Views: 1
POETAS AÇORIANOS – JOSÉ REBELO DE BETTENCOURT.


POESIA AÇORIANA – JOSÉ REBELO DE BETTENCOURT
@José Rebelo de Bettencourt nasceu em Ponta Delgada em 1894. Foi escritor, ensaísta, poeta, cronista, crítico literário e jornalista. Frequentou a Faculdade de Letras e um colégio em Londres, mas desistiu de tudo para abraçar o jornalismo. Foi conferencista, tradutor e declamador. Foi contemporâneo e amigo de outos poetas açorianos como Armando Côrtes-Rodrigues, Dias de Melo, Eduíno de Jesus e Teófilo Braga. Fez parte da “geração de Orpheu”. Como jornalista colaborou no “Diário dos Açores” e no “Século”. Fundou em S. Miguel o “Distrito”. Foi redator do “A Pátria” e colaborou na “Gazeta dos Caminhos-de-Ferro” e na revista “Viagem”. Muitos dos seus escritos estão ainda dispersos por muitas publicações.
Quando foi lançada (1917) a “Revista Portugal Futurista” (de que só saiu um número que foi apreendido) José Rebelo de Bettencourt escreve nela um artigo num elogio a Santa-Rinta Pintor.
Uma das suas obras mais significativas, fora da poesia, foi “O Mundo das Imagens” que é um testemunho do início do Modernismo em Portugal. Na poesia publicou: “Ode a Camões”, “Cancões do amor e da terra”, “Cantigas”, “Oceano Atlântico” e “Vozes do Mar e do vento”.
Dele publicamos “A canção da fonte que dedicou ao seu amigo Armando Côrtes-Rodrigues,
A CANÇÃO DA FONTE
Oiço uma fonte a correr,
Oiço-a a correr e cantar,
Não tinha sede e parei
Sòmente para a escutar,
Água da fonte a correr,
Quem te ensinou a cantar?
Parece que estou ouvindo
A própria terra a falar.
Água da fonte a correr,
Sempre a correr e cantar,
O teu destino é fugir,
É fugir e não voltar.
Água da fonte a correr,
Sempre a correr sem parar,
És como os dias da vida
Que ninguém pode sustar.
Passas e deixas não sei
Que tristezas esparsas no ar…
– Cantar, também, muitas vezes,
É um modo de chorar!
Linda cantiga molhada,
Oiço-te e fico a cismar:
– Vais passando e vais morrendo,
Tudo é morrer e passar.
Onde vais, água da fonte
Tão apressada, a cantar?
– É o Mar e mais ninguém
Que por ti anda a chamar!
Água da fonte a correr,
Tua vida é singular:
– És hoje, canção da Terra,
Amanhã canção do Mar!
Coração, porque não cantas
Como esta fonte sem par?
Quem canta espalha saudades,
Não vale a pena chorar!
Canta, canta, coração,
Não deixes a dor entrar!
– A vida deixa – correr
Como esta fonte a cantar!
in: Vozes do mar e do vento, Lisboa, Oficinas Gráficas, 1953.
Like
Comment
Share