PESSOA NO BRASIL

Rio de Janeiro recebe exposição de Fernando Pessoa
A mostra que celebra a obra de um dos maiores poetas da língua portuguesa chega ao público carioca, no Centro Cultural Correios, onde pode ser vista até 22 de maio, com entrada franca.

Da Redação, com Agência Brasil

 Rio de Janeiro – Entre agosto de 2010 e fevereiro deste ano, mais de 190 mil pessoas foram ao Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, para visitar a exposição Fernando Pessoa, Plural como o Universo. Agora, a mostra que celebra a obra de um dos maiores poetas da língua portuguesa chega ao público carioca, no Centro Cultural Correios, onde pode ser vista até 22 de maio, com entrada franca.

Com curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith e cenografia do premiado Hélio Eichbauer, a exposição conduz o visitante a uma viagem sensorial pelo universo de Pessoa e de seus heterônimos mais conhecidos, criações do poeta que tinham identidade própria: Alberto Caeiro, o poeta da natureza; Ricardo Reis, médico e discípulo de Caeiro; Álvaro de Campos, engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, e Bernardo Soares, do Livro do Desassossego.

A preocupação dos curadores foi a de tornar a exposição atraente mesmo para os que não têm um conhecimento prévio da obra do poeta. “Nosso propósito básico é levar Fernando Pessoa à vida do cidadão que não o conhece, e que, portanto, encontrará uma linguagem acessível”, afirma Carlos Felipe Moisés. Ele ressalta, no entanto, que aqueles já familiarizados com o universo do poeta terão na mostra a chance de descobrir aspectos e conceitos novos. “A convivência com a obra de Pessoa deve ser feita em etapas, para melhor assimilá-la”.

O projeto cenográfico de Hélio Eichbauer, inspirado em um dos livros do poeta, Mensagem, tem como identidade visual o mar e os diferentes tons de azul da água e do céu, o que remete à época dos Descobrimentos e das grandes conquistas de Portugal. “A ideia é sugerir viagens mentais e espirituais, em torno das ruas de Lisboa, das aventuras dos heterônimos e do próprio Fernando Pessoa”, diz o cenógrafo.

Ainda como parte da concepção cenográfica, há um grande pêndulo representando o tempo. Ao lado dele, trechos de poemas são projetados e apagados pelo mar em tanques virtuais de areia. Ao fundo, como se fossem duas janelas, são projetados dois vídeos, um deles mostrando pessoas, em meio a uma multidão, recitando Pessoa.

Também fazem parte da mostra algumas relíquias bibliográficas, como a primeira edição do livro Mensagem, o único publicado em vida por Fernando Pessoa, e os primeiros números da revista Orpheu, marco do modernismo em Portugal.

A exposição é uma realização da Fundação Roberto Marinho, com patrocínio de empresas privadas do Brasil e de Portugal e apoio de vários órgãos públicos, entre eles o Ministério da Cultura.

A visitação pode ser feita de terça-feira a domingo, das 12h às 19h. O Centro Cultural Correios fica na Rua Visconde de Itaboraí, 20, no centro do Rio.

http://www.portugaldigital.com.br/noticia.kmf?cod=11700166&indice=0&canal=156

VASCO PEREIRA DA COSTA em novo texto

Cultura

Português do mar alto
Não sei já a que propósito, num qualquer escrito que enviei para oExpresso das Nove, ironicamente, localizei o texto na ilha de Coimbra. O Eduardo Jorge Brum achou piada (ainda bem que ainda há quem decifre o humor…) e, vai daí, agita esse chiste e devolve-mo como assunto sério. E é! Quem disse que a ironia era coisa mesquinha?

Pois pede-me ele agora que deslinde a ironia. Aqui vai, portanto, este depoimento quase catártico, baseado, antes de mais, no aprendizado de Ortega y Gasset (ainda há quem dele se lembre?) que proclamava “eu sou eu e a minha circunstância”. Circunstância dos tempos e tempo de circunstâncias – eis, pois, por que Coimbra, aonde aportei há quarenta e cinco anos, seja para mim um espaço rarefeito, de onde se deve partir no momento em que se aviste no Mondego um cais de aventura. 

Para que não haja insularização, entenda-se. Pressupõe esta legítima viagem um aprendizado de navegante pela cultura europeia e um afastamento das margens localistas, regionalistas, nacionalistas, chauvinistas, pechenchinhas. E exige atentos olhos de arrais para a decifração das tormentas e das bonanças – porque são imprevisíveis as rotas europeias e os seus campos magnéticos desregulam amiúde as agulhas de marear. 

Ora, isto vale tanto para Coimbra como para qualquer povoado, ainda que não seja praia nem tenha rio. Navegar é preciso…estão-me entendendo?

Vem isto a propósito da estafada insularidade como desculpa ou fatalidade, como prosápia ou jactância, como, pior ainda, como afeição masoquista ou cançoneta de bonifrate. Basta ler um jornaleco insular para que a aflição se instale perante a iminência da mediocracia.

Vale a pena recordar o que Miguel Torga registou no Diário XI, quando passou pela Terceira, no dia 18 de Março de 1970 :“Insularidade! – ponderei. – Mas insular é o próprio continente português, cercado de solidão por todos os lados! Insular é o próprio globo em relação ao mundo universo! O que são as viagens à lua, senão tentativas de fuga à insularidade da Terra? A insularidade é uma situação, não é uma condenação”.

E a terminar a reflexão: “«Português do mar alto» chamou alguém ao homem açoriano. Mas não é fácil às vezes compreender que empoleirado numa gávea de terra se pode ver mais do que sentado num café de Paris…”.

A questão está, com efeito, em enxergar o mundo, em decifrar o planeta como casa comum – ser “português do mar alto”. E, assim, cá estou eu no ilhéu de Santa Clara, ao largo da ilha de Coimbra, teimando em não ser insulado – enquanto a vida me conceder esta vantagem e puder esbracejar contra qualquer território intelectual exíguo.

VASCO PEREIRA DA COSTA
Poeta

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>Cultura

Português do mar alto
Não sei já a que propósito, num qualquer escrito que enviei para oExpresso das Nove, ironicamente, localizei o texto na ilha de Coimbra. O Eduardo Jorge Brum achou piada (ainda bem que ainda há quem decifre o humor…) e, vai daí, agita esse chiste e devolve-mo como assunto sério. E é! Quem disse que a ironia era coisa mesquinha?

Pois pede-me ele agora que deslinde a ironia. Aqui vai, portanto, este depoimento quase catártico, baseado, antes de mais, no aprendizado de Ortega y Gasset (ainda há quem dele se lembre?) que proclamava “eu sou eu e a minha circunstância”. Circunstância dos tempos e tempo de circunstâncias – eis, pois, por que Coimbra, aonde aportei há quarenta e cinco anos, seja para mim um espaço rarefeito, de onde se deve partir no momento em que se aviste no Mondego um cais de aventura. 

Para que não haja insularização, entenda-se. Pressupõe esta legítima viagem um aprendizado de navegante pela cultura europeia e um afastamento das margens localistas, regionalistas, nacionalistas, chauvinistas, pechenchinhas. E exige atentos olhos de arrais para a decifração das tormentas e das bonanças – porque são imprevisíveis as rotas europeias e os seus campos magnéticos desregulam amiúde as agulhas de marear. 

Ora, isto vale tanto para Coimbra como para qualquer povoado, ainda que não seja praia nem tenha rio. Navegar é preciso…estão-me entendendo?

Vem isto a propósito da estafada insularidade como desculpa ou fatalidade, como prosápia ou jactância, como, pior ainda, como afeição masoquista ou cançoneta de bonifrate. Basta ler um jornaleco insular para que a aflição se instale perante a iminência da mediocracia.

Vale a pena recordar o que Miguel Torga registou no Diário XI, quando passou pela Terceira, no dia 18 de Março de 1970 :“Insularidade! – ponderei. – Mas insular é o próprio continente português, cercado de solidão por todos os lados! Insular é o próprio globo em relação ao mundo universo! O que são as viagens à lua, senão tentativas de fuga à insularidade da Terra? A insularidade é uma situação, não é uma condenação”.

E a terminar a reflexão: “«Português do mar alto» chamou alguém ao homem açoriano. Mas não é fácil às vezes compreender que empoleirado numa gávea de terra se pode ver mais do que sentado num café de Paris…”.

A questão está, com efeito, em enxergar o mundo, em decifrar o planeta como casa comum – ser “português do mar alto”. E, assim, cá estou eu no ilhéu de Santa Clara, ao largo da ilha de Coimbra, teimando em não ser insulado – enquanto a vida me conceder esta vantagem e puder esbracejar contra qualquer território intelectual exíguo.

VASCO PEREIRA DA COSTA
Poeta

Que é feito da candidatura do patuá à UNESCO?

Que é feito da candidatura do patuá à UNESCO?

MARCH 14, 2011

by pontofinalmacau

A intenção foi assumida em 2006, mas pouco se sabe de avanços no projecto. A APIM, que lidera a plataforma pelo reconhecimento do crioulo local, recusa falar. A saída de Alan Baxter de Macau será sentida, diz Miguel Senna Fernandes.

Maria Caetano

A saída do linguista Alan Baxter do Departamento de Estados Portugueses da Universidade de Macau (UMAC) deixa o território “mais pobre” no que diz respeito a especialistas que se dedicam ao estudo dos crioulos asiáticos – em particular, do patuá. A opinião é de Miguel Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses (ADM) e director do grupo Doci Papiaçam di Macau, que confessa não saber em que ponto se encontra actualmente a candidatura do falar maquista a património universal intangível da UNESCO.

Em Outubro de 2006, as associações de matriz macaense da RAEM assinaram um protocolo para a preparação da candidatura, com a Associação de Promoção da Instrução dos Macaenses (APIM) na liderança. A plataforma incluiu também a ADM, a Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas (APOMAC), o Clube de Macau, o Instituto Internacional de Macau (IIM), o grupo Doci Papiaçam di Macau e o Círculo de Amigos da Cultura de Macau, contando na altura com apoio manifesto do anterior Chefe do Executivo, Edmund Ho, que marcou presença na cerimónia.

O projecto contou desde cedo com o apoio científico do até aqui responsável pelo Departamento de Estudos Portugueses da UMAC, no cargo desde o ano lectivo de 2007/2008, e que, conforme noticiou a TDM no último sábado, deixou a instituição por motivos profissionais, para passar a leccionar no Brasil, na Universidade Federal da Bahia.

Segundo o PONTO FINAL conseguiu apurar, Baxter garantiu que irá manter-se como consulto para a candidatura do patuá a património universal reconhecido pela UNESCO, mas manifestou desconhecer que passos terão sido dados para a formalização da iniciativa – já que esta se encontra directamente a cargo da APIM.

A associação, contudo, recusa dar conta das diligências já tomadas para a concretização do propósito, cinco anos após este ter sido oficializado em protocolo de cooperação. “Neste momento, não me quero pronunciar sobre isso”, disse ao PONTO FINAL José Manuel Rodrigues, presidente da APIM, afirmando apenas que “na altura oportuna” irá prestar esclarecimentos públicos sobre a matéria.

O responsável da associação disse também entender que o projecto poderá continuar a contar com o apoio do linguista, especializado no crioulo local. “Creio que o nosso amigo Alan Baxter continuará a dar o apoio que entender que deve dar à causa da eventual candidatura do patuá”, afirmou Rodrigues.

Mas em que ponto está afinal todo o processo do qual se fala há anos? É difícil dizer. Miguel Senna Fernandes, que por via da ADM e Doci Papiaçam di Macau integra a plataforma para a promoção do patuá, estima que poucos avanços tenham sido feitos e reconhece a necessidade de se ir além das rubricas que ficaram no papel do acordo.

“Há que tomar uma posição em relação ao protocolo. Os protocolos assinam-se e devem ser, pelo menos, pensados, pelo menos discutidos. Mas nunca foi discutido. Nós nunca discutimos sobre isto. É a primeira vez que eu digo isto, mas é uma realidade. Há que fazer qualquer coisa”, defende.

O advogado e dinamizador do grupo de teatro local que anualmente leva à cena récitas em patuá manifesta incómodo com a demora no “processo”. Admite até que a ausência de qualquer formalização da intenção torne difícil chamar “processo” ao projecto.

“Chega a uma certa altura que já não se sente piada nenhuma em ter sempre de justificar”, queixa-se Senna Fernandes, instando a APIM a dar passos concretos para a candidatura à UNESCO.

“A APIM encabeçou o processo, vai ter de decidir. Há que perguntar, afinal, o que vai ser feito. Isto é importante”, alerta, defendendo que a associação deve manifestar “se afinal quer ou não quer o protocolo”.

É um passo que a APIM “tem de dar, porque nós demos sempre”, diz o presidente da ADM, lembrando o trabalho que tem vindo a ser realizado anualmente pelo Doci Papiaçam. Em breve, o grupo pretende avançar para uma ambição mais modesta, que entende não entrar em conflito com os propósitos liderados pela APIM: apresentar a candidatura do teatro em patuá a património cultural intangível junto das autoridades da RAEM, por via do Museu de Macau.

 -----///Colloquia/Colóquios: www.lusofonias.net             

Que é feito da candidatura do patuá à UNESCO?

>Que é feito da candidatura do patuá à UNESCO?

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Que é feito da candidatura do patuá à UNESCO?

MARCH 14, 2011

by pontofinalmacau

A intenção foi assumida em 2006, mas pouco se sabe de avanços no projecto. A APIM, que lidera a plataforma pelo reconhecimento do crioulo local, recusa falar. A saída de Alan Baxter de Macau será sentida, diz Miguel Senna Fernandes.

Maria Caetano

A saída do linguista Alan Baxter do Departamento de Estados Portugueses da Universidade de Macau (UMAC) deixa o território “mais pobre” no que diz respeito a especialistas que se dedicam ao estudo dos crioulos asiáticos – em particular, do patuá. A opinião é de Miguel Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses (ADM) e director do grupo Doci Papiaçam di Macau, que confessa não saber em que ponto se encontra actualmente a candidatura do falar maquista a património universal intangível da UNESCO.

Em Outubro de 2006, as associações de matriz macaense da RAEM assinaram um protocolo para a preparação da candidatura, com a Associação de Promoção da Instrução dos Macaenses (APIM) na liderança. A plataforma incluiu também a ADM, a Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas (APOMAC), o Clube de Macau, o Instituto Internacional de Macau (IIM), o grupo Doci Papiaçam di Macau e o Círculo de Amigos da Cultura de Macau, contando na altura com apoio manifesto do anterior Chefe do Executivo, Edmund Ho, que marcou presença na cerimónia.

O projecto contou desde cedo com o apoio científico do até aqui responsável pelo Departamento de Estudos Portugueses da UMAC, no cargo desde o ano lectivo de 2007/2008, e que, conforme noticiou a TDM no último sábado, deixou a instituição por motivos profissionais, para passar a leccionar no Brasil, na Universidade Federal da Bahia.

Segundo o PONTO FINAL conseguiu apurar, Baxter garantiu que irá manter-se como consulto para a candidatura do patuá a património universal reconhecido pela UNESCO, mas manifestou desconhecer que passos terão sido dados para a formalização da iniciativa – já que esta se encontra directamente a cargo da APIM.

A associação, contudo, recusa dar conta das diligências já tomadas para a concretização do propósito, cinco anos após este ter sido oficializado em protocolo de cooperação. “Neste momento, não me quero pronunciar sobre isso”, disse ao PONTO FINAL José Manuel Rodrigues, presidente da APIM, afirmando apenas que “na altura oportuna” irá prestar esclarecimentos públicos sobre a matéria.

O responsável da associação disse também entender que o projecto poderá continuar a contar com o apoio do linguista, especializado no crioulo local. “Creio que o nosso amigo Alan Baxter continuará a dar o apoio que entender que deve dar à causa da eventual candidatura do patuá”, afirmou Rodrigues.

Mas em que ponto está afinal todo o processo do qual se fala há anos? É difícil dizer. Miguel Senna Fernandes, que por via da ADM e Doci Papiaçam di Macau integra a plataforma para a promoção do patuá, estima que poucos avanços tenham sido feitos e reconhece a necessidade de se ir além das rubricas que ficaram no papel do acordo.

“Há que tomar uma posição em relação ao protocolo. Os protocolos assinam-se e devem ser, pelo menos, pensados, pelo menos discutidos. Mas nunca foi discutido. Nós nunca discutimos sobre isto. É a primeira vez que eu digo isto, mas é uma realidade. Há que fazer qualquer coisa”, defende.

O advogado e dinamizador do grupo de teatro local que anualmente leva à cena récitas em patuá manifesta incómodo com a demora no “processo”. Admite até que a ausência de qualquer formalização da intenção torne difícil chamar “processo” ao projecto.

“Chega a uma certa altura que já não se sente piada nenhuma em ter sempre de justificar”, queixa-se Senna Fernandes, instando a APIM a dar passos concretos para a candidatura à UNESCO.

“A APIM encabeçou o processo, vai ter de decidir. Há que perguntar, afinal, o que vai ser feito. Isto é importante”, alerta, defendendo que a associação deve manifestar “se afinal quer ou não quer o protocolo”.

É um passo que a APIM “tem de dar, porque nós demos sempre”, diz o presidente da ADM, lembrando o trabalho que tem vindo a ser realizado anualmente pelo Doci Papiaçam. Em breve, o grupo pretende avançar para uma ambição mais modesta, que entende não entrar em conflito com os propósitos liderados pela APIM: apresentar a candidatura do teatro em patuá a património cultural intangível junto das autoridades da RAEM, por via do Museu de Macau.

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Que é feito da candidatura do patuá à UNESCO?

CPLP E A LÍNGUA PORTUGUESA, por Eugénio Anacoreta Correia

A CPLP E A LÍNGUA PORTUGUESA, por Eugénio Anacoreta Correia (Conferência proferida na Faculdade de Letras de Lisboa no dia 09 de Fevereiro de 2011).

A criação do Instituto Internacional de Língua Portuguesa representou a primeira manifestação da vontade política e do compromisso dos mais altos responsáveis de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe no sentido de conjugarem esforços, tendo em vista a projecção crescente da Língua Portuguesa no Mundo.
A sugestão do Prof. Adriano Moreira para a constituição de uma organização que tivesse por fim a defesa e valorização do idioma comum foi acolhida com entusiasmo pelo Presidente José Sarney que promoveu em 1 de Novembro de 1989, em São Luís do Maranhão, uma Cimeira de Chefes de Estado dos Países Lusófonos, que deliberou a criação do IILP.
Com o propósito de dar conteúdo a esse Acto Constitutivo, realizou-se em Lisboa, em Dezembro do ano seguinte, uma reunião de Ministros da Educação e da Cultura que estabeleceu como objectivos fundamentais do Instituto “a promoção, a defesa, o enriquecimento e a difusão da Língua Portuguesa como veículo da cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico e tecnológico.”
Nessa data – 1989/1990 – o Brasil estava empenhado, juntamente com a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, na criação de um mercado comum sul-americano – o MERCOSUL – que ficou consagrado com a assinatura, em 26 de Março de 1991, do Tratado de Assunção e que, após a associação da Bolívia, Chile, Peru, Colômbia, Equador e Venezuela, passou a integrar 270 milhões de pessoas.
Faço notar que o processo assumido pelo Brasil para a constituição do IILP ultrapassou em celeridade o da criação do MERCOSUL que, tendo sido desencadeado cinco anos antes, só foi formalizado cerca de dois anos depois.
Portugal era, desde 1 de Janeiro de 1986, membro da Comunidade Económica Europeia e acrescentava à cooperação bilateral, que mantinha com cada um dos PALOP, a cooperação multilateral desenvolvida no quadro da Convenção de Lomé III.
No ano anterior – 1985 – por iniciativa do então Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Nuno Abecasis, fora fundada a UCCLA (União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas) que pretendia desenvolver uma acção de cooperação descentralizada e em proximidade com as populações das cidades associadas, nas quais se incluiam iniciativas em favor da Língua Portuguesa.
Finalmente, os PALOP, para além de estarem associados à Convenção de Lomé III e de integrarem estruturas político-económicas das regiões geográficas em que se inserem, reuniam-se bienalmente no quadro de um fórum de coordenação, que tinham constituído em 18 de Abril de 1961 em Casablanca, com o nome de CONCP (Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas) e que se mantivera activo – com a designação de “Os Cinco” – mesmo depois de os fundadores (FRELIMO, MPLA, MLSP e PAIGC) terem alcançado o poder nos seus respectivos Países.
Em 1992, na Cimeira dos “Cinco” realizada em S. Tomé, foi formalizada uma articulação especial com Portugal, que deu origem ao Grupo “Cinco + Um”.
É neste contexto, que o Embaixador do Brasil em Portugal, José Aparecido de Oliveira (íntimo amigo do Presidente José Sarney), inicia contactos em Lisboa e nas capitais dos PALOP que conduziram à criação, em 17 de Junho de 1996, da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a que Timor-Leste aderiu em 1 de Agosto de 2002.
Quando os Chefes de Estado e de Governo de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, reunidos em Lisboa, subscreveram a Acta Constitutiva da CPLP, fixaram-lhe três objectivos principais:
• alargar a concertação político-diplomática, particularmente no âmbito das organizações internacionais, para dar expressão crescente na cena mundial aos interesses e necessidades comuns;
• reforçar a cooperação bi e multilateral, especialmente nos domínios económico, social, cultural, jurídico e técnico-científico;
• incentivar a difusão e enriquecimento da Língua Portuguesa de modo a assegurar a sua acrescida afirmação internacional.
Um breve balanço da actividade desenvolvida durante estes 15 anos não pode deixar de assinalar que são assimétricos os resultados alcançados.
Com efeito, no domínio da concertação político-diplomática, deve ser enfatizado que a Comunidade actuou com empenhamento em favor da autodeterminação e independência de Timor-Leste, teve acção relevante na superação das crises internas ocorridas em São Tomé e Príncipe, na Guiné-Bissau e em Timor-Leste e vem contribuindo determinantemente para o êxito de candidaturas lusófonas ao exercício de mandatos em organizações internacionais. O caso mais recente foi a eleição de Portugal como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas que contou não apenas com o voto, mas também com o envolvimento activo de todos os outros Estados da CPLP.
No propósito de alargar e aprofundar essa concertação, foram criados, em Julho de 2005, os “Grupos CPLP” (constituídos por um mínimo de três representantes dos Países da Comunidade junto a governos ou organizações internacionais), a quem foi cometida a representação da CPLP em reuniões e eventos, a coordenação de posições relativas a interesses comuns, a realização de diligências conjuntas, a mobilização de apoios (da ONU e suas Agências, EU, etc.), a promoção da utilização do português no Mundo em geral e como língua de trabalho nessas organizações, etc..A par deste tipo de acções, têm contribuído para a afirmação de uma política cultural comum, através da organização de eventos de vária ordem, de que são exemplo as comemorações do Dia da Língua Portuguesa na UNESCO, em Paris.
Existem actualmente mais de 40 Grupos CPLP, que actuam com relativa autonomia e têm demonstrado um assinalável dinamismo.
Ainda no âmbito da concertação político-diplomática, devem ser referidas as numerosas Missões de Observação Eleitoral em Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste que, pela forma modelar como têm decorrido, estão sendo solicitadas por países africanos que não integram a CPLP.
A Comunidade tem acordos de colaboração com mais de duas dezenas de organizações internacionais e, nomeadamente, com a OMS, FAO, OIT, OIM, CE, UNESCO, União Latina, ACNUDH, UNCTAD, FIDA, AULP, UCCLA, etc.
Percepção diversa se tem relativamente à cooperação.
Muito embora, desde o início da CPLP, tenham ocorrido com assinalável regularidade reuniões ministeriais de concertação em diversos domínios, os resultados alcançados, por serem dispersos e pontuais, ficaram aquém das expectativas.
A situação começou, porém, a alterar-se em 2006 e acentuou-se a partir de 2008, com a aprovação de uma nova visão estratégica que toma como referência os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e de um conjunto de medidas e metodologias destinadas a alcançar melhorias de desempenho. Foi adoptado o Plano Integrado de Cooperação para o triénio 2008-2010, com cinco áreas de concentração (Trabalho e Protecção Social, Saúde, Juventude e Desportos, Igualdade de Género e Ambiente), definidas condições mais exigentes para a selecção e execução de projectos e acções e para a sua efectiva monitorização e avaliação e aprofundado tanto o carácter multilateral da cooperação, como o papel do Secretariado Executivo na coordenação da execução do PIC.
Do vasto conjunto dos projectos em curso, gostaria de fazer uma referência particular ao Plano Estratégico de Cooperação em Saúde.
Este foi elaborado por um Grupo Técnico integrado por responsáveis de saúde dos oito Estados Membros, com o apoio do Instituto de Higiene e Medicina Tropical e da Fundação Oswaldo Cruz, do Brasil, para esse fim mandatado por uma deliberação dos Ministros reunidos, pela primeira vez, na Cidade da Praia, em Abril de 2008.
Um ano depois, ou seja, em Maio de 2009, no Estoril, na sua II reunião, os Ministros da CPLP adoptaram o Plano para o quadriénio 2009-2012.
Com maior ou menor expressão, os sete eixos de intervenção aprovados (Formação e Desenvolvimento da Força de Trabalho em Saúde; Informação e Comunicação em Saúde; Investigação em Saúde; Desenvolvimento do Complexo Produtivo da Saúde; Vigilância Epidemiológica e Monitorização da Situação de Saúde; Emergências e Desastres Naturais; Promoção e Protecção da Saúde) já arrancaram e, no passado dia 29 de Outubro, foi inaugurado, na Cidade da Praia, o Centro de Formação Médica Especializada que, integrado no eixo-1, deu, de imediato, início a um programa com 5 cursos, que serão reconhecidos pela Universidade Nova de Lisboa.
Referi-me concretamente à intervenção na saúde por várias razões.
Desde logo, porque incide sobre uma área vital num processo de desenvolvimento humano.
Com efeito, pode muito sinteticamente dizer-se que o subdesenvolvimento assenta num triângulo em que um vértice é ocupado pela doença, outro pela iliteracia e o terceiro pela insuficiência alimentar. Isto implica que o apoio ao desenvolvimento se deve estruturar em torno de um outro triângulo – este, sim, virtuoso – em que um vértice respeita à saúde, outro à educação e formação e o terceiro às condições de vida.
Portanto, eleger a cooperação em saúde representa concentrar esforços num domínio nuclear de uma estratégia correcta de apoio ao desenvolvimento.
Por outro lado – e esta é a segunda razão – se entendermos que o desenvolvimento não se opera “de fora”, mas deve ser um processo endógeno (porque se funda em capacidades próprias), tal implica que a formação e a capacitação de recursos humanos se perfilem como uma prioridade absoluta. Porque só com recursos humanos habilitados a liderar o seu próprio processo de desenvolvimento, preparados para acolher e apropriar-se dos benefícios da cooperação e capazes de assegurar o prolongamento do efeito da ajuda para além do seu termo, se garantirá um processo verdadeiramente sustentável.
Ora este Plano Estratégico de Cooperação para a Saúde e, em particular o Centro de Formação Médica Especializada, centra-se exactamente no objectivo da formação e capacitação de recursos humanos, consagrando a essa tarefa cerca de 67% dos 14M€ do seu orçamento indicativo.
É, em terceiro lugar, uma intervenção genuinamente multilateral, tanto na concepção, como na execução e financiamento, como, ainda, no universo de destinatários e assume como referência orientadora as metas dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
Em quarto lugar, este Plano é seguido e apoiado pela OMS, pela ONU-SIDA, BAD, Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, cooperação francesa e GTZ alemã, sendo considerado um modelo de cooperação Norte/Sul/Sul, o que significa que alcançou uma visibilidade internacional que muito prestigia a Língua Portuguesa, entendida esta como um instrumento de afirmação estratégica, que ultrapasse a estrita dimensão linguística.
Finalmente, enfatizei esta intervenção no domínio da saúde para enaltecer o facto de o Centro Médico ter como entidade executora uma organização da sociedade civil – a Comunidade Médica da Língua Portuguesa – e o IILP integrar a sua Comissão Instaladora, ou seja, a este projecto bem se poderia aplicar a designação de “a saúde em língua portuguesa”.
A cooperação para o desenvolvimento, no domínio da saúde, como em outros, é, assim, não apenas uma expressão de solidariedade e de reforço da unidade interna da CPLP, mas poderá e deverá assumir-se, igualmente, como um factor relevante de relacionamento e de afirmação da Comunidade de Língua Portuguesa na cena internacional.
O terceiro pilar da acção da CPLP diz respeito à defesa, promoção e enriquecimento da Língua Portuguesa e à sua crescente internacionalização e valorização como língua global.
Apesar de constituir o fundamento da Comunidade, este vem-se revelando o domínio de mais discreto desempenho da CPLP, pesem embora as numerosas e relevantes conferências, seminários e reuniões promovidas pela sociedade civil e também pela própria CPLP, envolvendo, designadamente, universidades, escritores, jornalistas e outros agentes da lusofonia.
Passados mais de 20 anos sobre a sua fundação, o IILP não se afirmou como um instrumento útil às políticas comuns e nacionais dos países da Comunidade e o facto de ter passado a ter uma estreita relação com a CPLP ainda não alterou o seu quase total mutismo. Instalado na Cidade da Praia, teve vários Estatutos, vários Directores, vários Planos de Actividades, sem que daí tenha resultado a visibilidade que se esperava e era desejável e necessária.
A Presidência Portuguesa da CPLP, que decorreu de 2008 a 2010, tomou como prioridade estratégica da sua acção este terceiro pilar da Comunidade e, nesse quadro, houve uma intensa reflexão, que concluiu pela elaboração do “Plano de Acção de Brasília para a Promoção, a Difusão e a Projecção da Língua Portuguesa”, adoptado pela VIII Conferência de Chefes de Estado e de Governo, reunida em Luanda em 23 de Julho do ano passado.
Trata-se de um documento estratégico exigente mas realista, ambicioso mas pragmático que fixa objectivos, identifica responsáveis e estabelece prazos para a sua concretização.
Pretende, em primeiro lugar, uma crescente afirmação mundial da Língua Portuguesa. Propõe, para o efeito, uma estratégia para a sua implantação efectiva nas Organizações Internacionais como língua oficial, de trabalho e/ou de documentação, com apoio de tradutores e intérpretes, que assegurem a publicação sistemática de documentos, a interpretação em eventos de alto nível (AG-ONU, OIT, UNESCO, etc.), a tradução dos portais virtuais das Agências das NU, em particular daqueles (OMS, UNESCO, DH, UNICEF, etc.) cujos conteúdos têm maior impacto para a cidadania nos Países da CPLP. Realça a importância do apoio a candidaturas de nacionais de Estados Membros da CPLP ou de nacionais de Estados terceiros com domínio da Língua Portuguesa a organismos internacionais, em particular nos casos que envolvam actuação desses organismos em missões de carácter temporário ou permanente nos respectivos Países.
Elege, como segundo eixo de actuação a promoção e difusão do ensino da Língua Portuguesa, tanto no espaço interno da CPLP, como no seu fortalecimento como Língua estrangeira, conferindo ênfase especial à formação e capacitação de professores, edição e distribuição de materiais didácticos e pedagógicos, reforço da utilização das TIC, tanto no ensino presencial como a distância, etc.
Um terceiro aspecto diz respeito ao Acordo Ortográfico, sublinhando-se, entre diversas outras considerações, a premência da elaboração de um vocabulário comum de terminologias técnicas e científicas, dado que essa harmonização constitui, por um lado, uma vantagem em termos económicos e representa um importante instrumento de consolidação e reforço da Língua Portuguesa nas organizações internacionais a que pertencem Países da CPLP e, por outro, é um meio privilegiado para veicular informação e conhecimento na comunicação especializada.
Um quarto item ocupa-se da Difusão Pública da Língua Portuguesa e recomenda o reforço da cooperação na área das indústrias culturais, a ampliação da difusão de material audiovisual em Língua Portuguesa na programação televisiva mundial, o aumento de programas de formação educacional em Língua Portuguesa e a sua transmissão nos meios de comunicação de massa, a melhoria do Portal Oficial da CPLP, com conexões a editoras, jornais, universidades, centros culturais e outras entidades educacionais dos Países da Comunidade, etc., não deixando de frisar, ainda, a importância da realização conjunta de eventos culturais em terceiros países.
Um quinto enfoque tem em atenção as diásporas e pretende que, nos países e regiões onde existam comunidades lusófonas, seja aumentada a oferta do ensino do Português como língua curricular (desde a educação pré-escolar até ao secundário), apelando à convergência das políticas governamentais onde haja concentração de emigrantes de duas ou mais nacionalidades dos Estados Membros. Realça a necessidade de se intensificar a sensibilização dessas comunidades para as vantagens da educação e do aumento do seu nível de literacia em Língua Portuguesa e de se assegurar o apoio a centros culturais e instituições da sociedade civil dedicadas à formação e ao aperfeiçoamento de professores de Português que residam nos países de acolhimento. É, igualmente, valorizada a realização conjunta de eventos culturais e outros, envolvendo as comunidades das diásporas.
Finalmente, é dado realce à participação da sociedade civil nesse esforço de afirmação da Língua Portuguesa, propondo a intensificação de parcerias e do apoio na execução dos programas, projectos e acções com esse fim.
Certamente que a “II Conferência Internacional sobre a Língua Portuguesa no Sistema Mundial” que terá lugar no nosso País no próximo ano, será ocasião para se proceder a uma avaliação do grau de cumprimento do “Plano de Acção de Brasília” e para se considerarem as medidas necessárias a uma acrescida internacionalização da nossa Língua.

Minhas Senhoras e meus Senhores

São, seguramente, muitas e relevantes as razões que fundamentam a esperança numa acrescida presença da Língua Portuguesa na cena internacional.
É habitual referir, a crédito dessa esperança, que já é língua oficial, de trabalho e/ou de documentação em cerca de duas dezenas de organizações internacionais; que os cerca de 240/250 milhões de falantes fazem da Língua Portuguesa a 4ª ou a 5ª mais utilizada em todo o Mundo e a terceira de origem europeia com maior número de falantes fora da Europa e, designadamente, em África.
As projecções apontam para a consolidação dessa situação, uma vez que o interesse pelo Português aumenta a um ritmo que excede o crescimento demográfico médio anual da Comunidade, que é de cerca de 1%.
É, igualmente, comum sublinhar-se que os oito países que falam português se situam nos cinco continentes e ocupam uma superfície correspondente a mais de 7,2% das terras emersas do Globo, percentagem que, descontando o Ártico e a Antártica, sobe para 12% o que, permitiria, invocando Carlos V, concluir que “o Sol nunca se põe sobre a lusofonia”.
Não é tão vulgar afirmar que o previsível próximo alargamento das plataformas continentais para 200 milhas e o desenvolvimento da exploração offshore, fará do Atlântico, considerando as zonas marítimas de Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola e Brasil, não apenas um ”oceano moreno” (como o designou Adriano Moreira), mas, sobretudo, um “oceano lusófono”, circunstância que assumirá no futuro uma extraordinária relevância económica e científica.
É, também, frequentemente recordado o valor cultural associado à Língua Portuguesa, tanto no que respeita a património histórico classificado pela UNESCO (cerca de quatro dezenas de sítios que se espalham desde a Argentina, Uruguai e Brasil até Macau, passando por Marrocos, Ghana, Senegal, Moçambique, Tanzânia, Goa, Sri Lanka e, naturalmente, Portugal), como a domínios e personalidades de prestígio e consagração a nível mundial, a quem está associada uma imagem de actualidade.
Tudo isto é importante, mas, por si só, insuficiente para assegurar um reconhecimento internacional efectivo consentâneo com a relevância que estas realidades espelham.
O salto qualitativo que todos desejamos seja dado passa pela superação de vários “pontos fracos” da CPLP e, designadamente de dois: o grau de pobreza e a iliteracia de uma parte significativa dos 240/250 milhões de falantes.
Actualmente, o valor internacional e económico de uma língua firma-se em fundamentos políticos, económicos, científicos e tecnológicos. Prova disso é que línguas – como o alemão, o francês ou o italiano – com expressão demográfica inferior ao português se vão mantendo nos “fora” internacionais como línguas de trabalho.
Há, por isso e em primeiro lugar, um importante trabalho a ser realizado em prol da melhoria dos Índices de Desenvolvimento Humano dos Estados – Membros da CPLP.
O Relatório do Desenvolvimento Humano do PNUD em 2010 é, a este propósito, esclarecedor. Num universo total de 169 países, com excepção de Portugal que, ocupando a 40ª classificação integra o grupo de países considerado com “desenvolvimento humano muito elevado” e do Brasil que, em 73º lugar, pertence ao grupo dos países com “desenvolvimento humano elevado”, os restantes são considerados como tendo ou “desenvolvimento humano médio” (casos de Cabo Verde, de Timor-Leste e de São Tomé e Príncipe, situados, respectivamente, nas posições nºs 118, 120 e 127) ou “desenvolvimento humano baixo” (Angola em 146º, Guiné-Bissau em 164º e Moçambique em 165º). Esta circunstância é ainda mais preocupante quando, comparando o IDH de 2010 com o de 2005 se constata que a Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe desceram neste “ranking”, Moçambique se manteve inalterado e os restantes registaram pequenas melhorias, excepção feita a Timor-Leste que subiu 11 lugares. Apesar de todos registarem crescimentos reais do IDH, outros países tiveram ritmos de desenvolvimento mais rápidos que os alcançados por aqueles PALOP que, por isso, se viram ultrapassados, sendo São Tomé e Príncipe o caso de desempenho mais problemático, traduzido numa descida de 4 lugares nos últimos 5 anos.
O combate à pobreza constitui actualmente a primeira prioridade da agenda internacional e as suas metas, consignadas nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio adoptados pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2000, constituem referências universalmente aceites para a acção política e social         tanto dos países como das organizações internacionais, devendo, por isso, ser integralmente assumidas pela CPLP.
O segundo aspecto tem a ver com o nível de literacia no interior da Comunidade porque, da mesma forma que o menor desenvolvimento económico dos seus falantes se repercute na projecção e no peso internacional dos países que a falam, também baixas taxas de alfabetização e a reduzida compreensão do Português daí resultante, determinam uma imagem precária da Língua.
O esforço a realizar neste domínio obriga a ponderar, entre muitos outros aspectos, qual o contacto mais adequado entre as línguas tradicionais e o português como veículo de alfabetização.
José Eduardo Agualusa fazia notar que “(…) os pais de milhões de crianças angolanas que hoje só comunicam em português serviam-se de um quimbundo, de um umbundo ou de um quicongo mais rico do que aquele português que seus filhos hoje falam (…)” acrescentando que “esta erosão do pensamento – pois perder palavras é perder pensamento, da mesma forma que perder línguas é perder mundos – só poderá ser corrigida com um fortíssimo investimento no ensino do idioma português”.
Esta tarefa deveria, em termos práticos e não apenas de declarações de intenção ou de recomendações, ser prioritária para a CPLP e para todos os seus Membros e, designadamente, Portugal e Brasil, porque só assim consolidaremos uma comunidade assente numa cidadania forte, que se relaciona com a Língua como um direito e não como uma obrigação.
O facto de, com alguma probabilidade, podermos assistir a um significativo   acréscimo da procura do domínio da Língua Portuguesa, em resultado, quer de políticas indutoras do pluri-linguísmo,  quer de razões de natureza económica, quer ainda de esforços tendentes a mitigar a anglofonia dominante, mais urgente torna a tarefa de conferir ao ensino do Português a importância e a  urgência exigidas pela sua ambicionada crescente internacionalização.
Remataria esta minha reflexão confessando que acompanho inteiramente a perspectiva de um ilustre Mestre desta Casa – o Prof. Ivo Castro – que considera que esse esforço de internacionalização deveria implicar a adopção de quatro políticas distintas: uma política europeia, uma política global, uma política para o espaço lusófono e uma política para o espaço nacional.
Este é um desafio e uma tarefa que cabe, antes e acima de tudo, às pessoas e instituições que estudam e cultivam a Língua Portuguesa e, dessa forma, abrem para ela promissores caminhos de modernidade e de futuro.
Este é um desafio e uma tarefa diariamente abraçados nesta Casa e no seu Departamento de Língua e Cultura Portuguesa e que, por isso, deveria motivar da parte de todos nós um profundo, sincero e genuinamente português: Bem haja!

FLORBELA ESPANCA, homenagem às mulheres no dia internacional

homenagem às mulheres no dia internacional 8 março por Rolando Galvão in
 FLORBELA ESPANCA, Poetisa: 1894 – 1930 por Rolando Galvão
           QUANDO TUDO ACONTECEU…
– 1894: 8 de dezembro, nasce Florbela Espanca em Vila Viçosa.
– 1915: Casa com Alberto Moutinho.
– 1919: Entra na Faculdade de Direito, em Lisboa.
– 1919: Primeira obra, Livro de Mágoas.
– 1923: Publica o Livro de Soror Saudade.
– 1927: A 6 de junho, morre Apeles, irmão da escritora, causando-lhe desgosto profundo.
– 1930: Em Matosinhos, Florbela põe fim à vida.
– 1931: Edição póstuma de Charneca em Flor, Reliquiae e Juvenilia e ainda das coletâneas de contos Dominó Negro e Máscara do Destino. Reedições dos dois primeiros livros editados. Verdadeiro começo da sua visibilidade generalizada.

           FLOR BELA, RAÍZES E RAMOS

Vila Viçosa, final do ano de 1894, noite de sete para oito de dezembro. Antónia da Conceição Lobo sente as dores do parto. Nasce uma menina. Não vem ao encontro das alegrias da família. Não há assim lugar ao habitual regozijo de tais momentos. Não parece ter sido desejada por qualquer das partes. É batizada como filha de pai incógnito. Avôs e avós também incógnitos. É-lhe posto o nome de Flor Bela de Alma da Conceição. Na literatura portuguesa será chamada Florbela Espanca. Apelido que receberá do pai, João Maria Espanca, já então levantado o véu encobridor. Curiosamente, o padre que a batiza e a madrinha usam o mesmo apelido.
A mãe morre algum tempo depois. Tem infância sem falta de carinhos e a sua subsistência não será ensombrada por insuficiências que atingem muitas das crianças que nascem em circunstâncias semelhantes. O pai não a deixará desprovida de amparo. Ela própria assim o diz quando aos dez anos, em poema de parabéns de aniversário ao “querido papá da sua alma” escreve que a “mamã” cuida dela e do mano “mas se tu morreres/ somos três desgraçados”. Será acarinhada pelas duas madrastas, como revelará na sua própria correspondência.
Ingressa no liceu de Évora. Num tempo em que poucas raparigas frequentam estudos, e bonita como é, apesar de umas tantas vezes afirmar o contrário, põe à roda a cabeça dos colegas. Não são aqueles os primeiros versos. Antes já os escrevera com erros de ortografia. Naturalmente infantis, mas avançados em relação à idade. De algum modo, prenunciam o que virá depois. Esta precocidade contrasta com um quê de desajustamento futuro, quando a sua escrita divergirá dos conceitos de poesia dos grupos do Orfeu, Presença e outras tendências do designado “Modernismo”, e que emergem como as grandes referências literárias da época. Das quais Florbela parecerá arredada. Inicialmente sem dificuldades económicas, como deixa perceber.
Explicadora, trabalhará ensinando francês, inglês e outras matérias. Mais tarde, com vinte dois anos, irá cursar Direito na Universidade de Lisboa. Publica vários poemas em jornais e revistas não propriamente dedicados à poesia, como seja Noticias de Évora e O Século ou de circulação local. Edita os seus primeiros livros, Livro de mágoas em 1919, e em 1923 Livro de Soror Saudade, onde incluirá grande parte da produção anterior. Refere o seu Alentejo e os locais ligados às suas origens, e exalta a Pátria em alguns poemas. Mas a sua escrita situar-se-á sobretudo no campo da paixão humana. Contrai matrimónio por três vezes.
Do primeiro marido, Alberto Moutinho, usa o apelido em alguns escritos, nomeadamente correspondência. Do terceiro marido, Mário Lage, juntará o apelido à assinatura usual, nas traduções que efetuará. Do segundo, António Guimarães, não parece haver reminiscências explicitas nos escritos de Florbela, que lhe terá dedicado obra que publica como Livro de Soror Saudade, titulo diferente do projetado e esquecendo a dedicatória.

           AS FACES DUMA PERSONALIDADE

  Inquietações de Florbela: alma, amor, saudade, beijos, versos…
Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.                                
Como dizem vários estudiosos da sua pessoa e obra, Florbela surge desligada de preocupações de conteúdo humanista ou social. Inserida no seu mundo pequeno burguês, como evidencia nos vários retratos que de si faz ao longo dos seus escritos. Não manifesta interesse pela política ou pelos problemas sociais. Diz-se conservadora. Uma quase inventariação das suas diferentes personalidades desenha-se nas palavras de um dos seus contos, a que deu o titulo “À margem de um soneto” que integra o volume intitulado “O Dominó Preto”. Inicia-o falando duma poetisa, a dizer que “vestida de veludo branco e negro, estendeu a mão delgada, onde as unhas punham um reflexo de joias.”, informando um visitante de que tinha fechado o seu “livro de versos… com um belo soneto! “Segue, “num olhar… afogado em sonho” e “numa voz macia e triste” a leitura do soneto e termina com “o mal de ser sozinha”…suportando “o pavoroso e atroz mal de trazer/ tantas almas a rir dentro da minha!”
O conto continua em tons e quadros que Florbela frequentemente considera como de si própria e aqui atribui a suposta romancista brasileira: “feia, nada elegante, inteligente, mas com o talento, o espírito e a graça, e sobretudo o encanto, duma imaginação extraordinária, palpitante de vida, apaixonada e colorida, sempre variada, duma pujança assombrosa. “Pondo na mente do marido da personagem, o seu próprio discurso, vai enunciando as “almas diversas que eram dela” e que “ocultava dentro de si”.
Entrevê a personagem “imaculada, ingénua, fria, longínqua”; “inacessível e sagrada” de “imaterial beleza” e “a morrer virginal e sorridente”.
Referindo um outro imaginário romance apresenta-se “ardente e sensual, rubra de paixão, endoidecendo homens, perdendo honras…”
Com alusão a terceiro presumível livro, qualifica-se “cética e desiludida, irónica, desprezando tudo, desdenhando tudo, passando indiferente em todos os caminhos, fazendo murchar todas as coisas belas”. Mente “dia e noite só pelo prazer de mentir” e “beija doidamente um amante doido.”
Quem, ao ler a sua obra poética, a sua prosa, as suas cartas, os seus outros escritos, não a vê usar um milhar de vezes para si própria, termos semelhantes, ultrapassando até tais qualificativos e exageros?
Antes do final ainda a exaltação do ser poeta, que se pode considerar uma das suas constantes:”- As almas das poetisas são todas feitas de luz, como as dos astros: não ofuscam, iluminam….”
Quem é realmente Florbela? Ninguém é definível numa só dimensão, num só conjunto de qualidades. Todo o ser é uma interseção de adjetivações diferentes e até opostas, ensina-me, desde a juventude, o meu amigo Diogo de Sousa, que cursava Filosofia. No caso da poetisa tem a particularidade de ser ela própria a evidenciá-lo, permanentemente e sem constrangimentos.
Parafraseando António José Saraiva e Óscar Lopes na História da Literatura Portuguesa: estimula e antecede o “movimento de emancipação literária da mulher” que romperá “a frustração não só feminina como masculina, das nossas opressivas tradições patriarcais.” Na sua escrita é notável, como dizem os mesmos mestres, “a intensidade de um transcendido erotismo feminino”. Tabu até então, e ainda para além do seu tempo, em dizeres e escreveres femininos.
Os referidos autores, em capitulo sob o titulo Do simbolismo ao modernismo, enumerando várias tendências como “método de exposição… pedagógica” incluem Florbela num grupo que designam como “Outros poetas”. Qualificam-na como “sonetista com laivos parnasianos esteticistas” e “uma das mais notáveis personalidades líricas”. O seu egocentrismo, que não retira beleza à sua poesia, é por demais evidente para não ser referenciado praticamente por todos. Sedenta de glória, diz Henrique Lopes de Mendonça, transcrito por Carlos Sombrio.
Na sua escrita há um certo número de palavras em que insiste incessantemente. Antes de mais, o EU, presente, dir-se-á, em quase todas as peças poéticas. Largamente repetidos vocábulos reflexos da paixão: alma, amor, saudade, beijos, versos, poeta, e vários outros, e os que deles derivam. Escritos de âmbito para além dos que caracterizam essa paixão não são abundantes, particularmente na obra poética. Salvo no que se refere ao seu Alentejo. Não se coloca como observadora distante, mesmo quando tal parece, exterior a factos, ideias, acontecimentos. Curiosa é a posição da poetisa quanto ao casamento. Mau grado dizer que a única desculpa que se atribui é ter casado por amor (!!!), várias vezes se afirma inteiramente contra, apesar de ter contraído matrimónio por três vezes…
Entre os poetas seus preferidos destacam-se António Nobre, Augusto Gil, Guerra Junqueiro, José Duro e outros de correntes próximas. Interessa-se também por Antero. Pela não-publicação das suas obras, ora se mostra descontente por não encontrar editor para os livros que, após os dois primeiros, deseja dar a público, ora pretende mostrar-se desinteressada, mesmo desdenhosa pelo facto. Embora o desgosto seja saliente.
Passados perto de setenta anos sobre a sua morte são falados comportamentos menos ortodoxos em relação à moral sexual do seu tempo. Algumas expressões de emocionalidade um tanto excessiva para a época, embora não exclusivas da escritora, ajudam a suspeita. Lembramos a sua correspondência e as referências ao irmão, Apeles. Os seus excessos verbais parecem não passar disso mesmo – imoderação para exprimir uma paixão. Aqui, exaltação fora do comum de um amor fraternal mas que não destoa do falar dos seus sentimentos. Semelhante escrever na correspondência com uma amiga. Afinal nunca esteve junto dessa mesma amiga e apenas a viu em retrato. Esses limites alargados na expressão do amor, da amizade e das afeições, são uma constante.
Fernanda de Castro, em escrito retido por Carlos Sombrio, explica as suas contradições, ao dizer” não soube viver sem quebrar preconceitos, algemas, correntes – e não teve coragem de os quebrar todos”. Florbela, poetisa, não pode ser separada da sua condição de mulher, das suas paixões, da sua maneira de ser, da sua vida, das suas contradições, humildade e orgulho, preconceitos, sua presença e ausência, seus amores e desamores, explica-me a minha jovem amiga Clara Santos, florbelista militante.
A sua única preocupação é ela própria, o amor, a paixão… o querer e o não querer. A par duma vida pouco comum para os cânones vigentes – dois divórcios e três casamentos em cerca de quinze anos – essa relação mulher-paixão e a exaltação ao exprimir-se sobre si própria, podem ter contribuído para os conceitos aludidos.
Repare-se neste começo de um dos seus mais conhecidos sonetos:         
Eu quero amar, amar perdidamente!  
Amar só por amar: Aqui … além…         
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente… 
Amar ! Amar! E não amar ninguém !
e no final da quadra seguinte  
  Quem disser que se pode amar alguém          
Durante a vida inteira é porque mente!
Na época, conservadora como diz ser, leva a crer muito provavelmente, num viver que nos factos se coadunará e não se distanciará dos conceitos morais e sociais vigentes. 

           FLORBELA, A ESCRITORA E O CULTO

             Pergunto-me o porquê da visibilidade de Florbela e da sua aceitação por um público muito mais vasto que o de muitos outros escritores seus contemporâneos, anteriores e posteriores, de qualidade se não superior, pelo menos semelhante, e de interesse e caracter mais universalista, com preocupações capazes de fazerem apelo a um mais vasto e amplo leque de sensibilidades.
Se a sua obra apresenta inegável interesse e beleza, não deixa de constituir surpresa para alguns críticos, o impacto junto do público leitor, comparado com o de outros autores de igual valia e que fora dos meios ditos intelectuais pouco ou nada são conhecidos.
Abrimos a referida História da Literatura Portuguesa, contamos os vários nomes de escritores aí citados na mesma época, atentamos na análise deles feita pelos insuspeitos autores e constatemos o numero dos que praticamente continuam envoltos numa bruma.
Mesmo para leitores de mais largos voos muitos não passam de meros desconhecidos. Após vasta inventariação de publicações, José Augusto França, na sua obra “Os anos vinte em Portugal”, indicando umas dezenas de escritores, a Florbela se refere dizendo-a “escondida de todos”, acrescentando todavia que “foi ela o caso de mais profunda criação entre as mulheres que publicaram nos anos 20 portugueses”.
Para outros não é um astro da grandeza de vários dos seus contemporâneos. Estará um tanto em atraso, quer quanto à forma, quer quanto às suas preocupações. Como explicar então que seja qualificada por muitos como um dos vultos do século – e o seja, pela projeção que acaba por atingir?
Hernâni Cidade referirá “a violenta contradição entre o conceito de poesia de duas épocas distantes ou próximas”. Alguns críticos entrelinham a análise do seu comportamento e da sua obra com dizeres onde se pressente um esforço para evitarem uma sentença relativamente dura.
Natália Correia, em longo prefácio a uma edição de Diário do último ano fala do “coquetismo patético” e refere a sua “poesia maquilhada com langores de estrela de cinema mudo, carregada de pó de arroz”. E continua, exagerando um tanto, dizendo que a escritora “estende-se na chaise-longue dos seus quebrantos de diva de versos. Muito a preceito da corte dos literatos menores. Uma cadelinha de luxo acarinhada no chá-das-cinco das senhoras do Modas e Bordados e do Portugal Feminino para explicar que isso nasce da sua insensibilidade “a ruturas engendradas pelas crises do discurso lógico masculino”.
Porquê então tal expansão? O seu culto começa nela própria. Leia-se o poema, cantado por conhecido grupo musical e um dos mais belos:   
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior         
Do que os homens! Morder como quem beija!         
É ser mendigo e dar como quem seja         
Rei do Reino de Aquém e Alem Dor!          ………………………..         
É ter cá dentro um astro que flameja,         
É ter garras e asas de condor!          ………………………..         
É ter fome, é ter sede de Infinito!          ……………………….          
É condensar o mundo num só grito!          ……………………….
E quantas e quantas vezes Florbela nos recorda que é poeta! E com que euforia:          
 Sonho que sou a Poetisa eleita,          
Aquela que diz tudo e tudo sabe,          
Que tem a inspiração pura e perfeita,          
Que reúne num verso a imensidade!          
Sonho que um verso meu tem claridade          
Para encher todo o mundo! E que deleita          
Mesmo aqueles que morrem de saudade!          
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Poucos poetas o farão tão repetidamente…
De modo algum pomos de lado a beleza do que escreve, da maneira como se exprime, e do que ocupa a sua escrita. Sem excluir a qualidade literária, não serão porém inteiramente estranhos ao multiplicar da sua leitura, aspetos que de certo modo lhe serão alheios. Entre outros, o autorretrato da sua vida que desenha um tanto distante do ordenamento e preconceitos sociais da sua época, as variadas contradições, ou aparência de contradições (como admite José Régio) a tragédia da sua morte, o seu empenhamento na publicação, esforçado e continuado, os locais onde vive, propensos à glorificação dos naturais ou próximos, o seu proto-feminismo diferenciado do que se lhe seguirá uns anos mais tarde, mas capaz de chamar a atenção.
Um nome, Guido Batelli, italiano, professor da Universidade de Coimbra, não poderá ser esquecido. Ao traduzir para a sua língua vários dos poemas de Florbela, cria um facto que não se pode dizer muito comum.
E admirando-a sinceramente, contribuirá para a edição (póstuma) de Charneca em Flor, Reliquiae e Juvenilia. É provavelmente com a sua intervenção que se fazem as primeiras reedições do Livro de Mágoas e do Livro de Soror Saudade.
Régio, sobre o silêncio da Presença, de que diz ter vergonha, explica que só mais tarde a conhece. Chama-lhe “poesia viva” que “nasce, vive e se alimenta do seu (…) porventura demasiado real caso humano”.
Acompanhará sucessivas reedições de uma parte dos poemas com extenso e elucidativo prefácio, datado de 1950, onde faz análise valiosíssima, exaltando a obra e destacando alguns dos mais brilhantes momentos da poetisa…
Mas é, possivelmente, António Ferro que, em artigo do Diário de Noticias, logo em janeiro de 1931, chama a atenção para a poesia de Florbela e provoca um acordar de críticos e leitores que até ao presente se não extingue. 

           POESIA. CONCEITOS E PRECONCEITOS DE AMOR

 “Beija-me as mãos, Amor, devagarinho”, diz Florbela. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.        
É a poesia que fará de Florbela o vulto que é. Quase sempre em forma de soneto.
Salvo umas tantas exceções. Algumas quadras incluídas por Rui Guedes em valiosa edição abrangendo a totalidade ou quase da poesia de Florbela .Uma delas, com um certo sabor à chamada quadra popular:         
Tenho por ti uma paixão         
Tão forte tão acrisolada,         
Que até adoro a saudade         
Quando por ti é causada ou esta         
Que filtro embriagante          
Me deste tu a beber?         
Até me esqueço de mim          
E não te posso esquecer…
O seu Alentejo merece-lhe palavras de exaltação. Em soneto a que chama No meu Alentejo que inclui em carta à diretora de Modas e Bordados exprime-a nos tercetos finais          
Tudo é tranquilo e casto e sonhador…         
Olhando esta paisagem que é uma tela         
De Deus, eu penso então: Onde há pintor         
Onde há artista de saber profundo,         
Que possa imaginar coisa mais bela,         
Mais delicada e linda neste Mundo?
Escreve também poemas de sentido patriótico. Um deles, dirigido às mães, apelando que calem as suas mágoas pelos filhos que lutam e morrem na guerra em defesa da Pátria, e alguns outros de sentido semelhante. Mas Florbela lembra claramente que o que a preocupa é o Amor, e os ingredientes que romanticamente lhe são inerentes: a solidão, a tristeza, a saudade, a sedução, a evocação da morte, entre outros… E o desejo. Mesmo quando trata outros temas, diz-me alguém que a admira. Olhemos uma das quadras do soneto que intitulou Toledo         
 As tuas mãos tateiam-me a tremer…         
Meu corpo de âmbar, harmonioso e moço,         
É como um jasmineiro em alvoroço,         
Ébrio de Sol, de aroma, de prazer!
O grande paradoxo.
 O amor, como muitas vezes se lhe refere, sugere um sentir onde o erotismo é componente permanente. Exaltado em vários escritos, noutros pretende ser limpo do que na época se consideram impurezas. Após os vários casamentos, diz desejar morrer virginalmente. Tudo produto duma moral que interditava à mulher exprimir o seu prazer sexual, segreda-me uma outra minha amiga, para quem Florbela é o grande expoente da escrita no feminino. As sugestões mais ousadas sobre sexo eram tidas como degradação ou, complacentemente, como provocação, recorda-me.
Pergunta que não terá resposta fácil é saber se Florbela escreve, aproximando-se do explícito, porque pretende romper com os comportamentos tidos como convenientes e dentro do moralmente correto.
Olhamos o soneto Passeio ao Campo onde começa
Meu Amor! Meu Amante! Meu Amigo!          
Colhe a hora que passa, hora divina,
bebe-a dentro de mim, bebe-a comigo!
e depois de referir a “cinta esbelta e fina…” e outros atributos da sua própria elegância física, continua                
E à volta, Amor… tornemos, nas alfombras                
Dos caminhos selvagens e escuros,                
Num astro só as nossas duas sombras…Num outro                  
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,                 
A essa hora dos mágicos cansaços,                     
Quando a noite de manso se avizinha,                  
E me prendesses toda nos teus braços…      
para concluir                 
E é como um cravo ao sol a minha boca…                 
Quando os olhos se me cerram de desejo…                 
E os meus braços se estendem para ti… 
O erotismo não fica por aqui.
Num outro poema diz:                  
Sonhei que era a tua amante querida                  …..
………………………………………….                  ………………………………….
anelante                  
estava nos teus braços num instante,                 
fitando com amor os olhos teus
E ainda em sentido semelhante, estes tercetos                 
Beija-me as mãos, Amor, devagarinho…                 
Como se os dois nascêssemos irmãos,                 
Aves, cantando, ao sol, no mesmo ninho…                 
Beija-mas bem!…Que fantasia louca                  
Guardar assim, fechados, nestas mãos,                 
Os beijos que sonhei pra minha boca!…
Mau grado dizeres que, pelo sensualismo, sugerem um sentido libertário, uma interpretação do conjunto da sua obra faz pensar em posição cultural divergente. contraditoriamente com essa sensualidade sempre presente, afirma não poder olhar para o relacionamento sexual sem um sentimento de impureza, de brutalidade. Em alguns trechos, onde mais fortemente sugerido, as mulheres são impuras, megeras ou sujeito de outros qualificativos semelhantes.
O casamento e a posse são brutalidades, afirma e repete.

           A PROSA

   A prosa de Florbela exprime-se através do conto e de um diário que antecede a sua morte e em cartas várias, de natureza familiar umas, outras tratando de questões relacionadas com a sua produção literária, quer num sentido interrogativo quanto à sua qualidade, quer quanto a aspetos mais práticos, como a sua publicação. Nas diferentes manifestações epistolares sobressaem qualidades que nem sempre estão presentes na restante produção em prosa – naturalidade e simplicidade. Nos contos, compilados em dois volumes, “O Dominó Preto” e “As Máscaras do Destino”, muitas vezes um certo sentido autobiográfico, intimista.
No já referido “À margem de um soneto”, como atrás dizemos, parece pretender retratar as diferentes personalidades em que se vê, contraditórias e provocantes em relação à época.
Num outro conto, Amor de outrora, pressente-se um recordar de ocorrências da sua vida e dos seus enganos e desenganos de amor, desde o primeiro ao terceiro casamento. Várias cartas, para os maridos e para os apaixonados que aparentemente pretende afastar, e para o pai, em que procura justificar algumas situações, ajudam a este entendimento. Em Crime do Pinhal, ao lado dos “lavadores de honra” pelo assassinato de um sedutor, duas mães no afeto da mesma criança.
As suas “madrastas mães” cujo grande e simultâneo afeto por Florbela é retribuído? No inicio de As Máscaras do Destino, dedicatória a Apeles, o seu Morto, para quem mais uma vez palavras de exaltação e dor, que complementa em O Aviador, visão mítica da morte do irmão amado.
Ao longo dos contos encontram-se frases de grande beleza e força. As expressões de desejo, carregadas de erotismo, atribuídas à personagem do segundo dos referidos contos – que, de algum modo, exprimem as suas contradições na transição para a libertação da mulher. Não podemos porém deixar de os considerar por vezes carecendo de uma certa densidade.
Um excessivo uso de palavras e imagens, que pouco ou nada acrescentam ao que pretende sugerir, contribui para uma menos conseguida “análise profunda dos sentimentos e paixões”, observa Y. Centeno. E, como nota a mesma escritora, quase permanente é a qualificação das mulheres em puras e impuras, em excelentes e megeras. As suas cartas, sem a pretensão da criação literária, e talvez por isso, a par da informação factual, apresentam uma visão muito menos enfeitada e artificiosa da sua vivência. Permitem conhecê-la melhor e exprimem estados de alma mais próximos duma humanidade real do que a sua prosa formal e, até, alguns dos seus momentos poéticos.
Sobressaem as que envia à sua amiga Júlia Alves, com quem nunca se encontrará, com quem troca impressões sobre os mais variados assuntos e a quem expõe a sua alma à medida que o relacionamento vai progredindo. Numa delas dirá: “preciso tanto de ser embalada devagarinho… suavemente… como uma criança pequenina, sonhando de olhos fechados, num regaço carinhoso e quente!…” O que talvez ajude a compreender a sua vida e a sua morte.
Numa outra, já após o primeiro casamento, afirma – e isto é por ela redito e contradito: “uma das coisas melhores da nossa vida… é o amor, o grande e discutido amor… ” acrescentando umas linhas a seguir que “no entanto, o casamento é brutal, como a posse é sempre brutal…”
Escreve à sua amiga com frequência que não deixa de surpreender. Em dias seguidos. Num mesmo dia três missivas distintas. Na que se presume ser a última, um pouco menos de um ano depois da primeira, e já sem o calor que se pressente nas anteriores, agradece dizendo que não esquece o ter-se sentido compreendida e estimada Em correspondência dirigida a outras personalidades mostra-se triste pois não vê facilitado o caminho para a publicação dos seus livros.
A Raul Proença deixa claro o seu desânimo com o que este pensa dos seus versos, juntando outros sonetos perguntando se desses gosta. O escritor virá a proporcionar-lhe a publicação (Livro de Mágoas).Traduzirá dois livros (e possivelmente outros), um de Pierre Benoit, Mademoiselle de la Ferté, que constitui leitura obrigatória dos adolescentes da década seguinte à sua morte, e Dois Noivados de Clambol, editados pela Liv. Civilização, do Porto. Assina as traduções como Florbela Espanca Lage. Antes, em várias circunstâncias, usara Florbela Moutinho, apelido do primeiro marido.

           O FIM

             No último ano de vida elabora um Diário, onde deixará anotações até escassos dias antes do trágico fim. Prefácio a esse fim. Logo no início explica não ter qualquer objetivo ao escrevê-lo.
Pouco depois do começo espera que “quando morrer é possível que alguém” ao lê-lo “se debruce com um pouco de piedade, um pouco de compreensão,” sobre o que foi ou julgou ser. “E realize o que eu não pude: conhecer-me”.
Define-se “honesta sem preconceitos, amorosa sem luxúria, casta sem formalidades, reta sem princípios, e sempre viva”, o que encaminha para algumas das questões que se põem.
Depois de recordar os nomes de companheiros e mostrar uma vez mais o amor pelo irmão, Apeles, aviador, cujo desaparecimento em desastre do seu avião a faz sentir mais só. Diz não compreender o medo que a morte causa à jovem autora de um Diário de que reproduz algumas frases.
Examina-se diante do espelho e dizendo-se “grosseira e feia, grotesca e miserável” põe em dúvida se saberia fazer versos. Colocando-nos uma vez mais em face das contradições que a atormentam permanentemente e que exprime numa outra frase: “Viver é não saber que se vive”.
À medida que caminha para o final as anotações são cada vez mais raras e curtas. Afirma que as cartas de amor que escreveu resultavam apenas da sua necessidade de fazer frases. E em oposição frontal com o dito páginas atrás escreve “se os outros não me conhecem, eu conheço-me”.
Poucos dias antes de morrer interroga-se “que importa o que está para além?” Responde, repetindo o que diz no soneto A um moribundo: seja o que for será melhor que o mundo e que a vida.
A morte anunciada ao longo da sua escrita ocorrerá pouco depois. Põe fim à vida em 8 de dezembro de 1930, dia em que faz trinta e seis anos, em Matosinhos, onde vive. Aí é enterrada sendo mais tarde trasladada para a sua terra natal.Com Florbela morre, não talvez a maior poetisa do seu tempo, mas uma das que mais agudamente e sem temor exprimiu as grandes contradições da sensibilidade feminina nas suas paixões. Ao mesmo tempo, com uma certa ingenuidade, impregnada das verdades simples ou complexas do que é a mulher, na convergência da cultura e do ser
.Que conduz Florbela para a morte?
Fernanda de Castro, em escrito citado por Carlos Sombrio, sintetiza a resposta: “Porque nunca soube pôr de acordo o seu corpo, o seu espírito e a sua alma”. Do acontecimento os jornais quase não dão notícia. Fá-lo-ão a partir daí. Postumamente são publicadas, por iniciativa do professor Guido Batelli, como atrás se diz, os dois livros de poemas Charneca em Flor e Reliquiae, duas coletâneas de contos, Dominó Negro e Máscara do Destino e uma outra de poesia, Juvenilia. Começo de uma sucessão de reedições que no caso da poesia alcança já, em alguns casos, a ordem das três dezenas, ou mais, se recordarmos a dispersão editorial. E alem das de Guido Batelli, algumas traduções, não apenas para italiano. 
Texto REVISTO EM 2011 para o Acordo Ortográfico de 1990

a favela – origem do nome

Interessante esse breve histórico sobre o porquê do nome ‘favela’…


 
Favela com o Cristo Redentor ao fundo

Você já parou para pensar qual o motivo de chamarmos os bairros pobres e sem infraestrutura de “FAVELAS”?
Eu sempre achei que fosse um nome indígena ou qualquer coisa assim, mas a história é bem mais interessante que isto.
O origem do nome “FAVELA” remete a um fato marcante ocorrido no Brasil na passagem do século XIX para o século XX: a Guerra de Canudos. Na Caatinga nordestina, é muito comum uma planta espinhenta e extremamente resistente chamada “FAVELA”
Produz óleo comestível e combustível
 
 
Entre 1896 e 1897, liderados por Antônio Conselheiro, milhares de sertanejos cansados da humilhação e dificuldades de sobrevivência num Nordeste tomado de latifúndios improdutivos e secas, criam a cidadela de Canudos, no interior da Bahia, revoltando-se contra a situação calamitosa em que viviam. 
Mapa da Região de Canudos – Bahia
Em Canudos, muitos sertanejos se instalaram nos arredores do “MORRO DA FAVELA”, batizado em homenagem a esta planta.
Estátua de Antonio Conselheiro olha pela Nova Canudos.
 A cidade original foi alagada para a construção de um Açude
Morro da Favela em dois momentos: Guerra de Canudos (esquerda) e atualmente (Direita)
 
Com medo de que a revolta minasse as bases da República recém instaurada, foi realizado um verdadeiro massacre em Canudos, com milhares de mortes, torturas e estupros em massa , num dos mais negros episódios da história militar brasileira, feito com maciço apoio popular.
Quando os soldados republicanos voltaram ao Rio de Janeiro, deixaram de receber seus soldos, e por falta de condições de vida mais digna, instalaram-se em casas de madeira sem nenhuma infraestrutura em  morros da cidade (o primeiro local foi o atual “Morro da Providência”), ao qual passaram a chamar de “FAVELA”, relembrando as péssimas condições que encontraram em Canudos.
Morro da Providência em foto antiga. Onde tudo começou…
Morro da Providência atualmente

Este tipo de sub-moradia já era utilizado a alguns anos pelos escravos libertos, que sem condições financeiras de viver nas cidades, passaram também a habitar as encostas. O termo pegou e todos estes agrupamentos passaram a chamar-se FAVELAS.
Mas existem vários “MITOS” sobre as Favelas que precisam ser avaliados…

01 – Costumamos achar que as maiores Favelas do mundo encontram-se no Brasil, mas é um engano. Nenhuma comunidade brasileira aparece entre as 30 maiores do Mundo. México, Colômbia , Peru e Venezuela lideram o Ranking, em mais um triste recorde para a América Latina.
 

 


 
Vista aérea da Favela de NEZA, nas proximidades da Cidade do México.
A Maior do Mundo, com mais de 2,5 milhões de Habitantes
02 – Outro engano comum é achar que as Favelas são um fenômeno “terceiro-mundista”, restrito a países subdesenvolvidos ou emergentes. Apesar de em quantidade bem menor, países desenvolvidos como Espanha também tem suas Favelas, chamadas por lá de “Chabolas”.
 
 
Chabolas madrileñas, as favelas espanholas
03 – E um terceiro mito é o de que as Favelas apenas aumentam, não importa o que o governo faça…A especulação imobiliária e planos governamentais já acabaram com algumas favelas, mesmo no Rio de Janeiro . O caso mais famoso é o da Favela da Catacumba, ao lado da Lagoa Rodrigo de Freitas, que foi extinta em 1970. A Favela do Pinto também é um outro exemplo…
 
 
Favela da Catacumba na Década de 60. Hoje, parque e prédios de luxo
Dizia-se que no local existiu um Cemitério Indígena.

                            ORIGEM DOS NOMES DE ALGUMAS FAVELAS DO RJ
 
 
Vista do Morro da Babilônia com Corcovado ao fundo
 
Babilônia
A vegetação exuberante e a vista privilegiada de Copacabana levou os moradores a compararem o local com os “Jardins Suspensos da Babilônia”.

Rocinha
Rocinha
Nos anos 30, após a crise da Bolsa de 1929 que levou vários produtores de café à bancarrota, o terreno da Fazenda Quebra-Cangalha foi invadido e dividido em pequenas chácaras, que vendiam sua produção na Praça Santos Dumont, responsável pelo abastecimento de toda a Zona Sul da cidade. Quando os clientes perguntavam de onde vinham os legumes, diziam: “-É de uma tal Rocinha lá no Alto da Gávea”

 
Morro da Mangueira
Mangueira
Nos anos 40, na entrada da trilha de subida do Morro, que na época ainda era coberto pela mata, foi colocada uma placa que dizia: “Em breve neste local, Fábrica de Chápeus Mangueira”. A fábrica nunca foi construída, mas a placa permaneceu, batizando uma das mais emblemáticas comunidades cariocas.

Morro do Vidigal
Vidigal
Em homenagem ao dono original do terreno onde hoje se localiza a Favela, o Major Miguel Nunes Vidigal, figura muito influente durante o Império

                                                                         

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Timor-Leste aposta em futuro promissor para o português

Lusofonia

Timor-Leste aposta em futuro promissor para o português, diz Xanana Gusmão

Em entrevista à Rádio ONU, Xanana Gusmão argumentou que 'o idioma
ajudou a afirmar' a jovem nação do sudeste da Ásia, após a
independência da Indonésia em 2002, e deve crescer com as novas
gerações.

Da Redação
Nova York - O futuro da língua portuguesa no Timor-Leste é promissor,
na opinião do primeiro-ministro do país, Xanana Gusmão. A oitava nação
a adotar o português, o Timor-Leste, no sudeste da Ásia, também tem o
tétum como outra língua oficial do país.

Em entrevista à Rádio ONU, em Nova York, Xanana Gusmão disse que a
língua portuguesa ajudou o Timor a se afirmar como nação, logo após a
sua independência da Indonésia, em 2002.

"O português parece-me mais como um instrumento de identidade. Somos
diferentes pela história e pela cultura e aí é que nós nos apegamos.
Somos Timor-Leste por causa da presença portuguesa, que nos deu uma
identidade e o direito de sermos um povo", disse.

O primeiro-ministro reconheceu que o ensino da língua para a geração
jovem, que fala principalmente indonésio e tétum, ainda é um desafio.
Mas ele contou que o governo tem investido no ensino do idioma a longo
prazo.

Xanana Gusmão disse ainda que metade da população timorense tem menos
de 15 anos, e que as próximas gerações já deverão falar português com
mais facilidade.


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