Views: 0
Joel Neto retrata em livro a história dos portugueses da Base das Lajes
Na próxima Quinta-feira, 5 de Novembro, às 20h30, o escritor açoriano Joel Neto vai apresentar o seu mais recente trabalho, Uma história de amor. Sete décadas de convivência, cosmopolitismo e tensão laboral. A sessão de lançamento ocorrerá no Auditório do Ramo Grande, no âmbito do festival Outono Vivo.
“Não é talvez que a História se repita eternamente, como num círculo em permanente movimento”, escreve Joel Neto em Uma História de Amor. “Mas há uma coerência fundamental nela, o que há-de ser também uma prova da derradeira racionalidade da espécie. E, ao tornar a verificá-lo, eu próprio volto a sentir o privilégio deste lugar — desta ilha que conta dessa racionalidade e dessa coerência. A Terceira. O centro do mundo. O palco de uma história de amor: terna e turbulenta e inesquecível — como só as mais passionais e belas histórias de amor”, escreve o autor.
Sobre o livro, em comunicado, lê-se: “Mais de setenta anos depois da instalação das forças norte-americanas na planície do Ramo Grande, no extremo-Nordeste da ilha Terceira, o escritor atravessa o perímetro da chamada Base das Lajes, percorre a história que o constituiu como é hoje e ouve as histórias dos seus protagonistas mais e menos anónimos: os terceirenses, açorianos e portugueses que, no passado como no presente, serviram a potência americana, assim se transformando numa das mais poderosas ferramentas nacionais para a consolidação daquela que permanece uma das grandes alianças do Estado português.
O amigo da América, diz-se, está agora de partida. Não é verdade: muitos serviços, métodos e referências continuam e prometem continuar. Mas as famílias americanas, bem como uma série de responsáveis e operacionais de diferentes ofícios, já se foram embora. Deixam para trás afectos e meios, mas também uma série de oportunidades perdidas e várias injustiças que só o tempo será capaz de julgar. Em suspenso, mantém-se centenas de trabalhadores – o contingente a que se reduziram os milhares do passado. Ainda há promessas por cumprir, contas por acertar, contaminações e despejos por limpar. Mas, por agora, é o futuro a dominar as preocupações. O futuro imediato daqueles que não conseguem ver as suas condições de trabalho melhoradas. O futuro longínquo daqueles que pensam nas saídas profissionais dos filhos ou na sua própria reforma e chegam até a ver na China uma saída”.
A obra tem edição e nasceu de uma iniciativa da Comissão Representativa dos Trabalhadores das Feusaçores e contou com o alto-patrocínio da Fundação Luso-Americana Para o Desenvolvimento. A tradução para inglês é da autoria de Diniz Borges, luso-americano nascido nas Lajes, actualmente professor secundário e universitário na Califórnia. A edição de texto e a revisão estão a cargo de Nuno Quintas e o trabalho gráfico de Rui Leitão.
Joel Neto é autor, entre outros, dos romances Arquipélago e Meridiano 28, bem como da série de diários A Vida no Campo, que lhe valeu o Grande Prémio de Literatura Biográfica da Associação Portuguesa de Escritores.
Nasceu e cresceu na ilha Terceira, onde foi sempre um dos “de Angra” — esses para os quais “A Base” nunca deixou de ser um universo misterioso e mítico, onde só uma vez por ano se podia entrar. Viveu vinte anos em Lisboa, onde escreveu para a maior parte dos grandes jornais e revistas nacionais, e regressou aos Açores em 2012, no intuito de se dedicar inteiramente à literatura. Uma História de Amor é o seu 17.º título.

Like
Comment
Share