101 Falares com JeitO

A Através editora vem de publicar o 101 Falares com Jeito do académico Fernando Corredoira, tradutor e professor de português..

O livro toca áreas onde quase não há bibliografia: a ação do castelhanismo nas falas galegas na área da semântica, nomeadamente falsos amigos, e nos decalques linguísticos. São esses erros que a simples observação não permite esclarecer.

Alguns exemplos:

As diferenças de uso entre oco/buraco, seguir/continuar, produzir-se/ocorrer, diplomata/diplomático

Decalques como ao melhor, desde logo, mais bem, de não chegares...

Enfim, um livro mui recomendável para construir um formato nacional de língua.

Mais info em: http://www.pglingua.org/agal/atraves-editora/3681-101-falares-com-jeito-de-fernando-vasquez-corredoira

Disponível em: http://www.imperdivel.net/lingua-sociedade/242-101-falares-com-jeito.html e em livrarias de todo o país.

>101 Falares com JeitO

>A Através editora vem de publicar o 101 Falares com Jeito do académico Fernando Corredoira, tradutor e professor de português..

O livro toca áreas onde quase não há bibliografia: a ação do castelhanismo nas falas galegas na área da semântica, nomeadamente falsos amigos, e nos decalques linguísticos. São esses erros que a simples observação não permite esclarecer.

Alguns exemplos:

As diferenças de uso entre oco/buraco, seguir/continuar, produzir-se/ocorrer, diplomata/diplomático

Decalques como ao melhor, desde logo, mais bem, de não chegares...

Enfim, um livro mui recomendável para construir um formato nacional de língua.

Mais info em: http://www.pglingua.org/agal/atraves-editora/3681-101-falares-com-jeito-de-fernando-vasquez-corredoira

Disponível em: http://www.imperdivel.net/lingua-sociedade/242-101-falares-com-jeito.html e em livrarias de todo o país.

LIVROS DAS PORTARIAS DO REIN

Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades.” Epícuro

______________________________________________________________

LIVROS DAS PORTARIAS DO REINO
Vol. 1 Luís Amaral
Guarda-Mor
500 páginas
ISBN:
Brochado
Portarias do Reino O conjunto dos Livros das Portarias do Reino são um importantíssimo fundo da Torre do Tombo que conserva as mercês régias atribuídas no século XVII, com referências que ilustram não só a época, como os tempos anteriores cujos factos e personalidades também registam. O seu conhecimento confirma, integra e revela os acontecimentos mais notáveis que mereceram o envolvimento da administração pública do império português e o olhar dos soberanos que então nos regeram. Destes livros 8 pertencem ao Reino, 2 à Índia e 2 a África. Relacionam personagens e acontecimentos de um século que marca a mudança dinástica que permite aos portugueses recuperar a coroa nacional. É todo esse constituir de um novo Portugal que fica, mercê a mercê, patente nesta obra que agora se traz a lume. A colecção das Portarias do Reino, cuja publicação agora se inicia, deverá ficar completa no espaço de três anos e ocupará 12 volumes de cerca de 500 páginas cada, incluindo índices onomásticos e geográficos.
O 1.º volume integrará a apresentação da obra pelo Prof. Dr. Bernardo de Vasconcelos e Sousa e, também, a lista de subscritores.

>LIVROS DAS PORTARIAS DO REIN

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Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades.” Epícuro

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LIVROS DAS PORTARIAS DO REINO
Vol. 1 Luís Amaral
Guarda-Mor
500 páginas
ISBN:
Brochado
Portarias do Reino O conjunto dos Livros das Portarias do Reino são um importantíssimo fundo da Torre do Tombo que conserva as mercês régias atribuídas no século XVII, com referências que ilustram não só a época, como os tempos anteriores cujos factos e personalidades também registam. O seu conhecimento confirma, integra e revela os acontecimentos mais notáveis que mereceram o envolvimento da administração pública do império português e o olhar dos soberanos que então nos regeram. Destes livros 8 pertencem ao Reino, 2 à Índia e 2 a África. Relacionam personagens e acontecimentos de um século que marca a mudança dinástica que permite aos portugueses recuperar a coroa nacional. É todo esse constituir de um novo Portugal que fica, mercê a mercê, patente nesta obra que agora se traz a lume. A colecção das Portarias do Reino, cuja publicação agora se inicia, deverá ficar completa no espaço de três anos e ocupará 12 volumes de cerca de 500 páginas cada, incluindo índices onomásticos e geográficos.
O 1.º volume integrará a apresentação da obra pelo Prof. Dr. Bernardo de Vasconcelos e Sousa e, também, a lista de subscritores.

Glossário Toponímico – Galiza, Portugal e Brasil

Glossário Toponímico – Galiza, Portugal e Brasil

Um glossário de topónimos serve para mostrar como a mesma origem fonética e linguística pode tomar diversas variantes. destas variantes, algumas esclarecem-nos sobre a forma primitiva da palavra, pondo de lado certas hipóteses ou mesmo explicações que nunca teriam passado pela mente dos eruditos, se as tivessem conhecido. é apenas um caminho, um caminho por entre um rôr de outros.Além disso, põe em pé de igualdade os macro e os microtopónimos, sendo certo que o facto de serem macro ou micro não é uma qualidade de origem nem um destino perpétuo, mas, apenas, um circunstancialismo histórico, por isso mesmo variável. alguns lugares há pouco tempo pequenos, ou mesmo insignificantes, são hoje cidades que rivalizam com as principais do nosso país. e cidades outrora importantes são hoje pouco mais que lugarejos menores, designados por aquilo a que se chama microtopónimos.

O presente Glossário é um trabalho de meia dúzia de lustres, cada lustre cinco anos, disperso por várias bases de dados, umas escritas, outras já electrónicas. baseia-se numa teimosia e num gosto pessoal , que me levou a apontar obsessivamente os lugares por onde ia passando e passo. a minha profissão é uma fonte inesgotável de topónimos, de todos os tamanhos e feitios. e de lendas e lengalengas explicativas, que têm a piada que têm mas não explicam nada. salvo algumas lendas propriamente ditas, ou dignas desse nome: essas têm um fundo de verdade. como distinguir umas das outras, essa é a arte do artista, como soe dizer-se.Com aquelas regras mínimas, que consistem em ressalvar o seu a seu dono, é assim que ponho os meus apontamentos à disposição da rede.

Não é trabalho acabado.Deste esqueleto de nomes, ainda incompleto, irá surgindo, a seu ritmo, o revestimento de carnes e de pele que lhe dará a forma final. se a tanto me ajudar o engenho, a arte e o tempo que os permita.

Os mais curiosos poderão consultar o blogue gémeo Toponímia Galego-Portuguesa e Brasileira http://toponimialusitana.blogspot.com/, onde esse trabalho se faz dia após dia.

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>Glossário Toponímico – Galiza, Portugal e Brasil

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Glossário Toponímico – Galiza, Portugal e Brasil

Um glossário de topónimos serve para mostrar como a mesma origem fonética e linguística pode tomar diversas variantes. destas variantes, algumas esclarecem-nos sobre a forma primitiva da palavra, pondo de lado certas hipóteses ou mesmo explicações que nunca teriam passado pela mente dos eruditos, se as tivessem conhecido. é apenas um caminho, um caminho por entre um rôr de outros.Além disso, põe em pé de igualdade os macro e os microtopónimos, sendo certo que o facto de serem macro ou micro não é uma qualidade de origem nem um destino perpétuo, mas, apenas, um circunstancialismo histórico, por isso mesmo variável. alguns lugares há pouco tempo pequenos, ou mesmo insignificantes, são hoje cidades que rivalizam com as principais do nosso país. e cidades outrora importantes são hoje pouco mais que lugarejos menores, designados por aquilo a que se chama microtopónimos.

O presente Glossário é um trabalho de meia dúzia de lustres, cada lustre cinco anos, disperso por várias bases de dados, umas escritas, outras já electrónicas. baseia-se numa teimosia e num gosto pessoal , que me levou a apontar obsessivamente os lugares por onde ia passando e passo. a minha profissão é uma fonte inesgotável de topónimos, de todos os tamanhos e feitios. e de lendas e lengalengas explicativas, que têm a piada que têm mas não explicam nada. salvo algumas lendas propriamente ditas, ou dignas desse nome: essas têm um fundo de verdade. como distinguir umas das outras, essa é a arte do artista, como soe dizer-se.Com aquelas regras mínimas, que consistem em ressalvar o seu a seu dono, é assim que ponho os meus apontamentos à disposição da rede.

Não é trabalho acabado.Deste esqueleto de nomes, ainda incompleto, irá surgindo, a seu ritmo, o revestimento de carnes e de pele que lhe dará a forma final. se a tanto me ajudar o engenho, a arte e o tempo que os permita.

Os mais curiosos poderão consultar o blogue gémeo Toponímia Galego-Portuguesa e Brasileira http://toponimialusitana.blogspot.com/, onde esse trabalho se faz dia após dia.

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Imperialismo e Colonialismo: a Partilha do Mundo (1860-1914)

Geografia e História
No recente Simpósio internacional sobre História da Geografia e Colonialismo, em Cabo Verde, o tema foi muito debatido. Mas nós o que sabemos a respeito? A África lusófona faz parte desta história. Refresquemos a memória.De que tratou a Conferência de Berlim, o Mapa-côr-de-rosa e o “ultimato” da Grã-Bretanha a Portugal.
Leiam o artigo a seguir.
Imperialismo e Colonialismo: a Partilha do Mundo (1860-1914)
Pelos finais de Oitocentos e meados do século XX, o continente europeu mantinha uma posição hegemónica relativamente aos restantes continentes. Esta supremacia advinha do imperialismo. Os países mais fortes da Europa, grandes potências industrializadas, governavam o mundo, que se encontrava dividido em territórios coloniais e áreas geográficas onde exerciam uma forte influência política e económica.
Em todo o continente africano apenas a Etiópia e a República da Libéria, nascida em 1849, eram estados independentes; o resto do território era dominado pelos estados colonialistas europeus.
Na Ásia, os impérios da Turquia, da Pérsia e da China estavam constantemente a ser assediados e ameaçados pelos europeus. A Grã-Bretanha, a Alemanha, a Rússia e a França competiam entre si pelo domínio deste continente, mas a potência dominante na área era indubitavelmente o último desses países.
A supremacia europeia tornou-se possível devido à reunião de três fatores essenciais: a explosão demográfica, o progresso tecnológico e o desenvolvimento económico e financeiro.
As taxas de mortalidade tinham baixado consideravelmente na Europa, por causa da revolução científica e da melhoria das condições de higiene, duas condições que, somadas ao desenvolvimento económico, adiante referido, desencadearam igualmente o aumento da natalidade. A população europeia representava em 1800 cerca de 20 % do total da população mundial, e aproximadamente um século depois dava-se um aumento de 4%, ou mais talvez, se contarmos com a emigração europeia para outros continentes.
A expansão europeia também foi favorecida pelo acentuado desenvolvimento técnico e tecnológico que possibilitou a utilização de novas formas de energia, como o gás e a eletricidade, e a revolução dos transportes, ocorrida entre 1880 e 1885, que disponibilizou a utilização de meios mais eficientes, menos morosos e acessíveis ao transporte de mais carga, tais como o barco a vapor e o comboio, que vieram assim a aproximar as pessoas e os países.
No plano económico, houve na década de 80 do século XIX uma tendência para se voltar às “velhas” políticas protecionistas, abandonando o liberalismo económico, ou livre-cambismo, o que incitou novamente os países da Europa a procurarem novos mercados e matérias primas. Os capitais europeus começaram a ser exportados para as colónias; deste modo, passaram a circular por todo o mundo.
Um dos fatores conducentes a esta posição de hegemonia da Europa foi a superioridade bélica, a qual tornou possível uma expansão colonial assente num número reduzido de efetivos em vastos territórios.
O colonialismo, nesta altura, pode, em linhas gerais, definir-se como uma das grandes consequências da industrialização. Para as nações que estiveram na vanguarda deste processo, as colónias representavam uma faceta indispensável do seu expansionismo económico. A necessidade da posse de territórios coloniais deriva de três ou quatro grandes ordens de fatores: por um lado, como se disse, os espaços ultramarinos representam um mercado onde as potências industrializadas adquirem as matérias-primas de que necessitam; por outro, em época de grande concorrência, as mesmas colónias são mercados onde a metrópole coloca, a preços preferenciais, os produtos transformados ou fabricados; em terceiro lugar, as nações industrializadas utilizavam estas terras para aí enviarem os seus excedentes populacionais, que lhes poderiam causar problemas na dinâmica de desenvolvimento económico ou agitações sociais e laborais; por fim, as colónias são utilizadas para a colocação de capitais (em excedente), gerados pelo processo de industrialização em curso e, desse modo, amplamente rentabilizados.
No início do século XX, a Europa prosseguia o processo de europeização do mundo, mas agora contava já com a concorrência dos Estados Unidos e do emergente Japão, que à semelhança da Europa tiravam partido de uma política de expansionismo territorial para atingir as suas principais metas: o crescimento económico e o poderio político.
Os Estados Unidos entraram numa fase de industrialização logo após o término da Guerra da Secessão (1861-1865), passando automaticamente a poder estar em pé de igualdade com as grandes potências europeias. Os setores de ponta deste desenvolvimento foram as indústrias têxtil, siderúrgica e de produtos alimentares; para além da produção de carvão e extração de petróleo.
O investimento na produção industrial teve sucesso dado que a América dispunha de muita mão de obra proveniente dos imigrantes que da década de 80 do século XIX até aos primeiros anos do século XX, afluíam em grande número à terra de todas as oportunidades. O desenvolvimento americano também se ficou a dever, em parte, à conquista de novos territórios (Cuba, Porto Rico, Filipinas, Guam, Havai entre outros), verificada em grande parte depois da vitória dos americanos sobre os espanhóis em 1898 (Guerra hispano-americana) e à compra do Alasca em 1867.
O Japão, sobretudo a partir da segunda metade do século XIX procurou acompanhar o ritmo de desenvolvimento das mais pujantes nações europeias, através da criação de infraestruturas, da implementação do ensino e do fortalecimento do exército e da marinha.
Ao tentar avançar com o projeto colonialista, o Japão foi chocar com os interesses da Rússia, que conduziram a uma guerra entre estas duas nações (Guerra Russo-Japonesa, 1870-71), terminada em 1905 com a vitória dos nipónicos, na batalha naval de Tsushima. Com este sucesso, os japoneses tomaram posse da Manchúria e da Coreia, e foi-lhes entregue metade da ilha de Sacalina.
Comparativamente à Europa, tradicionalmente colonialista, as possessões deste dois países eram menores. No final do século XIX, todas as potências coloniais tomaram novos territórios que passaram a explorar segundo um modelo imperialista de tipo capitalista.
O colonialismo era, muitas vezes, feroz e violento, gerando à sua volta a animosidade de alguns dos países dominados onde surgiram sentimentos nacionalistas.
A Conferência de Berlim, ocorrida a 15 de novembro de 1884, foi muito importante para o sucesso do colonialismo. Nesta conferência, catorze países entre os quais se contava Portugal, procuraram chegar a um acordo sobre a partilha de África. De entre as resoluções tomadas nesta conferência, teve lugar de destaque o artigo 35.° do 6.° capítulo das “Conclusões”, que consagrou o princípio da ocupação efetiva. De acordo com o articulado, era reconhecido o direito de as potências possuírem territórios fora das suas fronteiras com a condição de as ocupar efectivamente, estabelecendo populações e administrações de facto.
A Inglaterra era neste período a maior potência colonial, com possessões espalhadas por todos os continentes; em 1877 juntou ao seu vasto império a Índia, a “colónia das colónias”, a joia da coroa inglesa. A França, até ao começo do século XX, dominava a África do Mediterrâneo até ao Congo, e o Sudeste Asiático, para além das Antilhas Francesas e outras pequenas colónias no Pacífico. A Alemanha não tinha propriamente um império colonial; as suas possessões deviam-se a ações de “particulares”, como a Sociedade de Geografia de Berlim; contudo, tomaram posse do Togo, dos Camarões e de algumas regiões da África Ocidental (Sudoeste Africano, hoje Namíbia) e Oriental (Tanzânia, outrora Tanganica). Ocupou também algumas ilhas no Pacífico junto à Nova Guiné (Ilhas Salomão).
A Itália veio a dominar a Etiópia e tentou, sem sucesso, fazer o mesmo com a Eritreia e a Somália; entre 1911 e 1912 ocupou a Líbia. A Bélgica, a partir de 1908, era a potência administrante do Congo depois Zaire. Portugal, por seu turno, tentou dominar outros territórios entre Moçambique e Angola. Trata-se da célebre questão do Mapa-cor-de-Rosa, que reflete bem a competição existente entre as velhas nações coloniais nesta verdadeira corrida à posse de zonas de exploração. Essas pretensões portuguesas à região do “mapa cor-de-rosa” não obtiveram, todavia, êxito.O final do século XIX é profundamente marcado por este processo determinando politicas, motivando aventureiros e marcando o imaginário. Os relatos de expedição a África e a outras terras tão longínquas quanto misteriosas entusiasmaram e admiraram populações. É a época das expedições científicas; do apogeu dos museus de história natural; é a época dos exércitos expedicionários. É, em suma, a época dos grandes projetos ultramarinos e da demonstração da pujança colonialista, manifestada frequentemente através da violência dos países industrializados.
É neste sentido que se explica a questão do falhado “mapa-côr-de-rosa”. A Sociedade de Geografia de Lisboa financiou diversas expedições que percorreram a África meridional, “de Angola à contra-costa” reclamando para Portugal o território dos Macolobos, situado entre Angola e Moçambique. Ora, contra ela levantou-se a oposição da Inglaterra que não admitia interferências no seu projeto colonial que consistia no controlo de um corredor ligando o Cairo ao Cabo. Na sequência de um conflito diplomático, a Grã-Bretanha lança um “ultimato” a Portugal, o qual colocará em crise a monarquia portuguesa.
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Como referenciar este artigo:Imperialismo e Colonialismo: a Partilha do Mundo (1860-1914). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-07-27].
Disponível na www: .

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>Imperialismo e Colonialismo: a Partilha do Mundo (1860-1914)

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Geografia e História
No recente Simpósio internacional sobre História da Geografia e Colonialismo, em Cabo Verde, o tema foi muito debatido. Mas nós o que sabemos a respeito? A África lusófona faz parte desta história. Refresquemos a memória.De que tratou a Conferência de Berlim, o Mapa-côr-de-rosa e o “ultimato” da Grã-Bretanha a Portugal.
Leiam o artigo a seguir.
Imperialismo e Colonialismo: a Partilha do Mundo (1860-1914)
Pelos finais de Oitocentos e meados do século XX, o continente europeu mantinha uma posição hegemónica relativamente aos restantes continentes. Esta supremacia advinha do imperialismo. Os países mais fortes da Europa, grandes potências industrializadas, governavam o mundo, que se encontrava dividido em territórios coloniais e áreas geográficas onde exerciam uma forte influência política e económica.
Em todo o continente africano apenas a Etiópia e a República da Libéria, nascida em 1849, eram estados independentes; o resto do território era dominado pelos estados colonialistas europeus.
Na Ásia, os impérios da Turquia, da Pérsia e da China estavam constantemente a ser assediados e ameaçados pelos europeus. A Grã-Bretanha, a Alemanha, a Rússia e a França competiam entre si pelo domínio deste continente, mas a potência dominante na área era indubitavelmente o último desses países.
A supremacia europeia tornou-se possível devido à reunião de três fatores essenciais: a explosão demográfica, o progresso tecnológico e o desenvolvimento económico e financeiro.
As taxas de mortalidade tinham baixado consideravelmente na Europa, por causa da revolução científica e da melhoria das condições de higiene, duas condições que, somadas ao desenvolvimento económico, adiante referido, desencadearam igualmente o aumento da natalidade. A população europeia representava em 1800 cerca de 20 % do total da população mundial, e aproximadamente um século depois dava-se um aumento de 4%, ou mais talvez, se contarmos com a emigração europeia para outros continentes.
A expansão europeia também foi favorecida pelo acentuado desenvolvimento técnico e tecnológico que possibilitou a utilização de novas formas de energia, como o gás e a eletricidade, e a revolução dos transportes, ocorrida entre 1880 e 1885, que disponibilizou a utilização de meios mais eficientes, menos morosos e acessíveis ao transporte de mais carga, tais como o barco a vapor e o comboio, que vieram assim a aproximar as pessoas e os países.
No plano económico, houve na década de 80 do século XIX uma tendência para se voltar às “velhas” políticas protecionistas, abandonando o liberalismo económico, ou livre-cambismo, o que incitou novamente os países da Europa a procurarem novos mercados e matérias primas. Os capitais europeus começaram a ser exportados para as colónias; deste modo, passaram a circular por todo o mundo.
Um dos fatores conducentes a esta posição de hegemonia da Europa foi a superioridade bélica, a qual tornou possível uma expansão colonial assente num número reduzido de efetivos em vastos territórios.
O colonialismo, nesta altura, pode, em linhas gerais, definir-se como uma das grandes consequências da industrialização. Para as nações que estiveram na vanguarda deste processo, as colónias representavam uma faceta indispensável do seu expansionismo económico. A necessidade da posse de territórios coloniais deriva de três ou quatro grandes ordens de fatores: por um lado, como se disse, os espaços ultramarinos representam um mercado onde as potências industrializadas adquirem as matérias-primas de que necessitam; por outro, em época de grande concorrência, as mesmas colónias são mercados onde a metrópole coloca, a preços preferenciais, os produtos transformados ou fabricados; em terceiro lugar, as nações industrializadas utilizavam estas terras para aí enviarem os seus excedentes populacionais, que lhes poderiam causar problemas na dinâmica de desenvolvimento económico ou agitações sociais e laborais; por fim, as colónias são utilizadas para a colocação de capitais (em excedente), gerados pelo processo de industrialização em curso e, desse modo, amplamente rentabilizados.
No início do século XX, a Europa prosseguia o processo de europeização do mundo, mas agora contava já com a concorrência dos Estados Unidos e do emergente Japão, que à semelhança da Europa tiravam partido de uma política de expansionismo territorial para atingir as suas principais metas: o crescimento económico e o poderio político.
Os Estados Unidos entraram numa fase de industrialização logo após o término da Guerra da Secessão (1861-1865), passando automaticamente a poder estar em pé de igualdade com as grandes potências europeias. Os setores de ponta deste desenvolvimento foram as indústrias têxtil, siderúrgica e de produtos alimentares; para além da produção de carvão e extração de petróleo.
O investimento na produção industrial teve sucesso dado que a América dispunha de muita mão de obra proveniente dos imigrantes que da década de 80 do século XIX até aos primeiros anos do século XX, afluíam em grande número à terra de todas as oportunidades. O desenvolvimento americano também se ficou a dever, em parte, à conquista de novos territórios (Cuba, Porto Rico, Filipinas, Guam, Havai entre outros), verificada em grande parte depois da vitória dos americanos sobre os espanhóis em 1898 (Guerra hispano-americana) e à compra do Alasca em 1867.
O Japão, sobretudo a partir da segunda metade do século XIX procurou acompanhar o ritmo de desenvolvimento das mais pujantes nações europeias, através da criação de infraestruturas, da implementação do ensino e do fortalecimento do exército e da marinha.
Ao tentar avançar com o projeto colonialista, o Japão foi chocar com os interesses da Rússia, que conduziram a uma guerra entre estas duas nações (Guerra Russo-Japonesa, 1870-71), terminada em 1905 com a vitória dos nipónicos, na batalha naval de Tsushima. Com este sucesso, os japoneses tomaram posse da Manchúria e da Coreia, e foi-lhes entregue metade da ilha de Sacalina.
Comparativamente à Europa, tradicionalmente colonialista, as possessões deste dois países eram menores. No final do século XIX, todas as potências coloniais tomaram novos territórios que passaram a explorar segundo um modelo imperialista de tipo capitalista.
O colonialismo era, muitas vezes, feroz e violento, gerando à sua volta a animosidade de alguns dos países dominados onde surgiram sentimentos nacionalistas.
A Conferência de Berlim, ocorrida a 15 de novembro de 1884, foi muito importante para o sucesso do colonialismo. Nesta conferência, catorze países entre os quais se contava Portugal, procuraram chegar a um acordo sobre a partilha de África. De entre as resoluções tomadas nesta conferência, teve lugar de destaque o artigo 35.° do 6.° capítulo das “Conclusões”, que consagrou o princípio da ocupação efetiva. De acordo com o articulado, era reconhecido o direito de as potências possuírem territórios fora das suas fronteiras com a condição de as ocupar efectivamente, estabelecendo populações e administrações de facto.
A Inglaterra era neste período a maior potência colonial, com possessões espalhadas por todos os continentes; em 1877 juntou ao seu vasto império a Índia, a “colónia das colónias”, a joia da coroa inglesa. A França, até ao começo do século XX, dominava a África do Mediterrâneo até ao Congo, e o Sudeste Asiático, para além das Antilhas Francesas e outras pequenas colónias no Pacífico. A Alemanha não tinha propriamente um império colonial; as suas possessões deviam-se a ações de “particulares”, como a Sociedade de Geografia de Berlim; contudo, tomaram posse do Togo, dos Camarões e de algumas regiões da África Ocidental (Sudoeste Africano, hoje Namíbia) e Oriental (Tanzânia, outrora Tanganica). Ocupou também algumas ilhas no Pacífico junto à Nova Guiné (Ilhas Salomão).
A Itália veio a dominar a Etiópia e tentou, sem sucesso, fazer o mesmo com a Eritreia e a Somália; entre 1911 e 1912 ocupou a Líbia. A Bélgica, a partir de 1908, era a potência administrante do Congo depois Zaire. Portugal, por seu turno, tentou dominar outros territórios entre Moçambique e Angola. Trata-se da célebre questão do Mapa-cor-de-Rosa, que reflete bem a competição existente entre as velhas nações coloniais nesta verdadeira corrida à posse de zonas de exploração. Essas pretensões portuguesas à região do “mapa cor-de-rosa” não obtiveram, todavia, êxito.O final do século XIX é profundamente marcado por este processo determinando politicas, motivando aventureiros e marcando o imaginário. Os relatos de expedição a África e a outras terras tão longínquas quanto misteriosas entusiasmaram e admiraram populações. É a época das expedições científicas; do apogeu dos museus de história natural; é a época dos exércitos expedicionários. É, em suma, a época dos grandes projetos ultramarinos e da demonstração da pujança colonialista, manifestada frequentemente através da violência dos países industrializados.
É neste sentido que se explica a questão do falhado “mapa-côr-de-rosa”. A Sociedade de Geografia de Lisboa financiou diversas expedições que percorreram a África meridional, “de Angola à contra-costa” reclamando para Portugal o território dos Macolobos, situado entre Angola e Moçambique. Ora, contra ela levantou-se a oposição da Inglaterra que não admitia interferências no seu projeto colonial que consistia no controlo de um corredor ligando o Cairo ao Cabo. Na sequência de um conflito diplomático, a Grã-Bretanha lança um “ultimato” a Portugal, o qual colocará em crise a monarquia portuguesa.
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Como referenciar este artigo:Imperialismo e Colonialismo: a Partilha do Mundo (1860-1914). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-07-27].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$imperialismo-e-colonialismo-a-partilha-do>.

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Maria Lúcia Lepecki morreu

A escritora e ensaísta brasileira Maria Lúcia Lepecki morreu aos 71 anos em Lisboa, vítima de cancro, disse à Lusa o escritor Baptista-Bastos.
 
 
Maria Lúcia Lepecki nasceu em Axará, no estado de Minas Gerais, no Brasil, mas estava radicada há várias décadas em Portugal, sendo uma profunda conhecedora da literatura portuguesa.
Brasileira de nascimento e portuguesa por casamento, Maria Lúcia Lepecki estudou em Paris, foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e professora catedrática na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
De acordo com a biografia disponibilizada pela Direcção-geral do Livro e das Bibliotecas, Camilo Castelo Branco foi o centro da tese de doutoramento de Maria Lúcia Lepecki em 1967, já depois de ter feito uma licenciatura em Filologia Românica no Brasil.
Baptista-Bastos referiu-se a Maria Lúcia Lepecki como uma “ensaísta notabilíssima e uma defensora da cultura portuguesa”.
Colaborou em várias revistas e jornais portugueses e estrangeiros, sobretudo na área da literatura, como a Colóquio/Letras e o suplemento literário do Estado de São Paulo.
Em 2004, recebeu o prémio de ensaio literário da Associação Portuguesa de Escritores.
Em 2008, por ocasião do encontro literário Correntes d´Escritas, na Póvoa de Varzim, Maria Lúcia Lepecki manifestou-se publicamente contra o novo acordo ortográfico.
 
 

>Maria Lúcia Lepecki morreu

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A escritora e ensaísta brasileira Maria Lúcia Lepecki morreu aos 71 anos em Lisboa, vítima de cancro, disse à Lusa o escritor Baptista-Bastos.
 
 
Maria Lúcia Lepecki nasceu em Axará, no estado de Minas Gerais, no Brasil, mas estava radicada há várias décadas em Portugal, sendo uma profunda conhecedora da literatura portuguesa.
Brasileira de nascimento e portuguesa por casamento, Maria Lúcia Lepecki estudou em Paris, foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e professora catedrática na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
De acordo com a biografia disponibilizada pela Direcção-geral do Livro e das Bibliotecas, Camilo Castelo Branco foi o centro da tese de doutoramento de Maria Lúcia Lepecki em 1967, já depois de ter feito uma licenciatura em Filologia Românica no Brasil.
Baptista-Bastos referiu-se a Maria Lúcia Lepecki como uma “ensaísta notabilíssima e uma defensora da cultura portuguesa”.
Colaborou em várias revistas e jornais portugueses e estrangeiros, sobretudo na área da literatura, como a Colóquio/Letras e o suplemento literário do Estado de São Paulo.
Em 2004, recebeu o prémio de ensaio literário da Associação Portuguesa de Escritores.
Em 2008, por ocasião do encontro literário Correntes d´Escritas, na Póvoa de Varzim, Maria Lúcia Lepecki manifestou-se publicamente contra o novo acordo ortográfico.
 
 

novolinguismo

A NOVA LÍNGUA PORTUGUESA

Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos
pretos ‘afro-americanos’, com vista a acabar com as raças por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado!
As
criadas dos anos 70 passaram a ‘empregadas domésticas‘ e preparam-se agora para receber a menção de ‘auxiliares de apoio doméstico‘ .
De igual modo, extinguiram-se nas escolas os ‘
contínuos‘ que passaram todos a ‘auxiliares da acção educativa‘.
Os
vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por delegados de informação médica‘.
E pelo mesmo processo transmudaram-se os
caixeiros-viajantes em ‘técnicos de vendas ‘.
O
aborto eufemizou-se em ‘interrupção voluntária da gravidez‘;
Os
gangs étnicos são ‘grupos de jovens
Os
operários fizeram-se de repente ‘colaboradores‘;
As
fábricas, essas, vistas de dentro são ‘unidades produtivas‘e vistas da estranja são ‘centros de decisão nacionais‘.
O
analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à ‘iliteracia‘ galopante.
Desapareceram dos comboios as
1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes ‘Conforto‘ e ‘Turística‘.
A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou
mãe solteira…» ; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental…» – eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.
Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes
crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um ‘comportamento disfuncional hiperactivo’
Do mesmo modo, e para felicidade dos ‘encarregados de educação’ , os brilhantes programas escolares extinguiram os
alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, ‘crianças de desenvolvimento instável’.
Ainda há
cegos, infelizmente. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado ‘invisual‘. (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos – mas o ‘politicamente correcto’ marimba-se para as regras gramaticais…)
As
putas passaram a ser ‘senhoras de alterne‘.
Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em ‘
implementações‘, ‘posturas pró-activas‘, ‘políticas fracturantes‘ e outros barbarismos da linguagem.
E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.
Estamos lixados com este ‘novo português’; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma ‘politicamente correcta’.
E falta ainda esclarecer que os tradicionais “anões” estão em vias de passar a “cidadãos verticalmente desfavorecidos“…
Os idiotas e imbecis passam a designar-se por “indivíduos com atitude não vinculativa”
Os pretos passaram a ser pessoas de cor.
O mongolismo passou a designar-se síndroma do cromossoma 21.
Os gordos e os magros passaram a ser pessoas com disfunção alimentar.
Os mentirosos passam a ser “pessoas com muita imaginação”
Os que fazem desfalques nas empresas e são descobertos são “pessoas com grande visão empresarial mas que estão rodeados de invejosos
Para autarcas e políticos, afirmar que “eu tenho impunidade judicial“, foi substituído por “estar de consciência tranquila“.
O conceito de corrupção organizada foi substituído pela palavra “sistema“.
Difícil, dramático, desastroso, congestionado, problemático, etc., passou a ser sinónimo de complicado.

>novolinguismo

>

A NOVA LÍNGUA PORTUGUESA

Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos
pretos ‘afro-americanos’, com vista a acabar com as raças por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado!
As
criadas dos anos 70 passaram a ‘empregadas domésticas‘ e preparam-se agora para receber a menção de ‘auxiliares de apoio doméstico‘ .
De igual modo, extinguiram-se nas escolas os ‘
contínuos‘ que passaram todos a ‘auxiliares da acção educativa‘.
Os
vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por delegados de informação médica‘.
E pelo mesmo processo transmudaram-se os
caixeiros-viajantes em ‘técnicos de vendas ‘.
O
aborto eufemizou-se em ‘interrupção voluntária da gravidez‘;
Os
gangs étnicos são ‘grupos de jovens
Os
operários fizeram-se de repente ‘colaboradores‘;
As
fábricas, essas, vistas de dentro são ‘unidades produtivas‘e vistas da estranja são ‘centros de decisão nacionais‘.
O
analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à ‘iliteracia‘ galopante.
Desapareceram dos comboios as
1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes ‘Conforto‘ e ‘Turística‘.
A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou
mãe solteira…» ; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental…» – eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.
Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes
crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um ‘comportamento disfuncional hiperactivo’
Do mesmo modo, e para felicidade dos ‘encarregados de educação’ , os brilhantes programas escolares extinguiram os
alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, ‘crianças de desenvolvimento instável’.
Ainda há
cegos, infelizmente. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado ‘invisual‘. (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos – mas o ‘politicamente correcto’ marimba-se para as regras gramaticais…)
As
putas passaram a ser ‘senhoras de alterne‘.
Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em ‘
implementações‘, ‘posturas pró-activas‘, ‘políticas fracturantes‘ e outros barbarismos da linguagem.
E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.
Estamos lixados com este ‘novo português’; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma ‘politicamente correcta’.
E falta ainda esclarecer que os tradicionais “anões” estão em vias de passar a “cidadãos verticalmente desfavorecidos“…
Os idiotas e imbecis passam a designar-se por “indivíduos com atitude não vinculativa”
Os pretos passaram a ser pessoas de cor.
O mongolismo passou a designar-se síndroma do cromossoma 21.
Os gordos e os magros passaram a ser pessoas com disfunção alimentar.
Os mentirosos passam a ser “pessoas com muita imaginação”
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Enciclopédia de Autores

Existe um novo documento interessante para consultar:
a Enciclopédia de Autores disponibilizada pelo escritor Daniel de Sá e que pode ser consultada na página dos Cadernos Açorianos em

http://www.lusofonias.net/estudos%20e%20cadernos%20a%C3%A7orianos/index.htm
Além disso procedeu-se a uma atualização dos cadernos Açorianos

foram corrigidos e atualizados os Cadernos Açorianos 1 a 5
CRISTÓVÃO AGUIAR
DIAS DE MELO
DANIEL DE SÁ
VASCO PEREIRA DA COSTA
ÁLAMO OLIVEIRA
e os suplementos de
DIAS DE MELO
VASCO PEREIRA DA COSTA

QUE PODEM SER CONSULTADOS EM

http://www.lusofonias.net/estudos%20e%20cadernos%20a%C3%A7orianos/index.htm

-- 
J. CHRYS CHRYSTELLO, Presidente da Direção
COLÓQUIOS DA LUSOFONIA (AICL, Associação [Internacional] Colóquios da Lusofonia) - NIPC 509663133
  Sede: Rua da Igreja 6, Lomba da Maia 9625-115, S. Miguel, Açores, Portugal
Contactos: (+351) 296446940, (+351) 919287816/ 916755675
Página web:  www.lusofonias.net
Correio eletrónico: [email protected] / [email protected] 
Faxe eletrónico:+(00) 181 5301 3682 / (00) 1 630 563 1902
Blogue: http://coloquioslusofonia.blogspot.com/ 
YAHOO GRUPO: [email protected]  /SUBSCREVER: [email protected]
aderir AICL: http://www.lusofonias.net/menu%20do%20site.htm
XVI Colóquio SANTA MARIA - AÇORES 2011 http://www.lusofonias.net/encontros%202011%20sta%20maria/index.htm
XVII Colóquio LAGOA - AÇORES 2012 http://www.lusofonias.net/encontros%202012%20Lagoa/index.htm

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>Enciclopédia de Autores

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Existe um novo documento interessante para consultar:
a Enciclopédia de Autores disponibilizada pelo escritor Daniel de Sá e que pode ser consultada na página dos Cadernos Açorianos em

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BECHARA: Fontes da reforma ortográfica

domingo, 24 de julho de 2011

Fontes da reforma ortográfica

Evanildo Bechara* / O Dia
Rio – Temos recebido de vários leitores uma pergunta muito oportuna neste período em que se intensificam entre portugueses críticas ao novo Acordo Ortográfico: por que os portugueses rejeitam tão veementemente aquilo que seu representante legal se comprometeu a adotar?
As críticas dos portugueses chegam a apelar, nos sucessivos abaixo-assinados às autoridades governamentais competentes, para que se revogue o compromisso de implantação do sistema ortográfico aprovado pelos sete países de língua oficial portuguesa.
A indagação é oportuna nesta coluna, porque, no meio da gritaria, quase sempre não aparecem razões de ordem técnica que invalidem as Bases em que se assentam as normas do novo sistema. Já em 1911, depois de aprovada a reforma ortográfica elaborada pelos melhores filólogos que Portugal tinha à época, confessava D. Carolina Michaelis de Vasconcelos:
‘O público! Qual foi o acolhimento que fez à Reforma? Naturalmente as opiniões estão divididas. Houve e há entusiastas, críticos, indiferentes e adversários. Reacionários rombos, avessos a todo e qualquer progresso, aos quais as quarenta e tantas regras mostraram, pela primeira vez, quantas e quais são as dificuldades da ortografia nacional, entendem que fomos nós que as inventamos, baralhando e complicando tudo. Constou mesmo que esses descontentes iam angariar assinaturas a fim de reclamar a revogação da portaria de 1 de setembro [DE 1911].”
Podemos começar a dizer que as “novas” normas não são tão novas para os portugueses, porque em geral ratificam usos que já vêm praticados desde 1945, ou antes, portanto há mais de meio século. Os pontos de que se afasta a nova proposta de 1990 praticamente dizem respeito a questões mal resolvidas pelo sistema de 1945, e que também se tornam mal resolvidas pelo sistema vigente no Brasil desde 1943. Dentre essas questões cumpre ressaltar o emprego do hífen. Bem ou mal, os redatores do texto oficial, sem se afastar muito das normas de 1945 na sua redação, nos seus exemplos e até nas suas exceções, procuraram sistematizar melhor o que foi possível, numa área da ortografia que se mostra muito sutil quando os fundamentos se baseiam no “desvanecimento da noção da composição”, na “evolução semântica”, na “aderência de sentido”, no “sentimento do falante” ou na “perda em certa medida da noção de composição”. O espaço limitado desta coluna não nos permite aprofundar nossa pesquisa para demonstrar os íntimos laços que aproximam as Bases do Acordo de 1990 ao Formulário Ortográfico de 1945.
Vamos nos limitar a apontar as principais alterações gráficas nas regras de acentuação a serem adotadas pelos brasileiros, regras que já vinham do sistema ortográfico de 1945, com as alterações levadas a efeito por lá em 1975, praticadas,portanto, pelos portugueses e africanos: 1) desaparece o circunflexo de ‘voo, enjoo, perdoo’, etc; 2) desaparece o circunflexo de ‘creem, leem, deem, veem’; 3) desaparece o acento gráfico agudo dos ditongos abertos ‘oi’ e ‘ei’ dos paroxítonos (‘heroico’, sem acento, mas ‘herói’ com acento; ‘ideia’, sem acento, mas ‘réis’ com acento); 4) desaparece o acento gráfico agudo das vogais ‘i’ e ‘u’da sílaba tônica de paroxítonos quando procedidas de ditongo decrescente (‘feiura’, ‘baiuca’); 5) desaparece o acento gráfico tônico do hiato ‘ii’ dos paroxítonos (‘xiita’, ‘tapiira’); 6) desaparece o uso do trema; 7) desaparece o acento diferencial, exceto em‘pôde’ e ‘pôr’.
Neste particular, a única cedência do lado português relativa ao sistema de 1945 será o desaparecimento das consoantes não pronunciadas ‘c’ e ‘p’ para indicar o timbre aberto da vogal anterior, ou por força da etimologia, ou ainda por força da tradição ortográfica: ‘director’, ‘Egipto’. Reforma que haverá de agradar às criancinhas portuguesas que começam a escrever.
Cremos que estas cedências brasileiras de seus hábitos ortográficos bem demonstram o desejo firme de colaborar para a unificação tão almejada por todos os que sonham que nossa escrita reflita a maturidade cultural e política tão necessária à divulgação e ilustração do idioma compartilhado por tantos países soberanos.

* É professor da Uerj e da UFF e membro da ABL