recordar balibó para sempre, REMEMBER BALIBÓ FOREVER (textos Ramos Horta e Chrys C

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BALIBO
16 OCTOBER 1975
GREG SHACKLETON, TONY STEWART, GARY CUNNINGHAM,
MALCOM RENNIE AND BRIAN PETERS.
BRAVE NEWSMEN MURDERED, BETRAYED BY THEIR RESPECTIVE GOVERNMENTS – AUSTRALIA, NEW ZEALAND, U. K.
I WAS WITH THEM IN BALIBO IN OCTOBER 1975 BUT WAS RECALLED BACK TO DILI BEFORE THE FATAL DAY 16TH OCTOBER . I WAS ON THE HIT LIST OF THOSE WHO INVADED MALIANA AND BALIBO AND MURDERED THE FIVE JOURNALISTS. THEY WERE REPORTING FOR CHANNEL 7 AND CHANNEL 9, AUSTRALIA.
ROGER EAST WAS MURDERED IN DILI ON 7TH DECEMBER 1975. HE TOO WAS BETRAYED BY HIS OWN GOVERNMENT.
THEY SHALL NOT BE FORGOTTEN.
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INEAST TIMOR (TRILOGIA DA HISTÓRIA DE TIMOR)

XVII) TIMOR, OS MÍDIA E A CENA POLÍTICA INTERNACIONAL: JORNALISTAS AUSTRALIANOS FORAM MORTOS PARA SILENCIAR OS GRITOS DE REVOLTA DO MUNDO CONTRA A INDONÉSIA

Para que o mundo desconhecesse os seus crimes, os indonésios não hesitaram em matar cinco jornalistas australianos. Estava-se em 17 de outubro 1975 e duas equipas de filmagem dos canais 7 e 9 da TV australiana estavam a filmar a queda da cidadezinha de Balibó, em Timor Português, às mãos de tropas indonésias apoiadas por refugiados timorenses. Essas imagens poderiam tirar todas as dúvidas sobre a participação do exército regular indonésio no ataque e poderiam desfeitear a propaganda indonésia de que só refugiados timorenses agrupados no M.A.C. [Movimento Anticomunista] e voluntários da Indonésia estavam a tentar recuperar o controlo de Timor.

 

Na Maliana, a poucos quilómetros de Balibó uma equipa de filmagens da R.T.P., liderada pelo jornalista Adelino Gomes testemunhava o ataque de artilharia pesada, bombardeamentos e metralhadoras automáticas enquanto tentavam filmar a aterragem de um helicóptero momentos depois do combate. Na véspera, Adelino Gomes (R.T.P.) falara com os seus colegas australianos do canal 7 de Melbourne e do 9 de Sydney. Nas paredes amarelas da casa onde estavam a palavra Austrália e a bandeira da Austrália eram proeminentes. Um dele, Greg Shackleton dissera-lhe:

“Isto é para os indonésios notarem, se vierem para Balibó eles saberão que há estrangeiros e não nos matarão. É a nossa Embaixada.”

 

Menos de 24 horas depois, ao amanhecer de 16 outubro 1975, os Indonésios começam a atacar Balibó com o apoio de membros timorenses do M.A.C. Quer as autoridades da Indonésia quer as da Austrália sabiam que eles ali estavam, apesar de durante anos o terem negado. Uns dias antes os programas de TV haviam transmitido as suas mensagens a caminho de Balibó por se tratar de uma região prevista para ser atacada pelos indonésios que iam tentar desalojar as forças inferiores da Fretilin que a defendiam.

 

Um dos jornalistas australianos conseguiu antes de morrer gritar que era australiano, mas o objetivo indonésio era o mesmo: eliminar qualquer testemunha inconveniente pelo que todos foram conscientemente abatidos a sangue frio. Além do jornalista Greg Shackleton, os outros eram Tony Stewart [engenheiro de som], Jan Cunningham e Brian Peters [operador de câmara] para além doutro jornalista, Malcolm Rennie. Os generais indonésios responsáveis por esta operação [Cor. Dading Kalbuardi e Major Yunus Yusuf, que se tornaria, ironicamente no Primeiro-ministro da informação do governo de Yusuf Habibie em junho 1998] rapidamente foram promovidos depois disto. O fotógrafo oficial desta operação foi também prontamente condecorado pelo próprio General Suharto.

 

Embora o Governo Australiano tivesse ficado embaraçado com o impacto do acontecimento na opinião pública, conduziu um rápido e inconclusivo inquérito, mas acabaria por ser forçado em 21 outº 1998, a reabrir o inquérito na sequência de um programa da ABC TV em que Olandino Rodrigues um timorense que fazia parte da força indonésia garantir que os jornalistas foram mortos por soldados indonésios depois de a Fretilin ter retirado de Balibó. Assim se esfumou, de vez (?) a teoria deles terem morrido vítimas do fogo cruzado.

 

Naquela época havia outros jornalistas estrangeiros (e australianos) em Timor, incluindo Roger East, os quais obtiveram depoimentos que já então não deixavam dúvidas da intervenção das Forças Armadas Indonésias (ABRI) no crime. A Indonésia não pode obter ganhos territoriais substanciais depois da campanha fronteiriça e passado mês e meio, em inícios de dezembro, era óbvio que a invasão estava iminente, forçando as autoridades australianas a avisar todos os seus cidadãos para abandonarem o território.

 

A maioria dos estrangeiros e jornalistas seguiram esse conselho, mas Roger East decidiu ficar, mesmo depois da Cruz Vermelha Internacional decidir mudar-se para a Ilha do Ataúro. Em 7 de dezembro, uma hora depois da invasão, Roger East ainda conseguiu através do centro de Telecomunicações da Rádio Marconi, em Díli, uma mensagem para a Australian Associated Press [AAP] e Reuters na Austrália. Pouco depois, era levado para a zona do porto onde foi assassinado juntamente com centenas de timorenses.

 

A colusão entre o governo da Austrália e os Indonésios foi tal que nem sequer um protesto se ouviu pela morte deste jornalista e cidadão australiano, ainda hoje, muitas vezes esquecido quando se fala dos restantes cinco outros jornalistas assassinados. Durante mais de 13 anos [dezembro 1975 – dezembro 1988] a Indonésia impõe um blackout noticioso quase total sobre Timor-Leste. Poucos são os jornalistas estrangeiros autorizados a visitar Timor-Leste. Quando as suas visitas são autorizadas eles são estreitamente vigiados e a sua liberdade de movimentos é mínima. Relatórios de jornalistas independentes focam o medo generalizado duma população dizimada, traumatizada pela guerra e pela fome, e por todas as outras atrocidades cometidas pelas forças ocupantes. A única exceção à regra surge de jornalistas comprometidos que decidiram antes de embarcar escrever peças favoráveis à Indonésia.

 

Nestes casos são autorizados apenas a verem cidades, novas escolas e hospitais, novas estradas e outros melhoramentos de fachada com que a Indonésia tenta fazer esquecer o genocídio do povo timorense. Os contactos com a população e com o mato são muito limitados e as poucas exceções acabariam por resultar na prisão ou morte dos guerrilheiros (a prisão de Xanana Gusmão em novº 1991 resultou diretamente da entrevista dada ao sindicalista e jornalista australiano Robert Domm).

 

A Cruz Vermelha Internacional foi autorizada temporariamente a visitar o território em 24 de março 1979 sob severas restrições e limitações, depois de durante mais de três anos ver a sua presença proibida. Num dos seus primeiros relatórios, em 1979, a CVI descreve a situação humanitária em Timor-Leste como sendo pior do que a do Biafra na década de 60 com a morte de dezenas de milhares de pessoas.

 

Timor foi “aberto” em janº 1989, mas jornalistas independentes e organizações humanitárias viram negados os seus pedidos de visto. Eu mesmo quando tentei, como jornalista australiano acompanhar a visita do Papa em outº desse ano vi recusado o meu pedido. Outros jornalistas admitem terem sido muito bem-recebidos, convidados para jantares por membros do corpo diplomático e do governo capazes de lhes darem todo o ‘apoio’ para as suas histórias desde que fossem favoráveis à Indonésia, mas que mais tarde viram os seus vistos revogados quando não embarcaram no jogo.

1985

1. BALIBÓ DEZ ANOS DEPOIS [1]

 

2.1. OS RUMORES QUE SE RECUSAM A MORRER

Sidney, outubro 16, 1985, SMH) Faz hoje dez anos que cinco jornalistas australianos foram mortos em Timor-Leste. Existem questões em relação às suas mortes que nem a Indonésia nem sucessivos governos australianos souberam responder. Malcolm Rennie, Brian Peters, Greg Shackleton, Gary Cunningham e Tony Stewart não foram os primeiros jornalistas australianos a morrerem numa zona de combate nem serão os últimos.

Nos últimos dez anos, desde que repórteres televisivos e operadores de câmara morreram num ataque à vila timorense de Balibó, mais meia dúzia deles morreu, sendo o mais recente o veterano cameraman Neil Davis em setembro [1985] em Banguecoque. Mas, a morte daqueles cinco causou uma série de alegações sem precedente, contra alegações e rumores, que se recusam a desaparecer.

Embora a Indonésia tenha consistentemente negado qualquer responsabilidade nas mortes de Balibó, alegando que as mesmas ocorreram durante a luta que opunha forças pró-Indonésias da UDT e forças nacionalistas da Fretilin, relatos de testemunhas obtidas através de refugiados e de fugas de documentos secretos norte-americanos alegam que eles foram mortos por forças do exército regular indonésio.

Os cinco estavam abrigados numa casa em cujas paredes tinham desenhado um mapa australiano e a palavra “Austrália”. Durante o ataque tentaram render-se aos indonésios, mas em vez disso, foram executados. Pelo menos um deles foi abatido com rajadas de metralhadora ao tentar escapar para o mato.

Nestes dez anos, houve inúmeros pedidos de membros do Parlamento, da AJA[2] e de familiares das vítimas para um inquérito oficial australiano, que sempre foi recusado. Para a comunicação social, a investigação dos acontecimentos de Balibó quase se tornou numa obsessão. Havia especulação sobre se os indonésios haviam escolhido atacar Balibó e matar os jornalistas para suprimir detalhes da sua escalada de envolvimento em Timor-Leste.

O tom simpático dos artigos de jornal que inicialmente surgiram, depressa deram lugar a sugestões de que os jornalistas haviam arriscado a vida deliberadamente e se haviam tornado simpatizantes da Fretilin. As televisões foram acusadas de imprudência com vista a obterem uma boa caxa. A questão de como um governo responsável devia proteger os repórteres uma zona de guerra também foi questionada.

 

2.1. ASSASSÍNIO A SANGUE FRIO

Para além da questão fulcral sobre se os jornalistas foram assassinados existem outras questões:

 

ESTARIAM bem informados antes de partirem para Balibó?

 

ESTARIAM conscientes da concentração maciça de tropas Indonésias em Timor Ocidental?

 

DEVERIAM ter sido enviados para lá?

 

Gerald Stone era o diretor de informação do Canal 9 à data e o principal responsável por ter enviado os operadores de câmara Brian Peters e Malcolm Rennie para Timor-Leste. Ainda hoje não está convencido de que algo pudesse ter sido feito para evitar Balibó e garante que o seu pessoal estava devidamente informado. Existem ainda duas questões que o afligem:

 

  • SE as duas equipas de filmagem (uma do Canal 9 em Sidney, a outra do Canal 7 em Melbourne), operando em conjunto e competitivamente talvez não se tenham pressionado uma à outra para ficarem mais tempo do que seria aconselhável.

 

  • SE a amizade inicial dos timorenses não terá encorajado as equipas de filmagem a “passarem das linhas” e tentarem obter a mesma espécie de resposta por parte da UDT que tinham tido por parte da FRETILIN?

 

Para Shirley Shackleton, viúva do repórter do Canal 7, Greg Shackleton, a culpa de Balibó é inteiramente da responsabilidade do exército indonésio. Afirma já não odiar a Indonésia mas a sua raiva é dirigida a vários departamentos [ministérios] australianos que, acredita, terem deliberadamente ocultado os factos sobre Balibó.

Crê que os cinco jornalistas morreram apenas por serem jornalistas. Eles eram testemunhas dum acontecimento que os governos da Austrália e da Indonésia asseguravam ao mundo não estar a acontecer – a intervenção armada em Timor-Leste. O filme, parte do qual chegou à Austrália destrói essa ficção que eventualmente permitiria à Indonésia ocupar Timor-Leste sem a intervenção da ONU.

A Senhora Shackleton concorda que o medo de serem ”batidos” por uma reportagem do outro canal, pode ter levado as duas equipas de filmagem a ficarem em Balibó depois de todos os outros terem partido, mas diz serem estúpidas as sugestões de que negligência poderá ter contribuído para as suas mortes. Duma forma mais simples, afirma, não existe proteção contra o “assassinato a sangue frio”, que ela crê ter ocorrido.

 

 

 

 

 

2. 16 OUTUBRO 1985 THE AUSTRALIAN

3. SMH 05 DEZEMBRO 1985

4. SMH 11 DEZEMBRO 1985 AFP

 

 

 

 

[1] MARK CHIPPERFIELD, SYDNEY MORNING HERALD 16 OUTUBRO 1985. TRADUÇÃO DO AUTOR PARA A TDM E LUSA

[2] AUSTRALIAN JOURNALISTS’ ASSOCIATION

1990

BALIBÓ 15 ANOS DEPOIS[1]

Sidney, 15 outº, Público) Completam-se esta semana 15 anos sobre as mortes de cinco jornalistas da TV australiana, ocorridas na vila fronteiriça de Balibó, em Timor-Leste. A morte nunca foi totalmente esclarecida, com os indonésios a declararem que os australianos haviam sido vítimas de confrontos entre a Fretilin e a UDT-APODETI. Testemunhos timorenses, posteriormente vieram a declarar que eles haviam sido mortos quando faziam a cobertura de recontros de forças avançadas da Indonésia em território de Timor.

A Indonésia atacou e invadiu Timor em 7 de dezembro de 75, mas pelotões de vanguarda estavam já em Balibó a desalojar a Fretilin em outubro, e a morte dos jornalistas tinha de ocorrer pois a Indonésia ainda negava na altura que tivesse planos de intervir militarmente em Timor-Leste. As filmagens dos últimos dias dos jornalistas mostrando já tropas Indonésias acabariam por chegar à Austrália.

A viúva do jornalista do canal 7 (sete), Shirley Shackleton desde então não parou de publicitar a causa do povo maubere enquanto deparava com a inexistência de inquéritos oficiais australianos sobre a morte dos cinco jornalistas.

Shirley Shackleton concordou esta semana em que se celebram 15 anos sobre a morte do seu marido e sobre o começo da invasão indonésia, em dar uma entrevista à agência Lusa.

“A minha vida tem sido de tristeza pois Greg era talentoso e tinha apenas 29 anos, mas depois senti que se ele tivesse voltado teria feito de Timor um lugar especial na sua vida jornalística. Eu estive recentemente em Díli e a Fretilin tinha-me avisado que era mais seguro deslocar-me durante a visita do Papa e eu decidi ou ia dessa vez ou então teria de esperar até os timorenses terem o direito à autodeterminação.”

“Díli estava irritantemente demasiado limpa, haviam [os indonésios] feito dela uma cidade da Disneylândia, cheia de bandeiras indonésias numa atmosfera de Carnaval para turista ver e irritou-me ver nomes indonésios nas ruas.

“Depois, saí de Díli e vi o outro lado da imagem e como os militares indonésios se comportavam para com os mauberes, e em Timor a vida está bem para os indonésios, não é má para os colaboracionistas mas é muito difícil para uma pessoa se ela é timorense.

“Toda a ajuda económica estrangeira que vai para Timor serve para dar uma vida boa aos indonésios, mas parece-me injusta pois nada beneficia os timorenses que continuam sem ter direitos na sua própria terra.”

“Sente-se o medo nas pessoas e havia quem se aproximasse furtivamente e perguntasse se eu podia levar uma carta já com selos para Bali e tal como apareciam, desapareciam. Muitos foram os que sub-repticiamente se aproximaram com cartas e eu disfarçadamente punha uma mão à espera da carta.”

“Eu tornei-me ativa e vocal em relação a Timor mesmo antes do meu marido ser morto, e depois decidi não ser uma viúva chorosa pois pode dar grandes cabeçalhos nos jornais mas é uma coisa passageira.

Decidi então como cidadã australiana só fazer declarações em relação a Timor nessa qualidade, e assim tenho escrito inúmeras cartas à redação dos jornais, gravei dezenas de entrevistas para a rádio e TV e escrevi dois livros, um deles a aguardar publicação. Antes do meu marido ir a Timor eu só sabia onde era e como professora de têxteis sabia que tipos de tecidos fabricavam, nada mais. Eu faço tudo o que for preciso por Timor desde que isso possa ajudar os mauberes.”

“Foi-nos dito por três governos australianos que Timor não podia sobreviver economicamente, e agora vemos a partilha das riquezas de Timor, o petróleo, que os poderia tornar tão ricos como são os habitantes do Brunei e isso envergonha-me como australiana. Dá-me vontade de vender tudo e deixar de viver neste país.”

“Os governos australianos têm sido e continuam muito generosos para com a Indonésia. Não nos surpreendamos com o envio de duas fragatas australianas para o conflito no golfo, honestamente a maior parte dos governos utiliza critérios de duplicidade. É uma desgraça e eu sinto-me envergonhada de ser australiana e dos governos deste país, embora haja pessoas no governo que têm tentado fazer algo por Timor mas são uma minoria. Mas eu não acredito que a questão de Timor esteja acabada.”

“Quando eu fui a Timor estava convencida de que o que havia a fazer era tirar o Xanana Gusmão e outros membros da resistência para fora de Timor, mas depois de falar com os mauberes eu entendi que mesmo que se um dia Xanana for apanhado ou morto haverá outro para o substituir.

“Eu soube disto através de jovens que apanhavam conchas nas praias, através de estudantes e de velhos timorenses, e há uma geração inteira de homens timorenses desaparecida. Esse é o sentimento da maioria das pessoas com quem estive, eu vou lutar pela resistência, eu vou lutar por Xanana. Em Timor-Leste os bispos, os governadores, a polícia secreta, os torturadores vão e vêm outros mas o Xanana continua.”

“Os indonésios dizem que as últimas manifestações de estudantes revelam apenas o seu descontentamento pelo desemprego. Não, não se trata disso, mas se se tratasse então isso explica bem o que acontece ao povo Timor.”

“Não há nem haverá empregos para os timorenses. Eu conheci indonésios, e nem todos são torturadores, que me disseram esperar problemas dentro dos próximos 4 a 5 anos, com a falta de empregos para os timorenses, mas passado um ano sobre a minha estadia isso já está a acontecer.”

“Os timorenses são um dos povos mais extraordinários do mundo e apesar de os mass média não poderem cobrir o que se passa, as histórias sobre aquilo que se passa continuam a chegar até nós, sobre massacres e demonstrações. Mas isto é apenas a ponta do icebergue.”

“O exército indonésio está descontrolado e desde roubar terras a roubar tudo o que há de valor cultural no país e é por isso que eles recebem mais dinheiro em Timor do que noutros locais porque ali é perigoso estar.”

“Eu penso que o governo português está à espera de ir a Timor para ver por si mesmo com os seus próprios olhos o que se está a passar e não irá para o Tribunal Internacional sem antes poder dizer nós estivemos lá e vimos o que se passa, e por isso é que os problemas estão a aumentar em Timor hoje porque o exército está a tentar eliminar todas as formas de dissidência para que quando os portugueses [a delegação parlamentar] chegarem já não existir ninguém para protestar.

“Por outro lado recebemos tantas notícias de Timor que não podemos publicar porque não pudemos comprovar e como jornalistas responsáveis temos de as confirmar e daí que nove em cada dez notícias de Timor não seja publicada.”

“A minha mensagem para os timorenses que ainda estão em Portugal impossibilitados de regressar à sua pátria, incapazes de virem para a Austrália reunirem-se às suas famílias, é a de que enquanto a resistência se mantiver não temos o direito a desistir, e creio que cada vez serão mais fortes.”

“Eu vejo nas reuniões da associação timorense do estado de Vitória que jovens de há 15 anos são adultos hoje, outros como eu estão na meia-idade e alguns são australianos e nenhum deles desistiu ao longo dos últimos 15 anos e isso é porque Xanana e os mauberes não desistiram e nós também não podemos desistir da causa. Todos os que acreditam no direito ao voto universal e individual têm de apoiar o direito dos timorenses se autodeterminarem.”

Esta foi a primeira entrevista dada por Shirley Shackleton a um órgão de informação português.

[1] LUSA DESPACHO 222/90 15 OUT.º 1990

– EAST TIMOR, THE MEDIA ANDTHEINTERNATIONALSCENE 1991

To avoidlettingtheworldknowabouttheir crimes theIndonesiansdidnothesitate to murderfiveAustralianjournalists.

BackinOctober 1975, twoAustraliantelevisionteamswerefilmingthefallofBalibó, PortugueseEast Timor, to IndonesiantroopssupportedbyTimoreserefugees.

ThoseimageswouldwipeanydoubtsontheparticipationoftheIndonesian regular armyontheattack, andwoulddenyIndonesia’s propaganda thatonlyTimoreserefugeesgroupedunder MAC [Anti-CommunistMovement] andIndonesianvolunteersweretrying to regaincontrolof Timor.

At Maliana, fewkilometresbeforeBalibó a Portuguesetelevisioncrewfrom RTP, ledbyjournalist Adelino Gomes witnessestheattackwhere heavy artillery, firebombsandautomaticmachinegunswereused, trying to filmthelandingof a helicoptermomentsafterthecombat.

The day before, Adelino Gomes had talked to his Australian counterparts, from Melbourne’s Channel 7 and Sydney’s Channel 9. On the yellow walls of the house where they were staying the word Australia and the Australian flag were prominent.

One of them, Greg Shackleton had told him: “This is for the Indonesians to notice, if they come to Balibó they will know that there are some foreigners and they won’t kill us. It’s our embassy.”

Less than 24 hours later, by the dawn of 16 October 1975, the Indonesians start attacking Balibó with the support from some Timorese members of MAC. Both Indonesian and Australian authorities knew the journalists were there.

Just a few days before, some TV programs had broadcast their messages on the way to Balibó because it was an area predicted to be attacked by the Indonesians, trying to oust it from FRETILIN’s control.

One of the journalists managed before being killed to say that he was Australian, but Indonesia’s objective was the same: to eliminate the inconvenient witnesses, so all five TV crewmembers were murdered consciously and coldly. Apart from journalist Greg Shackleton, the others were Tony Stewart [sound engineer], Jan Cunningham and Brian Peters [camera operators] and another journalist, Malcolm Peters.

The Indonesian generals responsible for this operation [Col. Dading Kalbuardi and Major Yunus Yusuf] were promoted soon after that. General Suharto quickly decorated the official photographer of this operation.

Although the Australian government was embarrassed with the impact of the event on public opinion, it conducted a quick and inconclusive public enquiry. Meanwhile in East Timor, other Australian journalists, including Roger East, got statements that leave no doubts on the intervention of the Indonesian Armed Forces in this crime.

Indonesia was unable to gain any substantial territorial control after their border skirmishes and about a month and half later, by early December, an invasion is imminent, thus forcing the Australian authorities to advise all Australian citizens to abandon the territory. Most foreigners and journalists heeded the advice, but Roger East decided to stay even after the International Red Cross decided to evacuate to Ataúro Island.

On December 7, roughly one hour after the invasion Roger East was still able to send via the Telecommunications Centre of Radio Marconi, in Dili, a message to Australian Associated Press [AAP] and Reuters in Australia.

Shortly thereafter, he was taken to the Dili harbour area where he was murdered, as were hundreds of Timorese. The collusion between the Australian government and the Indonesians was such that not even protest was raised on the murder of this Australian journalist and Australian citizen.

For more than 13 years [December 1975 – December 1988], the Indonesians impose an almost total news blackout to East Timor. Very few foreign journalists are allowed into East Timor. Whenever authorized their visits are closely monitored and their freedom of movements is minimal.

Independent journalists report on the generalized fear in a decimated population, traumatized by war and famine and all other atrocities committed by the occupying forces. The only exception to this rule comes from compromised journalists who decided beforehand to make favourable reports to the Indonesian occupiers. Even on such cases all they are allowed to see are towns, new hospitals and schools, new roads and other façade improvements that the Indonesian try to show as if to forget the genocide of the East Timorese people.

Contacts with the population and the bush are very limited or impossible to make. The International Red Cross was allowed to visit temporarily the territory in March 24, 1979 under harsh restrictions and limitations. For more than three years, their presence was forbidden.

In one of its first reports, back in 1979, the Red Cross states that the humanitarian situation in East Timor is worse than Biafra during the secession war, and asks for a mercy campaign of medical and food support to avoid the death of tens of thousand of people.

When East Timor was “opened” in January 1989, as widely announced by the Indonesians, many independent journalists and humanitarian organizations were still denied a visa into the territory. Some other journalists, admit how well received their requests were, of being invited for dinner by diplomatic members who were willing to give them all their support, if their reports would be seen as favourable to Indonesia, but who were later refused their visas when they did not intend to play the Indonesian game.