1 DEZEMBRO DE 1640

NA SUA TOTAL FALTA DE RESPEITO PELA HISTÓRIA E PELA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL, RECUPERADA EM 1 DEZEMBRO DE 1640 APÓS 60 ANOS DE JUGO CASTELHANO, O GOVERNO VAI ABOLIR O FERIADO DO 1º DE DEZEMBRO.

por isso escrevi estas linhas Chrys Chrystello

529. homenagem a Natália Correia 29 novembro 2011

hoje
        decididamente
       vou escrever um poema
dedicado aos feriados
          que nos roubaram
decreto
que todos os dias
   feriados sejam abolidos
os dias da semana
    também
e para não esquecermos
 tais dias e feriados
se comemorem todas as datas
                                                     ao domingo
e seja domingo todos os dias
(e se nos convertermos ao catolicismo
não poderemos trabalhar ao domingo)
em homenagem a Natália Ccorreia
Poema destinado a haver domingo
Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o teto da casa que me cobre
Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o Amor por fim tenha recreio.
Natália Correia, Poesia Completa, Publicações Dom Quixote 1999

>1 DEZEMBRO DE 1640

>

NA SUA TOTAL FALTA DE RESPEITO PELA HISTÓRIA E PELA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL, RECUPERADA EM 1 DEZEMBRO DE 1640 APÓS 60 ANOS DE JUGO CASTELHANO, O GOVERNO VAI ABOLIR O FERIADO DO 1º DE DEZEMBRO.

por isso escrevi estas linhas Chrys Chrystello

529. homenagem a Natália Correia 29 novembro 2011

hoje
        decididamente
       vou escrever um poema
dedicado aos feriados
          que nos roubaram
decreto
que todos os dias
   feriados sejam abolidos
os dias da semana
    também
e para não esquecermos
 tais dias e feriados
se comemorem todas as datas
                                                     ao domingo
e seja domingo todos os dias
(e se nos convertermos ao catolicismo
não poderemos trabalhar ao domingo)
em homenagem a Natália Ccorreia
Poema destinado a haver domingo
Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o teto da casa que me cobre
Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o Amor por fim tenha recreio.
Natália Correia, Poesia Completa, Publicações Dom Quixote 1999

DO IBERISMO AO 1º DEZEMBRO in ChrónicAçores vol.2

16.5. Do Iberismo ao 1º de dezembro
Gostava JC de ter algumas réstias do sempiterno otimismo mas a
desoladamente, a sua reserva, está no nível mínimo desde há déca-das. Mas quando, ano após ano, a chuva cai dentro de casa e alaga o chão ou móveis como se não houvesse teto, tem de assumir a péssi-ma qualidade das casas e que os ”mestres” de construção não passam de biscateiros incapazes de fazerem a obra como deve ser. Mas se vai a um restaurante o resultado é similar com um serviço deficiente a preços de luxo, se vai a um mecânico automóvel idem aspas. E o mesmo se passa na saúde, na justiça, na ignorância santa dos novos professores, na incompetência dos que governam e dos que são man-dados. É esta a tradição. Não é de hoje, vem de longe como consta-tou hoje ao traduzir este parágrafo
     Enquanto a Terceira e as ilhas próximas resistiam ao assalto dos espanhóis à Coroa portuguesa, S. Miguel franqueou-lhes a entrada. Esta diferença deveu-se ao facto de o Corregedor Ciprião de Figueiredo estar sedeado em Angra. Fiel apoiante do Prior de Crato, terá proferido a frase “antes morrer livres que em paz sujeitos”. Por outro lado, a capitania de S. Miguel estava na mão da influente família Gonçalves da Câmara. Além disso, residia nessa altura em São Miguel o Bispo dos Açores, D. Pedro de Castilho, fiel a Filipe II. Viria a ser Vice-Rei de Portugal em paga da sua fidelidade à causa castelhana. Mais tarde, o Capitão do Donatário de São Miguel receberia o título de Conde de Vila Franca.
Abundam assim os que esquecem o terror do domínio castelhano e
pressurosos querem entregar o país ao vizinho ibérico.
Miguel Urbano Rodrigues escrevia em 2006:
151


J. Chrys Chrystello
Os iberistas, ao esboçarem uma Espanha pletórica de energias, de
progresso e criatividade, simulam esquecer que o país exibe a mais
alta taxa de desemprego da UE. Não aludem ao racismo e à xenofobia
…onde os imigrantes, sobretudo os magrebinos, equatorianos e colom-
bianos são mais discriminados.
Há três décadas a Espanha não existia como parceiro comercial. Hoje
ocupa o primeiro lugar nas importações portuguesas. A banca espanho-
la conquistou uma parcela importante. O mesmo ocorre com a hotelaria
e grandes transnacionais como El Corte Inglês e Zara. As imobiliárias
espanholas invadem as cidades. … no Alentejo capitalistas espanhóis
compraram já as melhores terras no Alqueva. Adquiriram milhares de
hectares para criação de porcos, lagares e plantação de oliveiras e vinhas. Essa invasão é festejada pelo Governo de Sócrates e pela grande burguesia. … Agradecem. Com a espontaneidade da nobreza
de 1383 a saudar D João De Castela e a nobreza de 1580 a alinhar
com Filipe II. Essa forma de dominação económica encobre uma moda-
lidade de intervenção imperial. “Alentejo Popular”(Beja) 02-11-06
Portugal atingiu tal irrelevância que ninguém se surpreenderia se
passasse a dependência espanhola, como se de banco se tratasse.
Como se estivéssemos a falar de abrir um escritório no litoral já que
o interior está desertificado de gentes e de economias de mercado viáveis. Por outro lado, despontam a nível governamental, iniciativas de união ibérica, nem sempre dissimuladas, que causam engulhos. Por ser um estudioso do assunto que condensou o que JC pensa, sigamos Carlos Fontes em Lusotopias
O iberismo é um fenómeno do séc. XIX como resposta à teoria das
 grandes nações então em voga. …as pequenas estariam condenadas
a serem absorvidas pelas grandes, tal como teria acontecido entre os
animais onde os mais fortes extinguiram os mais fracos (darwinismo).
Sempre que a situação é melhor no outro lado da fronteira, a integra-
ção de Portugal em Espanha surge aos olhos dos iberistas como a
solução para resolver a crise, sem trabalho… as mortes de dois ibe-
ristas assumiram enorme carga simbólica na história portuguesa, sendo
continuamente evocadas. A morte do Conde de Andeiro, fidalgo galego,
foi assumida como o símbolo de liberdade de um povo que recusa as
ingerências externas. Acabou por ascender a elevada posição na corte,
tendo recebido de D. Fernando o título de Conde de Ourém, pondo-se
152


ChrónicAçores:
.
na crise de 1383-85, ao serviço de Castela. Foi assassinado, em 1383, por D. João, mestre de Avis e futuro rei de Portugal. A sua nefasta ação traduziu-se numa violenta guerra civil.
Já a morte de Miguel de Vascon-celos exprime simbolicamente a afir-mação da identidade cultural de um povo, após a opressão de 60 anos. Após a morte deste esbirro, o povo português travou com a Espanha, durante 28 anos, uma sangrenta guerra na Europa e na América do Sul pela defesa da sua liberdade e dignidade.
…E como já ninguém estuda História, estes episódios perdem
a força, não são transmitidos de geração para geração, perde-se a
memória coletiva do povo. Continuemos com Carlos Fontes:
Nas últimas décadas, órgãos de comunicação social usando da
 liberdade de expressão, têm procurado abrir fraturas na sociedade.
O seu objetivo é simples:
1. Mostrar através de “sondagens” encomendadas ou “discussões”
públicas que na sociedade portuguesa existe um grupo cujo objetivo é a
dissolução do Estado português;
2. Dar “voz” à hipotética minoria iberista portuguesa. Ao mesmo
tempo, a imprensa espanhola mostra aceitação à possível integração.
3. Os supostos iberistas não constituem uma corrente de opinião nem
um movimento organizado.
A imprensa trabalha no terreno das hipóteses…introduzindo elementos de discórdia e desmoralização coletiva.
Oliveira Martins (1845-1894) é o melhor exemplo dos esbirros iberistas.
É difícil de determinar a causa do profundo ódio que manifestava pelos
seus concidadãos e o país. Foi um típico vira-casaca: anarquista, socia-
lista, republicano, monárquico, liberal, antiliberal. Defendeu a liberdade,
mas também a ditadura. Atacou os ditadores, mas apoiou João Franco,
Muitas das suas ideias foram aplicadas por ditadores (Sidónio Pais ou
Oliveira Salazar).
Antero de Quental (1869) era um confesso iberista, dois anos depois já nem fala no assunto, e mais tarde abomina a ideia. Algo idêntico ocorreu com Teófilo Braga. …
Durante as legislativas de setembro 2009 – a TVI -, canal de TV controlado por espanhóis interferiu diretamente na campanha eleitoral, e…afastou a “jornalista” (Manuela Moura Guedes) que promovia uma campanha de propaganda contra o  governo socialista… e a comuni-icação social espanhola procurava lançar nova campanha em defesa das teses iberistas, apoiada numa “sondagem” da Universidade de Salamanca, com a colaboração de alienados no ISCTE (Lisboa).
153


J. Chrys Chrystello
A razão por que se escolheu este tema e as citações supra para esta
crónica é a data que ora se celebra, o dia da Restauração da Indepen-
dência de 1 de dezembro de 1640. Para que os mais jovens nunca o
esqueçam e deixem de a tratar como um dia sem aulas. Infelizmente,
é para a maioria, um dia como qualquer outro nos Açores, sem que
o povo se dê conta do seu significado:
“…arrebatados do generoso impulso, saíram todos das carroças e
avançaram ao paço. .. D. Miguel de Almeida, venerável e brioso, com a
espada na mão grita: Liberdade, portugueses! Viva El-Rei D. João IV”
A ideia de nacionalidade esteve por trás da restauração da inde-
pendência plena de Portugal após 60 anos de monarquia dualista.
Cinco séculos de governo próprio haviam forjado a nação, fortalecen-
do a rejeição da união com o vizinho. A independência fora sempre um
desafio a Castela. Foram sucessivas e acerbas as guerras, as únicas
que Portugal travou na Europa. Para a maioria, os Habsburgo eram
usurpadores, os Espanhóis inimigos e os seus partidários, traidores.
Culturalmente, avançara depressa a castelhanização de 1580 a 1640.
Autores e artistas gravitavam na corte espanhola, aceitavam padrões
espanhóis e escreviam cada vez mais em castelhano, contribuindo para
a riqueza espanhola. Dão a impressão errada de decadência cultural
após 1580. A perda da individualidade cultural era sentida por muitos
portugueses, com reações diversas a favor da língua pátria e da sua
expressão em prosa e poesia. Contudo, os intelectuais sabiam perfei-
tamente que os seus esforços seriam vãos sem a recuperação da
independência política. O Império Português atravessava uma crise
com a entrada em jogo de holandeses e ingleses. Perdera o mono-
pólio comercial (Ásia, África e Brasil) e a Coroa, a nobreza, o clero
e a burguesia haviam sofrido severos cortes de receitas.
Os Espanhóis reagiam contra a presença portuguesa nos seus ter-
ritórios, mediante vários processos, entre os quais a Inquisição. Isso
suscitou grande animosidade nacionalista em Portugal aprofundan-
do o fosso entre os dois países.
Margarida, duquesa de Mântua, neta de Filipe II, exerceu o governo
de Portugal, de 1634 a 1640, como vice-rei e capitão-general. Econo-
micamente, a situação piorara desde 1620 ou até antes. Os produtores
sofriam com a queda dos preços do trigo, azeite e carvão. A crise
afetava as classes baixas, cuja pobreza aumentou sem disfarces. O
agravamento dos impostos tornava a situação pior. A solução apre-
sentava-se fácil e óbvia: a Espanha, causa de todos os males.
154


J. Chrys Chrystello
A conspiração independentista congregava um grupo heterogé-
neo [nobres, funcionários da Casa de Bragança e elementos do clero
(alto e baixo)]. Em novembro de 1640 conseguiram o apoio formal
do duque de Bragança. Na manhã do 1º de dezembro, um grupo de
nobres atacou a sede do governo (Paço da Ribeira), prendeu a du-
quesa de Mântua, matou e feriu membros da guarnição militar e
funcionários, como o Secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos.
Dizia Camões: “Também dos Portugueses alguns traidores houve,
algumas vezes…” (Os Lusíadas, C. IV, 33). Seguidamente, os re-
voltosos percorreram a cidade, aclamando o novo estado, secun-
dados pelo entusiasmo popular. Em todo o Portugal, metropolitano
e ultramarino, a notícia da mudança do regime foi recebida e obe-
decida sem qualquer dúvida. Só Ceuta permaneceu fiel a Filipe IV.
D. João IV entrou em Lisboa a 6 de dezembro. Proclamar a separa-
ção fora fácil. Mais difícil seria mantê-la. Tal como em 1580, em 1640 os
portugueses estavam longe de unidos. As classes inferiores mantinham
a fé nacionalista em D. João IV, mas o clero e a nobreza, com laços em
Espanha, hesitava e a medo alinhava com o duque de Bragança.
O novo monarca estava numa posição pouco invejável. Tornava-se
necessário justificar a secessão não como usurpador, mas a reaver o
que por direito legítimo lhe pertencia. Abundante bibliografia (em
Portugal e fora dele) procurou demonstrar direitos reais do duque
de Bragança. Se o trono jamais estivera vago de direito, em 1580
ou 1640, não havia razões para eleição em cortes, o que retirava
ao povo a importância que teria, fosse o trono declarado vago.
Todo o reinado (1640-56) foi orientado por prioridades. Primeiro, a re-
organização do aparelho militar, reparação de fortalezas das linhas
defensivas fronteiriças, fortalecimento das guarnições e obtenção de
reforços no estrangeiro. Paralelamente, a intensa atividade diplomática
nas cortes da Europa, para obter apoio militar e financeiro, negociar
tratados de paz ou de tréguas, o reconhecimento da Restauração, e a
reconquista do império ultramarino. A nível interno, a estabilidade de-
pendeu, do aniquilamento de toda a dissensão a favor de Espanha.
A guerra da Restauração mobilizou todos os esforços e absorveu
enormes somas. Pior, impediu o governo de conceder ajuda às ata-
cadas possessões ultramarinas. Mas, se o cerne do Império, na Ásia,
foi sacrificado, salvou a Metrópole da ocupação espanhola.
155


ChrónicAçores:
Portugal não dispunha de exército moderno, as forças terrestres
escassas na fronteira, as coudelarias extintas e os melhores generais
lutavam pela Espanha na Europa. Isto explica por que motivo a guerra se limitou a operações fronteiriças de pouca envergadura.
Do lado espanhol, a Guerra dos Trinta Anos (até 1659) e a questão
da Catalunha (até 1652) atrasavam ofensivas de vulto. A guerra, que se
prolongou por 28 anos, teve altos e baixos até se assinar o Tratado de
Lisboa,1668, entre Afonso VI de Portugal e Carlos II de Espanha, em
que este reconhece a independência do nosso País. (Adaptado de
Oliveira Marques, “A Restauração e suas Consequências”, in História de
Portugal, vol. II, Lisboa, ed. Presença, 1998, pp. 176-201).
Hoje anda muita gente com passaporte português a celebrar o 1º
de dezembro como desastre ou deplorável evento. Esquecem que se
tratou da reconquista da liberdade do povo e da nação subjugada
pelo poder dinástico dos Filipes de Castela. Mais vale um povo
pobre e livre do que rico na gaiola dourada com as cores do reino
de Espanha. Assim o dizem os galegos que se acercam das origens
portuguesas preservando a língua e cultura comuns. A memória dos
homens é curta e ninguém sabe nem evoca o jovem Miguel da Paz
(n. 1499) que seria Rei de Portugal e de Espanha se não morresse
aos dois anos. Infelizmente morreu e este “se” é desconhecido dos
portugueses, clamem ou não pelo regresso ao trono espanhol.
São deveras interessantes os “pequenos detalhes” que determinam
o curso da História e que vieram legalizar de pleno direito a sucessão de
Filipe II ao trono de Portugal em 1580, por morte sem descendência do
herdeiro varão, cardeal D. Henrique (68 anos), 9º filho do rei D. Manuel I
A candidatura de Filipe era fortíssima e indiscutível e resultava do ca-
samento da filha terceira de D. Manuel I, com Carlos V (I de Espanha),
pais de Filipe I de Portugal (II de Espanha). Paradoxalmente, antes da
candidatura de Filipe ao trono, a situação poderia ter sido invertida,
unificando as coroas ibéricas “para o lado português”. Em 1499, fora
proclamado herdeiro das coroas de Portugal e de Espanha, Miguel da
Paz, primeiro filho de D. Manuel I com Isabel, filha dos Reis Católicos.
Azar dos portugueses ou conspiração castelhana, morreu com 2 anos.
Por estas e outras razões os portugueses serão sempre saudosistas,
dos espanhóis, de Salazar e do sonho chamado 25 de abril.
 in CHRÓNICAÇORES UMA CIRCUM-NAVEGAÇÃO POR J CHRYS CHRYSTELLO ED CALENDÁRIO DE LETRAS 2011
156


J. Chrys Chrystello
— Quem garante que Portugal estaria melhor como província espa-
nhola do que independente? (Os galegos dizem que não)
— Quem garante que não seria Portugal uma célula independentista,
tipo ETA, (aliada ou não à Galiza)?
E se fosse ao contrário e o Reino de Espanha fosse uma província
de Portugal? Que aconteceria aos Bourbon? Só tinham utilidade nos
EUA. Lá emborcam todos os Bourbon que encontram. Infelizmente,
aqui ao lado, entronizam-nos e chamam-lhes Reis.

>DO IBERISMO AO 1º DEZEMBRO in ChrónicAçores vol.2

>

16.5. Do Iberismo ao 1º de dezembro
Gostava JC de ter algumas réstias do sempiterno otimismo mas a
desoladamente, a sua reserva, está no nível mínimo desde há déca-das. Mas quando, ano após ano, a chuva cai dentro de casa e alaga o chão ou móveis como se não houvesse teto, tem de assumir a péssi-ma qualidade das casas e que os ”mestres” de construção não passam de biscateiros incapazes de fazerem a obra como deve ser. Mas se vai a um restaurante o resultado é similar com um serviço deficiente a preços de luxo, se vai a um mecânico automóvel idem aspas. E o mesmo se passa na saúde, na justiça, na ignorância santa dos novos professores, na incompetência dos que governam e dos que são man-dados. É esta a tradição. Não é de hoje, vem de longe como consta-tou hoje ao traduzir este parágrafo
     Enquanto a Terceira e as ilhas próximas resistiam ao assalto dos espanhóis à Coroa portuguesa, S. Miguel franqueou-lhes a entrada. Esta diferença deveu-se ao facto de o Corregedor Ciprião de Figueiredo estar sedeado em Angra. Fiel apoiante do Prior de Crato, terá proferido a frase “antes morrer livres que em paz sujeitos”. Por outro lado, a capitania de S. Miguel estava na mão da influente família Gonçalves da Câmara. Além disso, residia nessa altura em São Miguel o Bispo dos Açores, D. Pedro de Castilho, fiel a Filipe II. Viria a ser Vice-Rei de Portugal em paga da sua fidelidade à causa castelhana. Mais tarde, o Capitão do Donatário de São Miguel receberia o título de Conde de Vila Franca.
Abundam assim os que esquecem o terror do domínio castelhano e
pressurosos querem entregar o país ao vizinho ibérico.
Miguel Urbano Rodrigues escrevia em 2006:
151


J. Chrys Chrystello
Os iberistas, ao esboçarem uma Espanha pletórica de energias, de
progresso e criatividade, simulam esquecer que o país exibe a mais
alta taxa de desemprego da UE. Não aludem ao racismo e à xenofobia
…onde os imigrantes, sobretudo os magrebinos, equatorianos e colom-
bianos são mais discriminados.
Há três décadas a Espanha não existia como parceiro comercial. Hoje
ocupa o primeiro lugar nas importações portuguesas. A banca espanho-
la conquistou uma parcela importante. O mesmo ocorre com a hotelaria
e grandes transnacionais como El Corte Inglês e Zara. As imobiliárias
espanholas invadem as cidades. … no Alentejo capitalistas espanhóis
compraram já as melhores terras no Alqueva. Adquiriram milhares de
hectares para criação de porcos, lagares e plantação de oliveiras e vinhas. Essa invasão é festejada pelo Governo de Sócrates e pela grande burguesia. … Agradecem. Com a espontaneidade da nobreza
de 1383 a saudar D João De Castela e a nobreza de 1580 a alinhar
com Filipe II. Essa forma de dominação económica encobre uma moda-
lidade de intervenção imperial. “Alentejo Popular”(Beja) 02-11-06
Portugal atingiu tal irrelevância que ninguém se surpreenderia se
passasse a dependência espanhola, como se de banco se tratasse.
Como se estivéssemos a falar de abrir um escritório no litoral já que
o interior está desertificado de gentes e de economias de mercado viáveis. Por outro lado, despontam a nível governamental, iniciativas de união ibérica, nem sempre dissimuladas, que causam engulhos. Por ser um estudioso do assunto que condensou o que JC pensa, sigamos Carlos Fontes em Lusotopias
O iberismo é um fenómeno do séc. XIX como resposta à teoria das
 grandes nações então em voga. …as pequenas estariam condenadas
a serem absorvidas pelas grandes, tal como teria acontecido entre os
animais onde os mais fortes extinguiram os mais fracos (darwinismo).
Sempre que a situação é melhor no outro lado da fronteira, a integra-
ção de Portugal em Espanha surge aos olhos dos iberistas como a
solução para resolver a crise, sem trabalho… as mortes de dois ibe-
ristas assumiram enorme carga simbólica na história portuguesa, sendo
continuamente evocadas. A morte do Conde de Andeiro, fidalgo galego,
foi assumida como o símbolo de liberdade de um povo que recusa as
ingerências externas. Acabou por ascender a elevada posição na corte,
tendo recebido de D. Fernando o título de Conde de Ourém, pondo-se
152


ChrónicAçores:
.
na crise de 1383-85, ao serviço de Castela. Foi assassinado, em 1383, por D. João, mestre de Avis e futuro rei de Portugal. A sua nefasta ação traduziu-se numa violenta guerra civil.
Já a morte de Miguel de Vascon-celos exprime simbolicamente a afir-mação da identidade cultural de um povo, após a opressão de 60 anos. Após a morte deste esbirro, o povo português travou com a Espanha, durante 28 anos, uma sangrenta guerra na Europa e na América do Sul pela defesa da sua liberdade e dignidade.
…E como já ninguém estuda História, estes episódios perdem
a força, não são transmitidos de geração para geração, perde-se a
memória coletiva do povo. Continuemos com Carlos Fontes:
Nas últimas décadas, órgãos de comunicação social usando da
 liberdade de expressão, têm procurado abrir fraturas na sociedade.
O seu objetivo é simples:
1. Mostrar através de “sondagens” encomendadas ou “discussões”
públicas que na sociedade portuguesa existe um grupo cujo objetivo é a
dissolução do Estado português;
2. Dar “voz” à hipotética minoria iberista portuguesa. Ao mesmo
tempo, a imprensa espanhola mostra aceitação à possível integração.
3. Os supostos iberistas não constituem uma corrente de opinião nem
um movimento organizado.
A imprensa trabalha no terreno das hipóteses…introduzindo elementos de discórdia e desmoralização coletiva.
Oliveira Martins (1845-1894) é o melhor exemplo dos esbirros iberistas.
É difícil de determinar a causa do profundo ódio que manifestava pelos
seus concidadãos e o país. Foi um típico vira-casaca: anarquista, socia-
lista, republicano, monárquico, liberal, antiliberal. Defendeu a liberdade,
mas também a ditadura. Atacou os ditadores, mas apoiou João Franco,
Muitas das suas ideias foram aplicadas por ditadores (Sidónio Pais ou
Oliveira Salazar).
Antero de Quental (1869) era um confesso iberista, dois anos depois já nem fala no assunto, e mais tarde abomina a ideia. Algo idêntico ocorreu com Teófilo Braga. …
Durante as legislativas de setembro 2009 – a TVI -, canal de TV controlado por espanhóis interferiu diretamente na campanha eleitoral, e…afastou a “jornalista” (Manuela Moura Guedes) que promovia uma campanha de propaganda contra o  governo socialista… e a comuni-icação social espanhola procurava lançar nova campanha em defesa das teses iberistas, apoiada numa “sondagem” da Universidade de Salamanca, com a colaboração de alienados no ISCTE (Lisboa).
153


J. Chrys Chrystello
A razão por que se escolheu este tema e as citações supra para esta
crónica é a data que ora se celebra, o dia da Restauração da Indepen-
dência de 1 de dezembro de 1640. Para que os mais jovens nunca o
esqueçam e deixem de a tratar como um dia sem aulas. Infelizmente,
é para a maioria, um dia como qualquer outro nos Açores, sem que
o povo se dê conta do seu significado:
“…arrebatados do generoso impulso, saíram todos das carroças e
avançaram ao paço. .. D. Miguel de Almeida, venerável e brioso, com a
espada na mão grita: Liberdade, portugueses! Viva El-Rei D. João IV”
A ideia de nacionalidade esteve por trás da restauração da inde-
pendência plena de Portugal após 60 anos de monarquia dualista.
Cinco séculos de governo próprio haviam forjado a nação, fortalecen-
do a rejeição da união com o vizinho. A independência fora sempre um
desafio a Castela. Foram sucessivas e acerbas as guerras, as únicas
que Portugal travou na Europa. Para a maioria, os Habsburgo eram
usurpadores, os Espanhóis inimigos e os seus partidários, traidores.
Culturalmente, avançara depressa a castelhanização de 1580 a 1640.
Autores e artistas gravitavam na corte espanhola, aceitavam padrões
espanhóis e escreviam cada vez mais em castelhano, contribuindo para
a riqueza espanhola. Dão a impressão errada de decadência cultural
após 1580. A perda da individualidade cultural era sentida por muitos
portugueses, com reações diversas a favor da língua pátria e da sua
expressão em prosa e poesia. Contudo, os intelectuais sabiam perfei-
tamente que os seus esforços seriam vãos sem a recuperação da
independência política. O Império Português atravessava uma crise
com a entrada em jogo de holandeses e ingleses. Perdera o mono-
pólio comercial (Ásia, África e Brasil) e a Coroa, a nobreza, o clero
e a burguesia haviam sofrido severos cortes de receitas.
Os Espanhóis reagiam contra a presença portuguesa nos seus ter-
ritórios, mediante vários processos, entre os quais a Inquisição. Isso
suscitou grande animosidade nacionalista em Portugal aprofundan-
do o fosso entre os dois países.
Margarida, duquesa de Mântua, neta de Filipe II, exerceu o governo
de Portugal, de 1634 a 1640, como vice-rei e capitão-general. Econo-
micamente, a situação piorara desde 1620 ou até antes. Os produtores
sofriam com a queda dos preços do trigo, azeite e carvão. A crise
afetava as classes baixas, cuja pobreza aumentou sem disfarces. O
agravamento dos impostos tornava a situação pior. A solução apre-
sentava-se fácil e óbvia: a Espanha, causa de todos os males.
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J. Chrys Chrystello
A conspiração independentista congregava um grupo heterogé-
neo [nobres, funcionários da Casa de Bragança e elementos do clero
(alto e baixo)]. Em novembro de 1640 conseguiram o apoio formal
do duque de Bragança. Na manhã do 1º de dezembro, um grupo de
nobres atacou a sede do governo (Paço da Ribeira), prendeu a du-
quesa de Mântua, matou e feriu membros da guarnição militar e
funcionários, como o Secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos.
Dizia Camões: “Também dos Portugueses alguns traidores houve,
algumas vezes…” (Os Lusíadas, C. IV, 33). Seguidamente, os re-
voltosos percorreram a cidade, aclamando o novo estado, secun-
dados pelo entusiasmo popular. Em todo o Portugal, metropolitano
e ultramarino, a notícia da mudança do regime foi recebida e obe-
decida sem qualquer dúvida. Só Ceuta permaneceu fiel a Filipe IV.
D. João IV entrou em Lisboa a 6 de dezembro. Proclamar a separa-
ção fora fácil. Mais difícil seria mantê-la. Tal como em 1580, em 1640 os
portugueses estavam longe de unidos. As classes inferiores mantinham
a fé nacionalista em D. João IV, mas o clero e a nobreza, com laços em
Espanha, hesitava e a medo alinhava com o duque de Bragança.
O novo monarca estava numa posição pouco invejável. Tornava-se
necessário justificar a secessão não como usurpador, mas a reaver o
que por direito legítimo lhe pertencia. Abundante bibliografia (em
Portugal e fora dele) procurou demonstrar direitos reais do duque
de Bragança. Se o trono jamais estivera vago de direito, em 1580
ou 1640, não havia razões para eleição em cortes, o que retirava
ao povo a importância que teria, fosse o trono declarado vago.
Todo o reinado (1640-56) foi orientado por prioridades. Primeiro, a re-
organização do aparelho militar, reparação de fortalezas das linhas
defensivas fronteiriças, fortalecimento das guarnições e obtenção de
reforços no estrangeiro. Paralelamente, a intensa atividade diplomática
nas cortes da Europa, para obter apoio militar e financeiro, negociar
tratados de paz ou de tréguas, o reconhecimento da Restauração, e a
reconquista do império ultramarino. A nível interno, a estabilidade de-
pendeu, do aniquilamento de toda a dissensão a favor de Espanha.
A guerra da Restauração mobilizou todos os esforços e absorveu
enormes somas. Pior, impediu o governo de conceder ajuda às ata-
cadas possessões ultramarinas. Mas, se o cerne do Império, na Ásia,
foi sacrificado, salvou a Metrópole da ocupação espanhola.
155


ChrónicAçores:
Portugal não dispunha de exército moderno, as forças terrestres
escassas na fronteira, as coudelarias extintas e os melhores generais
lutavam pela Espanha na Europa. Isto explica por que motivo a guerra se limitou a operações fronteiriças de pouca envergadura.
Do lado espanhol, a Guerra dos Trinta Anos (até 1659) e a questão
da Catalunha (até 1652) atrasavam ofensivas de vulto. A guerra, que se
prolongou por 28 anos, teve altos e baixos até se assinar o Tratado de
Lisboa,1668, entre Afonso VI de Portugal e Carlos II de Espanha, em
que este reconhece a independência do nosso País. (Adaptado de
Oliveira Marques, “A Restauração e suas Consequências”, in História de
Portugal, vol. II, Lisboa, ed. Presença, 1998, pp. 176-201).
Hoje anda muita gente com passaporte português a celebrar o 1º
de dezembro como desastre ou deplorável evento. Esquecem que se
tratou da reconquista da liberdade do povo e da nação subjugada
pelo poder dinástico dos Filipes de Castela. Mais vale um povo
pobre e livre do que rico na gaiola dourada com as cores do reino
de Espanha. Assim o dizem os galegos que se acercam das origens
portuguesas preservando a língua e cultura comuns. A memória dos
homens é curta e ninguém sabe nem evoca o jovem Miguel da Paz
(n. 1499) que seria Rei de Portugal e de Espanha se não morresse
aos dois anos. Infelizmente morreu e este “se” é desconhecido dos
portugueses, clamem ou não pelo regresso ao trono espanhol.
São deveras interessantes os “pequenos detalhes” que determinam
o curso da História e que vieram legalizar de pleno direito a sucessão de
Filipe II ao trono de Portugal em 1580, por morte sem descendência do
herdeiro varão, cardeal D. Henrique (68 anos), 9º filho do rei D. Manuel I
A candidatura de Filipe era fortíssima e indiscutível e resultava do ca-
samento da filha terceira de D. Manuel I, com Carlos V (I de Espanha),
pais de Filipe I de Portugal (II de Espanha). Paradoxalmente, antes da
candidatura de Filipe ao trono, a situação poderia ter sido invertida,
unificando as coroas ibéricas “para o lado português”. Em 1499, fora
proclamado herdeiro das coroas de Portugal e de Espanha, Miguel da
Paz, primeiro filho de D. Manuel I com Isabel, filha dos Reis Católicos.
Azar dos portugueses ou conspiração castelhana, morreu com 2 anos.
Por estas e outras razões os portugueses serão sempre saudosistas,
dos espanhóis, de Salazar e do sonho chamado 25 de abril.
 in CHRÓNICAÇORES UMA CIRCUM-NAVEGAÇÃO POR J CHRYS CHRYSTELLO ED CALENDÁRIO DE LETRAS 2011
156


J. Chrys Chrystello
— Quem garante que Portugal estaria melhor como província espa-
nhola do que independente? (Os galegos dizem que não)
— Quem garante que não seria Portugal uma célula independentista,
tipo ETA, (aliada ou não à Galiza)?
E se fosse ao contrário e o Reino de Espanha fosse uma província
de Portugal? Que aconteceria aos Bourbon? Só tinham utilidade nos
EUA. Lá emborcam todos os Bourbon que encontram. Infelizmente,
aqui ao lado, entronizam-nos e chamam-lhes Reis.

Revolução de 1 de Dezembro de 1640

Data Lusófona/ Portugal in DIÁLOGOS LUSÓFONOS

11/30/11, jorge vicente enviou::

Revolução de 1 de Dezembro de 1640

Este acontecimento teve inicio em: 01-12-1640 e terminou em 01-12-1640
Vencedor: Reino de Portugal
Forças em presença:



Reino de Portugal

Reinos Habsburgos espanhóis


Em 1 de Dezembro de 1640, termina o período de 60 anos em que o Reino de Portugal, foi governado pela dinastia de origem austríaca dos Habsburgos, com o fim do reinado de D.Filipe III (conhecido como Felipe IV em Espanha).
Na realidade, a dinastia do ramo hispânico dos Habsburgos, ficou em Portugal conhecida como Filipina, por todos os monarcas se chamarem Filipe.

Quando em 1578 sob o comando do rei D. Sebastião, Portugal foi derrotado na batalha de Alcacer Quibir, ficou sem rei ou sucessor ao trono.
Durante dois anos o trono foi ainda ocupado pelo Cardeal-Rei D. Henrique, mas os direitos de Filipe-II de Castela (o monarca Habsburgo era primo de D. Sebastião e portanto neto de D. João III) por um lado e o seu dinheiro por outro, levaram a que grande parte da nobreza portuguesa aceitasse o domínio de um rei estrangeiro.

É importante realçar que não deixa de ser verdade que Portugal continuou separado dos restantes reinos da família Habsburgo, como também não é absolutamente verdade que tivesse existido na península ibérica uma monarquia dual, como alguns historiadores a chamam. A monarquia dos Habsburgo controlava inúmeros estados, todos eles separados entre si. Portugal não era diferente da Catalunha, da Flandres, de Castela, de Navarra, de Nápoles ou de Valência, mas cada um desses países era independente dos outros.

A monarquia dos Habsburgo, era provavelmente mais parecida com uma União Europeia, que efectivamente com um país.

Essa completa separação de estados alinhavados uns aos outros por ténues laços, era considerada o grande calcanhar de Aquiles da monarquia, e acabaria por ser a principal razão da sua decadência.

Para evitar a continua fricção entre os vários reinos, principados, e regiões, a solução passava pela submissão de todos eles a um único rei com um único governo. Isso levou a que se iniciasse uma politica de centralização administrativa, que entrava em conflito com os direitos jurados pelo monarca em cada um dos reinos da coroa.

No caso português, nas corte de Tomar em 1581, D. Filipe I, (Felipe-II em Castela) prestou juramento como rei de Portugal, mas o seu neto, Filipe-III (Felipe-IV de Castela) fez letra morta dos juramento do seu avô.

Do ponto de vista jurídico, ao violar o juramento que Filipe-I tinha feito em 1581 perante as cortes de Tomar, Filipe-III perdeu a legitimidade para governar Portugal, legitimidade essa que dependia do cumprimento das obrigações a que se tinha obrigado por juramento.

O ano de 1640

Quando em 1640 os nobres portugueses, muitos deles desiludidos com o não cumprimento das promessas dos monarcas decidem revoltar-se, eles não tomam uma decisão original.
Na verdade, nesse mesmo ano de 1640, durante o Verão, um outro país da península ibérica decidiu revoltar-se contra exactamente o mesmo estado de coisas e expulsar a família real dos Habsburgo.

A monarquia hispânica está envolvida na chamada guerra dos trinta anos e se não tem na altura meios eficazes para esmagar a revolta na Catalunha, muito menos os tem, para debelar a revolta em Portugal.

Revolta de «Els Segadors»: A independência da Catalunha no Verão de 1640 serviu de catalizador para que Portugal também se separasse dos Habsburgos espanhóis

O que aconteceu em 1640 ?

O aumento da tensão entre a coroa dos Habsburgos em Madrid e a burguesia catalã de Barcelona, que tinha vindo a crescer desde havia uma década, levou a uma revolta que conduziu à separação do condado da Catalunha (parte da Coroa de Aragão) no Verão de 1640. A Catalunha pede auxilio ao rei de França para lutar contra os castelhanos, que eram o núcleo e o principal poder na peninsula ibérica.
Para debelar a revolta da Catalunha, o monarca manda que se mobilize a nobreza dos restantes reinos, especialmente a portuguesa, com o objectivo de atacar os catalães.

A ordem de mobilização chega em 24 de Agosto, e todos, mesmo D.João II, Duque de Bragança deveriam comparecer perante o rei.
Em Portugal os nobres recusam-se e pressionam o mais rico e influente representante da nobreza portuguesa – exactamente o Duque de Bragança – para que aceite chefiar uma revolta para voltar a colocar uma monarca português no trono em Lisboa, terminando assim o período de União Ibérica. A revolta deveria impedir que com os planos de unificação forçada do Primeiro Ministro Conde-Duque de Olivares o país e a sua autonomia perante a coroa em Madrid fossem destruídos.

A nobreza pressionou o Duque de Bragança[1], o neto de Catarina de Bragança (a pretendente ao trono que em 1580 tinha mais legitimidade), quando Filipe II de Castela tomou o lugar de rei, após ter subornado grande parte da nobreza portuguesa.

O Duque, de 36 anos de idade, tinha assumido o lugar do pai, havia apenas dez anos e vivia em Vila Viçosa. Os nobres chegaram a ameaça-lo com a implantação de uma república de nobres, à imagem de Veneza, o que colocaria em causa as suas propriedades por todo o país.

Na verdade o Duque tinha pouco a ganhar com uma revolta contra Filipe III, pois afinal era o homem mais rico de toda a península ibérica e muita da sua riqueza e poder tinha sido conseguida com o apoio do rei em Madrid, que pretendia controlar qualquer veleidade do Duque. Pode-se mesmo afirmar que Filipe III (Felipe IV de Castela) tinha confiança no Duque de Bragança, ao ponto de o ter nomeado comandante militar de Portugal.
Esta nomeação, foi igualmente determinante para o sucesso da revolução.

Os nobres tiveram também todas as cautelas para não transformar a revolução de 1640 numa revolução de cariz popular. O golpe teria que ser dado, e só depois disso se deveria informar o povo de Lisboa, quando a situação já estivesse sob controlo.

Em Lisboa, quem garantia o poder real, era a duquesa de Mântua que tinha o cargo de Vice-Rainha, e era prima de Filipe III, tendo sido designada para o lugar, em completa contravenção com o compromisso assinado 60 anos antes por Filipe I [2].
Quem protegia militarmente a administração, eram mercenários católicos de origem alemã, que eram um dos principais esteios do poder militar da decadente coroa dos Habsburgos.

Miguel Vasconcelos é atirado pela janela do paço. A expressão defenestrado ou atirado pela janela é normalmente utilizada para referir traidores favoráveis a Espanha, embora noutros países também encontremos a expressão, como forma de matar usurpadores.

O dia 1 de Dezembro
Ao despontar do dia 1 de Dezembro de 1640, o que deve ter acontecido por volta das 07:00 horas entram no palácio real cerca de 40 nobres portugueses, conhecidos pelos «conjurados», que rapidamente controlam a guarda tudesca [3]. Procuram o secretário de estado Miguel de Vasconcelos cuja morte tinha sido inicialmente determinada. Executam-no, e obrigam pela força a duquesa de Mântua a ordenar a rendição das forças fieis ao monarca Habsburgo no castelo de São Jorge e nas fortalezas que defendem o rio Tejo, a torre de Almada e a torre de Belém.

Só por volta das 10:00 horas da manhã é que o povo de Lisboa tem conhecimento do sucedido, já o duque de Bragança é Rei de Portugal.

Embora guiada e conduzida pela nobreza portuguesa, a revolução tem uma aceitação total. Em todo o país quando se conhece a boa nova da destituição da duquesa e do fim do domínio dos Habsburgos, há movimentações de regozijo. As várias cidades do país declaram o seu apoio a D. João IV em poucos dias. No dia seguinte pela manhã, 2 de Dezembro, a notícia chega a Setúbal, onde a população cerca a fortaleza de São Filipe, onde se encontrava uma guarnição de italianos e alemães e é tomada a fortaleza do Outão, garantindo assim a protecção de Lisboa contra eventuais desembarques.

O duque de Bragança só chega a Lisboa no dia 6 de Dezembro para ser aclamado rei, com o título de D.João IV. Nas duas semanas que se seguem – todo o país – nobres e municípios, se declara por D. João IV, sem que seja disparado um único tiro.

Quando a notícia começa a chegar ao reino de Castela os estudantes portugueses da universidade de Salamanca abandonam a cidade e voltam a Portugal para se alistarem no exército.
Já os nobres portugueses que se encontravam em Madrid dividem-se em dois grupos.
Enquanto uma parte junta os seus haveres e volta para Portugal, outra parte acabará por preferir as vantagens e o dinheiro que a sua presença na corte madrilena lhes davam, não retornando a Portugal e mesmo lutando contra a independência do seu próprio país.

País em pé-de-guerra

A seguir a 1 de Dezembro são tomadas medidas para por o país em pé-de-guerra. Grande parte da economia encontra-se completamente destruída. As guerras e os impostos lançados pela monarquia da casa de Áustria tinham destruído ou arruinado sectores inteiros da economia, especialmente aqueles que viviam das exportações para a Inglaterra e para a Flandres.

A situação de Portugal em 1640, era de absoluta miséria. O dinheiro que 60 anos antes se esperava viesse de Madrid para ajudar a recuperar uma economia mal gerida e infestada pela administração corrupta no tempo de D. Sebastião e seus antecessores nunca se materializou e o «Hispanismo»[4] deixara o país numa crise sem precedentes.

Mesmo os mais férteis campos portugueses, estavam tomados por urzes e ervas daninhas. O país estava decrépito e decadente e à beira da ruína. O primeiro-ministro do rei castelhano – o Conde-Duque de Olivares – tinha estudado bem a questão, e Portugal estava numa situação de decadência tal, que deveria aceitar a absorção pela coroa castelhana sem grandes dificuldades.

Capacidade de recuperação e resistência

No entanto, contra todas as expectativas, contra muitas previsões e contra a própria lógica, o país resistiu e ainda hoje é difícil entender como o conseguiu fazer.

Embora a historiografia espanhola tenha criado o mito do apoio dos ingleses a Portugal, esse apoio nunca passou de um mito.

Portugal encontrava-se completamente sozinho, com os países católicos a apoiarem o governo de Madrid, com o Papa a não reconhecer Portugal, e com os países protestantes nada interessados na paz com Portugal, estando muito mais interessados em atacar as possessões que ainda eram legalmente portuguesas.

Mesmo arruinado, esfomeado, decadente, o país conseguiu reunir forças para enfrentar exércitos que sabia haviam de chegar, e que sabia serem inevitavelmente muito superiores.

Em 1641 foi votado um imposto extraordinário chamado a décima militar, em que cada cidadão tinha que contribuir com 10% de todos os seus bens, para se levantar a defesa do país.

A contribuição para a defesa do país, foi muito mais pesada que a exigida durante o período dos monarcas Habsburgo. No entanto não existem notícias de quaisquer protestos contra este imposto.

Todos os territórios portugueses se declaram ao lado de D. João VI.

Significativo é também o facto de, logo que foram enviados emissários a todos os territórios da coroa portuguesa, todos eles, com excepção da cidade de Ceuta, cujo governador era castelhano, voltam a hastear a bandeira de Portugal.

Do Brasil, partirão expedições destinadas a expulsar os holandeses de Angola. O Brasil continuará a guerra contra a Holanda, no norte do território.
De Goa, partem militares para posições nas costas de África.

Custos da revolução

No entanto, a debilidade demográfica implicava a absoluta necessidade de algum reconhecimento internacional, que permitisse a Portugal negociar a Paz com as potências que faziam guerra contra a Espanha.

Essa Paz não foi apenas negociada, ela foi também comprada. Cidades como Bombaim ou Tanger, são cedidas em nome dessa necessidade. Também no Brasil, muitos territórios são negociados com a Holanda, que estando apenas interessada no lucro e não na colonização de territórios, concluiu que o dinheiro proposto por Portugal, era mais que o que a Holanda poderia lucrar com o nordeste brasileiro, tendo assim facilitado a retoma daqueles territórios.

A revolução de 1 de Dezembro, continua ainda hoje a ser um símbolo não só da firme vontade dos portugueses de manter a sua independência, como um símbolo da catastrófica tentativa de União Ibérica, que inicialmente parecia um negócio interessante para as elites subsidiárias portuguesas, mas que quase levou à destruição total do país.

A expressão «de Espanha nem bom vento nem bom casamento» ainda hoje lembra aos portugueses as desvantagens das uniões com o seu poderoso vizinho.


[1] O duque de Bragança era o homem mais rico da península ibérica e era praticamente dono de grande parte das terras de Portugal. Além de duque de Bragança era igualmente duque de Barcelos e de Guimarães, marquês de Valença e de Vila Viçosa, conde de Ourém, Arraiolos e de Neiva, possuindo uma quantidade enorme de propriedades e senhorios. Calcula-se que o numero total de pessoas sob a dependência directa do duque de Bragança e seus súbditos fosse de aproximadamente 100.000.
É o poder do duque de Bragança e a sua capacidade para armar exércitos próprios – que chegaram a atingir 13 000 homens que apoiaram o monarca Habsburgo contra o Prior do Crato – que levaram a que fosse muitas vezes encarado com desconfiança em Madrid.
O Conde-Duque de Olivares tentou retirar D. João de Portugal nomeando-o Vice-rei da Lombardia, mas a oferta foi recusada. Os planos de Olivares, previam nesse mesmo ano de 1640 a pura e simples dissolução do Reino de Portugal.
O duque de Bragança era demasiado poderoso se estivesse contra o monarca em Madrid, mas este não queria ou não podia enfrentar o duque. A opção foi a de lhe dar cada vez mais poder para o manter contente. Em última análise, esta opção dos Filipes acabou por se voltar contra eles.

[2] Filipe I (Felipe II de Castela) tinha jurado nos forais do Reino de Portugal, depois das cortes de Tomar em 1581 que não poderiam ser nomeados para altos-cargos no reino de Portugal pessoas que não fossem naturais do reino.

[3] Os militares de origem germânica eram conhecidos como tudescos, palavra derivada do termo italiano «tedeschi», que designa alemão. Trata-se portanto de um sinónimo.

[4] – Hispanismo, ou Iberismo, teoria que advoga que os vários países da peninsula dita Ibérica ou Hispânica, devem fazer parte de uma mesma unidade politica.

 
__,_._,___

>Revolução de 1 de Dezembro de 1640

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Data Lusófona/ Portugal in DIÁLOGOS LUSÓFONOS

11/30/11, jorge vicente enviou::

Revolução de 1 de Dezembro de 1640

Este acontecimento teve inicio em: 01-12-1640 e terminou em 01-12-1640
Vencedor: Reino de Portugal
Forças em presença:



Reino de Portugal

Reinos Habsburgos espanhóis


Em 1 de Dezembro de 1640, termina o período de 60 anos em que o Reino de Portugal, foi governado pela dinastia de origem austríaca dos Habsburgos, com o fim do reinado de D.Filipe III (conhecido como Felipe IV em Espanha).
Na realidade, a dinastia do ramo hispânico dos Habsburgos, ficou em Portugal conhecida como Filipina, por todos os monarcas se chamarem Filipe.

Quando em 1578 sob o comando do rei D. Sebastião, Portugal foi derrotado na batalha de Alcacer Quibir, ficou sem rei ou sucessor ao trono.
Durante dois anos o trono foi ainda ocupado pelo Cardeal-Rei D. Henrique, mas os direitos de Filipe-II de Castela (o monarca Habsburgo era primo de D. Sebastião e portanto neto de D. João III) por um lado e o seu dinheiro por outro, levaram a que grande parte da nobreza portuguesa aceitasse o domínio de um rei estrangeiro.

É importante realçar que não deixa de ser verdade que Portugal continuou separado dos restantes reinos da família Habsburgo, como também não é absolutamente verdade que tivesse existido na península ibérica uma monarquia dual, como alguns historiadores a chamam. A monarquia dos Habsburgo controlava inúmeros estados, todos eles separados entre si. Portugal não era diferente da Catalunha, da Flandres, de Castela, de Navarra, de Nápoles ou de Valência, mas cada um desses países era independente dos outros.

A monarquia dos Habsburgo, era provavelmente mais parecida com uma União Europeia, que efectivamente com um país.

Essa completa separação de estados alinhavados uns aos outros por ténues laços, era considerada o grande calcanhar de Aquiles da monarquia, e acabaria por ser a principal razão da sua decadência.

Para evitar a continua fricção entre os vários reinos, principados, e regiões, a solução passava pela submissão de todos eles a um único rei com um único governo. Isso levou a que se iniciasse uma politica de centralização administrativa, que entrava em conflito com os direitos jurados pelo monarca em cada um dos reinos da coroa.

No caso português, nas corte de Tomar em 1581, D. Filipe I, (Felipe-II em Castela) prestou juramento como rei de Portugal, mas o seu neto, Filipe-III (Felipe-IV de Castela) fez letra morta dos juramento do seu avô.

Do ponto de vista jurídico, ao violar o juramento que Filipe-I tinha feito em 1581 perante as cortes de Tomar, Filipe-III perdeu a legitimidade para governar Portugal, legitimidade essa que dependia do cumprimento das obrigações a que se tinha obrigado por juramento.

O ano de 1640

Quando em 1640 os nobres portugueses, muitos deles desiludidos com o não cumprimento das promessas dos monarcas decidem revoltar-se, eles não tomam uma decisão original.
Na verdade, nesse mesmo ano de 1640, durante o Verão, um outro país da península ibérica decidiu revoltar-se contra exactamente o mesmo estado de coisas e expulsar a família real dos Habsburgo.

A monarquia hispânica está envolvida na chamada guerra dos trinta anos e se não tem na altura meios eficazes para esmagar a revolta na Catalunha, muito menos os tem, para debelar a revolta em Portugal.

Revolta de «Els Segadors»: A independência da Catalunha no Verão de 1640 serviu de catalizador para que Portugal também se separasse dos Habsburgos espanhóis

O que aconteceu em 1640 ?

O aumento da tensão entre a coroa dos Habsburgos em Madrid e a burguesia catalã de Barcelona, que tinha vindo a crescer desde havia uma década, levou a uma revolta que conduziu à separação do condado da Catalunha (parte da Coroa de Aragão) no Verão de 1640. A Catalunha pede auxilio ao rei de França para lutar contra os castelhanos, que eram o núcleo e o principal poder na peninsula ibérica.
Para debelar a revolta da Catalunha, o monarca manda que se mobilize a nobreza dos restantes reinos, especialmente a portuguesa, com o objectivo de atacar os catalães.

A ordem de mobilização chega em 24 de Agosto, e todos, mesmo D.João II, Duque de Bragança deveriam comparecer perante o rei.
Em Portugal os nobres recusam-se e pressionam o mais rico e influente representante da nobreza portuguesa – exactamente o Duque de Bragança – para que aceite chefiar uma revolta para voltar a colocar uma monarca português no trono em Lisboa, terminando assim o período de União Ibérica. A revolta deveria impedir que com os planos de unificação forçada do Primeiro Ministro Conde-Duque de Olivares o país e a sua autonomia perante a coroa em Madrid fossem destruídos.

A nobreza pressionou o Duque de Bragança[1], o neto de Catarina de Bragança (a pretendente ao trono que em 1580 tinha mais legitimidade), quando Filipe II de Castela tomou o lugar de rei, após ter subornado grande parte da nobreza portuguesa.

O Duque, de 36 anos de idade, tinha assumido o lugar do pai, havia apenas dez anos e vivia em Vila Viçosa. Os nobres chegaram a ameaça-lo com a implantação de uma república de nobres, à imagem de Veneza, o que colocaria em causa as suas propriedades por todo o país.

Na verdade o Duque tinha pouco a ganhar com uma revolta contra Filipe III, pois afinal era o homem mais rico de toda a península ibérica e muita da sua riqueza e poder tinha sido conseguida com o apoio do rei em Madrid, que pretendia controlar qualquer veleidade do Duque. Pode-se mesmo afirmar que Filipe III (Felipe IV de Castela) tinha confiança no Duque de Bragança, ao ponto de o ter nomeado comandante militar de Portugal.
Esta nomeação, foi igualmente determinante para o sucesso da revolução.

Os nobres tiveram também todas as cautelas para não transformar a revolução de 1640 numa revolução de cariz popular. O golpe teria que ser dado, e só depois disso se deveria informar o povo de Lisboa, quando a situação já estivesse sob controlo.

Em Lisboa, quem garantia o poder real, era a duquesa de Mântua que tinha o cargo de Vice-Rainha, e era prima de Filipe III, tendo sido designada para o lugar, em completa contravenção com o compromisso assinado 60 anos antes por Filipe I [2].
Quem protegia militarmente a administração, eram mercenários católicos de origem alemã, que eram um dos principais esteios do poder militar da decadente coroa dos Habsburgos.

Miguel Vasconcelos é atirado pela janela do paço. A expressão defenestrado ou atirado pela janela é normalmente utilizada para referir traidores favoráveis a Espanha, embora noutros países também encontremos a expressão, como forma de matar usurpadores.

O dia 1 de Dezembro
Ao despontar do dia 1 de Dezembro de 1640, o que deve ter acontecido por volta das 07:00 horas entram no palácio real cerca de 40 nobres portugueses, conhecidos pelos «conjurados», que rapidamente controlam a guarda tudesca [3]. Procuram o secretário de estado Miguel de Vasconcelos cuja morte tinha sido inicialmente determinada. Executam-no, e obrigam pela força a duquesa de Mântua a ordenar a rendição das forças fieis ao monarca Habsburgo no castelo de São Jorge e nas fortalezas que defendem o rio Tejo, a torre de Almada e a torre de Belém.

Só por volta das 10:00 horas da manhã é que o povo de Lisboa tem conhecimento do sucedido, já o duque de Bragança é Rei de Portugal.

Embora guiada e conduzida pela nobreza portuguesa, a revolução tem uma aceitação total. Em todo o país quando se conhece a boa nova da destituição da duquesa e do fim do domínio dos Habsburgos, há movimentações de regozijo. As várias cidades do país declaram o seu apoio a D. João IV em poucos dias. No dia seguinte pela manhã, 2 de Dezembro, a notícia chega a Setúbal, onde a população cerca a fortaleza de São Filipe, onde se encontrava uma guarnição de italianos e alemães e é tomada a fortaleza do Outão, garantindo assim a protecção de Lisboa contra eventuais desembarques.

O duque de Bragança só chega a Lisboa no dia 6 de Dezembro para ser aclamado rei, com o título de D.João IV. Nas duas semanas que se seguem – todo o país – nobres e municípios, se declara por D. João IV, sem que seja disparado um único tiro.

Quando a notícia começa a chegar ao reino de Castela os estudantes portugueses da universidade de Salamanca abandonam a cidade e voltam a Portugal para se alistarem no exército.
Já os nobres portugueses que se encontravam em Madrid dividem-se em dois grupos.
Enquanto uma parte junta os seus haveres e volta para Portugal, outra parte acabará por preferir as vantagens e o dinheiro que a sua presença na corte madrilena lhes davam, não retornando a Portugal e mesmo lutando contra a independência do seu próprio país.

País em pé-de-guerra

A seguir a 1 de Dezembro são tomadas medidas para por o país em pé-de-guerra. Grande parte da economia encontra-se completamente destruída. As guerras e os impostos lançados pela monarquia da casa de Áustria tinham destruído ou arruinado sectores inteiros da economia, especialmente aqueles que viviam das exportações para a Inglaterra e para a Flandres.

A situação de Portugal em 1640, era de absoluta miséria. O dinheiro que 60 anos antes se esperava viesse de Madrid para ajudar a recuperar uma economia mal gerida e infestada pela administração corrupta no tempo de D. Sebastião e seus antecessores nunca se materializou e o «Hispanismo»[4] deixara o país numa crise sem precedentes.

Mesmo os mais férteis campos portugueses, estavam tomados por urzes e ervas daninhas. O país estava decrépito e decadente e à beira da ruína. O primeiro-ministro do rei castelhano – o Conde-Duque de Olivares – tinha estudado bem a questão, e Portugal estava numa situação de decadência tal, que deveria aceitar a absorção pela coroa castelhana sem grandes dificuldades.

Capacidade de recuperação e resistência

No entanto, contra todas as expectativas, contra muitas previsões e contra a própria lógica, o país resistiu e ainda hoje é difícil entender como o conseguiu fazer.

Embora a historiografia espanhola tenha criado o mito do apoio dos ingleses a Portugal, esse apoio nunca passou de um mito.

Portugal encontrava-se completamente sozinho, com os países católicos a apoiarem o governo de Madrid, com o Papa a não reconhecer Portugal, e com os países protestantes nada interessados na paz com Portugal, estando muito mais interessados em atacar as possessões que ainda eram legalmente portuguesas.

Mesmo arruinado, esfomeado, decadente, o país conseguiu reunir forças para enfrentar exércitos que sabia haviam de chegar, e que sabia serem inevitavelmente muito superiores.

Em 1641 foi votado um imposto extraordinário chamado a décima militar, em que cada cidadão tinha que contribuir com 10% de todos os seus bens, para se levantar a defesa do país.

A contribuição para a defesa do país, foi muito mais pesada que a exigida durante o período dos monarcas Habsburgo. No entanto não existem notícias de quaisquer protestos contra este imposto.

Todos os territórios portugueses se declaram ao lado de D. João VI.

Significativo é também o facto de, logo que foram enviados emissários a todos os territórios da coroa portuguesa, todos eles, com excepção da cidade de Ceuta, cujo governador era castelhano, voltam a hastear a bandeira de Portugal.

Do Brasil, partirão expedições destinadas a expulsar os holandeses de Angola. O Brasil continuará a guerra contra a Holanda, no norte do território.
De Goa, partem militares para posições nas costas de África.

Custos da revolução

No entanto, a debilidade demográfica implicava a absoluta necessidade de algum reconhecimento internacional, que permitisse a Portugal negociar a Paz com as potências que faziam guerra contra a Espanha.

Essa Paz não foi apenas negociada, ela foi também comprada. Cidades como Bombaim ou Tanger, são cedidas em nome dessa necessidade. Também no Brasil, muitos territórios são negociados com a Holanda, que estando apenas interessada no lucro e não na colonização de territórios, concluiu que o dinheiro proposto por Portugal, era mais que o que a Holanda poderia lucrar com o nordeste brasileiro, tendo assim facilitado a retoma daqueles territórios.

A revolução de 1 de Dezembro, continua ainda hoje a ser um símbolo não só da firme vontade dos portugueses de manter a sua independência, como um símbolo da catastrófica tentativa de União Ibérica, que inicialmente parecia um negócio interessante para as elites subsidiárias portuguesas, mas que quase levou à destruição total do país.

A expressão «de Espanha nem bom vento nem bom casamento» ainda hoje lembra aos portugueses as desvantagens das uniões com o seu poderoso vizinho.


[1] O duque de Bragança era o homem mais rico da península ibérica e era praticamente dono de grande parte das terras de Portugal. Além de duque de Bragança era igualmente duque de Barcelos e de Guimarães, marquês de Valença e de Vila Viçosa, conde de Ourém, Arraiolos e de Neiva, possuindo uma quantidade enorme de propriedades e senhorios. Calcula-se que o numero total de pessoas sob a dependência directa do duque de Bragança e seus súbditos fosse de aproximadamente 100.000.
É o poder do duque de Bragança e a sua capacidade para armar exércitos próprios – que chegaram a atingir 13 000 homens que apoiaram o monarca Habsburgo contra o Prior do Crato – que levaram a que fosse muitas vezes encarado com desconfiança em Madrid.
O Conde-Duque de Olivares tentou retirar D. João de Portugal nomeando-o Vice-rei da Lombardia, mas a oferta foi recusada. Os planos de Olivares, previam nesse mesmo ano de 1640 a pura e simples dissolução do Reino de Portugal.
O duque de Bragança era demasiado poderoso se estivesse contra o monarca em Madrid, mas este não queria ou não podia enfrentar o duque. A opção foi a de lhe dar cada vez mais poder para o manter contente. Em última análise, esta opção dos Filipes acabou por se voltar contra eles.

[2] Filipe I (Felipe II de Castela) tinha jurado nos forais do Reino de Portugal, depois das cortes de Tomar em 1581 que não poderiam ser nomeados para altos-cargos no reino de Portugal pessoas que não fossem naturais do reino.

[3] Os militares de origem germânica eram conhecidos como tudescos, palavra derivada do termo italiano «tedeschi», que designa alemão. Trata-se portanto de um sinónimo.

[4] – Hispanismo, ou Iberismo, teoria que advoga que os vários países da peninsula dita Ibérica ou Hispânica, devem fazer parte de uma mesma unidade politica.

 
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a escolha da escola

logo_fle_1pequeno
A imprensa tem dado nota da intenção do Governo de consagrar a possibilidade de Escolha da Escola, nos moldes em que existe actualmente para o secundário. A  Escolha da Escola é um direito fundamental dos pais, pelo que o FLE congratula-se com esta medida ainda só prevista para o ensino público. Com expectativa aguardamos as regras de apoio aos pais na selecção da escola, bem como as medidas que garantem a transparência e clareza dos critérios que devem acompanhar a Escolha da Escola como medida de justiça social. Das experiência internacionais, retiramos a extrema importância de um quadro de avaliação, monitorização e de responsabilização das escolas, num paradigma de rigor e transparência e de informação às familias, fundamentalmente às mais carenciadas, para que a Escolha da Escola seja de facto um instrumento de mobilidade, que permita às famílias ultrapassarem a actual segregação pela zona de residência. Passos iniciais para um salto qualitativo e ousado na defesa dos Direitos dos Pais.
Damos nota das notícias que foram sendo publicadas sobre o assunto e convidamo-lo a ler o nosso dossier sobre escolha da escola.

Diário de Educação


The Voucher Revolution
To be clear, a voucher as the term is used here is a publicly or privately funded scholarship awarded directly to families to pay the costs of the private schools they choose for their children.” Hoover Institution Journal.

Francês:
Uma língua bem presente entre nós. Público, 26 Nov 2011.

Crato diz que país não está a conseguir educar os jovens
“Temos um problema. É que não estamos a conseguir educar os nossos jovens como gostaríamos. No que se refere à Matemática e à Física temos muitos jovens que gostariam de ser engenheiros, cientistas, gestores ou economistas e não conseguem, porque não têm sucesso. É importante despertar os jovens para a cultura científica”. I Online, 22 Nov 2011.

Nuno Crato: “Acabar com a história e a geografia no 3º ciclo só por cima do meu cadáver”
O ministro da Educação, Nuno Crato, garante que o Governo não vai acabar com as disciplinas de História e Geografia no 3º ciclo do ensino básico. Público, 17 Nov 2011.

Parque Escolar mantém-se porque ainda está a decorrer auditoria, afirma Nuno Crato
O ministro da Educação, Nuno Crato, justificou hoje a manutenção da Parque Escolar e da administração em funções com o facto de estar em curso uma auditoria no Tribunal de Contas. IOnline, 17 Nov 2011.

OE 2012. Rede de ensino pré-escolar vai ser reforçada com abertura de mais 500 salas
O ministro da Educação, Nuno Crato, anunciou hoje no Parlamento que será reforçada a rede de ensino pré-escolar, com a abertura de mais 500 salas. IOnline, 17 Nov 2011.

Tudo em aberto no Ministério da Educação
FENPROF e FNE reuniram-se com o ministro da Educação e saíram do encontro “pouco esclarecidas”. Nuno Crato avisou que não há “ideias fechadas”. Portal Educare, 9 Nov 2011.

TIC pode vir a integrar o currículo do 6.º ano
A disciplina de Tecnologias de Informação e da Comunicação (TIC), que actualmente integra o currículo do 9.º ano, poderá vir a ser leccionada no 2.º ciclo. Esta hipótese foi adiantada pelo ministro Nuno Crato na segunda-feira, durante uma reunião do Conselho das Escolas, um órgão consultivo do Ministério da Educação e Ciência (MEC) que representa os directores. Público, 11 Nov 2011.

Provedor quer indemnização para docentes não colocados
No documento, relativo à situação em que, segundo os sindicatos, se encontram milhares de docentes, o provedor afirma que a Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRHE) faz uma interpretação da lei que “subverte a intenção do legislador” e conduz “a uma total desprotecção do trabalhador”. 11 Nov 2011

Alterados termos da concessão do Prémio de Mérito aos alunos


Eurypedia: a enciclopédia dos sistemas de educação da Europa
By choosing a country from the interactive map, you will gain access to specific national education system information, either in English or in the language of the country. The information is provided by the Eurydice National Unit, working with the relevant education Ministry and national experts.

Horários alterados: fusão e extinção de disciplinas em análise
Ministério da Educação e Ciência está a estudar a possibilidade de retirar a disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação do currículo do 9.º ano e separar Educação Visual e Tecnológica em duas. As hipóteses são contestadas pela raiz e a fusão de História e Geografia volta a surgir. Portal Educare, 4 Nov 2011.

A verdade sobre o modelo sueco da escola pública
Nos últimos anos, cresceu a diversidade de ofertas educativas e projetos educativos. Essa diferenciação é do agrado dos pais e apreciada pela sociedade. As más escolas têm sido mais facilmente identificadas porque perdem alunos. As que não conseguem corrigir os erros e persistem nos maus resultados podem ser fechadas. ProfBlog, 11 Nov 2011.

Escolas contratam professores ilegalmente
Os casos mais caricatos são aqueles que apontam como factores de desempate na contratação a ordem alfabética do primeiro nome ou a menor distância de residência à escola. I Online, 16 Nov 2011.

Governo vai converter parte dos Centros Novas Oportunidades
O Governo vai redireccionar a rede de Centros de Novas Oportunidades e parte do seu financiamento para o Ensino Profissional, mantendo apenas alguns destes centros com as actuais funções e com financiamento limitado aos que tiverem melhores notas. Diário de Notícias, 14 Nov 2011.

David Cameron trains sights on ‘coasting schools’
Writing in the Daily Telegraph, he said schools where “a failure to reach potential” is masked by a “decent local reputation” would be held to account. BBC News, 14 Nov 2011.

Liberdade: e o resto?
No cemitério das ideias políticas, jaz um sem-número de princípios e medidas de inquestionável valia, que conheceram fim prematuro graças à forma como os seus responsáveis políticos as levaram à prática. Correio da Manhã, 16 Nov 2011.

Entrevista de Mats Bjornsson ao Diário de Notícias
Explica os prós e os contras do distema de livre escolha entre escolas públicas e privadas na Suécia. Diário de Notícias, 11 de Novembro de 2011.

Ontem, na Fundação Calouste Gulbenkian
“Portugal caminha no sentido oposto ao da Suécia, com o fecho das escolas e mais alunos por agrupamento. Não estamos a ter a educação como um valor acima do orçamento”, declarou esta quinta-feira Paulo Guinote. Correio da Manhã, 11 Novembro 2011.

>a escolha da escola

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A imprensa tem dado nota da intenção do Governo de consagrar a possibilidade de Escolha da Escola, nos moldes em que existe actualmente para o secundário. A  Escolha da Escola é um direito fundamental dos pais, pelo que o FLE congratula-se com esta medida ainda só prevista para o ensino público. Com expectativa aguardamos as regras de apoio aos pais na selecção da escola, bem como as medidas que garantem a transparência e clareza dos critérios que devem acompanhar a Escolha da Escola como medida de justiça social. Das experiência internacionais, retiramos a extrema importância de um quadro de avaliação, monitorização e de responsabilização das escolas, num paradigma de rigor e transparência e de informação às familias, fundamentalmente às mais carenciadas, para que a Escolha da Escola seja de facto um instrumento de mobilidade, que permita às famílias ultrapassarem a actual segregação pela zona de residência. Passos iniciais para um salto qualitativo e ousado na defesa dos Direitos dos Pais.
Damos nota das notícias que foram sendo publicadas sobre o assunto e convidamo-lo a ler o nosso dossier sobre escolha da escola.

Diário de Educação


The Voucher Revolution
To be clear, a voucher as the term is used here is a publicly or privately funded scholarship awarded directly to families to pay the costs of the private schools they choose for their children.” Hoover Institution Journal.

Francês:
Uma língua bem presente entre nós. Público, 26 Nov 2011.

Crato diz que país não está a conseguir educar os jovens
“Temos um problema. É que não estamos a conseguir educar os nossos jovens como gostaríamos. No que se refere à Matemática e à Física temos muitos jovens que gostariam de ser engenheiros, cientistas, gestores ou economistas e não conseguem, porque não têm sucesso. É importante despertar os jovens para a cultura científica”. I Online, 22 Nov 2011.

Nuno Crato: “Acabar com a história e a geografia no 3º ciclo só por cima do meu cadáver”
O ministro da Educação, Nuno Crato, garante que o Governo não vai acabar com as disciplinas de História e Geografia no 3º ciclo do ensino básico. Público, 17 Nov 2011.

Parque Escolar mantém-se porque ainda está a decorrer auditoria, afirma Nuno Crato
O ministro da Educação, Nuno Crato, justificou hoje a manutenção da Parque Escolar e da administração em funções com o facto de estar em curso uma auditoria no Tribunal de Contas. IOnline, 17 Nov 2011.

OE 2012. Rede de ensino pré-escolar vai ser reforçada com abertura de mais 500 salas
O ministro da Educação, Nuno Crato, anunciou hoje no Parlamento que será reforçada a rede de ensino pré-escolar, com a abertura de mais 500 salas. IOnline, 17 Nov 2011.

Tudo em aberto no Ministério da Educação
FENPROF e FNE reuniram-se com o ministro da Educação e saíram do encontro “pouco esclarecidas”. Nuno Crato avisou que não há “ideias fechadas”. Portal Educare, 9 Nov 2011.

TIC pode vir a integrar o currículo do 6.º ano
A disciplina de Tecnologias de Informação e da Comunicação (TIC), que actualmente integra o currículo do 9.º ano, poderá vir a ser leccionada no 2.º ciclo. Esta hipótese foi adiantada pelo ministro Nuno Crato na segunda-feira, durante uma reunião do Conselho das Escolas, um órgão consultivo do Ministério da Educação e Ciência (MEC) que representa os directores. Público, 11 Nov 2011.

Provedor quer indemnização para docentes não colocados
No documento, relativo à situação em que, segundo os sindicatos, se encontram milhares de docentes, o provedor afirma que a Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRHE) faz uma interpretação da lei que “subverte a intenção do legislador” e conduz “a uma total desprotecção do trabalhador”. 11 Nov 2011

Alterados termos da concessão do Prémio de Mérito aos alunos


Eurypedia: a enciclopédia dos sistemas de educação da Europa
By choosing a country from the interactive map, you will gain access to specific national education system information, either in English or in the language of the country. The information is provided by the Eurydice National Unit, working with the relevant education Ministry and national experts.

Horários alterados: fusão e extinção de disciplinas em análise
Ministério da Educação e Ciência está a estudar a possibilidade de retirar a disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação do currículo do 9.º ano e separar Educação Visual e Tecnológica em duas. As hipóteses são contestadas pela raiz e a fusão de História e Geografia volta a surgir. Portal Educare, 4 Nov 2011.

A verdade sobre o modelo sueco da escola pública
Nos últimos anos, cresceu a diversidade de ofertas educativas e projetos educativos. Essa diferenciação é do agrado dos pais e apreciada pela sociedade. As más escolas têm sido mais facilmente identificadas porque perdem alunos. As que não conseguem corrigir os erros e persistem nos maus resultados podem ser fechadas. ProfBlog, 11 Nov 2011.

Escolas contratam professores ilegalmente
Os casos mais caricatos são aqueles que apontam como factores de desempate na contratação a ordem alfabética do primeiro nome ou a menor distância de residência à escola. I Online, 16 Nov 2011.

Governo vai converter parte dos Centros Novas Oportunidades
O Governo vai redireccionar a rede de Centros de Novas Oportunidades e parte do seu financiamento para o Ensino Profissional, mantendo apenas alguns destes centros com as actuais funções e com financiamento limitado aos que tiverem melhores notas. Diário de Notícias, 14 Nov 2011.

David Cameron trains sights on ‘coasting schools’
Writing in the Daily Telegraph, he said schools where “a failure to reach potential” is masked by a “decent local reputation” would be held to account. BBC News, 14 Nov 2011.

Liberdade: e o resto?
No cemitério das ideias políticas, jaz um sem-número de princípios e medidas de inquestionável valia, que conheceram fim prematuro graças à forma como os seus responsáveis políticos as levaram à prática. Correio da Manhã, 16 Nov 2011.

Entrevista de Mats Bjornsson ao Diário de Notícias
Explica os prós e os contras do distema de livre escolha entre escolas públicas e privadas na Suécia. Diário de Notícias, 11 de Novembro de 2011.

Ontem, na Fundação Calouste Gulbenkian
“Portugal caminha no sentido oposto ao da Suécia, com o fecho das escolas e mais alunos por agrupamento. Não estamos a ter a educação como um valor acima do orçamento”, declarou esta quinta-feira Paulo Guinote. Correio da Manhã, 11 Novembro 2011.

Uma língua que não se defende, morre

de DIÁLOGOS LUSÓFONOS

“A lusofonia mais que um projeto ou questão cultural e até linguístico-literário é um projeto ou uma questão de Língua e, sobretudo, um projeto ou uma questão de desenvolvimento economológico e de estratégia geopolítica”.
( Lusofonia não é só a língua e a literatura, Fernando dos Santos Neves (Reitor da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, no Congresso Internacional de Literaturas Africanas, realizado em Coimbra )
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Uma língua que não se defende, morre

José Saramago **

Texto escrito especialmente para o Ciberdúvidas pelo Prémio Nobel da Literatura José Saramago (1922-2010), depois da sua interrupção, em 2002.
Uma língua, num instante dado, ainda não existe, noutro instante depois já poderemos identificá-la, reconhecê-la, dar-lhe nome. Entre esses dois instantes, por assim dizer unívocos, é grande a dificuldade de apurar até que ponto o que há-de ser já está sendo, ou se o que foi já se transformou bastante para que seja possível antecipá-lo como forma do que será. É a mil vezes repetida metáfora da crisálida, vida entre duas vidas, simultaneamente criadora. Assim se terá feito a passagem do latim ao português, com aquela crisálida linguística pelo meio a tentar chegar aos mesmos significados através doutros significantes.
Abusando dos privilégios generalizadores do ficcionista, em quem sempre habita alguma animadversão contra a inamobilidade dos factos, tenho afirmado que bem mais importante que o facto em si é o momento em que ele se produz, e que, sem uma compreensão geral de quanto no tempo os envolve, os factos tornam-se, não raro, ininteligíveis, apenas os salvando de se tornarem em enigmas o seu próprio peso bruto, que acaba por constituí-los como evidências mais ou menos incontornáveis. É por isso que alusões à hora, ao instante, ao momento, à época regressam com insistência a uma reflexão que deveria orientar-se unicamente para a situação actual, uma vez que é do actual estado da língua portuguesa que me propus ocupar. Ainda que, confesso-o, me fosse de grande gosto, além do proveito que me traria, saber que causas se congregaram para que o português escrito, e presumo que também o falado, atingisse um tão alto grau de beleza no século XVII, por exemplo, e que enfermidades o atacaram depois e o trouxeram, com algumas intermitências fulgurantes (Almeida Garrett em primeiro lugar), a esta outra crisálida em que se está preparando não sei que insecto, por todos os indícios, provavelmente, um mutante.
Porém, muito mais do que saber que maleitas terão surgido nesse e noutros passados, importaria averiguar as causas, e propor os remédios, se ainda os há, para a acelerada degradação que está corroendo a língua portuguesa, essa que tanto nos envaidece chamar língua de Camões, sem nos perguntarmos se o mesmo Camões não a cuspiria da sua boca. Eu sei, ai de mim, que os optimistas são doutro parecer: dizem eles que a língua portuguesa não precisou de quem a cuidasse durante todos estes séculos e nem por isso se finou, que uma língua é um ser vivo e, como tal, eminentemente adaptável, que essa capacidade de adaptação é a própria condição da vida, e que, outra vez metaforicamente falando, depois de bem baralhados os naipes, sempre estarão na mesa as mesmas cartas, isto é, haverá língua portuguesa bastante para que os portugueses saibam do que estou a falar. Oxalá. Mas eu, se é preciso dizê-lo, por deformação original de espírito ou cepticismo que veio com a idade, não sou optimista. A convivência pacífica nunca foi a característica principal das coexistências linguísticas: por modos mais ou menos sub-reptícios sempre se estabeleceram modalidades de cerco, sempre se delinearam manobras de penetração, mas os vagares da História e a rudimentaridade das técnicas de comunicação, no passado, retardaram e alargaram os processos de envolvimento, absorção e substituição, o que nos permitia, sem maior inquietação, considerar que tudo isso era da ordem do natural e do lógico, como se na torre de Babel tivesse ficado traçado o destino de cada língua, vida, paixão e morte, triunfo e derrota, ressurreição nunca.
Ora, as línguas hoje, batem-se. Não há declaração de guerra, mas a luta é sem quartel. A História, que antes não fazia mais que andar, voa agora, e os actuais meios de comunicação de massa excedem, na sua mais simples expressão, mesmo o poder imaginativo daqueles que, como o autor destas linhas, fazem precisamente da imaginação o seu instrumento de trabalho. Tecnicamente, a única diferença entre Homero e nós é que ele, segundo consta, falava apenas, e nós, mesmo quando falamos, temos uma escrita a informar o nosso discurso. Claro que desta guerra de falantes e escreventes não se esperam, apesar de tudo, resultados definitivos em pouco tempo. A inércia das línguas é um factor de retardamento, mas as consequências derradeiras, verificáveis não sei quando, mas previsíveis, mostrarão, então demasiado tarde, que o emurchecimento prematuro daquela árvore anunciava já extinção de toda a floresta.
Línguas que hoje se apresentam como apenas hegemónicas em superfície tendem a penetrar nos tecidos profundos das línguas subalternizadas, sobretudo se estas não souberem, a tempo, encontrar em si próprias uma força vital que lhes permitisse resistir ao desbarato a que, de forma quase sistemática, se vêem sujeitas, agora que as comunicações no nosso planeta são o que são. Num livro que escrevi há alguns anos, chamado Viagem a Portugal, dei a um breve capítulo da parte consagrada ao Algarve o título “ O português tal qual se cala”. Não preciso de explicar porquê. Hoje, uma língua que não se defende, morre. Não de morte súbita, já o sabemos, mas irá caindo aos poucos num estado de agonia desesperada que poderá levar séculos a consumar-se, dando em cada momento a ilusão de que continua viva, e por esta maneira afagando a indolência ou mascarando a cumplicidade, consciente ou não, dos seus suicidários falantes.
O quadro é, evidentemente, sombrio. Não faltará entre nós quem alegue, para contrariá-lo, a nova possibilidade de renovação e florescimento da língua portuguesa que nos é oferecida pelos países de África que, miraculosamente, no acto da sua independência, decidiram adoptar o português para sua língua oficial. Foi um acontecimento de grande importância, sem dúvida, mas que não seria prudente sobrestimar: mais do que uma decisão motivadamente sociocultural, foi um gesto de política pragmática que o futuro virá a confirmar ou não, quer por força das razões próprias, quer pela pressão envolvente das línguas periféricas. Acresce ainda que seria um acto de inadmissível abdicação entregar a outrem responsabilidades que são conjuntamente nossas, de nós, portugueses, que, sendo certo que não merecemos mais do que outros a língua por termos sido os criadores dela, também seguramente a não merecemos menos, quer nos direitos, quer nos deveres. Aliás, a frente principal da luta pela sobrevivência da língua portuguesa está no próprio país de origem: se nele se perder, há muitas probalidades de que venha a perder-se nos outros lugares do mundo que a falam. Não esqueçamos que as línguas se cercam umas às outras, não esqueçamos que a língua inglesa as cerca a todas e a todos nos cerca.
Uma reflexão mais, esta sobre o ensino da língua nas nossas escolas. Não quero duvidar da competência de quem ensina nem da vontade de saber que morará no espírito de quem aprende, mas interrogo-me com apreensão sobre os motivos do baixíssimo nível de conhecimentos e da confrangedora inépcia com que gerações de estudantes de todos os graus lidam com a nossa língua quando a escrevem e quando a falam. Dizem que se trata de um fenómeno mundial, dizem-me que também no estrangeiro o erro de ortografia é rei e pouco lhe vai faltando para ser lei. Será, assim, mas evidentemente não é dos males alheios que poderemos esperar a cura das nossas próprias doenças. A escola, que tão mal ensina a escrever, não ensina, de todo, a falar. A aprendizagem elementar da fala e o desenvolvimento do falar estão entregues às famílias, ao meio técnico e cultural em que a ciência vai crescer, o que em si mesmo não é um mal, uma vez que assim costuma decorrer todo o processo de aprendizagem, pelo exemplo e pela exemplificação, sucessivos e constituidores. Mas a escola, não intervindo, como efectivamente não intervém, no processo edificador da fala, demite-se de uma responsabilidade em que deveria ser parte privilegiada, e, pelo contrário, vai receber o influxo negativo dos surtos degenerativos externos, assim “oficializando”, indirectamente, o errado e o vicioso contra o harmonioso e o exacto. E é facilmente verificável que a escola, não só não ensina a falar, como fala mal ela própria.
 

03/01/2003

Sobre o Autor

José Saramago nasce a 16 de Novembro de 1922 em Azinhaga, no Ribatejo. Publica o primeiro romance em 1947, “Terra de Pecado”. Foi funcionário de uma companhia de seguros, editor e jornalista, poeta e dramaturgo. No romance atinge notoriedade mundial. Em 1998 é o primeiro autor de língua portuguesa a ser galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. Traduzido nas principais línguas europeias e também em turco, hebraico, chinês e japonês. Publica os seguintes romances: “Manual de Pintura e Caligrafia” (1977); ”Levantado do Chão” (1980);” Memorial do Convento” (1982); ”O Ano da Morte de Ricardo Reis” (1984); “A Jangada de Pedra” (1986); “História do Cerco de Lisboa (1989); “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991); “Ensaio sobre a Cegueira” (1995); “Todos os Nomes” (1997); “A Caverna” (2000) e “O Homem Duplicado” (2002). [Posteriores desenvolvimentos aqui » http://www.ciberduvidas.com/aberturas.php?id=987]

>Uma língua que não se defende, morre

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de DIÁLOGOS LUSÓFONOS

“A lusofonia mais que um projeto ou questão cultural e até linguístico-literário é um projeto ou uma questão de Língua e, sobretudo, um projeto ou uma questão de desenvolvimento economológico e de estratégia geopolítica”.
( Lusofonia não é só a língua e a literatura, Fernando dos Santos Neves (Reitor da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, no Congresso Internacional de Literaturas Africanas, realizado em Coimbra )
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Uma língua que não se defende, morre

José Saramago **

Texto escrito especialmente para o Ciberdúvidas pelo Prémio Nobel da Literatura José Saramago (1922-2010), depois da sua interrupção, em 2002.
Uma língua, num instante dado, ainda não existe, noutro instante depois já poderemos identificá-la, reconhecê-la, dar-lhe nome. Entre esses dois instantes, por assim dizer unívocos, é grande a dificuldade de apurar até que ponto o que há-de ser já está sendo, ou se o que foi já se transformou bastante para que seja possível antecipá-lo como forma do que será. É a mil vezes repetida metáfora da crisálida, vida entre duas vidas, simultaneamente criadora. Assim se terá feito a passagem do latim ao português, com aquela crisálida linguística pelo meio a tentar chegar aos mesmos significados através doutros significantes.
Abusando dos privilégios generalizadores do ficcionista, em quem sempre habita alguma animadversão contra a inamobilidade dos factos, tenho afirmado que bem mais importante que o facto em si é o momento em que ele se produz, e que, sem uma compreensão geral de quanto no tempo os envolve, os factos tornam-se, não raro, ininteligíveis, apenas os salvando de se tornarem em enigmas o seu próprio peso bruto, que acaba por constituí-los como evidências mais ou menos incontornáveis. É por isso que alusões à hora, ao instante, ao momento, à época regressam com insistência a uma reflexão que deveria orientar-se unicamente para a situação actual, uma vez que é do actual estado da língua portuguesa que me propus ocupar. Ainda que, confesso-o, me fosse de grande gosto, além do proveito que me traria, saber que causas se congregaram para que o português escrito, e presumo que também o falado, atingisse um tão alto grau de beleza no século XVII, por exemplo, e que enfermidades o atacaram depois e o trouxeram, com algumas intermitências fulgurantes (Almeida Garrett em primeiro lugar), a esta outra crisálida em que se está preparando não sei que insecto, por todos os indícios, provavelmente, um mutante.
Porém, muito mais do que saber que maleitas terão surgido nesse e noutros passados, importaria averiguar as causas, e propor os remédios, se ainda os há, para a acelerada degradação que está corroendo a língua portuguesa, essa que tanto nos envaidece chamar língua de Camões, sem nos perguntarmos se o mesmo Camões não a cuspiria da sua boca. Eu sei, ai de mim, que os optimistas são doutro parecer: dizem eles que a língua portuguesa não precisou de quem a cuidasse durante todos estes séculos e nem por isso se finou, que uma língua é um ser vivo e, como tal, eminentemente adaptável, que essa capacidade de adaptação é a própria condição da vida, e que, outra vez metaforicamente falando, depois de bem baralhados os naipes, sempre estarão na mesa as mesmas cartas, isto é, haverá língua portuguesa bastante para que os portugueses saibam do que estou a falar. Oxalá. Mas eu, se é preciso dizê-lo, por deformação original de espírito ou cepticismo que veio com a idade, não sou optimista. A convivência pacífica nunca foi a característica principal das coexistências linguísticas: por modos mais ou menos sub-reptícios sempre se estabeleceram modalidades de cerco, sempre se delinearam manobras de penetração, mas os vagares da História e a rudimentaridade das técnicas de comunicação, no passado, retardaram e alargaram os processos de envolvimento, absorção e substituição, o que nos permitia, sem maior inquietação, considerar que tudo isso era da ordem do natural e do lógico, como se na torre de Babel tivesse ficado traçado o destino de cada língua, vida, paixão e morte, triunfo e derrota, ressurreição nunca.
Ora, as línguas hoje, batem-se. Não há declaração de guerra, mas a luta é sem quartel. A História, que antes não fazia mais que andar, voa agora, e os actuais meios de comunicação de massa excedem, na sua mais simples expressão, mesmo o poder imaginativo daqueles que, como o autor destas linhas, fazem precisamente da imaginação o seu instrumento de trabalho. Tecnicamente, a única diferença entre Homero e nós é que ele, segundo consta, falava apenas, e nós, mesmo quando falamos, temos uma escrita a informar o nosso discurso. Claro que desta guerra de falantes e escreventes não se esperam, apesar de tudo, resultados definitivos em pouco tempo. A inércia das línguas é um factor de retardamento, mas as consequências derradeiras, verificáveis não sei quando, mas previsíveis, mostrarão, então demasiado tarde, que o emurchecimento prematuro daquela árvore anunciava já extinção de toda a floresta.
Línguas que hoje se apresentam como apenas hegemónicas em superfície tendem a penetrar nos tecidos profundos das línguas subalternizadas, sobretudo se estas não souberem, a tempo, encontrar em si próprias uma força vital que lhes permitisse resistir ao desbarato a que, de forma quase sistemática, se vêem sujeitas, agora que as comunicações no nosso planeta são o que são. Num livro que escrevi há alguns anos, chamado Viagem a Portugal, dei a um breve capítulo da parte consagrada ao Algarve o título “ O português tal qual se cala”. Não preciso de explicar porquê. Hoje, uma língua que não se defende, morre. Não de morte súbita, já o sabemos, mas irá caindo aos poucos num estado de agonia desesperada que poderá levar séculos a consumar-se, dando em cada momento a ilusão de que continua viva, e por esta maneira afagando a indolência ou mascarando a cumplicidade, consciente ou não, dos seus suicidários falantes.
O quadro é, evidentemente, sombrio. Não faltará entre nós quem alegue, para contrariá-lo, a nova possibilidade de renovação e florescimento da língua portuguesa que nos é oferecida pelos países de África que, miraculosamente, no acto da sua independência, decidiram adoptar o português para sua língua oficial. Foi um acontecimento de grande importância, sem dúvida, mas que não seria prudente sobrestimar: mais do que uma decisão motivadamente sociocultural, foi um gesto de política pragmática que o futuro virá a confirmar ou não, quer por força das razões próprias, quer pela pressão envolvente das línguas periféricas. Acresce ainda que seria um acto de inadmissível abdicação entregar a outrem responsabilidades que são conjuntamente nossas, de nós, portugueses, que, sendo certo que não merecemos mais do que outros a língua por termos sido os criadores dela, também seguramente a não merecemos menos, quer nos direitos, quer nos deveres. Aliás, a frente principal da luta pela sobrevivência da língua portuguesa está no próprio país de origem: se nele se perder, há muitas probalidades de que venha a perder-se nos outros lugares do mundo que a falam. Não esqueçamos que as línguas se cercam umas às outras, não esqueçamos que a língua inglesa as cerca a todas e a todos nos cerca.
Uma reflexão mais, esta sobre o ensino da língua nas nossas escolas. Não quero duvidar da competência de quem ensina nem da vontade de saber que morará no espírito de quem aprende, mas interrogo-me com apreensão sobre os motivos do baixíssimo nível de conhecimentos e da confrangedora inépcia com que gerações de estudantes de todos os graus lidam com a nossa língua quando a escrevem e quando a falam. Dizem que se trata de um fenómeno mundial, dizem-me que também no estrangeiro o erro de ortografia é rei e pouco lhe vai faltando para ser lei. Será, assim, mas evidentemente não é dos males alheios que poderemos esperar a cura das nossas próprias doenças. A escola, que tão mal ensina a escrever, não ensina, de todo, a falar. A aprendizagem elementar da fala e o desenvolvimento do falar estão entregues às famílias, ao meio técnico e cultural em que a ciência vai crescer, o que em si mesmo não é um mal, uma vez que assim costuma decorrer todo o processo de aprendizagem, pelo exemplo e pela exemplificação, sucessivos e constituidores. Mas a escola, não intervindo, como efectivamente não intervém, no processo edificador da fala, demite-se de uma responsabilidade em que deveria ser parte privilegiada, e, pelo contrário, vai receber o influxo negativo dos surtos degenerativos externos, assim “oficializando”, indirectamente, o errado e o vicioso contra o harmonioso e o exacto. E é facilmente verificável que a escola, não só não ensina a falar, como fala mal ela própria.
 

03/01/2003

Sobre o Autor

José Saramago nasce a 16 de Novembro de 1922 em Azinhaga, no Ribatejo. Publica o primeiro romance em 1947, “Terra de Pecado”. Foi funcionário de uma companhia de seguros, editor e jornalista, poeta e dramaturgo. No romance atinge notoriedade mundial. Em 1998 é o primeiro autor de língua portuguesa a ser galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. Traduzido nas principais línguas europeias e também em turco, hebraico, chinês e japonês. Publica os seguintes romances: “Manual de Pintura e Caligrafia” (1977); ”Levantado do Chão” (1980);” Memorial do Convento” (1982); ”O Ano da Morte de Ricardo Reis” (1984); “A Jangada de Pedra” (1986); “História do Cerco de Lisboa (1989); “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991); “Ensaio sobre a Cegueira” (1995); “Todos os Nomes” (1997); “A Caverna” (2000) e “O Homem Duplicado” (2002). [Posteriores desenvolvimentos aqui » http://www.ciberduvidas.com/aberturas.php?id=987]

Olivença

http://aviagemdosargonautas.blogs.sapo.pt/605931.html

A municipalidade espanhola de Olivença pretende, passados mais de 210 anos, encenar a anexação da povoação portuguesa de Olivença por Espanha, com uma representação teatral da Guerra das Laranjas.
precisa ler tudo, não é longo