saudades de belmonte

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José Andrade
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Vila De Belmonte
.
Na sessão de homenagem a Eduíno de Jesus,
Colóquio Internacional da Lusofonia,
Belmonte, 14 de abril de 2019
Em nome do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Dr. José Manuel Bolieiro, temos a honra de associar a terra natal de Eduíno de Jesus a esta merecida homenagem que lhe é prestada no âmbito do XXXI Colóquio Internacional da Lusofonia.
Está de parabéns a Associação Internacional Colóquios da Lusofonia, na pessoa do seu presidente Crhys Chrystello, pelo ato de justiça que aqui praticamos.
Está de parabéns, antes de mais e acima de tudo, o próprio Doutor Eduíno de Jesus. Desde logo, pela obra que tem, mas também pela pessoa que é.
Esta homenagem decorre num tempo e ocorre num espaço, ambos marcados por curioso simbolismo.
Ela decorre no décimo aniversário da homenagem prestada por Ponta Delgada, em 2009, com a entrega da Medalha de Ouro do Município, no salão nobre dos Paços do Concelho, e com a inauguração da “Rua Eduíno de Jesus”, na sua e nossa freguesia dos Arrifes.
Ela ocorre nesta vila de Belmonte, onde terá nascido Gonçalo Velho Cabral, o navegador português que iniciou o povoamento das ilhas dos Açores, por volta de 1432, e que empresta o seu nome à praça emblemática da nossa cidade.
Cinco século depois de Gonçalo Velho, nasce na ilha de São Miguel, no concelho de Ponta Delgada, na freguesia dos Arrifes, a 18 de janeiro de 1928, Eduíno Moniz de Jesus.
Tem apenas um ano de idade quando a sua família se muda para a nossa cidade. Frequenta a Escola do Campo de São Francisco e o Liceu Antero de Quental.
Com Jacinto Soares de Albergaria ou Fernando Aires, cria o Círculo Literário de Antero de Quental e começa a escrever os primeiros poemas, logo apreciados por Ruy Galvão de Carvalho ou Armando Cortes-Rodrigues.
Frequenta o curso do Magistério Primário e inicia colaboração literária nos jornais Diário dos Açores, Correio dos Açores, A Ilha.
Leciona em Ponta Delgada, em Arganil, em Penacova, em Coimbra, em Lisboa.
Em Coimbra, é co-fundador da coleção “Arquipélago”, que edita José Bruno Carreiro, Almeida Pavão, Virgílio de Oliveira, através da qual publica os seus primeiros livros de poesia: Caminho para o Desconhecido, em 1952; O Rei Lua, em 1955; A Cidade Destruída durante o Eclipse, em 1957.
Em Lisboa, conclui a licenciatura na Faculdade de Letras da Universidade Clássica, em 1976, e leciona no Departamento de Língua e Cultura Portuguesa, até 2000.
Publica regularmente na revista “Rumo” e na “Revista Panorama”, edita a revista de artes e letras “Contravento”, dirige a “Revista de Cultura Açoriana”, produz os programas quinzenais da televisão portuguesa “Convergência” e “Livros & Autores”, integra o conselho de diretores da “Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura” e do “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”.
Reúne a sua poesia de 1948 a 2004 na obra Os Silos do Silêncio, editada em 2005 pela Imprensa Nacional Casa da Moeda.
E nunca esquece as suas ilhas. Sucessivamente, é diretor cultural, presidente da direção e presidente da assembleia geral da Casa dos Açores em Lisboa. Até março de 2019.
Em 2001, é condecorado com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, pela República Portuguesa.
Em 2010, é agraciado com a Insígnia Autonómica de Reconhecimento, pela Região Autónoma dos Açores.
Em 2009, é distinguido com a Medalha de Ouro, pelo Município de Ponta Delgada.
Esta cerimónia realiza-se a 10 de junho no salão nobre dos Paços do Concelho, após descerramento da placa toponímica da “Rua Eduíno de Jesus” na freguesia dos Arrifes.
Usam da palavra Urbano Bettencourt, Onésimo Teotónio de Almeida, Berta Cabral e o próprio Eduíno de Jesus.
Na sua conferência intitulada “Do Bar Jade ao jornal A Ilha”, Urbano Bettencourt considera que “Eduíno de Jesus foi/é, entre os seus companheiros de grupo, aquele que mais longe levou uma reflexão sobre a natureza autónoma do fenómeno literário e poético, isto é, dotado de uma especificidade própria, em termos de processo e funcionamento, comunicação e linguagem”.
No seu depoimento, que classifica como “Saudação destrambelhada ao Eduíno de Jesus”, Onésimo Teotónio de Almeida refere que “o Eduíno hoje nada em fichas físicas e mentais guardadas no baú da sua fina memória crítica. O mundo cresceu e ele quis abarcar tudo – o teatro, a estética, a poesia, a literatura, a arte. Não aceita a divisão e por isso se reparte a tentar unificar fragmentos”.
Na sua intervenção, Berta Cabral, então presidente da Câmara Municipal, declara que “Ponta Delgada se orgulha de Eduíno de Jesus, do seu coração de poeta e do seu papel na nossa História”. E entrega a Medalha de Ouro do Município citando a própria poesia do homenageado:
“Eu sou homem de aldeia,
cheguei à cidade de botas amarelas.
Fazem lá ideia
do que os homens da cidade riram de mim e delas!
Pois, apesar disso, a cidade, conquistei-a!”
No final desta cerimónia de homenagem municipal, Eduíno de Jesus proclama, tão somente, entre outras, as seguintes palavras:
“Aquilo que se me perfila na memória como um grande fresco são os doirados anos da minha infância e adolescência até ao limiar da juventude, em que brinquei por aqui, fiz os primeiros estudos, sofri os primeiros sobressaltos do coração e sonhei os primeiros sonhos, e, ainda mal chegado ao umbral da juventude, comecei a trabalhar e me aventurei na floresta dos enganos das Letras, iniciando o que era – e viria depois a ser sempre (posso dizer que desde criança e ainda agora) – o propósito da minha vida: escrever.”
Já passaram dez anos e aqui estamos de novo, ajoelhados perante o génio literário de Eduíno de Jesus, homenageando a sua obra nacional, de berço insular e projeção mundial.
Do alto da sua genuína humildade, o poeta inaugurou este Colóquio da Lusofonia atribuindo esta homenagem à sua idade avançada.
Mas Eduíno de Jesus não merece esta homenagem pela sua prodigiosa longevidade literária.
Eduíno de Jesus merece esta homenagem desde o dia em que nasceu e desde a primeira palavra que escreveu.
Bem-haja por ser como é!
José Andrade
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