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Republicanices…
A República não pára de nos surpreender.
Durante a pandemia tramou-nos com a história da “continuidade territorial” e outros comportamentos menos próprios, de que se veio redimir o Presidente da República na visita atribulada a Nordeste.
Não contente com isso, António Costa volta a provocarnos, desta vez encaminhando-nos para a banca, se quisermos dinheiro para combater o impacto económico da pandemia.
Uma cópia de Passos Coelho. E todos sabemos como as cópias são sempre piores que o original…
A diferença é que, agora, amouchamos, obedientes e submissos. Já não levantamos a voz como foi contra Passos Coelho.
Pior ainda: até uma deputada do PS dos Açores, na Assembleia da República, elogiou a atitude do Governo da República… onde já chegamos!
A autorização para nos endividarmos até 420 milhões de euros não dá para meia missa, porque se o turismo, como se prevê, vai cair 10% do PIB regional, são logo 400 milhões de euros que se perdem, só neste sector.
Depois, o facto do Estado não avalizar a dívida vai provocar um aumento dos juros, que poderão ir até ao dobro do que é contraído pelo Estado.
A atitude de António Costa não tem classificação. É uma provocação às Regiões Autónomas e uma falta de solidariedade incompreensível, com a submissão do Governo de Vasco Cordeiro.
Ainda esta semana o Conselho de Ministros aprovou compensações para a CP no valor de 85 milhões de euros ao ano, na próxima década. São 850 milhões de euros apenas para uma empresa ferroviária, não esquecendo os 1,2 mil milhões para a TAP. Tudo pago pelo Tesouro.
Para as Regiões Autónomas decidem-se migalhas e a alto preço no pagamento de juros.
Um Estado que age assim para que é que serve? Com amigos destes, para que queremos inimigos?
Pela nossa saúde
O sector da Saúde levou uma grande sacudidela nesta pandemia.
Graças aos seus profissionais o sistema regional de saúde portou-se à altura, com alguns erros pelo meio, mas com um objectivo final altamente positivo.
A tutela é que se confinou de maneira absurda. Quando se esperava um plano de retoma, bem organizado e com eficácia, continuamos a assistir a uma desorganização inqualificável, com postos de saúde ainda encerrados, unidades de saúde descontinuadas, ausência de programa de emergência para consultas e cirurgias, como se ainda vivêssemos em pleno surto na região.
Já são 13 mil os açorianos que continuam à espera de uma cirurgia e só no mês de Abril as intervenções cirúrgicas caíram mais de 80%.
Pobres dos doentes que já eram doentes antes do surto, alguns com anos de espera, sem nenhuma luz ao fundo do túnel.
Lá fora derrubam estátuas. Aqui derrubamos pessoas.
(Osvaldo Cabral – Diário dos Açores de 14.06.2020)
— with Osvaldo José Vieira Cabral.
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