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« (…) O “New York Times” publicou há dias uma lista dos maiores focos da pandemia nos EUA, as câmaras da morte. As primeiras 50 maiores lixeiras humanas são prisões e lares de velhos, com a intromissão de um porta-aviões (cujo comandante foi demitido por ter alertado para a situação — dos outros porta-aviões nada se sabe) e uma central de produção de eletricidade, por qualquer razão. Presos e velhos não têm valor de mercado, a comunicação social e o imperador não falam neles.
Os casos referidos e extrapolados são os de uns navios de cruzeiro, de onde vêem o mundo as gentes com valor de mercado.
O dito “vírus chinês “, na versão de sacudir o capote de Trump, o imperador louco, também revelou que o respeito pelos princípios do respeito pela pessoa humana da nossa civilização está ao nível daquele que a nossa civilização acusa o seu inimigo: um ser humano preso numa cadeia americana vale o mesmo que um ser humano preso numa cadeia chinesa. Nada. Não têm valor de mercado. Nesse aspeto, entre a nossa civilização e a da China não há distinção. Só para recordar: quer os Estados Unidos quer a China têm pena de morte.
Todas as civilizações assentam no principio do respeito por quem fez parte dela, por quem pertenceu a uma comunidadae e esse respeito reflete-se no último ato, com maior ou menor pompa. Este império, o nosso, produziu uma civilização, a primeira, em que os “seus mortos” são lixo desde que sejam pobres e, logo, sem valor. O coronavirus revelou a miséria desta civilização do mercado, da lei da selva, da ganância. Trump é o ogre que configura a monstruosidade desta civilização. A Maçã está podre e nós, os europeus, ou a deixamos apodrecer por si e nos afastamos, ou apodrecemos com ela.
[Carlos Matos Gomes, no blogue Medium, 14/05]

