COVID EM PORTUGAL, nada será como dantes

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Félix Rodrigues
17 mins ·
O número diário de infectados por SARS-CoV-2 em Portugal continua a crescer. Hoje ultrapassamos a marca do 40 000 infectados (40134 casos), numa clara segunda vaga de infecção comunitária na Região de Lisboa e Vale do Tejo. Há a registar apenas 3 óbitos, pelo que a letalidade diária continua baixa (0,81%). A letalidade global do país situa-se nos 3,87% e tem vindo a baixar de forma sustentada. Totalizam-se hoje 1553 óbitos no país por Covid-19. Não nos parece que esteja a ocorrer um fenómeno de ocultação do número de mortes em Portugal à semelhança do que ocorreu em Espanha, uma vez que neste período não se está a registar um acréscimo da mortalidade geral relativamente a anos anteriores. O número de infectados na Grande Lisboa já ultrapassou o número de infectados no Grande Porto.
Por vezes achamos que a pandemia acaba como começou e talvez por isso se ache que a Champions poderá marcar esse ponto ou que podemos voltar ao ginásio sem precauções adicionais. É improvável que o mundo pós COVID-19 volte a ser o que era. Como nos estamos a preparar para ele? Apostando no mesmo que fazíamos antes? Penso que tal não será possível.
Muitas tendências já estão em andamento na economia global e estão a ser aceleradas pelo impacto da pandemia. Os casos diários a nível mundial continuam a acelerar (só ontem tivemos cerca de 165 mil novos casos), os Estados Unidos estão no início de uma nova vaga (já tem 2,3 milhões de infectados), o Brasil continua com a infecção acelerada (cerca de 1,2 milhões de infectados) e a Rússia, a India, o Reino Undo, o Perú e o Chile já tem mais infectados do que Espanha.
Tal como referia ontem, estimava-se que a Ucrânia passasse à frente de Portugal em número absoluto de infectados e de facto assim aconteceu (tinha ontem 39852 casos de infecção e 1061 óbitos com tendência crescente maior do de a portuguesa). Somos agora perseguidos pelo Iraque (com 38,43 milhões de habitantes) e uma acumulado de 34502 infectados e 1251 óbitos por Covid-19. Esta não é uma infecção do primeiro mundo, segundo ou terceiro, trata-se de uma infecção global que teima em não baixar porque somos incapazes de ter estratégias regionais, nacionais ou mesmo internacionais para combater o vírus. Assim, com cada um está a olhar para o seu umbigo, uns mais do que outros, será por aí que o vírus tenderá a entrar.
A nova ordem económica passará cada vez mais pela economia digital, pelo trabalho remoto, pela educação à distância, pela telemedicina e serviços de entrega ao domicílio. Essas são tendências que deveriam já estar a ser pensadas para se evitarem grandes impactos económicos em economias frágeis como a nossa. Haverá certamente mudanças estruturais nas sociedades e prevê-se que haja um grande incremento da regionalização das cadeias de distribuição. Enquanto pensamos em fechar-nos ou em quando voltamos a confraternizar como antes, devíamos estar a pensar no futuro. Estamos apenas a segurar as pontas daquilo que tenderá a rebentar.
O futuro do trabalho chegou mais cedo do que se pensava, conjuntamente com os seus novos desafios que exigem uma adaptação rápida dos trabalhadores e dos cidadãos às “transições ocupacionais”. A formação é cada vez mais importante, devíamos aproveitar esta “pausa” para revermos todo o “Estado da Arte” da tecnologia e das transições sustentáveis.
Qual é o país exemplo a seguir? Não temos nenhum. Cada um terá que se reinventar uma vez que somos incapazes de o fazer em conjunto.
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