr 2015 12:08 PM PDT

José Ribeiro – Jornal de Angola, opinião, em A Palavra do Diretor

A paz e a estabilidade que Angola desfruta há 13 anos permitiram várias conquistas e avanços em todo o país e em várias áreas, particularmente no que ao exercício dos direitos, liberdades e garantias fundamentais diz respeito.

O exercício da liberdade de culto e de crença religiosa tem sido uma realidade em Angola há muitos anos, facto que permitiu, sem exagero, o florescimento e reconhecimento de várias denominações religiosas.
A proliferação de seitas religiosas ilegais constitui entretanto um problema, porque, além de contrariar as leis angolanas, tende sempre a provocar situações imprevisíveis e muitas vezes lesivas dos interesses das comunidades.
Em Angola há, nos termos da Constituição, garantias de exercício da liberdade de consciência, de crença religiosa, e valores como a tolerância e o respeito pela diferença fazem morada no país. Não podemos permitir que grupos movidos por extremismo religioso coloquem em causa a paz e a estabilidade duramente conquistadas. A ordem e a tranquilidade públicas devem ser protegidas, não devendo haver espaço para actuação de grupos que violam as leis e os usos e costumes do povo angolano.
O fenómeno da proliferação de seitas religiosas é um problema complexo que tem merecido a atenção das autoridades, que têm procurado, à luz do disposto nas leis angolanas, inviabilizar actividades religiosas não reconhecidas. Os últimos acontecimentos no país, que envolveram a seita denominada “A Luz do Mundo”, devem servir para profundas reflexões sobre o exercício ilegal da liberdade de culto e crença religiosa e sobre a adesão a grupos religiosos que atentam contra as instituições do Estado. Todos devemos retirar as lições que se impõem daqueles acontecimentos.
Sabemos todos da complexidade que existe em lidar com questões ligadas à fé, sobretudo quando exercida à revelia das leis e levadas ao extremo por parte dos seus praticantes. As leis angolanas determinam que as instituições religiosas apenas devem abrir as suas portas aos fiéis depois de as autoridades procederem ao seu reconhecimento. Não é permitido que igrejas ou seitas religiosas, muito menos as suas dissidências, funcionem ilegalmente, arregimentando homens e meios para confrontar as instituições do Estado. O artigo 10º, nº 2, da Lei Fundamental é claro: “O Estado reconhece e respeita as diferentes confissões religiosas, as quais são livres na sua organização e no exercício das suas actividades, desde que as mesmas se conformem com a Constituição e com as leis da República de Angola.”
As famílias são igualmente chamadas a prestar maior atenção a certas práticas religiosas, evitando aderir a denominações religiosas sem que muitas vezes conheçam os seus dogmas de fé, doutrinas, objectivos e responsabilidade social. As seitas proliferam ali onde há baixo nível de escolaridade e muita pobreza, razão pela qual importa acelerar os esforços para promoção do desenvolvimento económico e social.  Embora a liberdade de consciência, de crença religiosa e de culto seja inviolável, não se podem interpretar as garantias legais do exercício das liberdades religiosas como uma espécie de carta branca para práticas proibidas pelas leis do país. Não é aceitável que, em nome de uma suposta fé e crença, se rejeite a assistência médica e medicamentosa e o acesso ao ensino por parte das crianças.
É importante continuar a investir em esclarecimentos junto das comunidades, estender os ganhos da paz às zonas mais recônditas de Angola, elevar os níveis de escolaridade e evitar que famílias inteiras sejam levadas a praticar actos anti-sociais em nome de uma pretensa fé.
Não devemos permitir que a tolerância, a paz, a estabilidade e os esforços de desenvolvimento sejam perturbados por grupos que praticam actos de banditismo puro, a coberto da religião. Porque estivemos directa ou indirectamente afectados por uma longa guerra, que causou muitas mortes, sabemos do valor da paz e da estabilidade. Num Estado democrático de direito há mecanismos apropriados para as pessoas expressarem as suas opiniões e convicções. Todos os cidadãos têm direitos, mas estão sujeitos aos deveres estabelecidos na Constituição e na lei.
O que aconteceu na Caála, mais precisamente na serra de Sumé, com a seita “A Luz do Mundo”, alerta-nos para a potencialidade de grupos religiosos ilegais praticarem actos contra a vida humana, devendo tomar-se medidas céleres para que preventivamente se evitem acções contrárias às leis.

Angola – Huambo. Seguidores de Kalupeteka voltam a insurgir-se contra a Polícia

Posted: 22 Apr 2015 12:10 PM PDT

 

Huambo – Um grupo de cidadãos pertencentes à seita religiosa Adventista do Sétimo Dia Luz do Mundo, liderada por José Julino Kalupeteka, atacou na madrugada de hoje, quarta-feira, o posto policial da comuna da Catata, município da Caála, 106 quilómetros a sul da cidade do Huambo.

Em comunicado enviado à Angop, o comando da Polícia Nacional na província informa que os mesmos, em número não determinado, estavam munidos de objectos contundentes e armas de arremesso.

Diante da resposta pronta policial, lê-se na nota, assinada pelo comissário Elias Dumbo Livulo, comandante provincial, foi frustrada a tentativa dos seguidores da seita de Kalupeteka, tendo sido detidos três indivíduos, por resistência às autoridades policiais.

A Polícia Nacional também informa que se registou, segunda-feira, na comuna da Catabola, município do Longonjo, 96 quilómetros a sudoeste da cidade do Huambo, uma outra acção praticada por seguidores desta seita contra agentes da corporação.

A mesma foi consubstanciada no envolvimento de quatro polícias, na povoação de Meke, por 138 seguidores de Kalupeteka, oriundos da localidade de Cusse, município da Caconda, província da Huíla.

Findo o cumprimento da operação de resgate dos polícias que estavam cercados, conclui o comunicado, os líderes do grupo voltaram a incitar a população para atacar com catanas os polícias presentes no local do incidente.

O Comando da Polícia Nacional na província do Huambo garante que a situação está controlada, mas apela à população a estar calma e a denunciar qualquer movimentação dos seguidores da seita religiosa, cujo objecto central implantar o coas e o terror nas comunidades.

Angop

Angola. POLÍCIA NACIONAL À CAÇA DA SEITA “A LUZ DO MUNDO”

Posted: 22 Apr 2015 11:41 AM PDT

 

Ambrósio de Lemos pretende encontrar-se com membros da seita refugiados no Lubango

Teodoro Albano – Voz da América

O comandante-geral da Polícia Nacional garantiu no Lubango hoje, 22, um combate sem tréguas à seita religiosa A Luz do Mundo.O comissário-geral Ambrósio de Lemos disse que a grande prioridade da corporação é desmantelar a seita e libertar as populações por ela detidas.

Ambrósio de Lemos reafirmou no Lubango, a detenção de sete a oito dirigentes da seita, inclusive o líder, José Julino Kalupeteca.- Voz da América

“Nós não vamos dar tréguas a estes elementos. Os cabeças em todos os locais, onde estiverem os cabeças vão ser apanhados para serem entregues à justiça e a população liberta”, garantiu Lemos, que não confirma as informações que apontam para a morte de 700 pessoas da seita A Luz do Mundo pelas mãos da polícia.

“Não, não confirmo não há qualquer realidade sobre isto”, reiterou categoricamente.

Durante a sua visita de dois dias ao Lubango, para além de orientar um encontro dos membros do Conselho Consultivo do Ministério do Interior local, Ambrósio Lemos  tem prevista uma reunião com comunidades da seita A Luz do Mundo concentradas num lar de acolhimento na cidade.

Angola. ATIVISTAS PROMETEM PROCESSAR A GOVERNADORA DE CABINDA

Posted: 22 Apr 2015 11:31 AM PDT

Manuel José – Voz da América

Um grupo de activistas cívicos de Cabinda pretende abrir um processo crime contra a governadora Aldina da Lomba Catembo, por alegados atropelos na sua governação. Segundo os activistas, a governadora é a mentora da prisão dos activistas José Marcos Mavungo e Arão Tempo.

Cabinda, Alexandre Cuanga, a governadora tem se feito valer do cargo, para exercer abuso de poder contra os activistas por isso ponderam abrir um processo crime contra Aldina da Lomba Catembo.

“As nossas manifestações cumprem os pressupostos legais de acordo com a Constituição, mas quem tem impedido é a governadora Aldina da Lomba, vamos processá-la, estamos a estudar os trâmites e vamos avançar com um processo crime contra a governadora”, garantiu.

Alexandre Cuanga revelou que o estado de saúde dos dois activistas cívicos presos está a agravar-se: “O estado de saúde de Marcos Mavungo e Arao Tempo é precária, Mavungo está com problemas cardiovasculares, estava no hospital nem cumpriu o tratamento e voltou à cadeia, o Dr. Arão Tempo está com problemas de tensão alta”.

Cuanga que também esteve preso durante seis dias e contou que as condições da cela da Direcção de Investigação Criminal são desumanas. “Os presos comem e fazem as suas necessidades fisiológicas no mesmo lugar, uma situação vergonhosa”, concluiu.

Angola. UNITA fala em “chacina” no confronto entre polícia e seguidores de seita

Posted: 22 Apr 2015 11:18 AM PDT

 

O secretário-geral da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) classificou hoje como uma “chacina” os recentes confrontos entre membros de uma seita religiosa e efetivos da polícia, no Huambo, com várias mortes de ambas as partes

A posição foi assumida por Vitorino Nhany, em conferência de imprensa realizada em Luanda, convocada para abordar os acontecimentos à volta de seita religiosa “A Luz do Mundo”, também conhecida por Kalupeteca, nome do seu líder.

Uma delegação de deputados da UNITA, o maior partido da oposição em Angola, está desde hoje naquela província, para confrontar as famílias enlutadas com as informações oficiais.

Em causa está a morte de nove polícias e de 13 elementos da seita religiosa, a 16 de abril, no município da Caála. Os agentes, na versão policial, entraram em confronto na tentativa de capturar Julino Kalupeteca, líder da seita, ilegal e que advoga o fim do mundo em 2015.

“O que se passa na província do Huambo é um autêntico terror, uma chacina, um genocídio, o que é condenável a todos os títulos”, referiu Vitorino Nhany, comentando informações da população local que apontam para a alegada morte de mais de 700 pessoas, versão negada pela polícia.

“Só uma investigação séria e isenta poderá determinar os factos que realmente terão ocorrido na Serra do Sumi na passada semana”, disse ainda o político.

Em comunicado, o Governo Provincial do Huambo acusou terça-feira a UNITA de ter orquestrado um plano político para ser executado pela seita “A Luz do Mundo”.

No documento, as autoridades provinciais referem que o plano “com muitos traços que identificam a atuação política da UNITA” tinha como objetivo levar as populações a abandonarem as suas residências, para se fixarem nas matas, sobretudo nas ex-bases militares daquela força política.

O governo do Huambo afirma ainda que no âmbito do mandado de captura, emitido pela Procuradoria-Geral da República, as autoridades encontraram no morro do Sumé – local do acampamento da seita – “muito material de propaganda da UNITA, incluindo cartões de membros dessa organização, recentemente emitidos e assinados pelo seu secretário provincial, Liberty Chiyaka”.

Declarações anteriores de alguns dirigentes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder, e a divulgação de imagens de material de propaganda daquele partido no acampamento da seita, levaram a UNITA a negar, em comunicado, qualquer envolvimento nos confrontos.

A direção do partido liderado por Isaías Samakuva manifestou mesmo “revolta pelas tentativas de envolvimento do nome da UNITA numa situação que nada tem a ver com ela”, considerando-as “irresponsáveis, descontextualizadas e imbuídas de má-fé”.

Lusa, em Notícias ao Minuto

Angola. DECRETEM O FIM DA UNITA!

Posted: 22 Apr 2015 09:11 AM PDT

 

O Governo Provincial do Huambo, liderado por Kundy Paihama, o influente político do regime que sempre disse que no país existiam dois tipos de pessoas – os angolanos e os kwachas, acusou a UNITA de ter orquestrado um plano político para ser executado pela seita “Sétimo Dia a Luz do Mundo”.

Orlando Castro

Nem nisto o MPLA conseguiu ir além do que se previa e que aqui foi denunciado. É, aliás, uma estratégia que faz parte do ADN do regime. O plano consistia em levar as populações a abandonarem as suas residências, para se fixarem nas matas, sobretudo nas ex-bases militares da UNITA.

Estaria a UNITA, presume a brilhante (de)mente de Kundy Paihama e seus sipaios, a preparar um exército de cerca de quatro mil pessoas (incluindo mulheres e crianças), tantos são os simpatizantes da seita, também conhecida por “Kalupeteca”.

Num comunicado enviado à Angop, o governo provincial explica que a referida seita, aproveitando-se da fé dos seus seguidores, meteu em marcha um plano político bem orquestrado e orientado, com muitos traços que identificam a actuação política da UNITA.

Kundy Paihama, embora continue a honrar a boçalidade que sempre o caracterizou, já não é o que era. Nos seus bons tempos teria com certeza dito que os seguidores da “Kalupeteca” acreditam que Jonas Savimbi está vivo.

Lembra o regime que no âmbito da execução do mandato de captura, emitido pela Procuradoria-Geral da República, as autoridades policiais encontraram no morro do Sumé muito material de propaganda da UNITA, incluindo cartões de membros dessa organização, recentemente emitidos e assinados pelo seu secretário provincial, Liberty Chiayaka.

Convenhamos que, como é regra de ouro da democracia norte-coreana que vigora no nosso país, ter cartão de membro da UNITA é só por si um crime contra a segurança do Estado e, é claro, um inequívoco indício de terrorismo.

“Paradoxalmente, a UNITA leva a cabo uma propaganda hipócrita, enganosa e mentirosa de que foi o Governo quem deixou e plantou o material de propaganda, através de um helicóptero, quando, de facto, este aparelho só se deslocou ao Sumé dois dias depois do sucedido”, lê-se no documento.

E, convenhamos também, alguma vez o regime era capaz de uma coisa dessas? Claro que não. Citando de novo Kundy Paihama, todos sabemos que, por exemplo, as armas em posse dos militantes do MPLA “são para caçar”, “o mesmo não se podendo dizer das que estão nas mãos dos adeptos da UNITA”.

A UNITA, prossegue o comunicado do regime, é que protagoniza, de facto, acções de intolerância política, muitas delas de carácter subversivo, acusando o Governo das responsabilidades dos seus próprios actos.

O Governo da Província do Huambo afirma que, no âmbito das suas responsabilidades e diante dos acontecimentos, priorizou as exéquias dos agentes da autoridade, devidamente identificados, deixando para posterior a identificação e o enterro dos elementos que se envolveram nas acções contra a polícia, de que resultou na morte de treze deles.

Assim, comunica a todas as pessoas que eventualmente tenham algum membro da sua família envolvido na troca de tiros, que vitimou mortalmente efectivos da polícia, no sentido de dirigirem-se à casa mortuária do Hospital Geral do Huambo, para possível identificação dos cadáveres recolhidos no local até as 12 horas do dia 23 deste mês, para a realização dos funerais.

Conclui alertando, mais uma vez, a população e os religiosos, em particular, para a vigilância e obediência aos órgãos de Defesa e Segurança, devendo denunciar oportunamente quaisquer intentos contra a ordem pública, a paz e unidade nacional.

Entretanto, o líder da bancada parlamentar da UNITA revelou que mais de 700 pessoas terão morrido em conflitos na passada quinta-feira, dia 16, entre a polícia e seguidos da “Kalupeteca”.

Mas como é que isso é possível, se a Polícia Nacional (do MPLA) fala em apenas 13 civis mortos? Provavelmente o método de contagem é o mesmo que o MPLA adoptou no 27 de Maio de 1977. Enquanto uns falam em cerca de 80 mil, a versão oficial aponta para poucos milhares, havendo mesmo quem diga que esse massacre nunca existiu.

Folha 8 (ao)

Leia mais em Folha 8

Mais uma ameaça à paz

Combate ao “mata-aulas”

Diamantes em alta

JACOB ZUMA E O GOVERNO DA ÁFRICA DO SUL TRAEM NELSON MANDELA

Posted: 22 Apr 2015 09:00 AM PDT

 

Corre em notícia separada deste compacto que diz: ÁFRICA DO SUL MOBILIZA EXÉRCITO CONTRA VIOLÊNCIA XENÓFOBA. Tardiamente o presidente Zuma e o governo chegaram à conclusão de que era necessário recorrer ao exército para conter os xenófonos que vergonhosamente traíram a conduta e os ensinamentos de Mandela. A demora da mobilização do exército custou a vida a pelo menos quatro moçambicanos e o terror e estabilidade de milhares de africanos de diversos países que fizeram da África do Sul a sua segunda Pátria naquilo que julgavam ser a paz de Mandela.

O presidente Zuma e o governo sul-africano têm toda a responsabilidade nas mortes e na fuga aterrorizada dos africanos que tiveram de regressar aos seus países e que ali agora vão ter de refazer a sua vida com todas as dificuldades inerentes. Presidente e governo devem desculpas e indemnizações aos escorraçados da África do Sul. Devem explicações a todos os cidadãos sul-africanos que reprovaram a onda de xenofobia, às vítimas, às nações de África cujos cidadãos foram vitimados, a explicação por que tão tardiamente tomaram as medidas adequadas para conter a onda xenófoba. Devem igualmente a apresentação de desculpas a todos.

Não se compreende a lentidão que presidente e governo demonstraram para controlar os xenófobos acontecimentos. Logo nas primeiras horas se percebeu que a polícia não ia conseguir conter devidamente o terror nem os assassinatos ocorridos. Nada disto aconteceria com Mandela no cargo de Zuma, nem o governo ficaria a dormir as sestas enquanto imigrantes era assassinados, casas e lojas pilhadas com o terror à solta. O que o governo e Zuma fizeram foi trair, como os xenófobos, os ideais, a conduta e os ensinamentos de Mandela. O próprio ANC não sai impune de toda esta onda terrível e horrível que envergonhou e envergonha o país e a maioria dos cidadãos sul-africanos.

Redação PG

SEISCENTAS VÍTIMAS DE VOLTA
Fernando Fazenda, embaixador moçambicano na África do Sul, disse esta terça-feira ao “Notícias” que as vítimas, por sinal o segundo grupo, constituem o número mais alargado a ser repatriado, numa operação coordenada pelas autoridades moçambicanas.

O referido grupo deixara ainda esta terça-feira aquele país e já em solo pátrio será encaminhado ao centro provisório de acolhimento aberto em Boane, na província de Maputo, sul de Moçambique.

O primeiro grupo de repatriados foi de 107 moçambicanos que já foram encaminhados às suas zonas de origem.

“Continuamos a apelar às pessoas a voltarem ao país porque a situação mantem-se tensa, embora haja sinais de abrandamento dos ataques. Não podemos tirar conclusões precipitadas de que a situação está calma, isto após a cerimónia dirigida pelo rei zulu, Goodwill Zwelithini, na qual declarou guerra à xenofobia”, disse o embaixador. “Embora a situação seja diferente da das primeiras semanas, vamos esperar para ver o que é que isto vai dar. Enquanto isso prosseguimos com as nossas acções de ajuda aos nossos concidadãos no sentido de voltarem para casa, porque essa é a melhor opção” –sublinhou o diplomata.

A onda de violência xenófoba na África do Sul, que teve como epicentro a cidade de Durban, obrigou milhares de moçambicanos a refugiarem-se em três centros, tendo algumas centenas preferido regressar a Moçambique. Três moçambicanos foram mortos por sul-africanos xenófobos.

(AIM) FF

DETIDO QUARTO SUSPEITO NO ASSASSINATO DE SITHOLE
Damasco Mate, cônsul moçambicano em Joanesburgo, que confirmou a informação ao “Notícias”, precisa que o quarteto foi esta terca-feira encaminhado a um juiz no Tribunal de Alexandra para os primeiros interrogatórios.

A detenção dos supostos assassinos aconteceu depois que a Polícia sul-africana anunciou uma recompensa de até R100.000,00 para quem fornecesse informações relevantes que pudessem levar à prisão e condenação dos autores da bárbara morte do moçambicano.

Emmanuel Sithole, de 35 anos, perdeu a vida pouco tempo depois de ser esfaqueado por quatro protagonistas de actos xenófobos que viram a sua identificação e detenção facilitada pelas imagens captadas pelo fotógrafo do “Sunday Times” James Oatway, que reportou toda a cena, antes de socorrer a vítima para o hospital, onde viria a perder a vida.

Quanto ao funeral da vítima Mate disse que os familiares prontificaram-se a assumir as despesas da transladação do corpo para a sua terra natal Múxunguè, província de Sofala, centro de Moçambique. No entanto, nenhuma decisão definitiva foi ainda tomada pelos parentes sobre a vontade de realizar o funeral do finado em território sul-africano.

“Eles aguardam pelos resultados da primeira audição em tribunal para tomar uma posição definitiva. Contudo, mesmo o nosso apoio estando disponível, eles manifestam capacidade financeira para transladar o corpo” – disse.

Num outro desenvolvimento, Mate referiu que a situação na zona de Joanesburgo tende a melhorar, isto depois dos apelos do rei zulu para que os sul-africanos cessem os ataques contra os estrangeiros.

“A situação está de volta à normalidade. Mais do que parar com os ataques aos cidadãos estrangeiros, a RAS (República da África do Sul) precisa refazer a sua imagem, daí que todo o esforço neste momento está centrado em reverter a situação que durante três semanas semeou terror nas pessoas”– disse.

(AIM) FF

MAIS DE 1.500 MOÇAMBICANOS JÁ REGRESSARAM AO PAÍS
Maputo, 21 Abr (AIM) – Mais de 1.500 cidadãos moçambicanos, vítimas da onda de xenofobia na vizinha África do Sul, já regressaram ao país com recurso a meios próprios.

Acresce a este número outras 107 pessoas que regressaram a 18 de Abril corrente através de meios disponibilizados pelo governo.

A informação foi fornecida hoje pelo porta-voz do governo, Mouzinho Saíde, durante o habitual briefing à imprensa no término da 12ª sessão do Conselho de Ministros, que teve lugar em Maputo.

“Entrehoje e amanhã (quarta-feira) esperamos mais 400 cidadãos que devem regressar ao país e estão criadas todas as condições para os receber condignamente e depois encaminha-los aos seus locais de origem”, revelou o porta-voz.

Segundo Saíde, o governo, através das suas missões diplomáticas e consulares na África do Sul, está a monitorar a situação e assistir os afectados nos centros de acomodação, bem como repatriar todos aqueles que desejam regressar ao país.

Aliás, o governo enviou o vice-ministro do Interior, José Coimbra, à África do Sul onde teve a oportunidade de dialogar e verificar as condições em que estão a ser acomodadas os concidadãos.

“O Conselho de Ministros orientou os governos provinciais e o Instituto de Gestão das Calamidades (INGC) para garantir o devido seguimento e criar condições para a rápida integração e também apela à calma e serenidade dos moçambicanos, conscientes da gravidade da situação que estão a passar na RAS, porque o ciclo de violência não vai ajudar, pois, violência gera violência”, sublinhou.

Nesta sessão, o governo também teve a oportunidade de acompanhar o curso do diálogo politico com a Renamo, o maior partido da oposição em Mocambique, que esta segunda-feira realizou a 102ª ronda. O governo reiterou a sua confiança nos mediadores nacionais “pelas suas iniciativas em prol da consolidação da paz”.

O governo encorajou também os peritos militares no sentido de priorizarem a preparação para o enquadramento das forças residuais da Renamo nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e na Polícia. A próxima ronda está marcada para 27 de Abril corrente.

Ainda na sessão desta terça-feira, o Conselho de Ministros recebeu informação sobre os preparativos das festividades do 1 de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores. As festividades serão lançadas no próximo dia 23 de Abril e as cerimónias centrais terão lugar em Maputo.

Na ocasião, foram também apresentadas informações sobre o processo de reassentamento das cerca de seis mil pessoas residentes no interior do parque Nacional do Limpopo e sobre o estado de saúde do antigo chefe de Estado moçambicano, Joaquim Chissano, que se encontra internado no hospital Militar de Pretória desde 13 de Abril corrente, padecendo de uma infecção gastro-intestinal.

O porta-voz garantiu que o estado de saúde de Chissano “é satisfatório”, desmentindo informações postas a circular, via mensagens SMS, alegando que o antigo presidente moçambicano estaria gravemente doente.
(AIM) DT/sg

AMEAÇA DE RETORNO A GUERRA AFASTA CAMPONESES DAS MACHAMBAS EM TSANGANO

Posted: 22 Apr 2015 08:14 AM PDT

 

MAPUTO, 21 ABR. (AIM) – Camponeses do distrito de Tsangano, na província central de Tete, justificam a sua fraca participação da presente campanha agrícola alegando que o discurso do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, que indicia a eventualidade de retorno à guerra e a movimentação de homens armados afastaram-lhes das machambas.

Os camponeses advertem sobre o risco de uma crise alimentar, devido à fraca participação das pessoas na presente campanha agrícola, situação que poderá ser agravada pelas constantes deslocações das pessoas à procura de zonas mais seguras nos próximos tempos, caso os homens da Renamo não sejam desarmados.

“Estamos inseguros e muitos de nós preferimos não ir a machamba, ficar em casa, porque tememos cruzar com os homens da Renamo, que já queimaram casas e raptaram alguns líderes comunitários na localidade de Chibaene”, disse um camponês, citado na edição de hoje do jornal “Noticias”.

Falando num comício orientado pelo governador de Tete, Paulo Auade, os populares disseram que os homens da Renamo, para além de se apoderarem indevidamente de produtos alimentares dos camponeses, surripiam também dinheiro e electrodomésticos, principalmente aparelhos sonoros, nas comunidades por onde passam.

Segundo os populares, aquando da sua recente passagem por Tsangano, o líder da Renamo ameaçou “escorraçar” a administradora e os membros do Governo distrital, e tomar o poder.

Estas ameaças, segundo a fonte, obrigam a população a equacionar a possibilidade de abandonar a região e refugiar-se no vizinho Malawi, à semelhança do que aconteceu na guerra de desestabilização dos 16 anos, em que muitos aldeões da zona passaram a maior parte da sua vida naquele país vizinho.

“A movimentação permanente de homens armados da Renamo nas povoações do distrito sinaliza preparativos do eventual retorno à guerra”, disseram.

O Governador Paulo Auade sossegou os cidadãos presentes afirmando que o Governo central está a envidar esforços para trazer uma paz definitiva para o país, tendo em vista o rápido desenvolvimento socioeconómico nacional.

“Não fiquem com medo, essas ameaças (de Dhlakama e seu partido) um dia vão terminar. Continuem a trabalhar nas vossas machambas. Circulem à vontade e procurem sempre na medida do possível conhecer bem as visitas que escalam as vossas comunidades”, apelou o governante.

Devido as ameaças de retorno a guerra a governadora da província de Gaza, Stella Pinto Zeca, trabalhou sexta-feira nas aldeias de Maimane e Nhamboze, no posto administrativo de Nalaze, no distrito de Guijá, onde apelou às cerca de 50 famílias ali refugiadas para regressarem às suas comunidades, pelo facto de finalmente se ter restabelecido a paz e tranquilidade na zona.

Os aldeões abandonaram as suas casas na sequência dos ataques perpetrados por homens armados da Renamo contra posições das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) estacionadas no local.

Segundo a Stella Zeca, uma vez restabelecida a tranquilidade, o Governo vai assumir e cumprir as suas obrigações de garantir as necessárias condições para que os camponeses possam rapidamente retomar as suas actividades normais, designadamente a produção agrícola e pecuária.

“Quando a população se encontra numa situação de insegurança, nós, temos de garantir a sua segurança e protecção para que ela possa trabalhar num ambiente sereno e tranquilo, sem nenhuma perturbação”, disse a governadora de Gaza.

Cerca de 300 crianças do posto administrativo de Nalaze foram obrigadas a abandonar as aulas por causa da presença dos homens armados da Renamo na zona.

Na ocasião, Stella Pinto Zeca disse ter ido a Guijá para estudar com as autoridades locais as melhores formas para garantir o retorno voluntário, porém, organizado da população deslocada, para que possa retomar paulatinamente as suas actividades nos seus locais de origem.
(AIM) MAD/SG

NYUSI QUER POPULAÇÃO FOCADA NO DESENVOLVIMENTO E NÃO NA DIVISÃO DO PAÍS

Posted: 22 Apr 2015 08:02 AM PDT

Anacleto Mercedes, da AIM

Magude (Moçambique), 21 Abr (AIM) –O Chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, exortou hoje, aos cidadãos a não perderem tempo discutindo a divisão do país, ganho e conquistado com muito sacrifício, mas sim devem ganhar este mesmo tempo discutindo como produzir mais comida, construir mais escolas, mais estradas e desenvolver o país.

Nyusi dirigia-se à população do distrito de Magude, província meridional de Maputo, num comício bastante concorrido, por ocasião da visita de trabalho de quatro dias.

“O povo quer comida. O povo quer medicamentos. O povo quer água. O povo quer energia. É nisto que temos que investir o tempo para trabalharmos para o nosso povo e tirar o povo da miséria. É isso que nós devemos fazer. Agora, perder tempo sentado e reunir todos os dias como dividir Moçambique não deve ser agenda dos moçambicanos”, disse o Presidente.

Explicando sobre a sua escalada ao distrito, em particular, e à província, em geral, o mais alto magistrado da nação disse que ia agradecer pelo facto de a população lhe ter escolhido e ao seu partido (Frelimo) para a vitória nas eleições de Outubro de 2014.

Outro objectivo foi de levar consigo uma mensagem “muito simples”, que se resume apenas em paz, unidade (nacional) e o desenvolvimento.

“É esta mensagem, de esperança, que trago para a população de Magude. Com estas três palavras, resolveremos o problema dos moçambicanos. Então, pedimos para que nos dêem tempo para concentrarmo-nos e resolvermos estes problemas, do que discutir parcelar uma nação. É isto que nós queremos fazer”, sublinhou.

Em relação à paz, o estadista destacou a pertinência de sua preservação, visto que sem a mesma nada se pode fazer: não se pode produzir comida, não se podem construir infra-estruturas sociais, entre outros aspectos de interesse comum.

Explicando o sentido da paz, ele disse não se tratar apenas de não disparar contra outra pessoa, mas também harmonia, amizade e um convívio entre os homens.

Assim, os povos moçambicanos têm que estar sempre em paz, com uma vida sempre em paz, comunhão e harmonia entre cada um dos cidadãos.

“Isto que está a acontecer, agora, na África do Sul, de andar a perseguir irmãos doutros países é falta de paz. É falta de paz também quando vamos dormir e não sabemos se o nosso gado, que está no curral, quando acordarmos estará ali, ou haverá alguém que virá roubar. Quando rouba e intranquiliza-nos, não estamos em paz”, referiu.

Nyusi explicou que não se está em paz também quando se discute por causa da terra, porque esta pertence a todos os moçambicanos, é um bem comum.

Por isso, aproveitou a oportunidade e apelou a todos a protegerem a paz, alimentando-a.

E, no seu entender, a paz alimenta-se conversando, sorrindo, entendendo, perdoando e tolerando.

No concernente à unidade nacional, o Presidente destacou igualmente a necessidade da sua continuidade, pois, da mesma maneira que, unido, o povo moçambicano libertou o país do jugo colonial português, unido, este mesmo povo pode continuar a desenvolver o país.

Sobre o desenvolvimento, o terceiro aspecto na sua mensagem, Nyusi preferiu deixar ao critério dos presentes, para que estes, através das suas contribuições, pudessem dizer como é que o governo deve agir e que acções deve levar a cabo para o progresso do país, rumo ao bem-estar de todos.

Esta população, que, mesmo debaixo de chuva que se fazia sentir em Magude, acorreu ao local do comício, pediu para que o governo de Nyusi tomasse em conta as suas preocupações, pois, elegeu-o na esperança de ver os seus problemas resolvidos, nomeadamente a expansão do abastecimento de água potável, rede eléctrica e de telefonia móvel, melhoramento do sistema de transportes, serviços de saúde, educação, entre outros.

“Temos fome aqui. Não nos pergunte por que tanta fome, enquanto somos um dos maiores criadores de gado, pois, nem todos somos criadores de gado. Se digo que temos fome, refiro-me aos pobres”, disse Afonso Manhique.

Hortência Matias começou por agradecer ao governo pelo desenvolvimento que a província tem vindo a registar, em particular o distrito de Magude. Aqui, Matias enalteceu o facto de o distrito ter água, energia, estrada, e outros bens comuns.

Também pediu ao governo para melhorar a qualidade do sinal de televisão. Não obstante haver água, em Magude, a fonte disse não estar totalmente satisfeita, porque a mesma é salobre.

Assim, Matias pediu ao Presidente para ajudar a criar condições para a construção de uma represa, visando abastecer o distrito em água potável com melhor qualidade.

Jonas Baloi reconheceu que o governo local não dispõe de meios para responder a todos os desafios. Assim, pediu ao governo central para que crie melhores condições para o ensino das crianças, uma vez que algumas delas estudam debaixo das árvores e sentadas no chão.

Baloi lembrou que enquanto candidato, o Presidente prometeu construir uma ponte sobre o rio Incomáti. E, por isso, pediu para que esta promessa seja cumprida.

Em resposta a estas questões, tal como disse primeiramente, Nyusi prometeu resolver os problemas, mas disse precisar de tempo para concentrar-se de forma a resolvê-los.

Nesta deslocação à província de Maputo, o Chefe do Estado moçambicano, faz-se acompanhar pela sua esposa, Isaura Nyusi; ministros da Administração Estatal e Função Pública, Carmelita Namashulua; do Interior, Jaime Basílio Monteiro; Indústria e Comércio, Ernesto Tonela; e pelos Vice – Ministros da Juventude e Desportos, Ana Flávia de Azinheira; Agricultura e Segurança Alimentar, Luísa Meque e quadros da Presidência da República.

Durante a visita, o Presidente deverá escalar ainda os distritos de Manhiça, Marracuene, Namaacha e cidade da Matola.

(AIM) ALM/

Carnificina rodoviária casou mais 29 óbitos na semana passada em Moçambique

Posted: 22 Apr 2015 07:54 AM PDT

Intasse Sitoe  – Verdade (mz

os condutores não habilitados para se fazerem ao volante, na sua maioria jovens, continuam a causar mortes e alguns deles não prestam assistência às vítimas, algumas das quais têm sido abandonadas à sua sorte, segundo as autoridades policiais, que afirmam terem registado, na semana finda, 29 óbitos, 81 feridos, entre graves e ligeiros, em consequência de 39 acidentes de viação.

Segundo 18 indivíduos foram presos por condução ilegal. O número 17 do artigo 127 do Código da Estrada diz que este crime é punido com “pena de prisão de três dias a seis meses e multa de cinco mil meticais”.

Na semana anterior a que nos referimos, a sinistralidade rodoviária mantou pelo menos 34 cidadãos e feriu outros 85, entre graves e ligeiros, num total de 44 acidentes.

Pedro Cossa, porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), disse à Imprensa, em Maputo, a indisciplina dos automobilistas continua preocupante, facto consubstanciado pela ocorrência de 20 atropelamentos, 11 choques entre carros, seis despistes e capotamento e três casos de má travessia de peões, para além do habitual excesso de velocidade e condução sob o efeito de álcool, que levou à detenção de 143 pessoas.

Para além deste grupo de automobilistas, há aqueles que constantemente transformam algumas vias das estradas em pistas para a prática de manobras perigosas idênticas às da Fórmula 1.

No âmbito do combate a infracções, a Polícia de Trânsito (PT) fiscalizou 33.973 veículos, dos quais apreendeu 54 por diversas irregularidades.

ÁFRICA DO SUL MOBILIZA EXÉRCITO CONTRA VIOLÊNCIA XENÓFOBA

Posted: 22 Apr 2015 07:37 AM PDT

 

Ministra da Defesa sul-africana diz que militares vão ser destacados para manter a ordem em Alexandra, no subúrbio de Johanesburgo. Nas últimas semanas, ataques causaram sete mortes e a fuga de milhares de estrangeiros.

O governo sul-africano anunciou nesta terça-feira (21/04) que vai mobilizar o Exército para combater a onda de violência xenófoba, que atinge as regiões de Johanesburgo e Durban há 15 dias, já deixou pelo menos sete mortos e forçou milhares a deixarem suas casas.

“O Exército é a última linha de defesa e será utilizado como força de dissuasão contra a criminalidade”, afirmou a ministra da Defesa, Nosiviwe Mapisa-Nqakula, durante visita a Alexandra.

A cidade de Alexandra, nos arredores de Johanesburgo, é um dos principais locais afetados pela onda de violência contra imigrantes, sobretudo os provenientes de outros países do africanos.

Inicialmente, os soldados deverão ficar apenas em Alexandra, mas poderão ser enviados para outras áreas, como a província de KwaZulu-Natal. A região, que tem Durban como capital, é desde março palco de atos de xenofobia.

No sábado, um moçambicano foi morto em Alexandra e na madrugada desta terça-feira um casal do Zimbábue foi atacado na cidade. Nas últimas semanas, imigrantes foram apedrejados e queimados vivos.

A África do Sul tem uma população de cerca de 52 milhões de pessoas, sendo cerca de 5 milhões de imigrantes, em sua maioria de outros países do continente africano.

Apesar de uma economia relativamente bem sucedida, o país sofre com desemprego de 25%, e críticos da imigração afirmam que os trabalhadores estrangeiros tiram o emprego e as oportunidades dos nativos.

FC/afp/rtr/lusa – Deutsche Welle

ABUSOS NA INDÚSTRIA DO BANGLADESH CONTINUAM, ONG

Posted: 22 Apr 2015 07:31 AM PDT

 

Quase dois anos após o desabamento do complexo têxtil Rana Plaza, condições de trabalho no setor de vestuário permanecem precárias e degradantes no país, mostra relatório da Human Rights Watch.

O desabamento do complexo têxtil Rana Plaza, em 24 de abril de 2013, chamou atenção internacional para as condições de trabalho precárias e degradantes na indústria de vestuário em Bangladesh. Quase dois anos após a tragédia, a situação pouco mudou, segundo mostra um relatório da Human Rights Watch apresentado nesta quarta-feira (22/04), em Daca.

De acordo com a organização de defesa dos direitos humanos, os trabalhadores do setor sofrem abusos como agressões verbais, intimidações, assédio sexual e horas extras forçadas. Além disso, têm direitos como licença maternidade negados e convivem com salários atrasados ou pagos parcialmente. A maioria dos empregados dessas fábricas são mulheres, enquanto os gerentes são homens.

O documento de 78 páginas foi baseado em entrevistas com mais de 160 trabalhadores em 44 fábricas no país do sul da Ásia. Muitas são fornecedoras de vestuário para marcas famosas na América do Norte, Europa e Austrália.

Bangladesh sob pressão

Phil Robertson, vice-diretor da seção da Human Rights Watch na Ásia, pediu ao governo de Bangladesh e a varejistas estrangeiros que assegurem que proprietários e administradores das fábricas respeitem os direitos trabalhistas.

O governo de Bangladesh está sob pressão para melhorar as condições trabalhistas de sua indústria de vestuário desde que o setor viveu seu pior desastre, no desabamento do complexo têxtil Rana Plaza. O prédio havia sido construído ilegalmente nos arredores de Daca, capital de Bangladesh, e abrigava cinco fábricas de vestuário. O desastre matou 1.127 pessoas e deixou aproximadamente 2.500 feridos.

Bangladesh tem 5 mil fábricas de vestuário que empregam 4 milhões de pessoas e cujo faturamento com exportação, principalmente para EUA e Europa, ultrapassa os 20 bilhões de dólares por ano.

MD/ap/dpa – Deutsche Welle

Passageiros de voo da Air Macau abandonam avião alegando falta de segurança

Posted: 22 Apr 2015 05:19 AM PDT

 

Macau, China, 22 abr (Lusa) – Os 175 passageiros de um voo da Air Macau, entre Banguecoque e Macau, abandonaram o avião, depois de a aeronave ter voltado para trás uma hora após ter iniciado o percurso, considerando a viagem insegura.

O incidente aconteceu na terça-feira, sendo hoje noticiado pela emissora pública da Tailândia, Thai PBS, que cita relatos dos passageiros do NX885, com a transportadora a apontar, em declarações à agência Lusa, “motivos técnicos”.

Segundo a emissora tailandesa, o avião partiu de Banguecoque, com destino a Macau, mas ao fim de uma hora regressou ao aeroporto de Suvarnabhumi. Os passageiros dizem ter ficado dentro da aeronave durante duas horas e descrevem diferentes justificações apresentadas pelas hospedeiras, entre más condições atmosféricas e a necessidade de reabastecer o avião.

Ao fim destas duas horas, foi emitido um aviso de que o avião ia voltar a descolar, o que causou um “breve caos a bordo”, descreve a Thai PBS.

Os 175 passageiros recusaram-se a voar, dizendo terem sentido insegurança durante a primeira hora de voo.

De acordo com a Thai PBS, vários passageiros descreveram que o avião voou a baixa altitude durante quase uma hora, “mesmo acima dos telhados”. Um passageiro assegurou também que ouviu um constante ruído do motor e que o avião abanou frequentemente.

A emissora cita um responsável da Air Macau Bangkok a admitir uma falha no motor, que implicou a substituição de uma peça.

À Lusa, a Air Macau disse apenas que o voo regressou a Banguecoque devido a “motivos técnicos” e que o avião foi hoje reparado.

ISG // VM

China está a viver uma “revolução sexual”, diz a socióloga Li Yinhe

Posted: 22 Apr 2015 05:04 AM PDT

 

Pequim, 22 abr (Lusa) – Mais de 70% dos chineses têm relações sexuais antes de casar, rompendo com a milenar “cultura de abstinência” que dominou a China até ao final da década de 1970.

De acordo com um estudo de Li Yinhe, investigadora reformada da Academia Chinesa de Ciências Sociais, aquela percentagem subiu de 15% para 71% durante os últimos 25 anos.

“Isto é uma revolução sexual tranquila”, afirma a socióloga. “As pessoas passaram a falar sobre sexo mais abertamente”.

Li Yinhe, 63 anos, é considerada “a primeira sexóloga da China”.

Num recente encontro com jornalistas estrangeiros, Li Yinhe situou o início da referida revolução em 1977, “o ano da revisão do Código Penal, que descriminalizou as relações extraconjugais”.

Uma mulher que mantivesse relações sexuais com vários homens podia ser condenada e presa, contou a socióloga.

Na China antiga, “as pessoas eram muito positivas em relação ao sexo”, mas desde a dinastia Song (960-1279) até à “Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) predominou “uma cultura de abstinência sexual”.

O Partido Comunista Chinês (PCC), que tomou o poder em 1949, “era, em muitos aspetos, parecido com a igreja cristã” e “associava o sexo à burguesa e ao capitalismo”, sustenta a socióloga.

“Para os comunistas, a prioridade era alimentar a população. A comida, em primeiro lugar. Um das primeiras medidas que tomaram foi fechar os bordéis”, disse.

“É verdade que, para quem tem uma vida muito dura, o sexo é um luxo. Mas as pessoas, hoje, já têm a barriga cheia e o sexo passou a ser uma necessidade corrente”, acrescentou.

O PCC, entretanto, renunciou ao “aprofundamento da luta de classes” e sem abdicar do seu “papel dirigente”, adotou uma nova política, focada no desenvolvimento económico.

Em apenas três décadas, a pobre e isolada China tornou-se a segunda economia mundial, ultrapassando o Japão e a Alemanha. Mais de 650 milhões de chineses usam a internet, 80% dos quais através de smartphones e outros dispositivos móveis.

“Muitas coisas mudaram”, salienta Li Yinhe. “A comunidade ‘gay’ tornou-se mais visível e a sociedade chinesa tem-se mostrado bastante tolerante acerca da homossexualidade”.

A homossexualidade foi retirada da lista oficial de “perturbações mentais” em 2001, mas a socióloga considera que, neste domínio, continuam em vigor “leis absurdas e ultrapassadas”.

Li Yinhe defende a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a “descriminalização da prostituição, da pornografia e do sexo em grupo”.

“Além da Coreia do Norte, não conheço outro país que tenha uma lei como esta”, disse a sexóloga acerca da proibição da pornografia.

Quanto à legalização da prostituição, argumentou que “todas as relações consentidas entre adultos devem deixar de ser punidas pela lei, quer haja ou não dinheiro envolvido”.

“As amantes e concubinas dos ricos, que eles sustentam como símbolos do seu sucesso e poder, não são punidas”, observou.

Nas décadas de 1960 e 1970, Li Yinhe estaria provavelmente detida num “campo de reeducação através do trabalho”, acusada de promover “ideias decadentes” e “contrarrevolucionárias”.

Em dezembro passado, a socióloga assumiu que tem há 17 anos uma relação amorosa com um transexual e vivem juntos com uma criança deficiente adotada.

“O meu companheiro nasceu mulher, mas identifica-se como homem e só consegue apaixonar-se por mulheres heterossexuais e não por mulheres homossexuais”, escreveu Li Yinhe na sua conta no Sina Weibo, o “twitter chinês”.

Foi uma “confissão” sem precedentes nos meios intelectuais chineses e, logo nas primeiras 24 horas, atraiu mais de 200.000 leitores.

“Toda a gente é, de alguma forma, única. Respeitar as escolhas das Li Yinhe que vivem entre nós é respeitarmo-nos a nos próprios”, comentou na altura o Diário do Povo, órgão central do PCC.

AC // DM

Ativista de Hong Kong critica novo método de eleição do chefe do Governo

Posted: 22 Apr 2015 04:59 AM PDT

 

Hong Kong, China, 22 abr (Lusa) – O ativista estudantil de Hong Kong Joshua Wong já se manifestou contra o novo método de eleição para o chefe do Executivo, anunciado hoje pelo Governo.

“Estamos completamente desiludidos com a reforma política”, afirmou Joshua Wong, o rosto dos movimentos democráticos que ocuparam as ruas da cidade no final do ano passado.

Para o ativista, é “responsabilidade da geração mais jovem” opor-se a eleições que estejam de acordo com as restrições impostas por Pequim.

Wong referia-se a novas regras impostas pela China de que qualquer candidato a líder do Governo em 2017 tem de ser aprovado por uma comissão de 1200 membros, vista como próxima de Pequim, antes de ser submetido ao voto popular.

Esta proposta carece ainda de ser votada pelo Conselho Legislativo.

As declarações de Wong vão no mesmo sentido das dos deputados do campo pró-democracia.

“Os democratas condenam veementemente o Governo”, disse o deputado do Partido Cívico, Alan Leong.

“Vamos lançar uma campanha de oposição à proposta e vamos pedir ao público de Hong Kong que continue a procurar o verdadeiro sufrágio universal”, afirmou também.

ISG // JPF

Chefes de Estado e de Governo abrem Conferência Ásia-África em Jacarta

Posted: 22 Apr 2015 05:07 AM PDT

 

Banguecoque, 22 abr (Lusa) — Chefes de Estado e de Governo e delegados de 105 países assistiram hoje à abertura da Conferência Ásia-África, que se realiza na capital da Indonésia.

O Presidente da Indonésia, Joko Widodo, recordou, no discurso inaugural, no Centro de Convenções de Jacarta, a primeira reunião celebrada em Bandung em 1955, assinalando que a Ásia e a África ainda têm muitos desafios por superar, segundo uma nota de imprensa da sua intervenção.

O Presidente da Indonésia, que quer que seja emitida uma declaração política no final do encontro, chamou a atenção para a situação na Palestina e pediu aos participantes a formação de uma nova estrutura económica adequada para a luta que ambos os continentes travam pela estabilidade e igualdade.

A conferência em Jacarta ficou marcada por duas ausências de última hora: a do Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que cancelou a ida devido à crise de xenofobia no seu país, e a do Presidente do Sudão, Omar Hassan Al-Bashir, alvo de um mandado de detenção emitida pelo Tribunal Penal Internacional.

Além dos 105 países presentes, participam representações de 15 nações na qualidade de observadores e de 17 organizações internacionais.

Esta cimeira, que se prolonga até quinta-feira, foi precedida, desde o dia 19, de reuniões de altos funcionários e, depois, de ministros, tendo também sido realizado um fórum empresarial.

O comércio entre Ásia e África cresceu de 2.800 milhões de dólares (2.625 milhões de euros) registados em 1990 para 270.000 milhões (253.000) em 2012.

“Chegou o momento de impulsionar a cooperação económica mútua, especialmente em comércio e investimento”, destacou, na terça-feira, Widodo, durante o Fórum Empresarial Ásia-África, em Jacarta.

O Presidente indonésio apontou então os setores da energia e infraestruturas como os mais promissores entre os dois continentes.

Na sexta-feira realiza-se em Bandung, a 153 quilómetros a sudeste de Jacarta, uma cerimónia comemorativa do 60.º aniversário da Conferência de 1955, considerada como fundadora do movimento dos Não-Alinhados.

DM // JPS – foto Pedro Parente

Portugal. 581

Posted: 22 Apr 2015 04:34 AM PDT

Mariana Mortágua – Jornal de Notícias, opinião

Quinhentos e oitenta e um euros (581!). Brutos. São estes os números oficiais do salário médio dos contratos de trabalho assinados desde outubro de 2013. Com os descontos, são pouco mais de 500 euros.

Admirável mundo novo este onde o salário médio está uns euros acima do mínimo. 581 euros e Passos Coelho diz que “o custo do trabalho para as empresas ainda é muito elevado”, lamentando que essa tenha sido a única “reforma que não conseguimos completar”.

O primeiro-ministro foi claro durante o debate quinzenal. Confrontado com o facto de o trabalho custar menos de metade que em Espanha, o Governo congratula-se com “aquilo que permite ao país ganhar competitividade”.

E como é que se mede a competitividade de Passos Coelho? O custo do trabalho é a divisão entre salário e produtividade. A produtividade é a relação entre o valor acrescentado (VAB) que se produz e o número de trabalhadores. O VAB de Portugal é hoje equivalente ao de 2007, mas há muito menos gente empregada, logo, a produtividade por trabalhador até pode aumentar. Cada trabalhador recebe hoje menos do que em 2007, o que quer dizer que o custo do trabalho é muito menor. Aí temos a competitividade de Passos Coelho.

A competitividade de Passos Coelho não equivale a mais produção, mais valor acrescentado, mais e melhor emprego. A única competição que o primeiro-ministro quer ganhar é a dos baixos salários. Pelo caminho encontra-se a desculpa perfeita para baixar a TSU, o IRC às grandes empresas, e a sobretaxa das elétricas.

Regressa também o corte nas pensões. Serão 600 milhões, o maior corte de sempre e quase o dobro do que foi rejeitado pelo Tribunal Constitucional. Dizem que é um mal necessário em nome da “sustentabilidade”, para acrescentar depois que Portugal precisa de reduzir a TSU, precisamente a contribuição das empresas para a sustentabilidade da Segurança Social. São as contas deste Governo, noves fora nada, nem Segurança Social nem sustentabilidade, o objetivo é mesmo descer o salário.

Pelo caminho, que se lixem as contas públicas. É que salários mais baixos equivalem a contribuições e impostos mais pesados nos orçamentos familiares mas mais reduzidas em valor absoluto para as contas do Estado e da Segurança Social. Tudo para daqui a uns anos voltarem a dizer que, em nome da sustentabilidade, é inevitável cortar nas pensões. Ou privatizá-la.

Deputada do BE

Portugal. MAIS DE 640 MIL CRIANÇAS E JOVENS NA POBREZA

Posted: 22 Apr 2015 04:37 AM PDT

Joana Amorim – Jornal de Noticias

Portugal é o país da União Europeia onde o risco de exclusão mais subiu. Cáritas diz que direitos dos mais novos não estão garantidos.

Entre 28 estados-membros, Portugal foi o país da Europa onde o risco de pobreza ou de exclusão social mais aumentou: 2,1 pontos percentuais (pp), para os 27,5%, em contraciclo com a União Europeia (UE), que registou uma ligeira descida (0,2 pp), para os 24,5%. Isso mesmo revela o “Relatório da Crise da Cáritas Europa 2015 – O aumento da pobreza e das desigualdades”, que é apresentado esta quarta-feira, em Lisboa, pelo secretário-geral daquela organização.

Leia mais em Jornal de Notícias

Resgate da “troika” criou mais um milhão de pobres na Grécia

Leia mais na edição e-paper ou na edição impressa

Foto Alfredo Cunha

Portugal. ESCOLAS QUE ENSINAM A DESUMANIDADE E ATROPELAM DIREITOS

Posted: 22 Apr 2015 04:16 AM PDT

 

Faz parte  dos Direitos Humanos a sagrada possibilidade de nos alimentarmos. Ainda mais uma criança. Mas em Portugal andam muitos a professar as alternativas a esses direitos e a exibirem a ganância. 

Se não tens para pagar não comes. É a regra desses maus exemplos que olham para os espelhos e não vêem nas imagens que ali refletem uns grandecíssimos estupores. Grave. Ainda mais grave acontecer numa escola. Ainda mais grave negar refeição a uma criança. Quantos destes desumanos trabalham em escolas? Não podem. Não devem. São um péssimo exemplo para as crianças que queremos ver bem formadas.

Os professores e os funcionários escolares devem ser o exemplo das regras democráticas e de respeito pelos direitos das crianças. Já basta o governo ser um gigante estuporado de esbulho e ganância. Já basta também o presidente da República ser assim. Uma criança não deve conviver com maus exemplos. Muito menos ficar sem almoçar porque a mãe se esqueceu de comprar a senha de almoço. Ninguém o merece, mesmo que não tenha dinheiro. Muito menos uma criança. Quantas escolas existem assim, com este tipo de maus exemplos?

Redação PG

Alimentação. “É desumano não darem de comer a uma criança de sete anos”

Uma criança ficou sem almoçar depois de a mãe se ter esquecido de tirar a senha, a cantina e a Câmara descartam responsabilidades.

Martim Ribeiro tem sete anos, frequenta a Escola Básica de Parada, em Guilhabreu, e viu ser-lhe recusada uma refeição pelo facto de a mãe se ter esquecido de tirar a senha para almoço.

“O que fizeram ao meu filho é desumano! Não darem de comer a uma criança de sete anos porque os pais se esqueceram de tirar a senha?”, afirma Vilma Ribeiro, mãe da criança, em entrevista ao Jornal de Notícias.

A mãe de Martim recebeu um “telefonema da escola às 11h26 [de sexta-feira] a dizer que o meu filho não tinha marcação”, a partir desse momento contactou a cantina e a Câmara mas ambos recusaram dar a refeição à criança já que não se podiam “abrir exceções”.

A EB1 de Parada tem, desde o início do ano letivo, um sistema de gestão escolar onde os pais devem carregar e comprar as refeições para os filhos. O carregamento pode ser feito pelo multibanco ou num quiosque na Câmara, daí a tentativa de Vilma tentar resolver a questão junto desta instituição.

A vereadora da Educação, Lurdes Alves justificou que desde que se compram as senhas pela internet, o número de crianças sem almoço tem diminuído, o que fez aumentar a qualidade das refeições. A responsável afirmou ainda que as crianças que se esquecem têm direito a “uma refeição ligeira: sopa, pão e fruta”, já que não é possível assegurar refeições se muitos se esquecessem, como acontecia antes do novo sistema.

Lurdes Alves afirma ainda que o facto de Martim não ter senha de almoço não foi “um ato único”, pois é a “terceira vez que acontece”.

Apesar das justificações da Câmara, Vilma Ribeiro sente-se revoltada com a situação já que o filho “só chorava, porque lhe disseram: Vais ficar sem almoço, porque a tua mãe não fez a marcação”, concluiu a mãe de Martim.

Notícias Ao Minuto

Portugal – Protesto. Trabalhadores exigem 35 horas de trabalho semanal

Posted: 22 Apr 2015 03:49 AM PDT

 

Cerca de 3.000 trabalhadores da administração local saíram às 11:00 de hoje do Rossio em direção ao Ministério das Finanças, em Lisboa, para exigir a publicação imediata dos acordos para as 35 horas semanais.

Os trabalhadores vieram de todo o país e a Lisboa terão chegado sete autocarros, de acordo com José Correia, do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL).

Os manifestantes exigem “a imediata eliminação da sobretaxa extraordinária de IRS e o aumento do salário mínimo”, a revogação do regime legal dos contratos de emprego e inserção e o “imediato início de um processo de valorização das carreiras profissionais e dos salários na administração pública”.

Os manifestantes percorreram a rua do Ouro até ao Ministério das Finanças e entoaram palavras de ordem, como “35 horas para todos”, “35 horas sim, 40 horas não”, “temos direitos, não somos escravos”.

Lusa, em Notícias ao Minuto

Portugal. A EXPRESSA FOSSA LUSITANA

Posted: 22 Apr 2015 03:15 AM PDT

 

O FCP ficou pelo caminho perante o Bayern de Munique. Uma goleada que deu para ficarem com os olhos tortos. A seguir o Porto defronta o Benfica… Prognósticos só depois do jogo, como disse alguém. Mas, Afinal, o futebol não é o mais importante. Pois. Não. Mas olhem que dá muito jeito para alienar as massas. O Salazar que o diga. O Cavaco, o Passos e o Portas que o digam. Não é por acaso que Portugal tem tantos analfabetos políticos. Daqueles que dizem que a política é para os políticos e que de política não sabem nada. Que a política não dá dinheiro a ninguém… Ah pois não! Por isso é que sabemos e vimos, sabemos porque vimos, que há políticos que chegam à política pobretes e alegretes e passados uns anos estão com fortuna. E passados 30 e mais anos até lhes oferecem ações ou títulos (como o Cavaco gosta de lhes chamar) que atingem rápidamente valorizações estonteantes. Enfim, coitadinhos. Esta é a fossa lusitana.

Importante é recordar que em Lisboa a Carris está em greve. Que os trabalhadores dos transportes da região de Lisboa vão fazer uma marcha de protesto pela anunciada privatização dos transportes da região da capital. Até os barcos no Tejo vão parar (ou já pararam). A solução é andar a pé e a nado. A nado já estamos habituadíssimos – com a água que o governo do Cavaco, Passos e Portas, vai metendo e inundando o país. Pior é que é água suja, Uma fossa portuguesa, com certeza. Andar a pé também já não é problema. Os sapateiros que o digam com a quantidade de solas rotas que lhes levam para concertarem a baixo custo. E uns remendos sempre aliviam o mísero orçamento familiar. Depois sobram calos e outras mazelas nos pés. Penúria à moda de Salazar. Também, se repararmos, o Cavaco é parecidíssimo com o ditador que serviu com brio e adulação. Ainda agora lhe serve a memória e passou a encarná-lo na companhia do primeiro-ministro e do vice Portas. Só há uma diferença: Salazar era honesto, isento de ganâncias. Porém, deixava os outros meia-dúzia de famílias roubarem por ele. Salazar era muito religioso. Não foi para padre por acaso. Cavaco é um monstro. Não foi para a barraca do Comboio dos Horrores da Feira Popular porque entretanto foi fazer rodagem ao novo automóvel à Figueira da Foz e saiu de lá chefão do PSD – outro horror. E assim Cavaco entrou na política pela porta das traseiras. Porta por onde vai sair da política depois de cumprir  estes horríveis mandatos que acabam em 2016. Aquilo não foi nem é presidente nem nada. Catastrófico e indigno da instituição republicana. Arreda. Assim mesmo, sem diplomacia para quem tem feito deste país uma fossa.

Longevidade ao Expresso Curto, que sempre inspira. Ali, aqui em baixo na sua transcrição, os temas são diferentes… Para não enjoarem. Bom dia, boas caminhadas e boas braçadas. Sobra a possibilidade de se atualizar no Expresso Curto, do Expresso, com uma senhora jornalista.

Redação PG – foto do Record

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

 

Luísa Meireles, redatora principal

Até porque não sou sádica. Mas comecemos já por ele, para matar o assunto. Sim, porque o Porto, esse, morreu-nos ontem em direto, em Munique: 6 – 1 não é um resultado, é um filme de terror, um massacre humilhante, um desastre colossal como o do Mundial, há quase um ano. Depois da semana passada, todas as esperanças portistas, portuenses e portuguesas em geral eram permitidas, mas o jogo Bayern-Porto no campo alemão arrasou-as de vez. A Mariana Cabral, que percebe que se farta de futebol,  já tinha explicado como estatisticamente era quase impossível o Porto repetir a façanha, agora, ficou provado que é mesmo assim, tal como o Pedro Candeiaspôs preto no branco ainda ontem à noite, e de modo muito sucinto. O jogo desesperou meio Portugal perante os écrans de televisão e quanto aos pormenores, ouviram-se na Grande Área, no programa da Liga dos Campeões, no Especial Desporto no…, tire-se à escolha. Ontem à noite houve muita gente a falar de futebol mas eu, confesso, não ouvi ninguém. Com semelhante resultado não há explicação que valha. Nem pachorra!

Eu avisei. O meu negócio é outro. É a vida próxima futura – aquela que vai ser decidida dentro de meio ano, nas eleições legislativas e que nos vai afetar a todos. É um chavão? Pois é, mas eu compro. Acontece que independentemente do que se pense dela, há finalmente uma alternativa em cima da mesa – e a apresentação do cenário macroeconómico do PS, com propostas concretas para o país, é o começo disso mesmo. Não é uma Bíblia nem foi feito por apóstolos, disse António Costa, mas é a partir dali que o PS vai fazer o seu programa e teremos o necessário confronto eleitoral. A bem dizer, a campanha eleitoral começou ontem e já dá para comparar. Porque depois disto, como hoje já se verá no debate agendado para logo à tarde no Parlamento sobre o  Programa de Estabilidade mais o Programa Nacional de Reformas​ (o plano que o Governo tem de apresentar em Bruxelas para ver ratificadas as escolhas posteriores no Orçamento), o tema vão ser as propostas do PS e que a direita já está a dramatizar, qual sete pragas do Egipto, isto para continuar na linguagem bíblica.

Pois bem, vamos a isso. O PS promete a terra do leite e mel? Depois de quatro anos do discurso do rigor e da austeridade, os portugueses estão céticos. Sobem os salários, descem os impostos, aumentam os apoios. É o choque da procura, do consumo, garante.  Mas como é que o PS vai pagar as propostas? A pergunta é de vários milhões de euros, a resposta é do João Silvestre. A responsabilidade, claro, é do António Costa, que aposta as fichas todas no crescimento, no verso cujo reverso são as propostas do Governo. Deus o ouça mas, francamente, isto não é uma questão de fé, por mais fé que se tenha na competência técnica de  Mário Centeno.

E politicamente, como se pode ver isto? Opiniões há muitas, como sempre. Cá em casa, escolha: a do  Ricardo Costa , ou do  Pedro Santos Guerreiro, ou do  Henrique Monteiro, ou do  Bernardo Ferrão. Mas convém e deve diversificar. Se quiser mudar de agulha dê um mergulho no Observador e leia o  José Manuel Fernandes, que acha que o Rossio não cabe na Rua da Betesga, sábio adágio popular, o Tiago Freire, ou o  Bruno Faria Lopes no Económico (estes só para aguçar o apetite, porque é para assinantes), ou o  Virgílio Macedo, no Público. O tema ocupa e justamente, várias páginas dos jornais de hoje. Mas continuamos sem saber o que pensam os partidos de esquerda.

OUTRAS NOTÍCIAS
Também há. Para já, se anda de transportes, previna-se que hoje é dia de greve na Carris, a que se junta uma manifestaç ão dos trabalhadores dos transportes. É capaz de ter a vida complicada. E por falar em greves, só nos faltava mesmo saber que o sindicato dos pilotos admite processar a TAP por gestão ruinosa – há quem não se enxergue. Depois, uma pessoa não pára de se surpreender com a capacidade de inventiva humana, como o atesta a prova do leite que alguns hospitais do norte estão a exigir – já não era sem tempo que a Ordem se mexesse . E porque vivemos muitas vezes suspensos das decisões (e chumbos) do Tribunal Constitucional, como é possível que o feitiço se tenha virado contra o feiticeiro e, afinal, o próprio TC tenha chumbado no Tribunal de Contas, com carros a mais, abonos em excesso e ajudas indevidas?

Também ficamos a saber hoje pelo Diário de Notícias que o antigo ministro e atual deputado Miguel Macedo quer por tudo em pratos limpos e pediu o levantamento da imunidade parlamentar para esclarecer todas as dúvidas sobre a sua eventual implicação na investigação dos vistos gold, razão aliás que o levou a demitir-se por sentir a sua autoridade política diminuída. O assunto, mas na vertente “Os suspeitos violaram os seus próprios planos anticorrupção” faz a manchete do I.

Mas o mundo não somos só nós.  Há mais vida… e morte para além de nós. E há mortos, muitos mortos, de gente sobre a qual nunca se saberá quem é. A morte dos 900 náufragos foi há três dias, mas é amanhã que a União Europeia vai debater o assunto em conselho especial. Estou para ver, nesta Europa cuja solidariedade é posta à prova a cada dia e fracassa tantas vezes. Plano já há. Mas não foi o Reino Unido que disse que não estava pronto para participar em resgates no Mediterrâneo? Pode ser que dada a dimensão da tragédia tenha mudado de opinião. É a barbárie em nome da Europa, como escreve a revista alemã Der Spiegel, a que as divergências dos Estados europeus não conseguem pôr termo, realça o El Pais.

A Europa tem o drama das migrações, mas era  bom que parasse para pensar no que está a acontecer a leste. Não é seguramente com esta linguagem​ que lá vamos. Mas acontece que este ano celebra-se o 70º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial e vai haver os inevitáveis festejos. Mas que me lembre será uma estreia absoluta o que acontecerá em Moscovo, na célebre parada da Praça Vermelha: o convidado especial será o Presidente chinês Xi Jinping. Estranhos tempos estes em que chineses e russos confraternizam no Kremlin comemorando o fim da Segunda Guerra – são os efeitos daquela outra, que cresce à nossa porta, de modo larvar, na Ucrânia.

E ainda a glosar o mote “o mundo mudou”, então não é os Estados Unidos estenderam o tapete vermelho a Marine Le Pen? O Fígaro conta e nós espantamo-nos. Ainda em França, o testamento político de Charb, o diretor assassinado do Charlie Hebdo vai ser publicado – tinha acabado de por ponto final no seu último livro. Do outro lado do Atlântico, no Brasil, e já que tivemos a visita do vice-presidente Michel Temer, recordamos que por lá, os escândalos não páram. E aqui ao lado, em Espanha, ficamos a saber que Felipe Gonzalez é agora persona non grata na Venezuela. A razão é fácil de perceber: o ex-primeiro-ministro juntou-se à equipa de defensores dos opositores do regime.

FRASES
“O que este estudo revela é que há alternativa às políticas que têm sido seguidas e que é possível virar as páginas das políticas de austeridade”. António Costa, ao apresentar o cenário macroeconómico do PS

“Se o caminho miraculoso que o PS descobriu tivesse pés para andar, não havia nos países da Europa comunitária a tendência que tem vindo a ser seguida do ponto de vista da consolidação orçamental e da sustentabilidade”. Matos Correia, deputado do PSD, comentando o cenário do PS

“PS: o problema do socialismo não é a gaveta, é o caixão”. Ana Sá Lopes, ainda sobre o mesmo cenário

O QUE EU ANDO A LER E A VER
Sempre vários, ao mesmo tempo e ao sabor da vontade, da necessidade e, claro, da disposição, que é o que conta mais. Desta feita ressalto três. O que mais me tem divertido é um pequeno mimo, neste tempo de celebrações da Constituinte. Só o título é todo um tratado em política: “Do pântano só se sai a nado” (Gradiva). É de Joaquim Silva Pinto, que foi secretário de Estado e ministro de Caetano, apanhou o 25 de Abril em funções, exilou-se em Espanha, regressou, militou e deixou de militar no PS e agora conta umas histórias deliciosas sobre o antes e o depois desse “dia inicial e primeiro”, e sempre com um exercício dialético: uma pergunta de difícil resposta. Também vou lendo “Ambição” (Guerra e Paz), o romance de estreia da jornalista e minha amiga Maria de Lurdes Feio. Ela já escreveu outras coisas, mas desta vez aventurou-se na complexa arte do romance, coisa difícil, em torno das lides de um governo (?) por dentro, nos gabinetes, nos negócios e na cama. E finalmente, a versão original da House of Cards, de Michael Dobbs (Jacarandá). A série americana é boa, mas excessiva, como muitas vezes fazem os americanos. Os ingleses são sóbrios e está lá tudo, sem os exageros de Hollywood. E quando me canso, vou à 2 – sim, à RTP 2. As séries são ótimas. Agarrei-me à Borgen, segui para Os Influentes e agora estou na Um Crime, Um Castigo, sobre os meandros do direito e da Justiça, do público e do privado, em terras de França.

E para já é tudo, que ainda muita coisa vai acontecer hoje!
Não se esqueça, logo mais à tarde haverá Expresso Diário, com os pormenores do dia, e amanhã, como de costume, pela fresca, o seu Expresso Curto. Bem tirado pelo Miguel Cadete.

You are subscribed to email updates from PÁGINA GLOBAL
To stop receiving these emails, you may unsubscribe now.
Email delivery powered by Google
Google Inc., 1600 Amphitheatre Parkway, Mountain View, CA 94043, United States
Please follow and like us:
error