É TEMPO DE ABRIR OS TEATROS E O COLISEU

É TEMPO DE ABRIR OS TEATROS E O COLISEU
1. Tornou-se um lugar-comum dizer que a pandemia mudou as nossas vidas, o modo como trabalhamos, como construímos as relações sociais, como nos divertimos ou simplesmente como aproveitamos uma pausa para tomar um café numa esplanada. Como disse Giorgio Agamben, “corremos o risco de vermos abolido o nosso próximo.” O lento desconfinamento que vivemos – e que se vai prolongar no tempo – ainda provoca insegurança, incertezas e receio de um retrocesso. A pandemia de saúde transformou-se numa pandemia social, que afectou todos os sectores da economia, a que a cultura não escapou. Os teatros, os museus, os centros culturais, as inúmeras actividades, manifestações ou expressões artísticas foram canceladas, com os artistas em privação económica e o público em privação cultural. Todos percebemos que teve de ser assim, até um certo momento.
2. Passadas as vagas mais acentuadas da pandemia e com o processo de vacinação a avançar a bom ritmo, a necessidade de conciliar a protecção da saúde com a retoma económica tem ditado uma abertura gradual de actividades e serviços, até para que os sectores do turismo e do lazer possam começar o seu relançamento, com um generalizado ganho económico.
De acordo com as matrizes de risco, em ciclos de avaliação de 14 dias feitos pelo Governo da República, a vida vai desconfinando. Nos Açores, o Governo Regional adoptou também um processo de avaliação de duas em duas semanas, de generalizada prudência – muitas vezes incompreendida -, mas que tem sido eficaz na contenção da pandemia, na protecção da saúde, evitando a ruptura do Serviço Regional de Saúde e do sistema de saúde em geral.
Apesar dos apoios públicos aos agentes culturais (que permitem atenuar a quebra económica na sua actividade) e às iniciativas públicas – do Governo Regional, de autarquias locais e de escolas de enino artístico – que levam a cultura ao grande público através da televisão e das plataformas digitais, é preciso voltar a abrir os teatros, a começar pelo Teatro Micaelense e Coliseu Micaelense, para que os artistas regionais e nacionais voltem aos palcos dos Açores e o público regresse às salas de espectáculos.
3. Podemos e devemos reabrir já os espaços culturais, seguindo o exemplo das grandes cidades nacionais, de acordo com um princípio de prudência, que não se pode afastar e impõe clareza quanto às regras de funcionamentos destes espaços, como sucede na Casa da Música, no Porto, ou no Grande Auditório da Gulbenkian, em Lisboa. O público açoriano e os turistas que já nos começam a visitar merecem disfrutar desta oferta cultural. Já não há razões para estes espaços permaneçam encerrados. Este encerramento até é incongruente, se comparado a possibilidade de, por exemplo, em Ponta Delgada, ser possível ir ao cinema no Parque Atlântico (em que nem há lugares marcados), mas ser impossível ir a uma sessão cinematográfica no Teatro Micaelense ou a um concerto no Coliseu, em que há lugares marcados, zonas de segurança, lotações limitadas e estritas regras de circulação do público, a par do cumprimento das regras gerais.
O facto do Coliseu Micaelense ou do Teatro Micaelense serem de entidades públicas não justifica a persistência do encerramento. Está na hora de reabrir o Coliseu Micaelense e os teatros e valorizar a cultura.
(Publicado a 9 de Junho de 2021, no Açoriano Oriental)
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