A INJUSTIÇA DA JUSTIÇA NOS AÇORES

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António Simas to Açores Global
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Hoje fez-se justiça num Tribunal Português.
Enquanto Açoriano e cidadão de um país de direito, devia estar feliz por justiça ter sido feita, mas, confesso, não sinto essa felicidade e isso deixa-me preocupado.
Mais preocupado fico porque essa decisão judicial faz-me sentir Injustiçado.

Injustiçado por ter de sair de casa pondo em risco a saúde e até mesmo a vida dos meus familiares e a minha, para tratar dos outros e suas famílias em nome de uma pandemia.

Injustiçado porque fui privado da liberdade de abraçar e beijar aqueles que amo.

Injustiçado porque fui privado de brincar e sorrir com os meus netos.

Injustiçado porque fui privado de estar presente no último adeus à mãe de um amigo.

Injustiçado porque vi o desgosto de uma sobrinha ao ser privada da cerimónia do casamento com que tanto sonhara.

Injustiçado porque fui privado de fazer muitas das coisas que gosto.
Injustiçado por ver colegas privados do direito á vida em nome do direito de viver dos outros.

Injustiçado por ver outros profissionais da saúde serem dizimados por um vírus em nome do qual serviram de “escudo” para que outros cidadãos pudesse continuar a ter o direito à vida, que eles perderam.

Injustiçado por ver tantas mãos estendidas à caridade por terem sido privadas do seu ganha pão.

Injustiçado por ver outros profissionais de saúde serem privados de coabiterem com suas famílias para não por em risco a vida dos seus entes queridos.

Injustiçado por ver milhares de utentes privados do acesso privilegiado ao seu médico de família para que ele estendesse esses cuidados a outros.

Injustiçado pela perda na qualidade de vida do doente que viu a sua cirurgia adiada.

Injustiçado ao prever que muitos cidadãos estarão a ser privados do diagnóstico atempado de doenças que poderão ser fatais ou que venham a degradar a sua qualidade de vida por esse atraso.

Sinto-me Injustiçado talvez pela cegueira que honra a dignidade da justiça para que todos sejam iguais perante a lei.
Sinto-me Injustiçado por tudo isto e muito mais mas…
Sinto-me livre porque posso escrever e partilhar este desabafo, mas não me sinto livre, não por desconhecer o ” Habeas Corpus” , mas sim por estar privado de ” Amplector Corpus”.
António Simas

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