ANIVERSÁRIO DE TORGA

Caros Amigos e Admiradores da obra de Miguel Torga,
Hoje, dia 12 de agosto de 2013, é de festa, de aniversário!!!
Miguel Torga faria, hoje, 106 anos.
A melhor forma de homenagear este nome da Literatura Portuguesa é continuar a divulgar os seus livros.
Como a obra de Miguel Torga continua atual, recordo que a revista “Notícias Magazine” de 21 de julho de 2013 abordava, nas suas páginas, “A Liga das Bestas”, relatando as festas domingueiras dos barrosões que passam a torreira do sol para ver os bois da cada aldeia lutarem pelo primeiro lugar no campeonato. É a glória e o fracasso transmontano explicados num combate entre bovinos. Prefere este espetáculo a um jogo de futebol.
A comprovar esta reportagem escrita, a RTP1 transmitiu, ontem, no Telejornal, uma breve passagem por imagens destas chegas de bois e a sua importância para os barrosões em tempo de verão.
Miguel Torga era um turista imparável e quando se encontrava por terras de “Aquae Flaviae” calcorreava todas as redondezas, admirando as tradições e as paisagens inigualáveis destes montes. Várias passagens diarísticas descrevem as chegas de bois dos concelhos de Montalegre e de Boticas.
Transcrevo duas passagens diarísticas de Miguel Torga que mostram como a obra do Escritor continua atual.
Montalegre:
Montalegre, 28 de Junho de 1956 – Feira do prémio. As elegâncias bovinas da região num concurso de beleza. Mas coisa a sério! (…) Torci quando pude por um bezerra ruiva (…) fiz de jarrão à mesa do júri, apertei a mão aos donos das beldades eleitas, e, no fim, quando esperava ver coroada com uma chega de toiros a minha abnegação pecuária, arma-se tamanho sarilho entre as duas povoações donas das bisarmas à altura da façanha, que parecia o fim do mundo. (…) Nas barbas da autoridade, dispensou galhardamente os actores contratados e, em vez duma turra de bois, ofereceu-me o espectáculo mais sensacional de uma turra de gente. Com esta vantagem para mim: metido também na dança. (…) ” Diário VIII
Boticas:
Carvalhelhos, 3 de Setembro de 1989 – Horas e horas de correria por este Barroso a cabo, num Domingo de romarias, na mira de assistir mais uma vez a uma chega de toiros. Mas não fui feliz. Em todas as aldeias visitadas, o grande acontecimento tinha já acontecido. Restavam dele apenas o doce sabor do triunfo ou o amargo da derrota. Na pega ribatejana, outra expressão da nossa virilidade e vitalidade, é o pegador que está em causa ao saltar da arena. Aqui, é a povoação inteira que se revê na luta entre o seu boi e o boi rival. E o desfecho do combate diz respeito a todos. Por isso, se vence, o deus testicular é festejado até ao delírio, se franqueja e se rende, é amaldiçoado até às lágrimas. (…) Diário XV
Boas leituras.
Um Abraço,
Maria da Assunção Anes Morais
(Chaves)
 
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Sobre chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL
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