RESTAURAR PORTUGAL – I Caminhos para Sair da Crise [Esboço para um Manifesto]

RESTAURAR PORTUGAL – I
Caminhos para Sair da Crise
[Esboço para um Manifesto]
José JPeralta
O objetivo deste ensaio é apontar caminhos para
sair da crise que  assola o país, propondo a
Restauração da identidade genuína de Portugal.
I
REFORÇAR A IDENTIDADE NACIONAL
1. A grave crise econômica e ética que abala Portugal, (e outros países, pelo mundo a fora), precisa ser considerado, com certo repúdio a governos perdulários e entreguistas, que vêm inviabilizando as finanças e o civismo do país e inquietando a nação.
O país foi levado a uma  constrangedora condição política, econômica e social, por governos irresponsáveis e fracos, manchando a dignidade da Nação.
Temos de nos envergonhar de governos golpistas  e não do país ou do povo, que deles são vítimas.
Portugal é um país de muita grandeza, que muitas pessoas das novas gerações desconhecem. A história do país real foi-lhes sonegada. A pequenez é de alguns cidadãos fracos e não do povo, que sofre as consequências. 
Portugal é um país de grande projeção na história da humanidade. E um país pelo qual todo o globo se preocupa, porque todo o globo recebeu de sua presença alguns benefícios. Os portugueses tem grande responsabilidade por seu país diante dos outros povos que lhe querem bem. O que aqui se fizer ou deixar de fazer a muitos interessa. Mas interessa fundamentalmente aos 260 milhões de Lusófonos que vivem nos quatro cantos do mundo.
2. Durante mais de 35 anos, o país, com sua identidade épica, de quase 900 anos, vem sendo ocultado ao povo, na ânsia de descaracterizá-lo e transformá-lo numa nação amorfa, manipulável, humilhando seu orgulho natural de uma nação sempre vitoriosa, de dimensões planetárias.
A história do país, há 35 anos vem sendo escamoteada.
Os jovens perderam a visão conjuntural de seu país.
Dos muitos desafios com que o país se depara, referimos cinco que trazem outros: a baixa competitividade da produção econômica do país; a baixa taxa de natalidade; a educação de baixa produtividade e os desperdícios  de divisas; a perda de valores éticos e humanísticos. Estas são as armadilhas que precisamos superar.
Outros desafios decorrem da perda valores éticos e humanísticos:
A falta de alguns princípios que vão sendo esquecidos:
O  primado da honra e da honestidade, da generosidade e da alteridade, do valor do trabalho e da responsabilidade, da busca da competência e de melhorias contínuas, da convivência e dos valores espirituais, da solidariedade e da sustentabilidade ambiental, da educação séria e sólida.
3. Em meio a essa situação, precisamos recuperar o orgulho nacional, e superar a desilusão e a desconfiança geral, em má hora forjada, nos gabinetes golpistas ou despreparados. Depressão não é solução.
Precisamos recuperar o orgulho nacional, com a altivez natural, como convém. Recuperando a autoconfiança, virá a solução, que não é teórica; é prática.
O país está em crise de identidade, capitaneado por mentes medíocres e “apátridas”.
Frente a frente, com a crise e suas artimanhas, ainda pensamos com Tagore: “Mais vale acender um fósforo do que maldizer a escuridão”.
Devemos nos revoltar e reagir com veemência ao menosprezo, com que vêm, sendo tratados e levados ao esquecimento os monumentais feitos heroicos da nação e seus heróis extraordinários, ao nível dos melhores que produziu a nossa humanidade. Mas, por outro lado, devemos compactuar alguns conceitos: reagir não é agredir, nem humilhar ninguém; devemos respeitar a dignidade de todos, como seres humanos, ainda que hajam com indignidade, em algumas circunstâncias. Só não podemos elogiar atos indignos, mas lastimá-los e até repeli-los, quando ofensivos e ajudar a saná-los… Leia mais: Restaurar Portugal – Caminhos para sair da crise (clique)
[Texto em Construção]
Jose Jorge Peralta <[email protected]>

>RESTAURAR PORTUGAL – I Caminhos para Sair da Crise [Esboço para um Manifesto]

>

RESTAURAR PORTUGAL – I
Caminhos para Sair da Crise
[Esboço para um Manifesto]
José JPeralta
O objetivo deste ensaio é apontar caminhos para
sair da crise que  assola o país, propondo a
Restauração da identidade genuína de Portugal.
I
REFORÇAR A IDENTIDADE NACIONAL
1. A grave crise econômica e ética que abala Portugal, (e outros países, pelo mundo a fora), precisa ser considerado, com certo repúdio a governos perdulários e entreguistas, que vêm inviabilizando as finanças e o civismo do país e inquietando a nação.
O país foi levado a uma  constrangedora condição política, econômica e social, por governos irresponsáveis e fracos, manchando a dignidade da Nação.
Temos de nos envergonhar de governos golpistas  e não do país ou do povo, que deles são vítimas.
Portugal é um país de muita grandeza, que muitas pessoas das novas gerações desconhecem. A história do país real foi-lhes sonegada. A pequenez é de alguns cidadãos fracos e não do povo, que sofre as consequências. 
Portugal é um país de grande projeção na história da humanidade. E um país pelo qual todo o globo se preocupa, porque todo o globo recebeu de sua presença alguns benefícios. Os portugueses tem grande responsabilidade por seu país diante dos outros povos que lhe querem bem. O que aqui se fizer ou deixar de fazer a muitos interessa. Mas interessa fundamentalmente aos 260 milhões de Lusófonos que vivem nos quatro cantos do mundo.
2. Durante mais de 35 anos, o país, com sua identidade épica, de quase 900 anos, vem sendo ocultado ao povo, na ânsia de descaracterizá-lo e transformá-lo numa nação amorfa, manipulável, humilhando seu orgulho natural de uma nação sempre vitoriosa, de dimensões planetárias.
A história do país, há 35 anos vem sendo escamoteada.
Os jovens perderam a visão conjuntural de seu país.
Dos muitos desafios com que o país se depara, referimos cinco que trazem outros: a baixa competitividade da produção econômica do país; a baixa taxa de natalidade; a educação de baixa produtividade e os desperdícios  de divisas; a perda de valores éticos e humanísticos. Estas são as armadilhas que precisamos superar.
Outros desafios decorrem da perda valores éticos e humanísticos:
A falta de alguns princípios que vão sendo esquecidos:
O  primado da honra e da honestidade, da generosidade e da alteridade, do valor do trabalho e da responsabilidade, da busca da competência e de melhorias contínuas, da convivência e dos valores espirituais, da solidariedade e da sustentabilidade ambiental, da educação séria e sólida.
3. Em meio a essa situação, precisamos recuperar o orgulho nacional, e superar a desilusão e a desconfiança geral, em má hora forjada, nos gabinetes golpistas ou despreparados. Depressão não é solução.
Precisamos recuperar o orgulho nacional, com a altivez natural, como convém. Recuperando a autoconfiança, virá a solução, que não é teórica; é prática.
O país está em crise de identidade, capitaneado por mentes medíocres e “apátridas”.
Frente a frente, com a crise e suas artimanhas, ainda pensamos com Tagore: “Mais vale acender um fósforo do que maldizer a escuridão”.
Devemos nos revoltar e reagir com veemência ao menosprezo, com que vêm, sendo tratados e levados ao esquecimento os monumentais feitos heroicos da nação e seus heróis extraordinários, ao nível dos melhores que produziu a nossa humanidade. Mas, por outro lado, devemos compactuar alguns conceitos: reagir não é agredir, nem humilhar ninguém; devemos respeitar a dignidade de todos, como seres humanos, ainda que hajam com indignidade, em algumas circunstâncias. Só não podemos elogiar atos indignos, mas lastimá-los e até repeli-los, quando ofensivos e ajudar a saná-los… Leia mais: Restaurar Portugal – Caminhos para sair da crise (clique)
[Texto em Construção]
Jose Jorge Peralta <[email protected]>

Inscreva-se como orador ou participante presencial no 16º colóquio da lusofonia

Caro Colega,

Inscreva-se como orador ou participante presencial no 16º colóquio da lusofonia (de 30 setembro a 5 de outubro ilha de Santa Maria, Açores). Percorra na nossa página imagens da ilha e leia os textos de Daniel de Sá e Chrys Chrystello sobre a ilha.
Leia sobre os 3 autores convidados DANIEL DE SÁ, VASCO PEREIRA DA COSTA E EDUARDO BETTENCOURT PINTO,  além de outros escritores presentes.
Neste colóquio inserido no programa de Turismo Cultural da ilha iremos levá-los aos quatro cantos da ilha ao longo dos vários dias, teremos um  roteiro literário com Daniel de Sá e várias sessões culturais além das palestras.
Depois dos luxos orientais do 15º colóquio em Macau regressamos à simplicidade e naturalidade ancestral dos Açores na ilha-mãe.
Saiba tudo em

http://www.lusofonias.net/encontros%202011%20sta%20maria/index.htm
-- 
J. CHRYS CHRYSTELLO, Presidente da Direção
COLÓQUIOS DA LUSOFONIA (AICL, Associação [Internacional] Colóquios da Lusofonia) - NIPC 509663133
  Sede: Rua da Igreja 6, Lomba da Maia 9625-115, S. Miguel, Açores, Portugal
Contactos: (+351) 296446940, (+351) 919287816/ 916755675
Página web:  www.lusofonias.net
Correio eletrónico: [email protected] / [email protected] 
Blogue: http://coloquioslusofonia.blogspot.com/ 
YAHOO GRUPO: [email protected]  /SUBSCREVER: [email protected]
aderir AICL: http://www.lusofonias.net/menu%20do%20site.htm
XVI Colóquio SANTA MARIA - AÇORES 2011 http://www.lusofonias.net/encontros%202011%20sta%20maria/index.htm
XVII Colóquio LAGOA - AÇORES 2012 http://www.lusofonias.net/encontros%202012%20Lagoa/index.htm


 COLÓQUIOS DA LUSOFONIA (AICL, ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL COLÓQUIOS DA LUSOFONIA)  
www.lusofonias.net

>Inscreva-se como orador ou participante presencial no 16º colóquio da lusofonia

>Caro Colega,

Inscreva-se como orador ou participante presencial no 16º colóquio da lusofonia (de 30 setembro a 5 de outubro ilha de Santa Maria, Açores). Percorra na nossa página imagens da ilha e leia os textos de Daniel de Sá e Chrys Chrystello sobre a ilha.
Leia sobre os 3 autores convidados DANIEL DE SÁ, VASCO PEREIRA DA COSTA E EDUARDO BETTENCOURT PINTO,  além de outros escritores presentes.
Neste colóquio inserido no programa de Turismo Cultural da ilha iremos levá-los aos quatro cantos da ilha ao longo dos vários dias, teremos um  roteiro literário com Daniel de Sá e várias sessões culturais além das palestras.
Depois dos luxos orientais do 15º colóquio em Macau regressamos à simplicidade e naturalidade ancestral dos Açores na ilha-mãe.
Saiba tudo em

http://www.lusofonias.net/encontros%202011%20sta%20maria/index.htm
-- 
J. CHRYS CHRYSTELLO, Presidente da Direção
COLÓQUIOS DA LUSOFONIA (AICL, Associação [Internacional] Colóquios da Lusofonia) - NIPC 509663133
  Sede: Rua da Igreja 6, Lomba da Maia 9625-115, S. Miguel, Açores, Portugal
Contactos: (+351) 296446940, (+351) 919287816/ 916755675
Página web:  www.lusofonias.net
Correio eletrónico: [email protected] / [email protected] 
Blogue: http://coloquioslusofonia.blogspot.com/ 
YAHOO GRUPO: [email protected]  /SUBSCREVER: [email protected]
aderir AICL: http://www.lusofonias.net/menu%20do%20site.htm
XVI Colóquio SANTA MARIA - AÇORES 2011 http://www.lusofonias.net/encontros%202011%20sta%20maria/index.htm
XVII Colóquio LAGOA - AÇORES 2012 http://www.lusofonias.net/encontros%202012%20Lagoa/index.htm


 COLÓQUIOS DA LUSOFONIA (AICL, ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL COLÓQUIOS DA LUSOFONIA)  
www.lusofonias.net

História Geral de África em 8 volumes grátis. Preciosidade para guardar

8 volumes da edição completa.
Brasília: UNESCO, Secad/MEC, UFSCar, 2010.
Resumo: Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Download gratuito (somente na versão em português):

    • ISBN: 978-85-7652-123-5
    • ISBN: 978-85-7652-124-2
    • ISBN: 978-85-7652-125-9
    • ISBN: 978-85-7652-126-6
    • ISBN: 978-85-7652-127-3
    • ISBN: 978-85-7652-128-0
    • ISBN: 978-85-7652-129-7
    • ISBN: 978-85-7652-130-3

>História Geral de África em 8 volumes grátis. Preciosidade para guardar

>

8 volumes da edição completa.
Brasília: UNESCO, Secad/MEC, UFSCar, 2010.
Resumo: Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Download gratuito (somente na versão em português):

    • ISBN: 978-85-7652-123-5
    • ISBN: 978-85-7652-124-2
    • ISBN: 978-85-7652-125-9
    • ISBN: 978-85-7652-126-6
    • ISBN: 978-85-7652-127-3
    • ISBN: 978-85-7652-128-0
    • ISBN: 978-85-7652-129-7
    • ISBN: 978-85-7652-130-3

quem tem medo da lusofonia

Quem tem medo da lusofonia?

Walter Filipe, que também se apresenta como Jamba Kaji, é um jovem angolano que estuda em Portugal. Ele e mais outros jovens, oito no total, acabam de editar um livro de poemas com o título Um Abraço Quente da Lusofonia. Segundo o organizador do livro, o objectivo é congregar, «numa só obra, poesia, sentimentos e a abordagem de vários países que fazem a lusofonia, mas com a sua diversidade própria». Como jovem empreendedor, viajou para Luanda com 50, certamente em bagagem de mão, dos 500 exemplares produzidos. Outros tantos foram levados a Maputo por outra integrante do projecto, Tânia Tomé, apresentada na sessão de lançamento pelo poeta Eduardo White, como «um poema, um poema vivo que canta e encanta». Anunciava-se na altura que o livro seria igualmente lançado em Cabo Verde, Guiné—Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor e Brasil.
O lançamento deste livro, nos moldes em que se anuncia, é um facto importante. Esta compilação de poemas não foi patrocinada pelo Instituto Camões. Não podemos portanto dizer que por detrás dela haja qualquer intenção de proteger a língua portuguesa. Este trabalho colectivo resulta do esforço de sete jovens que vivem e estudam em Portugal, e que têm em comum, entre outras coisas, o uso da língua portuguesa.
Não é de todo acidental que estes jovens se encontrem em Portugal. Portugal é o único sítio onde se pode pensar a língua portuguesa, ou o conjunto de países de língua portuguesa como um todo. E isso justifica-se, por exemplo, por já haver aí uma genealogia de ideias semelhantes. Há mais de 50 anos, Mário Pinto de Andrade, na altura estudante de Filologia em Lisboa, reuniu os poemas de companheiros seus, entre os quais Francisco José Tenreiro, Noémia de Sousa, Agostinho Neto, num livro a que chamou Antologia Poética de Expressão Portuguesa. A inspiração vinha de Paris, onde, quatro anos antes, em 1949, Léopold Sédar Senghor tinha editado em França a primeira antologia de poetas negros.
Não é necessário explicar as intenções do gesto de Mário de Andrade. Por trás da poesia havia um projecto político para a formação de movimentos políticos que conduziriam à independência das colónias portuguesas. Desde esta altura, Lisboa tem-se mantido o centro da identidade lusófona. Antes pela exaltação do império, agora pela celebração da lusofonia. É inegável que existe em Lisboa uma aproximação natural dos falantes da língua portuguesa, que não portugueses, mesmo quando não partilham a mesma raça e cultura. As diferenças nacionais diluem-se em virtude da discriminação a que todos estão submetidos. E faz todo o sentido pensar nesta diluição como necessidade de resistência à discriminação, no sentido em que a metrópole torna homogéneos todos os ex-colonizados, arrumando-os nas categorias de “pretos”, “negros”, “imigrantes”.
Tornei-me sensível a isso pela minha experiência pessoal. Foi em Lisboa que me assumi como negro e africano, algo que até à altura em que deixara Luanda me tinha preocupado muito pouco. Na residência do Lumiar, com estudantes de outras proveniências (santomenses, caboverdianos, guineenses e moçambicanos), vivi momentos de fraternidade, digamos, lusófona. Nas festas dançávamos todos kizomba, e nos saraus, cantávamos Apili, Dju di Galinha, Eliza Gomara Saia, Sodade. Foi pois com espanto que, anos mais tarde, ao viajar por Cabo Verde e pela Guiné-Bissau, em recolha de material para escrever O Fazedor de Utopias, não me tenha sentido particularmente acarinhado por falar a mesma língua – quando encontrava, claro, pessoas que a falavam à-vontade.
No entanto, o discurso por detrás da lusofonia alimenta-se da ficção de que o simples facto de haver uma língua comum entre os povos que outrora formavam as colónias portuguesas potencia um sentimento de fraternidade. Esta ideia é capaz de ter vindo da antropologia contemporânea à época colonial, mais especificamente do que ficou conhecido por hipótese Sapir-Whorf: a sistemática relação entre as categorias de gramática da língua que uma pessoa fala e o modo como esta pessoa entende e interage com o mundo.
Este princípio encontra-se igualmente imbuído na obra de Gilberto Freyre, antropólogo brasileiro, instruído em várias universidades americanas, entre as quais a de Columbia, com Frantz Boas e Ruth Benedict. No seu livro Casa Grande e Sanzala, obra-prima tanto das ciências sociais como da imaginação brasileira, Freyre explica que o povo brasileiro resulta do cruzamento entre o português, o africano e, em menor grau, o índio. A mestiçagem é celebrada, apesar da violência inerente a todo o processo, como um encontro fraterno entre povos de três continentes nos trópicos brasileiros. Salazar, que era um homem de cultura e erudição, interessou-se logo pelas ideias deste teórico. Eram para si a melhor maneira de explicar o colonialismo português, contrapondo-o ao da França e Inglaterra. Num gesto de propaganda, convida Gilberto Freyre a visitar as colónias portuguesas. Pretendia-se que Freyre chegasse a conclusões semelhantes àquelas a que tinha chegado sobre os portugueses no Brasil. As reflexões saíram em forma de diário no livro Aventura e Rotina.
Mário de Andrade, Amílcar Cabral e outros nacionalistas empenharam-se na desconstrução deste mito, como forma de contestar a dominação colonial. O Estado Novo foi até às últimas para justificar o seu ponto de vista. Para se furtar às críticas da comunidade internacional, cada vez mais tonitruantes, já nem se falava em colónias, mas sim em províncias ultramarinas, apresentadas como verdadeiras sociedades multirraciais. Mas os nacionalistas da África Lusófona perderam a batalha ideológica, uma vez que o grosso do ideário do luso-tropicalismo ainda fermenta o discurso português sobre o passado colonial. A lusofonia foi construída sobre este conceito, celebrando o encontro entre colonizados e ex-colonizados, a mestiçagem, como se no seu subtexto não houvesse também silêncios, consentimento, violência, intolerância, genocídios e o ocaso de muitas culturas.
fotografia de Miguel Seabra Lopes, mindelo fotografia de Miguel Seabra Lopes, mindelo
E enganam-se todos aqueles que pensam que a apropriação de tais discursos está apenas circunscrita aos meios políticos, e que os seus objectivos são facilmente discerníveis na relação entre Portugal e as suas colónias, nomeadamente o de tornar privilegiadas as trocas comerciais. Este discurso já se infiltrou em alguns meios académicos. Boaventura Sousa e Santos surge na tradição do Gilberto Freyre quando, em Entre Próspero e Caliban: Colonialismo, Pós-Colonialismo e Inter-Identidade, resgata alguns aspectos da teoria do mestre brasileiro, filtrando-a no jargão da literatura pós-colonial, para afirmar que só um português, tirando partido da sua qualidade de subalterno na Europa, estaria talhado para realizar nos trópicos uma experiência de aproximação com os povos antigamente dominados.
A colectânea de poemas dos jovens lusófonos vai um pouco nesta linha. Não estamos perante um projecto político, muito menos académico, cujo fim confesso é a reciclagem do passado colonial. Estamos sim perante o esforço singular de um grupo de jovens lusófonos, muito provavelmente fora de qualquer um daqueles circuitos, mas que não deixam de ser indiferentes à dimensão pragmática que a evocação da palavra lusofonia confere, sobretudo num contexto português, fascinado ainda pelo seu passado, e ansioso por ouvir palavras de lisonja da boca dos ex-colonizados.
retirado do livro Poligrafia: das páginas de jornais angolanos, Casa das Ideias

>quem tem medo da lusofonia

>

Quem tem medo da lusofonia?

Walter Filipe, que também se apresenta como Jamba Kaji, é um jovem angolano que estuda em Portugal. Ele e mais outros jovens, oito no total, acabam de editar um livro de poemas com o título Um Abraço Quente da Lusofonia. Segundo o organizador do livro, o objectivo é congregar, «numa só obra, poesia, sentimentos e a abordagem de vários países que fazem a lusofonia, mas com a sua diversidade própria». Como jovem empreendedor, viajou para Luanda com 50, certamente em bagagem de mão, dos 500 exemplares produzidos. Outros tantos foram levados a Maputo por outra integrante do projecto, Tânia Tomé, apresentada na sessão de lançamento pelo poeta Eduardo White, como «um poema, um poema vivo que canta e encanta». Anunciava-se na altura que o livro seria igualmente lançado em Cabo Verde, Guiné—Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor e Brasil.
O lançamento deste livro, nos moldes em que se anuncia, é um facto importante. Esta compilação de poemas não foi patrocinada pelo Instituto Camões. Não podemos portanto dizer que por detrás dela haja qualquer intenção de proteger a língua portuguesa. Este trabalho colectivo resulta do esforço de sete jovens que vivem e estudam em Portugal, e que têm em comum, entre outras coisas, o uso da língua portuguesa.
Não é de todo acidental que estes jovens se encontrem em Portugal. Portugal é o único sítio onde se pode pensar a língua portuguesa, ou o conjunto de países de língua portuguesa como um todo. E isso justifica-se, por exemplo, por já haver aí uma genealogia de ideias semelhantes. Há mais de 50 anos, Mário Pinto de Andrade, na altura estudante de Filologia em Lisboa, reuniu os poemas de companheiros seus, entre os quais Francisco José Tenreiro, Noémia de Sousa, Agostinho Neto, num livro a que chamou Antologia Poética de Expressão Portuguesa. A inspiração vinha de Paris, onde, quatro anos antes, em 1949, Léopold Sédar Senghor tinha editado em França a primeira antologia de poetas negros.
Não é necessário explicar as intenções do gesto de Mário de Andrade. Por trás da poesia havia um projecto político para a formação de movimentos políticos que conduziriam à independência das colónias portuguesas. Desde esta altura, Lisboa tem-se mantido o centro da identidade lusófona. Antes pela exaltação do império, agora pela celebração da lusofonia. É inegável que existe em Lisboa uma aproximação natural dos falantes da língua portuguesa, que não portugueses, mesmo quando não partilham a mesma raça e cultura. As diferenças nacionais diluem-se em virtude da discriminação a que todos estão submetidos. E faz todo o sentido pensar nesta diluição como necessidade de resistência à discriminação, no sentido em que a metrópole torna homogéneos todos os ex-colonizados, arrumando-os nas categorias de “pretos”, “negros”, “imigrantes”.
Tornei-me sensível a isso pela minha experiência pessoal. Foi em Lisboa que me assumi como negro e africano, algo que até à altura em que deixara Luanda me tinha preocupado muito pouco. Na residência do Lumiar, com estudantes de outras proveniências (santomenses, caboverdianos, guineenses e moçambicanos), vivi momentos de fraternidade, digamos, lusófona. Nas festas dançávamos todos kizomba, e nos saraus, cantávamos Apili, Dju di Galinha, Eliza Gomara Saia, Sodade. Foi pois com espanto que, anos mais tarde, ao viajar por Cabo Verde e pela Guiné-Bissau, em recolha de material para escrever O Fazedor de Utopias, não me tenha sentido particularmente acarinhado por falar a mesma língua – quando encontrava, claro, pessoas que a falavam à-vontade.
No entanto, o discurso por detrás da lusofonia alimenta-se da ficção de que o simples facto de haver uma língua comum entre os povos que outrora formavam as colónias portuguesas potencia um sentimento de fraternidade. Esta ideia é capaz de ter vindo da antropologia contemporânea à época colonial, mais especificamente do que ficou conhecido por hipótese Sapir-Whorf: a sistemática relação entre as categorias de gramática da língua que uma pessoa fala e o modo como esta pessoa entende e interage com o mundo.
Este princípio encontra-se igualmente imbuído na obra de Gilberto Freyre, antropólogo brasileiro, instruído em várias universidades americanas, entre as quais a de Columbia, com Frantz Boas e Ruth Benedict. No seu livro Casa Grande e Sanzala, obra-prima tanto das ciências sociais como da imaginação brasileira, Freyre explica que o povo brasileiro resulta do cruzamento entre o português, o africano e, em menor grau, o índio. A mestiçagem é celebrada, apesar da violência inerente a todo o processo, como um encontro fraterno entre povos de três continentes nos trópicos brasileiros. Salazar, que era um homem de cultura e erudição, interessou-se logo pelas ideias deste teórico. Eram para si a melhor maneira de explicar o colonialismo português, contrapondo-o ao da França e Inglaterra. Num gesto de propaganda, convida Gilberto Freyre a visitar as colónias portuguesas. Pretendia-se que Freyre chegasse a conclusões semelhantes àquelas a que tinha chegado sobre os portugueses no Brasil. As reflexões saíram em forma de diário no livro Aventura e Rotina.
Mário de Andrade, Amílcar Cabral e outros nacionalistas empenharam-se na desconstrução deste mito, como forma de contestar a dominação colonial. O Estado Novo foi até às últimas para justificar o seu ponto de vista. Para se furtar às críticas da comunidade internacional, cada vez mais tonitruantes, já nem se falava em colónias, mas sim em províncias ultramarinas, apresentadas como verdadeiras sociedades multirraciais. Mas os nacionalistas da África Lusófona perderam a batalha ideológica, uma vez que o grosso do ideário do luso-tropicalismo ainda fermenta o discurso português sobre o passado colonial. A lusofonia foi construída sobre este conceito, celebrando o encontro entre colonizados e ex-colonizados, a mestiçagem, como se no seu subtexto não houvesse também silêncios, consentimento, violência, intolerância, genocídios e o ocaso de muitas culturas.
fotografia de Miguel Seabra Lopes, mindelo fotografia de Miguel Seabra Lopes, mindelo
E enganam-se todos aqueles que pensam que a apropriação de tais discursos está apenas circunscrita aos meios políticos, e que os seus objectivos são facilmente discerníveis na relação entre Portugal e as suas colónias, nomeadamente o de tornar privilegiadas as trocas comerciais. Este discurso já se infiltrou em alguns meios académicos. Boaventura Sousa e Santos surge na tradição do Gilberto Freyre quando, em Entre Próspero e Caliban: Colonialismo, Pós-Colonialismo e Inter-Identidade, resgata alguns aspectos da teoria do mestre brasileiro, filtrando-a no jargão da literatura pós-colonial, para afirmar que só um português, tirando partido da sua qualidade de subalterno na Europa, estaria talhado para realizar nos trópicos uma experiência de aproximação com os povos antigamente dominados.
A colectânea de poemas dos jovens lusófonos vai um pouco nesta linha. Não estamos perante um projecto político, muito menos académico, cujo fim confesso é a reciclagem do passado colonial. Estamos sim perante o esforço singular de um grupo de jovens lusófonos, muito provavelmente fora de qualquer um daqueles circuitos, mas que não deixam de ser indiferentes à dimensão pragmática que a evocação da palavra lusofonia confere, sobretudo num contexto português, fascinado ainda pelo seu passado, e ansioso por ouvir palavras de lisonja da boca dos ex-colonizados.
retirado do livro Poligrafia: das páginas de jornais angolanos, Casa das Ideias

Universidade de Aveiro conduz reestruturação curricular do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste

Novo 10º ano arrancará em Janeiro de 2012

Universidade de Aveiro conduz reestruturação curricular do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste

http://uaonline.ua.pt/upload/img/thumb_img_c2_12102.jpgOs programas curriculares do 10º, 11º, e 12º anos do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste estão a ser desenvolvidos por uma equipa sediada na Universidade de Aveiro, coordenada pela docente do Departamento de Educação e antiga Vice-Reitora da UA, Prof. Isabel Martins.

A esta equipa, que reúne maioritariamente professores do ensino secundário e superior e envolve docentes de nove Departamentos da UA, cabe a elaboração do plano curricular do Ensino Secundário Geral, a construção dos programas das diversas disciplinas e, ainda, a elaboração dos respectivos manuais escolares para alunos e guias didácticos para professores.

Depois de em Abril de 2010, o Ministro da Educação de Timor-Leste, Doutor João Câncio Freitas, ter estado na UA e anunciado para 2012 a entrada em vigor do novo currículo do 10º ano nas Escolas Secundárias de Timor-Leste, o trabalho de construção do plano curricular de todo o ensino secundário e a elaboração dos programas das 14 disciplinas que compõem o currículo do 10º ano foi já discutido, em Díli, com as equipas timorenses homólogas.

Tendo por objectivo dotar os alunos timorenses de competências ao nível das ciências, tecnologias e matemática, ciências sociais e humanidades, de comunicação em línguas e ainda de competências digitais, sociais e cívicas, o plano curricular do ensino secundário timorense oferecerá duas vias alternativas de estudo: uma em Ciências e Tecnologias; outra, em Ciências Sociais e Humanidades.

A componente geral, comum a todos os alunos, é constituída por quatro disciplinas: Português, Inglês, Tecnologias Multimédia, e Cidadania e Desenvolvimento Social. As componentes específicas integram, cada uma delas, cinco disciplinas; a saber: Física, Química, Biologia, Geologia e Matemática para via das Ciências e Tecnologias; Geografia, História, Sociologia, Temas de Literatura e Cultura, e Economia e Métodos Quantitativos para a via das Ciências Sociais e Humanidades.

Para além das disciplinas da responsabilidade da UA, caberá ao Ministério da Educação de Timor Leste, em articulação com a equipa portuguesa, a concepção de programas, manuais escolares e guias para os professores das disciplinas de Tétum, Educação Física e Desporto, Religião e Moral e de uma língua estrangeira opcional.

«No final de 2010, estivemos em Timor para apresentar e discutir com as autoridades timorenses e com as equipas homólogas, os programas das disciplinas do 10º ano, os exercícios constantes nos manuais dos alunos e os guias dos professores», explica a Prof. Isabel Martins, salientando a preocupação da equipa com três dimensões: «a especificidade dos temas e conteúdos que integram cada uma das disciplinas; os aspectos didácticos do processo de ensino-aprendizagem; e a clareza do próprio texto escrito em língua portuguesa».

Destacando a competência e o empenho com que todos os membros da equipa estão envolvidos neste trabalho de reestruturação curricular, a Prof. Isabel Martins lembra ainda que na deslocação a Timor vários foram os contactos estabelecidos com entidades governamentais e civis, na tentativa de melhor se conseguir apreender a realidade timorense.

Terminada a fase de averiguação e validação das propostas apresentadas e respectivos reajustes falta agora apenas concluir os manuais dos alunos e os guias dos professores. «Os recursos didácticos produzidos serão apresentados em formato de colecção», adianta a Prof. Isabel Martins, esclarecendo: «todo o material será entregue até finais de Março. A edição será da responsabilidade do Ministério da Educação de Timor-Leste, a quem competirá encontrar os parceiros para essa edição».

O programa de todas as disciplinas do novo currículo do 10º ano, bem como os respectivos manuais escolares para os alunos e guias didácticos para os professores estarão, assim, prontos a tempo do arranque do próximo ano lectivo, a iniciar em Janeiro de  2012. Subsequentemente, até 2014, serão implementados os currículos do 11º e do 12º anos.

Uma formação secundária adequada à realidade timorense mas com qualidade internacional que garanta o acesso a qualquer universidade é a principal preocupação da equipa que está a conduzir toda a reestruturação do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste; uma acção financiada pelo Fundo de Apoio à Língua Portuguesa (IPAD) e pela Fundação Gulbenkian.

voltar
últimas

>Universidade de Aveiro conduz reestruturação curricular do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste

>

Novo 10º ano arrancará em Janeiro de 2012

Universidade de Aveiro conduz reestruturação curricular do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste

http://uaonline.ua.pt/upload/img/thumb_img_c2_12102.jpgOs programas curriculares do 10º, 11º, e 12º anos do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste estão a ser desenvolvidos por uma equipa sediada na Universidade de Aveiro, coordenada pela docente do Departamento de Educação e antiga Vice-Reitora da UA, Prof. Isabel Martins.

A esta equipa, que reúne maioritariamente professores do ensino secundário e superior e envolve docentes de nove Departamentos da UA, cabe a elaboração do plano curricular do Ensino Secundário Geral, a construção dos programas das diversas disciplinas e, ainda, a elaboração dos respectivos manuais escolares para alunos e guias didácticos para professores.

Depois de em Abril de 2010, o Ministro da Educação de Timor-Leste, Doutor João Câncio Freitas, ter estado na UA e anunciado para 2012 a entrada em vigor do novo currículo do 10º ano nas Escolas Secundárias de Timor-Leste, o trabalho de construção do plano curricular de todo o ensino secundário e a elaboração dos programas das 14 disciplinas que compõem o currículo do 10º ano foi já discutido, em Díli, com as equipas timorenses homólogas.

Tendo por objectivo dotar os alunos timorenses de competências ao nível das ciências, tecnologias e matemática, ciências sociais e humanidades, de comunicação em línguas e ainda de competências digitais, sociais e cívicas, o plano curricular do ensino secundário timorense oferecerá duas vias alternativas de estudo: uma em Ciências e Tecnologias; outra, em Ciências Sociais e Humanidades.

A componente geral, comum a todos os alunos, é constituída por quatro disciplinas: Português, Inglês, Tecnologias Multimédia, e Cidadania e Desenvolvimento Social. As componentes específicas integram, cada uma delas, cinco disciplinas; a saber: Física, Química, Biologia, Geologia e Matemática para via das Ciências e Tecnologias; Geografia, História, Sociologia, Temas de Literatura e Cultura, e Economia e Métodos Quantitativos para a via das Ciências Sociais e Humanidades.

Para além das disciplinas da responsabilidade da UA, caberá ao Ministério da Educação de Timor Leste, em articulação com a equipa portuguesa, a concepção de programas, manuais escolares e guias para os professores das disciplinas de Tétum, Educação Física e Desporto, Religião e Moral e de uma língua estrangeira opcional.

«No final de 2010, estivemos em Timor para apresentar e discutir com as autoridades timorenses e com as equipas homólogas, os programas das disciplinas do 10º ano, os exercícios constantes nos manuais dos alunos e os guias dos professores», explica a Prof. Isabel Martins, salientando a preocupação da equipa com três dimensões: «a especificidade dos temas e conteúdos que integram cada uma das disciplinas; os aspectos didácticos do processo de ensino-aprendizagem; e a clareza do próprio texto escrito em língua portuguesa».

Destacando a competência e o empenho com que todos os membros da equipa estão envolvidos neste trabalho de reestruturação curricular, a Prof. Isabel Martins lembra ainda que na deslocação a Timor vários foram os contactos estabelecidos com entidades governamentais e civis, na tentativa de melhor se conseguir apreender a realidade timorense.

Terminada a fase de averiguação e validação das propostas apresentadas e respectivos reajustes falta agora apenas concluir os manuais dos alunos e os guias dos professores. «Os recursos didácticos produzidos serão apresentados em formato de colecção», adianta a Prof. Isabel Martins, esclarecendo: «todo o material será entregue até finais de Março. A edição será da responsabilidade do Ministério da Educação de Timor-Leste, a quem competirá encontrar os parceiros para essa edição».

O programa de todas as disciplinas do novo currículo do 10º ano, bem como os respectivos manuais escolares para os alunos e guias didácticos para os professores estarão, assim, prontos a tempo do arranque do próximo ano lectivo, a iniciar em Janeiro de  2012. Subsequentemente, até 2014, serão implementados os currículos do 11º e do 12º anos.

Uma formação secundária adequada à realidade timorense mas com qualidade internacional que garanta o acesso a qualquer universidade é a principal preocupação da equipa que está a conduzir toda a reestruturação do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste; uma acção financiada pelo Fundo de Apoio à Língua Portuguesa (IPAD) e pela Fundação Gulbenkian.

voltar
últimas

empenho de Timor Leste na educação em português

É gratificante” ver o empenho de Timor Leste na educação em português

É gratificante

Para Luís Amado é “pessoalmente muito gratificante, ver o Ministério da Educação timorense tão empenhado no aprofundamento das relações no setor da Educação, ao fim de uma década de trabalho político em prol do desenvolvimento de Timor-Leste”.

20-05-2011 Díli, 19 mai (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado, que hoje iniciou uma visita oficial a Timor-Leste, com uma deslocação a Maliana, onde visitou um dos pólos da Escola Portuguesa, disse ser “gratificante” ver o empenho daquele país na educação em português.
Transportado de helicóptero a Maliana, após ter aterrado no Aeroporto de Díli, procedente de Portugal, Luís Amado foi recebido naquela cidade, quase na fronteira com a Indonésia, por grupos tradicionais, em cerimonial de boas-vindas, e pelas autoridades locais.
Acompanhado do ministro da Educação de Timor-Leste, João Câncio Freitas, Luís Amado percorreu as salas de aula, cumprimentou os professores portugueses ali colocados e acompanhou os trabalhos escolares das crianças.
Em Maliana localiza-se um dos quatro novos pólos da Escola Portuguesa, cuja criação foi solicitada pelo ministro da Educação a Portugal, uma aposta localmente controversa, pelos meios disponibilizados pelo Governo timorense, a braços com grandes carências na sua própria rede escolar.
“Esta é uma iniciativa do Governo de Timor-Leste, que Portugal, através do Ministério da Educação e da cooperação portuguesa, apoiou. É com grande satisfação que vejo que há uma chama muito viva, relativamente à relação com Portugal, através dos traços da sua identidade, da cultura e da história”, comentou Luís Amado aos jornalistas.
Os quatro novos pólos da Escola Portuguesa abrangem o ensino desde o pré-escolar ao secundário, e conferem aos alunos as mesmas habilitações que as escolas em Portugal.
Para Luís Amado é “pessoalmente muito gratificante, ver o Ministério da Educação timorense tão empenhado no aprofundamento das relações no setor da Educação, ao fim de uma década de trabalho político em prol do desenvolvimento de Timor-Leste”.
O ministro da Educação, João Câncio Freitas, disse esperar que, no âmbito da consolidação da Língua Portuguesa e do ensino de qualidade em Língua Portuguesa, sejam estabelecidas escolas do mesmo tipo nos distritos que ainda faltam”.
Além de Díli, a Escola Portuguesa tem pólos nos distritos de Same, Baucau, Maliana e Oecusse, que estão no seu primeiro ano de atividade, lecionando os quatro primeiros anos de escolaridade.
Gradualmente, em cada ano letivo, a escolaridade será aumentada até atingir o 12º ano, à semelhança do processo que foi seguido pela Escola Portuguesa de Díli.
É o Estado português que suporta os vencimentos dos professores e promove a sua respetiva colocação, cabendo ao Governo timorense o encargo com as instalações escolares e as residências dos docentes.
A primeira Escola Portuguesa em Timor-Leste surgiu de uma conversa entre os então primeiro-ministro de Timor-Leste, Mari Alkatiri, e de Portugal, Durão Barroso, a 20 de maio de 2002, aquando da cerimónia da Restauração da Independência, em Díli.
MSO
Lusa/Fim

>empenho de Timor Leste na educação em português

>

É gratificante” ver o empenho de Timor Leste na educação em português

É gratificante" ver o empenho de Timor Leste na educação em português

Para Luís Amado é “pessoalmente muito gratificante, ver o Ministério da Educação timorense tão empenhado no aprofundamento das relações no setor da Educação, ao fim de uma década de trabalho político em prol do desenvolvimento de Timor-Leste”.

20-05-2011 Díli, 19 mai (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado, que hoje iniciou uma visita oficial a Timor-Leste, com uma deslocação a Maliana, onde visitou um dos pólos da Escola Portuguesa, disse ser “gratificante” ver o empenho daquele país na educação em português.
Transportado de helicóptero a Maliana, após ter aterrado no Aeroporto de Díli, procedente de Portugal, Luís Amado foi recebido naquela cidade, quase na fronteira com a Indonésia, por grupos tradicionais, em cerimonial de boas-vindas, e pelas autoridades locais.
Acompanhado do ministro da Educação de Timor-Leste, João Câncio Freitas, Luís Amado percorreu as salas de aula, cumprimentou os professores portugueses ali colocados e acompanhou os trabalhos escolares das crianças.
Em Maliana localiza-se um dos quatro novos pólos da Escola Portuguesa, cuja criação foi solicitada pelo ministro da Educação a Portugal, uma aposta localmente controversa, pelos meios disponibilizados pelo Governo timorense, a braços com grandes carências na sua própria rede escolar.
“Esta é uma iniciativa do Governo de Timor-Leste, que Portugal, através do Ministério da Educação e da cooperação portuguesa, apoiou. É com grande satisfação que vejo que há uma chama muito viva, relativamente à relação com Portugal, através dos traços da sua identidade, da cultura e da história”, comentou Luís Amado aos jornalistas.
Os quatro novos pólos da Escola Portuguesa abrangem o ensino desde o pré-escolar ao secundário, e conferem aos alunos as mesmas habilitações que as escolas em Portugal.
Para Luís Amado é “pessoalmente muito gratificante, ver o Ministério da Educação timorense tão empenhado no aprofundamento das relações no setor da Educação, ao fim de uma década de trabalho político em prol do desenvolvimento de Timor-Leste”.
O ministro da Educação, João Câncio Freitas, disse esperar que, no âmbito da consolidação da Língua Portuguesa e do ensino de qualidade em Língua Portuguesa, sejam estabelecidas escolas do mesmo tipo nos distritos que ainda faltam”.
Além de Díli, a Escola Portuguesa tem pólos nos distritos de Same, Baucau, Maliana e Oecusse, que estão no seu primeiro ano de atividade, lecionando os quatro primeiros anos de escolaridade.
Gradualmente, em cada ano letivo, a escolaridade será aumentada até atingir o 12º ano, à semelhança do processo que foi seguido pela Escola Portuguesa de Díli.
É o Estado português que suporta os vencimentos dos professores e promove a sua respetiva colocação, cabendo ao Governo timorense o encargo com as instalações escolares e as residências dos docentes.
A primeira Escola Portuguesa em Timor-Leste surgiu de uma conversa entre os então primeiro-ministro de Timor-Leste, Mari Alkatiri, e de Portugal, Durão Barroso, a 20 de maio de 2002, aquando da cerimónia da Restauração da Independência, em Díli.
MSO
Lusa/Fim

Academia Brasileira de Letras sobre os livros didáticos de Língua Portuguesa

Nota oficial da Academia Brasileira de Letras sobre os livros didáticos de Língua Portuguesa

“O Cultivo da Língua Portuguesa é preocupação central e histórica da Academia Brasileira de Letras e é com esta motivação que a Casa de Machado de Assis vem estranhar certas posições teóricas dos autores de livros que chegam às mãos de alunos dos cursos Fundamental e Médio com a chancela do Ministério da Educação, órgão que se vem empenhando em melhorar o nível do ensino escolar no Brasil.

Todas as feições sociais do nosso idioma constituem objeto de disciplinas científicas, mas bem diferente é a tarefa do professor de Língua Portuguesa, que espera encontrar no livro didático o respaldo dos usos da língua padrão que ministra a seus discípulos, variedade que eles deverão conhecer e praticar no exercício da efetiva ascensão social que a escola lhes proporciona. A posição teórica dos autores do livro didático que vem merecendo a justa crítica de professores e de todos os interessados no cultivo da língua padrão segue caminho diferente do que se aprende nos bons cursos de Teoria da Linguagem. O nosso primeiro e grande linguista brasileiro, Mattoso Câmara Jr., nos orienta para o bom caminho nesta lição já de tantos anos, mas ainda oportuna, a respeito da qual devem refletir os autores de obras didáticas sobre a língua materna: “Assim, a gramática normativa tem o seu lugar no ensino, e não se anula diante da gramática descritiva. Mas é em lugar à parte, imposto por injunções de ordem prática dentro da sociedade. É um erro profundamente perturbador misturar as duas disciplinas e, pior ainda, fazer linguística sincrônica com preocupações normativas” (Estrutura da Língua Portuguesa, 5). O manual que o Ministério levou às nossas escolas não o ajudará no empenho pela melhoria a que o Ministro tão justamente aspira.”

17/5/2011

>Academia Brasileira de Letras sobre os livros didáticos de Língua Portuguesa

>

Nota oficial da Academia Brasileira de Letras sobre os livros didáticos de Língua Portuguesa

“O Cultivo da Língua Portuguesa é preocupação central e histórica da Academia Brasileira de Letras e é com esta motivação que a Casa de Machado de Assis vem estranhar certas posições teóricas dos autores de livros que chegam às mãos de alunos dos cursos Fundamental e Médio com a chancela do Ministério da Educação, órgão que se vem empenhando em melhorar o nível do ensino escolar no Brasil.

Todas as feições sociais do nosso idioma constituem objeto de disciplinas científicas, mas bem diferente é a tarefa do professor de Língua Portuguesa, que espera encontrar no livro didático o respaldo dos usos da língua padrão que ministra a seus discípulos, variedade que eles deverão conhecer e praticar no exercício da efetiva ascensão social que a escola lhes proporciona. A posição teórica dos autores do livro didático que vem merecendo a justa crítica de professores e de todos os interessados no cultivo da língua padrão segue caminho diferente do que se aprende nos bons cursos de Teoria da Linguagem. O nosso primeiro e grande linguista brasileiro, Mattoso Câmara Jr., nos orienta para o bom caminho nesta lição já de tantos anos, mas ainda oportuna, a respeito da qual devem refletir os autores de obras didáticas sobre a língua materna: “Assim, a gramática normativa tem o seu lugar no ensino, e não se anula diante da gramática descritiva. Mas é em lugar à parte, imposto por injunções de ordem prática dentro da sociedade. É um erro profundamente perturbador misturar as duas disciplinas e, pior ainda, fazer linguística sincrônica com preocupações normativas” (Estrutura da Língua Portuguesa, 5). O manual que o Ministério levou às nossas escolas não o ajudará no empenho pela melhoria a que o Ministro tão justamente aspira.”

17/5/2011

Português Enquanto Língua da “Moçambicanidade”

Moçambique: Português Enquanto Língua da “Moçambicanidade”

Moçambique: Português Enquanto Língua da “Moçambicanidade”

“o idioma português não é a língua dos moçambicanos. Mas, em contrapartida, ela é a língua da moçambicanidade.”

18-05-2011 No passado dia 5 de Maio comemorou-se em Maputo o Dia da Língua Portuguesa e Cultura da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Um dos grandes escritores contemporâneos africanos de literatura de expressão portuguesa, e o mais consagrado de origem moçambicana, Mia Couto, considera que 36 anos após a sua independência, com cerca de 40% da população a falar português, “apenas uma das nações de Moçambique já vive na lusofonia”, e defendia, em 2001, que “o idioma português não é a língua dos moçambicanos. Mas, em contrapartida, ela é a língua da moçambicanidade.”

Instrumento de dominação ou troféu da independência?
Se em 1975, cerca de 80 por cento dos moçambicanos não falavam português, fala-se hoje mais português em Moçambique do que se falava na altura da Independência.
Há 30 anos, a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), ainda na guerrilha anticolonial, viu no idioma lusitano uma arma para a unificação do país e a construção da Nação. Aquele instrumento que servira a dominação colonial se convertia, nas mãos dos nacionalistas, no seu contrário – um troféu de guerra, um pilar de afirmação.
Numa série de artigos no blog Moçambique para Todos, sobre o livro “Descolonização e Independência em Moçambique – Factos e Argumentos” de Henrique Terreiro Galha, é citado o líder revolucionário e primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel, em finais de 1975, num comício no Estádio da Machava, na então cidade de Lourenço Marques (hoje cidade de Maputo):

  • outros dirão mas a língua ainda é portuguesa. É preciso utilizar a língua do inimigo. A língua portuguesa agora já mudou de conteúdo, não é aquele português que era falado pelo senhor Governador em Moçambique. Deve ser o nosso português de moçambicanos.

Galha acrescentava ainda que:

  • O português era o único veículo de comunicação entre as diversas etnias. Foi uma decisão difícil, tomada a contra-gosto. Num seminário realizado em Mocuba (Zambézia), no início de 1975, com a presença de Joaquim Chissano, foi salientado e relembrado, como tarefa dos grupos dinamizadores, “a necessidade de transformar (sic) a língua portuguesa, de instrumento de despersonalização e opressão, em veículo de comunicação do Povo.”Placa de aviso na Zambézia
Placa de aviso na Zambézia “Cuidado com crocodilo N’Gona” Imagem do Jornal @Verdade.

Um português particular
Embora os dados existentes ilustrem que a maioria dos moçambicanos se comunica através das 43 línguas nacionais, a língua portuguesa é considerada como um dos elementos de Unidade Nacional.Segundo Mia Couto “o governo moçambicano fez mais pela língua portuguesa que séculos de colonização (…) seu próprio interesse nacional, pela defesa da coesão interna, pela construção da sua própria interioridade”. Num debate realizado no Centro Cultura Brasil-Moçambique a propósito do 5 de Maio o ministro da Cultura, Armando Artur, reafirmou que a língua portuguesa faz parte do património linguístico de Moçambique, coabitando com as línguas nacionais:

  • Com o advento da Independência Nacional, ela viu o seu prestígio mais reforçado com a sua adopção como um elemento de Unidade Nacional, passando, deste modo, a ostentar o estatuto de língua oficial em Moçambique.

O governante e escritor moçambicano acrescentou que cada vez mais os moçambicanos apropriam-se da língua portuguesa através de um processo de interacção, entre esta e as línguas nacionais, atribuindo-lhe marcas e aspectos próprios, que se consubstanciam em novas palavras e novas expressões.

A expressão

A expressão “Andar fora é maningue arriscado” significa “trair é muito arriscado”. Maningue é uma palavra tipicamente moçambicana, que quer dizer “muito” e vem de “many”, do inglês. Todos os países que fazem fronteira com Moçambique tem o inglês como suas línguas oficiais. Imagem de Amanda Rossi, usada com permissão.

Porém este elemento de Unidade é questionado por vários quadrantes da sociedade. Já em 2009, num comentário a um artigo do blog Moçambique para Todos, Elisio Fonseca apontava:

  • Em nome da “unidade nacional” o nosso governo colocou um manto sobre a nossa cultura, menosprezando o ensino das línguas, hostilizando todos os nossos valores culturais. Há linguistas que consideram isto um erro tremendo. Para eles, a capacidade de um adolescente moçambicano em aprender uma língua estrangeira, seja o português ou o inglês, mede-se pelo domínio que tem da língua nativa. Sem esta base sólida, argumentam, torna-se mais difícil essa aprendizagem. Mas o erro foi feito, e hoje reflecte-se no nível do português falado entre muitas camadas da nossa sociedade.

Max Coutinho, do blog Etnias um exemplo de “inexactidão recorrente” que reflecte esse “nível” mencionado por Fonseca no uso da língua oficial:

  • Os cidadãos de Maputo, tanto em solo nacional como na diáspora, confundem os verbos Ir (deslocar-se de um lugar para outro para lá ficar; afastando-se) e Vir (transportar-se para cá).

Fátima Ribeiro, Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, comenta:

  • O Português falado em Moçambique é diferente do falado noutros países lusófonos. Nós estamos a construir o nosso Português que tem várias influências das nossas várias línguas maternas e também do inglês. É um Português que, em termo de vocabulário, gramática e estrutura, é diferente naturalmente.

A decisão de Moçambique em ratificar o Acordo Ortográfico, que pretende unificar o português falado nos países que o têm como língua oficial, tem estado em análise há mais de dois anos. Na blogosfera, muitos questionam se “vale a pena gastar 111 milhões USD para alterar a língua”, como Eduardo Quive, do blog Quivismo, num relato aprofundado sobre o debate do 5 de Maio.
Ao mesmo tempo, nos últimos anos, Moçambique tem vindo a introduzir as línguas nacionais no sistema de ensino para o desenvolvimento da educação no país. Presentemente, existem 300 escolas a leccionar em duas línguas e estão a ser testadas mais 16 línguas nacionais.

Sobre a lusofonia e outras línguas faladas nos países de língua portuguesa, leia também os seguintes artigos que o Global Voices publicou em 2011:
Declaração de amor à língua portuguesa, na sua multiplicidade de falares, Fevereiro de 2011
Cabo Verde: O Crioulo no Dia da Língua Portuguesa
, Maio de 2011

FOTO: “Não ao estigma!” Mural bilingue em Nampula. Foto de Rosino no FLickr (CC BY-SA 2.0)

FONTE: PT.Global Voices