A HERANÇA DA LÍNGUA PORTUGUESA NO ORIENTE

A HERANÇA DA LÍNGUA PORTUGUESA NO ORIENTE ÁSIA PORTUGUÊSA

A HERANÇA DA LÍNGUA PORTUGUESA NO ORIENTE ÁSIA PORTUGUÊSA


ÁSIA PORTUGUÊSA

Escrito por Marco Ramerini

Tradução feita por Márcia Siqueira de Carvalho

A língua portuguesa foi, nos séculos XVI, XVII e XVII , a língua dos negócios nas costas do Oceanos Índico, em função da expansão colonial e comercial portuguesa. O português foi usado, naquela época, não somente nas cidades asiáticas conquistadas pelos portugueses, mas também por muitos governantes locais nos seus contatos com outros estrangeiros poderosos (holandeses, ingleses, dinamarqueses, etc).

No Ceilão, por exemplo, o português foi usado para todos os contatos entre os europeus e a população nativa; vários reis do Ceilão falavam fluentemente esta língua e nomes portugueses eram comuns na nobreza. Quando os holandeses ocuparam a costa do Ceilão, principalmente sob as ordens de Van Goens, eles tomaram medidas para parar o uso da língua portuguesa. Porém, ele estava tão entranhado entre os habitantes do Ceilão que até mesmo as famílias dos burgueses holandeses começaram a usar a língua portuguesa. Em 1704, o governador Cornelius Jan Simonsz falava que : “se você fala português no Ceilão, você é entendido em todo lugar”. Também na cidade de Batávia, capital da Holanda Oriental (atual Jakarta), o português foi a língua falada nos séculos XVII e XVIII.

As missões religiosas contribuíram para esta grande expansão da língua portuguesa. Isto porque desde que as comunidades se convertiam ao catolicismo, elas adotavam o português como língua materna. Também as missões protestantes (holandeses, dinamarqueses, ingleses …) que trabalharam na Índia foram forçados a usar o português como a língua de evangelização.

A língua portuguesa também influenciou várias línguas orientais. Muitas palavras portuguesas foram incorporadas por vários idiomas orientais, como as da Índia, do suaili, malaio, indonésio, bengali, japonês, os várias do Ceilão, o tetum de Timor, africâner da África do Sul, etc. Além disso, onde a presença portuguesa era preponderante ou mais duradoura, cresceram as comunidades de “casados” e “mestiços” que adotaram uma variedade de língua mãe: uma espécie de Creoule português.

O que restou hoje é muito pouco. Entretanto é interessante notar que, neste sentido, existem pequenas comunidades de pessoas espalhadas por toda a Ásia que continuam a usar o “creoule” português, embora não tenham mais contatos com Portugal, em alguns casos, durante séculos. Outro aspecto interessante é que durante o período mais importante da presença portuguesa na Ásia, não havia mais do que 12.000 a 14.000 portugueses, incluindo os religiosos.

AS COMUNIDADES QUE FALAM PORTUGUÊS ATUALMENTE:

Malacca, Malásia: (Portuguese Settlement, Praya Lane, Bandara Hilir). Cerca de 1000 pessoas falam esta espécie de “creole” (Papia Kristang). Cerca de 80 % dos antigos habitantes da colonia portuguesa em Malacca falam Kristang, que também é falado atualmente em Singapora e Kuala Lumpur. Kristang é muito parecido com o malaio local na sua estrutura gramatical, mas 95% do seu vocabulário deriva do português. Não muito tempo tempo atrás o português também era falado em Pulau Tikus (Penang) mas agora é considerado extinto. A comunidade eurasiana tem 12.000 membros na Peninsula Malaia. Activo é MPEA (Malacca Portuguese Eurasian Association) e SPEMA (Secretariat of the Portuguese/Eurasian Malaysian Associations) com 7 associações dos seus membros em Alor Star, Penang, Perak, Malacca (MPEA), Kuala Lumpur, Seremban e Johor Baru. Ha também em Singapura uma associaçao Eurasiatica. Malaca se separou do domínio português em 1641.

Korlai, Índia: (perto de Chaul). Cerca de 900 pessoas falam o creole português e esta comunidade tem a sua igreja chamada: “Igreja de Nossa Senhora do Monte Carmelo” Chaul se separou do domínio português em 1740.

Damão, Índia: (Damão Grande ou Praça, Campo dos Remédios, Jumprim, Damão da Cima). Cerca de 2000 pessoas falam esta espécie de Creole Português. Damão se separou do domínio português em Dezembro de 1961.

Ceilão (Sri Lanka): [Burgueses Portugueses em Batticaloa (Koolavaddy, Mamangam, Uppodai, Dutch Bar, Akkaraipattu); Trincomalee (Palayuttu); comunidades Kaffir de Mannar e Puttalam ]. Atualmente é apenas usado entre as 250 famílias em suas casas em Batticaloa até 1984. Muitos emigraram para a Austrália. Ainda há 100 famílias em Batticaloa e Trincomalee e cerca de 80 famílias Afro-Sinhalese (Kaffir) em Puttalam. Quase extinta. Em Batticaloa existe o Clube de Recreio”Shamrock” or “Batticaloa Catholic Burgher Union”. Ha uma pequena comunidade de descendentes portugues na aldeia de WahaKotte (circa 7°42’N. – 80°36’E) (Centro do Sri Lanka, seis quilometros de Galewala estrada entre Galewala e Matale), eles são Catolicos Romanos, mas são acerca de dois geracão que Creole Português não é falado. Ceilão se separou do domínio português em 1658.

Macau: Cerca de 2.000 pessoas fala o português como sua primeira língua, e perto de 11.500 como sua segunda língua. Apenas poucas mulheres idosas falam o Macauense um Creole Macau-Português. O “Instituto Cultural de Macau” e a “Fundação do Oriente” estão funcionando. Existe também um canal de TV e vários jornais voltados inteiramente para o português. Macau em 20 de Dezembro de 1999 voltou a fazer parte da China.

Hong Kong: Centenas de pessoas falam o MACAUENSE. Quase todas são emigrantes de Macau. Nunca foi colonia portuguesa.

Goa, Índia: O idioma português está desaparecendo rapidamente de Goa. Atualmente ele é falado por um pequeno setor das famílias mais abastadas e apenas 3 a 5 % da populaçãio continua falando-o (estima-se de 30.000 a 50.000 pessoas). Atualmente 35% da população de Goa são imigraantes de outros estados indianos. Nas escolas da Índia ele é ensinado como a terceira língua (não obrigatória). Existe um departamento de Português na Universidade de Goa, mas a “Fundação do Oriente” e a Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa ainda estão em funcionamento. O último jornal em língua protuguesa foi publicado na década de 80. Em Panaji muitos cartazes em português ainda são visíveis em lojas, edifícios públicos, etc. Goa se separou do domínio português em Dezembro de 1961.

Diu, Índia: Aqui o idioma creole protuguês está quase extinto. Diu se separou do domínio português em Dezembro de 1961.

Timor Leste: Os que falavam o português em 1950 não ultrapassavam a 10.000 pessoas e em 1974 apenas 10% a 20% da população. Em 1975: O Timor Leste tinha 700 000 habitantes dos quais : 35 a 70 000 sabiam ler e escrever em português e 100 a 140 000 podiam falar e entender esta língua. Até1981, o português foi a língua da Igreja de Timor, quando foi substituído pelo Tetum. Entretanto ele é comumente usado como idioma de negócios na cidade de Dili. O português permaneceu como a língua da resistência anti-Indonésia e de comunicação externa da Igreja Católica. O português criole de Timor (Português de Bidau) hoje está praticamente extinto. Ele é falado próximo a Dili, Lifau e Bidau. Indonesia invadiu o Timor Leste em 1975. Entretanto, nenhuma nação reconheceu esta anexação militar. Timor Leste tornou-se um estado independente, 20 de maio de 2002. A lingua oficial de Timor-Leste está o português.

Flores, Indonésia: (Larantuka, Sikka) Aqui o português sobrevive nas tradições religiosas e na comunidadeTopasses (os descendentes dos homens portugueses com as mulheres nativas) utilizam-no nas suas preces. Aos sábados, as mulheres de Larantuka rezam o rosário numa forma corrompida de português. Na área de Sikka, no Leste de Flores, muitas pessoas são descendentes de portugueses e ainda (???) usam esta língua. Existe uma Confraria chamada de “Reinja Rosari”. Portugal retirou-se em 1859.

ATÉ POUCOS ANOS ATRÁS, COMUNIDADES QUE FALAVAM O PORTUGUÊS EXISTIAM EM:

Ceilão (Sri Lanka): (O Creole Português era falado pela comunidade burguesa holandesa ) Até o início do século XX, o creole português era falado pelos membros desta comunidade. Até depois da Segunda Guerra Mundial, os católicos do Sri Lanka, em Colombo se reuniam nas missas faladas em português (como a igreja de Santo Antônio, em Dematagoda). Após a segunda metade deste século, parte destes católicos tão antigos começaram a freqüentar missas em grupos cada vez menores nas igrejas católicas na cidade (Dematagoda, Hulftsdorp, Kotahena, Kotte, Nugegoda e Wellawatte). Embora era uma língua falada, o português estáva perdendo rapidamente a sua importância original nos serviços religiosos nas igrejas católicas (sendo substituído pelo inglês mais moderno e mais procurado).

Jakarta-Batavia-Tugu, Indonésia: (um subúrbio de Jakarta). Aqui, até o início do século XX uma espécie de português corrompido ainda era falado pela população cristã em Tugu. O último habitante que falava creole morreu em 1978. Nunca esteve sob domínio de Portugal.

Cochim, Índia: (Vypeen). Desapareceu nos últimos 20 anos. A comunidade portuguesa/hindu (2.000 pessoas) frequenta a velha igeja de Nossa Senhora da Esperança. Portugal retirou-se de Cochim em 1663.

Bombaim or do Norte, Índia: (Baçaim, Salsette, Thana, Chevai, Mahim, Tecelaria, Dadar, Parel, Cavel, Bandora-Badra, Govai, Morol, Andheri, Versova, Malvan, Manori, Mazagão) Em 1906, este Creole foi, depois do Ceilão, o dialeto indo-português mais importante. Em1906 ainda existia perto de 5.000 pessoas que falavam o Creole Português como,língua materna, e 2.000 estavam em Bombaim e Mahim, 1.000 estavam em Bandora, 500 em Thana, 100 em Curla, 50 em Baçaim e 1.000 em outras vilas. Não existia, naquela época, escolas em creole-português e as classes mais ricas substituiram-no pelo inglês. (Costa, Dalgado).

Coromandel, Índia: (Meliapore, Madras, Tuticorin, Cuddalore, Karikal, Pondicherry, Tranquebar, Manapar, Negapatam…..) Na costa de Coromandel, os descendentes dos portugueses são geralmente conhecidos como “Topasses”, eram católicos e falavam o creole português. Com a chegada do domínio inglês na Índia, eles começaram a falar a língua inglesa em lugar do português e também alglicizaram seus nomes. Atualmente fazem parte da comunidade aurasiana. Em Negapatam, em 1883, ainda existiam 20 famílias que falavam o indo-português. (Schuchardt, Dalgado)

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PORTUGUÊS MEDIEVAL OU GALEGO PORTUGUÊS?

 
 
 
 
 
 
 
 Língua- galego-português ou português medieval?
Vaiamos, irmãa, vaiamos dormir
(en) nas ribas do lago, u eu andar vi
a las aves meu amigo.

Vaiamos, irmãa, vaiamos folgar
(en) nas ribas do lago, u eu vi andar
a las aves meu amigo.

En nas ribas do lago, u eu andar vi,
seu arco na mãao as aves ferir,
a las aves meu amigo.

En nas ribas do lago, u eu vi andar,
Seu arco na mãao as aves tirar,
a las aves meu amigo.

Seu arco na mãao as aves ferir,
a las que cantavam leixa-las guarir,
a las aves meu amigo.

Seu arco na mãao as aves tirar,
a las que cantavam non nas quer matar,
a las aves meu amigo.

O MEU ESPAÇO DE REFLEXÃO E PARTILHA. PARA MIM, PARA TODOS QUANTOS NELE SE QUISEREM ENCONTRAR…

O aluno brasileiro que aprender esta cantiga e outras poucas nas aulas de literatura não terá dificuldade em identificar a passagem abaixo, tirada d’A demanda do Santo Graal, como galego-português, por mais que ele aprenda em outro lugar (como no painel cronológico do Museu da Língua Portuguesa) que se trata de um texto escrito “português medieval”.

Entom se saio Lançarot do paaço e sobio em seu cavallo e a dozella em seu palafrem. E forom com a donzella dous cavalleiros e duas donzellas. E quando ella tornou a elles, disse-lhes: “Sabede que adubei-o, porque v[e]m dom Lançarot do Lago sem ir comnosco”. Entom se filharom [a] andar e entrarom na foresta;e nom andarom muito por ella, que chegarom a [a]casa do ermitam que saia a falar com Gallaaz. E quando el vio Lançarot ir e a donzella, logo soube que ia para fazer Gallaaz cavalleiro e leixou sua irmida por ir ao mosteiro das donas. Ca nom queria que se fosse Gallaaz ante que o el visse.; ca bem sabia que pois se ele partia dali que nom tornaria i, ca lhe convenria, tanto que fosse cavalleiro, entrar aas venturas do regno de Logres. E por esto lhe semelhava, que o avaia perdudo e que nom veeria a meude e temia. Ca avai em elle mui grande sabor, porque era santa cousa e santa creatura.

Mensagem de  Marcelo Pereira, S.Paulo Brasil, no Fórum  http://www.pglingua.org/foros/viewtopic.php?f=1&t=716&start=30

 

JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS E A LÍNGUA PORTUGUESA

Língua e poder

Fronteiras Perdidas
José Eduardo Agualusa
PUBLICO – 24.9.06

Foi apenas um breve parágrafo num longo (e raro) discurso sobre política cultural – mas creio que ficará na História. É uma pena que em Portugal ninguém tenha reparado nele. Refiro-me ao texto que o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, leu no passado dia 11 de Setembro, em Luanda, na abertura do 3° Simpósio sobre Cultura Nacional.

Cito: “Devemos ter a coragem de assumir que a Língua Portuguesa, adoptada desde a nossa Independência como língua oficial do país e que já é hoje a língua materna de mais de um terço dos cidadãos angolanos, se afirma tendencialmente como uma língua de dimensão nacional em Angola. Isso não significa de maneira nenhuma, bem pelo contrário, que nos devemos alhear da preservação e constante valorização das diferentes Línguas Africanas de Angola, até aqui designadas de “línguas nacionais”, talvez indevidamente, pois quase nunca ultrapassam o âmbito regional e muitas vezes se estendem para além das nossas fronteiras”.
Mesmo de forma tímida – aquele assustado “tendencialmente” – o facto é que, pela primeira vez, um dirigente angolano reconheceu o carácter nacional da variante angolana da língua portuguesa; foi mesmo além, ao sugerir que o português deveria ser reconhecido como a única língua verdadeiramente nacional de Angola.
O tema, diga-se, é espinhoso. Em privado, muitos altos dirigentes angolanos, assim como um grande número de intelectuais próximos do poder, vêm, há anos, a defender posições semelhantes. Nunca, porém, se atreveram a publicitar tais opiniões. Após o discurso de José Eduardo dos Santos será interessante saber como reagirá a corrente conservadora, de matriz rural, no seio do seu próprio partido.
Quanto à oposição, não me parece difícil adivinhar as reacções: há anos que os pequenos partidos do norte, tradicionalmente antilusófonos, se esforçam por apresentar José Eduardo dos Santos como um falso africano. No principal partido da oposição, também ele conservador, largamente antilusófono e de matriz rural, a linguagem pode ser (e, infelizmente, nem sempre é) um pouco mais sofisticada, mas, em substância, pouco difere.
Não obstante todas estas eventuais vozes contrárias, José Eduardo dos Santos rema claramente a favor da História. Não é crível que quem quer que seja consiga travar a extraordinária expansão da língua
portuguesa em Angola. Falada por uma pequena minoria de angolanos, enquanto idioma materna, antes da independência, o português enraizou-se depois disso, sendo hoje dominante na capital, cidade com mais de três milhões de habitantes, bem como nas principais urbes do país.
Não ocorreu no continente africano, tanto quanto sei, nada semelhante: uma língua europeia, instrumento de dominação colonial, que se fez africana. O bom domínio do português revela-se cada vez
mais importante para a ascensão política e social. Seria interessante, a propósito, comparar a qualidade do português no discurso dos políticos, hoje e há trinta anos. Apesar da extrema fragilidade do sistema de ensino, a qualidade do português falado em Angola melhorou consideravelmente, desde a independência, inclusive nos meios rurais.
O sucesso da língua portuguesa pode ser medido por um divertido paradoxo: é em português que o português é atacado. Mais: mesmo quem se opõe ao português esforça-se por o falar com elegância, sob pena de ser humilhado na praça pública.
Como recorda o linguista brasileiro Marcos Bagno num interessantíssimo ensaio, “A Norma Oculta – Língua & Poder na Sociedade Brasileira” (Parábola Editorial, 2003), “o último baluarte da discriminação social explícita continuará a ser o uso que uma pessoa faz da língua”. Bagno, curiosamente, escreveu o referido ensaio com o objectivo “de desvendar o jogo ideológico por trás da defesa de um conjunto padronizado de regras linguísticas”. Traduza-se: o linguista pretendeu socorrer o presidente Lula da Silva, atacado por uma boa parte da intelectualidade brasileira, que o acusa de não dominar o idioma português.
É uma outra discussão – e é a mesma. Lula representa, afinal, o triunfo desse mesmo mundo rural que, em Angola, perdeu a guerra e o poder.
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NOTA: Isto é mais uma achega para se aferir que a “colonização” portuguesa foi diferente da praticada pelos outros países, não estando a fazer juízos de valor.
Fernando Gil
MACUA DE MOÇAMBIQUE
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2006/09/lngua_e_poder.html

da Presidenta do Brasil a lendas de África…

 

Excelente lição da língua portuguesa 
Francisco S. Leitão

 
o novo acordo não o previa ….
mas com a língua de Camões, não se brinca
   Com a palavra os professores de língua portuguesa: Antonio Oirmes Ferrari, Maria Helena e Rita Pascale
   

       Presidenta ??? Vale a pena ler pela aula de português …
 
Queridos Amigos,
  
Tenho notado, assim como aqueles mais atentos também devem tê-lo feito, que a candidata Dilma Roussef e seus sequazes, pretendem que ela venha a ser a primeira presidenta do Brasil, tal como atesta toda a propaganda política veiculada pelo PT na mídia.
 
 Presidenta???
 
 Mas, afinal, que palavra é essa totalmente inexistente em nossa língua?
 
 Bem, vejamos:
 
 No português existem os particípios ativos como derivativos
 verbais.Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de   pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante…
 
 Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser
 é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
 
 Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
 
 Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”,
 independentemente do sexo que tenha. Se diz capela ardente,e não capela “ardenta”; se diz estudante, e não “estudanta”; se diz
adolescente, e não “adolescenta”; se diz paciente, e não “pacienta”.
 
 Um bom exemplo seria:
 
 “A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco
 pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada
 representanta.

 Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois
 esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não
 tem o direito de violentar o pobre português, só

para ficar contenta.”
da lista [dialogos_lusofonos] HISTÓRIAS DE MAMA ÁFRICA – OS GÊMEOS QUE FIZERAM A MORTE DANÇAR
 
HISTÓRIAS DE MAMA ÁFRICA – OS GÊMEOS QUE FIZERAM A MORTE DANÇAR
OS GÊMEOS QUE FIZERAM A MORTE DANÇAR
Na velha aldeia de Ifá tudo transcorria normalmente. Todos faziam seu trabalho, as lavouras davam seus bons frutos, os animais procriavam, crianças nasciam fortes e saudáveis.  
Mas um dia, a Morte resolveu concentrar ali sua colheita. Aí tudo começou a dar errado. As lavouras ficaram inférteis, as fontes e correntes de água secaram, o gado e tudo o que era bicho de criação definharam.
Já não havia o que comer e beber. No desespero da difícil sobrevivência, as pessoas se agrediam umas às outras, ninguém se entendia, tudo virava uma guerra. As pessoas começaram a morrer aos montes.
Instalada ali no povoado, a Morte vivia rondando todos, especialmente aspessoas fracas, velhas e doentes. A Morte roubava essas pessoas e as levava para o outro mundo, longe da família e dos amigos.
A Morte tirava a vida delas. Na aldeia morria-se de todas as causas possíveis: de doença, de velhice, e até mesmo ao nascer. Morria-se afogado, envenenado, enfeitiçado. Morria-se por causa de acidentes, maus-tratos e violência. Morria-se de  fome, principalmente de fome. Mas também de tristeza, de saudade e até de amor.
A Morte estava fazendo o seu grande banquete. Havia luto em todas as casas. Todas as famílias choravam seus mortos.  
O rei mandou muitos emissários falar com a malvada, mas a Morte sempre respondia que não fazia acordos. Que ia destruir um por um, sem piedade. Se alguém fosse forte o suficiente para enfrentá-la, que tentasse, mas seu fim seria ainda muito mais sofrido e penoso. Ela mandou dizer ao rei, por fim:
“Para não dizerem que sou muito rabugenta, até concordo em dar uma chance à  aldeia.”
E ria e escarrava ao mesmo tempo, dizendo:
“Basta que uma pessoa me obrigue a fazer o que não quero. Se alguém aqui me fizer agir contra a minha vontade, eu irei embora.”
Depois, cuspindo nos seus interlocutores, completou:
“Mas só vou dar essa oportunidade a uma única pessoa. Não vou dar nem a
duas, nem a três.”
E foi-se embora dali, saboreando antecipadamente mais uma vitória.  
Mas quem se atreveria a enfrentar a Morte? Quem, se os mais bravos guerreiros estavam mortos ou ardiam de febre em suas últimas horas de vida? Quem, se os  mais astutos diplomatas havia muito tinham partido?
Foi então que dois meninos, os Ibejis, os irmãos gêmeos Taió e Caiandê, que os fofoqueiros da cidade diziam ser filhos de Ifá, resolveram pregar uma peça na horrenda criatura.
Antes que toda a aldeia fosse completamente dizimada, eles resolveram dar umbasta aos ataques da Morte. Decidiram os Ibejis:
“Vamos dar um chega-pra-lá nessa fedorenta figura.” 
Os meninos pegaram o tambor mágico, que tocavam como ninguém, e saíram à procura da Morte. Não foi difícil achá-la numa estrada próxima, por onde ela perambulava em busca de mais vítimas. Sua presença era anunciada, do alto, por  um bando de urubus que sobrevoavam a incrível peçonhenta. E o cheiro, ah, o cheiro! A fedentina que a Morte produzia à sua volta faria vomitar até uma estatueta de madeira.
Os meninos se esconderam numa moita e, tapando o nariz com um lenço, esperaram que ela se aproximasse. Não tardou e a Morte foi chegando.
Os irmãos tremeram da cabeça aos pés. Ainda escondidos na moita, só de olhar para ela sentiram como os pêlos dos seus braços se arrepiavam.
A pele era branca, fria e escamosa; o cabelo, sem cor, desgrenhado e quebradiço. Sua boca sem dentes expelia uma baba esbranquiçada e purulenta. Seu hálito era de um fedor tremendo. Mas podia-se dizer que a Morte estava feliz e contente.
Ela estava até cantando! Pudera, tendo ceifado tantas vidas e tendo tantas outras para extinguir. Mas o canto da Morte era tão cavernoso e desafinado que os passarinhos que ainda sobreviviam silenciavam como se fossem mudos brinquedos de pedra.
O canto da Morte, se é que podemos chamar aquele ruído de canto, era tão desconfortável e medonho que os cachorros esqueléticos uivavam feito loucos e os gatos magrelos bufavam e se arrepiavam todos.  
Nesse momento, numa curva do caminho, enquanto um dos irmão ficava escondido, o outro saltou do mato para a estrada, a poucos passos da Morte.
Saltou com seu tambor mágico, que tocava sem cessar, com muito ritmo. Tocava com toda a sua arte, todo o seu vigor. Tocava com determinação e alegria. Tocava bem como nunca tinha tocado antes. A Morte se encantou com  o ritmo do  menino que, com seu passo trôpego, ensaiou um dança sem graça.
E lá foi ela, alegre como  ninguém, dançando atrás do menino e de seu tambor, ele na frente, ela atrás. 
O espetáculo era grotesco, a dança da Morte era, no mínimo, patética. Nem vou contar como foi a cena: cada um que imagine por conta própria. E é bem fácil imaginar.
Bem; lá ia o menino tocador e atrás ia a Morte.
Passou-se uma hora, passou-se outra e mais outra. O menino não fazia nenhuma pausa e a Morte começou a se cansar. O sol já ia alto, os dois seguiam pela estrada afora, e o tambor sem parar, tá tá tatá tá tá tatá.
O dia deu lugar à noite e o tambor sem parar, tá tá tatá tá tá tatá. E assim ia a coisa, madrugada adentro. O menino tocava, a Morte dançava. O menino ia à frente, sempre ligeiro e folgazão.
A Morte seguia atrás, exausta, não agüentando mais. “Pára de tocar, menino,  vamos descansar um pouco”, ela disse mais de uma vez. Ele não parava.
“Pára essa porcaria de tambor, moleque, ou hás de me pagar com a vida”, ela ameaçou mais de uma vez. E ele não parava.
“Pára que eu não agüento mais”, ela implorava. E ele não parava.  
Taió e Caiandê eram gêmeos idênticos. Ninguém sabia diferenciar um do outro, muito menos a Morte, que sempre foi cega e burra. Pois bem, o moleque que a Morte via tocando na estrada sem parar não era sempre o mesmo menino.
Uma hora tocava Taió, enquanto Caiandê seguia por dentro do mato. Outra hora, quando Taió estava cansado, Caiandê, aproveitando um curva da estrada, substituía o irmão no tambor.
Taió entrava no mato e acompanhava a dupla sem se deixar ver. No mato o Irmão que descansava podia fazer xixi, beber a água depositada nas folhas dos arbustos, enganar a fome comendo frutinhas silvestres.
Os gêmeos se revezavam e a música não parava nunca, não parava nem por um minuto sequer. Mas a Morte, coitada, não tinha substituto, não podia parar, nem  descansar, nem um minutinho só.
E o tambor sem cessar, tá tá tatá tá tá tatá. Ela já nem respirava:
“Pára, pára, menino maldito.”
Mas o menino não parava. E assim foi, por dias e dias. Até os urubus já tinham deixado de acompanhar a Morte, preferindo pousar na copa de umas árvores secas. E o tambor sem parar, tá tá tatá tá tá tatá, uma hora Taió, outra hora Caiandê. 
Por fim, não agüentando mais, a aparição gritou:
“Pára com esse tambor maldito e eu faço tudo o que me pedires.”
O menino virou-se para trás e disse:
“Pois então vá embora e deixe a minha aldeia em paz.”
“Aceito”, berrou a nauseabunda, vomitando na estrada.
O menino parou de tocar e ouviu a Morte dizer:
“Ah! que fracasso o meu. Ser vencida por um simples pirralho.” Então ela virou-se e foi embora. Foi para longe do povoado, mas foi se lastimado:
“Eu me odeio. Eu me odeio.”
Só as moscas acompanhavam a Morte, circundando sua cabeça descarnada.
Tocando e dançando, os gêmeos voltaram para a aldeia para dar a boa notícia. Foram recebidos de braços abertos. Todos queriam abraçá-los e beijá-los. Em pouco tempo a vida normal voltou a reinar no povoado, a saúde retornou às  casas e  a alegria reapareceu nas ruas.
Muitas homenagens foram feitas aos valentes Ibejis.  Mesmo depois de transcorrido certo tempo, sempre que Taió e Caiandê passavam  na direção do mercado, havia alguém que comentava:
“Olha os meninos gêmeos que nos salvaram.”
E mais alguém complementava:
“Que a lembrança de sua valentia nunca se apague de nossa memória.”
Ao que alguém acrescentava:
“Mas eles não são a cara do Adivinho?”
postado por E. M. Nações Unidas as 29.08.07

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>morreu o crioulo de cochim

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Poucas pessoas sabem da morte recente de uma língua em Cochim: Crioulo Português de Cochim. O pesquisador Dr. Hugo Canelas Cardoso lamenta a morte deste idioma. Tal como as pessoas, as línguas também morrem. Com a morte de William Rosário no passado mês de Agosto em Vypeen, morreu também o Crioulo Português de Cochim. Rosário foi o último orador fluente desta língua, resultado do contacto entre Malayalam, Português e, provavelmente, um grande número de línguas faladas pelas diferentes comunidades em Cochim antigo, que era uma mistura de muitas culturas e muitas línguas.
a_portugues3.jpg As línguas minoritárias estão a extinguir-se a uma taxa alarmante. Os linguistas acreditam que uma língua indígena desaparece a cada duas semanas. Portanto, o comprometimento com um idioma é uma preocupação séria, diz o Dr. Hugo Canelas Cardoso, pesquisador pós-doutorado no Centro de Investigação em Estudos Luso-Asiáticos do Departamento de Português da Universidade de Macau. Ele esteve recentemente envolvido na descrição e documentação dos crioulos Indo-Portugueses de Diu, como parte do seu doutoramento em Linguística Geral pela Universidade de Amesterdão. Durante uma das suas muitas visitas a Diu, Cardoso chegou a Cochim, onde contactou Rosário. Foi o início de uma amizade que se estendeu para além da linguagem.
Cardoso lembra o seu estimado amigo Rosário e lamenta a sua morte e a morte do Crioulo Português de Cochim, uma língua materna falada por muitas famílias desde há cinco séculos. Numa entrevista por email, da qual apresentamos alguns excertos, Cardoso partilha os seus pensamentos sobre as linguagens, o amigo Rosário e o impacto da sua morte.
Sobre William Rosário
William Rosário cresceu numa fazenda em Wayanad mas as origens da sua família são Cochim e Cananor, pelo que a sua língua materna era o crioulo. Ele disse-me que, na infância, esta era a única língua falada em sua casa e pelo resto da extensa família. Em 2007, enquanto eu estava em Diu, fiz uma curta viagem a Kerala. Na época, vários membros da comunidade Indo-Portuguesa em Fort Cochim disseram-me que Rosário era o último orador fluente do crioulo na área de Cochim, por isso eu visitei-o na sua casa em Vypeen. Era um homem extremamente generoso e afável, e ficou muito feliz por poder falar a sua língua-mãe de novo; a última vez que o praticou tinha sido com o seu amigo Paynter, falecido alguns anos antes. Fiquei extremamente sensibilizado com o calor com que era sempre recebido por Rosário e restante família. Na última vez que o visitei, no passado mês de Janeiro, Rosário concordou em passar algum tempo ensinando-me a língua.
Porque é que a língua não passou para os descendentes?
No caso específico da família de Rosário, pode ter tido a ver com o facto de que a sua esposa não a fala, mas penso que, naquela época, o uso do Crioulo Português de Cochim já estava em declínio. O processo de abandono da língua, a nível comunitário, deve ter começado há muito tempo. As línguas são centrais para a identidade de cada comunidade, mas só sobrevivem a longo prazo se houver domínios da vida quotidiana em que possam ser utilizadas: no trabalho, na educação, na religião, etc. Eu acredito que o uso do Crioulo Português de Cochim pela comunidade católica foi gradualmente invadido por outros idiomas, o que originou uma quebra na transmissão do crioulo de pais para filhos.
Sobre o Crioulo Português de Cochim
Quando o idioma Português chegou à Ásia, em fins do século XV, entrou em contacto com as línguas locais, dando origem a uma série de novas línguas, uma vez que pontilhavam a costa da Índia, Sri Lanka e outras paragens. Tais linguagens, nascidas do contacto intenso entre duas ou mais línguas, são o que os linguistas chamam de crioulos. Em Cochim, o caldo linguístico envolvia Malayalam, Português e, provavelmente, um grande número de outras línguas faladas por várias comunidades locais. Como esse foi o primeiro local onde o Português estabeleceu uma presença estável no Sul da Ásia, é geralmente aceite que o Crioulo Português de Cochim seja o mais antigo de todos os Crioulos Indo-Portugueses a ser formado. Sendo assim, terá certamente determinado, em certa medida, o desenvolvimento de outras variantes. Essa linguagem, desenvolvida paralelamente à formação de famílias católicas e Indo-Portuguesas, foi vital no momento em que os holandeses assumiram o controlo de Cochim, tendo prosperado sob a nova administração.
Características da linguagem
Em termos gerais, muitas das palavras do Crioulo de Cochim são de origem Portuguesa, mas a gramática é muito diferente e reflecte a influência do malaiala. Por exemplo, onde o Português (tal como o Inglês) tem preposições, o Crioulo de Cochim tem posposições, que aparecem depois do verbo. E há também uma forte tendência para colocar o verbo no final da frase, que é contrário à gramática de Português mas não à do malaiala. O sistema verbal funciona de maneira diferente, e há também diferenças marcantes na formação das palavras e até mesmo nos sons das duas línguas. Mesmo sendo localmente conhecido simplesmente como “Português” ou “Português de Cochim”, este crioulo é na realidade uma nova linguagem autónoma, que deve muito ao Português, como acontece com outras línguas da Índia. Este crioulo foi a língua de grande parte da população de Cochim durante cinco séculos. Era um monumento a um período crucial da história da cidade.
Será que a morte das línguas tornou-se frequente?
As línguas surgem e desapareceram ao longo da história, é um processo natural, mas há algo no mundo moderno que está a fazer com que as línguas morram a uma taxa sem precedentes. Portugal, uma vez que é o lar de imensa diversidade linguística, também tem sofrido alguns desses desaparecimentos. No início deste ano, por exemplo, a morte de uma mulher de 80 anos nas ilhas Andaman marcou o fim da linguagem Bo.
Torná-mo-nos insensíveis à história, ao património inestimável?
Eu não diria que nós nos tornámos totalmente insensíveis; na verdade, quando se passeia por Cochim encontram-se muitos casos exemplares de preservação do património. Mas eu sinto que nós não damos a mesma atenção a todos os tipos de património. As linguagens, bem como outros tipos de património cultural imaterial, são muitas vezes negligenciadas, em comparação com heranças construídas, por exemplo. Por outro lado, existe sempre o perigo da preservação selectiva com base em convicções políticas ou ideológicas. E assim, ouso dizer, tudo o que seja percebido como tendo alguma ligação com o colonialismo estará em desvantagem na Índia actual. No entanto, o país desperta para o problema da extinção das línguas, como se verifica em algumas iniciativas do governo para documentar as línguas indígenas, o que é muito positivo. Mas seria importante para o público e para as autoridades perceber que os Crioulos Indo-Portugueses – ainda falados em lugares como Diu, Damão, Korlai ou Cananor – não são línguas estrangeiras. Pelo contrário, elas são, por definição, línguas da Índia e exclusivas da Índia.

Fonte: The Hindu – 26/09/2010
http://www.hojelusofonia.com/morreu-o-crioulo-portugues-de-cochim/