lusofonia por Antonio Capucho

Vídeos do MIL: Movimento Internacional Lusófono”.

Depoimento de António d’ Orey Capucho sobre a Lusofonia
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>Muçulmanos em Espaços Lusófonos

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Campos – Revista de Antropologia Social: Rede Muçulmanos em Espaços LusófonosO último número da Campos – Revista de Antropologia Social, publicação periódica do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Paraná (Brasil), inclui um breve texto de apresentação da Rede Internacional de Investigação sobre Muçulmanos em Espaços Lusófonos (MEL-net), desenvolvido por Nina Clara Tiesler, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS/UL) e fundadora da MEL-net. No presente texto é realizada uma actualização das  actividades desenvolvidas no âmbito da MEL-net, nomeadamente sobre a participação mais recente no IX Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, realizado em Novembro de 2006 em Luanda, bem como sobre as perspectivas futuras da rede de investigação. Disponibiliza-se aqui uma ligação para este documento.

Nina Clara Tiesler, “MEL-net: Rede de Pesquisa sobre Muçulmanos em Espaços Lusófonos”, Campos – Revista de Antropologia Social, Vol. 7, N. 2, 2006.

Apresentação
Os muçulmanos são cidadãos e membros ativos da sociedade em praticamente todas as áreas lusófonas. Entre os países africanos falantes de português, Guiné Bissau e Moçambique têm populações muçulmanas longamente estabelecidas, enquanto Angola, por exemplo, recebeu imigrantes dos países de maioria islâmica apenas recentemente. A presença islâmica em Portugal remonta a Gharb al-Andaluz, mas as comunidades muçulmanas contemporâneas não têm nenhum vínculo sócio-demográfico direto com a presença muçulmana histórica na Península Ibérica, podendo antes ser compreendidas como um fenômeno pós-colonial. Brasil, Timor Leste e Macau também têm experiências históricas particulares e diferentes populações muçulmanas no presente.
Não obstante as significativas diferenças, os muçulmanos em espaços lusófonos compartilham alguns pontos de comparação sócio-cultural, conforme expressam as questões de pesquisa daqueles que trabalham com essas populações. Nos diferentes contextos, os muçulmanos são tratados como representantes de uma minoria religiosa (essa situação se modificou recentemente na Guiné-Bissau); e, em muitos casos, os muçulmanos representam origens étnicas distintas daquelas da sociedade dominante. Além disso, a migração internacional produz alterações em todos os campos lusófonos, conduzindo freqüentemente a uma crescente diversificação das comunidades muçulmanas. Na esteira das migrações recentes e das tecnologias de comunicação, novos vínculos transnacionais têm emergido entre muçulmanos. Tais vínculos se baseiam muitas vezes em referências compartilhadas a pessoas e lugares deixados para trás, em experiências similares relativas a contextos sócio-históricos nacionais, locais e coloniais do passado e do presente, na etnicidade ou na língua comum – que, em muitos casos, é o português.
“Muçulmanos em países de língua portuguesa”, p.130
O texto encontra-se disponível para consulta em
http://calvados.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/campos/article/view/7439/5333
Mais informação sobre este número da Campos – Revista de Antropologia Social disponível em http://calvados.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/campos/issue/view/551
Mais informação sobre o trabalho desenvolvido por Nina Clara Tiesler disponível em
https://www.ics.ul.pt/rd/person/ppgeral.do?idpessoa=84
Mais informações sobre as actividades com participação de Nina Clara Tiesler no âmbito temático da MEL-net disponíveis aqui (Março a Maio de 2007).
 
 

a língua desaparece em Goa

Goa, Índia: O idioma português está desaparecendo rapidamente de Goa. Atualmente ele é falado por um pequeno setor das famílias mais abastadas e apenas 3 a 5 % da populaçãio continua falando-o (estima-se de 30.000 a 50.000 pessoas). Atualmente 35% da população de Goa são imigraantes de outros estados indianos. Nas escolas da Índia ele é ensinado como a terceira língua (não obrigatória). Existe um departamento de Português na Universidade de Goa, mas a "Fundação do Oriente" e a Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa ainda estão em funcionamento. O último jornal em língua protuguesa foi publicado na década de 80. Em Panaji muitos cartazes em português ainda são visíveis em lojas, edifícios públicos, etc. Goa se separou do domínio português em Dezembro de 1961. 

mais em http://www.colonialvoyage.com/pt/asia/lingua/heranca.html
 


>a língua desaparece em Goa

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Goa, Índia: O idioma português está desaparecendo rapidamente de Goa. Atualmente ele é falado por um pequeno setor das famílias mais abastadas e apenas 3 a 5 % da populaçãio continua falando-o (estima-se de 30.000 a 50.000 pessoas). Atualmente 35% da população de Goa são imigraantes de outros estados indianos. Nas escolas da Índia ele é ensinado como a terceira língua (não obrigatória). Existe um departamento de Português na Universidade de Goa, mas a "Fundação do Oriente" e a Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa ainda estão em funcionamento. O último jornal em língua protuguesa foi publicado na década de 80. Em Panaji muitos cartazes em português ainda são visíveis em lojas, edifícios públicos, etc. Goa se separou do domínio português em Dezembro de 1961. 

mais em http://www.colonialvoyage.com/pt/asia/lingua/heranca.html
 


adriano moreira

As crispações identitárias
por prof. ADRIANO MOREIRA

Sem ignorar a utilização confusa dos conceitos do globalismo, mundialização e identidades, o primeiro visando sobretudo exprimir uma interdependência em estruturação, o segundo cobrindo um consumismo que aproxima as aparências culturais, e o terceiro afirmando o mapa das raízes dos povos, sem estes não é fácil construir um futuro inovador de resposta aos avanços científicos e técnicos da conjuntura. É, todavia, nesta última faceta que cresce a evidência de quanto é difícil e grave de consequências a falha de harmonização das três vertentes.

A crise mundial das finanças e da economia, sobretudo a evidência de que se adensa e alarga a geografia da pobreza, sem grande capacidade científica e técnica demonstrada para combater os efeitos do desastre, está a contribuir para que a crispação identitária tome a dianteira das reacções contra os efeitos sofridos, quer por falhas próprias, quer por consequências das alheias, atingindo não apenas as fortes dependências da globalização sem plano de regência, mas também as atitudes estratégicas das identidades que a história foi moldando e que adoptaram planos racionalizados de convergência e cooperação, como acontece com a União Europeia. Talvez a reacção tenha especial dependência dos efeitos nefastos atribuídos com fundamento à globalização sem governança, o facto de alguns Estados, que tinham consolidado a sua definição antes das guerras mundiais, estarem a enfrentar fracturas preocupantes, como são designadamente os
casos de Espanha, da Bélgica, da Inglaterra, e mesmo com sinais na França da primavera dos povos. Com diferenças que não afectam o perfil dessas afirmações identitárias, analistas destacam agora nacionalismos visando a independência soberana, como foi o caso do Kosovo, dos curdos, dos infelizes palestinos, sem que a pobreza, ou a falha de história da independência procurada, lhes consinta identificar míticas origens que abonariam uma legitimidade com raízes. A semente da revolta fornece um impulso para o recurso à violência em defesa da unidade, se existente, em perigo. Tudo factos que pareciam longe de afectar o movimento de unidade europeia, suficientemente vacinada pelos efeitos das guerras mundiais e pelos anos da Guerra Fria, para não regressar às crispações nacionalistas, de novo tendo em vista as relações saudáveis com os vizinhos de geografia, de cultura e de história política, e não as agressões vindas do exterior,
necessariamente inovadoras quanto aos meios e com efeitos devastadores. Nos países europeus, sobretudo os que se imaginam ricos, e também nos EUA, que começam a sentir que a debilidade os pode atingir, as variações de ânimo nos órgãos de soberania, as oscilações do eleitorado, o afloramento de forças organizadas para intervir, o horror da Noruega, são sinais inequívocos de que a crispação identitária, com perfil nacionalista acentuado, está a inscrever-se visivelmente no panorama das definições políticas, acreditando em futuros mais aceitáveis do que o presente, de carências, dúvidas e perplexidades.

Uma reflexão responsável, que tenha os sinais por avisos a ter em conta, parece exigível aos responsáveis no sentido de evitar que, aos erros que conduziram à angustiante situação presente, sobretudo dos povos europeus já abrangidos pela fronteira da pobreza, venham somar-se os erros derivados de visões que imaginam que um regresso ao modelo passado de soberania absoluta será um remédio eficaz. Pode ser o resultado da falta de saber e imaginação para definir a maneira nova de, em cooperação, salvaguardar a identidade e a igual dignidade num futuro a construir, para o que infelizmente não abundam lideranças manifestas, confiáveis e eficazes. Mas se a defesa das raízes, o aceitar o passado sem benefício de inventário, são condições necessárias para redefinir um futuro de progresso em paz, tudo necessariamente tem de evoluir, num mundo que mudou fisicamente, politicamente, cientificamente, culturalmente: não tem fundamento a
convicção de que o passado tem um caminho de regresso. No caso europeu, o regresso ao passado seria a renúncia definitiva a ter futuro.

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1965207&seccao=adriano%20moreira&tag=opini%e3o%20-%20em%20foco

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>adriano moreira

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As crispações identitárias
por prof. ADRIANO MOREIRA

Sem ignorar a utilização confusa dos conceitos do globalismo, mundialização e identidades, o primeiro visando sobretudo exprimir uma interdependência em estruturação, o segundo cobrindo um consumismo que aproxima as aparências culturais, e o terceiro afirmando o mapa das raízes dos povos, sem estes não é fácil construir um futuro inovador de resposta aos avanços científicos e técnicos da conjuntura. É, todavia, nesta última faceta que cresce a evidência de quanto é difícil e grave de consequências a falha de harmonização das três vertentes.

A crise mundial das finanças e da economia, sobretudo a evidência de que se adensa e alarga a geografia da pobreza, sem grande capacidade científica e técnica demonstrada para combater os efeitos do desastre, está a contribuir para que a crispação identitária tome a dianteira das reacções contra os efeitos sofridos, quer por falhas próprias, quer por consequências das alheias, atingindo não apenas as fortes dependências da globalização sem plano de regência, mas também as atitudes estratégicas das identidades que a história foi moldando e que adoptaram planos racionalizados de convergência e cooperação, como acontece com a União Europeia. Talvez a reacção tenha especial dependência dos efeitos nefastos atribuídos com fundamento à globalização sem governança, o facto de alguns Estados, que tinham consolidado a sua definição antes das guerras mundiais, estarem a enfrentar fracturas preocupantes, como são designadamente os
casos de Espanha, da Bélgica, da Inglaterra, e mesmo com sinais na França da primavera dos povos. Com diferenças que não afectam o perfil dessas afirmações identitárias, analistas destacam agora nacionalismos visando a independência soberana, como foi o caso do Kosovo, dos curdos, dos infelizes palestinos, sem que a pobreza, ou a falha de história da independência procurada, lhes consinta identificar míticas origens que abonariam uma legitimidade com raízes. A semente da revolta fornece um impulso para o recurso à violência em defesa da unidade, se existente, em perigo. Tudo factos que pareciam longe de afectar o movimento de unidade europeia, suficientemente vacinada pelos efeitos das guerras mundiais e pelos anos da Guerra Fria, para não regressar às crispações nacionalistas, de novo tendo em vista as relações saudáveis com os vizinhos de geografia, de cultura e de história política, e não as agressões vindas do exterior,
necessariamente inovadoras quanto aos meios e com efeitos devastadores. Nos países europeus, sobretudo os que se imaginam ricos, e também nos EUA, que começam a sentir que a debilidade os pode atingir, as variações de ânimo nos órgãos de soberania, as oscilações do eleitorado, o afloramento de forças organizadas para intervir, o horror da Noruega, são sinais inequívocos de que a crispação identitária, com perfil nacionalista acentuado, está a inscrever-se visivelmente no panorama das definições políticas, acreditando em futuros mais aceitáveis do que o presente, de carências, dúvidas e perplexidades.

Uma reflexão responsável, que tenha os sinais por avisos a ter em conta, parece exigível aos responsáveis no sentido de evitar que, aos erros que conduziram à angustiante situação presente, sobretudo dos povos europeus já abrangidos pela fronteira da pobreza, venham somar-se os erros derivados de visões que imaginam que um regresso ao modelo passado de soberania absoluta será um remédio eficaz. Pode ser o resultado da falta de saber e imaginação para definir a maneira nova de, em cooperação, salvaguardar a identidade e a igual dignidade num futuro a construir, para o que infelizmente não abundam lideranças manifestas, confiáveis e eficazes. Mas se a defesa das raízes, o aceitar o passado sem benefício de inventário, são condições necessárias para redefinir um futuro de progresso em paz, tudo necessariamente tem de evoluir, num mundo que mudou fisicamente, politicamente, cientificamente, culturalmente: não tem fundamento a
convicção de que o passado tem um caminho de regresso. No caso europeu, o regresso ao passado seria a renúncia definitiva a ter futuro.

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1965207&seccao=adriano%20moreira&tag=opini%e3o%20-%20em%20foco

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FRASES FEITAS DO GALEGO

A fraseologia galega coincide em parte com a do português europeu e menos com a do português do Brasil
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ALGUMAS FRASES FEITAS DO GALEGO

Alfredo Maceira Rodríguez

1. INTRODUÇÃO

1.1. O ESTADO DA ARTE

A fraseologia galega coincide em grande parte com a do português europeu e, talvez em menor escala, com a do português do Brasil. É sabido que o português e o galego constituíram durante séculos uma única língua, que, mais tarde, veio a cindir-se mais por injunções políticas que por diferenças histórico-culturais. Por esse motivo e pelo contato de línguas e culturas na Península (portuguesa, galega e espanhola) não é de admirar que o discurso repetido incorporado no patrimônio destas três línguas peninsulares tenha muito em comum.

A fraseologia comum em maior ou menor grau a estas línguas ibéricas está de tal forma inserida em seu inventário lingüístico que muitas vezes não é percebida como tal. O discurso repetido inclui todos os tipos de expressões fixas, que são unidades lingüísticas não substituíveis ou recambiáveis pelas regras da língua atual.i O acervo fraseológico (adágios, máximas, sentenças, ditados e frases feitas em geral) tem origem principalmente nas camadas populares, mas vai gradativamente penetrando nas camadas tidas como elitistas até ser adotado pela língua escrita e registrado nos dicionários.ii O discurso repetido é produzido em todas as épocas, mas boa parte do que já foi incluído na língua ou dialeto dominante, vem de séculos passados. Ele reflete a cultura e o período histórico dos povos que o produziram, embora não se possa dizer que é totalmente original. Assim como as lendas e outras manifestações folclóricas,
encontram-se em diversas culturas, mesmo distantes no tempo e no espaço, frases feitas de vários tipos, muitas vezes com diversas alterações, mas no fundo com a mesma mensagem. Isto implica comunicação oral entre povos desde épocas remotas.

A temática da fraseologia de um povo retrata o homem, suas características, conflitos, modo de vida

e atividades. Como grande parte das frases feitas que chegaram até nós tiveram sua origem na Idade Média, observam-se nelas relações com a agricultura e, em menor grau, com a pesca, possivelmente por haver menos pessoas envolvidas nessa atividade.

De há muito, estudiosos de diversos países têm como objeto de estudo a fraseologia. Ela tem sido abordada de diversas maneiras e com finalidades distintas. Umas vezes como estudo sério, tanto do ponto de vista lingüístico como de outros aspectos culturais: história, folclore, crenças, camadas sociais, etnografia, costumes, etc. Outras vezes sua coleta e publicação só teve por objetivo apontar aspectos curiosos de frases arcaizadas, principalmente as modalidades que têm como característica mais destacada a rima. Não havia muita preocupação com seu estudo sistematizado, porém a análise do discurso repetido é válida porque permite apreender a língua e a cultura de um povo e de uma época fixadas em palavras ou expressões (sintagmas) que permaneceram invariáveis ao longo do tempo.

No Brasil não eram muito comuns as publicações de trabalhos de fraseologia. A maior parte das publicações limitavam-se a recolher a fraseologia oral de uma localidade ou região, geralmente relacionada com lendas, crendices e anedotas do repertório popular. Neste campo vem-se operando uma grande mudança principalmente entre os participantes dos cursos de pós-graduação em Filologia. Interessantes monografias e teses abordando aspectos inéditos da fraseologia brasileira vêm sendo produzidas. Atualmente está em andamento um trabalho de fôlego de recolha, estudo e classificação que tenta abranger tudo o que é possível da fraseologia brasileira. Este trabalho é seguramente o mais abrangente e profundo que se realizou no Brasil. Consta de vários volumes, alguns já terminados, outros bem adiantados, cuja publicação não demorará muito. Este trabalho é da responsabilidade do Prof. José Pereira da Silva, quem escolheu uma equipe de
auxiliares para ajudá-lo a desempenhar tão ampla tarefa. Na certa que será levada a bom termo e preencherá uma grande lacuna na filologia e lexicografia do português.

Na Galiza também está sendo realizado um trabalho semelhante por uma equipe de professores galegos, tendo como objeto de estudo a fraseologia da língua galega.

1.2. O PRESENTE TRABALHO

O que pretendemos apresentar aqui não é mais do que uma pequena amostra de frases feitas do galego. O espaço não nos permite maior amplitude. As frases desta amostra pertencem à língua viva de hoje, usadas na língua oral e escrita, conhecidas e empregadas em todo o domínio do galego. Muitas delas apresentam algumas variantes. Procuramos recolher as que nos pareceram mais divulgadas e mais expressivas. Freqüentemente incluímos também alguma de suas variantes. As frases relacionadas abaixo foram recolhidas no Diccionario Xerais da Língua (1993). Não nos ocupamos com frases originárias da ciência e tecnologia, profissões, etc. Limitamo-nos às de domínio geral, de caráter atemporal. Tampouco consideramos o tipo de frase, rima, mensagem, etc.

Quase todas as expressões fixas que apresentamos dependem de um verbo, que pode flexionar. Também na parte dita fixa pode ocorrer flexão de gênero ou número: Vostede é un botaporela (gabola); vostedes son uns botaporelas. O que não ocorre é a troca dos lexemas que constituem as expressões fixas por outros com o mesmo valor semântico na língua atual. Assim: Vostede é un gabola, não é frase feita. É uma expressão comum da língua galega. A parte fixa pode ser representada por um sintagma (locucional, suboracional, oracional, supra-oracional ou por uma seqüência)iii, que, em muitos casos, pode ser comutado por uma palavra (subtantivo, pronome, adjetivo, advérbio). Exemplos: Se-lo pai da criatura; ti e-lo pai da criatura; el foi o pai da criatura. Ser agudo coma un esquío (esquilo); ti es agudo coma un esquío; eles son agudos coma esquíos. Eles póñense no bico das zocas (zangam-se); ela poñerase no bico das zocas, etc.

O sintagma o pai da criatura pode-se comutar por o culpado, o causador, etc. O mesmo ocorre com agudo coma un esquío = moito esperto, moito vivo, e no bico das zocas = así, desa maneira, etc. A comutação é uma das possibilidades de decodificação das expressões de forma fixa.

Existe também um grande número de frases feitas usadas exclamativamente. Costumam-se empregar isoladas, sem relação com o contexto. Muitas não possuem verbo ou ele também forma parte da frase feita. Colocamo-las num item separado.

1.3. A LÍNGUA

O galego é muito semelhante ao português, por isso nem sempre damos a tradução literal das frases. Quando existe uma frase feita equivalente no português do Brasil, transcrevemo-la. Nos outros casos, oferecemos a tradução que parece denotar melhor seu valor semântico. Palavras que se afastam semanticamente do português do Brasil, esclarecemo-las em nota. Não pretendemos dar nem mesmo um resumo das normas do galego de hoje. Citaremos somente alguns dos aspectos que mais se afastam do português e que devem ajudar.

Algumas diferenças entre o galego e o português:iv

a) As grafias do galego ñ e ll correspondem, respectivamente, às portuguesas nh e lh: baño, palla.

b) Não existem no galego os grafemas do português ç, ss e j, devido à não-equivalência dos fonemas correspondentes: moza, paso, hoxe.

c) A regra de acentuação dos hiatos aproxima-se da norma do espanhol: día, súa, fililoxía.

d) Os pronomes átonos enclíticos não se separam por hífen: Visiteinos onte; démoslle os libros.

e) Os artigos não se ligam foneticamente ao substantivo e sim ao verbo precedente e ligam-se graficamente a ele por hífen, quando terminam em -r ou em -s: Compramo-los coches; mandou face-la casa nova.

f) O pronome indefinido galego un eqüivale em português ao indefinido a gente: Un non sabe que facer; danlle a un o mellor

g) No galego, como no espanhol, existe um fonema africado representado graficamente pelo dígrafo ch (não corresponde ao ch do português). Nos dicionários espanhóis e galegos tem entrada independente (depois da letra c). Seguimos essa ordem na relação que segue.

2. FRASES FEITAS E EXPRESSÕES GALEGAS

2.1. SINTAGMAS RELACIONADOS A UM VERBO:

Abrir

Abrir a porta e a arca. (Receber as pessoas com os braços abertos.)

Non abri-lo bico; pecha-lo bico. ¡Cala-lo bico! (Não falar; fechar a boca. Boca calada!)

Actuar

Actuar por debaixo da corda; baixo corda. (Agir por debaixo dos panos; às escondidas.)

Afogar

Afogarse en pouca auga. (Ver dificuldades em qualquer coisa; por pouco motivo.)

Agarrar

Agarrar alguén polo rabo. (Indica dificuldade para alcançar o que já passou, o que fugiu.)

Andar

Andar a máis; andar a paso de can. (Andar com pressa.)

Andar a mal; andar ás malas. (Dar-se mal com alguém, estar de mal.)

Andar coa lúa. (Estar algo doido; ser lunático.)

Andar coa area na zoca. (Andar com a pulga atrás da orelha; andar desconfiado.)

Andar daquela maneira; andar de mes; andar a mal; andar á mala. (Estar menstruada.)

Andar de cacho para cribo. (Andar de ceca em meca; andar dum lugar para outro sem fazer nada.)

Andar en canelas. (Andar sem meias.)

Andar ó rabo. (Andar atrás.)

Andar sen arrendo. (Viver com inteira liberdade; andar com a rédea solta.).

Andar con pés de manteiga. (Andar com cautela.)

Andar nos bicos dos pés. (Andar nas pontas dos pés.)

Andar cun pé calzo e outro descalzo. (Fazer algo com pressa; ser muito pobre.)

Andar teso; andar teso coma un pao. (Andar muito direito; andar empertigado, com jeito arrogante.)

Andar no conto. (Andar fofocando; interferir em algum assunto.)

Anda o demo na casa. (Diz-se quando na casa há muita confusão ou dissensões.)

Anda o demo ceibov. (Diz-se quando há revoltas ou problemas graves em vários lugares ao mesmo tempo.)

Andar polas mans do demo. (Ir ou andar de mal a pior.)

Andar na boca de alguén. (Ser objeto de comentários maldosos.)

Aí anda o diaño. (Diz-se de um assunto que não se consegue solucionar devido a forças desconhecidas.)

Apelar

Apelar ós pés. (Passar sebo nas canelas; fugir às pressas.)

Aprender

Aprendeu co demo. (Diz-se de quem só tem habilidade para o mal.)

Arrimar (se) (encostar-(se)

Arrimarse ó sol que mais quenta. (Servir ao mais poderoso; ficar do lado do vencedor.)

Atar

Atar moscas polo rabo. (Fazer trabalhos inúteis; fingir que se trabalha.)

Baixar

Baixa-las orellas; agacha-las orellas. (Baixar a crista; agüentar; obedecer; ceder.)

Bater

Bater coas zocas no cu; bater cos pés no cu. (Fugir às pressas.)

Botar

Bota-la língua a pacer; bota-la língua ó sol. (Falar demais; falar o quem não se deve; falar mal dos outros.)

Botar chispas. (Estar furioso.)

Botarse un á auga. (Decidir-se a enfrentar um perigo; atirar-se a algo.)

Botar un xerro de auga fría. (Deixar alguém desenganado de alguma coisa.)

Botar bo pelo; botar pelo novo. (Prosperar financeiramente.)

Botarlle os cans a alguén. (Receber mal alguém.)

Buscar

Buscar cinco pés ó gato. (Tentar a paciência de alguém com risco de irritá-lo.)

Buscar tres pés ó gato. (Empenhar-se em algo impossível.)

Caer (cair)

Caer auga a xerros; caer auga coma quen a emborca; caer auga a Deus dar. (Chover muito; chover a cântaros.)

Caer de pé coma o gato. (Ter muita sorte num empreendimento.)

Caer do burro. (Reconhecer um erro.)

Cagar

Cagar nos pantalóns. (Ter muito medo.)

Calcar

Calcarlle as costelas a alguén; medirlle as costelas. (Bater muito em alguém.)

Cantar

Cantarlle as corenta a alguén. (Dizer-lhe poucas e boas; adverti-lo severamente.)

Coma se cantase un carro. (Entrar por um ouvido e sair pelo outro; como se nada tivesse sido dito.)

Marchar cantando baixiño. (Sair com o rabo entre as pernas; envergonhado; humilhado.)

Casar

Casar por detrás da igrexa; casar por detrás da silveiravi. (Amancebar-se.)

Colgar

Colga-los libros. (Deixar de estudar.)

Coller

Coller auga nun cesto. (Trabalhar inutilmente.)

Coller unha monavii (Pegar uma carraspana; embebedar-se.)

Comer

Comerlle o pan a alguén. (Estar sendo sustentado por alguém.)

Comer alguén a bicosviii. (Beijar alguém repetida e intensamente.)

Comerlle a porca os libros. (Diz-se do mau estudante.)

Poder come-lo pan coa codia. (Já estar restabelecido de uma doença.)

Non comer por non cagar. (Aplica-se a uma pessoa avarenta.)

Coñecer

Coñecer a alguén coma se se parira. (Conhecer as manhas, os maus procedimentos de alguém.)

Coñecer ben a agulla de marear. (Conhecer bem a maneira de comportar-se.)

Contar

Contarlle os pelos a un can. (Perseguir alguém; acusá-lo.)

Poder contarlle a un as costelas. (Estar muito magro.)

Custar

Custarlle a bola un pan. (Custar os olhos da cara; custar mais do que se pensava.)

Chamar

Chamarlle ós pés compañeiros. (Fugir a toda pressa.)

Chegar

Chegar e bica-lo santo. (Conseguir algo só com intentá-lo; sem esforço nem demora.)

Chorar

Chorar ás cuncas; chorar coma unha veiga tallada; chorar os sete chorares. (Chorar muito.)

Chorar coma unha Madalena. (Chorar desconsoladamente.)

Chover

Nunca choveu que non escampara. (Depois da tormenta vem a bonança; tudo tem remédio.)

A este chóvelle. (Diz-se de quem tem pouco juízo; é pouco esperto.)

Xa choveu dende aquela. (Já passou muita água por baixo da ponte; já passou muito tempo.)

Dar

Dar couces contra o aguillón. (Dar murros em ponta de faca; lutar inutilmente.)

Dar ó rabo. (Mostrar-se; exibir-se; pavonear-se.)

Non dar pé con bola. (Não acertar uma; dar-lhe tudo errado a alguém.)

Darlle a alguén polo pao. (Dar razão a alguém, mesmo que não a tenha.)

Derrear

Derrear a alguén a paos. (Deixar alguém meio morto com uma surra.)

Durmir

Durmi-la mona. (Dormir a bebedeira.)

Enganar

Engana-lo demo. (Ser muito astuto.)

Ensinar

Ensina-la orella. (Deixar escapar a intenção interesseira por palavras ditas inadvertidamente.)

Escribir

Escribir cos pés. (Escrever mal.)

Escribir na auga. (Fazer algum trabalho realmente inútil.)

Espertar

Esperta-lo can que dorme. (Empenhar-se em coisas impossíveis.)

Estar

Estar coma unha cabra. (Não estar bem da cabeça.)

Estar de lúa. (Estar meio louco.)

Estar a velas vir. (Estar ocioso.)

Estar de punta en branco. (Estar nos trinques; estar impecável.)

Estar ó cabo do conto. (Estar bem informado sobre o assunto.)

Estar coma o rei nunha cesta. (Ter muito conforto; estar rodeado de comodidades.)

Estar contento coma un cuco (Estar muito contente.)

Estar calado coma na misa. (Estar em silêncio total.)

Estar coma ós cans na misa; facer falta coma os cans na misa. (Ser desnecessário; inconveniente.)

Estaría o demo a cagar. (Diz-se quando uma pessoa mesquinha resolve dar alguma coisa.)

Estar coa auga deicaix boca; estar coa auga ó pescozo (Estar em situação muito apertada.)

Estar con un pé aquí e outro acolá. (Ir num pé e voltar no outro.)

Facer

Facer rabos ás culleres. (Fingir que se trabalha; trabalhar sem interesse.)

Facer chorar as pedras. (Mover a compaixão.)

Facerse a gata morta (Fingir-se humilde)

Face-lo cartox. (Ganhar dinheiro.)

Face-la mona; pinta-la mona. (Querer ser engraçado; ser ridículo.)

Falar

Falar coma un libro aberto. (Falar bem e com clareza.)

Gañar

Non gaña-la auga que bebe. (Diz-se de quem ganha pouco no trabalho.)

Gaña-lo que gañan os cans na misa. (Sair-se mal em alguma coisa; não obter qualquer vantagem.)

Haber

Haber gato encerrado. (Existir um motivo suspeito ou misterioso.)

Hai zocas alleas debaixo da cama. (Já não estamos em família; cuidado com o que se fala.)

Ir Aínda vai a misa no credo.(Ainda fica muito por fazer.)

Ir coma o gato polas ascuas. (Andar com muito cuidado num assunto perigoso.)

Irse da língua. (Não ser capaz de guardar um segredo)

Írselle a alguén o santo ó ceo. (Ficar distraído; esquecer o que se ia fazer ou dizer.)

Ladrar

Ladrarlle á lúa. (Insultar alguém a quem não é afetado pelos insultos.)

Lamber

Lamber os pés a alguén; lamberlle o cu. (Ser muito servil; adulador; puxa-sacos.)

¡Vas lamber unhas! (Vais apanhar; vais levar uma surra.)

Levar

Levar que lamber. (Receber a resposta adequada; receber o troco; ter o que se merece.)

Levarse coma o pan e o leite. (Ser amigos íntimos; dar-se muito bem; ser unha e carne.)

Leva-lo gato á auga .(Conseguir um triunfo em disputa com outros competidores.)

Esa pera rabo leva. (Diz-se da frase que tem segundas intenções.)

Lucir (brilhar, luzir)

Lucirlle o pelo a alguén. (Estar com aparência saudável; estar contente com a marcha de algum negócio.)

Mandar

Mandar alguén a pedir. (Deixar alguém na miséria.)

Meter

Mete-los cans na bouzaxi; mete-las cabras na horta. (Semear a discórdia.)

Meter un chasco a alguén. (Enganar alguém.)

Meter alguén nun puño. (Dominar alguém.)

Mete-la língua na boca; morde-la língua. (Engolir em seco; conter-se e calar quando se é atacado.)

Meterlle os dedos na boca. (Puxar pela língua a alguém; experimentar alguém para saber sua intenção.)

Mete-la pata. (Dar mancada; interferir num assunto de maneira inoportuna.)

Meterlle algo polos ollos a alguén. (Enganar alguém com facilidade.)

Mexar (mijar, urinar)

Mexar por alguén. (Humilhar alguém.)

Mexar polas rocas. (Ser muito idoso.)

Mexar por un e ter que dicir que chove. (Ter que agüentar o que outros querem; ter que dizer amém.)

Mexarse de medo. (Ser muito medroso.)

Mexar fóra do caldeiro; mexar fóra do testo. (Referir-se ao que não vem a propósito na conversa.)

Oír

Oír con orellas xordas. (Fingir que não se ouve porque não convém.)

Xa oíu cantar máis de catro cucos. (Já tem muitos anos, já é muito idoso.)

Pasar

Pasarlle a alguén o sol pola porta. (Deixar escapar uma oportunidade que não volta mais.)

Pedir

Pedi-la lúa. (Pedir o impossível.)

Non pedir pan para o camiño. (Fugir às pressas.)

Pillar (pegar, agarrar, pilhar)

Pillar unha mona. (Pegar uma carraspana; embebedar-se.)

O meu can pillou unha lebre. (Acertar em alguma coisa por puro acaso; só acontece uma vez na vida.)

Poñer (pôr)

Poñer alguén nos cornos da lúa. (Pôr alguém nas nuvens; elogiar alguém em excesso.)

Poñe-los cornos. (Faltar à fidelidade conjugal.)

Poñerse de cornos. (Aborrecer-se; zangar-se.)

Poñer alguén a pan pedir. (Ofender ou maltratar verbalmente alguém.)

Poñer alguén a parir. (Insultar muito alguém, envergonhá-lo.)

Poñerlle a alguén o pao no lombo. (Bater muito em alguém com uma estaca ou pedaço de pau.)

Poñer tódolos santos en procesión; baixar do ceo cantos santos hai. (Blasfemar muito.)

Ninguén lle pon o pé diante. (É muito seguro de si; muito decidido e inteligente.)

Prometer

Promete-la lúa. (Prometer o que não se sabe se se pode cumprir.)

Quecer, quentar

Quecérenlle a alguén as orellas. (Não ter sossego; estar muito preocupado.)

Quecerlle as orellas; quentarlle as orellas a alguén (Bater-lhe; repreendê-lo severamente.)

Quentárselle a boca a alguén. (Falar demasiado sobre algo; não poder calar.)

Quedar (ficar, quedar)

Quedar á altura do betume. (Ficar muito mal moralmente em alguma empreitada; ficar com a cara no chão.)

Quitar (tirar)

Coma se lle quitasen as moasxii. (Como se lhe tirassem os dentes. Diz-se do que se faz à força.)

Quitar a cobra da parede coa man doutro. (Atirar a pedra e esconder a mão.)

Quitar o pelello. (Meter o malho em alguém; difamar; caluniar; criticar mordazmente.)

Quitarlle o pao ó tolo. (Tirar-lhe a alguém o instrumento com que pode causar dano: estaca, arma, etc.)

Quitarlle os bríos a alguén. (Reprimir alguém; contê-lo.)

Quitarlle os fociños a alguén. (Bater muito em alguém.)

Quitarllo das unllasxiii. (Indica o difícil que é tirar o poder das mãos de outrem.)

Non quitar nen poñer rei. (Diz-se de quem não toma decisão nem tem parte num negócio.)

Non quita-las zocasxiv. (Não se incomodar; não dar importância.)

Roer

Roer corda. (Agüentar; sofrer por não poder solucionar um problema.)

Saber

Saber de que pé coxea. (Conhecer-lhe os defeitos, as fraquezas.)

Saír

Saír a tódolos aguillóns. (Ser valente, destemido ao extremo.)

Saír as contas furadas; saír a porca mal capada; sair a galiña choca; sair a pascua na sexta feira; sair a pascua ó venres. (Sair tudo mal; sair tudo ao contrário do que se esperava; dar tudo errado).

Saí-la cadela can. (Ser enganado, iludido.)

Non saír do rabo de alguén. (Não deixar alguém nem a sol nem a sombra; andar colado a alguém.)

Semellar

Semellar unha gata parida. (Diz-se da pessoa fraca e extenuada.)

Ser

Ser agudo coma o pé de un muíño. (Não ser nada esperto; ser bobo; que custa a reagir.)

Ser avogado das silveiras. (Diz-se de quem sem título nem estudos pretende saber de leis.)

Ser coma a virxe do puño. (Ser tacanho, mesquinho.)

Ser coma unha zoca. (Ser bobo; ser retardado; ser uma mala.)

Ser persoa de pouco pelo. (Ser pessoa humilde ou de poucos recursos.)

Ser tres pés para un banco. (Ser três pessoas preguiçosas ou pouco aptas para o esporte.)

Ser coma un cuco. (Ser habilidoso.)

Ser capaz de contarlle os pelos ó demo. (Ser capaz de indagar tudo, com todos os detalhes.)

Ser outro conto. (Ser outra questão.)

É conto calado. (É um assunto onde há algum mistério.)

Non ser unha persoa santa da devoción doutra. (Ser uma pessoa que inspira antipatia ou desconfiança.)

Non ser rei nin Roque. (Indica que determinada pessoa não representa nada no tema em discussão.)

Non ser da mesma corda. (Não ter a mesma opinião.)

Ser unha chispa. (Ser muito experto; ativo.)

Ser cariñento coma un can. (Ser muito carinhoso.)

Ser lixeiro de língua. (Dizer o que primeiro vem à boca, sem pensar.)

Ser irmán de detrás da silveira. (Ser irmão bastardo.)

Ser cu de mal asento. (Diz-se de quem não tem parada em nenhum lugar.)

Ser unha cadela coma un can. (Ser muito ruim.)

Ser corrido coma unha mona. (Ficar envergonhado.)

Ser unha xogada de libro. (Ser uma jogada de mestre.)

Ser un can vello. (Ser uma velha raposa; ser astuto e precavido.)

Ser máis vello que andar a pé. (Ser muito velho; velho e relho; mais velho que a Sé de Braga.)

Ser un carto no cu; termar dos cartos. (Ser unha de fome; ser avarento; segurar o dinheiro; ser tacanho.)

É o libro das corenta follas. (É o baralho.)

Ter

Ter montes e moreas; ter moita terra na Habana. (Expressão irônica sobre quem se gaba de ter muitos bens.)

Ter cara de can. (Ter cara de poucos amigos; ser mal encarado.)

Ter mala uva. (Ter mau gênio.)

Ter palabriñas de santo e unllas de gato. (Ter discurso diferente do procedimento; ser hipócrita.)

Ter mala chispa. (Ter mau gênio.)

Ter unha boa chispa; te-la língua grosa. (Estar bêbado.)

Ter moito rabo. (Ser sonso; ser uma raposa.)

Te-la meigaxv; ter mala pata. (Ter má sorte; ser azarado.)

Ter muito bico. (Ter muita língua; muita lábia; falar demais.)

Non ter que limpar; non ter unha cadela. (Ser muito pobre; não ter um tostão.)

Non as ter todas consigo. (Estar intranqüilo ou temeroso.)

Ter pauto co demo. (Diz-se quando a uma pessoa lhe sai tudo bem.)

Ter pelos un asunto. (Diz-se de um assunto que apresentar dificuldades.)

O demo nunca ten sono. (As desgraças não se acabam.)

Tanto ten; tanto ten azoutar coma no cu dar. (Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega.)

Tanto ten Xan coma seu irmán. (Tanto faz um como o outro; nenhum deles é melhor que o outro.)

Tocar

Tocarlle o santo a alguén. (Bater em alguém; dar-lhe uma surra.)

Tomar

Tomar a alguén unha meiga. (Sair-lhe tudo mal a alguém.)

Tomarlle o pelo a alguén. (Fazer gozação; fazer chacota de alguém.)

Traer

Traer rabo unha cousa. (Diz-se de algo que pode causar graves complicações.)

Traer ó conto. (Trazer à baila; citar oportunamente.)

Untar

Untar as uñas a alguén; untar o carro. (Subornar alguém; dar gratificação para obter vantagem.)

Untarlle o lombo a alguém. (Dar-lhe uma forte surra.)

Valer

Valer un conto calado. (Ser algo de muito valor.)

Ver

Verlle as trazas a alguén. (Descobrir-lhe as intenções.)

Verse en calzas pretas. (Estar em apuros.)

Verlle as orellas a alguén (Descobrir-lhe as más intenções)

Verlle as orellas ó lobo. (Estar à beira dum grande perigo.)

Coma quen ve chover. (Não prestar atenção; não ligar; entrar por um ouvido e sair pelo outro.)

Non ver un burro a tres pasos. (Ter vista fraca; não perceber com facilidade.)

Vestir

Vestirse polos pés. (Ser do sexo masculino.)

Vir

Vir co conto de algo. (Vir com o pretexto ou com a desculpa de alguma coisa.)

Vir ó pelo. (Vir a calhar; chegar no momento apropriado.)

2.2. FRASES EXCLAMATIVAS:

¡Acabaramos de parir! (Até que enfim! Diz-se quando finalmente se resolve algo de há muito esperado.)

¡Aí está o conto! (Eis a questão!)

¡Morra o conto! (Acabou-se a história; não se fale mais nisso.)

¡Quen te chora! (Choras de barriga cheia! Aplica-se a quem não tem falta de nada.)

¡Quen te pariu que te arrolexvi! (Quem não te conheça que te compre.)

¡Quita de aí! (Para com isso! Denota incredulidade no que alguém diz.)

¿A santo de que? (Por que motivo? Por quê? Indica desaprovação.)

¡Por tódolos santos! (Pelo amor de Deus! Expressão com que se quer que alguém pare de dizer disparates.)

¡Pídechas o corpo! (Andas procurando briga! Procuras sarna para te coçar.)

¡Naceu un corvo branco! (Ocorreu uma raridade; uma casualidade.)

¡Que me coma o demo! (Juramento com que se reforça a verdade do que se afirma.)

¡Por min, que chova! ¡Xa pode chover! ¡Chova que neve! (Para mim tanto faz; pouco me importa.)

¡Cata que diaño! (¡Claro que sim! ¡Bem o vejo!)

¡Arre demo! (Exclamação que denota surpresa ou assombro.)

¡Inda o diaño ten cara de coello! (Diz-se quando as coisas saem mal.)

¡Meigas fóra! (Expressão de surpresa desagradável quando se supõe que há interferência de bruxas.)

3. CONCLUSÃO

Podemos verificar que, em geral, parte da fraseologia do galego não difere muito da do português. Os verbos que admitem maior número de frases feitas são os que têm grande circulação e que se referem a qualidades e atitudes do ser humano: ser, estar, andar, ter, poñer, quitar, dar, etc. Da mesma forma há lexemas nominais que comparecem com mais freqüência nas frases feitas. No nosso corpus, apesar de reduzido, podemos verificar a ocorrência freqüente de alguns. Entre eles, geralmente com sentido metafórico, observamos os seguintes: can, gato, mona, demo ou diaño, meiga, fociño, uñas ou unllas, rabo, pan, rei, etc.

A maior parte das frases feitas inclui-se na linguagem figurada. Assim, no corpus encontramos figuras pertencentes ao eixo metafórico como metáforas: El é unha chispa; símiles: É unha cadela coma un can; hipérboles: Poñer alguén nos cornos da lúa, etc. A metonímia também comparece em boa parte da frases aqui relacionadas: Hai zocas alleas debaixo da cama; é o libro das corenta follas, etc.

Observando o corpus acima é fácil concluir que, embora o galego seja a língua mais próxima do português, sendo considerado por diversos lingüistas como co-dialeto deste, ao menos na fraseologia notam-se bastantes diferenças, o que prova que tem que ser estudada em separado, embora todos tenhamos muito a lucrar com estudos comparativos, não só na fraseologia como nos demais aspectos lingüísticos. Os grandes trabalhos que estão sendo desenvolvidos no campo da fraseologia irão contribuir muito para o melhor conhecimento das línguas e culturas românicas originárias da Península Ibérica. O campo para estes e outros estudos é muito vasto e esta pequena amostra já nos indica que falta muito por fazer.

4.RECAPITULAÇÕES SUMÁRIAS

4.1. RESUMO

A fraseologia do galego não difere muito da do português. Verbos relacionados com o ser humano, suas características e atividades admitem a maior parte das frases feitas. Há também alguns lexemas muito freqüentes na frases estudadas. Grande parte das frases feitas pertence à linguagem figurada, tanto no eixo da metáfora como no da metonímia. Há no corpus bastantes diferenças entre a fraseologia galega e a portuguesa. É preciso estudar as duas em separado. Trabalhos comparativos serão úteis para todos. Estão sendo realizados trabalhos importantes, mas ainda há muito o que fazer.

4.2. ABSTRACT

The Galician phraseology does not differ so much from that of Portuguese. Verbs related to the human being, his caracteristics and activities admit the majority of idioms. There are also some very frequent lexical items in the studied expressions. A large part of the idioms belongs to figures of speech, as much in the metaphorical axis as in the metonymical one. In the corpus there are enough differences between Galician and Portuguese phraseology. It is necessary study both of them under separate cover. Comparative works will be useful for all. There are being performed important works, but there are still a lot for doing.

5. BIBLIOGRAFIA

CÂMARA JR., J. Mattoso. Dicionário de lingüística e gramática. 13. ed. Petrópolis, Vozes, 1986.

DICCIONARIO XERAIS da língua. 4. ed. corrix. Vigo: Xerais, 1993.

DICIONÁRIO AURELIO Eletrônico. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, /1996/.

NORMAS ORTOGRÁFICAS E MORFOLÓXICAS do idioma galego: Santiago de Compostela: Real Academia Galega / Instituto da Língua Galega, 1982.

SILVA, José Pereira da. As “frases feitas” de João Ribeiro. Rio de Janeiro: UERJ / Faculdade de Letras (mimeo), 1985.

6. NOTAS

i. SILVA, J. Pereira da. As “frases feitas”…, p. 9
ii. XERAIS e AURÉLIO. Passim
iii. CÂMARA, J. Mattoso. Dicionário…, p. 223
iv. NORMAS…, passim
v. ceibo (solto
vi. silveira (silvado, sarçal, tapume de silvas
vii. mona (macaca; fig. bebedeira
viii. bico (beijo, também bico = ponta
ix. deica (até
x. carto (dinheiro, m. us. no plural
xi. bouza (mata, capoeira, capão
xii. moa (dente molar
xiii. unlla, uña (unha
xiv. zoca (espécie de tamanco todo de madeira)
xv. meiga (bruxa)
xvi. arrolar (ninar, arrulhar)

http://www.filologia.org.br/revista/artigo/3(8)39-49.html

>FRASES FEITAS DO GALEGO

>

A fraseologia galega coincide em parte com a do português europeu e menos com a do português do Brasil
__________________________________________
ALGUMAS FRASES FEITAS DO GALEGO

Alfredo Maceira Rodríguez

1. INTRODUÇÃO

1.1. O ESTADO DA ARTE

A fraseologia galega coincide em grande parte com a do português europeu e, talvez em menor escala, com a do português do Brasil. É sabido que o português e o galego constituíram durante séculos uma única língua, que, mais tarde, veio a cindir-se mais por injunções políticas que por diferenças histórico-culturais. Por esse motivo e pelo contato de línguas e culturas na Península (portuguesa, galega e espanhola) não é de admirar que o discurso repetido incorporado no patrimônio destas três línguas peninsulares tenha muito em comum.

A fraseologia comum em maior ou menor grau a estas línguas ibéricas está de tal forma inserida em seu inventário lingüístico que muitas vezes não é percebida como tal. O discurso repetido inclui todos os tipos de expressões fixas, que são unidades lingüísticas não substituíveis ou recambiáveis pelas regras da língua atual.i O acervo fraseológico (adágios, máximas, sentenças, ditados e frases feitas em geral) tem origem principalmente nas camadas populares, mas vai gradativamente penetrando nas camadas tidas como elitistas até ser adotado pela língua escrita e registrado nos dicionários.ii O discurso repetido é produzido em todas as épocas, mas boa parte do que já foi incluído na língua ou dialeto dominante, vem de séculos passados. Ele reflete a cultura e o período histórico dos povos que o produziram, embora não se possa dizer que é totalmente original. Assim como as lendas e outras manifestações folclóricas,
encontram-se em diversas culturas, mesmo distantes no tempo e no espaço, frases feitas de vários tipos, muitas vezes com diversas alterações, mas no fundo com a mesma mensagem. Isto implica comunicação oral entre povos desde épocas remotas.

A temática da fraseologia de um povo retrata o homem, suas características, conflitos, modo de vida

e atividades. Como grande parte das frases feitas que chegaram até nós tiveram sua origem na Idade Média, observam-se nelas relações com a agricultura e, em menor grau, com a pesca, possivelmente por haver menos pessoas envolvidas nessa atividade.

De há muito, estudiosos de diversos países têm como objeto de estudo a fraseologia. Ela tem sido abordada de diversas maneiras e com finalidades distintas. Umas vezes como estudo sério, tanto do ponto de vista lingüístico como de outros aspectos culturais: história, folclore, crenças, camadas sociais, etnografia, costumes, etc. Outras vezes sua coleta e publicação só teve por objetivo apontar aspectos curiosos de frases arcaizadas, principalmente as modalidades que têm como característica mais destacada a rima. Não havia muita preocupação com seu estudo sistematizado, porém a análise do discurso repetido é válida porque permite apreender a língua e a cultura de um povo e de uma época fixadas em palavras ou expressões (sintagmas) que permaneceram invariáveis ao longo do tempo.

No Brasil não eram muito comuns as publicações de trabalhos de fraseologia. A maior parte das publicações limitavam-se a recolher a fraseologia oral de uma localidade ou região, geralmente relacionada com lendas, crendices e anedotas do repertório popular. Neste campo vem-se operando uma grande mudança principalmente entre os participantes dos cursos de pós-graduação em Filologia. Interessantes monografias e teses abordando aspectos inéditos da fraseologia brasileira vêm sendo produzidas. Atualmente está em andamento um trabalho de fôlego de recolha, estudo e classificação que tenta abranger tudo o que é possível da fraseologia brasileira. Este trabalho é seguramente o mais abrangente e profundo que se realizou no Brasil. Consta de vários volumes, alguns já terminados, outros bem adiantados, cuja publicação não demorará muito. Este trabalho é da responsabilidade do Prof. José Pereira da Silva, quem escolheu uma equipe de
auxiliares para ajudá-lo a desempenhar tão ampla tarefa. Na certa que será levada a bom termo e preencherá uma grande lacuna na filologia e lexicografia do português.

Na Galiza também está sendo realizado um trabalho semelhante por uma equipe de professores galegos, tendo como objeto de estudo a fraseologia da língua galega.

1.2. O PRESENTE TRABALHO

O que pretendemos apresentar aqui não é mais do que uma pequena amostra de frases feitas do galego. O espaço não nos permite maior amplitude. As frases desta amostra pertencem à língua viva de hoje, usadas na língua oral e escrita, conhecidas e empregadas em todo o domínio do galego. Muitas delas apresentam algumas variantes. Procuramos recolher as que nos pareceram mais divulgadas e mais expressivas. Freqüentemente incluímos também alguma de suas variantes. As frases relacionadas abaixo foram recolhidas no Diccionario Xerais da Língua (1993). Não nos ocupamos com frases originárias da ciência e tecnologia, profissões, etc. Limitamo-nos às de domínio geral, de caráter atemporal. Tampouco consideramos o tipo de frase, rima, mensagem, etc.

Quase todas as expressões fixas que apresentamos dependem de um verbo, que pode flexionar. Também na parte dita fixa pode ocorrer flexão de gênero ou número: Vostede é un botaporela (gabola); vostedes son uns botaporelas. O que não ocorre é a troca dos lexemas que constituem as expressões fixas por outros com o mesmo valor semântico na língua atual. Assim: Vostede é un gabola, não é frase feita. É uma expressão comum da língua galega. A parte fixa pode ser representada por um sintagma (locucional, suboracional, oracional, supra-oracional ou por uma seqüência)iii, que, em muitos casos, pode ser comutado por uma palavra (subtantivo, pronome, adjetivo, advérbio). Exemplos: Se-lo pai da criatura; ti e-lo pai da criatura; el foi o pai da criatura. Ser agudo coma un esquío (esquilo); ti es agudo coma un esquío; eles son agudos coma esquíos. Eles póñense no bico das zocas (zangam-se); ela poñerase no bico das zocas, etc.

O sintagma o pai da criatura pode-se comutar por o culpado, o causador, etc. O mesmo ocorre com agudo coma un esquío = moito esperto, moito vivo, e no bico das zocas = así, desa maneira, etc. A comutação é uma das possibilidades de decodificação das expressões de forma fixa.

Existe também um grande número de frases feitas usadas exclamativamente. Costumam-se empregar isoladas, sem relação com o contexto. Muitas não possuem verbo ou ele também forma parte da frase feita. Colocamo-las num item separado.

1.3. A LÍNGUA

O galego é muito semelhante ao português, por isso nem sempre damos a tradução literal das frases. Quando existe uma frase feita equivalente no português do Brasil, transcrevemo-la. Nos outros casos, oferecemos a tradução que parece denotar melhor seu valor semântico. Palavras que se afastam semanticamente do português do Brasil, esclarecemo-las em nota. Não pretendemos dar nem mesmo um resumo das normas do galego de hoje. Citaremos somente alguns dos aspectos que mais se afastam do português e que devem ajudar.

Algumas diferenças entre o galego e o português:iv

a) As grafias do galego ñ e ll correspondem, respectivamente, às portuguesas nh e lh: baño, palla.

b) Não existem no galego os grafemas do português ç, ss e j, devido à não-equivalência dos fonemas correspondentes: moza, paso, hoxe.

c) A regra de acentuação dos hiatos aproxima-se da norma do espanhol: día, súa, fililoxía.

d) Os pronomes átonos enclíticos não se separam por hífen: Visiteinos onte; démoslle os libros.

e) Os artigos não se ligam foneticamente ao substantivo e sim ao verbo precedente e ligam-se graficamente a ele por hífen, quando terminam em -r ou em -s: Compramo-los coches; mandou face-la casa nova.

f) O pronome indefinido galego un eqüivale em português ao indefinido a gente: Un non sabe que facer; danlle a un o mellor

g) No galego, como no espanhol, existe um fonema africado representado graficamente pelo dígrafo ch (não corresponde ao ch do português). Nos dicionários espanhóis e galegos tem entrada independente (depois da letra c). Seguimos essa ordem na relação que segue.

2. FRASES FEITAS E EXPRESSÕES GALEGAS

2.1. SINTAGMAS RELACIONADOS A UM VERBO:

Abrir

Abrir a porta e a arca. (Receber as pessoas com os braços abertos.)

Non abri-lo bico; pecha-lo bico. ¡Cala-lo bico! (Não falar; fechar a boca. Boca calada!)

Actuar

Actuar por debaixo da corda; baixo corda. (Agir por debaixo dos panos; às escondidas.)

Afogar

Afogarse en pouca auga. (Ver dificuldades em qualquer coisa; por pouco motivo.)

Agarrar

Agarrar alguén polo rabo. (Indica dificuldade para alcançar o que já passou, o que fugiu.)

Andar

Andar a máis; andar a paso de can. (Andar com pressa.)

Andar a mal; andar ás malas. (Dar-se mal com alguém, estar de mal.)

Andar coa lúa. (Estar algo doido; ser lunático.)

Andar coa area na zoca. (Andar com a pulga atrás da orelha; andar desconfiado.)

Andar daquela maneira; andar de mes; andar a mal; andar á mala. (Estar menstruada.)

Andar de cacho para cribo. (Andar de ceca em meca; andar dum lugar para outro sem fazer nada.)

Andar en canelas. (Andar sem meias.)

Andar ó rabo. (Andar atrás.)

Andar sen arrendo. (Viver com inteira liberdade; andar com a rédea solta.).

Andar con pés de manteiga. (Andar com cautela.)

Andar nos bicos dos pés. (Andar nas pontas dos pés.)

Andar cun pé calzo e outro descalzo. (Fazer algo com pressa; ser muito pobre.)

Andar teso; andar teso coma un pao. (Andar muito direito; andar empertigado, com jeito arrogante.)

Andar no conto. (Andar fofocando; interferir em algum assunto.)

Anda o demo na casa. (Diz-se quando na casa há muita confusão ou dissensões.)

Anda o demo ceibov. (Diz-se quando há revoltas ou problemas graves em vários lugares ao mesmo tempo.)

Andar polas mans do demo. (Ir ou andar de mal a pior.)

Andar na boca de alguén. (Ser objeto de comentários maldosos.)

Aí anda o diaño. (Diz-se de um assunto que não se consegue solucionar devido a forças desconhecidas.)

Apelar

Apelar ós pés. (Passar sebo nas canelas; fugir às pressas.)

Aprender

Aprendeu co demo. (Diz-se de quem só tem habilidade para o mal.)

Arrimar (se) (encostar-(se)

Arrimarse ó sol que mais quenta. (Servir ao mais poderoso; ficar do lado do vencedor.)

Atar

Atar moscas polo rabo. (Fazer trabalhos inúteis; fingir que se trabalha.)

Baixar

Baixa-las orellas; agacha-las orellas. (Baixar a crista; agüentar; obedecer; ceder.)

Bater

Bater coas zocas no cu; bater cos pés no cu. (Fugir às pressas.)

Botar

Bota-la língua a pacer; bota-la língua ó sol. (Falar demais; falar o quem não se deve; falar mal dos outros.)

Botar chispas. (Estar furioso.)

Botarse un á auga. (Decidir-se a enfrentar um perigo; atirar-se a algo.)

Botar un xerro de auga fría. (Deixar alguém desenganado de alguma coisa.)

Botar bo pelo; botar pelo novo. (Prosperar financeiramente.)

Botarlle os cans a alguén. (Receber mal alguém.)

Buscar

Buscar cinco pés ó gato. (Tentar a paciência de alguém com risco de irritá-lo.)

Buscar tres pés ó gato. (Empenhar-se em algo impossível.)

Caer (cair)

Caer auga a xerros; caer auga coma quen a emborca; caer auga a Deus dar. (Chover muito; chover a cântaros.)

Caer de pé coma o gato. (Ter muita sorte num empreendimento.)

Caer do burro. (Reconhecer um erro.)

Cagar

Cagar nos pantalóns. (Ter muito medo.)

Calcar

Calcarlle as costelas a alguén; medirlle as costelas. (Bater muito em alguém.)

Cantar

Cantarlle as corenta a alguén. (Dizer-lhe poucas e boas; adverti-lo severamente.)

Coma se cantase un carro. (Entrar por um ouvido e sair pelo outro; como se nada tivesse sido dito.)

Marchar cantando baixiño. (Sair com o rabo entre as pernas; envergonhado; humilhado.)

Casar

Casar por detrás da igrexa; casar por detrás da silveiravi. (Amancebar-se.)

Colgar

Colga-los libros. (Deixar de estudar.)

Coller

Coller auga nun cesto. (Trabalhar inutilmente.)

Coller unha monavii (Pegar uma carraspana; embebedar-se.)

Comer

Comerlle o pan a alguén. (Estar sendo sustentado por alguém.)

Comer alguén a bicosviii. (Beijar alguém repetida e intensamente.)

Comerlle a porca os libros. (Diz-se do mau estudante.)

Poder come-lo pan coa codia. (Já estar restabelecido de uma doença.)

Non comer por non cagar. (Aplica-se a uma pessoa avarenta.)

Coñecer

Coñecer a alguén coma se se parira. (Conhecer as manhas, os maus procedimentos de alguém.)

Coñecer ben a agulla de marear. (Conhecer bem a maneira de comportar-se.)

Contar

Contarlle os pelos a un can. (Perseguir alguém; acusá-lo.)

Poder contarlle a un as costelas. (Estar muito magro.)

Custar

Custarlle a bola un pan. (Custar os olhos da cara; custar mais do que se pensava.)

Chamar

Chamarlle ós pés compañeiros. (Fugir a toda pressa.)

Chegar

Chegar e bica-lo santo. (Conseguir algo só com intentá-lo; sem esforço nem demora.)

Chorar

Chorar ás cuncas; chorar coma unha veiga tallada; chorar os sete chorares. (Chorar muito.)

Chorar coma unha Madalena. (Chorar desconsoladamente.)

Chover

Nunca choveu que non escampara. (Depois da tormenta vem a bonança; tudo tem remédio.)

A este chóvelle. (Diz-se de quem tem pouco juízo; é pouco esperto.)

Xa choveu dende aquela. (Já passou muita água por baixo da ponte; já passou muito tempo.)

Dar

Dar couces contra o aguillón. (Dar murros em ponta de faca; lutar inutilmente.)

Dar ó rabo. (Mostrar-se; exibir-se; pavonear-se.)

Non dar pé con bola. (Não acertar uma; dar-lhe tudo errado a alguém.)

Darlle a alguén polo pao. (Dar razão a alguém, mesmo que não a tenha.)

Derrear

Derrear a alguén a paos. (Deixar alguém meio morto com uma surra.)

Durmir

Durmi-la mona. (Dormir a bebedeira.)

Enganar

Engana-lo demo. (Ser muito astuto.)

Ensinar

Ensina-la orella. (Deixar escapar a intenção interesseira por palavras ditas inadvertidamente.)

Escribir

Escribir cos pés. (Escrever mal.)

Escribir na auga. (Fazer algum trabalho realmente inútil.)

Espertar

Esperta-lo can que dorme. (Empenhar-se em coisas impossíveis.)

Estar

Estar coma unha cabra. (Não estar bem da cabeça.)

Estar de lúa. (Estar meio louco.)

Estar a velas vir. (Estar ocioso.)

Estar de punta en branco. (Estar nos trinques; estar impecável.)

Estar ó cabo do conto. (Estar bem informado sobre o assunto.)

Estar coma o rei nunha cesta. (Ter muito conforto; estar rodeado de comodidades.)

Estar contento coma un cuco (Estar muito contente.)

Estar calado coma na misa. (Estar em silêncio total.)

Estar coma ós cans na misa; facer falta coma os cans na misa. (Ser desnecessário; inconveniente.)

Estaría o demo a cagar. (Diz-se quando uma pessoa mesquinha resolve dar alguma coisa.)

Estar coa auga deicaix boca; estar coa auga ó pescozo (Estar em situação muito apertada.)

Estar con un pé aquí e outro acolá. (Ir num pé e voltar no outro.)

Facer

Facer rabos ás culleres. (Fingir que se trabalha; trabalhar sem interesse.)

Facer chorar as pedras. (Mover a compaixão.)

Facerse a gata morta (Fingir-se humilde)

Face-lo cartox. (Ganhar dinheiro.)

Face-la mona; pinta-la mona. (Querer ser engraçado; ser ridículo.)

Falar

Falar coma un libro aberto. (Falar bem e com clareza.)

Gañar

Non gaña-la auga que bebe. (Diz-se de quem ganha pouco no trabalho.)

Gaña-lo que gañan os cans na misa. (Sair-se mal em alguma coisa; não obter qualquer vantagem.)

Haber

Haber gato encerrado. (Existir um motivo suspeito ou misterioso.)

Hai zocas alleas debaixo da cama. (Já não estamos em família; cuidado com o que se fala.)

Ir Aínda vai a misa no credo.(Ainda fica muito por fazer.)

Ir coma o gato polas ascuas. (Andar com muito cuidado num assunto perigoso.)

Irse da língua. (Não ser capaz de guardar um segredo)

Írselle a alguén o santo ó ceo. (Ficar distraído; esquecer o que se ia fazer ou dizer.)

Ladrar

Ladrarlle á lúa. (Insultar alguém a quem não é afetado pelos insultos.)

Lamber

Lamber os pés a alguén; lamberlle o cu. (Ser muito servil; adulador; puxa-sacos.)

¡Vas lamber unhas! (Vais apanhar; vais levar uma surra.)

Levar

Levar que lamber. (Receber a resposta adequada; receber o troco; ter o que se merece.)

Levarse coma o pan e o leite. (Ser amigos íntimos; dar-se muito bem; ser unha e carne.)

Leva-lo gato á auga .(Conseguir um triunfo em disputa com outros competidores.)

Esa pera rabo leva. (Diz-se da frase que tem segundas intenções.)

Lucir (brilhar, luzir)

Lucirlle o pelo a alguén. (Estar com aparência saudável; estar contente com a marcha de algum negócio.)

Mandar

Mandar alguén a pedir. (Deixar alguém na miséria.)

Meter

Mete-los cans na bouzaxi; mete-las cabras na horta. (Semear a discórdia.)

Meter un chasco a alguén. (Enganar alguém.)

Meter alguén nun puño. (Dominar alguém.)

Mete-la língua na boca; morde-la língua. (Engolir em seco; conter-se e calar quando se é atacado.)

Meterlle os dedos na boca. (Puxar pela língua a alguém; experimentar alguém para saber sua intenção.)

Mete-la pata. (Dar mancada; interferir num assunto de maneira inoportuna.)

Meterlle algo polos ollos a alguén. (Enganar alguém com facilidade.)

Mexar (mijar, urinar)

Mexar por alguén. (Humilhar alguém.)

Mexar polas rocas. (Ser muito idoso.)

Mexar por un e ter que dicir que chove. (Ter que agüentar o que outros querem; ter que dizer amém.)

Mexarse de medo. (Ser muito medroso.)

Mexar fóra do caldeiro; mexar fóra do testo. (Referir-se ao que não vem a propósito na conversa.)

Oír

Oír con orellas xordas. (Fingir que não se ouve porque não convém.)

Xa oíu cantar máis de catro cucos. (Já tem muitos anos, já é muito idoso.)

Pasar

Pasarlle a alguén o sol pola porta. (Deixar escapar uma oportunidade que não volta mais.)

Pedir

Pedi-la lúa. (Pedir o impossível.)

Non pedir pan para o camiño. (Fugir às pressas.)

Pillar (pegar, agarrar, pilhar)

Pillar unha mona. (Pegar uma carraspana; embebedar-se.)

O meu can pillou unha lebre. (Acertar em alguma coisa por puro acaso; só acontece uma vez na vida.)

Poñer (pôr)

Poñer alguén nos cornos da lúa. (Pôr alguém nas nuvens; elogiar alguém em excesso.)

Poñe-los cornos. (Faltar à fidelidade conjugal.)

Poñerse de cornos. (Aborrecer-se; zangar-se.)

Poñer alguén a pan pedir. (Ofender ou maltratar verbalmente alguém.)

Poñer alguén a parir. (Insultar muito alguém, envergonhá-lo.)

Poñerlle a alguén o pao no lombo. (Bater muito em alguém com uma estaca ou pedaço de pau.)

Poñer tódolos santos en procesión; baixar do ceo cantos santos hai. (Blasfemar muito.)

Ninguén lle pon o pé diante. (É muito seguro de si; muito decidido e inteligente.)

Prometer

Promete-la lúa. (Prometer o que não se sabe se se pode cumprir.)

Quecer, quentar

Quecérenlle a alguén as orellas. (Não ter sossego; estar muito preocupado.)

Quecerlle as orellas; quentarlle as orellas a alguén (Bater-lhe; repreendê-lo severamente.)

Quentárselle a boca a alguén. (Falar demasiado sobre algo; não poder calar.)

Quedar (ficar, quedar)

Quedar á altura do betume. (Ficar muito mal moralmente em alguma empreitada; ficar com a cara no chão.)

Quitar (tirar)

Coma se lle quitasen as moasxii. (Como se lhe tirassem os dentes. Diz-se do que se faz à força.)

Quitar a cobra da parede coa man doutro. (Atirar a pedra e esconder a mão.)

Quitar o pelello. (Meter o malho em alguém; difamar; caluniar; criticar mordazmente.)

Quitarlle o pao ó tolo. (Tirar-lhe a alguém o instrumento com que pode causar dano: estaca, arma, etc.)

Quitarlle os bríos a alguén. (Reprimir alguém; contê-lo.)

Quitarlle os fociños a alguén. (Bater muito em alguém.)

Quitarllo das unllasxiii. (Indica o difícil que é tirar o poder das mãos de outrem.)

Non quitar nen poñer rei. (Diz-se de quem não toma decisão nem tem parte num negócio.)

Non quita-las zocasxiv. (Não se incomodar; não dar importância.)

Roer

Roer corda. (Agüentar; sofrer por não poder solucionar um problema.)

Saber

Saber de que pé coxea. (Conhecer-lhe os defeitos, as fraquezas.)

Saír

Saír a tódolos aguillóns. (Ser valente, destemido ao extremo.)

Saír as contas furadas; saír a porca mal capada; sair a galiña choca; sair a pascua na sexta feira; sair a pascua ó venres. (Sair tudo mal; sair tudo ao contrário do que se esperava; dar tudo errado).

Saí-la cadela can. (Ser enganado, iludido.)

Non saír do rabo de alguén. (Não deixar alguém nem a sol nem a sombra; andar colado a alguém.)

Semellar

Semellar unha gata parida. (Diz-se da pessoa fraca e extenuada.)

Ser

Ser agudo coma o pé de un muíño. (Não ser nada esperto; ser bobo; que custa a reagir.)

Ser avogado das silveiras. (Diz-se de quem sem título nem estudos pretende saber de leis.)

Ser coma a virxe do puño. (Ser tacanho, mesquinho.)

Ser coma unha zoca. (Ser bobo; ser retardado; ser uma mala.)

Ser persoa de pouco pelo. (Ser pessoa humilde ou de poucos recursos.)

Ser tres pés para un banco. (Ser três pessoas preguiçosas ou pouco aptas para o esporte.)

Ser coma un cuco. (Ser habilidoso.)

Ser capaz de contarlle os pelos ó demo. (Ser capaz de indagar tudo, com todos os detalhes.)

Ser outro conto. (Ser outra questão.)

É conto calado. (É um assunto onde há algum mistério.)

Non ser unha persoa santa da devoción doutra. (Ser uma pessoa que inspira antipatia ou desconfiança.)

Non ser rei nin Roque. (Indica que determinada pessoa não representa nada no tema em discussão.)

Non ser da mesma corda. (Não ter a mesma opinião.)

Ser unha chispa. (Ser muito experto; ativo.)

Ser cariñento coma un can. (Ser muito carinhoso.)

Ser lixeiro de língua. (Dizer o que primeiro vem à boca, sem pensar.)

Ser irmán de detrás da silveira. (Ser irmão bastardo.)

Ser cu de mal asento. (Diz-se de quem não tem parada em nenhum lugar.)

Ser unha cadela coma un can. (Ser muito ruim.)

Ser corrido coma unha mona. (Ficar envergonhado.)

Ser unha xogada de libro. (Ser uma jogada de mestre.)

Ser un can vello. (Ser uma velha raposa; ser astuto e precavido.)

Ser máis vello que andar a pé. (Ser muito velho; velho e relho; mais velho que a Sé de Braga.)

Ser un carto no cu; termar dos cartos. (Ser unha de fome; ser avarento; segurar o dinheiro; ser tacanho.)

É o libro das corenta follas. (É o baralho.)

Ter

Ter montes e moreas; ter moita terra na Habana. (Expressão irônica sobre quem se gaba de ter muitos bens.)

Ter cara de can. (Ter cara de poucos amigos; ser mal encarado.)

Ter mala uva. (Ter mau gênio.)

Ter palabriñas de santo e unllas de gato. (Ter discurso diferente do procedimento; ser hipócrita.)

Ter mala chispa. (Ter mau gênio.)

Ter unha boa chispa; te-la língua grosa. (Estar bêbado.)

Ter moito rabo. (Ser sonso; ser uma raposa.)

Te-la meigaxv; ter mala pata. (Ter má sorte; ser azarado.)

Ter muito bico. (Ter muita língua; muita lábia; falar demais.)

Non ter que limpar; non ter unha cadela. (Ser muito pobre; não ter um tostão.)

Non as ter todas consigo. (Estar intranqüilo ou temeroso.)

Ter pauto co demo. (Diz-se quando a uma pessoa lhe sai tudo bem.)

Ter pelos un asunto. (Diz-se de um assunto que apresentar dificuldades.)

O demo nunca ten sono. (As desgraças não se acabam.)

Tanto ten; tanto ten azoutar coma no cu dar. (Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega.)

Tanto ten Xan coma seu irmán. (Tanto faz um como o outro; nenhum deles é melhor que o outro.)

Tocar

Tocarlle o santo a alguén. (Bater em alguém; dar-lhe uma surra.)

Tomar

Tomar a alguén unha meiga. (Sair-lhe tudo mal a alguém.)

Tomarlle o pelo a alguén. (Fazer gozação; fazer chacota de alguém.)

Traer

Traer rabo unha cousa. (Diz-se de algo que pode causar graves complicações.)

Traer ó conto. (Trazer à baila; citar oportunamente.)

Untar

Untar as uñas a alguén; untar o carro. (Subornar alguém; dar gratificação para obter vantagem.)

Untarlle o lombo a alguém. (Dar-lhe uma forte surra.)

Valer

Valer un conto calado. (Ser algo de muito valor.)

Ver

Verlle as trazas a alguén. (Descobrir-lhe as intenções.)

Verse en calzas pretas. (Estar em apuros.)

Verlle as orellas a alguén (Descobrir-lhe as más intenções)

Verlle as orellas ó lobo. (Estar à beira dum grande perigo.)

Coma quen ve chover. (Não prestar atenção; não ligar; entrar por um ouvido e sair pelo outro.)

Non ver un burro a tres pasos. (Ter vista fraca; não perceber com facilidade.)

Vestir

Vestirse polos pés. (Ser do sexo masculino.)

Vir

Vir co conto de algo. (Vir com o pretexto ou com a desculpa de alguma coisa.)

Vir ó pelo. (Vir a calhar; chegar no momento apropriado.)

2.2. FRASES EXCLAMATIVAS:

¡Acabaramos de parir! (Até que enfim! Diz-se quando finalmente se resolve algo de há muito esperado.)

¡Aí está o conto! (Eis a questão!)

¡Morra o conto! (Acabou-se a história; não se fale mais nisso.)

¡Quen te chora! (Choras de barriga cheia! Aplica-se a quem não tem falta de nada.)

¡Quen te pariu que te arrolexvi! (Quem não te conheça que te compre.)

¡Quita de aí! (Para com isso! Denota incredulidade no que alguém diz.)

¿A santo de que? (Por que motivo? Por quê? Indica desaprovação.)

¡Por tódolos santos! (Pelo amor de Deus! Expressão com que se quer que alguém pare de dizer disparates.)

¡Pídechas o corpo! (Andas procurando briga! Procuras sarna para te coçar.)

¡Naceu un corvo branco! (Ocorreu uma raridade; uma casualidade.)

¡Que me coma o demo! (Juramento com que se reforça a verdade do que se afirma.)

¡Por min, que chova! ¡Xa pode chover! ¡Chova que neve! (Para mim tanto faz; pouco me importa.)

¡Cata que diaño! (¡Claro que sim! ¡Bem o vejo!)

¡Arre demo! (Exclamação que denota surpresa ou assombro.)

¡Inda o diaño ten cara de coello! (Diz-se quando as coisas saem mal.)

¡Meigas fóra! (Expressão de surpresa desagradável quando se supõe que há interferência de bruxas.)

3. CONCLUSÃO

Podemos verificar que, em geral, parte da fraseologia do galego não difere muito da do português. Os verbos que admitem maior número de frases feitas são os que têm grande circulação e que se referem a qualidades e atitudes do ser humano: ser, estar, andar, ter, poñer, quitar, dar, etc. Da mesma forma há lexemas nominais que comparecem com mais freqüência nas frases feitas. No nosso corpus, apesar de reduzido, podemos verificar a ocorrência freqüente de alguns. Entre eles, geralmente com sentido metafórico, observamos os seguintes: can, gato, mona, demo ou diaño, meiga, fociño, uñas ou unllas, rabo, pan, rei, etc.

A maior parte das frases feitas inclui-se na linguagem figurada. Assim, no corpus encontramos figuras pertencentes ao eixo metafórico como metáforas: El é unha chispa; símiles: É unha cadela coma un can; hipérboles: Poñer alguén nos cornos da lúa, etc. A metonímia também comparece em boa parte da frases aqui relacionadas: Hai zocas alleas debaixo da cama; é o libro das corenta follas, etc.

Observando o corpus acima é fácil concluir que, embora o galego seja a língua mais próxima do português, sendo considerado por diversos lingüistas como co-dialeto deste, ao menos na fraseologia notam-se bastantes diferenças, o que prova que tem que ser estudada em separado, embora todos tenhamos muito a lucrar com estudos comparativos, não só na fraseologia como nos demais aspectos lingüísticos. Os grandes trabalhos que estão sendo desenvolvidos no campo da fraseologia irão contribuir muito para o melhor conhecimento das línguas e culturas românicas originárias da Península Ibérica. O campo para estes e outros estudos é muito vasto e esta pequena amostra já nos indica que falta muito por fazer.

4.RECAPITULAÇÕES SUMÁRIAS

4.1. RESUMO

A fraseologia do galego não difere muito da do português. Verbos relacionados com o ser humano, suas características e atividades admitem a maior parte das frases feitas. Há também alguns lexemas muito freqüentes na frases estudadas. Grande parte das frases feitas pertence à linguagem figurada, tanto no eixo da metáfora como no da metonímia. Há no corpus bastantes diferenças entre a fraseologia galega e a portuguesa. É preciso estudar as duas em separado. Trabalhos comparativos serão úteis para todos. Estão sendo realizados trabalhos importantes, mas ainda há muito o que fazer.

4.2. ABSTRACT

The Galician phraseology does not differ so much from that of Portuguese. Verbs related to the human being, his caracteristics and activities admit the majority of idioms. There are also some very frequent lexical items in the studied expressions. A large part of the idioms belongs to figures of speech, as much in the metaphorical axis as in the metonymical one. In the corpus there are enough differences between Galician and Portuguese phraseology. It is necessary study both of them under separate cover. Comparative works will be useful for all. There are being performed important works, but there are still a lot for doing.

5. BIBLIOGRAFIA

CÂMARA JR., J. Mattoso. Dicionário de lingüística e gramática. 13. ed. Petrópolis, Vozes, 1986.

DICCIONARIO XERAIS da língua. 4. ed. corrix. Vigo: Xerais, 1993.

DICIONÁRIO AURELIO Eletrônico. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, /1996/.

NORMAS ORTOGRÁFICAS E MORFOLÓXICAS do idioma galego: Santiago de Compostela: Real Academia Galega / Instituto da Língua Galega, 1982.

SILVA, José Pereira da. As “frases feitas” de João Ribeiro. Rio de Janeiro: UERJ / Faculdade de Letras (mimeo), 1985.

6. NOTAS

i. SILVA, J. Pereira da. As “frases feitas”…, p. 9
ii. XERAIS e AURÉLIO. Passim
iii. CÂMARA, J. Mattoso. Dicionário…, p. 223
iv. NORMAS…, passim
v. ceibo (solto
vi. silveira (silvado, sarçal, tapume de silvas
vii. mona (macaca; fig. bebedeira
viii. bico (beijo, também bico = ponta
ix. deica (até
x. carto (dinheiro, m. us. no plural
xi. bouza (mata, capoeira, capão
xii. moa (dente molar
xiii. unlla, uña (unha
xiv. zoca (espécie de tamanco todo de madeira)
xv. meiga (bruxa)
xvi. arrolar (ninar, arrulhar)

http://www.filologia.org.br/revista/artigo/3(8)39-49.html

melancia chuga baby

A imagem de hoje vez foi enviada por Mary Carrijo. O supermercado onde o cartaz está afixado fica em Uberlândia, em Minas Gerais. Se não conseguir abrir o arquivo, é só clicar em http://www.teclasap.com.br/blog/2011/08/28/troca-a-placa-a-melancia-doce-como-acucar para ver a foto no blog.

A grafia correta da expressão em inglês é “SUGAR BABY”. Vale observar que a pronúncia de “SUGAR” não é muito diferente de “chuga”.

>melancia chuga baby

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A imagem de hoje vez foi enviada por Mary Carrijo. O supermercado onde o cartaz está afixado fica em Uberlândia, em Minas Gerais. Se não conseguir abrir o arquivo, é só clicar em http://www.teclasap.com.br/blog/2011/08/28/troca-a-placa-a-melancia-doce-como-acucar para ver a foto no blog.

A grafia correta da expressão em inglês é “SUGAR BABY”. Vale observar que a pronúncia de “SUGAR” não é muito diferente de “chuga”.

Se tablet substitui livro, vão substituir também o professor?

Se tablet substitui livro, vão substituir também o professor?

Publicado: 27 de agosto de 2011 às 12:16 | Autor: Eliomar de Lima | Categoria(s): Ceará, Cidadania, Cidades, Educação | 1 Comentário

Eis artigo do jornalista Luiz Henrique Campos, do O POVO, abordando algo que aqui foi exposto: a propaganda de colégio dizendo que o tablet vai substituir o livro. Para ele, daqui a pouco vão propagar que educação não precisará também de professor. Confira:
Confesso que relutei em abordar neste espaço o tema relativo à adoção de tablets em “substituição ao livro”, como tem sido propagandeado em outdoors pela cidade. Não resisti, porém, ao ser provocado nesta semana por minha filha de nove anos, que quer, porque quer, estudar naquela instituição de ensino.
E olhe que os argumentos dela são convincentes: comodidade por não gerar peso na mochila, inserção à modernidade e até mesmo um certo charme, por não precisar mais riscar tanto os livros escolares. Justo ela que adora as feiras literárias da escola em que estuda e vibra a cada Bienal do Livro em Fortaleza.
Em vista desses argumentos, apesar de não ser profissional da Educação, mas educador na condição de pai, me sinto no direito de tecer modestos comentários.
Primeiro, é bom que fique claro, não poderia jamais ser contra a adoção desses instrumentos como ferramenta de aprendizado. O tempo é implacável, como diz um amigo meu, e o futuro virá, queiramos, ou não.
O que me intriga nessa situação toda é o aproveitamento da situação como diferencial de mercado.Para mim, isso vindo de quem deveria prezar pela formação de crianças e adolescentes é preocupante.
Nada contra, portanto, ao avanço tecnológico. A partir do momento, todavia, que isso passa a ser usado de forma agressiva em ternos de propaganda para fins mercadológicos, como está sendo feito, tenho minhas restrições. Sou daqueles que aprenderam a gostar de ler porque via em casa os adultos lendo.
Com minha filha foi assim. Mas como será com meu filho de três anos, que agora também já quer usar o tablet em substituição ao livro como alardeado pela propaganda?
Receio que, em breve, venham a propagar que não se precise mais de professores, pois a tecnologia também será capaz de substituí-los. Por falar nisso, será que nesses colégios os alunos ainda sabem o nome dos professores?
* Luiz Henrique Campos
[email protected]
Editor adjunto do Núcleo de Conjuntura do O POVO.
Fonte:opovo.com.br
MINHA PÁGINA NO CAFÉ HISTÓRIA

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>Se tablet substitui livro, vão substituir também o professor?

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Se tablet substitui livro, vão substituir também o professor?

Eis artigo do jornalista Luiz Henrique Campos, do O POVO, abordando algo que aqui foi exposto: a propaganda de colégio dizendo que o tablet vai substituir o livro. Para ele, daqui a pouco vão propagar que educação não precisará também de professor. Confira:
Confesso que relutei em abordar neste espaço o tema relativo à adoção de tablets em “substituição ao livro”, como tem sido propagandeado em outdoors pela cidade. Não resisti, porém, ao ser provocado nesta semana por minha filha de nove anos, que quer, porque quer, estudar naquela instituição de ensino.
E olhe que os argumentos dela são convincentes: comodidade por não gerar peso na mochila, inserção à modernidade e até mesmo um certo charme, por não precisar mais riscar tanto os livros escolares. Justo ela que adora as feiras literárias da escola em que estuda e vibra a cada Bienal do Livro em Fortaleza.
Em vista desses argumentos, apesar de não ser profissional da Educação, mas educador na condição de pai, me sinto no direito de tecer modestos comentários.
Primeiro, é bom que fique claro, não poderia jamais ser contra a adoção desses instrumentos como ferramenta de aprendizado. O tempo é implacável, como diz um amigo meu, e o futuro virá, queiramos, ou não.
O que me intriga nessa situação toda é o aproveitamento da situação como diferencial de mercado.Para mim, isso vindo de quem deveria prezar pela formação de crianças e adolescentes é preocupante.
Nada contra, portanto, ao avanço tecnológico. A partir do momento, todavia, que isso passa a ser usado de forma agressiva em ternos de propaganda para fins mercadológicos, como está sendo feito, tenho minhas restrições. Sou daqueles que aprenderam a gostar de ler porque via em casa os adultos lendo.
Com minha filha foi assim. Mas como será com meu filho de três anos, que agora também já quer usar o tablet em substituição ao livro como alardeado pela propaganda?
Receio que, em breve, venham a propagar que não se precise mais de professores, pois a tecnologia também será capaz de substituí-los. Por falar nisso, será que nesses colégios os alunos ainda sabem o nome dos professores?
* Luiz Henrique Campos
[email protected]
Editor adjunto do Núcleo de Conjuntura do O POVO.
Fonte:opovo.com.br
MINHA PÁGINA NO CAFÉ HISTÓRIA

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O May be man MIA COUTO

O May be man MIA COUTO
Existe o “Yes man”. Todos sabem quem é e o mal que causa. Mas existe o May be man. E poucos sabem quem é. Menos ainda sabem o impacto desta espécie na vida nacional. Apresento aqui essa criatura que todos, no final, reconhecerão como familiar.
O May be man vive do “talvez”. Em português, dever-se-ia chamar de “talvezeiro”. Devia tomar decisões. Não toma. Sim­plesmente, toma indecisões. A decisão é um risco. E obriga a agir. Um “talvez” não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e o vazio.
A diferença entre o Yes man e o May be man não está apenas no “yes”. É que o “may be” é, ao mesmo tempo, um “may be not”. Enquanto o Yes man aposta na bajulação de um chefe, o May be man não aposta em nada nem em ninguém. Enquanto o primeiro suja a língua numa bota, o outro engraxa tudo que seja bota superior.
Sem chegar a ser chave para nada, o May be man ocupa lugares chave no Estado. Foi-lhe dito para ser do partido. Ele aceitou por conveniên­cia. Mas o May be man não é exactamente do partido no Poder. O seu partido é o Poder. Assim, ele veste e despe cores políticas conforme as marés. Porque o que ele é não vem da alma. Vem da aparência. A mesma mão que hoje levanta uma bandeira, levantará outra amanhã. E venderá as duas bandeiras, depois de amanhã. Afinal, a sua ideolo­gia tem um só nome: o negócio. Como não tem muito para negociar, como já se vendeu terra e ar, ele vende-se a si mesmo. E vende-se em parcelas. Cada parcela chama-se “comissão”.
Há quem lhe chame de “luvas”. Os mais pequenos chamam-lhe de “gasosa”. Vivemos uma na­ção muito gaseificada.
Governar não é, como muitos pensam, tomar conta dos interesses de uma nação. Governar é, para o May be Man, uma oportunidade de negócios. De “business”, como convém hoje, dizer. Curiosamente, o “talvezeiro” é um veemente crítico da corrupção. Mas apenas, quando beneficia outros. A que lhe cai no colo é legítima, patriótica e enqua­dra-se no combate contra a pobreza.
Mas a corrupção, em Moçambique, tem uma dificuldade: o corrup­tor não sabe exactamente a quem subornar. Devia haver um manual, com organograma orientador. Ou como se diz em workshopês: os guidelines. Para evitar que o suborno seja improdutivo. Afinal, o May be man é mais cauteloso que o andar do camaleão: aguarda pela opi­nião do chefe, mais ainda pela opinião do chefe do chefe. Sem luz verde vinda dos céus, não há luz nem verde para ninguém.
O May be man entendeu mal a máxima cristã de “amar o próximo”. Porque ele ama o seguinte. Isto é, ama o governo e o governante que vêm a seguir. Na senda de comércio de oportunidades, ele já vendeu a mesma oportunidade ao sul-africano. Depois, vendeu-a ao portu­guês, ao indiano. E está agora a vender ao chinês, que ele imagina ser o “próximo”. É por isso que, para a lógica do “talvezeiro” é trágico que surjam decisões. Porque elas matam o terreno do eterno adiamento onde prospera o nosso indecidido personagem.
O May be man descobriu uma área mais rentável que a especulação financeira: a área do não deixar fazer. Ou numa parábola mais recen­te: o não deixar. Há investimento à vista? Ele complica até deixar de haver. Há projecto no fundo do túnel? Ele escurece o final do túnel. Um pedido de uso de terra, ele argumenta que se perdeu a papelada. Numa palavra, o May be man actua como polícia de trânsito corrup­to: em nome da lei, assalta o cidadão.
Eis a sua filosofia: a melhor maneira de fazer política é estar fora da política. Melhor ainda: é ser político sem política nenhuma. Nessa fluidez se afirma a sua competência: ele e sai dos princípios, esquece o que disse ontem, rasga o juramento do passado. E a lei e o plano servem, quando confirmam os seus interesses. E os do chefe. E, à cau­tela, os do chefe do chefe.
O May be man aprendeu a prudência de não dizer nada, não pensar nada e, sobretudo, não contrariar os poderosos. Agradar ao dirigen­te: esse é o principal currículo. Afinal, o May be man não tem ideia sobre nada: ele pensa com a cabeça do chefe, fala por via do discurso do chefe. E assim o nosso amigo se acha apto para tudo. Podem no­meá-lo para qualquer área: agricultura, pescas, exército, saúde. Ele está à vontade em tudo, com esse conforto que apenas a ignorância absoluta pode conferir.
Apresentei, sem necessidade o May be man. Porque todos já sabíamos quem era. O nosso Estado está cheio deles, do topo à base. Podíamos falar de uma elevada densidade humana. Na realidade, porém, essa densidade não existe. Porque dentro do May be man não há ninguém. O que significa que estamos pagando salários a fantasmas. Uma for­tuna bem real paga mensalmente a fantasmas. Nenhum país, mesmo rico, deitaria assim tanto dinheiro para o vazio.
O May be Man é utilíssimo no país do talvez e na economia do faz-de-conta. Para um país a sério não serve.

>O May be man MIA COUTO

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O May be man MIA COUTO
Existe o “Yes man”. Todos sabem quem é e o mal que causa. Mas existe o May be man. E poucos sabem quem é. Menos ainda sabem o impacto desta espécie na vida nacional. Apresento aqui essa criatura que todos, no final, reconhecerão como familiar.
O May be man vive do “talvez”. Em português, dever-se-ia chamar de “talvezeiro”. Devia tomar decisões. Não toma. Sim­plesmente, toma indecisões. A decisão é um risco. E obriga a agir. Um “talvez” não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e o vazio.
A diferença entre o Yes man e o May be man não está apenas no “yes”. É que o “may be” é, ao mesmo tempo, um “may be not”. Enquanto o Yes man aposta na bajulação de um chefe, o May be man não aposta em nada nem em ninguém. Enquanto o primeiro suja a língua numa bota, o outro engraxa tudo que seja bota superior.
Sem chegar a ser chave para nada, o May be man ocupa lugares chave no Estado. Foi-lhe dito para ser do partido. Ele aceitou por conveniên­cia. Mas o May be man não é exactamente do partido no Poder. O seu partido é o Poder. Assim, ele veste e despe cores políticas conforme as marés. Porque o que ele é não vem da alma. Vem da aparência. A mesma mão que hoje levanta uma bandeira, levantará outra amanhã. E venderá as duas bandeiras, depois de amanhã. Afinal, a sua ideolo­gia tem um só nome: o negócio. Como não tem muito para negociar, como já se vendeu terra e ar, ele vende-se a si mesmo. E vende-se em parcelas. Cada parcela chama-se “comissão”.
Há quem lhe chame de “luvas”. Os mais pequenos chamam-lhe de “gasosa”. Vivemos uma na­ção muito gaseificada.
Governar não é, como muitos pensam, tomar conta dos interesses de uma nação. Governar é, para o May be Man, uma oportunidade de negócios. De “business”, como convém hoje, dizer. Curiosamente, o “talvezeiro” é um veemente crítico da corrupção. Mas apenas, quando beneficia outros. A que lhe cai no colo é legítima, patriótica e enqua­dra-se no combate contra a pobreza.
Mas a corrupção, em Moçambique, tem uma dificuldade: o corrup­tor não sabe exactamente a quem subornar. Devia haver um manual, com organograma orientador. Ou como se diz em workshopês: os guidelines. Para evitar que o suborno seja improdutivo. Afinal, o May be man é mais cauteloso que o andar do camaleão: aguarda pela opi­nião do chefe, mais ainda pela opinião do chefe do chefe. Sem luz verde vinda dos céus, não há luz nem verde para ninguém.
O May be man entendeu mal a máxima cristã de “amar o próximo”. Porque ele ama o seguinte. Isto é, ama o governo e o governante que vêm a seguir. Na senda de comércio de oportunidades, ele já vendeu a mesma oportunidade ao sul-africano. Depois, vendeu-a ao portu­guês, ao indiano. E está agora a vender ao chinês, que ele imagina ser o “próximo”. É por isso que, para a lógica do “talvezeiro” é trágico que surjam decisões. Porque elas matam o terreno do eterno adiamento onde prospera o nosso indecidido personagem.
O May be man descobriu uma área mais rentável que a especulação financeira: a área do não deixar fazer. Ou numa parábola mais recen­te: o não deixar. Há investimento à vista? Ele complica até deixar de haver. Há projecto no fundo do túnel? Ele escurece o final do túnel. Um pedido de uso de terra, ele argumenta que se perdeu a papelada. Numa palavra, o May be man actua como polícia de trânsito corrup­to: em nome da lei, assalta o cidadão.
Eis a sua filosofia: a melhor maneira de fazer política é estar fora da política. Melhor ainda: é ser político sem política nenhuma. Nessa fluidez se afirma a sua competência: ele e sai dos princípios, esquece o que disse ontem, rasga o juramento do passado. E a lei e o plano servem, quando confirmam os seus interesses. E os do chefe. E, à cau­tela, os do chefe do chefe.
O May be man aprendeu a prudência de não dizer nada, não pensar nada e, sobretudo, não contrariar os poderosos. Agradar ao dirigen­te: esse é o principal currículo. Afinal, o May be man não tem ideia sobre nada: ele pensa com a cabeça do chefe, fala por via do discurso do chefe. E assim o nosso amigo se acha apto para tudo. Podem no­meá-lo para qualquer área: agricultura, pescas, exército, saúde. Ele está à vontade em tudo, com esse conforto que apenas a ignorância absoluta pode conferir.
Apresentei, sem necessidade o May be man. Porque todos já sabíamos quem era. O nosso Estado está cheio deles, do topo à base. Podíamos falar de uma elevada densidade humana. Na realidade, porém, essa densidade não existe. Porque dentro do May be man não há ninguém. O que significa que estamos pagando salários a fantasmas. Uma for­tuna bem real paga mensalmente a fantasmas. Nenhum país, mesmo rico, deitaria assim tanto dinheiro para o vazio.
O May be Man é utilíssimo no país do talvez e na economia do faz-de-conta. Para um país a sério não serve.