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Portugal: A VÃ GLÓRIA DE UM ATIRADOR FURTIVO

Posted: 30 Jul 2014 03:17 PM PDT

 

 

SANTANA CASTILHO – Público, opinião – hoje

 

Estes exames só servem um maquiavélico projecto de elitização do ensino

 

Sobre a PACC (Prova de Avaliação de Conhecimentos e Competências) dos professores já me pronunciei sobejas vezes, a primeira das quais nesta coluna, em 7 de Fevereiro de 2008. O que passo a escrever tem duas finalidades: apelar à memória escassa da maioria, para melhor compreendermos a atitude ignóbil de Nuno Crato, e denunciar com frontalidade que a fixação do ministro no papel sacro dos instrumentos de avaliação é demencial.

 

Com o truque que todos conhecemos, para impedir que os sindicatos pudessem apresentar um pré-aviso de greve, o ministro da Educação actuou sem educação nem escrúpulos. Usou o capote da desfaçatez para bandarilhar uma lei da República, que protege um direito fundamental. Portou-se como um caçador furtivo a atirar sobre cidadãos que o Estado enganou, com dolo agravado por habilidades grosseiras. E foi a primeira vez que assim se desvinculou da ética política e da lealdade que deve àqueles que governa? Não, não foi! Os exemplos repetem-se e há muito que vêm desenhando um carácter.

 

Foi ele que, em início de mandato, revogou os prémios de mérito dos alunos, sem aviso prévio e atempado, quando eles já tinham cumprido a sua parte.

 

Foi ele que obrigou crianças com necessidades educativas especiais a sujeitarem-se a exames nacionais, em circunstâncias que não respeitaram o seu perfil de funcionalidade, com o cinismo cauteloso de as retirar, depois, do tratamento estatístico dos resultados.

 

Foi ele que, dias antes das inscrições nos exames do 12.º ano, mudou unilateralmente as regras, ferindo de morte a confiança que qualquer estudante devia ter no Estado.

 

Foi ele que, a uma sexta-feira, simbolicamente 13, sem que se conhecessem os créditos atribuídos às escolas, sem que as matrículas estivessem terminadas e as turmas constituídas, obrigou os directores a determinarem e comunicarem o número de “horários zero” para 2012-2013, sob ameaça de procedimento disciplinar, lançando na angústia milhares de docentes com dezenas de anos de serviço para, na semana seguinte, recuperar o que antes havia levianamente subtraído. Foi ele que abriu esse concurso com uma lei e o encerrou com outra, num alarde gritante de discricionariedade nunca vista.

 

A conferência de imprensa, significativamente marcada para o horário nobre do dia da prova da humilhação dos professores, mostrou-nos um ministro obcecado pela vã glória que a jornada lhe proporcionou, incapaz de discernir, como qualquer alienado, que o seu fundamentalismo patológico sobre o papel dos instrumentos de avaliação está a destruir o sistema nacional de ensino. Os professores são cada vez mais meros aplicadores das mediocridades do IAVE e cada vez menos professores. O tempo do ensino é comido pela loucura de tudo examinar, com provas cheias de erros inconcebíveis e qualidade duvidosa. Todo o ano, tudo se verga aos exames e à alienação que provocam. Preparar exames, treinar para exames, substituir tempos de aulas por tempos para fazer exames, corrigir exames, tirar ilações de rankings, pagar a Cambridge e não pagar aos nacionais. E, quando os problemas surgem, o ministro puxa pela cabeça doente e chama a polícia. Sim, cidadão que me lê, olhe para as televisões e reconheça que, quando se tornou banal a presença da polícia dentro das nossas escolas, algo vai mal com a democracia que devíamos ensinar aos seus filhos.

 

Para que serviu o segundo exame aplicado às crianças do 1.º ciclo do básico, um mês depois de terem reprovado no primeiro, senão para mostrar que o modelo é inadequado?

 

Para que serviu a avaliação dos centros de investigação, senão para destruir o que foi laboriosamente construído ao longo das duas últimas décadas, transferir para o estrangeiro uma fatia do parco erário público e mostrar que a fraude é permitida e fica impune?

 

Em matéria de exames, é factual, o país nunca tinha assistido a tantos dislates como os que o “rigor” de Crato já nos proporcionou: efectivação de provas na ausência de secretariado de exames; exames realizados sem professores suplentes e sem professores coadjuvantes; exames vigiados por professores que leccionaram a disciplina em exame; ausência de controlo sobre a existência de parentesco entre examinandos e vigilantes; salas invadidas e interrupção de provas; tumultos que obrigaram à intervenção da polícia; desacatos ruidosos em lugar do silêncio devido; sigilo quebrado com o uso descontrolado de telefones e outros meios de comunicação electrónica; alunos e professores aglomerados em refeitórios; provas iniciadas depois do tempo regulamentar.

 

Portugal: Os despedimentos na Controlinvest – os poderes hegemónicos ao ataque*

Posted: 30 Jul 2014 02:53 PM PDT

 

 

Fernando Correia – O Diário

 

A nova propriedade do grupo Controlinvest reflecte com clareza o figurino da congregação que junta os três poderes hegemónicos ao serviço da classe dominante – o poder económico-financeiro (cada vez mais financeiro do que industrial), o poder político (isto é, dos três partidos que têm ocupado o governo) e o poder mediático (dono de praticamente todos os media – imprensa, rádio, televisão, online – mais influentes nas opiniões e nos comportamentos dos portugueses).

 

A recente decisão da Controlinvest em proceder ao despedimento de 160 trabalhadores, 66 dos quais jornalistas, vem, de forma violenta e dramática, chamar mais uma vez a atenção para a crescente contradição (em Portugal e nos países capitalistas em geral) entre, por um lado, a importância da informação e do jornalismo na saúde da democracia, e, por outro lado, a apropriação – com fins mercantilistas e ideológicos – dos órgãos de comunicação social por poderosos grupos económicos.
A concentração da propriedade, e a sua natureza de classe, enquanto causa e efeito da predominância adquirida pelo factor económico, reflecte-se no alargamento das lógicas empresariais a tudo o que tem a ver com os critérios informativos, as programações, a escolha dos responsáveis editoriais, a selecção dos conteúdos, etc. Os projectos editoriais foram substituídos por projectos empresariais, o jornalismo foi absorvido pelo negócio da informação.

 

A decisão de despedir foi justificada pelo conselho de administração pela «evolução negativa do mercado dos media» e pela «acentuada quebra de receitas do sector». Tratou-se de «uma decisão estratégica de redução de custos para garantir a sustentabilidade do negócio».

 

Recorde-se que em Março deste ano a Controlinvest registou a entrada de novos accionistas e a eleição de novos órgãos sociais, tendo o capital social passado a ficar assim repartido: 27,5% pelo grupo Joaquim Oliveira (antigo accionista maioritário), 27,5% por António Mosquito («investidor» angolano), 15% por Luís Montez (dono de várias estações de rádio, do ex-Pavilhão Atlântico e empresário de espectáculos), 15% pelo BCP e 15% pelo BES.

 

Foi anunciada pelos novos patrões da Controlinvest «a ambição de crescer nos mercados em que está inserida e de conquistar novos mercados nos espaços da lusofonia». Afirmou-se a necessidade de «assegurar novas condições de capitalização do grupo» e de «um novo plano de negócios devidamente sustentado a longo prazo».

 

Recorde-se que a Controlinvest é um dos principais grupos nacionais de media, detendo, nomeadamente, o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias, o Jogo e a TSF. Pareceria adequado e conveniente que, na sequência da reconfiguração da propriedade da empresa, esta anunciasse os seus planos para a intervenção de tão importantes órgãos nos territórios que tradicionalmente lhes são próprios – a informação, a formação, o entretenimento. Ao que parece, porém, as suas «estratégias» não passam pela conciliação entre o combate à real crise do sector e o interesse público da comunicação social, mas sim, mais prosaicamente, pela «sustentabilidade do negócio».

 

A nova propriedade do grupo reflecte com clareza, dir-se-ia simbolicamente, o figurino da congregação (pouco católica) que junta os três poderes hegemónicos ao serviço da classe dominante – o poder económico-financeiro (cada vez mais financeiro do que industrial), o poder político (isto é, dos três partidos que têm ocupado o governo) e o poder mediático (dono de praticamente todos os media – imprensa, rádio, televisão, online – mais influentes nas opiniões e nos comportamentos dos portugueses). Mas há outros sinais simbólicos.

 

Um campeão na presidência

 

Uma notícia publicada em 16 de Abril de 2010 informava, com base em contas feitas pelo próprio jornal:
«Proença de Carvalho é o responsável com mais cargos entre os administradores não executivos das companhias do PSI-20, e também o mais bem pago. [Os nomes que se seguem na lista daqueles a quem a notícia chama “campeões” deste tipo de funções, são António Nogueira Leite, José Pedro Aguiar-Branco e António Lobo Xavier]. O advogado é presidente do conselho de administração da Zon, é membro da comissão de remunerações do BES, vice-presidente da mesa da assembleia geral da CGD e presidente da mesa na Galp Energia. E estes são apenas os cargos em empresas cotadas, já que Proença de Carvalho desempenha funções semelhantes em mais de 30 empresas. Considerando apenas estas quatro empresas (já que só é possível saber a remuneração em empresas cotadas em bolsa), o advogado recebeu 252 mil euros. Tendo em conta que esteve presente em 16 reuniões, Proença de Carvalho recebeu, em média e em 2009, 15,8 mil euros por reunião.»

 

Pois é: o novo presidente do Conselho de Administração da Controlinvest é… Proença de Carvalho. Ironias do destino: a notícia, com base nas contas feitas pelo próprio jornal, foi publicada… no Diário de Notícias.

 

*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº2121, 24.07.2014

 

Na foto: Joaquim Oliveira

 

Portugueses continuam desiludidos com a economia – Eurobarómetro

Posted: 30 Jul 2014 02:41 PM PDT

 

Continua a desconfiança e pessimismo dos portugueses em relação à economia do país, como se conclui dos dados do Eurobarómetro de julho de que a edição diária do Expresso dá conta. Aos portugueses juntam-se ainda espanhóis e gregos com uma opinião negativa sobre as respetivas economias na ordem dos 96%.

 

O Sul e o Norte da Europa continuam separados pela diferença. Neste caso falamos das perspetivas sobre a economia do respetivo país.

 

Segundo avança o Expresso, citando o Eurobarómetro de julho, portugueses, espanhóis e gregos mantém uma opinião negativa sobre a economia na ordem dos 96%.

 

No caminho oposto surgem Dinamarca e Alemanha que têm uma opinião favorável sobre a economia dos seus países na ordem dos 85% e dos 82%, respetivamente.

 

A média da União Europeia (UE) a 28 é, no entanto, negativa: os inquiridos apontam para uma média de 63% de opiniões negativas sobre esta questão.

 

Relativamente às expectativas económicas para o próximo ano, 37% consideram que a economia ainda vai pior e 40% consideram que se manterá na mesma. Somente 17% acredita que a situação económica irá melhorar em 2015. Na UE a 28, a média aponta para 24% a considerar que a economia irá melhorar.

 

Leia mais em Notícias ao Minuto

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O SOL QUANDO NASCE EM PORTUGAL JÁ NÃO É PARA TODOS

Posted: 30 Jul 2014 11:37 AM PDT

 

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Clemente Alves* – em Facebook

 

O Sol quando nasce já não é para todos, pelo menos na Praia de Carcavelos. Já aqui vim chamar a atenção para o roubo que a comandita do Passos, Portas & Cavaco, SA nos queriam fazer das praias que são de todos desde que há humanidade. Muitos me chamaram alarmista, tendencioso e até “politicamente venenoso”.

 

Agora, olhem bem para a fotografia, que por gentileza do meu amigo Júlio Vintém, aqui publico.

 

Trata-se da Praia de Carcavelos, talvez a mais frequentada em todo o país, onde já foi privatizado um grande pedaço para uso de quem tenha dinheiro para pagar pela areia e pelo Sol em condições previligiadas, arredando para o aperto os demais banhistas.

 

Depois de Carcavelos, quantas mais praias, até que os comuns mortais tenham que pegar em varapaus para se baterem contra o “apartheid” a que nos estão a sujeitar ?

 

Sou português, cidadão, munícipe de Cascais e quero saber porque me roubam aquilo que, por direito natural, é meu e dos meus semelhantes.

 

*Vereador da CDU na Câmara Municipal de Cascais

 

NÃO EM MEU NOME

Posted: 30 Jul 2014 11:22 AM PDT

 

 

 

Recuso-me a acumpliciar-me com esta agressão. O exército israelense não me representa, o governo ultranacionalista não me representa. Os assentados ilegalmente são meus inimigos. Eu, judeu brasileiro, digo: ACABEM COM A OCUPAÇÃO!!!

 

Marcelo Gruman – Brasil de Fato, opinião

 

Na minha adolescência, tive a oportunidade de visitar Israel por duas vezes, ambas na primeira metade da década de 1990. Era estudante de uma escola judaica da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. As viagens foram organizadas por instituições sionistas, e tinham por intuito apresentar à juventude diaspórica a realidade daquele Estado formado após o holocausto judaico da Segunda Guerra Mundial, e para o qual todo e qualquer judeu tem o direito de “retornar” caso assim o deseje. Voltar à terra ancestral. Para as organizações sionistas, ainda que não disposto a deixar a diáspora, todo e qualquer judeu ao redor do mundo deve conhecer a “terra prometida”, prestar-lhe solidariedade material ou simbólica, assim como todo muçulmano deve fazer, pelo menos uma vez na vida, a peregrinação a Meca. Para muitos jovens judeus, a visita a Israel é um rito de passagem, assim como para outros o destino é a Disneylândia.

 

A equivalência de Israel e Disneylândia tem um motivo. A grande maioria dos jovens não religiosos e sem interesse por questões políticas realizam a viagem apenas para se divertir. O roteiro é basicamente o mesmo: visita ao Muro das Lamentações, com direito a fotos em posição hipócrita de reza (já viram ateu rezando?), ao Museu da Diáspora, ao Museu do Holocausto, às Colinas do Golan, ao Deserto do Neguev e a experiência de tomar um chá com os beduínos, ir ao Mar Morto e boiar na água sem fazer esforço por conta da altíssima concentração de sal, a “vivência” de alguns dias num dos kibutzim ainda existentes em Israel e uma semana num acampamento militar, onde se tem a oportunidade de atirar com uma arma de verdade. Além, é claro, da interação com jovens de outros países hospedados no mesmo local. Para variar, brasileiros e argentinos, esquecendo sua identidade étnica comum, atualizavam a rivalidade futebolística e travavam uma guerra particular pelas meninas. Neste quesito, os argentinos davam de goleada, e os brasileiros ficavam a ver navios.

 

Minha memória afetiva das duas viagens não é das mais significativas. Aparte terconhecido parentes por parte de mãe, a “terra prometida” me frustrou quando o assunto é a construção de minha identidade judaica. Achei os israelenses meio grosseiros (dizem que o “sabra”, o israelense “da gema”, é duro por natureza), a comida é medíocre (o melhor falafel que comi até hoje foi em Paris…), é tudo muito árido, a sociedade é militarizada, o serviço militar é compulsório, não existe “excesso de contingente”. A memória construída apenas sobre o sofrimento começava a me incomodar.

 

Nossos guias, jovens talvez dez anos mais velhos do que nós, andavam armados, o motorista do ônibus andava armado. Um dos nossos passeios foi em Hebron, cidade da Cisjordânia, em que a estrada era rodeada por telas para contenção das pedras atiradas pelos palestinos. Em momento algum os guias se referiram àquele território como “ocupado”, e hoje me envergonho de ter feito parte, ainda que por poucas horas, deste “finca pé” em território ilegalmente ocupado. Para piorar, na segunda viagem quebrei a perna jogando basquete e tive de engessá-la, o que, por outro lado, me liberou da experiência desagradável de ter de apertar o gatilho de uma arma, exatamente naquela semana íamos acampar com o exército israelense.

 

Sei lá, não me senti tocado por esta realidade, minha fantasia era outra. Não encontrei minhas raízes no solo desértico do Negev, tampouco na neve das colinas do Golan. Apesar disso, trouxe na bagagem uma bandeira de Israel, que coloquei no meu quarto. Muitas vezes meu pai, judeu ateu, não sionista, me perguntou o porquê daquela bandeira estar ali, e eu não sabia responder. Hoje eu sei por que ela NÃO DEVERIA estar ali, porque minha identidade judaica passa pela Europa, pelos vilarejos judaicos descritos nos contos de Scholem Aleichem, pelo humor judaico característico daquela parte do mundo, pela comida judaica daquela parte do mundo, pela música klezmer que os judeus criaram naquela parte do mundo, pelas estórias que meus avós judeus da Polônia contavam ao redor da mesa da sala nos incontáveis lanches nas tardes de domingo.

 

Sou um judeu da diáspora, com muito orgulho. Na verdade, questiono mesmo este conceito de “diáspora”. Como bem coloca o antropólogo norte-americano James Clifford, as culturas diaspóricas não necessitam de uma representação exclusiva e permanente de um “lar original”. Privilegia-se a multilocalidade dos laços sociais. Diz ele:

 

As conexões transnacionais que ligam as diásporas não precisam estar articuladas primariamente através de um lar ancestral real ou simbólico (…). Descentradas, as conexões laterais [transnacionais] podem ser tão importantes quanto aquelas formadas ao redor de uma teleologia da origem/retorno. E a história compartilhada de um deslocamento contínuo, do sofrimento, adaptação e resistência pode ser tão importante quanto a projeção de uma origem específica.

 

Há muita confusão quando se trata de definir o que é judaísmo, ou melhor, o que é a identidade judaica. A partir da criação do Estado de Israel, a identidade judaica em qualquer parte do mundo passou a associar-se, geográfica e simbolicamente, àquele território. A diversidade cultural interna ao judaísmo foi reduzida a um espaço físico que é possível percorrer em algumas horas. A submissão a um lugar físico é a subestimação da capacidade humana de produzir cultura; o mesmo ocorre, analogamente, aos que defendem a relação inexorável de negros fora do continente africano com este continente, como se a cultura passasse literalmente pelo sangue. O que, diga-se de passagem, só serve aos racialistas e, por tabela, racistas de plantão. Prefiro a lateralidade de que nos fala Clifford.

 

Ser judeu não é o mesmo que ser israelense, e nem todo israelense é judeu, a despeito da cidadania de segunda classe exercida por árabes-israelenses ou por judeus de pele negra discriminados por seus pares originários da Europa Central, de pele e olhos claros. Daí que o exercício da identidade judaica não implica, necessariamente, o exercício de defesa de toda e qualquer posição do Estado de Israel, seja em que campo for.

 

Muito desta falsa equivalência é culpa dos próprios judeus da “diáspora”, que se alinham imediatamente aos ditames das políticas interna e externa israelense, acríticos, crentes de que tudo que parta do Knesset (o parlamento israelense) é “bom para os judeus”, amém. Muitos judeus diaspóricos se interessam mais pelo que acontece no Oriente Médio do que no seu cotidiano. Veja-se, por exemplo, o número ínfimo de cartas de leitores judeus em jornais de grande circulação, como O Globo, quando o assunto tratado é a corrupção ou violência endêmica em nosso país, em comparação às indefectíveis cartas de leitores judeus em defesa das ações militaristas israelenses nos territórios ocupados. Seria o complexo de gueto falando mais alto?

 

Não preciso de Israel para ser judeu e não acredito que a existência no presente e no futuro de nós, judeus, dependa da existência de um Estado judeu, argumento utilizado por muitos que defendem a defesa militar israelense por quaisquer meios, que justificam o fim. Não aceito a justificativa de que o holocausto judaico na Segunda Guerra Mundial é o exemplo claro de que apenas um lar nacional única e exclusivamente judaico seja capaz de proteger a etnia da extinção.

 

A dor vivida pelos judeus, na visão etnocêntrica, reproduzida nas gerações futuras através de narrativas e monumentos, é incomensurável e acima de qualquer dor que outro grupo étnico possa ter sofrido, e justifica qualquer ação que sirva para protegê-los de uma nova tragédia. Certa vez, ouvi de um sobrevivente de campo de concentração que não há comparação entre o genocídio judaico e os genocídios praticados atualmente nos países africanos, por exemplo, em Ruanda, onde tutsis e hutus se digladiaram sob as vistas grossas das ex-potências coloniais. Como este senhor ousa qualificar o sofrimento alheio? Será pelo número mágico? Seis milhões? O genial Woody Allen coloca bem a questão, num diálogo de Desconstruindo Harry (tradução livre):

 

– Você se importa com o Holocausto ou acha que ele não existiu?

 

– Não, só eu sei que perdemos seis milhões, mas o mais apavorante é saber que recordes são feitos para serem quebrados.

 

O holocausto judaico não é inexplicável, e não é explicável pela maldade latente dos alemães. Sem dúvida, o componente antissemita estava presente, mas, conforme demonstrado por diversos pensadores contemporâneos, dentre os quais insuspeitos judeus (seriam judeus antissemitas Hannah Arendt, Raul Hilberg e Zygmunt Bauman?), uma série de características do massacre está relacionada à Modernidade, à burocratização do Estado e à “industrialização da morte”, sofrida também por dirigentes políticos, doentes mentais, ciganos, eslavos, “subversivos” de um modo geral. Práticas sociais genocidas, conforme descritas pelo sociólogo argentino Daniel Feierstein (outro judeu antissemita?), estão presentes tanto na Segunda Guerra Mundial quanto durante o Processo de Reorganização Nacional imposto pela ditadura argentina a partir de 1976. Genocídio é genocídio, e ponto final.

 

A sacralização do genocídio judaico permite ações que vemos atualmente na televisão, o esmagamento da população palestina em Gaza, transformada em campo de concentração, isolada do resto do mundo. Destruição da infraestrutura, de milhares de casas, a morte de centenas de civis, famílias destroçadas, crianças torturadas em interrogatórios ilegais conforme descrito por advogados israelenses. Não, não são a exceção, não são o efeito colateral de uma guerra suja. São vítimas, sim, de práticas sociais genocidas, que visam, no final do processo, ao aniquilamento físico do grupo.

 

Recuso-me a acumpliciar-me com esta agressão. O exército israelense não me representa, o governo ultranacionalista não me representa. Os assentados ilegalmente são meus inimigos.

 

Eu, judeu brasileiro, digo: ACABEM COM A OCUPAÇÃO!!!

 

(1) Marcelo Gruman é antropólogo.

 

Referências bibliográficas: CLIFFORD, James. (1997). Diasporas, in Montserrat Guibernau and John Rex (Eds.) The Ethnicity Reader: Nationalism, Multiculturalism and Migration, Polity Press, Oxford.

 

Vídeo: Tortura de crianças palestinas: https://www.youtube.com/watch?v=z5AkFlAeCHE

 

Contra palestinos – 6 mil soldados estadunidenses, canadenses e europeus na Faixa de Gaza

Posted: 30 Jul 2014 11:10 AM PDT

 

Forças armadas estariam se juntando ao exército israelense contra os palestinos; médicos denunciam bloqueios na região que dificultam o atendimento dos feridos

 

A Rede Euro-Mediterrânea de Direitos Humanos (REMDH) revelou que cerca de seis mil soldados, vindos principalmente dos Estados Unidos, Canadá e Europa estão participando do bombardeio de Israel contra os palestinos na Faixa de Gaza.

 

O exército israelense já confirmou a morte de um soldado francês de 22 anos. Na última semana, o Ministério das Relações Exteriores dos Estados Unidos também já declarou a morte de dois soldados.

 

Fontes palestinas dizem que a medida está sendo tomada porque muitos israelenses estão fugindo do campo de batalha e as autoridades são obrigadas a substituí-los pelos estrangeiros. Mais de 90 soldados de Israel morreram desde o começo da ofensiva contra Gaza. Enquanto do lado palestino, ao menos 1048 pessoas foram mortas além de mais de 6300 feridas.

 

“Crime contra a humanidade”

 

Vinte e quatro médicos europeus que estão em Gaza lançaram uma carta aberta descrevendo os ataques de Israel de “um crime contra a humanidade”.

 

“Solicitamos aos nossos colegas que denunciem a agressão de Israel. Estamos combatendo a propaganda do governo que transforma o massacre pela denominada ‘agressão defensiva’. A realidade é que se trata de uma agressão cruel com duração e intensidade ilimitadas”, diz a carta que também reforça que a maioria dos alvos israelense são civis inocentes.

 

Os médicos também denunciam que Gaza está sendo bloqueada, e os feridos não podem buscar socorro em hospitais fora da região, além do acesso a comida e medicamentos ser limitado.

 

“Israel está insultando nossa humanidade, inteligência e dignidade. Os médicos que tentam viajar para Gaza, não conseguem chegar por conta de bloqueios”, denunciam.

 

Recém nascidos

 

Outro aspecto pouco conhecido da ofensiva israelense em Gaza é a morte de bebês abandonados na região, já que recém-nascidos não podem ser levados pelos seus pais para um local seguro.

 

É o caso da maternidade do hospital Shifa, onde três bebês dividem a mesma incubadora. A falta de energia e de mantimentos nos hospitais fez com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitasse um “corredor humanitário” para tratar dos feridos.

 

Brasil de Fato – Foto: Librered.net

 

 

A GUINÉ EQUATORIAL E A BARULHEIRA DE LISBOA

Posted: 30 Jul 2014 10:37 AM PDT

 

Alberto Castro é correspondente de Afropress em Londres

Alberto Castro – Afropress, em colunistas

 

A X Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizada no passado 23 de julho em Díli, capital de Timor-Leste, admitiu por unanimidade a Guiné Equatorial como o nono Estado-membro de pleno direito da organização, culminando assim um processo de dez anos de aproximação ao bloco lusófono pelo único país africano de língua castelhana cujas partes do território, entre os séculos XV e XVIII, pertenceram à Coroa portuguesa.

 

Um processo nada pacífico, principalmente pela forte oposição à adesão do país de Teodoro Obiang, o homem que o dirige com pulso de ferro há mais de três décadas, por parte de setores da política, imprensa e sociedade civil portuguesa. Os argumentos dos críticos, essencialmente políticos, assentam em temas como a ditadura, corrupção, falta de transparência na governança e violações dos direitos humanos e, entre estes, principalmente a existência da pena de morte no regime de Malabo.

 

Mas, mesmo perante aquelas fortes e justificadas críticas, o Governo de Lisboa, ainda mergulhado numa grave crise econômico-financeira, foi praticamente forçado pelos demais parceiros da CPLP a aceitar a adesão do que muitos vêem como ”indesejável” membro na família. Assim não fosse e arriscaria uma situação de isolamento que seria ”muito negativa”, segundo o pragmatismo do primeiro-ministro Passos Coelho.

 

Não deixou, no entanto, de ser caricata, patética e incoerente o posicionamento do presidente Cavaco Silva. Opositor aberto à adesão, justificou a sua presença na Cimeira da capital timorense com o pretexto, diga-se paternalista e pretensioso, de ”ajudar Timor-Leste para que a mesma fosse um sucesso.” E numa demonstração de falta de sentido de Estado e tato diplomático comparou, em conferência de imprensa, a situação da Guiné Equatorial com a da Coreia do Norte, desta feita justificando a adesão argumentando que ”o isolacionismo nunca conduziu à democracia e ao respeito pelos direitos humanos”.

 

Se fosse coerente consigo mesmo, Cavaco Silva teria optado pela ausência na Confêrencia de Díli e permanecido em silêncio no conforto do Palácio de Belém, demonstrando assim a sua reprovação. Foi o que fizeram, em sentido oposto, Dilma Rousseff e José Eduardo dos Santos, apontados como os principais patrocinadores da integração da Guiné Equatorial como membro de pleno direito da CPLP.

 

Vozes e opiniões indignadas e bem inflamadas de políticos, jornalistas e comentadores contra a adesão encheram páginas de jornais e espaços de comentários nas rádios e TVs portuguesas fustigando o governo luso, particularmente a sua diplomacia, por um desenlace que consideram ser uma autêntica humilhação nacional.

 

Houve quem sugerisse que Portugal abandonasse de imediato a CPLP e os esquerdistas do Bloco de Esquerda propuseram dois dias depois ao Parlamento um voto que pedia a condenação da entrada do país de Obiang na organização lusófona. O mesmo foi chumbado pela maioria PSD/CDS que apoia o Governo e por parte da bancada Socialista, com abstenções de Comunistas e Verdes.

 

A Cimeira da cobiça e da desvergonha (I), titula em editorial o jornal Público, um dos mais ferrenhos nas críticas à adesão, na sua edição online de 23 de julho afirmando no primeiro parágrafo que a ”“carteira” de Obiang fala mais alto do que quaisquer outros valores. ”A memória deles pode ser curta, a minha não (II), escreve no mesmo dia e no mesmo jornal a eurodeputada socialista Ana Gomes para quem ”a entrada da Guiné Equatorial presta-se, desde já, a ensombrar a imagem da CPLP. Pois confere um carimbo de respeitabilidade internacional a um regime ditatorial que procura lavar mais, e mais facilmente, no exterior, os proveitos da tirania e da corrupção”. Para o colunista Vasco Pulido Valente, o que aconteceu em Díli foram “merecidos vexames” (III).

 

Escreve o articulista que: ”A nós que por aqui andamos a contar tostões não nos faz mal o vexame público do país, que é uma tradição histórica e, pior ainda, um hábito de vida”. E referindo-se ao governo angolano acrescenta: ”Embora obedecer ao Império Britânico seja em princípio menos comprometedor do que obedecer a um bando de cleptocratas”. Mas o colunista acabaria por, no essencial, dar razão ao editorial do Jornal de Angola com o título ”A grandeza da língua” (IV) no qual aquele diário estatal qualifica certos setores das elites portuguesas com adjetivos como ”preconceituosa”, “incoerente”, “estrábica”, ”ignorante”, ”corrupta e ”soberba”.

 

Ainda no Público, a colunista Teresa de Sousa questiona dias depois: ”O que anda a fazer a diplomacia portuguesa?”(V). Uma diplomacia que, segundo ela, ”verga-se aos editoriais “ameaçadores” do Jornal de Angola” e ao Brasil azul (Atlântico Sul), a nova prioridade estratégica prevalecente no Itamaraty, depois do Brasil verde (Amazônia), que visa o fortalecimento das relações Sul-Sul. A colunista sugere que a ”última coisa que passaria pela cabeça de Dilma era ver este objetivo estratégico prejudicado por uma qualquer teimosia de Portugal sobre a questão dos direitos humanos.”

 

No essencial os argumentos dos críticos são válidos, não apenas do ponto de vista da argumentação meramente política. Credíveis relatos internos e externos mostram que o regime de Obiang choca-se com princípios e valores fundadores da CPLP como o primado da paz, da democracia, dos direitos humanos, da boa governança e da justiça social.

 

Mas a politização dessas evidências peca por carregar igualmente uma grande dose de cinismo, hipocrisia, paternalismo, suposta superioridade moral e a tentativa de tutela exclusiva de uma língua comum por parte do país de origem da mesma para fins meramente políticos. Uma breve radiografia política à todos os países da CPLP mostraria a olhos nus que os citados princípios e valores são violados e fragilizados diariamente e de forma chocante em todos os espaços lusófonos, sem exceção.

 

Citando apenas o Brasil, no maior dos lusófonos milhares de brasileiros, na maioria negros e índios, vêem seus direitos de cidadania diariamente violados, suas vidas ceifadas pelo simples ”pecado” da cor. Raras são as vozes em Portugal que se levantam contra e se indignam.

 

No que respeita à pena de morte, um dos argumentos mais esgrimidos pelos críticos contra o regime equato-guineense, nunca vi de algum comentador, político ou orgão de imprensa vocalmente contrários a adesão Guiné Equatorial à CPLP, críticas ferozes à consagração da mesma na atual Constituição Federal brasileira.

 

Embora se aplique apenas em caso de guerra, ela existe e o condenado, em certas situações, pode ser executado sumariamente, sem que seja sequer julgado. Portugal, membro da sinistra OTAN, tem relações de parceria estratégica com os EUA e a China, dois países com pena capital.

 

No que toca à ditadura, Portugal ainda hoje se ajoelha e suspira por uma parceria estratégica com Angola. No ano passado o Governo de Lisboa apavorou-se quando o poder de Luanda, constantemente retratado em setores da mídia e da política lusa com sendo uma ditadura disfarçada de democracia formal, engavetou a tão desejada parceria estratégica que vinha sendo trabalhada entre os Governos dos dois países.

 

No que toca a corrupção, transparência e boa governança, nenhum dos Estados-membros da CPLP está em condições de dar lições de moral a outros. Quanto aos banalizados conceitos de democracia e dos direitos humanos, idem.

 

Estados recentemente saídos de experiências dolorosíssimas de guerras e ditaduras dão os seus primeiros passos na experimentação democrática e deles se exigem comportamentos e práticas que outros vêm experimentando e aperfeiçoando há séculos. Outros, mal consolidaram as suas democracias e já se arrogam ao direito de moralistas, espelhando-se pretensiosamente como modelos a seguir.

 

Modelos esgotados onde o que na verdade domina é a Televicracia, termo cunhado pelo jornalista e escritor mexicano Jorge Saldaña para explicar a complexidade de uma aberração política onde as mídias se transformaram em ”poderes de facto” que não resultam dos votos mas que os influenciam, sendo a televisão o núcleo principal desses poderes. Um embuste mediático que nega a democracia em todos os seus conceitos.

 

A barulheira eurocêntrica que se fez sentir em Lisboa por causa da adesão da Guiné Equatorial revela igualmente uma visão estreita do que deve ser a CPLP, uma amnésia histórica que roça o insulto aos africanos e um desconhecimento do enquadramento do país agora oficialmente trilingue (caso raro) de grande importância geoestratégica nas relações internacionais. Vivemos num mundo globalizado, cada vez mais competitivo e interdependente.

 

A entrada na lusofonia não pode nem deve ser condicionado apenas à dimensão da língua falada e escrita como muitos defendem. Fazer isso é um exercício de negação fundamentalista do passado e reducionista da história. Assim fosse e os países africanos lusófonos sequer fariam parte da CPLP porque a maioria das suas populações sequer fala e escreve o Português. E quem assim demagogicamente pensa sequer tem dinheiro para manter uma comunidade meramente de afetos.

 

A dimensão econômica da adesão da Guiné Equatorial deve ser vista como uma vantagem para a CPLP e não reduzida a um mero aproveitamento de petróleo e gás natural que elimina importantes dimensões identitárias da mesma como a histórica e a cultural. Tão pouco deve ser usada para nos mantermos em silêncio e à margem dos atropelos aos nobres valores consagrados estatutáriamente na Comunidade. Sou dos que defendem uma exigência cada vez maior na observância dos mesmos em todos os espaços da lusofonia.

 

E creio que isso apenas se consegue com uma verdadeira democratização da CPLP como organização verdadeiramente comunitária de bem e não um clube de interesses elitistas e obscuros.

 

Vejo, por tudo isso, a integração da Guiné Equatorial como um feliz reencontro com a história dos povos da lusofonia e um enorme desafio à própria comunidade que os diz representar. É falacioso defender que a mesma confere um selo de respeitabilidade internacional à ditadura de Obiang.

 

A Guiné Equatorial é membro da francofonia e de diversas organizações multilaterais regionais, continentais, intercontinentais e globais. A CPLP é uma organização que mal se firmou no plano internacional e, mais preocupante, mal se afirmou nos espaços da lusofonia onde ainda é praticamente desconhecida.

 

A barulheira portuguesa confirmou uma grande verdade: esquecer o passado é correr o risco de deixar desprotegido o futuro. Demonstrou-se  um grande desconhecimento, amnésia histórica e desrespeito pela história de Portugal e dos povos com que no passado privou criando fortes elos identitários comuns.

 

Foram inquestionavelmente séculos de convivências bem mais violentas do que pacíficas. No entanto, neles se criaram e se fortaleceram laços de identidades histórico-culturais inquebrantáveis que não se reduzem apenas à enorme responsabilidade portuguesa no hediodno comércio e tráfico de escravos.

 

Assim fosse e a Guiné Equatorial, ao invés da adesão, estaria hoje a instaurar um processo internacional contra Portugal reivindicando justas compensações morais e materiais pelos enormes danos causados pelo horrendo tráfico negreiro.

 

Nesse quesito os africanos dão uma lição a Portugal ao mostrarem-se, por enquanto, tolerantes para com as páginas mais obscuras da sua história. Isso demonstra, por um lado, a grandeza de alma dos filhos daqueles a quem um dia se tirou a alma para fossem escravizados. Por outro, mostra que apesar de todos os pesares, alguma coisa de bom ficou do relacionamento secular de Portugal com a África.

 

A visão estreita e a amnésia histórica de parte de inúmeros políticos, comentadores e da generalidade da imprensa em Portugal, ignorantes da sua própria história, fica resumida no parágrafo final do citado editorial do Jornal de Angola: ”Os portugueses têm um grande orgulho na expansão marítima da qual resultou o seu império. Mas agora há países e povos que guardam a memória desse passado comum e querem pertencer à CPLP. Alguns  renegam esse passado e opõem-se ao alargamento da organização. São demasiado pequenos para a grandeza da Língua Portuguesa.”

 

Perde-se muito tempo e energias com críticas avulsas, mesquinhices, birrinhas e ciumimhos quando o que se deveria fazer era publicitar a CPLP, explicar aos povos da lusofonia o que ela significa e representa, fortalecê-la, torná-la conhecida e visível através de programas de intercâmbios culturais, desportivos, empresariais, políticas de livre circulação para todos no espaço geográfico lusófono etc.

 

Não tê-la como uma organização que, até agora, em que pese toda a sua validade, tem servido praticamente como instrumento de aproveitamentos políticos, de passeios turísticos e negócios das elites políticas, econômicas e culturais. São os povos, apenas eles, que podem fazer a grande Comunidade da Lusofonia em todas as suas dimensões. Não políticos demagogos, jornalistas e intelectuais vaidosos com agendas próprias.

 

Por isso há que começar a democratizá-la já dando vez e voz aos seus povos através de iniciativas e instituições como, por exemplo, um Parlamento Lusófono que a possa escrutinar.

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(I) http://www.publico.pt/mundo/ noticia/a-cimeira-da-cobica-e- da-desvergonha-1663909

(II)http://www.publico.pt/ politica/noticia/a-memoria- deles-pode-ser-curta-a-minha- nao-1663865

(III)http://www.publico.pt/portugal/noticia/merecidos- vexames-1664208

(IV)http://jornaldeangola. sapo.ao/opiniao/editorial/a_ grandeza_da_lingua

(V) http://www.publico.pt/mundo/ noticia/o-que-anda-a-fazer-a- diplomacia-portuguesa-1664403

 

Moçambique: Confrontos militares ofuscaram direitos humanos nas zonas de tensão

Posted: 30 Jul 2014 10:07 AM PDT

 

Acordo entre Governo e Renamo foi alcançado, esta segunda-feira, depois de 65 rondas de negociações marcadas por avanços e recuos. Para trás ficam dezenas de mortos e danos materiais

 

As privações de acesso à alimentação, serviços de saúde, ensino, habitação e à informação constituem as principais violações dos direitos humanos em Moçambique. Asituação parece contraditória, dado que o Estado moçambicano é subscritor de vários instrumentos internacionais de defesa e promoção dos direitos humanos. Na verdade, o principal problema com que o país se debate está na fraca capacidade de implementação de uma vasta legislação que procura proteger a dignidade humana. As falhas estendem-se à fiscalização, esta última actividade por excelência da Assembleia da República.

 

Estas constatações foram feitas no debate sobre a situação dos direitos humanos no país, denominado “Campanha Internacional sobre os Direitos Humanos, Cidadania e Acesso à Informação”. No primeiro dia do encontro, que decorre no município de Boane, província de Maputo, o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), Custódio Duma, defendeu que um dos desafios que o país deve superar para garantir a promoção dos direitos humanos é popularizar o conceito e capacitar os funcionários, sobretudo a Polícia e professores, sobre a matéria.

 

Alguns participantes reconheceram que o país tem estado a registar avanços significativos na promoção dos direitos humanos, mas disseram que há ainda muito por fazer. Aliás, intervenções houve que defenderam a necessidade do Estado ser mais interventivo na promoção da dignidade humana, através da adopção de políticas e cumprimento das mesmas.

 

Em declarações ao “O País”, a ministra da Justiça, Benvinda Levi, disse que o Estado está a cumprir o seu papel na promoção dos direitos humanos, mas reconheceu alguns desafios no processo. Um dos desafios apontados pela ministra da Justiça é a promoção da dignidade humana, sobretudo nas zonas rurais, onde o tema é pouco conhecido.

 

Benvinda Levi chamou atenção dos participantes sobre o papel de cada cidadão moçambicano no respeito e promoção dos direitos humanos. “A promoção da dignidade humana não é somente da responsabilidade do Estado, mas também de toda a sociedade, que deve colaborar valorizando e ajudando o próximo”, lembrou a ministra.

 

CONFLITOS ARMADOS OFUSCAM DIREITOS HUMANOS

 

A “Campanha Internacional sobre os Direitos Humanos, Cidadania e Acesso à Informação” acontece num ano em que algumas zonas do país viveram momentos de tensão político-militar, uma situação que resultou em mortes e deslocação de população.

 

Na verdade, é opinião unânime dos participantes que os ataques armados registados com maior incidência em alguns distritos de Sofala, com destaque para o troço entre rio Save e Muxúnguè, na EN1, violaram os direitos humanos. Além causar vítimas humanas, os ataques colocaram milhares de famílias em situação de total vulnerabilidade, inviabilizando o acesso aos serviços básicos, como educação e saúde.

 

Não é por acaso que alguns participantes defenderam que o consenso alcançado, segunda-feira, entre o Governo e a Renamo deve preservar a paz, como forma de garantir a promoção da dignidade humana. O acordo foi alcançado depois de 65 rondas negociais marcadas por avanços e recuos.

 

A “Campanha Internacional sobre os Direitos Humanos, Cidadania e Acesso à Informação” termina amanha e foi organizado pelo IBIS.

 

O País (mz)

RENAMO CANDIDATA PORTA-VOZ DETIDO ÀS LEGISLATIVAS MOÇAMBICANAS

Posted: 30 Jul 2014 09:55 AM PDT

 

António Muchanga, porta-voz da Renamo detido a 07 de julho, figura como número dois pela província de Maputo nas listas do maior partido de oposição moçambicano às legislativas de 15 de outubro, noticia hoje o jornal MediaFax.

 

Muchanga foi preso à saída do Conselho de Estado, que decidira momentos antes levantar a imunidade de que o porta-voz beneficiava enquanto conselheiro nomeado pela Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), por alegada instigação à violência.

 

Desde então, o dirigente da Renamo está detido na prisão de alta segurança da Machava, nas imediações da capital, tendo como advogada a presidente da Liga dos Direitos Humanos, Alice Mabota.

 

Em 2009, aRenamo elegeu apenas um deputado pelo círculo da província de Maputo.

 

Segundo o MediaFax, em círculos onde a Renamo tem tradicionalmente peso, apostou no secretário-geral do partido, Manuel Bissopo, para liderar a candidatura por Sofala, e em Ossufo Momade, que exerceu o mesmo cargo, para cabeça de lista em Nampula, maior círculo eleitoral do país.

 

Em Manica, a Renamo aposta no principal representante do partido no processo de diálogo com o Governo, Saimone Macuiane, e na cidade de Maputo no académico António Namburete, que também inclui o grupo de negociadores.

 

Para a Zambézia, segundo maior círculo eleitoral do país e onde a Renamo é habitualmente forte, o cabeça de lista é Abdala Ossifo Ibraimo.

 

Moçambique tem previstas eleições gerais (presidenciais, legislativas e assembleias provinciais) para 15 de outubro.

 

Para as presidenciais, a Renamo candidata o presidente do partido, Afonso Dhlakama, que vai enfrentar Filipe Nyusi, da Frelimo, partido no poder, e Daviz Simango, líder do Movimento Democrático de Moçambique.

 

Lusa

 

Brasil – Santander: banco que dá prejuízo a acionistas pode ser bom conselheiro?

Posted: 30 Jul 2014 08:04 AM PDT

 

O alarde associando oscilações da Bolsa às pesquisas eleitorais é uma versão ‘Não vai ter Bolsa’ do ‘Não vai ter Copa’. Quem apostou contra o Brasil, perdeu

 

 Helena Sthephanowitz

 

O banco Santander do Brasil abriu seu capital ao público na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em outubro de 2009, a R$ 23,50 cada ação. Menos de cinco anos depois, a matriz espanhola do banco fez, em 29 de abril de 2014, uma oferta pública para os acionistas minoritários – que detêm cerca 25% dos papéis do Santander do Brasil negociados na Bovespa – trocarem suas ações pelas ações da matriz do grupo espanhol, ao valor de R$ 15,31.

 

Significa que quem aplicou seu dinheiro nas ações do Santander Brasil em 2009 ao valor unitário de R$ 23,50, depois recebeu uma proposta do próprio banco de negociá-las por R$ 15,31. Um prejuízo de 34,85% entre uma operação e outra. Será que o banco pode ser considerado um bom conselheiro? A ponto de escrever uma mensagem nos extratos de caráter especulativo sobre rumos da economia de acordo com oscilações das pesquisas eleitorais que, pela falta de fundamentação mais sólida, não difere muito de previsões vistas nos horóscopos.

 

Outra curiosidade é que a matriz do grupo espanhol quer se fortalecer unificando com as operações brasileiras. Ou seja, há uma clara aposta no crescimento do mercado brasileiro maior do que na Espanha e, independentemente do resultado das eleições – senão esperaria outubro passar para montar tal operação ou não, conforme o resultado.

 

Há, de fato, especulação financeira na Bolsa de Valores quando as pesquisas melhoram as chances dos candidatos de oposição, porque o mercado financeiro vê o candidato do PSDB, Aécio Neves, como o seu representante. Se considerarmos as tensões naturais entre os interesses de lucro de banqueiros e o papel moderador da autoridade de governo para defender a sociedade dos excessos cometidos pelos bancos, através da boa regulação do mercado, Aécio se posiciona do lado do balcão em que estão os banqueiros. Dilma Rousseff é criticada por eles, que reclamam de excesso de “intervencionismo”.

 

Porém, tal especulação não passa de alarde. Os espertos espalham o boato de que a Bolsa de Valores sobe ou desce conforme o resultado das pesquisas. As pessoas ingênuas acreditam e passam a vender ou comprar ações em função de oscilações nas pesquisas. Os espertos sabem de antemão o comportamento e fazem seus movimentos inversos, de forma a ganhar o dinheiro dos ingênuos. É como boiadeiros que conduzem a manada rumo ao abate.

 

Se a oposição tucana ganhasse as eleições, com suas medidas amargas prometidas, o mais provável é haver no Brasil medidas recessivas pedidas pelos bancos. E estas medidas prejudicam o desempenho de empresas, inclusive as de capital aberto, com ações negociadas. Logo, o cenário mais provável seria que a Bovespa sofresse queda em 2015, caso houvesse a eleição do tucano, e permanecesse combalida. Algo semelhante ao que ocorreu no início do governo Collor.

 

Mesmo a Petrobras perderia valor ao longo do tempo à medida que o tucano cumprisse sua promessa de retirar o protagonismo da estatal na exploração do petróleo no pré-sal, entregando para empresas estrangeiras. Seriam as petroleiras estrangeiras que teriam suas ações valorizadas em seus países, enquanto a Petrobras perderia valor por passar a um processo de encolhimento, como ocorreu no governo FHC.

 

O Banco do Brasil também perderia valor, pois o projeto tucano é privatista, de enfraquecer os bancos públicos em favor dos bancos privados. A única estatal que poderia ter seu valor de mercado maior a curto prazo seria a Eletrobras, se Aécio promovesse um tarifaço na conta de luz, como faz com a Cemig, forçando o cidadão a pagar mais para distribuir mais dividendos aos acionistas.

 

Porém, essas medidas prejudicariam todo o setor produtivo que tem a eletricidade como insumo. É outra medida recessiva que prejudica a produção e as exportações. Há outras questões, como a visão equivocada do tucanato em se imaginar atrelado apenas às economias estadunidense e europeia, se afastando do G-20 e dos Brics, o que importaria a crise europeia para cá, fazendo a bolsa cair.

 

Enfim, uma análise bem fundamentada não autoriza ninguém a levar a sério estas variações na Bolsa de Valores por causa de pesquisas. Até porque se houvesse essa relação de verdade, os próprios bancos contratariam suas pesquisas eleitorais internas diariamente para tomada de decisão no dia a dia. Mas os espertos especulam, e azar de quem perder dinheiro caindo nesta conversa.

 

Como há males que vêm para bem, o fato de um banco grande como o Santander ter replicado oficialmente este alarmismo chamou atenção para o que está acontecendo de fato. Este alarde é uma versão “Não vai ter Bolsa” do “Não vai ter Copa”. Quem especulou que a organização da Copa do Mundo 2014 no Brasil fracassaria, perdeu. A Copa foi um sucesso na organização e nos resultados econômicos que o evento produz para o país.

 

Com aqueles que apostam contra a economia brasileira, que mostra capacidade de superar as adversidades, deve ocorrer a mesma coisa. A economia brasileira vem resistindo nos momentos mais adversos, até porque hoje é muito sólida, com reservas de US$ 370 bilhões que garantem folga para enfrentar tormentas. Se ajusta com novas oportunidades e horizontes que se abrem, como a recente criação do Banco de Desenvolvimento dos Brics.

 

Os que hoje pregam o terror para especular nas bolsas pedirão para esquecer o que escreveram logo que passar as eleições. Abertas as urnas, não haverá mais pesquisas eleitorais para especular com a crença dos ingênuos.

 

Rede Brasil Atual, em Blog da Helena

 

Porta-voz dos índios Yanomami pede protecção à polícia brasileira devido a ameaças de morte

Posted: 30 Jul 2014 07:33 AM PDT

 

Brasília, 30 jul (Lusa) — O porta-voz da tribo Yanomami, Davi Kopenawa, pediu proteção a polícia brasileira devido a uma série de ameaças de morte feitas por homens armados, alegadamente contratados por garimpeiros que trabalham ilegalmente nas terras indígenas, divulgou hoje a Survival International.

 

Em junho, segundo a Survival International, homens armados em motas invadiram o escritório do Instituto Socioambiental (ISA), que trabalha em estreita colaboração com os Yanomami, perguntando por Davi Kopenawa.

 

Os homens ameaçaram a equipa de funcionários do ISA — que é uma organização da sociedade civil de interesse público (OSIP) – com armas e roubaram computadores e outros equipamentos. Após o assalto, um dos homens foi preso e declarou ter sido contratado por garimpeiros.

 

Em maio, a Hutukara Associação Yanomami — presidida por Kopenawa — recebeu uma mensagem dos garimpeiros de que o porta-voz não estaria vivo até ao final deste ano.

 

“Eles querem acabar comigo… Não faço como os brancos que vão atrás de uma pessoa para acabar com ela. Não atrapalho o trabalho deles, mas eles estão atrapalhando o nosso trabalho e a nossa luta. Vou continuar lutando e trabalhando pelo meu povo. Porque esse é o meu trabalho. Defender o povo e a terra Yanomami”, disse Davi Kopenawa.

 

Desde o ataque, um clima de medo tem pairado sobre os escritórios do ISA e da Hutukara, com homens em motas a intimidar os funcionários e a perguntar sempre pelo porta-voz, que também é um xamã.

 

De acordo com a Survival, os garimpeiros ilegais trabalham na terra Yanomami, poluindo o ambiente que os Yanomami dependem para a sua sobrevivência.

 

Em colaboração com a Hutukara, o Governo do Brasil lançou uma grande operação para expulsar centenas de garimpeiros ilegais e destruir as máquinas do garimpo em fevereiro de 2014.

 

Kopenawa, que foi chamado de “Dalai Lama da floresta”, está à frente da luta pela proteção da terra Yanomami há mais de 30 anos.

 

O porta-voz dos Yanomami viajou para o exterior em várias ocasiões para aumentar a consciencialização sobre a necessidade urgente de proteger a floresta Amazónica da destruição. Já discursou na ONU e recebeu o prêmio Global 500, entre outros, pela sua contribuição na luta pela preservação ambiental.

 

“As leis do Estado não significam nada na fronteira da Amazónia, que é tão selvagem e violenta como o oeste-americano costumava ser”, disse hoje o diretor da Survival International, Stephen Corry.

 

“Qualquer pessoa que se coloque no caminho dessa colonização agressiva corre o risco de ser morto a sangue frio. Não são falsas ameaças — ativistas indígenas são frequentemente assassinados por resistirem à destruição das suas terras”, sublinhou Corry.

 

Para o ativista ambiental, “a vida de Davi Kopenawa está em perigo. Aquelespor detrás das ameaças e deste último ataque devem ser levados à justiça e as autoridades precisam agir logo para evitar o assassínio de mais um homem inocente”.

 

CSR // VM – Lusa

 

GUINÉ-BISSAU COM DÉFICE DE 35 M€ ESTE ANO

Posted: 30 Jul 2014 07:23 AM PDT

 

Bissau, 30 jul (Lusa) – O Estado da Guiné-Bissau enfrenta um défice de 35 milhões de euros entre a previsão de receitas e despesas até final do ano, anunciou o ministro das Finanças, Geraldo Martins, que prevê “cobrir” o buraco orçamental até dezembro.

 

“O ‘gap’ [brecha] fiscal é de 23 mil milhões de francos CFA [35 milhões de euros] entre a previsão de receitas de todo o ano de 2014 e as despesas previstas”, disse o ministro, referindo que estão a ser mobilizados vários mecanismos para lidar com a situação.

 

Por um lado, foi feita na última semana uma emissão de dívida com 22,8 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a mereceram a confiança da banca privada regional.

 

Estão também a ser programadas “ações para melhorar a arrecadação fiscal”, “há apoios em vista”, nomeadamente da União Europeia e Timor-Leste, e é esperada a liquidação de “fundos de compensação de pescas ainda durante este ano”, referiu.

 

“Se tudo correr bem, podemos fechar este ‘gap’ até dezembro”, sublinhou Geraldo Martins.

No entanto, boa parte do dinheiro só deve entrar nos cofres do Estado “entre novembro e dezembro” e até lá é preciso encontrar soluções que “permitam ter os fundos necessários para o funcionamento do Governo”, acrescentou.

 

A necessidade de liquidez está a ser tratada com parceiros da Guiné-Bissau e com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que na terça-feira terminou uma visita de sete dias ao país, e poderá implicar a criação de “um comité de tesouraria”.

 

Uma das missões desse comité passará por “verificar como fazer uma boa gestão daquilo que existe tendo em conta a situação real em termos de receitas”, referiu Geraldo Martins.

 

De acordo com o ministro das Finanças e Economia, o mais tardar em setembro será apresentado à Assembleia Nacional Popular (ANP) um “orçamento equilibrado” para o que resta de 2014.

 

Neste e no próximo ano as prioridades passam por definir os orçamentos gerais do Estado, equilibrar as contas públicas e aumentar a arrecadação fiscal, nomeadamente junto dos serviços de alfândegas e de contribuições e impostos.

 

“Só a partir daí podemos pensar em medidas estruturais como aumentar os funcionários públicos”, concluiu.

 

LFO // VM – Lusa

 

Guiné-Bissau: Portugal envia 15 toneladas de medicamentos para prevenir Ébola

Posted: 30 Jul 2014 07:19 AM PDT

 

Bissau, 30 jul (Lusa) – Portugal vai enviar 15 toneladas de medicamentos para apoiar a Guiné-Bissau na prevenção do Ébola e outras epidemias, anunciou hoje o primeiro-ministro guineense, Domingos Simões Pereira.

 

“Recebemos confirmação do Governo português da disponibilização de 15 toneladas de medicamentos para que o Ministério da Saúde esteja em condições de ter um programa de emergência e acompanhamento da situação de Ébola”, bem como de outras “eventuais epidemias”, referiu.

 

O líder do Governo falava numa conferência de imprensa após deslocações oficiais realizadas desde dia 16 de julho a Bruxelas, Díli e Lisboa.

 

Lusa, em Visão

 

Angola: AFINAL SE NÃO É DO PAI É DO FILHO TUDO O QUE DEVERIA SER DE TODOS

Posted: 30 Jul 2014 03:25 AM PDT

 

RESERVA CAMBIAL DO BNA NAS MÃOS DO BANCO KWANZA

 

Folha 8, 26 julho 2014

 

O Banco Kwanza Invest, um banco de inves­timento de capi­tais angolanos, com sede em Luanda, foi – como não poderia deixar de ser neste regime feudal – fundado em 2008 por José Filomeno (“Zénu”) dos Santos, um dos filhos do Presidente. Numa ine­quívoca demonstração de que as regras monarco­-ditatoriais aí estão para durar, os fundos da reser­va cambial do Banco Na­cional de Angola (BNA), destinados aos bancos comerciais, passaram – como não poderia dei­xar de ser – a estar sob a gestão do Banco Kwanza Invest. Tudo em família, portanto.

 

BNA que voltou a aumen­tar, na última semana, as vendas de divisas à banca comercial, para 500 mi­lhões de dólares, segundo o mais recente boletim da instituição.

 

De acordo com a infor­mação, relativa às ope­rações “mais relevantes” nos mercados monetário e cambial, no período en­tre 14 e 18 de Julho o BNA vendeu directamente à banca comercial angola­na 500 milhões de dóla­res, face aos 450 milhões de dólares da semana an­terior.

 

Estas vendas foram con­cretizadas à taxa cambial de 97,077 kwanzas por cada dólar, uma nova ligeira quebra face ao mesmo período anterior. Desde o início do mês, em três semanas, as ven­das directas do BNA aos bancos comerciais já atin­giram os 1.450 milhões de dólares.

 

Enquanto isso, os bancos comerciais angolanos, que têm enfrentado difi­culdades em responder aos pedidos dos clientes para levantamentos em dólares, já compraram divisas (dólares) no valor de 645,8 milhões de dóla­res na primeira quinzena de Julho, ainda segundo dados do BNA.

 

O banco central, neste último boletim, não avan­ça, contudo, dados sobre as compras directas dos bancos aos clientes no período entre 14 e 18 de Julho de 2014.

 

Entretanto, como o pri­meiro banco de investi­mento no país, o Banco Kwanza Invest dedica­-se, estatutariamente, a apoiar o desenvolvimen­to económico do país na perspectiva de Angola, devendo por isso criar novas oportunidades a todos os seus clientes.

 

Do ponto de vista oficial, apenas desse, o Banco Kwanza Invest deve ac­tuar de acordo com as melhores práticas nacio­nais e internacionais em termos de Governança Corporativa, baseando-se em padrões reconhecidos internacionalmente. Mas não é isso que acontece.

 

BANCO NACIONAL DE ANGOLA PARECE UMA COUTADA PRESIDENCIAL

 

O Banco Kwanza Invest, como todas as institui­ções económicas e finan­ceiras do país, é a clara demonstração da força do poder absoluto do presi­dente que, graças a uma elevadíssima e cara ope­ração de lavagem de ima­gem é “vendido” como pacificador, mas cujas políticas estão a aumentar o ódio, face à política de discriminação e exclusão.

 

Importa, também neste contexto, recordar que José Filomeno (“Zénu”) dos Santos, também Pre­sidente do Conselho de Administração do Fundo Soberano de Angola (FS­DEA) não se cansa, com a devida e subtil cobertu­ra do pai, de violar a Lei da Probidade Pública ao exercer cargos de topo (nem outros seriam ad­mitidos pelo regime) em empresas privadas, nas quais tem todo e mais algum poder de decisão, mesmo que o faça por de­baixo da mesa.

 

Estiveram, estão ou dei­xaram de estar embora continuando a estar, nesse espectro a Cafisa, Cons­trução Civil e Obras Públi­cas (Jesus Martins, Jean­-Claude Bastos de Morais, Gilberto de Jesus Cabral Pires e Zénu dos Santos); Benfin SA, construção civil, exportação e im­portação (Mirco de Jesus Martins – filho de Manuel Vicente -, Jean-Claude Bastos de Morais, e Zénu dos Santos); Benguela Development SA (Mirco de Jesus Martins, Jean­-Claude Bastos de Morais, e Zénu dos Santos); So­ciedade de Urbanização da Graça (Mirco de Je­sus Martins, Jean-Claude Bastos de Morais, e Zénu dos Santos); Staze (Mirco de Jesus Martins, Jean­-Claude Bastos de Morais, e Zénu dos Santos).

 

No dia 26 de Junho do ano passado, o Fundo So­berano de Angola anun­ciou em comunicado que José Filomeno dos Santos, vendera todas as suas participações accio­nistas no Banco Kwanza Invest. Era verdade. Num processo que retrata de forma inequívoca a trans­parência o regime, tinha­-as transferido para o seu amigo e sócio Jean-Clau­de Bastos de Morais com quem, aliás, fundara o Banco Kwanza, em 2008.

 

Mas há mais. Quando se analisa a estratégia do regime há sempre mais qualquer coisa. E nunca se consegue chegar ao fundo, tal é a blindagem e a repressão sobre quem tenta lá chegar.

 

José Eduardo dos Santos, segundo indícios vários, terá colocado sob alçada indirecta de José Filome­no dos Santos o Fundo Activo de Capital de Ris­co Angolano (FACRA), instrumento supostamen­te criado para apoiar as micro, pequenas e médias empresas do país.

 

O FACRA foi criado em 2012 por José Eduardo dos Santos ao abrigo do Decreto Presidencial 108/12 de 7 de Junho, ten­do a gestão sido entre­gue à Sociedade Kwanza Gestão de Participações, o braço empresarial de “Zenu”, cujo PCA era Al­berto Mendes, um jovem do regime e camarada da JMPLA, filho do antigo do governador do Bengo, Isalino Mendes.

 

Ora, com toda a trans­parência que é, aliás, o ADN do regime, para ter acesso ao Fundo Activo de Capital de Risco Ango­lano era obrigatório, em termos práticos, passar por uma instituição ban­cária. E qual era essa ins­tituição? Obviamente o Banco Kwanza. O próprio FACRA assume que para dele se ser beneficiário é preciso uma “ficha de abertura de conta junto do Banco Kwanza Inves­timento, devidamente preenchida e previamente aceite pelo serviço res­pectivo”.

 

Antes, no dia 11 de Agos­to de 2012, o ministro da Economia, Abraão Gour­gel, e o Banco Kwanza formalizaram o arranque do FACRA, assumindo que este se destinava a fi­nanciar o programa “An­gola Investe”, avançando o ministro que em 2022 o seu impacto positivo re­sultaria num crescimento de mais de USD10 bilhões no Produto Interno Bruto e na criação de mais de 500 mil novos empregos. O FACRA diz ser um dos maiores fundos de capi­tal de risco presentes em África.

 

Angola: QUATRO MORTOS EM REFREGA ENTRE A POLÍCIA E A POLULAÇÃO NO CUANGO

Posted: 30 Jul 2014 02:49 AM PDT

 

Os tiroteios continuam na localidade do Cuango entre a Polícia Nacional armada e o povo indefeso, somando quatro mortos, incluindo um cidadão que veio da localidade de Tchombo junto do rio Cuango, onde começou o conflito entre a Policia Nacional em defesa dos interesse do filho do Presidente José Eduardo dos Santos e garimpeiros.

 

De acordo com fontes no local, a localidade de Cuango está sob forte confusão armada das FAA e da Policia Nacional contra a população indefesa com o apoio de outras forças vindas do Xá-Muteba e Caungula para conterem os ânimos da população garimpeira.

 

A mesma fonte disse que há neste momento 4 civis mortos e 2 policiais, não descreveu as circunstâncias da morte dos mesmos, o conflito entre policiais e garimpeiros teve lugar desde as primeiras horas do dia 29 de Julho na localidade de Tchombo, rio Cuango, sob custódia da polícia do Xá Muteba…

 

Pelo Visto a Policia Nacional, está ao serviço do cidadão José Eduardo dos Santos e sua família, não da Nação Lunda Tchokwe e do seu povo.

 

Esta acção da polícia do regime de José Eduardo dos Santos, usurpador e colonizador no Cuango-Xá Muteba, demonstra uma vez mais o interesse pelas riquezas da Nação Lunda Tchokwe em detrimento de seu povo…

 

Notícia em atualização

 

Movimento do Protetorado Lunda Tchokwe

 

Moçambique – Dhlakama: “ESTOU À ESPERA DA ASSINATURA DO ACORDO”

Posted: 30 Jul 2014 02:06 AM PDT

 
Diálogo político

O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, disse, ontem, que está à espera da assinatura do acordo entre aquela força política e o governo para sair do esconderijo nas matas de Gorongosa.

 

Numa teleconferência aos simpatizantes na província de Tete, Afonso Dhlakama adiantou que espera voltar à cidade na próxima semana. Veja, na íntegra, as partes mais importantes da intervenção de Afonso Dhlakama.

 

“Estou a dizer que estou à espera de assinarmos o acordo. Se o acordo for dentro desta semana, se calhar, na outra semana, poderei começar a andar na estrada ou poderei começar a trabalhar.

 

Não falha nada. As equipas de negociação do acordo ou protocolo… o Macuiane ou o ministro Muthisse com Pacheco, poderão assinar, à semelhança daquilo que aconteceu com a Lei Eleitoral, o que estamos à espera que venha acontecer dentro em breve.

 

Logo que for assinado o acordo, significa que os confrontos já acabaram. O acordo também reconhece as garantias de que nenhum dos lados irá provocar o outro depois do acordo. Por isso, este acordo é muito importante, é garantia de que já  podemos ter segurança. Vamos supor, eu poderei sair hoje, tenho a minha segurança também, posso sair, passar por Vila Paiva, os da Frelimo enervam-se, disparam, os meus homens reagem e depois morre gente. É isso que queremos evitar”.

 

O País (mz) – ontem

 

A criminosa e insustentável intervenção chinesa nas florestas de Miombo em Moçambique

Posted: 30 Jul 2014 01:58 AM PDT

 

 

Verdade (mz), em Tema de Fundo

 

A Agência de Investigação Ambienta (EIA) divulgou um relatório sobre a exploração ilegal de madeira em Moçambique, no qual revela, em suma, que a situação é desastrosa. Em 2013, 93 porcento da extração de madeira em Moçambique foi ilegal e praticamente não existe fiscalização. As medidas que têm sido propaladas pelo Governo com vista a estancar este problema não se fazem sentir. Da mesma investigação consta ainda o facto de figuras seniores do Executivo e, por conseguinte, filiadas ao partido no poder, estarem implicadas na pilhagem de espécies de madeira e nada lhes acontece.

 

Segundo o documento, em Janeiro de 2013, a EIA conduziu uma análise da discrepância entre as importações chinesas de toras e madeiras serrada de Moçambique e a índices de extração e exportação moçambicanas licenciadas, para estimar a proporção da extração ilegal e o volume do contrabando de madeira no país. A análise sugeriu que a extração de madeira em Moçambique foi 48% superior a licenciada, inteiramente por causa da importação chinesa da madeira de Moçambique.

 

Em fevereiro de 2014, aUniversidade de Eduardo Mondlane (UEM) em Moçambique publicou um estudo estimando a extração ilegal de madeira em Moçambique que incorpora números de consumo domestico. UEM adicionou o volume estimado do consumo domestico à importações globais declaradas para medir o “consumo real”. Este consumo real – representando o “volume de extração” por todo o país – foi comparado com a extração licenciada oficial.

 

UEM constatou que em média 66% de toda a extração de madeira entre 2007 e 2012 não foi licenciada, correspondendo à 2,666,942 m3. Apesar de encontrar altos níveis de extração não licenciada, o relatório da UEM possivelmente subestima o volume de extração ilegal no período entre 2007 – 2012. Isto porque a UEM compara o “consumo real” (importações globais declaradas somado ao consumo domestico) com “extração licenciada”, ao invés de “extração registrada”.

 

“Extrações licenciadas” são os volumes que o governo permite que sejam extraídos nacionalmente em um ano, enquanto que “extrações registradas” são aquelas registradas oficialmente que foram realmente removidas por licenciados, dentro de um maior volume licenciado. “Extrações registradas” são então a forma mais adequada para medir as extrações reais lícitas feitas por operadores licenciados.

 

Extrapolando os dados da UEM sobre o “consumo real” em 2013 e comparandoos com o registro oficial do governo sobre extrações reais registradas, é sugerido que entre 2007 e 2013 uma média de 81% das extrações não foram registradas, e por esse motivo ilegais. A maior discrepância ocorreu em 2013, quando 890,220 m3 excederam a extração registrada e foram consumidos pelo mercado interno e pelas exportações, resultando em uma taxa de extração ilegal de 93%.

 

A queda enorme de extrações registradas em 2013, o que elevou dramaticamente a taxa de extração ilegal, é o resultado do alto número de titulares de licenças simples que supostamente cessaram operações por não terem possibilidade de cumprir a nova lei de licença simples de 2012, a qual requere maior rigor na extração de madeira. Está claro que muitos continuaram e aumentaram a exploração de qualquer forma e indiferentes à nova lei.

 

CONDUTORES DA EXTRAÇÃO ILEGAL

 

Apesar do consumo domestico ter crescido firmemente e excedido significativamente os limites licenciados e registrados de extração lícita anual de 2007 até 2013, este não é o principal condutor do desenfreado corte ilegal de madeira das florestas de Moçambique.

 

Em 2009 as importações globais declaradas de toras e madeira serrada de Moçambique explodiu, quase dobrando em apenas um ano. E essa tendência está crescendo consideravelmente mais rápido do que o consumo domestico desde 2009, e desde 2011 vem excedendo o consumo domestico.

 

Consequentemente, desde 2007 as tendências de crescimento do “consumo real” (consumo domestico somado as importações globais declaradas) são estabelecidas muito mais pela exportação moçambicana do que para o consumo domestico, aumentado dramaticamente a taxa de ilegalidade e levando o total das extrações para muito além do limite sustentável.

 

IMPORTAÇÕES CHINESAS DOMINAM O CONSUMO

 

Entre 2007 e 2013 as importações chinesa de madeira moçambicana totalizaram 2,273,807 m3 – representando, em media, 96% da exportação registrada global de madeira moçambicana. Em certos anos, a China chegou a registrar 99% do total da exportação global da madeira de Moçambique.

 

A demanda chinesa é claramente a responsável por quase toda a exportação de madeira de Moçambique, e por tanto e maioritariamente responsável pela taxa de 93% de extração ilegal de madeira que atualmente afeta o país.

 

Em 2012 adiscrepância entre a exportação licenciada de Moçambique e a importação declarada na China sugeria que 48% da madeira moçambicana importada pela China foi contrabandeada para fora do país. Atualizando esses dados para 2013, é possível ver uma tendência similar, com 235,550 m3, ou 46% do total da importação chinesa de Moçambique (de 516, 296 m3), não licenciada ao ser exportado de Moçambique, e por tanto ilegal.

 

Entretanto, com 76% das exportações licenciadas sendo autorizados acima da extração oficial de madeira registrada, e considerando que Moçambique tem uma taxa de 93% de extração de madeira ilegal, a escala de madeira ilícita neste comercio e provavelmente pior. Seria possível dizer, por tanto, que entre 76% e 93% da madeira de Moçambique importada pela China provém de fontes ilegais.

 

A extração de madeira para o mercado chinês sem dúvida transformou o setor florestal de Moçambique em uma insustentável cena de crime em apenas 5 anos. A importação chinesa de madeira moçambicana vai crescer enormemente durante 2014. Apenas no primeiro trimestre a China importou US$112 milhões em toras e madeira serrada, um crescimento de 37% comparado a importação do primeiro trimestre de 2013 e o equivalente de quase 46% do total da importação de 2013.

 

No primeiro trimestre de 2014, assim como em todo o ano de 2013, a China registrou Moçambique como o maior fornecedor africano de madeira importada por valor econômico, demonstrando o aumento da importância do país nas negociações sino-africanas de madeira. (continua)

 

Leia o artigo completo em Verdade (mz)

 

Mudança de mentalidades é maior desafio para ter Economia Social de Mercado – Alkatiri

Posted: 30 Jul 2014 01:37 AM PDT

 

Díli, 30 jul (Lusa) – O antigo primeiro-ministro timorense Mari Alkatiri afirmou hoje que o maior desafio para implementar uma Economia Social de Mercado em Oecussi é a mudança de mentalidades, que passa por investir um “capital de risco” na educação.

 

“O primeiro grande desafio é a transformação de mentalidades prevalecentes na nossa sociedade através da educação e do trabalho”, afirmou Mari Alkatiri, no discurso proferido durante a tomada de posse como presidente da Autoridades da Região Administrativa de Oecussi.

 

Mari Alkatiri, também secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin, único partido na oposição no parlamento timorese), foi nomeado na sexta-feira passada por decreto presidencial presidente daquela região, com o objetivo de desenvolver o projeto para a criação de uma Economia Social de Mercado no enclave timorense e na ilha de Ataúro, situada em frente a Díli.

 

“Há que ter consciência clara da necessidade de um capital de risco para ser investido na capacitação dos homens e mulheres de modo a prepará-los para a passagem necessária de uma situação de economia de subsistência para uma economia de escala”, salientou Mari Alkatiri.

 

Segundo o secretário-geral da Fretilin, a Economia Social de Mercado que Timor-Leste defende significa a “inclusão de todos no processo de desenvolvimento económico e social”.

 

“Um processo capaz de garantir emprego a todos mas, ao mesmo tempo, também abre caminho para a aquisição por todas as famílias de instrumentos financeiros de participação que garantam o retorno financeiro, económico e social para todos os cidadãos”, afirmou.

 

Mari Alkatiri destacou também que o projeto visa uma maior “redistribuição da riqueza através de uma maior inclusão social e económica capaz de ampliar o mercado de modo a garantir maior rentabilidade do investimento”.

 

O Presidente timorense, Taur Matan Ruak, afirmou que o projeto é importante para avançar para o desenvolvimento económico e social e que a população “espera resultados” de um projeto onde o Estado vai investir milhões.

 

“Este projeto tem de apostar na formação. Só um forte investimento nos recursos humanos poderá criar desenvolvimento”, alertou o chefe de Estado timorense.

 

Participaram na cerimónia, que decorreu no Palácio da Presidência, o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, membros do governo, deputados, corpo diplomático.

 

A Zona Especial de Economia Social de Mercado, a desenvolver em Oecussi e Ataúro, pretende incentivar o desenvolvimento regional integrado através da criação de zonas estratégicas nacionais atrativas para investidores nacionais e estrangeiros.

 

O objetivo é retirar a Oecussi o estatuto de enclave e conferir-lhe o estatuto de polo de desenvolvimento nacional, sub-regional e regional, ficando Ataúro, no âmbito deste polo, direcionado para o turismo integrado.

 

No âmbito da criação daquela região, o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, e Mari Alkatiri realizaram em abril uma visita de trabalho a Oecussi para encontros com as autoridades tradicionais, religiosas e distritais para explicar o projeto, que inclui a construção de infraestruturas, nomeadamente um aeroporto, estradas e pontes.

 

MSE // FV – Lusa

 

ONG timorense recomenda mais patrulhas policiais para evitar violência sexual

Posted: 30 Jul 2014 01:33 AM PDT

 

Díli, 30 jul (Lusa) – A organização não-governamental timorense Belun recomendou hoje, em comunicado divulgado à imprensa, para a Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) realizar mais patrulhas em determinadas zonas da cidade de Díli para prevenir incidentes de violência sexual.

 

Segundo a Belun, durante o último ano registaram-se vários casos de violência sexual em determinadas zonas de Díli frequentemente mal iluminadas.

 

“Os incidentes foram registados em áreas públicas, nomeadamente na estrada da praia em Pantai Kelapa(que liga a embaixada dos Estados Unidos ao Farol), Bairro Formosa, Petramina, Bebonuk, Tasi Tolu, Metiaut e Cristo Rei”, refere a organização.

 

Para evitar que os “incidentes relacionados com violência sexual continuem a preocupar as comunidades em Timor-Leste”, a organização timorense pede à PNTL para dar formação aos seus agentes para estarem preparados para lidar com estes casos e aumentarem as patrulhas policiais nas áreas identificadas.

 

A Belun recomenda também à polícia para garantir que o número de emergência 112 “seja sempre atendido e que garanta uma rápida resposta”.

 

“Com as recomendações, a Belun espera que sejam feitos esforços coordenados para combater atitudes e comportamentos problemáticos que podem levar a incidentes de violência sexual”, sublinha a organização não-governamental.

 

Para a Belun, é preciso que a polícia, governo e comunidades trabalhem em conjunto para combater atitudes em relação às mulheres para “criar uma sociedade onde todas as pessoas, incluindo as mulheres, sejam respeitadas e se possam sentir seguras”.

 

MSE // JPF – Lusa

 

Chui Sai On sozinho na corrida a um segundo mandato como líder do Governo de Macau

Posted: 30 Jul 2014 01:26 AM PDT

 

Macau, China, 29 jul (Lusa) – O chefe do Executivo de Macau, Fernando Chui Sai On, vai concorrer sozinho a um segundo mandato como líder do Governo depois da Comissão Eleitoral não ter recebido nenhuma outra candidatura válida, foi anunciado.

 

Apesar da Comissão Eleitoral revelar apenas na quinta-feira os candidatos admitidos a sufrágio, disse hoje em comunicado que Chui Sai On entregou a sua candidatura com 331 proponentes membros do colégio eleitoral que escolhe o líder do Governo, enquanto um outro residente, Lei Kuong Un, apresentou a sua “candidatura” com 110 nomes, mas nenhum deles elemento do colégio eleitoral.

 

Um candidato a chefe do Governo de Macau tem de ser proposto por um mínimo de 66 dos 400 elementos do colégio eleitoral.

 

Este órgão escolhe depois no dia 31 de agosto quem será o ‘quarto’ chefe do Governo de Macau, que tomará posse a 20 de dezembro.

 

Desde o início do processo de candidaturas, que hoje terminou, a Comissão dos Assuntos Eleitorais emitiu 396 boletins de candidatura, mas apenas dois acabaram entregues.

 

Numa nota enviada à imprensa, a Comissão Eleitoral revelou também que a 16 de agosto, durante três horas, o candidato a chefe do Governo terá de apresentar o seu programa político aos 400 elementos do colégio eleitoral, seguindo-se uma sessão de debate com os presentes.

 

Há cinco anos, quando se candidatou pela primeira vez a líder do Governo, Chui Sai On também concorreu sozinho.

 

O seu antecessor, Edmund Ho, que cumpriu igualmente dois mandatos à frente do Governo – nos primeiros 10 anos depois da transição de poderes de Portugal para a China, que aconteceu a 20 de dezembro de 1999 – apenas teve oposição na primeira eleição.

 

Macau é uma Região Administrativa Especial da China com autonomia administrativa, legislativa e judicial.

 

JCS // EL – Lusa

 

“Uma centena” de mortos e feridos em ataque de segunda-feira na China — grupo uigure

Posted: 30 Jul 2014 01:22 AM PDT

 

Pequim, 30 jul (Lusa) — O ataque registado na segunda-feira em Xinjiang provocou “uma centena” de mortos e feridos, segundo um grupo de defesa dos uigures, a principal etnia daquela região muçulmana do noroeste da China.

 

Um grupo de homens “armados com facas” atacou na segunda-feira de manhã uma esquadra da polícia e prédios públicos na região de Shache, referiu a agência oficial chinesa, citando a polícia local.

 

“Polícias mataram dezenas de membros do grupo armado”, de acordo com a agência oficial, acrescentando que as investigações iniciais indicaram que o ataque foi premeditado.

 

“Os tumultos causaram uma centena de mortos e feridos”, afirmou hoje Dilxat Raxit, porta-voz do Congresso Mundial Uigure, organização de defesa dos uigures, com sede em Munique (Alemanha), citando fontes locais.

 

Na terça-feira, a agência Xinhua indicou que “dezenas de uigures (minoria muçulmana) e hans (etnia maioritária na China) foram mortos e feridos.

 

A China tem experimentado, nos últimos meses, uma série de ataques sangrentos em sítios públicos, em Xinjiang e outros locais, atribuídos pelas autoridades aos uigures islâmicos.

 

Um atentado suicida, cometido em maio, no mercado de Urumqi, capital de Xinjiang, fez 43 mortos – incluindo quatro agressores – e uma centena de feridos.

 

Em reação, Pequim anunciou uma vasta campanha de luta antiterrorista, que se traduz em dezenas de prisões, condenações massivas, exibições públicas dos “terroristas” e execuções após julgamentos sumários.

 

Xinjiang tem nove milhões de uigures – muçulmanos de língua turca -, sendo uma parte de radicais que, segundo as autoridades chinesas, vem realizando ataques mortais nos últimos meses.

 

Os grupos de direitos humanos acreditam que a política repressiva da China contra a cultura e religião dos uigures alimenta as tensões e violência na região.

 

Muitos uigures, hostis ao domínio chinês da região, dizem-se vítimas de discriminação e de exclusão de investimentos em Xinjiang.

 

FV (CSR) // JPF – Lusa

 

CHINA ENSAIA PAPEL DE MEDIADOR NO MÉDIO ORIENTE

Posted: 30 Jul 2014 01:11 AM PDT

 

Desde o início da ofensiva militar de Israel em Gaza, os esforços diplomáticos se intensificaram na região. A novidade é que também a China está participando deles.

 

Tradicionalmente, diplomatas dos Estados Unidos, dos países árabes e da União Europeia tentam mediar o conflito de décadas entre Israel e os palestinos. Mas quem também anda viajando pela região é o enviado especial chinês, Wu Sike, um nome desconhecido em gande parte do Ocidente. Ele já esteve na Arábia Saudita, no Catar, na Jordânia, no Egito, nos territórios palestinos e em Israel, não só representando os interesses econômicos chineses, mas também agindo como mediador entre Israel e o Hamas.

 

O porta-voz do Ministério do Exterior da China, Hong Lei, e o representante chinês nas Nações Unidas, Liu Jieyi, comentaram o conflito e apelaram às duas partes para porem fim à violência. Liu pediu a retirada das tropas de combate de Israel e o fim do bloqueio à Gaza, para que ajuda humanitária possa chegar às vítimas. “Vítimas civis inocentes são inaceitáveis”, afirmou. Ele defende um Estado palestino tendo Jerusalém Oriental como capital, dentro das fronteiras de 1967.

 

Mediador confiável

 

O pesquisador Moritz Rudolf, do Instituto Mercator de Estudos sobre a China, vê com bons olhos a iniciativa dos chineses. “Com a China, pode entrar em atuação um outro agente, além dos países árabes, da Europa e dos EUA, que, na comparação com os outros, pode ser percebido como um mediador confiável”, avalia o especialista.

 

Ele argumenta que isso é possível porque a China abandonou sua postura pró-Palestina, que manteve desde os anos 80, em favor de uma posição mais neutra. Desde 1992, há oficialmente relações diplomáticas entre Israel e China.

 

Em 2006, aChina reconheceu a vitória eleitoral do Hamas na Faixa de Gaza. Ao mesmo tempo, intensificou seus laços econômicos com Israel. “A China é hoje um dos parceiros comerciais mais importantes para Israel. O país é tido, por exemplo, como um dos maiores produtores de mercadorias kosher. Para a China, por sua vez, Israel é importante principalmente como fornecedor de alta tecnologia, especialmente tecnologia militar.”

 

Interesses da China

 

A China tem, por várias razões, interesse no fim do conflito. O país precisa de estabilidade no Oriente Médio, uma vez que a sua segurança energética depende disso. A China importa mais petróleo dos Estados do Golfo que os Estados Unidos. Além disso, Pequim está tentando avançar um projeto de uma nova Rota da Seda através do Oriente Médio.

 

Rudolf vê, além disso, as ações chinesas dentro de um contexto político global. “O envolvimento chinês no conflito entre Israel e o Hamas é emblemático da nova política externa chinesa”, avalia. Em janeiro de 2014, o presidente Xi Jinping anunciou a nova “política externa pró-ativa” da China. Até agora, a China seguia uma “doutrina de não interferência”.

 

Já Shi Yinhong, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade Renmin, em Pequim, não vê o envolvimento da China no Oriente Médio como fruto de um novo direcionamento da política externa chinesa. “Isso tem pouco a ver com o princípio da não interferência. No Oriente Médio, trata-se de um conflito entre dois países que tem impacto sobre toda a região e até mesmo sobre toda a política mundial. Pequim sempre se posicionou a favor de um Estado palestino com Jerusalém Oriental como capital. Não há nada de novo nisso.”

 

Na foto: Presidente Xi Jinping recebe o ex-presidente Shimon Peres, em abril: estreitos laços comerciais entre China e Israel/Reuters

 

Deutsche Welle – Autoria: Rodion Ebbighausen (md) – Edição: Alexandre Schossler

 

A MÃE (2)

Posted: 29 Jul 2014 11:39 PM PDT

 

 

Rui Peralta, Luanda – anterior: A MÃE (1)

 

V – Uma análise séria á situação de periferização extrema do continente africano implica um olhar atento á especificidade das condições e contradições internas (dinâmicas internas) e á logica da expansão capitalista mundial, a economia-mundo (dinâmicas externas). No entanto o mediatismo prevalecente vive de observações superficiais, de pseudoanálises, autênticos exercícios de preguiça e de omissão que servem dois propósitos:1) são matéria para marketing; 2) limpeza da História e falsificação do presente (criação de realidades virtuais). Realçar as dinâmicas internas conduz, na actual vertente africana, ao ampliar de fenómenos que, ao serem afastados do conjunto (das dinâmicas externas) sobressaem da realidade, ficam desfocados (e muitas vezes desfocados).

 

Fenómenos como a corrupção ou a fragilidade da base económica, quando apresentadas apenas sob a perspectiva das dinâmicas internas levam a preconizar soluções irrealistas, ou a esconder a cabeça na areia. Este não é um assunto nacional, no continente africano. O combate á corrupção envolve uma frente vasta, que atravessa todo o tecido social, mas que passa pela atenção a reter nos factores externos, pois é pela corrupção que o neocolonialismo penetra em África, colocando em risco as soberanias nacionais. A corrupção enfraquece as instituições e afecta o desenvolvimento. Não pode ser combatida exclusivamente por vias de campanhas cívicas (muitas vezes estabelecidas em contratos nada transparentes). Implica abertura e transparência na vida pública e nas instituições, implica legislação e eficácia de meios, implica despedimentos, exonerações com conhecimento público da causa e anulações ou revisões de contratos. Nenhum combate efectivo e eficaz á corrupção é possível sem uma análise profunda às causas internas e externas do fenómeno.

 

O mesmo acontece na abordagem macroeconómica. É, hoje, considerada uma verdade absoluta que “África necessita de empresários”, mas que sejam “verdadeiros empresários”, capitalistas. Estas observações dariam vontade de rir, não fossem elas bases programáticas de desenvolvimento de muitas economias africanas e delas depende o futuro de milhões de africanos, votados á sua sorte empreendedora, buscando ilusórias riquezas. É o luxo no lixo. Enquanto os governos criam empresários a partir do aparelho de Estado ou das máquinas partidárias, alimentam desperdiçam o potencial empresário que percorre as ruas das cidades-capitais africanas, dos que operam comercialmente nas fronteiras, com base nas comunidades fronteiriças, do potencial dos rios por onde centenárias redes comerciais pré-coloniais estabeleciam a sua actividade, desperdiçam o comércio do gado e as tradicionais redes de comércio rural e perdem lugar na última carruagem do comboio da economia-mundo, sendo atirados para “os mais arejados” wagons de mercadorias.

 

O mesmo raciocínio de curtas vistas que caracteriza largos sectores nacionalistas africanos é responsável pela promoção do agro-negócio, das visões deslumbradas da agricultura comercial e das interjeições apalermadas com que nos discursos monocórdicos referem o vislumbre da agro-indústria. Ignora-se desta forma que a capitalização da agricultura, a via capitalista para o desenvolvimento agrícola, gera milhões de excedentes populacionais, que não podem ser transferidos para a indústria (como aconteceu na Europa), ou porque esta é incipiente ou porque as actuais tecnologias aplicadas na produção prescindem dessa mão-de obra não-especializada. Por sua vez a preponderância das dinâmicas externas nas análises a efectuar, acentuam fenómenos como o da deterioração dos preços das matérias-primas, ou as grandes tempestades provocadas pelos centros económicos e financeiros nos copos de água periféricos.

 

O problema é que ao isolar os fenómenos externos sem os vincular á lógica dos fenómenos internos, condenar o “exterior” como tentativa de defender o “interior”, (a nação, a tradição, os “valores nacionais tradicionais”) é um exercício de retórica estéril, conducente ao desastre e á perda do que se pretende defender. Um exemplo disso são as intervenções políticas e militares da NATO no continente africano. Elas ocorrem porque existem condições internas que favorecem as intervenções externas, ou seja, existe um aproveitamento de determinados factores de conflito nas dinâmicas internas, que ao serem correlacionados com factores inerentes às dinâmicas externas, proporcionam a ingerência politica externa e a intervenção militar. Mas isso ocorre porque as analises são superficiais e porque as fantasias dos discursos nacionalistas e os aparelhos de marketing e propaganda misturam ficção com realidade.

 

Observe-se a Nigéria. Se ligarmos o televisor e vermos os comentaristas, ou abrirmos um jornal ou uma revista e lermos os artigos sobre a Nigéria, ou, ainda, se tivermos pachorra para ouvir na radio uma voz tecer um comentário sobre a Nigéria, parece que aquele país – que há uns anos debatia-se com uma elite militar que dava golpes de estado em sequencia e ritmo certos, ou que combatia os “piratas do delta” – foi subitamente assolado por uma vaga de “terrorismo islâmico”. Fica no cantinho do esquecimento (que nesses espécimes parlantes, escrivães e visualizadores, é mais um sótão do que um canto da casa) que a Nigéria, quando da sua independência, estava dividida em três grandes regiões geopolíticas, em função do modelo federal adoptado pela administração britânica: Norte, Oeste e o Leste.

 

O modelo multipartidário foi uma consequência desta divisão e do facto do movimento de libertação nacional nigeriano ter-se formado no seio do poderoso movimento sindical, após as impressionantes greves gerais de 1944 – 1947. Em Agosto de 1944 é formado o Congresso Nacional da Nigéria e Camarões (NCNC), liderado por Azikiwé, que seria o primeiro presidente do país. O NCNC sofre uma cisão que origina o Grupo de Acção (AG) e em Dezembro de 1949 é criado o Congresso das Populações do Norte (NPC), formação preponderante no Norte do país, região maioritariamente islâmica. Já após a independência é formado o Partido Socialista Operário e Camponês, que apesar da sua forte componente no movimento sindical e nas Ligas Camponesas, encontra-se condicionado pela divisão federal, como os restantes partidos. NCNC, no Leste, AG a Oeste e NPC no Norte monopolizam o espectro politico nacional. A coligação NCNC / NPC correspondia a uma repartição geográfica (Norte / Leste) da maioria e da oposição (Oeste, com preponderância do AG).

 

O Norte, formado pelas cidades-estado haússas, que aqui chegaram no princípio do século XIX, comandados pelo chefe peul Dan Fodio, era feudal e tinha prestado vassalagem aos ingleses, aqui chegados quase 1 século depois (em finais do século XIX), tornando-se suseranos de toda esta região. O descendente de Don Fodio, Sir Ahmadou Bello, era o líder do NPC e governava a região com mão-de-ferro. O NCNC, o AG e os restantes partidos tinham muitas dificuldades em penetrarem no Norte, sendo, muitas vezes reprimidos. No parlamento federal o NPC dispunha da maioria simples, devido á forte densidade populacional da região. O NPC, senhor do Norte e maioria no governo federal, mas o aparelho de estado dependia das outras duas regiões (e logo do NCNC e do AG). Este facto devia-se ao estado de atraso em que o domínio colonial britânico manteve o Norte da região, sob o pretexto de “respeitar os costumes”. Desta forma a Nigéria – o único país da África Ocidental que, pelas suas dimensões, demografia e recursos, poderia constituir uma economia viável – foi fragmentado e quase retalhado.

Se no Norte os conflitos sociais, latentes, eram abafados pelos emires, no resto dos pais um proletariado urbano e rural, fortemente combativo e organizado, entra em conflito com o governo federal, por um lado e com o capital nacional e estrangeiro, por outro. Um forte movimento grevista paralisa o país, enquanto no NCNC e no AG as respectivas alas esquerdas radicalizam as suas posições em relação às burguesias iorubas e ibo, que dominavam os aparelhos do NCNC e do AG. Em 1965 o mal-estar crescente leva ao surgimento de focos de guerrilha, organizadas por partidos de esquerda, que, simultaneamente, fazem sentir a sua presença nas forças armadas, onde um corpo de oficiais, maioritariamente ibo (Leste), comandava soldados haússa (Norte).

 

O primeiro golpe de estado é conduzido por jovens oficiais que eliminaram o presidente do Norte, Ahmadou Bello, o presidente do Oeste, Akintola, o primeiro-ministro federal, Tafala Balewa e o ministro das finanças federais, Okotie-Eboh, todos eles vistos como “agentes do neocolonialismo”. Os jovens oficiais que lideravam o golpe demonstravam simpatias para com a ala esquerda do AG. Mas um segundo golpe militar, poucos dias depois (estamos em Janeiro de 1966), liderado pelo general Ironsi, aprisionou os autores do primeiro golpe e suprimiu os partidos políticos e sindicatos. Em Julho do mesmo ano Ironsi é deposto por um novo golpe militar, dirigido por Gowon, próximo aos emires do Norte. Os contínuos pogroms no Norte contra os Ibos (iniciados no governo de Ironsi) leva o Leste a proclamar a independência, sob o nome de Biafra, em Maio de 1967. Aguerra (conhecida por guerra do Biafra)   começou em Julho.

 

Este resumo permite entender melhor o fenómeno terrorista actual na Nigéria e as suas origens nas elites islâmicas do Norte do país. Não é, portanto, uma “moda” islâmica, como pretende fazer crer a mentira orquestrada. E ao nível da dinâmica externa o aproveitamento deste factor interno é óbvio e histórico, tendo as suas raízes no domínio colonial britânico.

 

Quão hipócrita, pois, a figura de Obama, com ar preocupado, a oferecer a “ajuda no combate ao terrorismo” ao governo nigeriano. São historietas mal contadas, as “vagas do terrorismo islâmico”. Não existe tal figura a não ser nas cabeças dos incautos e nos lábios mentirosos e sarcásticos dos “teólogos dos choques civilizacionais”. E claro…nas mentes bélicas da lucrativa indústria da segurança (que precisa tanto de terroristas para aumentar as suas quotas de mercado – e o valor das acções nas bolsas – como os policias necessitam de ladrões e de “atentados á ordem pública” para manterem o seu emprego) e dos militares da NATO, com os seus “jogos africanos”, a AFRICOM e os “gauleses andrajosos” que espezinham com as suas botas o corpo da Mãe…

 

VI – Se, de facto, não existe terrorismo islâmico, então o que se passa em Africa (Líbia, Egipto, Somália, Quénia, Mali, Nigéria, Republica Centro Africana e outros)? O mesmo fenómeno que acontece em qualquer cozinha quando a válvula da panela de pressão não funciona. Muitos factores internos foram escamoteados, reprimidos e interrompidos pelas colonizações. Os novos estados africanos herdaram essas situações e por motivos diversos não as priorizaram, ou agendaram. Esses fenómenos efervesceram nos subterrâneos das independências, fora das vistas e com as reformas estruturais, ou por alterações geopolíticas, geoestratégicas ou geoeconómicas, tornaram-se visíveis e irromperam dos subterrâneos.

 

A forma como o continente foi retalhado pelo colonialismo, as novas identidades geopolíticas criadas pela colonização, a erosão neocolonial e a incipiência das elites africanas, constituíram os ingredientes que levaram á actual situação da “instabilidade terrorista”, prontamente aproveitada para continuar a retalhar e a reconfigurar o continente. Estes fenómenos não são causados pelas independências, mas sim pelo passado colonial. Como, aliás, aquilo a que o Ocidente denomina de “fracasso africano”. O que existe são as consequências da colonização e das elites associadas ao neocolonialismo, sendo que estas consequências têm de ser analisadas e identificadas na lógica das considerações geopolíticas do neocolonialismo, geoestratégicas do imperialismo e geoeconómicas do capitalismo.

 

A divisão internacional do trabalho, criadora da desigualdade entre centros e periferias (que remonta á revolução industrial na Europa dos séculos XVIII e XIX) pressupunha a participação das periferias no comércio mundial. África participou neste processo mediante a exportação de produtos, em virtude das suas riquezas naturais, que compensavam a sua baixíssima produtividade (este binómio recursos naturais / recursos humanos é dicotómico em África e é, hoje, uma das razões do difícil arranque das economias africanas). Neste contexto as potências europeias repartiram entre si o continente, na Conferência de Berlim, em 1885.

 

Efectuada a conquista, havia que valorizar o continente (quantificação dos recursos) e aqui entrecruzam-se as lógicas do capitalismo mundial e as das sociedades pré-coloniais. É neste sentido que pode ser compreendido cada um dos três modelos de colonização: a economia de trato, a economia de reservas e a economia de pilhagem. A economia de trato incorpora o pequeno camponês no mercado mundial, submetendo-o aos monopólios. Este sistema permitia reduzir ao mínimo as remunerações do trabalho dos camponeses e esbanjar terras.

 

A economia de reservas, aplicada na África meridional, organizou-se em torno da extracção mineira, alimentada por mão-de-obra barata a partir dos excedentes libertados pelo abandono da agricultura tradicional. Já a economia de pilhagem era o sistema das empresas concessionárias, que apropriavam-se de um décimo das colheitas.

 

Os resultados destes sistemas foram catastróficos para os povos africanos, sendo a valorização colonial a grande responsável de imensas debilidades do continente. Atrasou, em mais de um século a revolução agrícola. A economia de saque extraia um excedente de trabalho dos camponeses e das riquezas naturais sem investir na modernização, nem pagar o trabalho, saqueando os solos agrários e florestais. Por outro lado inibiu a formação e/ou expansão da burguesia africana (nos poucos casos em que a burguesia nacional cresceu, foi agenciada dos interesses coloniais, como aconteceu com a “burguesia crioula” em Angola).

 

As debilidades do movimento de libertação nacional em África e dos Estados africanos pós-coloniais remontam a estes sistemas coloniais e não á África pré-colonial, desaparecida nas tormentas coloniais. As críticas á África independente, às suas elites corruptas, corrompidas e corruptoras, á debilidade económica, á persistência comunitária rural, esquecem – ou fazem esquecer – que todas estas características actuais formaram-se no período 1880 e 1960 e foram perpetuadas pelo neocolonialismo. E aqui cruzam-se, em conluio, os interesses neocoloniais e os das elites africanas (tal como ocorreu no tráfico de escravos). Não foi por acaso que as preocupações geoestratégicas do imperialismo no período 1945-1990 foram no sentido de realizar este conluio. Foi ensaiado com os discursos étnico- filosóficos da negritude, étnico-políticos da autenticidade, testado nos Acordos de Lomé e finalmente mostrado abertamente ao mundo, como produto final, o afro-capitalismo, o conluio perfeito, que permite ir mais além no saque e transformar o continente num armazém, onde, num entrepiso, procede-se á nova função do continente na economia-mundo: lavagem e branqueamento…A alternativa são os estaleiros dos BRICS que nos atiram para a mesma função, sob a ilusão das “infraestruturas estruturantes” e das “parecerias solidárias” em torno do desenvolvimento.

 

Não lhes perdoes, Mãe, que eles sabem muito bem o que fazem.
VII – Hoje, as vagas migratórias africanas seguem em direcção á Europa, provavelmente mantendo o mesmo objectivo que a aproximadamente um milhão de anos atrás: a busca de uma vida melhor.  Para a grande maioria dos africanos a Mãe tornou-se madrasta e nem os discursos patrióticos dos dirigentes e as ilusões difundidas pelas máquinas de propaganda ou pelas imagens soft do marketing conseguem evitar essa longa marcha de morte e sofrimento, tão ilusória como os discursos das elites (que também viajam para as antigas metrópoles europeias, mas para fazer compras e tratar de negócios). As “ilhas de desenvolvimento” do continente estão rodeadas por mares de pobreza e no seu interior residem lagos imensos de miséria  e rios cujas águas são compostas pela angústia de uma esperança sempre longínqua e eternamente adiada.

 

A heroicidade vai definhando com o passar dos anos e transforma-se em memória ancestral. A generosidade fica pendurada no cabide e acaba por cheirar a mofo. O Homem Novo é mercadoria velha e foi reciclado, adaptado á logica da precariedade empreendedora. Os indocumentados vagueiam pelos campos, aldeias e cidades, carregando a cruz da não cidadania. As classes médias gozam o momento, endividando-se dia após dia, noite após noite, embriagando-se numa alienante atmosfera de vida fácil, escondendo a dureza da desumanização numa superficial forma de estar, camuflada de mentiras assumidas como verdades.

 

Parece que, tal como aconteceu antes, África vai ser mãe de uma nova espécie hominídea: o não-Homem. Mãe…será por sermos órfãos de Pai?

 

VIII – A situação de extrema periferia do continente tem de ser rapidamente ultrapassada. Isso implica que, no âmbito nacional, surjam das bases populares forças alternativas que reformulem as políticas colaboracionistas das elites neocoloniais, ampliando a soberania popular e reforçando o sistema democrático, não apenas ao nível da estrutura política, mas também implementando a democratização da economia (o que implica a socialização dos recursos), da vida social (maior papel interventivo das organizações de trabalhadores – sindicatos, comissões, comités, organizações camponesas, etc. – dos estudantes, micro, pequenos e médios empresários, reforço e reconstrução das redes publicas de saúde e das redes publicas de ensino, reforma agrária e consequente definição das áreas para desenvolvimento dos sistemas tradicionais (para o mercado interno) e definição das áreas agroindustriais (mercado externo), reforço das redes publicas de energia e de abastecimento de água, politica de implementação de redes públicas de transportes colectivos urbanos, dinamização dos transportes marítimos e fluviais, dinamização da rede ferroviária, redefinição e flexibilização das politicas fiscais, desburocratização, descentralização, restruturação das politicas urbanísticas, priorização da habitação social, criação de mecanismos de investimentos nas infraestruturas, criação de politicas sociais para o desemprego (essenciais para que as empresas nacionais possam proceder á renovação tecnológica), revisão das leis laborais no sentido da flexibilização e incremento da formação técnico profissional.

 

No âmbito da integração do continente, devem ser aceleradas as políticas de integração regional ao nível dos mercados, implementando a livre circulação de pessoas, bens, mercadorias e capitais, nos espaços regionais, caminhando depois para a integração inter-regional, até atingir a integração a nível continental.

 

Estas medidas essenciais permitirão a modernização efectiva do continente, corrigindo assimetrias e assumindo um rumo para o desenvolvimento que reposicionará África na economia-mundo.

 

Encontrado o Pai, a família retomará o seu caminho profundamente humanista. A Mãe será, então, a matriarca feliz que observa o crescimento do seu rebento: a Humanidade.

 

Fontes

Foley, R. Another unique species: Patterns in human evolutionary ecology Longham, Harlow, 1987.

Amir, S. Les défis de la mondialisation P.U.F., Paris, 1996

Benot, Y. Ideologies des indépendances africaines Maspero, Paris, 1969

 

Leia mais RUI PERALTA no PG

 

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS E O MESMO ALINHAMENTO

Posted: 29 Jul 2014 11:22 PM PDT

 

 

Carlos Fino – África 21, colunistas

 

O que espanta, em termos jornalísticos, é que uma cadeia com a importância e a responsabilidade da CNN se preste a atiçar o fogo sem aquele mínimo de distanciamento que as regras básicas da profissão exigem e o trágico exemplo do Iraque aconselharia.

 

Desde quinta-feira passada, quando foi derrubado o avião da Malaysian Airlines sobre a Ucrânia e o exército israelita voltou a invadir Gaza, assistimos nos grandes media ocidentais de impacto global a uma intensa cobertura dos trágicos acontecimentos sob prismas bem diferenciados.

 

Enquanto no caso do avião a nota dominante é a acusação  praticamente aberta  de que a responsabilidade – direta ou indireta – é da Rússia, no caso do conflito do Oriente Médio a posição é bem mais cautelosa, colocando-se em pé de igualdade Israel e Palestina – como se as duas realidades se equivalessem e não houvesse de fato entre elas uma total assimetria.

 

Dois pesos e duas medidas, portanto, em atitudes praticamente opostas, mas ambas alinhadas com as respetivas políticas oficiais – de grande agressividade em relação à Rússia e de grande compreensão em relação a Israel.

 

No estilo sóbrio que lhe é próprio, a BBC, sem deixar de seguir de uma forma geral essas orientações, tem sido mais discreta; mas a CNN assume-se abertamente como a defensora dos interesses americanos, transformando os seus blocos noticiosos numa quase incessante reunião de estado-maior, em que se analisam as medidas que o país deve tomar.

 

Medidas bem determinadas, incluindo militares, no caso de resposta à Rússia e conciliatórias no que respeita a Israel, cuja ofensiva bélica, por mais brutal que seja, é sempre vista com alguma leniência, enquadrada no inquestionável direito do Estado judaico se defender.

 

A estação de Atlanta  tem dedicado horas seguidas em dias consecutivos a explorar o tema do avião abatido na Ucrânia, sem nunca lembrar que quer os EUA quer a própria Ucrânia já foram no passado responsáveis por acidentes trágicos como aquele que agora ocorreu com o avião malaio: em 1988, a marinha norte-americana abateu no estreito de Ormuz um avião iraniano com 290 pessoas a bordo e em 2001 o exército ucraniano derrubou um avião russo com 64 passageiros e 12 tripulantes.

 

Os painéis de comentadores  que têm sido convocados para debater o tema não têm tido verdadeiro contraditório e tendem a conferir toda a credibilidade às informações dos serviços de segurança ucranianos, hoje estreitamente ligados com os seus homólogos norte-americanos.

 

Nota dominante – a avalanche de analistas que consideram já os russos culpados e a necessidade de tomar rapidamente medidas fortes contra Moscovo – desde sanções económicas “para doer” até apoio militar ao governo de Kíev. Outra ideia veiculada nesses debates – a de que este é o momento para a Europa se juntar à cruzada contra o Kremlin, como querem Washington e os seus mais próximos aliados. O primeiro ministro britânico deu aliás o tom: “É hora da Europa mostrar os dentes à Rússia”.

 

A julgar por estas intervenções, em Washington existe ou está em vias de se formar um consenso bi-partidário no sentido de aproveitar a tragédia do avião abatido para intensificar a política de isolamento de Pútin, tentando aproveitar a comoção gerada pelo acontecimento para levar atrás de si os  até agora relutantes países europeus.

 

Que o governo norte-americano o faça, até se compreende. Está no seu papel. O que espanta, em termos jornalísticos, é que uma cadeia com a importância e a responsabilidade da CNN se preste a atiçar o fogo sem aquele mínimo de distanciamento que as regras básicas da profissão exigem e o trágico exemplo do Iraque aconselharia.

 

Em termos substanciais, infelizmente, é pouco provável  que a comoção gerada pelo incidente do avião e pela invasão de Gaza venha a curto prazo alterar as situações no terreno como alguns, mais otimistas, parecem esperar.

 

Se bem conheço a Rússia, o Kremlin não aceitará uma derrota completa das forças pró-russas na Ucrânia e no caso do avião tenderá a seguir aquela que é a tradição histórica da burocracia política do país – negar e silenciar. E no Oriente Médio o impasse prosseguirá, por mais mortos que as cíclicas ofensivas de Israel provoquem. Enquanto permanecerem as condições opressivas em que vivem os palestinianos, sempre surgirão forças que se irão rebelar.

 

Quer num caso como noutro, os grandes media internacionais desempenhariam entretanto melhor a sua função se em vez de alinharem com as versões oficiais assumissem posições mais distanciadas, contribuindo para um debate sério e plural sobre os diferentes conflitos, na busca de soluções negociadas capazes de garantir a paz e não provocar a guerra.

 

* Carlos Fino, jornalista português, foi enviado especial e correspondente internacional da RTP – televisão pública portuguesa – em Moscou, Bruxelas e Washington, e correspondente de guerra em diversos conflitos armados na ex-URSS, Afeganistão,  Albânia, Oriente Médio e Iraque.  Foi conselheiro de imprensa da Embaixada de Portugal em Brasília (2004/2012), cidade onde atualmente reside.

 

O retorno de Orwell: a guerra contra a Palestina, a Ucrânia e a verdade

Posted: 29 Jul 2014 10:50 PM PDT

 

 

John Pilger

 

Na noite passada assisti à peça “1984”, de George Orwell, encenada num teatro de Londres. Embora clamasse por uma interpretação contemporânea, a advertência de Orwell acerca do futuro foi apresentada como uma peça datada: remota, não ameaçadora, quase reconfortante. Era como se Edward Snowden nada houvesse revelado, como se o Big Brother não fosse agora um espião digital e como se o próprio Orwell nunca houvesse dito: “Para ser corrompido pelo totalitarismo, basta ter de viver num país totalitário”.

Aplaudida pelos críticos, a produção cuidadosa foi uma medida dos nossos tempos culturais e políticos. Quando a luzes acenderam, as pessoas já estavam a sair. Pareciam impassíveis, ou talvez outras distracções as chamassem. “Que mindfuck “, disse uma jovem, a ligar seu telemóvel.

Quando sociedades avançadas são despolitizadas, as mudanças são tanto subtis como espectaculares. No discurso diário, a linguagem política é activida na sua cabeça, tal como Orwell profetizou em “1984”. “Democracia” é agora um dispositivo retórico. Paz é “guerra perpétua”. “Global” é imperial. O outrora esperançoso conceito de “reforma” agora significa regressão, mesmo destruição. “Austeridade” é a imposição do capitalismo extremo sobre os pobres e a prenda do socialismo para os ricos: um sistema engenhoso sob o qual a maioria serve as dívidas dos poucos.

Nas artes, a hostilidade a dizer a verdade é um artigo de fé burguês. “O período vermelho de Picasso”, diz uma manchete do Observer, “e porque política não faz boa arte”. Considere isto num jornal que promoveu o banho de sangue no Iraque como uma cruzada liberal. A oposição de Picasso ao fascismo é uma nota de rodapé, assim como o radicalismo de Orwell desvaneceu-se do prémio que se apropriou do seu nome.

Há alguns anos, Terry Eagleton, então professor de literatura inglesa na Universidade de Manchester, calculou que “pela primeira vez em dois séculos, não há qualquer poeta eminente, dramaturgo ou romancista britânico preparado para questionar os fundamentos do modo de vida ocidental”. Nenhum Shelley que fale pelos pobres, nenhum Blake para sonhos utópicos, nenhum Byron a amaldiçoar a corrupção da classe dominante, nenhum Thomas Carlyle e John Ruskin a revelarem o desastre moral do capitalismo. William Morris, Oscar Wilde, HG Wells, George Bernard Shaw não têm hoje equivalentes. Harold Pinter foi o último a levantar sua voz. Dentre as vozes insistentes do feminismo consumidor, nenhuma ecoa Virginia Woolf, que descreveu “as artes de dominar outras pessoas… de governar, de matar, de adquirir terra e capital”.

No National Theatre, uma nova peça, “Great Britain”, satiriza o escândalo das escutas telefónicas que viu jornalistas julgados e condenados, incluindo um ex-editor do New of the World, de Rupert Murdoch. Descrito como uma “farsa com dentes caninos [que] coloca toda a cultura incestuosa [dos media] em causa e sujeita-os a um ridículo impiedoso”, os alvos da peça são as personalidades “abençoadamente divertidas” da imprensa tablóide britânica. Isso está muito bem e soa familiar. Mas o que dizer dos media não tablóides que se consideram sérios e críveis, mas exerce um serviço paralelo como braço do estado e do poder corporativo, como na promoção de guerras ilegais?

O inquérito Leveson sobre escutas telefónicas considerou isto como não mencionável. Tony Blair estava a depor, queixando-se a Sua Senhoria acerca do assédio dos tablóides a sua esposa, quando foi interrompido por uma voz da galeria do público. David Lawley-Wakelin, um realizador de filmes, exigiu a prisão de Blair e que fosse processado por crimes de guerra. Houve uma longa pausa: o choque da verdade. Lord Leveson saltou sobre os seus pés e ordenou a expulsão do que dizia a verdade e desculpou-se junto ao criminoso de guerra. Lawley-Wakelin foi processado, Blair ficou livre.

Os cúmplices permanentes de Blair são mais respeitáveis do que os hackers das escutas. Quando a apresentadora de artes da BBC, Kirsty Wark, o entrevistou sobre o décimo aniversário da invasão do Iraque, ela prendou-o com um momento com que ele sonhava: permitiu-lhe atormentar-se sobre a sua “difícil” decisão sobre o Iraque ao invés de chamá-lo a prestar contas pelo seu crime gigantesco. Isto evocou o cortejo fúnebre de jornalistas da BBC o quais em 2003 declaravam que Blair podia sentir-se “justificado” e as subsequente séries “seminais” da BBC, “Os anos Blair”, para a qual foi escolhido David Aaronovitch autor, apresentador e entrevistador. Um servidor de Murdoch que fez campanha a favor de ataques militares ao Iraque, à Líbia e à Síria, Aaranovitch bajulava com perícia.

Desde a invasão do Iraque – o exemplo de um acto de agressão não provocada que o promotor de Nuremberg, Robert Jackson, classificou como “o supremo crime internacional diferente dos outros crimes de guerra apenas por conter em si próprio mal acumulado do todo” – a Blair e seu porta-voz e cúmplice principal, Alastair Campbell, tem sido concedido um espaço generoso no Guardian para reabilitarem suas reputações. Descrito como a “estrela” do Partido Trabalhista, Campbell tem procurado a simpatia dos leitores pela sua depressão e manifestou seus interesses, embora sua tarefa actual não seja de conselheiro, com Blair, quanto à tirania militar egípcia.

Quando o Iraque é desmembrado em consequência da invasão Blair/Bush, uma manchete do Guardian declara: “Derrubar Saddam estava certo, mas retirámo-nos demasiado cedo”. Isto encontra-se num artigo destacado de 13 de Junho de um antigo funcionário de Blair, John McTernan, que também serviu o ditador instalado pela CIA no Iraque, Iyad Allawi. Ao apelar à repetição da invasão de um país que o seu antigo mestre ajudou a destruir, ele não faz qualquer referência às mortes de pelo menos 700 mil pessoas, a fuga de quatro milhões de refugiados e a tempestade sectária numa nação que outrora orgulhava-se da sua tolerância conjunta.

 

“Blair corporifica a corrupção e a guerra”, escreveu em 2 de Julho o radical colunista do Guardian, Seumas Milne, numa peça inspirada. Isto é o que se conhece no comércio como “equilíbrio”. No dia seguinte o jornal publicou um anúncio de página interna de um bombardeiro furtivo americano. Sobre uma imagem ameaçadora do bombardeiro constavam as palavras: “O F-35. Bom para a Grã-Bretanha”. Esta outra corporificação da “corrupção e da guerra” custará aos contribuintes britânicos £1,3 mil milhões [€1,64 mil milhões], tendo os seus antecessores modelo F massacrado povos por toda a parte no mundo em desenvolvimento.

Numa aldeia do Afeganistão, habitada pelos mais pobres dos pobres, filmei Orifa, ajoelhada nos túmulos do seu marido, Gul Ahmed, um tecelão de tapetes, e de sete outros membros da sua família, incluindo seis crianças, e duas crianças que foram mortas na casa adjacente. Uma bomba de “precisão” com 500 libras [226,5 kg] caiu directamente sobre a sua pequena casa de barro, pedra e palha, deixando uma cratera com 50 pés[15,2 m] de largura. A Lockheed Martin, o fabricante do avião, tinha lugar de destaque no anúncio do Guardian.

A antiga secretária de Estado e aspirante à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, foi recentemente à “Women’s Hour” da BBC, a quinta-essência da respeitabilidade nos media. A apresentadora, Jenni Murray, considerou Clinton como um farol do êxito feminino. Ela não recordou aos seus ouvintes acerca da abominação de Clinton que invadiu o Afeganistão para “libertar” mulheres como Orifa. Ela nada perguntou a Clinton acerca da sua campanha de terror utilizando drones para matar mulheres, homens e crianças. Não houve menção à ameaça ociosa de Clinton, enquanto em campanha para ser a primeira mulher presidente, de “eliminar” o Irão. Tão pouco acerca do seu apoio à vigilância ilegal em massa e à perseguição de denunciantes.

Murray perguntou-lhe uma questão delicada. Clinton havia perdoado Monica Lewinsky por ter um caso com o seu marido? “Perdoar é uma opção”, disse Clinto, “para mim, era absolutamente a opção certa”. Isto rememorou a década de 1990 e os anos gastos com o “escândalo” Lewinsky. O presidente Bill Clinton estava então a invadir o Haiti e a bombardear os Balcãs, a África e o Iraque. Ele estava também a destruir vidas de crianças iraquianas; a UNICEF relatou a morte de meio milhão de crianças iraquianas com menos de cinco anos em consequência do embargo efectuados pelos EUA e a Grã-Bretanha.

As crianças foram ignoradas pelos media, assim como as vítimas de Hillary Clinton nas invasões que ela apoiou e promoveu – Afeganistão, Iraque, Iémen, Somália – são ignoradas pelos media. Murray não lhes fez referência. Uma fotografia dela e da sua distinta convidada, radiante, aparece no sítio web da BBC.

Na política, tal como no jornalismo e nas artes, parece que a discordância outrora tolerada nos media “de referência” regrediu para dissidência: uma clandestinidade metafórica. Quando comecei minha carreira na Fleet Street na Grã-Bretanha, na década de 1960, era aceitável criticar o poder ocidental como uma força predadora. Ler as celebradas reportagens de James Cameron sobre a bomba de hidrogénio no Atol de Bikini, a bárbara guerra na Coreia e o bombardeamento americano do Vietname do Norte. A grande ilusão de hoje é de uma era da informação quando, na verdade, vivemos numa era dos media na qual a propaganda corporativa incessante é insidiosa, contagiosa, eficaz e liberal.

No seu ensaio “On Liberty”, de 1859, ao qual os liberais modernos prestam homenagem, John Stuart Mill escreveu: “Despotismo é um modo legítimo de governo ao tratar com bárbaros, desde que o objectivo seja o seu aperfeiçoamento e os meios justificados pelos que realmente actuam para aquele fim”. Os “bárbaros” eram vastas parcelas da humanidade da qual era exigida “implícita obediência”. “É um mito bonito e conveniente o de que os liberais são pacifistas e os conservadores belicosos”, escreveu o historiador Hywel Williams em 2001, “mas o imperialismo pelo caminho liberal pode ser mais perigoso por causa da sua natureza ilimitada: sua convicção de que representa uma forma de vida superior”. Ele tinha em mente um discurso de Blair no qual o então primeiro-ministro prometia “reordenar o mundo em torno de nós” de acordo com os seus “valores morais”.

Richard Falk, respeitada autoridade sobre direito internacional e Relator Especial da ONU sobre a Palestina, certa vez descreveu “um quadro legal/moral farisaico, unilateral, com imagens positiva dos valores ocidentais e de inocência retratada como ameaçada, validando uma campanha de violência política irrestrita”. Isto é “tão amplamente aceite ao ponto de ser virtualmente indiscutível”.

Os guardiões são premiados com estabilidade e patrocínio. Na Radio 4 da BBC, Razia Iqbal entrevistou Toni Morrison, a afro-americana laureada com o Nobel. Morrison perguntou porque o povo estava “tão irado” com Barack Obama, que era “óptimo” (“cool”) e desejava construir uma “economia forte e cuidados de saúde”. Morrison estava orgulhosa por ter conversado ao telefone com o seu herói, o qual havia lido um dos seus livros e convidara-a para a sua posse.

Nem ela nem sua entrevistadora mencionaram os sete anos de guerra de Obama, incluindo sua campanha de terror através de drones, na qual famílias inteiras, equipes de resgate e parentes enlutados foram assassinados. O que parecia importar era que um homem de cor que “falava com elegância” havia ascendido ao comando nas alturas do poder. Em “Os condenados da terra”, Frantiz Fanon escreveu que a “missão histórica” do colonizado era servir como uma “linha de transmissão” àqueles que dominavam e oprimiam. Na era moderna, o emprego da diferença étnica nas potências ocidentais e seus sistema de propaganda é agora considerada como essencial. Obama sintetiza isto, embora o gabinete de George W. Bush – sua clique belicosa – fosse o mais multi rácico da história presidencial.

Quando a cidade iraquiana de Mossul caiu nas mãos dos jihadistas do ISIS, Obama disse: “O povo americano fez enormes investimentos e sacrifícios a fim de dar aos iraquianos a oportunidade de traçar um melhor destino”. Quão “cool” é aquela mentira? Quão “elegante” foi o discurso de Obama na academia militar de West Point em 28 de Maio. Ao apresentar o seu discurso dos “estado do mundo” na cerimónia de graduação daqueles que “levarão a liderança americana” através do mundo, Obama disse: “Os Estados Unidos utilizarão força militar, unilateralmente se necessário, quando nossos interesses essenciais o exigirem. A opinião internacional importa, mas a América nunca pedirá permissão…”

Ao repudiar o direito internacional e os direitos de nações independentes, o presidente americano afirma uma divindade baseada no poder da sua “nação indispensável”. É uma mensagem familiar de impunidade imperial, embora sempre reforçada a fim ser ouvida. Evocando a ascensão do fascismo na década de 1930, Obama disse: “Acredito no excepcionalismo americano com toda a fibra do meu ser”. O historiador Norman Pollack escreveu: “Para os incondicionais (goose-steppers), substitui a aparentemente mais inócua militarização da cultura total. E para o líder bombástico, temos o reformador falhado, a trabalhar alegremente para planear e executar assassinatos, a sorrir o tempo todo”.

Em Fevereiro, os EUA montaram um dos seus golpes “coloridos” contra o governo eleito da Ucrânia, explorando protestos genuínos contra a corrupção em Kiev. A secretária de Estado assistente, Victoria Nuland, seleccionou pessoalmente o líder de um “governo interino”. Ela alcunhou-o como “Yats”. O vice-presidente Joe Biden veio a Kiev, tal como o director da CIA John Brennan. As tropas de choque do seu putsch foram fascistas ucranianas.

Pela primeira vez desde 1945 um partido neo-nazi, abertamente anti-semita, controla áreas chave do poder de estado numa capital europeia. Nenhum líder europeu ocidental condenou esta ressurreição do fascismo na fronteira através da qual invasores nazis ceifaram milhões de vidas russas. Eles foram apoiados pelo Ukrainian Insurgent Army (UPA), responsável pelo massacre de judeus e russos a quem chamam “insectos”. O UPA é a inspiração histórica nos dias de hoje do Partido Svoboda e seus companheiros de viagem do Right Sector. O líder do Svoboda, Oleg Tyahnybok, conclamou a um expurgo da “mafia moscovita-judaica” e “outra escória”, incluindo gays, feministas e aqueles na esquerda política.

Desde o colapso da União Soviética, os Estados Unidos têm cercado a Rússia com bases militares, aviões de guerra e mísseis nucleares, no âmbito do seu Projecto de Ampliação da NATO. Renegando uma promessa feita em 1990 ao presidente soviético Mikhail Gorbachev de que a NATO não se expandia “nem uma polegada para Leste”, a NATO efectivamente ocupou militarmente a Europa do Leste. No antigo Cáucaso soviético, a expansão da NATO constitui a maior acumulação militar desde a Segunda Guerra Mundial.

Um Plano de Acção para a pertença à NATO é a prenda de Washington para o regime golpista de Kiev. Em Agosto, a “Operação Tridente Rápido” colocará tropas americanas e britânicas na fronteira russa da Ucrânia e a operação “Brisa Marítima” enviará navios de guerra estado-unidenses frente a portos russos. Imagine a resposta se estes actos de provocação, ou intimidação, fossem executados nas fronteiras da América.

Ao recuperar a Crimeia – a qual Nikita Kruschev ilegalmente destacara da Rússia em 1954 – os russos defenderam-se como haviam feito durante quase um século. Mais de 90 por cento da população da Crimeia votou pelo retorno do território à Rússia. A Crimeia é a base da Frota da Mar Negro e sua perda significaria a vida ou a morte da Armada Russa e um prémio para a NATO. Confundindo os partidos da guerra em Washington e Kiev, Vladimir Putin retirou tropas da fronteira ucraniana e instou russos étnicos no Leste da Ucrânia a abandonarem o separatismo.

Em modo orwelliano, isto foi invertido no Ocidente para a “ameaça russa”. Hillary Clinton comparou Putin com Hitler. Sem ironia, comentadores alemães de direita disseram o mesmo. Nos media, os neo-nazis ucranianos são tornados aceitáveis como “nacionalistas” ou “ultra-nacionalistas”. O que eles temem é que Putin está habilmente a procurar uma solução diplomática – e pode ter êxito. Em 17 de Junho, respondendo à mais recente proposta acomodatícia de Putin – seu pedido ao Parlamento russo para revogar legislação que lhe dava o poder para intervir em prol de russos étnicos na Ucrânia – o secretário de Estado John Kerry emitiu outro dos seus ultimatos. A Rússia deve “actuar dentro das próximas horas, literalmente” para acabar com a revolta no Leste da Ucrânia. Apesar de Kerry ser amplamente reconhecido como um bufão, o objectivo grave destas “advertências” é conferir o estatuto de pária à Rússia e suprimir notícias da guerra do regime de Kiev ao seu próprio povo.

Um terço da população da Ucrânia é de falantes do russo e bilingues. Eles têm desde há muito procurado uma federação democrática que reflicta a diversidade étnica da Ucrânia e seja autónoma e independente de Moscovo. A maior parte não é nem “separatista” nem “rebelde” mas cidadãos que querem viver com segurança na sua pátria. O separatismo é uma reacção aos ataques da junta de Kiev sobre eles, causando a fuga de 110 mil (estimativa da ONU) para a Rússia através da fronteira. Tipicamente, são mulheres e crianças traumatizadas.

Tal como as crianças do Iraque sob embargo e as mulheres e meninas do Afeganistão “libertado”, aterrorizadas pelos senhores da guerra da CIA, este povo de etnia russa da Ucrânia é ignorado pelos media do ocidente, o seu sofrimento e as atrocidades contra ele cometidas são minimizadas ou silenciadas. Nenhum sentido da escala do assalto do regime é reflectido nos media de referência ocidentais. Isto não é sem precedentes. Relendo a obra magistral de Philip Knighteley, ” The First Casualty: the war correspondent as hero, propagandist and mythmaker”, reitero minha admiração pelo Morgan Philips Price doManchester Guardian, o único repórter ocidental a permanecer na Rússia durante a revolução de 1917 e a relatar a verdade de uma invasão devastadora pelos aliados ocidentais. Sem preconceitos e corajoso, só Philips Price perturbou o que Knightley chamou de um “escuro silêncio” anti-russo no ocidente.

No dia 2 de Maio, em Odessa, 41 russos étnicos foram queimados vivos na casa dos sindicatos com a polícia a assistir. Há horrendas provas em vídeo. O líder do Right Sector, Dmytro Yarosh, louvo o massacre como “mais um dia brilhante na nossa história nacional”. Nos media americanos e britânicos, isto foi relatado como uma “tragédia obscura” resultante de “choques” entre “nacionalistas” (neo-nazis) e “separatistas” (pessoas a colherem assinatura para um referendo sobre uma Ucrânia federal). O New York Times enterrou o assunto, tendo descartado como propaganda russa advertências acerca das políticas fascista e anti-semita dos novos clientes de Washington. O Wall Street Journal amaldiçoou as vítimas – “Incêndio fatal na Ucrânia provavelmente ateado pelos rebeldes, diz o governo”. Obama congratulou a junta pela sua “contenção”.

Em 28 de Junho, o Guardian dedicou quase toda uma página a declarações do “presidente” do regime de Kiev, o oligarca Petro Poroshenko. Mais uma vez, a regra da inversão de Orwell foi aplicada. Não houve putsch, nenhuma guerra contra a minoria da Ucrânia; os russos eram culpados por tudo. “Queremos modernizar meu país”, disse Poroshenko. “Queremos introduzir liberdade, democracia e valores europeus. Alguém não gosta disso. Alguém não gosta de nós por isso”.

Nesta reportagem, o entrevistador do Guardian, Luke Harding, não desafiou estas afirmações, ou mencionou a atrocidade de Odessa, os ataques aéreos e de artilharia do regime contra áreas residenciais, a morte e sequestro de jornalistas, o ataque com bombas incendiárias a um jornal da oposição e a sua ameaça de “libertar a Ucrânia de excrementos e parasitas”. O inimigo são “rebeldes, “militantes”, “insurgentes”, “terroristas” e sequazes do Kremlin. A actual campanha para culpar o governo russo pelo derrube do avião malaio faz parte desta propaganda. Na verdade, o crime do derrube daquele avião civil é um resultado directo do putsch de Obama na Ucrânia. Evoca da história os fantasmas do Vietname, Chile, Timor Leste, África do Sul, Iraque. Observa-se a reprodução das mesmas etiquetas, as mesmas falsas bandeiras. A Palestina é imã deste logro constante. A seguir à última carnificina de Israel em Gaza, com equipamento americano, de mais de 800 palestinos – incluindo 120 crianças – um general israelense escreve no Guardian: “Uma demonstração de força necessária”.

Na década de 1970 encontrei Leni Riefenstahl e perguntei-lhe acerca dos seus filmes que glorificavam os nazis. Utilizando técnicas de câmera e de iluminação revolucionárias, ela produziu uma forma documentário que hipnotizou os alemães. Foi o seu “O triunfo da vontade”, que segundo se crê lançou o discurso de Hitler. Perguntei-lhe acerca da propaganda em sociedades que se imaginavam superiores. Ela respondeu que as “mensagens” nos seus filmes estavam dependentes não de “ordens de cima” mas de um “vazio submisso” na população alemã. “Isso incluía a burguesia liberal e educada?”, perguntei-lhe. “Toda a gente”, respondeu, “e naturalmente a intelligentsia”.

O original encontra-se em johnpilger.com/…

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ 

 

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