Camiliana

CAMILIANA

Vilarinho da Samardã. Camilo viveu aqui na adolescência. E o que fazia? É ele que conta:

«Fui educado numa aldeia, onde tenho uma irmã casada com um médico, irmão de um padre que foi meu mestre. O mestre podia ensinar-me muita coisa que me falta; mas eu era refractário à luz da gorda ciência do meu padre. Fugia de casa para a serra, dava muitos tiros às galinholas e perdizes; porém, louvado seja Deus, não me dói o remorso de ter matado uma!
O meu gosto era passar o rebanho de casa por aqueles saudosos vales. Todavia, minha irmã opunha-se a este humilde serviço. Dizia-me coisas que eu não percebia acerca da minha dignidade; repreendia os meus baixos instintos; atraía ao seu voto o marido e o padre, e cortava-me o rasteiro voo escondendo de mim a clavina, o polvorinho, os salpicões, a broa e a cabacinha de aguardente.
Não obstante eu pedia tudo de empréstimo e ia com as ovelhas para o monte. Passava lá o dia inteiro, sentado nas espinhas daqueles alcantis fragosos, sempre sozinho, cismando sem saber em quê, engolfada a vista nas gargantas dos despenhadeiros.»

(Duas Horas de Leitura)

CAMILIANA

Vilarinho da Samardã. Camilo viveu aqui na adolescência. E o que fazia? É ele que conta:

«Fui educado numa aldeia, onde tenho uma irmã casada com um médico, irmão de um padre que foi meu mestre. O mestre podia ensinar-me muita coisa que me falta; mas eu era refractário à luz da gorda ciência do meu padre. Fugia de casa para a serra, dava muitos tiros às galinholas e perdizes; porém, louvado seja Deus, não me dói o remorso de ter matado uma!
O meu gosto era passar o rebanho de casa por aqueles saudosos vales. Todavia, minha irmã opunha-se a este humilde serviço. Dizia-me coisas que eu não percebia acerca da minha dignidade; repreendia os meus baixos instintos; atraía ao seu voto o marido e o padre, e cortava-me o rasteiro voo escondendo de mim a clavina, o polvorinho, os salpicões, a broa e a cabacinha de aguardente.
Não obstante eu pedia tudo de empréstimo e ia com as ovelhas para o monte. Passava lá o dia inteiro, sentado nas espinhas daqueles alcantis fragosos, sempre sozinho, cismando sem saber em quê, engolfada a vista nas gargantas dos despenhadeiros.»

(Duas Horas de Leitura)
Unlike ·  · Share · 19 hours ago · Edited · 
Please follow and like us:
error

Publicado por

chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL

error

Enjoy this blog? Please spread the word :)

%d bloggers like this: