Hino dos Açores está consolidado e é aceite pela generalidade das pessoas, afirma Luís Fagundes Duarte

 

———- Mensagem encaminhada ———-
De: <[email protected]>
Data: 31 de Março de 2014 às 12:45
Assunto: GaCS: Hino dos Açores está consolidado e é aceite pela generalidade das pessoas, afirma Luís Fagundes Duarte
Para:

Ponta Delgada, 31 de Março de 2014
Hino dos Açores está consolidado e é aceite pela generalidade das pessoas, afirma Luís Fagundes Duarte ( anexo disponível no site )

O Secretário Regional da Educação, Ciência e Cultura, afirmou hoje, em Ponta Delgada, que o Hino dos Açores “não corre qualquer perigo”, considerando que “está consolidado e é aceite pela generalidade das pessoas”.

 

Luís Fagundes Duarte frisou que o Hino dos Açores “é intocável, ou seja, não pode nem deve ser posto em causa por ninguém, uma vez que resulta de uma decisão tomada pelos órgãos próprios da Autonomia, no momento certo.”

 

O Secretário Regional, que falava no final de uma audição na Comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Trabalho da Assembleia Legislativa dos Açores, defendeu que este símbolo da Autonomia “deve ser incentivado junto das escolas”, acrescentando que é necessário passar para as crianças o “conhecimento sobre a música e sobre a letra do hino.”

 

“Trata-se de uma música composta no século XIX por um músico açoriano ligado às filarmónicas e, no que diz respeito à letra, refere-se a um poema de Natália Correia composto propositadamente para servir de letra ao Hino dos Açores”, salientou.

 

Luiz Fagundes Duarte referiu que está claramente determinado no Estatuto do Aluno e no Diploma da Gestão e Criação das Unidades Orgânicas do Sistema Educativo Regional que os alunos “devem aprender na escola a letra e o hino e que os professores devem explicar a razão de ser dessa letra e dessa música”.

 

O Secretário Regional da Educação, Ciência e Cultura disse ainda que o Governo Regional dos Açores está a fazer tudo para que seja concretizado nas escolas “aquilo que está determinado na lei”, como forma dos alunos entenderem a “simbologia do hino e dos símbolos heráldicos da Região”.

GaCS/BP

*************************

ANTECEDENTE:

 

 Quer votar na petição então vá a

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT71949

——– Original Message ——–

Subject:

proposta ao governo regional e ALRA

Date:

Sat, 04 Jan 2014 10:51:40 -0100

From:

lusofonias <[email protected]>

To:

undisclosed-recipients:;

EXMOS SENHORES MEMBROS DO GOVERNO, ALRA, E DEMAIS INSTITUIÇÕES

Ilhas De Bruma, um verdadeiro Hino aos Açores.
Quantos Açorianos conhecem o Hino dos Açores e quantos conhecem a Letra que Natália Correia tentou adaptar à melodia?
Julgamos que poucos, mas muitos não só conhecem como gostam e trauteiam as “Ilhas De Bruma” de Manuel M Ferreira (falecido em 3/1/2014).
Quer a melodia quer a letra retratam com fidelidade as Nove Ilhas do Arquipélago e, no momento do padecimento do Autor de Ilhas de Bruma, a melhor homenagem que lhe podemos prestar é propor que a sua criação musical e literária seja assumida como Hino Dos Açores.
Eu voto e quem vota mais? VICTOR PEREIRA [email protected]
COM TOTAL APOIO DA DIREÇÃO DA AICL COLÓQUIOS DA LUSOFONIA

Ora bem, em menos de 24 horas, centenas e centenas de pessoas nos fóruns da internet dedicados aos Açores (Info Açores, Açores Global, Ilhas de Brumas, e tantos tantos outros) manifestaram-se afirmativamente a esta proposta. Registou-se apenas uma voz contra  e todas as restantes eram unânimes….Aliás esta constatação já a vínhamos fazendo na sessão de abertura de os Colóquios da Lusofonia desde 2006 em que todos conheciam a letra e música de As Ilhas de Bruma e todos ficavam calados quando institucionalmente tínhamos de tocar o hino oficial…. Assim, sugerimos, a quem de direito a coragem de assumir o verdadeiro hino dos Açores em substituição do hino oficial que nada nem ninguém representa.
Com os melhores cumprimentos

--
J. CHRYS CHRYSTELLO,
Presidente da Direção [AICL, Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia]

artista português no Japão (txt em inglês)

 

Over the past fourteen years portuguese artist José de Guimarães created over 419 unique pieces/sculptures for the city of Kushiro, based on the island of Hokkaido in Japan.

(Bancos, Kushiro Civic Core, 2000)

Over the past fourteen years portuguese artist José de Guimarães created over 419 unique pieces/sculptures for the city of Kushiro, based on the island of Hokkaido in Japan.

(Bancos, Kushiro Civic Core, 2000)

José de Guimarães was born on 25 November 1939 in Guimaraes, Portugal. 
He studied in Portugal and in various European countries.
From 1967 to 1974, the artist resided in Angola, immersed in the culture and studying African ethnography and native art. 
This is when Guimarães began his fascinating project of synthesis: creating osmosis between the African and European cultures.
Guimarães’ fascination with other cultures continued to grow. 
In 1989, the artist worked closely with the Japanese culture creating various sculptures and public art pieces for the country. 
Numerous public works by Guimarães can be found in Tokyo, Kobe, Akita, Kyoto, Tsunami and Kushiro to name but a few cities. 
And other works are also on display in Japanese galleries and museums, including Fuji Television Gallery, Akemi Foundation, and many others.
Around 1993, the artist travelled extensively to Mexico to explore the archaeology and the richness of the culture. 
In 1996, Guimarães completed two azulejos murals for a metro station in Mexico. 
His “Mexico” series was exhibited in different European countries as well as in the Museum of Modern Art in Mexico (1997). 
The Mexican National Museum of Grabado organised a retrospective of Guimarães’ drawings.
In 1999, Guimarães inaugurated eight life-size, monumental sculptures – steel trees with neon lighting for a new “Art Garden” in Macao.
Back in his homeland, “Lisbonne”, a sculpture 26 meters high, was installed in la Plaça on 25 of April 2001 in the capital. 
The city’s mayor also organised a retrospective exhibition, “Cordoaria Nacional”.
In the same year, 2001, another retrospective exhibition was held in the Museum of Würth, Germany. 
2002 saw a selection of the artist’s pieces exhibited at Hillside Forum of Daikanyama in Tokyo and his contemporary works displayed at the Fuji Television Gallery. 
The artist also participated in the international exhibition “Haag Sculpture 2002” in the Netherlands. 
The public art piece, Deutsche Oper, was also created for a metro station in Berlin. 
In 2003, two retrospective exhibits were organized: one for the Caixanova cultural centre in Vigo, Ourense and Pontevedra, Spain and the second for the inauguration of the Forum Würth in Arlesheim,
Switzerland and in 2005 an anthological exhibition was organized in São Paulo, Brazil.
The international experience continues to add to the richness of the art, and deepened Guimarães’ creative purpose, to connect different cultures.
His upcoming exhibits include a solo show at the London Art Fair in January 2006 as well an exhibition of the artist’s works in Beijing during the Spring.
The Gallery Neupergama in Portugal exhibits the series, “The Battle of Carthage”.
His most recent pieces with neon lighting are permanently on display in Paris at Gallery Hélène Lamarque.
José de Guimarães was born in Portugal and educated throughout Europe. 
In the seventies, he spent seven years in Angola immersed in the study of African ethnography and art. 
It is at this point that Guimarães’ fascination with the synthesis, the osmosis, of different cultures began. 
And it is at this point he says he became an artist.
He developed an “alphabet” of symbols. 
It started in Angola, inspired by the inscriptions of the “Ngoygos”, the Cabinda tribe, but soon the alphabet became less ideographical, less tied to a place, and more universal, more automated. 
The aim was not to capture a singular idea/object unique to a place, but one that was trans-cultural yet personal, a metamorphosis of European and African archetypes and ideas. 
He has since journeyed to Asia and Mexico, and his alphabet has evolved to incorporate his experiences and observations from these other places.
The works are thus a combining and a superimposing of symbols, prototypes and myths. 
But they are not just anthropological: in their formal and ideological automatism, they also have philosophical implications. 
In assimilating, metamorphosing, Guimarães is interested in the expansion of the Being. 
As the artist states, “my creative purpose has a true sense of interconnection among the different, cultures I have deeply observed in order to produce a peaceful and a utopian melting pot of cultures.
”For forty years the artists has created baroque work, exuberant with complete freedom and spontaneity, trying to capture the range of universal human joy and tragedy.
In the exhibition at the London Art Fair – Art Space, he presents his most recent works which use neon lights, in addition to his characteristic combination of paintings, sculptures, cut objects, boxes and relics. 
In fact, the use of neon marks a change in the design and representation of the alphabet. 
If, during the second half of the 20th century, the incorporation of the “Fee Electricite” (as in the eponymous painting by Dufy) appears in plastic art to renovate the work on shade and darkness, then Guimarães’ ideal is quite different. 
He chooses neon as a symbol of today’s urban environment.
He first used neon in a public artwork at the Carnide metro station in Lisbon in 1998, as a source of light both tangible and malleable. 
The light creates a new power in the colour, which emerges like an aura. 
The light conveys an allegorical meaning: the medium is spiritual, providing energy to his symbols. 
At the same time, it also creates intervals between his recurrent forms. 
In this way, a new syntax is created to connect his alphabets.
“Religare” (to connect in Latin) could be the leitmotiv for his works: not only to connect cultures, but also to connect the archetypes of traditional and modern life.

Luis Almeida Pinto's photo.

página global 31 março 2014

PÁGINA GLOBAL


Angola: Crise na unidade de operações especiais “Chacal” da Presidência da República

Posted: 30 Mar 2014 02:12 PM PDT

Folha 8 – 29 março 2014
O regime vai dan­do sinais de estar a corroer por den­tro, mes­mo em sectores onde a cautela é imprescindível, como os órgãos de Defe­sa e Segurança, afectos a Presidência da República.
Numa carta de reclama­ção, dirigida ao Presiden­te da República a que F8 teve acesso, os militares da Unidade de Operações Especiais “Chacal”, de­nunciam o facto de mes­mo depois do calar das armas, continuarem a re­ceber em folha de salário, por debaixo das árvores, mediante a “vontade” dis­cricionária dos superiores hierárquicos, que aplicam descontos aleatórios. “Nós queremos os nos­sos salários nos bancos comerciais, como os ou­tros”, reclamam.
A unidade situada no bair­ro Benfica, em Luanda, no Centro da Instrução da UGP (Unidade de Guarda Presidencial) tem como comandante o tenente general, Francisco Lomba Dias dos Santos, “Lindo”, e adjunto o coronel San­tos, sendo composta por 382 efectivos comandos, todos descontentes, face a situação de alegados cortes salariais abusivos e não bancarizados.
Nesta conformidade ape­lam ao comandante – em – chefe das FAA, para pro­videnciar o seguinte:
1 – Estamos a ganhar na folha de salário que não nos possibilita fazer cré­dito bancário, conforme os nossos irmãos das uni­dades UGP e USP, que lhes permite terem uma vida estável, por poderem recorrer a empréstimos nos bancos comerciais.
2 – O fim das arbitrarie­dades cometidas pelo tenente general Lindo de expulsar efectivos da unidade, por qualquer falha, atentando contra o regulamento das Forças Armadas e da própria unidade. Neste momen­to 5 (cinco) operacionais, incluindo um excelente oficial superior, foram expulsos, como se a uni­dade fosse uma coutada familiar.
3 – Excelência, estes ope­racionais perderam o melhor dos seus anos na guerra, não são pedreiros, nem rodoleiros, mas ho­mens de Galili, treinados por instrutores israelitas em luta anti-terrorista, anti-guerrilha e navega­ção terrestre, desde o ano 2000 e até hoje estão sempre em manobras de desdobramento e tácti­cas, com esta atitude do comandante corremos o risco de aumentar o cli­ma de insatisfação entre a tropa.
4 – Acabar com o clima de intimidação e ameaças, como o último protago­nizado em Janeiro/2014, pelo comandante adjunto, coronel Santos, que em parada, ameaçou todos os que reclamam o pa­gamento dos salários no banco, que a satisfação desse desejo, resultará na baixa salarial, “porque vocês pertencem a tabela salarial do Exército. No entanto, senhor Presi­dente, desde o ano 2000, nós estamos na tabela da UGP, por sermos recruta­dos todos juntos e só nos separamos quando esco­lhemos ou nos indicam para uma especialidade e nós somos uma sub­-unidade, enquanto força especial da UGP.
5 – Nestas condições é justo que se passarmos a receber no Banco, apenas recebemos 30% e os ou­tros 70% continuaremos a receber em mãos? Como se explica isto? A metade do salário no banco e a outra metade nas mãos? Será que isto é mesmo regulamento das Forças Armadas Angolanas? ou uma sucursal empresarial da tia Joaquina do coman­dante Lindo?
6 – Nós já sabemos que isso é um roubo, mas tam­bém não é assim que se rouba, aos pobres milita­res garantes da segurança do Presidente da Repúbli­ca e outras instituições ; pois nós nem férias, tudo por o comandante ter transformado a unidade como se fosse uma lavra, quando muitos de nós, quer ao longo do curso como das acções morre­ram uns e outros perde­ram os membros superior e inferior.
7 – Querido comandante – em – chefe, se nada for feito, como líder sabe, que toda paciência tem limites e caso o comandante con­tinue com a sua arrogân­cia, prepotência e desvio dos salários da tropa, que um dia o quadro se pode­rá alterar. Ele ameaça-nos de desmobilização com­pulsiva, mas nós estamos a ser pacientes. Ele atacou primeiro a tropa, nós po­demos terminar. Quem ataca com AKM, pode es­perar uma resposta com PKM e TANQUES…Nós queremos evitar, mas não podemos ficar sem saída.
Pelo exposto, nós pedi­mos com todo respeito a sua Excelência Presidente da República, Eng.º José Eduardo dos Santos, es­pecial atenção nesta re­clamação da CHACAL, uma unidade militar es­pecial, preparada para a sua máxima segurança. Temos quase certeza, que não sabe sobre os proble­mas relatados e a actua­ção arrogante do general Lindo, que diz: “podem ir se queixar onde quise­rem, porque aqui mando eu e não me acontece nada”. Esse seu compor­tamento deriva também de passar a menagem de ser familiar directo do co­mandante em chefe, o que lhe garante imunidade.
Esperamos que essa men­sagem chegue até Sua Excelência Presidente da República, para que te­nhamos uma perspectiva de vida estável, como os outros militares da UGP, têm, porque afinal, tam­bém somos filhos desta terra”.
Este foi o clamor de mais uma unidade militar da Presidência da Repúbli­ca. Oxalá a situação seja resolvida e José Eduardo dos Santos consiga dar uma reprimenda aos seus lugares tenentes para dei­xarem de envergonhar um dos sectores mais sensíveis.
Países vizinhos da Guiné-Bissau avisam militares e políticos para não interferirem nas eleições

Posted: 30 Mar 2014 01:54 PM PDT

Os países vizinhos da Guiné-Bissau lançaram no sábado em Yamoussoukro, Costa do Marfim, um aviso para que os militares, forças de segurança e políticos guineenses não interfiram com as eleições gerais marcadas para 13 de abril.
Na 44.ª cimeira da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), presidentes e governantes “alertaram os membros das forças de defesa e segurança, assim como a classe política na Guiné-Bissau contra quaisquer atos que possam interferir na serenidade do processo eleitoral”, refere o comunicado final do encontro.
“Os autores de tais atos teriam que enfrentar duras consequências”, acrescenta.
A situação na Guiné-Bissau foi um dos temas na agenda da cimeira.
O país lusófono está prestes a realizar as primeiras eleições depois do golpe de Estado militar de abril de 2012, pondo fim a um período de transição suportado pela CEDEAO.
Foi ainda feito um apelo para que todos os candidatos, partidos políticos e apoiantes se afastem de “atos de provocação” e resolvam quaisquer disputas recorrendo a meios legais.
Durante a cimeira, os chefes de Estado e de Governo pediram ainda à União Africana e restante comunidade internacional para “acelerarem o levantamento de sanções à Guiné-Bissau” e trabalharem com a CEDEAO num programa pós-eleitoral “consensual” virado para as reformas estruturais do país.
A CEDEAO representa 15 Estados com uma população total de cerca de 300 milhões de habitantes anglófonos, francófonos e lusófonos (Guiné-Bissau e Cabo Verde).
Lusa, em RTP
PASSOS ADMITE ENTRADA DE MUGABE NA CPLP?

Posted: 30 Mar 2014 01:51 PM PDT

“CPLP deve evitar visão estática sobre países–membros”. “Ela (CPLP) não pode ser uma comunidade voltada para o passado, tem de estar voltada para o futuro e não pode, portanto, ficar centrada naqueles que a fundaram e constituíram”.
Escolho estas duas frases do discurso de PPC no Maputo. São suficientes para inferir que PPC apoia a entrada da Guiné Equatorial na CPLP.
Eu pensava que era a língua o elo aglutinador da CPLP mas, pelos vistos enganei-me. Depois pensei que talvez fosse a democracia , mas logo li que no dia 31 de Janeiro tinham sido executados sete pessoas na Guiné Equatorial. (Diz-se que foram todos de uma assentada , para o corredor da morte ficar limpinho até á entrada da CPLP).
Chego então à conclusão que o critério de entrada deve ser o dinheiro. Desde que pague a jóia ( o presidente Teodoro Obiang já a depositou no Banif) qualquer país pode entrar. Até a grande democracia do senhor Mugabe. E as ditaduras líbia, egípcia ou tunisina, se não tivesse havido aquela cena primaveril tão mentirosa como este início de Primavera em Portugal, seriam bem vindas.
Seja pois bem vindo, senhor Mugabe. Desde que tenha guito para nos dar, a CPLP deixa de ter uma visão estática, de ficar presa ao passado e vira-se para o futuro radioso dos ditadores corruptos.
Para mal de PPC, a ideia não é inovadora. A UE e os EUA também já esqueceram o passado e, virados para o futuro, derrubaram um ditador na Ucrânia, para colocar lá um fascista. E, a partir de Maio, a senhora Le Pen entrará triunfante no PE em Estrasburgo, reclamando ser a líder mais votada em França.
O futuro é risonho, porque deixamos de estar amarrados ao passado, na douta opinião desta escumalha que não aprendeu com a História recente.
Que Deus lhes perdoe, porque não sabem o que fazem
O GRAU DE DEMOCRACIA NO SEIO DOS PARTIDOS MOÇAMBICANOS

Posted: 30 Mar 2014 01:44 PM PDT

O MDM nomeará este fim-de-semana o candidato à Presidência de Moçambique. A previsível escolha levanta a questão sobre a existência ou não de democracia interna neste e nos outros partidos moçambicanos.
O Conselho Nacional do MDM reúne-se este fim-de-semana na província de Manica, no centro de Moçambique. Na agenda constam vários pontos: “Vamos avaliar o nosso desempenho nas eleições autárquicas. Vamos também discutir as linhas de força do nosso manifesto eleitoral e decidir a nossa estratégia eleitoral para este ano”, diz Lutero Simango, chefe da bancada parlamentar da segunda maior força da oposição moçambicana.
Para além disso, o MDM escolherá também o candidato do partido para a corrida ao lugar que ficará vago no palácio presidencial da Ponta Vermelha.
Até ao momento, dois nomes foram avançados publicamente, o já conhecido Daviz Simango, presidente do MDM, e esta semana, Paulino Candrinho.
O surgimento do nome de Candrinho, natural da província da Zambézia, como aspirante a candidato do MDM à Presidência levantou algumas dúvidas não só sobre a autenticidade da sua intenção, mas também sobre a capacidade de abertura deste partido a outras figuras que possam liderar.
O analista político moçambicano Egídio Vaz questiona a alternativa interna na oposição: “O MDM encenou uma coisa patética em Quelimane: Quando alguém apareceu numa sala a dizer que também queria concorrer contra Daviz Simango e foi publicamente enxovalhado e televisionado”, recorda Vaz. “Isso também demonstra que esses partidos ainda não estão preparados ou minimamente organizados para poderem construir alternativas dentro dos próprios movimentos políticos. Não temos nesses partidos políticos esses elementos de ‘alternativa interna'”.
Falta de democracia dentro dos partidos
Mas qual é o nível de democracia no seio dos partidos moçambicanos? Formalmente, existem estatutos que, na sua maioria, são baseados na livre escolha. E o MDM não foge à regra, segundo explicações do chefe da bancada parlamentar deste partido.
No MDM, as candidaturas são apoiadas por membros internos, sendo posteriormente submetidas ao Conselho Nacional do partido. Só depois os membros escolhem o seu candidato. Mas antes os aspirantes fazem a sua campanha de recolha de apoio dentro do partido. Com base nisso, pode-se afirmar que há democracia no MDM?
“Há democracia, na medida em que respeitamos as liberdades individuais, respeitamos o direito à liberdade de expressão”, responde Lutero Simango. “Mas obviamente trata-se uma democracia interna de acordo com o espírito dos estatutos. Temos os estatutos do partido e é através desses estatutos que se guiam todos os procedimentos.”
Dhlakama: sempre candidato
Já a RENAMO, o maior partido da oposição, por exemplo, desde o início do multipartidarismo sempre teve como candidato o líder do partido, Afonso Dhlakama, embora outros membros o tenham tentado.
De acordo com o seu porta-voz, António Muchanga, a RENAMO aguarda que a crise político-militar termine para que seja escolhido oficialmente o seu candidato. Embora Muchanga diga que os membros são livres de se candidatarem, paradoxalmente o partido já afirmou que tenciona apresentar Dhlakama como o seu candidato.
“Queremos propô-lo a ele, por causa do trabalho que ele fez. A nível do secretariado e outros quadros contactados há correspondência de que o presidente Afonso Dhlakama tem que se recandidatar”, diz o porta-voz do líder da RENAMO. “Ele não se vai auto-candidatar. Será candidatado pelo secretariado do partido.”
FRELIMO está “mais avançada”
Por causa deste tipo de atuação é que Egídio Vaz defende que a liderança destes partidos tem uma natureza carismática, cuja formação gravita em torno do seu líder, pois eles são os inspiradores. Vaz fala mesmo em candidaturas automáticas e considera que os partidos moçambicanos têm muito que andar no capítulo da democracia interna. “Em termos de democratização interna, ainda estão numa fase embrionária”, comenta.
Para o analista moçambicano, a FRELIMO está bastante mais avançada neste aspeto, “apesar de se reconhecer que, em alguns momentos, estes processos são condicionados em função da vontade do chefe.”
Deutsche Welle – Autoria: Nádia Issufo – Edição: Guilherme Correia da Silva / António Cascais
MNE timorense em Bruxelas para assinatura de acordo com a União Europeia

Posted: 30 Mar 2014 11:52 AM PDT

Díli, 30 mar (Lusa) – O chefe da diplomacia de Timor-Leste, José Luís Guterres, viajou hoje para Bruxelas para assinar um acordo com a União Europeia e participar numa conferência sobre o genocídio do Ruanda, anunciou o seu gabinete, em comunicado.
“Na Bélgica, o ministro timorense irá assinar um Acordo Financeiro do Fundo Europeu de Desenvolvimento, na área de gestão das finanças públicas”, refere o documento.
Durante a sua estada, José Luís Guterres vai também participar na Conferência Internacional para a Prevenção do Genocídio, para assinalar o 20.º aniversário do genocídio do Ruanda, que conta a participação do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon.
De Bruxelas, o chefe da diplomacia timorense viaja para a China para acompanhar a visita oficial do primeiro-ministro, Xanana Gusmão, àquele país e para participar na conferência internacional sobre desenvolvimento económico e cooperação na Ásia.
MSE // VM – Lusa
Milhares de manifestantes antigovernamentais voltam às ruas de Banguecoque

Posted: 30 Mar 2014 11:48 AM PDT

Banguecoque, 29 mar (Lusa) – Milhares de pessoas manifestaram-se hoje nas ruas de Banguecoque, Tailândia, e noutras cidades do país num protesto que visa a demissão do Governo interino liderado por Yingluck Shinawatra.
Sob o comando do antigo vice-primeiro-ministro Suthep Thaugsuban, os manifestantes chegaram a ocupar os jardins da sede do Governo, gritando slogans contra o executivo que acusam de corrupção e fraude eleitoral.
“Este protesto é mais uma demonstração de que queremos uma reforma nacional imediata”, disse Suthep Thaugsuban, que abandonou o seu lugar de deputado do Partido Democrata para liderar os protestos que já duram desde novembro do ano passado.
O mesmo responsável, citado pelo diário Bangkok Post, garantiu que qualquer tentativa de realizar eleições será boicotada pela população.
Apesar de pacíficas no início, as manifestações antigovernamentais na Tailândia provocaram vários episódios de confronto com as forças de segurança e entre apoiantes e detratores do Governo, que fizeram 11 mortos e mais de 600 feridos.
Recentemente, o Tribunal Constitucional tailandês anulou as eleições de fevereiro porque o ato eleitoral não foi possível em 28 dos 376 círculos eleitorais devido ao boicote dos manifestantes antigovernamentais, que impediram o registo de candidatos.
A Tailândia vive desde 2006 uma crise política iniciada com o golpe militar que afastou do poder Thaksin Shinawatra, irmão de Yingluck, acusado, julgado e condenado por corrupção, mas que nunca cumpriu pena por ter abandonado o país antes do julgamento.
Thaksin Shinawatra é acusado de controlar o Governo da sua irmã a partir do exílio no Dubai.
JCS // VM – Lusa
Luta anti-corrupção na China pretende “combater ao mesmo tempo as moscas e os tigres”

Posted: 30 Mar 2014 11:44 AM PDT

António Caeiro, da Agência Lusa
 
Pequim, 30 mar (Lusa) – O Partido Comunista Chinês (PCC) assumiu há muito o combate à corrupção como “uma luta de vida ou de morte” para a sua permanência no poder, mas a atual campanha é considerada mais persistente e ampla do que era habitual.
Em menos de ano e meio, dezenas de quadros com estatuto de ministro ou vice-ministro foram presos, entre os quais vários líderes regionais e gestores de grandes empresas estatais associados a um antigo membro do Comité Permanente do Politburo do PCC, a cúpula do poder.
Numa recente entrevista à agência Bloomberg, o professor Andrew Wedeman, autor do ensaio “Double Paradox: Rapid Growth and Rising Corruption in China” (2012), foi perentório: “Esta campanha contra a corrupção de alto nível é a mais sustentada desde o advento das reformas económicas, no início da década de 1980”.
Após o XVIII Congresso do PCC, em novembro de 2012, a própria Comissão Central de Disciplina do partido ganhou um protagonismo inédito e o seu sítio na Internet, criado em setembro passado, já foi visitado 230 milhões de vezes.
O princípio enunciado pelo novo secretário-geral do partido e atual Presidente da República, Xi Jinping, tornou-se uma fórmula popular “Combater ao mesmo tempo os tigres e as moscas. Sem exceções”.
Em 2013 foram investigados “31 funcionários de elevado perfil” e só este mês, houve mais três vice-governadores provinciais (de Yunnan, Hainan e Jiangxi), afastados por “graves violações da disciplina”, a expressão habitualmente utilizada para designar os crimes de corrupção e abuso de poder.
Entre os “tigres” já capturados figuram um ex-vice-ministro da Segurança Pública, Li Dongsheng, e um ex-diretor do gabinete que supervisiona as grandes empresas estatais (SASSAC), Jiang Jiemin.
Ambos têm sido associados a Zhou Yongkang, antigo membro do Comité Permanente do Politburo, que foi responsável pelo aparelho de segurança da China e que segundo a imprensa de Hong Hong, está agora sob detenção domiciliária.
A atual campanha tem sido especialmente incisiva no setor da energia, e em particular na indústria petrolífera, onde Zhou Yongkang fez parte da sua carreira. Quatro administradores da China National Petroleum Corporation foram presos no verão passado.
Se Zhou Yongkang for incriminado será o mais alto líder do PCC a responder em tribunal por corrupção desde a fundação da República Popular da China, em 1949.
Bo Xilai, ex-secretário do PCC em Chongqing, condenado em setembro passado a prisão perpétua por corrupção, fraude e abuso do poder, era um dos 25 membros do Politburo, mas não pertencia ao seu Comité Permanente, na altura composto apenas por nove elementos.
Universidades e Forças Armadas estão também a ser investigadas, numa campanha que visa igualmente os banquetes faustosos, a compra de automóveis de luxo e outras manifestações de “extravagância” contrárias à “frugalidade” defendida pela nova liderança.
Há duas semanas, numa conferência de imprensa em direto pela televisão, o primeiro-ministro, Li Keqiang, prometeu “tolerância zero” com os funcionários corruptos e assegurou que a campanha anticorrupção “vai continuar com perseverança”.
“Independentemente da posição que ocupa, quem violar a disciplina do Partido e a lei do país será punido de acordo com a lei”, disse Li Keqiang.
O caso não é para menos: “Se não conseguirmos controlar essa questão, isso poderá ser fatal para o Partido e até causar o colapso do Partido e a queda do Estado”, alertou o antecessor de Xi Jinping, Hu Jintao, no XVIII Congresso do PCC.
AC // VM – Lusa
 
ACADEMIA CHINESA LANÇOU DOUTORAMENTO EM MARXISMO

Posted: 30 Mar 2014 11:39 AM PDT

Pequim, 29 mar (Lusa) – A Academia de Ciências Sociais da China, considerada um dos principais centros de reflexão do país, lançou um doutoramento em marxismo, correspondendo a uma “instrução da liderança central” do Partido Comunista Chinês, disse hoje a agência noticiosa oficial Xinhua.
Oficialmente, o marxismo-leninismo continua a ser um “princípio cardial” do Partido Comunista Chinês, mas a designação do curso não engloba as teorias defendidas por Valdimir Ilitch Lenine, o fundador do estado soviético.
No plano económico, o PCC já reconhece o “papel decisivo do mercado”, uma ideia impensável nos países governados outrora por partidos marxistas.
O novo doutoramento começou na sexta-feira, com cem alunos selecionados entre 1.075 candidatos através de testes escritos e entrevistas, indicou a Xinhua.
“Filosofia Marxista”, “Economia Política Marxista”, “Ciências Jurídicas Marxistas”, “Etnologia Marxista” e “Jornalismo Marxista” são algumas das quinze disciplinas do curso.
AC // VM – Lusa
Portugal – 25 Abril: A Constituição revolucionária revista sete vezes em 38 anos

Posted: 30 Mar 2014 07:21 AM PDT

A Constituição da República foi aprovada a 2 de abril de 1976 e sofreu sete revisões desde essa data, três das quais bastante extensas e quatro mais curtas, relacionadas com a adesão a tratados internacionais.
Dois anos depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, a Assembleia Constituinte aprovou a Constituição, que consagrava a transição para o socialismo, a nacionalização dos principais meios de produção e mantinha os militares no exercício do poder político, através do Conselho da Revolução.
Apenas o CDS votou contra, quebrando a unanimidade dos votos favoráveis do PS, PPD, PCP, MDP/CDE, UDP e do ADIM.
A primeira revisão ocorreu em 1982, visando diminuir a carga ideológica e revolucionária, tornar menos rígido o sistema económico e extinguir o Conselho da Revolução.
Foi criado o Tribunal Constitucional com competência para fiscalizar a constitucionalidade das leis, que tinha sido até então assegurada pelo Conselho da Revolução, habilitado por uma Comissão Constitucional.
As mudanças na linguagem revelaram opções políticas e ideológicas: substituiu-se a “criação de condições para o exercício democrático do poder pelas classes trabalhadoras” por “realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa”.
A revisão de 1982 instituiu no texto legislativo a qualificação da República Portuguesa como um Estado de Direito, que estava apenas consagrado no Preâmbulo.
A revisão foi aprovada a 12 de agosto de 1982 com 195 votos a favor dos deputados do PSD, CDS, PS, PPM e da Ação Social-Democrata Independente, da União de Esquerda para a Democracia Socialista.
O PCP e a UDP votaram contra e registou-se uma abstenção de um deputado do Movimento Democrático Popular. Sete anos depois, em 1989, foi revogada a irreversibilidade das nacionalizações e desconstitucionalizou-se o conceito de “reforma agrária” mantendo-se o objetivo da “eliminação dos latifúndios”.
Retirou-se a expressão “sociedade sem classes”, substituída por “sociedade livre, justa e solidária”.
No plenário de 01 de junho votaram a favor PSD (menos quatro votos contra, entre os quais Guilherme Silva), PS (dois votos contra, incluindo Manuel Alegre), CDS e Partido renovador Democrático (PRD), que registou um voto contra, de Natália Correia, e uma abstenção, de Marques Júnior.
Contra votaram também PCP, Os Verdes e ainda dois independentes, enquanto outra independente, Helena Roseta, se absteve.
A terceira revisão constitucional, em 17 de novembro de 1992, destinada à ratificação do tratado de Maastricht, foi aprovada com os votos a favor do PSD e do PS, votos contra dos 13 deputados do PCP, do deputado de Os Verdes, os quatro do CDS, dois independentes e a abstenção do deputado do Partido da Solidariedade Nacional (PSN).
Nesta revisão, ficou consagrada a possibilidade de voto para as eleições europeias de cidadãos europeus a viver em Portugal e da adesão a uma moeda única.
Em 1997, os dois maiores partidos aprovaram em setembro a quarta revisão, com os votos contra do CDS-PP, PCP, Verdes, o socialista Manuel Alegre e as abstenções de oito socialistas.
Aumentaram-se os poderes da Assembleia da República, do Tribunal Constitucional, e possibilitaram-se as candidaturas independentes às eleições autárquicas.
Em 2001, a lei fundamental portuguesa alterou-se para se adaptar às disposições do Tribunal Penal Internacional.
PS, PSD e CDS-PP aprovaram em 04 de outubro a quinta revisão extraordinária, com os votos contra do PCP, Verdes, Bloco de Esquerda, e ainda três votos contra e uma abstenção na bancada socialista.
Manuel Alegre, Medeiros Ferreira e Marques Júnior foram os históricos socialistas que criticaram a possibilidade de Portugal passar a entregar suspeitos de crimes graves a outros países europeus, mesmo que sujeitos a penas perpétuas, o que também levou Helena Roseta a abster-se.
A revisão de 2004 visou dar mais autonomia às regiões, substituir o “ministro da República” por “representante da República” e dar mais poderes às assembleias regionais.
Foi aprovada em plenário a 23 de abril com 183 votos a favor da maioria PSD/CDS-PP e do PS e 14 votos contra do PCP, Bloco de Esquerda e Os Verdes.
Incluiu-se ainda na Constituição o princípio da limitação de mandatos dos titulares de cargos políticos executivos e reforçaram-se as disposições contra a discriminação em função da orientação sexual.
Pouco mais de um ano depois, o Parlamento aprovava em 22 de junho de 2005 o aditamento de um novo artigo à Constituição para permitir referendos aos tratados de construção europeia com os votos do PS, PSD, CDS-PP e Bloco de Esquerda e 13 abstenções do PCP e Verdes.
O oitavo processo de revisão, iniciado em 16 de setembro de 2010, parou quando o primeiro-ministro socialista José Sócrates se demitiu em 2011, provocando a dissolução da Assembleia da República e o fim da XI legislatura.
Lusa, em Notícias ao Minuto
Joaquim Azevedo: “NATALIDADE QUESTIONA SOBREVIVÊNCIA” DE PORTUGAL

Posted: 30 Mar 2014 07:14 AM PDT

Joaquim Azevedo, membro do Conselho Nacional de Educação e ex-secretário de Estado, foi a pessoa escolhida pela lista social-democrata para ajudar com o problema da quebra de natalidade que, diz o próprio ao Diário de Notícias, “questiona a sobrevivência deste projeto cultural que se chama Portugal”.
“É preciso sacudir as cabeças e fazer com que os portugueses acordem para uma realidade. Temos estado a tentar atirar o lixo para debaixo do tapete e não temos percebido que está em causa a própria sobrevivência deste projeto cultural que se chama Portugal”, afirmou Joaquim Azevedo, em entrevista ao Diário de Notícias.
O antigo secretário de Estado, que foi apresentado pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, como coordenador de uma equipa de trabalho sobre questões de natalidade que irá trabalhar o tema e apresentar propostas ao Governo, afirma que o problema está além do Governo e deve encarado como um problema da sociedade.
“Se o problema fosse do Governo ou de meia dúzia de pessoas, então reuníamos com essa meia dúzia de pessoas e dávamos as melhores condições possíveis para terem filhos. O problema não é esse, é global, de toda a sociedade”, sustentou o docente.
Joaquim Azevedo sublinhou que, mais do que medidas fiscais, é preciso “tornar os espaços laborais amigos da natalidade e das crianças” ou atentar na prioridade que é preciso na organização do sistema de apoio para as crianças dos 0 aos 3 anos.
No entanto, sustentou o social-democrata, “não se pode falar de uma política amiga da natalidade e das crianças quando se corta prestações sociais que são fundamentais para muitos agregados familiares”.
Anabela de Sousa Dantas – Notícias ao Minuto
 
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Portugal: Idosos “usados como cobaias um dia deixarão de votar no PSD/CDS” – Mendes

Posted: 30 Mar 2014 07:11 AM PDT

Luís Marques Mendes considerou, esta noite, que o Governo errou ao dizer que não haveriam mais cortes, tendo mais tarde desmentido a promessa que tinha feito. O comentador defende que este Executivo em vez de apaziguar os portugueses, está constantemente a assustá-los, sobretudo os mais idosos, o que o leva a afirmar que falta a estes governantes a escola da vida.
“Acho que isto é uma trapalhada monumental”. Foi desta forma que Luís Marques Mendes começou por definir a forma como o Governo afirmou esta semana que não iria proceder a mais cortes, tendo mais tarde voltado atrás com a sua palavra.
Para o comentador do ‘Jornal da Noite’ da SIC, não se compreende como é que numa semana “em que o Governo tem boas notícias económicas, a sua gestão política piora”, assustando os “dois milhões de reformados portugueses que são os mais vulneráveis e que estão a ser tratados como cobaias” . “O Governo em vez de ser bombeiro é um incendiário”, defendeu.
O social democrata considera que o executivo de Pedro Passos Coelho não deve insistir em aplicar as suas medidas sobre os mais idosos, alertando para o facto de “um dia destes não haver um único reformado a votar no PSD ou no CDS” e “com toda a razão”.
Por isso, defende que estes devem ter uma maior sensibilidade e sublinha que “os governantes não podem ter apenas a educação da universidade mas também a escola da vida”.
Por fim, e com base neste descontentamento, diz que o partido poderá ser surpreendido com maus resultados nas próximas eleições, o que leva o comentador a defender que António José Seguro está a ser beneficiado por estas políticas. “Seguro pode enviar um bilhete a Passos a agradecer pois será graças a ele que ganhará as eleições”, afirmou.
Andrea Pinto – Notícias ao Minuto
Portugal: FALSA PETIÇÃO PÚBLICA “MANIFESTO 74” INDUZ PARTICIPANTES EM ERRO

Posted: 30 Mar 2014 05:09 AM PDT

Foi exatamente ontem que no Página Global inserimos o título Portugal: MANIFESTO 74 PROMOVE PETIÇÃO À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA e inclusive assinámos a petição que julgávamos autêntica, estranhámos contudo que somente pouco mais de 300 pessoas tivessem aderido. No texto deixámos o link. Sem sabermos era o link errado, não da autêntica petição – que neste momento se aproxima das 8 mil assinaturas. Já fizemos as devidas correções.
Estranhamos o facto de existir uma petição de caráter desviante, falsa, e gostariamos de saber a razão de sua existência. Provavelmente não viremos a satisfazer a nossa curiosidade, sendo certo que, para já, não a devemos considerar de boas intenções, antes pelo contrário, assim como aos seus promotores.
Cumpre ao Página Global agradecer aos que nos comentários alertaram para o facto de apresentarmos o link da Petição Falsa. Satisfaz-nos o facto de mesmo agora constatarmos que somente 368 pessoas a assinaram por engano (incluindo nós). Não será demais desmascarar esta falsa petição.
Deixamos agora a PETIÇÃO CERTA com quase 8 mil assinaturas (o dobro daquilo que é exigido por lei). Certamente que muito mais participantes vão aderir. Isto, se estiverem atentos e não assinarem a PETIÇÃO ERRADA, a falsa e de intenções dúbias.
Redação PG – MM
Portugal – Petição: Quase 6 mil assinaram Manifesto 74 para reestruturação da dívida

Posted: 30 Mar 2014 03:58 AM PDT

A petição que visa a reestruturação da divida pública portuguesa, colocada ‘online’, quase chegou hoje às 6 mil assinaturas, podendo descer ao plenário da Assembleia da República.
A petição foi disponibilizada pelo movimento Manifesto 74, que reúne personalidades de todos os quadrantes da sociedade portuguesa, e necessitava de um mínimo de 4.000 assinaturas para ir a discussão no parlamento.
Às 06h40 de hoje tinha 5.963 signatários.
A petição visa que os deputados aprovem “uma resolução recomendando ao Governo o desenvolvimento de um processo preparatório tendente à reestruturação honrada e responsável da dívida”, como se salienta na página oficial do Manifesto 74.
“O abaixamento significativo da taxa média de juro do ‘stock’ da dívida, a extensão de maturidades da dívida para 40 ou mais anos e a reestruturação, pelo menos, de dívida acima dos 60% do Produto Interno Bruto (PIB), tendo na base a dívida oficial”, são as condições preconizadas pelos signatários.
A iniciativa do Manifesto 74 visa ainda que a Assembleia da República desencadeie “um processo parlamentar de audição pública de personalidades relevantes” sobre a reestruturação da dívida de Portugal, contraída no âmbito do programa de reajustamento.
O constitucionalista Jorge Miranda, um dos subscritores da petição à Assembleia da República, realçou hoje a necessidade de aprofundar o debate na sociedade, porque, salientou, “o problema vai-se agravando”.
Jorge Miranda disse que “o sentido essencial da petição” é o de “tornar patente perante a Assembleia da República, perante o órgão representativo dos cidadãos, o órgão por excelência do mundo democrático, toda a problemática que está à volta da dívida e a necessidade de reponderar o problema, o que não tem sido feito até agora”.
“À medida que o tempo vai passando e que os juros da dívida vão sendo pagos, não nos conseguimos libertar da dívida e o problema vai-se agravando”, considerou o constitucionalista.
Além de Jorge Miranda, assinaram a petição Alfredo José de Sousa (ex-provedor da Justiça), Lídia Jorge (escritora), Pinto Ramalho (ex-chefe do Estado Maior do Exército), Melo Gomes (ex-chefe do Estado Maior da Armada), Januário Torgal (ex-bispo das Forças Armadas), Seixas da Costa (ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus), Eugénio da Fonseca (presidente da Cáritas Portuguesa), Pacheco Pereira (professor universitário) e Ana Gomes (eurodeputada), entre outros.
O Manifesto 74, intitulado “Reestruturar a dívida insustentável e promover o crescimento, recusando a austeridade”, foi igualmente subscrito por 74 economistas estrangeiros.
Dois dos subscritores, Sevinate Pinto e Vítor Martins, consultores do Presidente da República, foram exonerados por Cavaco Silva.
Lusa, em Notícias ao Minuto
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Brasil: POLÍCIA DO RIO OCUPA E “PACIFICA” FAVELAS DO COMPLEXO DA MARÉ

Posted: 30 Mar 2014 04:10 AM PDT

A polícia do Rio de Janeiro e o Exército brasileiro começaram a ocupar e “pacificar” o enorme conjunto de favelas do Complexo da Maré, norte da cidade, informa o jornal Folha de São Paulo.
Nesta operação, que ocorre a 74 dias do início do Mundial de Futebol, participam 1.180 homens de Batalhões especializados da Polícia militar e 132 polícias, apoiados por 14 blindados da Marinha, além de aviões não tripulados das Forças Armadas e da polícia Federal, adianta o jornal brasileiro.
Bastião do tráfico de droga, considerado como um dos locais mais perigosos da cidade do Rio de Janeiro, o Complexo da Maré, com 130 mil habitantes, está situado numa zona estratégica por onde passarão multidões de apoiantes durante o Mundial, a poucos quilómetros do aeroporto internacional.
Esta ocupação do Complexo da Maré ocorre no âmbito do processo de “pacificação” desencadeado em 2008 com a instalação de 38 Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) em 174 favelas, com o objetivo de apanhar os traficantes de droga.
Desde janeiro deste ano, oito polícias, incluindo quatro da UPP, morreram em serviços e as UPP têm sido atacadas nas últimas semanas alegadamente pelo crime organizado.
Lusa, em Notícias ao Minuto
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ANGOLA RECEBE EDIÇÃO DE 2014 DOS JOGOS DA CPLP

Posted: 30 Mar 2014 03:30 AM PDT

Os IX Jogos Desportivos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) decorrerão em Angola entre os dias 23 de julho e 02 de agosto deste ano, decidiu hoje em Luanda a Comissão Permanente do evento.
Segundo a agência Angop, no encontro participaram os diretores-gerais do Desporto de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.
A competição será feita nas modalidades de andebol sub-17 (feminino), atletismo sub-16 (ambos os sexos) nas especialidades de estafeta olímpica (100, 200, 400 e 800 metros), individuais (100, 200, 400 e 800 metros), salto em comprimento e lançamento de peso.
Outras modalidades presentes são basquetebol sub-16 (masculino), futebol sub-16 (masculino), judo sub-17 (ambos os sexos), natação de águas livres sub-17 (ambos os sexos), ténis sub-16 (ambos os sexos), ténis de mesa sub-17 (ambos os sexos) e voleibol de praia sub-17 (ambos os sexos).
Segundo as conclusões finais da reunião, cada delegação será constituída por 132 pessoas, entre atletas e dirigentes, e a inscrição, com a indicação das modalidades e número global de participantes, sem indicar nomes, deve ser efetuada até 30 de abril, enquanto a inscrição nominal das delegações deve ser efetuada até 30 de maio.
Angola volta a receber os Jogos da CPLP, que organizou em 2005, desta vez em substituição de São Tomé e Príncipe, que desistiu por falta de condições logísticas.
Lusa, em Notícias ao Minuto
Presidente de São Tomé e Príncipe diz que é possível ser um “país modelo”

Posted: 30 Mar 2014 03:27 AM PDT

O Presidente são-tomense, Manuel Pinto da Costa, defendeu hoje ser possível fazer de São Tomé e Príncipe um “país modelo” na sua região e “renovar a esperança” de ter um país diferente.
“Somos capazes de conseguir fazer do século XXI o século da afirmação de São Tomé e Príncipe como país modelo da sua região em África”, disse Pinto da Costa no final do debate Diálogo Nacional, promovido pela Presidência e no qual foram aprovadas mais de uma centena de recomendações.
Para o estadista são-tomense, que dirigiu pessoalmente os trabalhos durante seis dias, “é preciso encontrar, apesar das diferenças, os consensos necessários para a tão reclamada mudança, para fazer o país avançar rumo ao progresso e assim vencer, no mais curto espaço de tempo, o seu grande desígnio, que é o combate a pobreza”.
O governante afirmou ser também possível “renovar a esperança num país diferente, na reconciliação da família santomense e num futuro de união, de paz, tolerância e liberdade, democracia, progresso e desenvolvimento”.
“Este é, sem dúvida, um objetivo ambicioso mas que está ao nosso alcance, pois, se vencemos a escravatura e vencemos o colonialismo, saberemos mais uma vez vencer com realismo esse desafio”, acrescentou.
Manuel Pinto da Costa disse que o país já “deu um passo exemplar” rumo à mudança e ao combate à pobreza, num “exemplo de cidadania”, mas sublinhou que é preciso agora “trabalhar muito e arduamente para concretizar o sonho de mudar” efetivamente São Tomé e Príncipe.
“A forma como decorreu esse trabalho permite-me retirar uma conclusão simples: o Diálogo Nacional veio para ficar e, estou certo, constituirá um valioso instrumento estratégico ao serviço da grande coligação de vontades, tão necessária ao desenvolvimento de São Tomé e Príncipe”, declarou.
O Diálogo Nacional, que se prologou durante seis dias e teve como temas principais o reforço da democracia, a promoção do desenvolvimento económico, social e cultural e a moralização da sociedade, aprovou mais de uma centena de recomendações cuja forma de aplicação var ser discutida por uma comissão criada para o efeito.
Entre as recomendações mais importantes figura a possibilidade de atribuição de cidadania são-tomense aos cabo-verdianos, angolanos e moçambicanos que trabalham e residem em São Tomé e Príncipe há mais de 40 anos.
A necessidade de reposição da autoridade do Estado é referida também como “uma causa nacional”, incluindo ainda as recomendações a reforma da justiça e da administração pública e a limitação de mandatos dos deputados e dos presidentes das câmaras municipais e do presidente do governo regional.
Fradique de Menezes, antigo Presidente da República, participou neste último dia de trabalhos.
Lusa, em Notícias ao Minuto
 
Projeto: Camponeses da Guiné-Bissau lançam marca de produtos agrícolas

Posted: 30 Mar 2014 03:21 AM PDT

Uma associação de camponeses na Guiné-Bissau lançou hoje uma marca de produtos agrícolas e florestais intitulada “Sabores da Tabanca”, criada com apoio financeiro da União Europeia (UE), anunciou a delegação da UE em Bissau.
O projeto nasceu com a construção de 30 unidades de transformação agroalimentar nas tabancas (aldeias) da Região de Oio, no centro da Guiné-Bissau, e geridas pelas mulheres camponesas.
A castanha de caju, sumo de caju, manga fresca e também transformada em compota, são alguns dos exemplos de produtos escoados através de um canal de distribuição que chega a Bissau e hoje apresentados em Djalicunda.
Espera-se que a transformação agroalimentar tenha grande impacto na região, porque “permite reduzir as perdas dos produtos agrícolas e florestais”, evitando problemas periódicos de escassez de alimentos, e “favorece a criação de empregos”, destaca a UE em comunicado.
O objetivo do projeto é ambicioso: envolver 600 camponeses de 30 tabancas da região, criar cerca de 180 empregos para mulheres e jovens e garantir o funcionamento efetivo de um centro de experimentação e controlo de qualidade.
Num país em que a agricultura ainda funciona de forma rudimentar e sobretudo para subsistência das comunidades, a UE pretende promover a mecanização do transporte das produções agrícolas e abrir novos circuitos comerciais.
O projeto intitulado “Melhoria da Segurança Alimentar, Promoção Económica das Fileiras Agrícolas e Florestais”, tem três anos de duração e um financiamento a rondar 633 mil euros, cofinanciado a 89% pela UE e a 11% pelos parceiros de implementação – Federação Camponesa KAFO Djalicunda, Agência Francesa de Desenvolvimento e Comité Francês para a Solidariedade Internacional.
Lusa, Notícias ao Minuto
MpD: Maior partido da oposição insiste em “novo rumo” para “salvar” Cabo Verde

Posted: 30 Mar 2014 03:18 AM PDT

O presidente do Movimento para a Democracia (MpD, oposição cabo-verdiana) insistiu hoje nas críticas à política económica do Governo, defendendo um “novo rumo” para que o partido chegue ao poder em 2016 e “salve” o país.
Ulisses Correia e Silva falava na abertura da Direção Nacional do MpD, órgão máximo entre convenções, onde destacou o “fraco” crescimento económico (1,2% em 2012), alta taxa de desemprego (16,7%) e elevados índices de pobreza (25%), que têm provocado a deterioração da segurança e endividado o país (98% do PIB).
“Mais de 130.000 pessoas (de uma população estimada em meio milhão de habitantes) vivem com menos de 150 escudos (1,36 euros) por dia e mais de 90.000 estão no desemprego ou no subemprego”, afirmou Correia e Silva, criticando os 13 anos de sucessivos governos do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).
“Que conceito é este de progresso que arrasta as pessoas para o desemprego, que coloca as famílias e os trabalhadores na pobreza, que coloca mais de 30% dos jovens fora do sistema escolar por falta de rendimento dos pais, que arrasta as empresas para a falência, que tem o país endividado e classificado como alto risco e lixo”, elencou.
Para o líder do MpD, eleito na convenção de junho de 2013 e que se mantém como presidente da Câmara da Cidade da Praia, o Governo de Cabo Verde “já deu sobejas provas” de que não vai conseguir mudar de rumo, uma vez que, disse, tem um conceito de desenvolvimento “desfocado das pessoas”.
“O momento económico e social é de grande responsabilidade. Entidades reputadas, como o Banco Mundial (BM), Grupo de Apoio Orçamental (GAO) e União Europeia (UE) caracterizam a situação económica e social atual como a mais crítica na história económica de Cabo Verde”, salientou.
Nesse sentido, afirmou que o MpD deve preparar-se para a tripla votação de 2016 – presidenciais, legislativas e autárquicas – para a vencer para que, depois, possa alterar as políticas e colocar Cabo Verde na lista dos primeiros dez pequenos países insulares avaliados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), das Nações Unidas.
Acusando o executivo de José Maria Neves, à frente dos sucessivos governos desde 2001, de ter “partidarizado” a administração pública, Correia e Silva afirmou que o primeiro-ministro “açambarcou” e “partidarizou” as agendas internacionais, como a da ONU Pós-2015, para promover a transformação económica de Cabo Verde até 2030.
Salientou que, com o MpD no poder – já foi Governo entre 1991 e 2001 -, haverá uma “nova geração de políticas económicas”, visando a redução do défice orçamental, a reavaliação da estratégia para criar impacto do investimento público no crescimento económico e o aumento da produtividade e da eficácia no setor público.
A aposta, insistiu, tem de ser no capital humano, mas também no Turismo, sustentabilidade ambiental, em que terá de prevalecer um Governo “reformista”, dando prioridade ao emprego e à focalização das políticas públicas na família e no país.
“A pobreza e a pobreza extrema, o desemprego elevado, a falta de rendimentos, a baixa competitividade, o abandono escolar e as altas taxas de mortalidade infantil não são fatalidades, mas resultados de atitudes e políticas concretas do Governo”, concluiu.
A Direção Nacional do MpD, de 51 membros, só apresentará os resultados da reunião, que prosseguiu à porta fechada, numa conferência de imprensa marcada para segunda-feira.
Lusa, em Notícias ao Minuto
UE/África: Fórum Económico mostra interesse comum em oportunidades de negócio

Posted: 30 Mar 2014 03:12 AM PDT

A analista Cristina Barrios, do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia afirmou que a realização de um Fórum Económico na véspera da IV Cimeira UE-Africa mostra o interesse comum em desenvolver oportunidades de negócio.
“As empresas europeias continuam a ter interesse em investir no continente africano, mas África também está empenhada em mudar o paradigma de que continua a precisar de ajuda para ser mais um parceiro”, disse à agência Lusa.
Mais do que a China ou América Latina, a União Europeia é o mercado mais atrativo para as exportações africanas por causa da proximidade, vincou.
O V Fórum Económico Africa-UE tem lugar a 31 de março e 01 de abril e deverá reunir cerca de 500 participantes, incluindo empresários do setor privado e representantes de governos dos dois continentes.
Nos dois dias seguintes, a 02 e 03 de abril, realiza-se a IV Cimeira UE/África, tem por tema “Investir nas Pessoas, Prosperidade e Paz”, elegendo como prioridades, entre outras, as questões da segurança e do reforço da cooperação económica.
Cristina Barrios vê no número de presenças confirmadas, cerca de 40 chefes de Estado e governo africanos e mais de 20 europeus, o “interesse dos dois lados em revitalizar esta parceria”.
As questões de paz e segurança, por serem mais urgentes e menos controversas, deverão aproximar europeus e africanos, na gestão de conflitos em países como a República Centro-Africana, Mali e Sudão do Sul.
Todavia, vincou a analista, “os parceiros africanos percebem que a UE apresenta-se numa fragilidade por causa da situação na Ucrânia”.
Outras questões, como a lei contra a homossexualidade no Uganda ou a imigração, deverão ser abordadas, mas de forma “politicamente correta” e sem grandes envolver grandes resoluções, previu.
A primeira cimeira UE/África, iniciativa que teve em Portugal um dos principais promotores, realizou-se em 2000 no Cairo, altura em que as duas partes expressaram o empenho em criar as condições para dar uma nova dimensão às relações entre os dois continentes.
A segunda decorreu em 2007, em Lisboa, durante a presidência portuguesa da EU e permitiu equilibrar as relações entre África e Europa, avançando-se das tradicionais doações para um sistema de parceria económica, de forma a enfrentar os novos desafios e as novas oportunidades geradas pela globalização da economia.
Tripoli, ainda no regime do então líder líbio, Muammar Kadhafi, recebeu a terceira cimeira, em 2010, tendo as duas partes definido com maior clareza os critérios para o cumprimento da Estratégia Conjunta acordada em Lisboa, sobretudo na transição da até então tradicional cooperação para os Acordos de Parceria Económica (APE), cujas negociações estão ainda longe de concluídas.
Lusa, em Notícias ao Minuto
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AMARANTE ATRAI ESCRITORES

Escritores internacionais convidados para trabalharem em Amarante

 | Norte
Fonte: Agência Lusa

Amarante, 28 mar (Lusa) – A Câmara de Amarante quer atrair escritores nacionais e internacionais para trabalharem e editarem os seus livros a partir daquela cidade, avançou hoje à Lusa o presidente da autarquia.

Segundo José Luís Gaspar, o projeto vai designar-se “Casa do Escritor” e terá como objetivo alojar figuras ligadas às letras, convidadas a permanecerem na cidade por “um período longo”, escrevendo os seus livros.

O edil acredita que este projeto será importante para “afirmar a imagem de Amarante”, enquanto terra de cultura, nos planos nacional e internacional.

“Vai ajudar uma lógica da internacionalização. Vamos dar a Amarante outra roupagem na área da escrita”, afirmou, enquanto sublinhava a importância que aquela dinâmica poderá ter para a atividade turística no concelho.

O presidente da autarquia falava hoje à Lusa a propósito do Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes, que a Associação Portuguesa de Escritores vai assumir, a partir deste ano, em colaboração com a Câmara de Amarante.

“A cultura é um bom veículo para dar maior expressão à nossa cidade, que poderá, através deste prémio, dar-se a conhecer ao mundo”, considerou.

José Luís Gaspar disse esperar que aquele concurso literário, pelo prestígio que tem, “vai permitir que grandes expositores concorram”.

Para o autarca, “com a conjuntura atual e o fluxo de turismo esperado, Amarante poderá posicionar-se noutro patamar”.

A estratégia da cidade passará por promover ainda mais a figura do poeta Teixeira de Pascoaes, que residiu naquele concelho.

“Teixeira de Pascoaes vai-se abrir-se ao mundo, porque a sua imagem nunca foi trabalhada desta forma e é um pecado capital não o fazer”, considerou.

Nesta fase, acrescentou, há contactos com universidades para tentar encontrar um modelo para trabalhar o que representa a vida e a obra do poeta, cujo espólio foi adquirido pela autarquia.

“Estamos a tentar encontrar soluções. Estamos a avaliar com muito rigor. Não precisamos de nos precipitar”, observou.

Sobre o grande prémio de poesia, Gaspar prometeu que, por altura da sua atribuição, haverá um programa de animação e promoção da cidade, criando-se “um cenário” à volta daquele evento, com a presença de grandes figuras da cultura portuguesa.

APM // JGJ

Lusa/fim

o voo do milhafre

“AS CIRCUNSTÂNCIAS E O MOMENTO”…

Lá de cima de uma frondosa criptoméria e à beira do seu ninho de onde se avistavam os nossos verdes prados e nossas milenárias serras, o milhafre empurrou gentilmente os seus filhotes para a beira do ninho.
Tinha chegado a hora do seu primeiro voo. O seu coração acelerou com a emoção do momento, sentindo a resistência dos filhotes.
Por que a emoção de voar tem que começar com o medo de cair? … Pensou o milhafre.
Abaixo da alta criptoméria, só o abismo e o ar para sustentar as asas dos pequenos milhafres.
Apesar do medo e a incerteza no seu subconsciente, o milhafre sabia que era aquele o momento. A sua missão estava prestes a ser completada, restava a tarefa final: o empurrão. Enquanto eles não aprenderem a voar não compreenderão o privilégio que é nascer milhafre, pensou. O empurrão era o melhor presente que naquela altura podia oferecer aos filhos. Era o seu supremo acto de amor.
Um a um precipitou-os no espaço. E, eles voaram!
Às vezes, na nossa vida de ilhéus as circunstâncias fazem o papel de milhafre. São elas que nos empurram para o abismo. Mas quem sabe se não elas, as próprias circunstâncias, que nos fazem descobrir que temos asas para voar.

Do texto “ o equilíbrio e o voo do milhafre!… Publicado no AO Set. 2005 “Opinião”
J. Ventura
(Para bom entendedor m eia palavra basta)

“AS CIRCUNSTÂNCIAS E O MOMENTO”…

Lá de cima de uma frondosa criptoméria e à beira do seu ninho de onde se avistavam os nossos verdes prados e nossas milenárias serras, o milhafre empurrou gentilmente os seus filhotes para a beira do ninho.
Tinha chegado a hora do seu primeiro voo. O seu coração acelerou com a emoção do momento, sentindo a resistência dos filhotes.
Por que a emoção de voar tem que começar com o medo de cair? … Pensou o milhafre.
Abaixo da alta criptoméria, só o abismo e o ar para sustentar as asas dos pequenos milhafres. 
Apesar do medo e a incerteza no seu subconsciente, o milhafre sabia que era aquele o momento. A sua missão estava prestes a ser completada, restava a tarefa final: o empurrão. Enquanto eles não aprenderem a voar não compreenderão o privilégio que é nascer milhafre, pensou. O empurrão era o melhor presente que naquela altura podia oferecer aos filhos. Era o seu supremo acto de amor.
Um a um precipitou-os no espaço. E, eles voaram!
Às vezes, na nossa vida de ilhéus as circunstâncias fazem o papel de milhafre. São elas que nos empurram para o abismo. Mas quem sabe se não elas, as próprias circunstâncias, que nos fazem descobrir que temos asas para voar.

Do texto “ o equilíbrio e o voo do milhafre!... Publicado no AO Set. 2005 “Opinião”
J. Ventura
(Para bom entendedor m eia palavra basta)

tertúlia João Araújo Correia

Não vem para aqui a história da oliveira. Seria a dos nossos passos em caminhadas de milénios. Seria encontrar, à luz de lucernas, em escavações meticulosas, restos de azeite em pios de moer. Seria perguntar a troncos esburacados se conheceram Vergílio ou se viram passar o pobrezinho de Assis. Também perguntaríamos à velha árvore por que demónio são bentos os seus ramos como símbolos de paz.
O que vem para aqui são as oliveiras do nosso agro. É o seu azeite, que o povo considera ouro. É o ciclo do seu fruto, que, segundo a cantiga, começa em verde-esperança e acaba em luto de viuvez. São as comas de prata fosca de árvores tão sérias, que lembram Herculano. É o lume crepitante da sua folhagem em lar serrano e a luz da candeia, única luz admissível, à parte o sol e o luar, por olhos de poeta. Disse-o, por palavras suas, Teixeira de Pascoaes.
O que nos importa é o azeite que tempera o nosso caldo verde e humaniza a divina troncha do Natal. É o líquido diáfano em que mergulha, ao sair do forno, o bacalhau assado nos restaurantes do Porto. Acabará de vez se pega de vez o óleo de giesta.
Há, na minha terra, à margem das vinhas, rosários de oliveiras. Árvores abençoadas, rezam pelo homem noite e dia. Mal empregada reza se a mulher, que manda no homem, o obriga a adoptar o óleo de meimendro.
30 de novembro1963
In PASSOS PERDIDOS
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JOSÉ EDUARDO AGUALUSA

José Eduardo Agualusa

•30.03.2014 • 00h00 • atualizado às 08h40

As Melhores Mentiras

cronica_agualusa_mentiras_RADepois de amanhã é primeiro de Abril – Dia das Mentiras. Quando eu era criança, o Dia das Mentiras era bastante mais divertido do que agora. Talvez porque eu fosse criança, talvez porque o próprio mundo fosse também um pouco mais infantil. Nesse dia os jornais, as rádios e as televisões competiam uns com os outros para ver quem inventava a mentira mais exuberante, mas também a mais convincente. O difícil era conciliar a exuberância com a verosimilhança.

Há muitas teorias que tentam explicar a escolha do primeiro de Abril para Dia das Mentiras, ou dia dos Tolos. A mais coerente lembra que, no século XVI, o Ano Novo era festejado a 25 de Março, com a chegada da Primavera, o que, reconheça-se, fazia todo o sentido. Em 1564 foi adoptado em França o Calendário Gregoriano, e o início do ano passou para o primeiro dia de Janeiro. Porém, como sempre sucede com grandes mudanças, também esta teve os seus opositores, os quais continuaram a celebrar o início do ano a um de Abril. Então, por troça, alguns brincalhões começaram a enviar aos amigos convites para festas falsas e presentes estapafúrdios. Nascia o Dia das Mentiras.

Voltando aos anos (já distantes) da minha infância lembro-me de grandes mentiras, envolvendo aparatosos acidentes com automóveis e comboios, avistamentos de discos voadores e pequenos homens verdes, ou prodígios naturais. Os meus preferidos sempre foram os prodígios naturais. Recordo, por exemplo, aquela extraordinária nuvem de pirilampos que pairou durantes várias horas sobre a Caála / Kahala, às três da manhã, provocando uma luminescência tão forte que algumas pessoas aproveitaram para se bronzear. Dois meninos que se expuseram por demasiado tempo a tal luz ficaram eles próprios luminescentes. Imagino-os, a esses dois meninos, a sofrerem pela vida fora súbitas crises de luminescência, para grande terror das esposas e amigos mais próximos.

Em 1957 a BBC apresentou um documentário sobre um arbusto que produzia macarrão. Esta mentira alcançou tanto sucesso que foi encenada, ao longo das décadas seguintes, com uma ou outra variante, em muitos outros países. Entre nós foi notícia uma gramínia alfabetizada, a qual produzia massinha em forma de letras, destinada à respectiva sopa.

Hoje já não se noticiam grandes acidentes, nem tão pouco, por razões óbvias, invasões de extraterrestres. Mesmo as mentiras mais inocentes, como a de uma certa cabra, no Dondo, que falava russo, pelo que sobre ela recaia a suspeita de ser uma agente comunista, mesmo essas mentiras inocentes, porém imaginosas, são hoje bastante raras.

Talvez a humanidade tenha amadurecido. Por um lado ficou mais sisuda, o que é pena, por outro tornou-se um pouquinho menos irresponsável, o que me parece bom.

Ou então – é outra hipótese – aconteceu o inverso. O triunfo da mentira, da mentira institucional, da mentira profissional, da grande mentira oficial, arruinou o divertimento da pequena mentira amadora. É a velha história: qual a graça de alguém se disfarçar de palhaço se o mundo inteiro for um circo?

Suponho que quando querem relaxar, quando se querem divertir, políticos e advogados troquem entre si pequenas verdades inocentes.

…a minha crónica de Domingo no Rede-Angola…

MAIÚSCULAS E MINÚSCULAS AO1990

 

Português atual

Maiúsculas e/ou minúsculas

Publicado às 00.00

LÚCIA VAZ PEDRO *
 http://www.jn.pt/Dossies/dossie.aspx?content_id=3784419&dossier=Portugu%EAs+atual

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O novo Acordo Ortográfico organiza a utilização da letra minúscula e da letra maiúscula inicial e prevê a opção entre elas em determinadas situações.

Deste modo, deve usar-se a letra minúscula em todos os vocábulos da língua nos usos correntes e nos seguintes especiais: nomes dos dias da semana, nomes dos meses do ano, nomes das estações do ano, nomes dos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas), nos usos de “beltrano”, “fulano” e “sicrano” e nas formas de tratamento ou cortesia (axiónimos): senhor João; senhor professor doutor Jorge Osório; bacharel António Sá; cardeal Manuel Clemente.

No entanto, é opcional o uso da letra minúscula inicial nas seguintes situações: nos títulos dos livros (bibliónicos), em que se excetua o primeiro elemento, que se escreve com maiúscula, e os nomes próprios neles contidos (O Primo Basílio/O primo Basílio), nos nomes dos santos (hagiónimos – Santa Maria Adelaide/santa Maria Adelaide), nos nomes que designam domínios de saber, cursos e disciplinas, nas categorizações de logradouros públicos, nas categorizações de nomes de templos (Igreja da Lapa/igreja da Lapa) e nas categorizações de edifícios (Palácio de Belém/palácio de Belém).

A letra maiúscula inicial é obrigatória nos nomes próprios de pessoas, nos nomes próprios de locais, nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos, nos nomes de festas e festividades, nos títulos dos periódicos, nos pontos cardeais ou equivalentes, quando designam uma região (o Norte), nas siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais e nos nomes das instituições públicas e privadas.

Considera-se ainda conveniente o uso de maiúscula quando a palavra faz parte de um nome consagrado, tal como produtos Serra da Estrela.

Sendo assim, no novo AO não há aumento dos casos em que é exigida maiúscula inicial; pelo contrário, o número diminui.

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Portugal: OS VELHOS

Posted: 29 Mar 2014 12:59 PM PDT

Tiago Mota Saraiva – Jornal i, opinião
Por pudor metodicamente construído fomos deixando de os tratar assim. Nem mesmo o carinhoso “meu velho”, tantas vezes usado entre família, escapou a estes tempos de domínio de palavras adoçantes como Sénior ou ardilosas como Terceira Idade.
Mas não nos deixemos enganar. Esse pudor na utilização do vocábulo choca com o destino que se lhes proporciona. Da eterna ameaça de mais um corte na pensão. Do risco de não ser prioritário nas filas de espera dos serviços de urgência de um hospital. Do medo de perder a casa arrendada ou de não conseguir pagar o IMI da casa própria. Dos tempos de intempérie passados à porta do centro de saúde à espera de uma miserável consulta ou receita. Do fim da comparticipação nos remédios, da estação de correios a que estavam habituados, da junta de freguesia em que eram conhecidos. Do horror pela vida incerta dos filhos e dos netos que ficaram ou da saudade e do medo de não voltar a ver os que partiram. Tudo a troika lhes vai levando.
Dos velhos espera-se que se ajeitem a um canto pouco visível da sociedade, em casa – se esta não for aprazível para um qualquer negócio – ou num condensador de velhos, que conspurca o belo vocábulo “lar”, tantas vezes gerido por excretores que só se preocupam em manter a contagem de cabeças brancas para receber o cheque mensal como instituição de caridade. Deles não se procura a experiência ou o saber como em sociedades mais evoluídas, mas pretende-se cortar qualquer veleidade de capacidade reivindicativa e que permaneçam ligados à máquina dos programas da televisão – autênticas operações de lobotomia em que, entre saltos e gritos, aparecem os camilos lourenços da nossa praça, em modo gingão, a papaguear as certezas do regime.
Aos velhos, está-se a roubar-lhes a vida antes de morrerem.
Escreve ao sábado
Portugal: Sete pedidos de fiscalização sucessiva ocupam juízes do Constitucional

Posted: 29 Mar 2014 12:50 PM PDT

O Tribunal Constitucional tem em apreciação sete pedidos de fiscalização sucessiva com origem nos deputados à Assembleia da República e no Provedor de Justiça, incidindo em leis que comportam novos cortes ou aumento de contribuições.
O Orçamento do Estado para 2014, o orçamento retificativo, a lei do setor empresarial do Estado e uma alteração ao Rendimento Social de Inserção que restringiu o acesso àquele subsídio são os diplomas mais importantes em análise no Tribunal Constitucional.
Os pedidos de fiscalização entregues pelo PS, a 9 de janeiro, e pelo PCP, BE e PEV, a 17 do mesmo mês, incidem sobre as mesmas normas do OE para 2014: redução dos vencimentos dos trabalhadores do setor público acima dos 675 euros (artigo 33º), taxas sobre os subsídios de doença e desemprego (artigo 115º), redução dos complementos de pensão no setor empresarial do Estado (artigo 75º) e recálculo das pensões de sobrevivência (artigo 117º).
Neste processo de fiscalização sucessiva foi incorporado o requerimento entregue no dia 6 de fevereiro pelo Provedor de Justiça, José de Faria Costa, para apreciação da constitucionalidade de parte das normas dos artigos 33º e 117º, relativos às remunerações no setor empresarial do Estado e às pensões de sobrevivência.
José de Faria Costa defendeu que foi um “erro manifesto” do legislador consagrar cortes nas remunerações dos trabalhadores das empresas de capitais maioritariamente públicos permitindo ao mesmo tempo que o resultado da poupança não reverta para os cofres do Estado e seja distribuída pelos acionistas.
“Vale por dizer: a supressão parcial da remuneração destes trabalhadores não satisfaz integralmente fins públicos de alívio da despesa pública mas igualmente permite considerar verificadas vantagens diretas e quantificáveis para entidades privadas”, argumentou o Provedor de Justiça.
A lei não estipula um prazo para o TC se pronunciar sobre os processos de fiscalização sucessiva da constitucionalidade das normas jurídicas, sendo certo que o presidente do TC, Joaquim de Sousa Ribeiro, atribuiu prioridade ao processo de apreciação do Orçamento do Estado para 2014.
O acórdão relativo à fiscalização de 10 normas do Orçamento do Estado para 2013 foi proferido a 5 de abril. Também por iniciativa do Provedor de Justiça, os juízes conselheiros têm em apreciação algumas normas do decreto-lei 133/2012, que alterou as regras de acesso e prestação do Rendimento Social de Inserção.
A norma contestada por José de Faria Costa impõe que os cidadãos nacionais tenham que residir pelo menos há um ano em Portugal para poder requerer o Rendimento Social de Inserção.
José de Faria Costa considera que esta condição configura um tratamento discriminatório entre cidadãos portugueses residentes e sublinha que “situações ocorrerão” em que cidadãos acabados de regressar ao país possam não ter condições mínimas para iniciar “a partir do nada” uma nova vida no seu país de origem.
Ainda em janeiro, um grupo de deputados do PCP, BE e PEV entregou um novo pedido de fiscalização sucessiva, reclamando a inconstitucionalidade de dois artigos do decreto-lei 133/2013 por violação do princípio da “tutela da confiança e segurança jurídica”, do direito de “contratação e negociação coletiva” e do princípio da proporcionalidade.
Em causa estão novas reduções “de caráter temporário” dos valores de complementos de pensão, subsídios de refeição, ajudas de custo e subsídios de deslocação dos trabalhadores das empresas do Estado como o Metro, Carris ou CTT.
Os pedidos mais recentes foram entregues quinta-feira no Tribunal Constitucional pelo PS e pelo PCP/BE e PEV, incidindo sobre normas do orçamento retificativo.
O PS solicitou a fiscalização da constitucionalidade do aumento das contribuições para subsistemas de saúde, ADSE, SAD e ADM, e do alargamento da base de incidência da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), que aqueles deputados estimam abranger mais 100 mil pessoas.
O requerimento do PS incide apenas na nova versão da CES que os socialistas alegam violar os princípios da proteção da confiança e da proporcionalidade.
Lusa, em Dinheiro Vivo
Portugal: SEM PERDÃO

Posted: 29 Mar 2014 12:31 PM PDT

Nuno Saraiva – Diário de Notícias, opinião
 
Esta semana, como noutras destes mais de mil dias de governação, o Governo saiu ao caminho dos mais velhos e meteu-lhes medo. Quinta-feira as manchetes, que citavam “fonte oficial”, gritavam que a ministra das Finanças já tinha cortes definitivos para as pensões, que até aqui eram provisórios.
Ao final da manhã, a minha avó Luísa, reformada de 95 anos e de quem já aqui falei, ligou-me aflita depois de dividir o pânico com as amigas do centro de dia. “Filho, que mais é que estes bandidos me querem tirar?”, perguntou-me com a voz trémula de quem não consegue parar de fazer novas contas à vida. É a água e a luz, o gás e a comida, os remédios e a ração para os pássaros companheiros das tardes de fim de semana, a renda da casa e mais as outras despesas imprevistas próprias de quem chega a esta idade. Desde então, foram duas noites, como muitas outras destes mais de mil dias de governação, sem pregar olho.
Pouco me importa se não há ainda decisão, se foi erro, calhandrice ou incompetência. Não me interessa se é ruído ou especulação. Não quero saber se Passos Coelho sabia ou se Poiares Maduro foi ignorado. Sei que isto, como tantas outras coisas nestes mais de mil dias de governação, não se faz.
A verdade é que, em matéria de choque e pavor, o Governo tem o cadastro cheio. Fez soar o alarme com a chamada TSU dos idosos. Causou o pânico com a pretensão de cortar a eito, em função da idade, as pensões dos funcionários públicos, pretendendo que os nonagenários sofressem um esbulho de 10% na reforma. Lançou o terror com o primeiro anúncio de corte nas pensões de viuvez. E tudo com a mesma tática ou estratégia: deixar escapar à bruta uma má notícia para testar reações a ver se pega. E depois, mais adiante, vir compungido anunciar que nunca foi bem assim, que houve manipulação da informação, que o Governo é socialmente sensível e que, por isso, protege os mais frágeis de entre os mais fracos.
Isto não é jogo limpo. Isto é terrorismo social.
Por mais proclamações inflamadas que façam, Pedro e Paulo escrevem epístolas cada vez mais vazias de social-democracia ou de democracia cristã. A matriz doutrinária destas duas correntes é humanista e socialmente preocupada. E determina que com a vida das pessoas não se brinca, muito menos tratando-se de idosos.
Aos mais velhos devemos respeito porque sim. Solidariedade porque sim. Apoio porque sim. Assistência porque sim. Não por caridade, apenas porque sim. E essa dívida, em parte ou no todo, não pode ser reestruturada nem perdoada.
O que o lamentável episódio desta semana revela é que o programa de empobrecimento ainda não está concluído, por mais que o Presidente da República reabilite a tese – foi o que ontem fez quando apelou a que “se for necessário reduzir o rendimento disponível de alguém no futuro, tem que ser àqueles que têm elevados rendimentos e que, até este momento, não foram seriamente prejudicados no seu bem-estar” – de que há limites para os sacrifícios que se podem pedir ao comum dos cidadãos.
E o que também ficou demonstrado é que existe, de facto, uma nova agenda de cortes que a maioria queria escondida. Mas apenas até às próximas eleições europeias.
Não sei, até porque não acredito nessas coisas, se o Governo vai parar ao inferno. Tenho no entanto a certeza que o purgatório a que os velhos estão a ser sujeitos, porque desumano e desleal, não tem perdão.
Foto: Miguel Baltazar, Negócios
Portugal: MANIFESTO 74 PROMOVE PETIÇÃO À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

Posted: 29 Mar 2014 12:15 PM PDT

Reestruturação da dívida
O movimento Manifesto 74, que reúne personalidades de todos os quadrantes da sociedade portuguesa, anunciou que está a realizar uma petição para levar a reestruturação da dívida ao plenário da Assembleia da República.
A petição, que terá de atingir um mínimo de quatro mil assinaturas para ser discutida no hemiciclo, pretende que os deputados aprovem “uma resolução, recomendando ao Governo o desenvolvimento de um processo preparatório tendente à reestruturação honrada e responsável da dívida”, como se salienta na página oficial do Manifesto 74.
“O abaixamento significativo da taxa média de juro do ‘stock’ da dívida, a extensão de maturidades da dívida para 40 ou mais anos e a reestruturação, pelo menos, de dívida acima dos 60 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), tendo na base a dívida oficial” são as condições preconizadas pelos signatários da petição.
A iniciativa do Manifesto 74 visa ainda que a Assembleia da República desencadeie “um processo parlamentar de audição pública de personalidades relevantes” sobre a reestruturação da dívida de Portugal, contraída no âmbito do programa de reajustamento.
O constitucionalista Jorge Miranda, um dos subscritores da petição à Assembleia da República sobre a reestruturação da dívida de Portugal, realçou hoje a necessidade de aprofundar o debate na sociedade, porque, salientou, “o problema vai-se agravando”.
Jorge Miranda disse que “o sentido essencial da petição” é o de “tornar patente perante a Assembleia da República, perante o órgão representativo dos cidadãos, o órgão por excelência do mundo democrático, toda a problemática que está à volta da dívida e a necessidade de reponderar o problema, o que não tem sido feito até agora”.
No entender do constitucionalista, “à medida que o tempo vai passando e que os juros da dívida vão sendo pagos, não nos conseguimos libertar da dívida e o problema vai-se agravando”.
Além de Jorge Miranda, também assinaram a petição Alfredo José de Sousa (ex-provedor da Justiça), Lídia Jorge (escritora), Pinto Ramalho (ex-chefe do Estado Maior do Exército), Melo Gomes (ex-chefe do Estado Maior da Armada), Januário Torgal (ex-bispo das Forças Armadas), Seixas da Costa (ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus), Eugénio da Fonseca (presidente da Cáritas Portuguesa), Pacheco Pereira (professor universitário) e Ana Gomes (eurodeputada), entre outros.
O Manifesto 74, intitulado “Reestruturar a dívida insustentável e promover o crescimento, recusando a austeridade”, foi igualmente subscrito por 74 economistas estrangeiros.
Dois dos subscritores, Sevinate Pinto e Vítor Martins, consultores do Presidente da República, foram exonerados por Cavaco Silva.
RACIALISMOS COMO RACISMO (i)

Posted: 29 Mar 2014 01:56 AM PDT

Inocência Mata* – AfroPress
Começo por lembrar um livro do britânico Paul Gilroy, Against Race: Imagining Political Culture beyond the Color Line [ii] (2000), um livro provocativo em que ele, para mostrar a perversidade da identidade com base na cor da pele, renuncia, irônicamente, à raça. A questão que se põe é: renunciando à raça, liquida-se o racismo?
Lembro esse livro por causa de uma interessante matéria num diário português [iii] – Portugal onde era (e ainda é em muitos espaços, mesmo na academia) “tradição” combater o racismo não falando dele, tradição, aliás, durante muito tempo “seguida” por Brasil (quem não se lembra do discurso oficial de que no Brasil não há racismo?).
Ora, a matéria parece ter chamado, há poucos dias, a atenção de muita gente, entre ela uns tantos ex-alunos meus – e este facto deixa-me contente (porque revela que, de certo modo, despertaram para a problemática e já não se portam como um “colour blind”, isto é, começaram a ver a realidade para além do idealismo das palavras): pois como dizia, para além de um e-mail que um amigo, que vive em Londres mas sempre atento ao que se passa em Portugal, me enviou, recebi a mesma matéria de três ex-alunos de um seminário de Pós-Graduação da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa denominado Multiculturalismo e Dinâmicas Interculturais, em que passamos em revista sociedades em que a multiculturalidade, nem sempre vista de forma positiva, tem sido gerida de modos muitos diferentes.
Sendo o Brasil um caso impositivo (pela sua proximidade e pela sua forte presença no nosso horizonte histórico), obviamente que o caso brasileiro é muitas vezes citado nas nossas sessões.
O título da matéria jornalística é “Quem quer ser negro no Brasil” e faz-se de histórias de vida, cada uma mais interessante do que a outra. Mas para mim a mais sensível é a primeira, uma história de vida de uma jovem cuja vida, ainda curta (ela tem 32 anos), dinamiza uma história de uma intensa densidade paradigmática da condição do negro no Brasil.
A história está bem contada pelas jornalistas, a matéria é de uma inteligência tão sensível que comove: é a história de Ariana, de Salvador, a “caçula” de 12 irmãos, negra e favelada, que foi a primeira a ir para a universidade. E se tornou médica. Foi esta primeira história que me obrigou a ler de uma “assentada” o artigo…
Antes de prosseguir quero contar uma experiência: quando comecei a visitar o Brasil, o que faço hoje com muita frequência para meu gáudio (porque gosto muito de ir ao Brasil, de trabalhar no Brasil e de interagir com colegas brasileiros, alguns grandes amigos, dos melhores que tenho), incomodava-me a forma como os meus colegas e amigos me apresentavam, quer para familiares quer para amigos seus que não fossem nossos colegas: “Olhe, esta é a Inocência, ela é africana, professora na Universidade de Lisboa, professora de literatura, ela tem doutoramento em isto e aquilo, escreveu isto e aquilo”. Como aquilo me incomodava!
É que eu, quando apresento alguém, um amigo a outro amigo ou não, não me lembro de desfiar as habilitações literárias desse amigo: digo de onde é e, dependendo do contexto, o que faz. De resto, é um amigo. Até que um dia lhes disse que me sentia incomodada com a forma como eles me apresentavam. E um deles me respondeu: “Vou ser honesto com você, Inocência. A gente está protegendo você. É que dizendo que você é africana [o que sou] valoriza logo você e ainda mais se você é professora universitária. É que aqui a gente diz que não, mas as pessoas são muito preconceituosas (diga-se de passagem que este colega foi, ainda nos anos 90 do século XX, dos poucos que já pensavam assim pois o normal, entre a maior parte dos meus colegas, mesmo os não brancos, era o discurso de que no Brasil a discriminação é social – e não racial).
Bem, ser confundida com empregada doméstica não é coisa estranha para mim no Brasil (nem para a médica cubana de quem uma jornalista, Micheline Borges , disse ter “cara de empregada doméstica” e não de médica [iv]! -, pois como dizia, basta(va) entrar sozinha num prédio, normalmente de um colega meu que felizmente tem um nível de vida acima da maioria…
Fecho parênteses sobre a minha aprendizagem como professora universitária negra no Brasil para voltar ao artigo cuja introdução (lead, na linguagem jornalística) é este:
Uma médica que nos hospitais é confundida com empregada de limpeza e cresceu a ouvir “negro não presta”. Um magistrado que foi o primeiro negro num tribunal superior do país em Brasília. Um doutorado a quem pedem para arrumar o carro. Uma festa popular, Iemanjá, onde o Brasil misturado parece o país da democracia racial. Breve geografia do racismo à brasileira e a pergunta: pode o Brasil eleger um Presidente negro em breve?
Lembram-se da polémica do Obama se ele fosse africano? Lembram-se por que a polémica incomodou tanta gente, eu incluída? Uma das razões foi precisamente não se ter comparado um continente, a África – em que existem vários Obamas, deve lembrar-se – com um outro, a Europa, em que não há Obama nenhum e que deveria haver, senão Obamas, pelos menos mais políticos com visibilidade, mais deputados, mais  ministros… Para já não falar de juízes, como Joaquim Barbosa, o primeiro negro a presidir ao Supremo Tribunal Federal.
Quando é que numa sociedade em que as relações são racializadas não há racismo?
Na foto: Inocência Mata
 
*É Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa na área de LAC – Literatura Artes e Culturas
[i] Crónica lida aos microfones da RDP-África no dia 27 de Março de 2014, Adaptada.
[ii] Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 2000.
[iii] Jornal Público, (Lisboa), 23 de Março de 2014.
[iv] Um colega e amigo meu brasileiro, negro, disse-me que realmente o Brasil estava mudar. Por dois motivos: primeiro, “Minha amiga, primeiro você deve ver que ela disse o que geralmente aquela elite preconceituosa (e não apenas) diz – portanto, o pecado dela foi ter dito o que muita gente pensa; mas o Brasil está a mudar porque há 10 anos não haveria essa indignação toda. Seria: Ah, ela não devia ter dito, mas não é preciso esse sururu todo, ela não disse por mal”. E não é que eu própria já ouvi condescendências dessas a propósito de afirmações semelhantes?! Mas eu só gostava de saber como é cara de médico…

– Gentileza: Alberto Castro

Brasil: SE PENSAR PEQUENO, O GOVERNO ESCORREGA NA GOELA CONSERVADORA

Posted: 29 Mar 2014 01:36 AM PDT

Para quem acha que capitalismo é apenas um sistema econômico, não uma relação de poder, o Brasil desta 5ª feira incentiva a revisão de conceitos.
Saul Leblon – Carta Maior, editorial
A marcha dos acontecimentos nas  últimas  48 horas (27/3):
– o Supremo aposentou  o domínio do fato e ressuscitou  o império da lei  para julgar o mensalão tucano;
– os que tentaram fatiar e vender a Petrobrás em 1997, agora  reivindicam uma CPI para defendê-la;
– a Standar & Poor’s rebaixa a nota do país em desacordo com a política fiscal enquanto o capital estrangeiro não para de comprar títulos do Brasil ;
– o Ibope  anuncia que a  aprovação ao governo  despenca , no mesmo dia em que o IBGE  divulga  o menor nível de desemprego no desde 2002  e a maior renda real  dos trabalhadores   em 12 anos.
Como entender a  feijoada de  paradoxos?
Olhando o calendário.
Estamos a sete meses  das eleições presidenciais  de 2014; as pesquisas mostram Dilma na liderança, com chances  de vencer no 1º turno.
 Os resultados  da economia  desmentem  a  guerra santa das expectativas.
Por enquanto.
Mas  o martelete conservador opera diuturnamente.
A dar um crédito – generoso – ao passado do Ibope, a trepidação ininterrupta já teria provocado   uma trinca nas expectativas, suficiente para ressuscitar aquilo que o ciclo Lula tinha extirpado do imaginário brasileiro: o medo do futuro.
A associação entre o medo e o  futuro  forma um redemoinho  capaz de cegar a visão do presente e sepultar a disposição da sociedade para enfrentar os interditos ao passo seguinte do  seu desenvolvimento.
A manada  de bisão acantonada nas redações  dedica-se a isso com afinco: afia os cascos no chão e recobre o horizonte brasileiro de uma espessa  poeira cinza asfixiante. O chão treme.
É imperioso  ligar o aspirador de pó à passagem do tropel noticioso. A mesa do café da manhã fica  imprestável  quando  dividida com a edição do dia.
A culpa pelas más notícias nunca é do carteiro. OK. Exceto se ele exorbita  e troca a entrega da correspondência  pela ordem de despejo.
O  pisoteio  dos cascos isentos  faz mais ou menos isso ao reduzir  a partículas ínfimas  qualquer  saliência que desafie  a pauta do Brasil aos cacos.
Nenhum vestígio positivo do  passado e do  presente  mas,  sobretudo, os  brotos do  futuro, sobrevivem à passagem diária do tropel.
Repita-se:  isso,  há sete meses do pleito que pode dar um quarto mandato à coalizão  centrista comandada pelo PT.
Há quem ache merecido.
Até sorria ao ouvir o barulho do  Brasil esmigalhando sob as patas do tropel.
As alianças ‘escolhidas’  pelo PT, afinal, sem falar no próprio,  submeteram a sociedade  a uma camisa de força conservadora, diz Eduardo Campos, de braço dado com os Bornhausen, de conhecidos pendores mudancistas…
Há quem vá além e prefira  a parceria com autênticos partisans  de um novo amanhecer.
Combatentes  da cepa de um Jarbas Vasconcelos, por exemplo;  ou  da estirpe  de Agripino, le rouge, companheiros de caminho dos que levaram  ao Procurador Geral,  Rodrigo Janot, um pedido de investigação contra a Presidenta Dilma Rousseff pelo caso Pasadena.
A manada ganhou esta semana outro reforço  de notórios compromissos com o país.
A agencia  Standart  & Poor’s, cuja credibilidade é conhecida, mostrou a que veio  ao rebaixar  a nota do país para  pendurá-lo um degrau acima do patamar  a que estão relegadas alguns Estados falidos.
E não ficou nisso: ‘Os sinais enviados pelo governo ainda não são claros’, advertiu a agência no idioma da chantagem  imperial. ‘Podemos promover ainda um novo corte na nota’, reforçou a senhora Lisa Schineller, analista da agencia, em teleconferência  à mídia embevecida.
Em seguida foi direto ao  centro da sua meta  que é para ninguém ter dúvida do que é o principal na vida de uma nação:  ‘(a punição) é um reflexo da política fiscal (a economia para pagar os juros dos rentistas),’cuja credibilidade se enfraqueceu de forma sis-te-máti-ca’, escandiu a executiva  da ‘S& P’.Orgasmos intelectuais na plateia.
Nesse bacanal da isenção com a equidistância a ninguém ocorreu, naturalmente, perguntar-lhe se a mesma corrosão da credibilidade teria atingido a agência de risco pelo desempenho pregresso.
 Em agosto de 2008 a  ‘S&P’ atribuiu ao banco Lehman Brothers  um esférico triple A: a nota máxima do ‘rating’ de credibilidade, da qual  ela afastou  o Brasil um pouco mais agora.Trinta dias depois o banco implodia  acionando a espoleta da maior crise do capitalismo desde 1929.
Há um outro recuerdo  ilustrativo do combustível que move a engrenagem por trás da fala assertiva da senhora Schineller.
A  ‘S&P’ foi responsável por rebaixar a nota do Brasil em julho de 2002.
As pesquisas do Datafolha mostravam então o candidato Lula na liderança das intenções de voto, com 38% das preferências dos eleitores, seguido de Ciro Gomes.
Só depois  vinha o delfim da eterna derrota conservadora: José Serra.
O risco da argentinização  sob um governo petista era o mote do jogral conservador, ao qual a S&P adicionou seu grave de tenor.
Como corolário da impoluta trajetória ética e técnica recorde-se que o governo norte-americano encontrou um erro de cálculo de ‘apenas’ US$ 2 trilhões nas contas que orientaram a mesma  Standard & Poor’s  a rebaixar o rating do país em 2012.
Essa a folha corrida. Cuja representação era aguardada  com ansiedade pela manada  e seus  candidatos amigáveis à sucessão.
A bala de prata não negou fogo.
Mas o day after da apoteose foi  talvez o maior fiasco já enfrentado  pelo jornalismo isento  que se vestiu de gala com  manchetes garrafais à espera de uma  3ª feira negra que não veio.
O  dólar caiu ao menor nível em quatro meses; o capital estrangeiro continuou  a desembarcar  – uma parte, ressalve-se, apenas para desfrutar dos juros altos–  mas US$ 9,2 bi em investimento efetivos aportaram no 1º bimestre.
A  Bolsa atingiu a maior pontuação desde setembro de 2013 (e continuou subindo, após a divulgação do Ibope desfavorável ao governo)
As ações da Petrobras se mantiveram em  espiral ascendente – e assim seguiram também após o Ibope.
Para finalizar, o Tesouro anunciou uma arrecadação recorde em fevereiro  –em frontal desacordo com o veredito da ‘inconsistência fiscal’  alegada pela ‘S&P’ para cortar o ‘rating’ do país.
O que aconteceu no day after – e no day after do day after – na verdade, só reafimou aquilo que os indicadores tem mostrado neste início de ano, à revelia das manchetes alarmistas.
O Brasil tem problemas; sérios alguns  (leia ‘Quem vai mover as turbinas do Brasil?’).
Mas está longe de ser a terra arrasada produzida pelos cascos que esmagam e amesquinham tudo o que se opõe à pauta da economia que vai afundar –  ‘se não for hoje, de amanhã não passa’.
Nesta 2ª feira, por exemplo, o insuspeito jornal Valor reuniu 18 indicadores atualizados para medir a temperatura da economia  neste início de ano.
Treze dos dezoito  apontavam um desempenho positivo.
São eles:  renda, emprego, atividade industrial, vendas do varejo, vendas de serviços, venda de aços planos, crédito, inadimplência, nível de atividade do BC, vendas de automóveis, fluxo de veículos pedagiados e  vendas de papel para embalagem.
Dos cinco indicadores negativos, apenas um  se referia  a  atividade produtiva de fato: produção de automóveis (influenciada pela antecipação de vendas do final de 2013 e o fim da isenção do IPI)
Os demais  dizem respeito à formação das expectativas, diretamente contaminadas pela guerra eleitoral manipulada pela mídia  – intenção de consumo, confiança da indústria, confiança do consumidor, indicador antecedente da FGV.
Em resumo,  os mercados,  ao contrário do jornalismo colegial, sabem que as candidaturas conservadoras não emplacam.
Enquanto cuidam de faturar, usam as redações  isentas, a exemplo dos serviços pagos, da  ‘Standard & Poor’s  e do Ibope,  para chantagear o final do governo Dilma.
Mas não só chantagear.
Também para engessar a presidenta-candidata no palanque de outubro .
E, no limite,  desossar sua eventual reeleição, circunscrevendo-a  num círculo de ferro de mercadismo  e mediocridade.
A transição de ciclo econômico vivida pelo Brasil apimenta esse embate.
Mas não é a sua determinação maior.
A determinação  dominante é o mutirão do dinheiro graúdo para engessar o governo em curso– e, sobretudo a sua continudiade, a partir de 2015–  e impedir que ele seja de fato o portador  do  desejo mudancista do eleitorado  brasileiro, majoritariamente associado à condução do processo pela própria Presidenta-candidata.
O cerco está visível a olho nu.
Trata-se de espremer Dilma e tanger o  PT , obrigando-os a pensar pequeno.
Pensar um futuro governo menor que o país.
Uma campanha presidencial  menor que as possibilidades e urgências da Nação.
Com um programa de governo  – e uma estratégia eleitoral –  menor que a ponte necessária entre a prostração democrática que favorece a chantagem em curso, e a repactuação da  sociedade com o desenvolvimento, feita  de prazos e metas críveis  para a construção da cidadania plena.
Se pensar pequeno, o governo que finda, e o seu novo mandato,  corre o risco de  caber na goela conservadora.
Que não  hesitará em mastiga-lo  até o último farelo.
GOVERNO BRASILEIRO DIVULGA MUDANÇAS EM MAIS DOIS MINISTÉRIOS

Posted: 29 Mar 2014 01:21 AM PDT

A presidente brasileira, Dilma Rousseff, anunciou hoje a troca dos titulares de duas secretarias com status de ministérios, a de Relações Institucionais e a de Direitos Humanos, aumentando para 15 as mudanças em seu primeiro escalão.
A ministra-chefe da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, deixa o governo para concorrer às eleições de outubro, e será substituída pela atual ministra-chefe das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.
Para a pasta de Salvatti foi convocado Ricardo Berzoini, deputado federal e ex-ministro da Previdência e do Trabalho e Emprego, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. As Secretaria das Relações Institucionais é responsável pelo entendimento entre o governo e os partidos aliados, que atualmente estão com as relações estremecidas.
A posse dos novos ministros será na próxima terça-feira. Rousseff agradeceu, em nota, “a dedicação, competência e lealdade de Maria do Rosário ao longo de seu governo”.
Desde outubro de 2013, a presidente brasileira já modificou os ministros da Integração Nacional, dos Portos, da Casa Civil, da Educação, da Saúde, da Comunicação Social, da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário, das Cidades, do Turismo, da Pesca, da Ciência e Tecnologia, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Diário de Notícias (Madeira)
QUAL O PAPEL DA OPOSIÇÃO EM ANGOLA?

Posted: 29 Mar 2014 01:14 AM PDT

Políticos, académicos e membros da sociedade civil reuniram-se em Benguela para debater o tema. Abel Chivukuvuku, da CASA-CE, diz que a oposição deve mostrar claramente como “será diferente dos que já estão a governar”.
Antes de tecer duras críticas ao regime do Presidente angolano José Eduardo dos Santos, no poder há quase 35 anos, o presidente da Convergência Ampla de Salvação de Angola (CASA-CE), Abel Chivukuvuku, enumerou as linhas mestras que a oposição deve debater para a alternância no poder.
“Temos que abrir o Parlamento para a Comunicação Social. Este ano, as sessões do Parlamento têm de ser transmitidas em direto para que o povo saiba o que [os deputados] estão a fazer”, disse esta quinta-feira (27.03.) o líder da terceira força política parlamentar no país, durante o debate organizado pela organização não-governamental Omunga.
“Temos que analisar bem a Comissão Nacional de Eleições (CNE). Como está, dá para confiar? Ou é melhor haver uma CNE mesmo independente? Temos que forçar o regime no poder a cumprir a Constituição da República de Angola e realizar as eleições autárquicas nunca realizadas, antes das eleições gerais de 2017”, afirmou Chivukuvuku. “A alternativa tem que saber explicar ao cidadão em que será diferente dos que já estão a governar.”
Nem vontade, nem programa
Apesar dessa vontade de alternância ao regime do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Abel Chivukuvuku comentou que muitos dos partidos da oposição angolana não têm vontade, nem programa para governar o país. Chivukuvuku foi mais longe nas críticas ao afirmar, por exemplo, que o Bloco Democrático (BD) é um partido sem visão para governar, “nem faz esforço para isso”. Já o Partido de Renovação Social (PRS) teria um pendor nítidamente regionalista.
“Neste momento, o PRS é um partido de representação de uma realidade sociológica. Na sua agenda não está governar, nem faz parte dos seus planos tentar governar”, disse o político. “O seu programa é defender o leste, defender as províncias das Lundas e o Moxico. E não fazem sequer um esforço de expandir. Quando discursam, o que dizem é ‘queremos federalismo para o leste ficar autónomo’.”
Oposição “mais atuante”
O ativista cívico, Lucas Pedro Bias, que participou no debate da Omunga, considera que a oposição angolana deixa muito a desejar.
“A oposição tem sido muito infeliz porque não tem conseguido alcançar as expetativas do próprio cidadão”, referiu. “Acho que tem de trabalhar muito, ser mais atuante e, se calhar, olhar mais para o interesse nacional, do que meramente para os seus interesses institucionais. E é isso que temos de começar a discutir, que os partidos políticos têm tido um orçamento anual em função da sua representatividade na Assembleia Nacional. E devem ser mais atuantes.”
Deutsche Welle – Autoria Nelson Sul D’Angola (Benguela) – Edição Guilherme Correia da Silva / António Cascais
Angola: FRENTE CLANDESTINA DE LUTA

Posted: 29 Mar 2014 01:04 AM PDT

Adalberto Ceita – Jornal de Angola
O processo dos 50 assinala hoje, sábado, 55 anos de existência. Hoje apenas dez estão vivos, numa lista de que fazem parte Amadeu Amorim, José Diogo Ventura, Carlos Alberto Van-Dúnem, Luís Rafael, Noé Saúde, Armando Ferreira, José Manuel Lisboa, António Matos Veloso, Miguel de Oliveira Fernandes e Manuel dos Santos Júnior “Capicua”.
Resultado de uma vasta onda de detenções efectuadas pela PIDE, entre 29 de Março e 24 de Agosto de 1959, o “Processo dos 50” foi a designação encontrada pelo povo de Luanda para o julgamento dos presos políticos acusados de conspiração contra o regime colonial português.
Foi a 29 de Março de 1959 que a prisão em massa de nacionalistas angolanos por parte da PIDE dava início ao processo judicial que ficou registado na História como “Processo dos 50”.
Amadeu Amorim, um dos sobreviventes, recorda que o regime colonial se serviu da prisão, um dia antes, do jovem José Manuel Lisboa, no aeroporto de Luanda, quando embarcava para Leopoldville (Kinshasa) levando consigo um importante documento, que lhe foi entregue por alguém ligado ao Exército para a Liberdade de Angola (ELA).
Apesar da idade avançada, os acontecimentos nunca saíram da memória de Amadeu Amorim. Conta que foi num sábado que a PIDE decidiu iniciar as prisões em massa dos nacionalistas, dado que Luanda estava a ser inundada de panfletos que apelavam à insurreição contra o regime colonial.
“Foi uma operação de prisões em massa de nacionalistas que na clandestinidade contestavam o regime colonialista em Angola”, afirma.
Diogo Ventura, 85 anos, está entre os sobreviventes. Explica que o documento descoberto pela PIDE a José Manuel Lisboa se destinava a marcar presença de Angola na conferência pan-africana, em Accra, capital do Ghana e realça que o objectivo passava por saudar os seus participantes, e afirmar-lhes que Angola também estava a lutar pela sua libertação, reafirmar que o continente devia contar com os angolanos, esperando dos países já independentes a sua solidariedade.
Embora de forma clandestina, Amadeu Amorim insiste que era necessário trabalhar na mobilização popular e salienta que as prisões incidiram sobre elementos de três grupos clandestinos: “estamos a falar do Exército de Libertação de Angola (ELA), o Movimento para a Independência (MIA) e o Movimento de Libertação Nacional de Angola-Partido Comunista de Angola (MLNA-PCA)”.
Amadeu Amorim esclarece que foi a partir dessas detenções e o conjunto dos três processos políticos que surgiu o nome “Processo dos 50”. Embora existam divergências sobre o número real de integrantes, porque muitos morreram nas cadeias, Diogo Ventura não disfarça a tristeza pela morte dos companheiros de luta. Neste momento, apenas dez estão vivos dos quais sete a residir em Angola e três em Portugal.
“A designação Processo dos 50 surgiu depois de Joaquim Pinto de Andrade ter enviado para o seu irmão que vivia no exterior, Mário Pinto de Andrade, um folheto, denunciando a prisão de 50 nacionalistas”, disse. A denúncia internacional e o facto de ter sido um número elevado de pessoas presas ao mesmo tempo, deu a conhecer ao mundo a situação política que se vivia em Angola.
Julgamento e revoltas
A prisão de elementos dos diversos grupos envolvidos na luta de libertação nacional em Angola deu origem ao maior julgamento político da época. Realizado em três fases, e com início em 1960, os réus contaram com a defesa de advogados como Diógenes Boavida, e António Águas Cruz.
O julgamento no então Tribunal Militar Territorial de Angola teve também a presença da advogada Maria do Carmo Medina.
“Essa mulher foi extraordinária no papel de advogada dos presos políticos. Embora tivesse sido perseguida e ameaçada pela PIDE resistiu e por mim merecia uma estátua pelo contributo à nossa libertação”, considera Amadeu Amorim.
“Os momentos de terror, prisões, interrogatórios e torturas não demoveram os angolanos. Pelo contrário, criaram um sentimento maior de revolta”, disse.
E justifica a sua afirmação com o levantamento de Catete, em Dezembro de 1959, o da Baixa de Cassanje, em Janeiro de 61, o 4 de Fevereiro e o 15 de Março do mesmo ano. Ao mesmo tempo aconteceu a fuga de Portugal de dezenas de estudantes angolanos.
“O movimento reivindicativo cresceu. Era um país inteiro com consciência revolucionária e quando chegou a fase da luta armada os combatentes avançaram”, disse Amadeu Amorim.
Campo de morte
Se existe inferno na terra, para Diogo Ventura ele revelou-se no campo de concentração do Tarrafal, local onde “foi sentida a saga assassina do colonialismo português”. Condenado a quatro anos de prisão e perda dos direitos políticos por 15 anos, acabou por permanecer sete anos preso.
“Os prisioneiros estavam desprovidos de todos os direitos e a tortura era física e psicológica. Não se podia assobiar, cantar, ou apreciar a luz do dia. Apesar das péssimas condições de higiene, da alimentação deficiente e dos trabalhos forçados o médico aparecia apenas uma vez por semana e o posto de saúde não tinha medicamentos”, lembra.
Inicialmente condenado a 18 meses de prisão e perda dos direitos políticos por cinco anos, Amadeu Amorim ficou sete anos preso no Tarrafal. Lamenta o isolamento imposto e o sofrimento dos familiares dos condenados do regime colonial.
“Apesar de em períodos prolongados permitirem a entrada de correspondência, as cartas eram manipuladas com o propósito de nos destruírem psicologicamente”, disse.
Amadeu Amorim destaca a resistência e o inconformismo do poeta António Cardoso e de Manuel dos Santos “Capicua”, diante das autoridades coloniais.
A rebeldia de ambos provocou-lhes inúmeros problemas. António Cardoso foi o preso político que mais tempo permaneceu no Tarrafal, enquanto Manuel dos Santos “Capicua” perdeu a noção da realidade. Reside em Lisboa, mas tem graves problemas mentais em consequência dos maus tratos que lhe foram infligidos.
“Peço ao nosso Governo que o traga para Angola, porque o homem está perdido e doente em Portugal, dependente da ajuda de amigos e pessoas de boa-fé”, lamentou.
Reconhecimento e valorização
Composta por integrantes e seus descendentes, a Fundação Angolana de Solidariedade Social e Desenvolvimento (Fundanga) tudo tem feito para manter viva a chama do “Processo dos 50”.
Pascoal da Costa, um dos descendentes, admite que a instituição já sente maior reconhecimento e sensibilidade por parte das autoridades e da sociedade.
“Nos últimos tempos o reconhecimento tem crescido, mas ainda enfrentamos muitas dificuldades para levar avante os nossos desafios. por isso, apelamos à sociedade em geral no sentido de não abandonar este grupo de homens que soube dar o melhor de si em defesa do país”, reclama.
Pascoal da Costa refere que existem filiados em idade avançada, que precisam de apoios e de sentir que valeu a pena combater o colonialismo. Revela que, dentro da Fundanga foi criado um órgão para perpetuar os feitos dos sentenciados no “Processo dos 50”.
José Diogo agradece a Deus por lhe prolongar a vida e testemunhar a liberdade e as conquistas que o país tem vindo a alcançar e recorda que a independência foi arrancada com suor, sangue e lágrimas.
O presidente da fundação alinha no mesmo pensamento. Amadeu Amorim fala de pouca valorização da luta clandestina e do sacrifício consentido em relação à luta armada e reclama uma sede condigna para a fundação.
“Precisamos ganhar consciência de que a luta armada é uma sequência dos acontecimentos da luta clandestina”, concluiu.
“Obiang não tem interesse” que se fale português diz ativista da Guiné Equatorial

Posted: 29 Mar 2014 12:45 AM PDT

O ativista e opositor político da Guiné Equatorial Juan Tomás Avila afirmou hoje em Lisboa que não existem estruturas de ensino do português por decisão do Presidente Teodore Obiang, que “não tem nenhum interesse” em que a população fale outras línguas.
“Na Guiné Equatorial não se vai falar português. Possivelmente há alguém que saiba português, pelos estudos que tem, mas os guineenses não vão falar português porque nunca os ensinaram”, disse, comentando as promessas de ensino do português feitas pelo Governo de Malabo e que sustentaram o parecer favorável dos chefes da diplomacia lusófona à entrada do país na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), juntamente com a moratória à pena de morte.
E isto “porque Obiang não vai pôr a infraestrutura” para que o povo aprenda o português, disse o ativista, recordando que esta decisão do país em aderir à lusofonia é semelhante ao que se passou com a francofonia, organização à qual o país aderiu no passado.
“O mesmo se passou com a língua francesa, que nós não falamos porque Obiang não tem nenhum interesse com nenhuma língua, nem com o saber”, afirmou o ativista equato-guineense, que lamentou o desconhecimento que Portugal tem em relação ao seu país.
“Obiang não tem nenhum interesse que as crianças tenham acesso à educação”, explicou o ativista, que disse desconhecer a presença de professores de português no país.
A Guiné Equatorial, que verá a sua candidatura à CPLP ser analisada na cimeira de julho, em Díli, é um dos maiores produtores de petróleo de África e é considerada um dos regimes mais fechados do mundo por organizações de direitos humanos.
Na sua intervenção, Juan Avila falou sobre vários casos de execuções extrajudiciais, responsabilizando o regime, e denunciou situações de tortura sobre opositores.
“Obiang é um ditador, está isolado e constantemente quer entrar em organismos onde pode exibir o seu poderio económico”, salientou o ativista, que denunciou também as diferenças existentes num país que tem o maior rendimento per capita de África mas onde, na capital, Malabo, “não há água potável” e as “pessoas vivem em péssimas condições”.
Por outro lado, a Guiné Equatorial “é o país menos visitado do mundo”, com seis mil turistas por ano, porque “Obiang não quer lá visitas”.
“A questão da pena de morte” é “apenas uma questão política” porque o regime “mata de outros modos”, salientou.
Lusa, em RTP
 
Imprensa estrangeira “encomendada” quer desvirtuar o sucesso do Diálogo Nacional

Posted: 29 Mar 2014 12:41 AM PDT

São Tomé e Príncipe

No fecho da sessão desta sexta – feira do Diálogo Nacional, o Presidente da República Manuel Pinto da Costa, acusou pelo menos uma rádio estrangeira que emite para São Tomé e Príncipe, de optar por ataques contra o Diálogo Nacional, num serviço de encomenda segundo Pinto da Costa.
Pinto da Costa falou de imprensa estrangeira, e identificou perfeitamente o tipo de órgão de comunicação social, “Rádio”. Mas ao relatar os actos aparentemente frustrados da referida rádio estrangeira em pôr em causa os ganhos do Diálogo Nacional, em termos da riqueza dos debates que contam com envolvimento massivo dos são-tomenses, o Chefe de Estado são-tomense falou no plural, pelo que se subentende que trata-se de duas rádios estrangeiras que emitem para o território são-tomense. «Eu tenho ouvido alguma imprensa estrangeira-Rádio, quando falam do diálogo nacional e transmitem informações do Diálogo Nacional, só transmitem coisas soltas, que parecem ser ataques ao diálogo Nacional», declarou Pinto da Costa.
O Chefe de Estado endossou a acusação. «São imprensas que são encomendadas para isso, para ataques ao nosso Diálogo Nacional, que é aberto, nacional e internacional. Devemos estar orgulhosos disso», afirmação de Pinto da Costa que foi coberta com aplausos no Palácio dos Congressos.
O Chefe de Estado são-tomense falou de tais rádios estrangeiras, sem indicar o nome dos operacionais alegadamente encomendados, que prestam serviço em tais rádios, com o propósito até agora frustrado de desvalorizar o evento que está a ter grande impacto a nível nacional, em termos de Diálogo entre os são-tomenses.  «Nesse diálogo temos gentes de todos os partidos políticos sem excepção nenhuma, e eu creio que essas presenças poderão influenciar positivamente as ausências para que a nossa família seja cada vez mais completa», concluiu Pinto da Costa
Abel Veiga – Téla Nón (st)
Guiné-Bissau: «JOMAV» garante que o «período de sofrimento está no fim»

Posted: 29 Mar 2014 12:30 AM PDT

Bissau – O candidato Presidencial do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), José Mário Vaz «JOMAV», garantiu aos guineenses que o prolongado período de sofrimento está prestes a terminar na Guiné-Bissau.
«Para vos dizer que se mantenham mais um pouco porque o sofrimento está quase a terminar», referiu José Mário Vaz.
Falando esta quinta-feira, 27 de Março, em mais um comício popular na capital, em frente à sede da Câmara Municipal de Bissau, «JOMAV» disse que se for eleito a 13 de Abril vai ser um Chefe de Estado orientado por outras forças.
«Não vou ser um Presidente da República a quem vai ser dada orientação, isso nunca vai acontecer», garantiu.
O candidato Presidencial disse ainda que, da mesma forma como dirigiu a Câmara Municipal de Bissau e o Ministério das Finanças, com ordem, rigor, disciplina e firmeza, «vamos manter a nossa posição não porque temos a força, mas porque temos a Constituição da República que define claramente os poderes do Presidente da República».
Ao nível da justiça, «JOMAV» disse que, com o seu mandato, os tribunais vão passar a ser responsáveis por dirimir conflitos, tal como acontece nos outros países do mundo.
«No mundo civilizado são os tribunais os responsáveis por dirimir conflitos, mas quem quer entrar nesta senda que venha fazer política como nós», desafiou.
O antigo ministro das Finanças da Guiné-Bissau apelou à união entre os guineenses, para não comprometer a coesão e a unidade interna nacional, tendo prometido trabalhar para união de todos se for eleito Presidente da República.
«JOMAV» apelou ainda ao voto na sua candidatura e no partido que o apoia, sublinhando que a partir de 14 de Abril os guineenses vão passar a ser orgulhosos de serem guineenses.
Na manhã desta sexta-feira, 28 de Março, o candidato Presidencial esteve em visita a Bissau, tendo passado pelo Hospital Nacional Simão Mendes.
No período a tarde, a comitiva da campanha eleitoral do PAIGC desloca-se à região norte do país, nomeadamente Mansoa, Mansaba e Farim.
 
Bissau Digital – (c) PNN Portuguese News Network
 
PM de Cabo Verde pede “tratamento especial” da África Ocidental para país insular

Posted: 29 Mar 2014 12:20 AM PDT

O primeiro-ministro cabo-verdiano afirmou hoje esperar que a cimeira oeste-africana, que hoje começa na Costa do Marfim, possa contribuir “fortemente”, com um “tratamento especial”, para ajudar a debelar as vulnerabilidades subjacentes à insularidade do país.
Em declarações à Rádio de Cabo Verde (RCV), que acompanha em Yamoussoukro os trabalhos da 44.ª sessão ordinária da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), José Maria Neves disse que, na intervenção que hoje fará, dará conta das especificidades do arquipélago e da forte aposta de Cabo Verde na integração regional.
“Espero um apoio mais forte de todas as instituições da CEDEAO para que Cabo Verde possa ter condições de integração plena nesse espaço”, disse o primeiro-ministro cabo-verdiano, que hoje completa 54 anos e que está à frente dos sucessivos governos do país desde 2001.
“Estando nós longe, tendo nós muitas vulnerabilidades, sobretudo económicas e ambientais, teremos de contar com um forte contributo das instituições da CEDEAO para que Cabo Verde possa fazer face à sua vulnerabilidade e aos custos da periferia e da insularidade. A melhor prenda que poderia dar-nos é garantir-nos um forte apoio para que Cabo Verde tenha sucesso e possa fazer face aos desafios”, afirmou.
Segundo José Maria Neves, na intervenção que fará na cimeira, cujos trabalhos se prolongam até sábado, vai precisamente falar sobre as “especificidades” de Cabo Verde, que tem uma “forte intenção” de se inserir competitivamente no espaço da CEDEAO, onde já conta com o apoio do Senegal e Costa do Marfim.
“Sendo o único país arquipélago da região, precisa de um tratamento especial no quadro da CEDEAO, um apoio mais forte, para garantir a plena integração no espaço regional, designadamente as ligações aéreas e marítimas e também a infraestruturação. Os grandes projetos de infraestruturação são para o continente e Cabo Verde fica um pouco de fora desses pacotes e investimentos nas infraestruturas”, sublinhou.
A cimeira começa hoje com a análise do relatório da Comissão da CEDEAO, em que o enfoque está nas negociações do Acordo de Parceria Económica (APE) com a União Europeia (UE), já concluídas, mas que aguardam aprovação a nível político.
O APE visa reforçar as economias da África Ocidental, alargando a gama de bens produzidos e exportados e reforçando as trocas comerciais inter-regionais entre o Benim, Burquina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné-Conacri, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa, Togo e Mauritânia (que abandonou a CEDEAO há quase uma década).
Em Yamoussoukro, serão analisadas as primeiras conclusões para acelerar a assinatura do APE, bem como as situações político-militar no Mali e eleitoral na Guiné-Bissau, cujas eleições gerais – presidenciais e legislativas – estão marcadas para 13 de abril, bem como a eleição do novo presidente rotativo da organização sub-regional.
JSD // VM – Lusa
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museu dos emigrantes

in diálogos lusófonos

http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=e4da3b7fbbce2345d7772b0674a318d5&subsec=&id=488b70aac22adddeed08570f3ec0aafc 

Museu virtual para emigrantes

É um museu sem sede mas provavelmente tem mais visitantes do que muitos museus com horário de funcionamento para o público. Surgiu em 2002 e já recebeu milhares de pessoas em visitas virtuais, muitas a partir do estrangeiro. É assim que trabalha o Museu dos Emigrantes. 
Ana Magalhães (texto)
Hélio Gomes (fotos)

O Museu dos Emigrantes existe há quatro anos, já recebeu milhares de visitantes, mas não tem uma sede física que se possa visitar. Para já tudo funciona a partir da Internet e, segundo o coordenador do museu Miguel Monteiro, esta é a melhor residência para cumprir os principais objectivos do projecto: chegar a todos os emigrantes portugueses e seus descendentes espalhados pelo mundo e promover a investigação científica das dinâmicas das migrações portuguesas. Do trabalho já desenvolvido as atenções recaem sobretudo no retorno do emigrantes que escolheram o Brasil no século XIX e nas primeiras décadas do século XX e nos portugueses que rumaram à Europa na segunda metade do século XX.
Apesar de a Câmara de Fafe ter a intenção de adquirir uma casa apalaçada, construída por um emigrante que regressou do Brasil, que sirva de sede ao Museu dos Emigrantes, Miguel Monteiro pretende que o site www.museu-emigrantes.org seja o principal ponto de encontro dos visitantes e a primeira fase da visita. "A segunda parte poderá ser na sede, mas também tem de se incluir espaços públicos mandados construir com dinheiro vindo do Brasil como o hospital, o jardim público ou o asilo", continuou. O maior entusiasmo de Miguel Monteiro quando apresenta o museu que coordena é quando fala na interacção que consegue com os visitantes. Por isso diz que neste caso tudo o que é real é o que está na Internet. "Um museu não deve ser um espaço para os objectos, mas para a comunicação", insiste o responsável.
Os percursos que se fazem a partir do site podem ser muitos e Miguel Monteiro dá o exemplo de um casal brasileiro que vai acolher na próxima quarta-feira para dar a conhecer a casa que um dos seus ascendentes de Fafe construiu neste concelho do Minho. "Já enviei por exemplo fotografias do jardim público que financiou no valor de 4.200 mil reis e concluíram que o lago e a ponte aqui construídos são semelhantes aos que existem na casa que deixou no Rio de Janeiro", comentou, preparando-se para fazer um roteiro para este casal por todos os pontos de interesse que marcam a história dos emigrantes que regressaram do Brasil.
Outra das visitas que já tem preparada para Setembro servirá um grupo de 20 estudantes da Alemanha do curso Estudos Europeus que se interessam pelo tema migração de Portugal. Para este público, que também já começou a viagem a partir da Internet, o roteiro será bem diferente. Miguel Monteiro delegou a encenação de uma desfolhada a uma associação cultural e recreativa de Fafe e conta dar a conhecer a cultura dos retornados sem recorrer a livros ou a aulas teóricas.

Museu Nacional não é prioridade
O coordenador insiste que o que caracteriza este museu são os serviços diversificados que oferece aos visitantes e assim contorna a questão se seria mais confortável transformar o projecto no Museu Nacional dos Emigrantes, subordinado ao Ministério da Cultura. Sem voltar costas a apoios governamentais e reconhecendo mesmo que se a ligação fosse mais próxima talvez a compra de uma casa para sedear o museu fosse aligeirada, Miguel Monteiro prefere continuar a ter como prioridade a relação cibernética do museu com os seus visitantes.
Outra das apostas que considera prioritária é que o site sirva de guia para os diferentes núcleos museológicos da migração que existem em Portugal. "É claro que o museu tem de ser um espaço com sustentabilidade económica, mas é também fundamental que se articule a todos os núcleos que existem no país", insistiu, pormenorizando que a emigração dos minhotos para o Brasil nada tem a ver com a emigração dos açoreanos para os Estados Unidos da América.
Miguel Monteiro arrisca mesmo a dizer que os museus nacionais já não fazem sentido no contexto europeu e contesta que haja sedes de museus que apenas sirvam para guardar um determinado espólio. A ideia do coordenador é que os novos espaços não se fiquem pela preservação de arquivos mas também pela aposta na investigação científica. Para isso criou no site uma sala de divulgação de trabalhos científicos que abordam pesquisas desde a colonização à emigração. Em quatro anos Miguel Monteiro já reuniu centenas de documentos que permitem uma melhor compreensão do tema.

Das certidões às genealogias
Os serviços prestados por este museu virtual são diversificados e é mesmo preciso várias horas para explorar as muitas salas criadas para os emigrantes ou descendentes conhecerem melhor o seu passado. Um dos serviços que tem sido bastante requisitado é a emissão de certidões de nascimento independentemente se os dados fornecidos são o suficiente para se chegar à pessoa em causa. "Ainda há dias consegui uma certidão de nascimento de uma pessoa natural de S. João da Pesqueira com familiares em Moura, no Alentejo", disse para exemplificar que era um dos casos em que pouco se conhecia sobre esta família.
Com alguns cliques, e caso os ascendentes de quem procura sejam de Viana do Castelo, Braga, Açores, Famalicão, Ovar, Guimarães, Celorico de Basto, Fafe ou Maia, é ainda possível montar a árvore genealógica de uma família e chegar assim aos séculos XVII ou XVIII. Com este método, e depois de recolher informação sobre algumas famílias de Fafe, Miguel Monteiro conseguiu reunir os progenitores e descendentes de 19 famílias do concelho. Este serviço é feito a partir de registos paroquiais, fontes documentais e passaportes que foram resistindo à passagem de anos e séculos.
Ao lado da sala da Ascendência, que reúne esta informação histórica, fica a da Diáspora onde se reproduz uma base de dados de emigrantes portugueses do século XIX e XX. Aqui podem encontrar-se pormenores biográficos de emigrantes eventualmente só conhecidos na localidade portuguesa de onde partiram, outros que se notabilizaram por algum motivo e outros ainda que foram laureados. Nesta lista com centenas de nomes um dos que se encontra é o do visconde de S. Bento, natural de Santo Tirso e reconhecido por ter investido parte dos lucros que obteve como empresário no Pará, Brasil, numa escola, na construção e preservação de igrejas e num hospital. Assim nasceu o Hospital Conde de S. Bento, em Santo Tirso, cujo funcionamento foi suportado nos primeiros anos por este emigrante benemérito.
Nesta sala há ainda uma hiperligação (link) que nos leva a personagens da Lusofonia que foram reconhecidos pelo seu desempenho mas que nem sempre aparecem nos livros de história de Portugal como personagens principais. A par dos poetas Luís Vaz de Camões e Manuel Inácio da Silva Alvarenga, aqui constam nomes como o jornalista brasileiro Joaquim Manoel de Faria Lima e Abreu, preso pelo regime absolutista e obrigado ao exílio, ou o brasileiro João Pereira Ramos d'Azeredo Coutinho, braço-direito de Marquês de Pombal.
Parcerias com instituições
Outra das vantagens deste museu virtual é que consegue fazer para longas distâncias trajectos curtos e, com isso, estabelecer parcerias com instituições que de outra forma seria mais complicado. Desde associações que estão do outro lado do Atlântico a outras que ficam na Europa Central, são já muitos os laços que o Museu dos Emigrantes conseguiu dar. 
O reflexo que esta rede iria ser criada sentiu-se logo com a formação das entidades fundadoras do Museu dos Emigrantes que liga a Câmara de Fafe à Federação das Associações Portuguesas de França, à Casa da Cultura de Porto Seguro e ao CEMRI - Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais da Universidade Aberta. Entretanto as parcerias com instituições internacionais e portuguesas fazem-se a bom ritmo e as mais significativas são a Associação de Instituições Europeias de Migração, o Instituto Europeu dos Itinerários Culturais e a Fundação Casa Museu Rui Barbosa, do Rio de Janeiro. Para que o projecto seja possível há ainda colaborações com o Núcleo de Estudos e da População e o Departamento de Informática, ambos da Universidade do Minho, a Escola Superior de Educação de Fafe e a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

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http://www.museu-emigrantes.org/index.htm

açorianidades Carlos Reis

in mundo açoriano

Sobre a pertença açoriana

Cultura
Sobre a pertença açoriana
Sempre tive algumas dúvidas relativamente à pertinência de conceitos como açorianidade ou literatura açoriana. As razões são várias, mas agora não vêm ao caso. O que vem ao caso é ter-me eu dado conta, nos últimos anos (ou mais do que isso…), de um certo sentimento de pertença, diretamente estimulado pela minha condição de açoriano. Vivendo fora das ilhas há décadas, a ausência e a distância muito têm contribuído, paradoxalmente, para agudizar aquele sentimento, que leva em si memórias várias: das cores da paisagem, do movimento do mar, da música, da culinária, até mesmo do sotaque e das peculiaridades dialetais que distinguem quem nasceu e aprendeu a falar nos Açores. E também quem os conheceu nos dias da rádio, ou seja, antes da chegada da televisão.

Não vai nisto qualquer nostalgia, coisa a que sou pouco propenso, menos ainda a vivência de membro da diáspora açoriana, que só obliquamente posso ser. Há não muito tempo, entretanto, tive uma experiência académica que confirmou em mim a crença de que a diáspora açoriana ajuda a acentuar aquilo a que chameipertençaaçoriana.

Já falarei disso, mas antes vale a pena lembrar o que é sabido: que o motivo da diáspora, no universo literário, que é aquele em que me situo, elabora-se de modos distintos. Menciono dois deles: por um lado, a experiência pessoal do escritor que parte, muitas vezes como exilado, experiência essa que frequentemente se projeta sobre os mundos ficcionais, sobre a sua conformação e sobre as personagens que os povoam; por outro lado, a consciência da diáspora convoca temas literários propriamente ditos. Neste caso, a sua representação completa-se com a expressão de sentidos precisos: o exílio, a emigração, a comunidade, a saudade, a distância, o regresso.

A partir do significado primeiro de diáspora, com suporte no sentido nuclear do vocábulo grego e na ideia de dispersão do povo judeu, deduz-se a noção translata a que me vinculo. Uma tal noção afasta-se do “conceito fechado de diáspora” a que se alude num ensaio clássico de Stuart Hall, autor capital nesta matéria, recentemente desaparecido. Alargando o alcance operatório da noção de diáspora, Hall fala ainda em “lugares de passagem” e em “significados que são posicionais e relacionais, sempre em deslize ao longo de um espetro sem começo nem fim”.

Entretanto, as representações da diáspora vão além da literatura e do trajeto de vida dos escritores que nela disseminam os temas que a estruturam como atitude existencial e como visão do mundo. Concorda com isto o facto de uma reunião científica sobre a diáspora portuguesa se poder apresentar como interdisciplinar e comparativa: refiro-me à conferência internacional “Exploring the Portuguese Diaspora in Interdisciplinary and Comparative Perspectives”, que teve lugar em Indianápolis, em julho passado.

Não foi um colóquio estritamente acerca da diáspora saída dos Açores. E contudo, nele foi por várias vezes sentida, expressa ou tacitamente, a presença disso a que já se chamou literatura luso-americana, que compreende escritores originários da diáspora açoriana como Alfred Lewis (nascido Alfredo Luís, na ilha das Flores), Francisco Cota Fagundes, Frank Gaspar ou Katherine Vaz. Ao mesmo tempo, a participação direta de Irene Maria F. Blayer, de Dulce Maria Scott (organizadoras da conferência), do já citado Francisco Cota Fagundes, de Richard Simas, de Frank Sousa e de Pedro Bicudo (certamente entre outros que me não vêm à memória) reforçou em mim aquela pertença de que falei – e que é uma outra forma de ser açoriano fora dos Açores.

CARLOS REIS
Professor da Universidade de Coimbra
Natural da Terceira, residente em Coimbra
28-03-2014

IDEOLOGIAS INCENDIÁRIAS POR ANTÓNIO JUSTO

Ideologias incendiárias com Lógicas claras mas fora da Razão

Ao Arroteamento da Paisagem natural segue-se o da Paisagem cultural

António Justo

A selva da consciência humana vai avançando e recuando à medida dos fogos que se ateiam aqui e acolá. Os séculos XIX e XX foram os séculos que mais se aproveitaram da pirotecnia ideológica (fascismo, socialismo e capitalismo) e tudo isto debaixo do céu iluminista duma razão pura e de uma ciência convencida. O início do séc. XXI sofre as consequências até ao desatino porque a camada dos que têm acesso ao saber é incomparavelmente maior; o problema vem porém dum saber adquirido à primeira vista. Um saber que não cria saber fundado mas destinado apenas a fazer opinião passível de ser cultivada nos vasos da varanda democrática. No absolutismo cultivava-se o dogma absoluto, em democracia cultiva-se a opinião relativista para se ter verdades para todos os partidos. Não ponho as mãos no fogo da ideologia porque me chega o adubo das suas cinzas!…

Valores abstractos não comprometem os Governantes

Torna-se interessante observar a cumplicidade e coerência entre economia, sistema de governo e de pensamento no suceder-se das várias épocas históricas. Se na Idade média com a sua suserania económica agrária (reguengos, coutos e coutadas) imperava o rei/suserano como representante de Deus na terra, hoje em democracia e em nome do povo, cada vez impera mais um estado corrupto sem referências éticas e menos ainda religiosas. O secularismo estatal quer falar apenas de valores abstratos, sem pai nem mãe, e assim confirmar o que o bispo Agostinho de Hipona constatava, no seu tempo: um Estado sem um fundamento moral claro não é mais que “uma grande quadrilha assaltante de ladrões”. Por isso o Estado, embora de direito, não quer saber do bem e do mal. Deste modo os poderosos grupos, ideológicos, políticos, económico e dos Média, tornam-se nos formadores duma opinião pública à medida dos seus interesses particulares. Quer-se uma sociedade também sem religião nem modelos; o maior modelo humano da História, Jesus de Nazaré, tornar-se-ia numa provocação.

Na Europa, no tempo das invasões bárbaras a vida era dominada pelo medo real da morte, das pestes e dos assaltos bárbaros. A vida era violenta e o ambiente rude, o que se repercute também na mentalidade desse tempo. A violência, o medo e a necessidade de defesa levou os habitantes a construir castelos nos cimos dos montes e os fiéis a construir igrejas com janelas estreitas para impedirem os assaltos. Neste ambiente fomenta-se uma consciência do direito, impregnada na necessidade de justiça, que se formula numa espiritualidade de direito e se expressa então no Jesus severo e justiceiro adaptado à época.

O fogo do amor abranda todos os fogos sejam eles materiais ou espirituais, porque queima os medos pela raiz.

A necessidade de desenvolvimento e a fome levou ao arroteamento de grandes florestas na Europa. Por todo o lado, a natureza recuou, à medida que a população aumentava. Dá-se uma progressão na cultura e um recuo na natura. No seculo XV a população de Portugal era entre um e dois milhões de habitantes, a França tinha entre 10 e 14 milhões e a Espanha andava pelos cinco milhões.

Ao fogo do dogma religioso sucede-se o fogo do dogma racionalista/secular com o dogma da opinião embutida no relativismo. No processo da evolução os fogos do inferno deram lugar aos fogos das ideologias. Ao arroteamento das paisagens geográficas da Europa segue-se o arroteamento da sua paisagem cultural, com o desbaste do que ela tem mais sagrado. Na luta pelo próprio biótopo vital ou ideológico cada um procura escavar a própria trincheira para daí fazer fogo com uma argumentação lógica mas não racional. A lógica ideológica pega nuns tantos factos históricos tirados da cor local histórica e do contexto, organizando um fio condutor lógico ad hoc e convincente para quem não conhece o resto dos factos.

O Medo como Instrumento de Governo e de Domínio

A religião procurava relegar a vingança dos fogos do dia-a-dia para o fogo do inferno, adiando o medo para o fim-do mundo. O secularismo hodierno procura relegar a vingança das injustiças do dia-a-dia para um futuro de progresso, adiando o medo de eleição em eleição ou para um futuro melhor. Pirómanos de um lado e de outro: cada qual amarrando o futuro à sua ideologia.

Incendiários por todo o lado, teístas colocando o fogo nos campos dos ateístas e incendiários progressistas colocando o fogo no campo dos conservadores e da religião: todo o mundo a dar continuidade à cultura da guerra e ninguém interessado em integrar.

Na luta contra o medo tudo luta com o medo de morrer sozinho, tudo procura tornar-se proprietário da razão; esta e á a mecha de fogo mortal mais eficaz mas que, num outro ideário, se poderia transformar na mecha da paz.

Numa sociedade cada vez mais distante da vida moral e da lei da causa e do efeito sofre-se de um reducionismo monocausal, procurando explicar as próprias dores da mente com qualquer coisa que lhe engane a fome.

No carrossel das opiniões e das lógicas tudo anda atordoado. A expressão cristã não pode porém reduzir-se a uma herança assim como a sua crítica não pode ser reduzida a uma época ou sistema político. A interculturalidade não seria beneficiada se fundamentada nas culpas sejam elas a nível de medos ou de coerções, sejam elas mesmo, de caracter intelectual subtil.

Tanto a delinquência como a benignidade dum povo são retratadas nos seus costumes, na sua ética e nas suas leis.

Hoje é fácil falar-se com o rei na barriga; para isso basta falar de antanho, falar dos outros, a partir do trono duma própria opinião tendente a justificar a própria insatisfação/frustração.

O filósofo Epicteto dizia “Não há falta de provérbios, os livros estão cheios deles, o que falta são pessoas que os apliquem”! Eu acrescentaria: Não chega um provérbio ou uma citação para conhecer uma pessoa, é preciso ler o livro inteiro e mesmo assim continuarei a não poder perceber os mistérios que a pessoa alberga e que o livro não consegue revelar!

A ideologia do pensar politicamente correcto que nos domina tornou-nos indiferentes.

Entre o texto e o contexto prospera a opinião de um texto descontextuado. O sentido do texto só está no contexto! Por isso há que perguntar o que está por trás de uma opinião e que interesses serve, antes de nos deixarmos levar por lógicas que se revelam contra a razão! Hoje na barafunda das lógicas argumentativas tudo serve para atacar as raízes da nossa civilização.

António da Cunha Duarte Justo

www.antonio-justo.eu

 

RECORDAR MÁRIO HENRIQUE LEIRIA

 

Mário Henrique Leiria rima com Gin Tonic (Contos e Novos Contos).
Eu gosto sempre. É disto e de chocolate. Antes e depois…

Mário Viegas. Adaptado de Mário Henrique Leiria, “Novos contos do gin tonic”, 1974 “Uma nêspera estava na cama, deitada, muito calada, a ver o que acontecia….
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