ainda as bofetadas de Xanana duas posições em análise

 

  • Afinal Xanana Gusmão aplicou apenas umas chapadas, tipo bofetada, para fazer acordar duas pessoas que, talvez por serem familiares do defunto, tinham adormecido e sonhavam estar numa festa, aplaudindo o espectáculo. Esse gesto, que muitos acham ser agressivo, não passou de uma manobra mais que justificada, ou teria sido apenas uma bofetada meramente pedagógica como antigamente se aplicava às crianças na escola primária ( e também nas administrações coloniais) e que hoje se pode considerar crime?! É claro que há os mal dizentes que logo vêm criticar o líder supremo da nação timorense, quando o que ele fez, tal como as sonecas ao ar livre perto do cadáver de um contaminado pela Covid 19, não passou de um gesto de boas intenções, apesar de se dizer que de boas intenções está o inferno cheio… Aliás, os timorenses têm sido conduzidos para uma interessante bipolaridade de comportamentos: por um lado reivindicam princípios do primeiro mundo, nomeadamente o ocidental; por outro, reclamam estar muito ligados aos seus princípios ancestrais, enformados na tradição de uma religião animista, quando precisam de justificar comportamentos pouco ortodoxos, tendo em conta o bom senso geral. Enfim, sol na eira, chuva no nabal, quando o que se esperaria era o cumprimento responsável da Lei, tanto por parte do povo, como dos seus endeusados líderes. Ou será que para além do tempo, também herdaram dos indonésios que a lei é de borracha e adaptável a cada um de nós, a seu bel-prazer?!
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MARANA THA
“Xanana, é o Povo!
Xanana Gusmão é uma figura ímpar, imprevisível, sempre foi alguém que lidou de forma direta e indireta com o poder, teve o mérito de ser um guerrilheiro audaz e um destacado lider nas suas capacidades de condução de homens e mulheres. Foi traído. Foi capturado em Díli, denunciado, julgado e em cativeiro, fez o que tinha a fazer. Iludiu o inimigo, mas não deixou de ter fraquezas junto do mesmo, como todos os outros. Mas foi inteligente, perspicaz, estratega, venceu-os no seu terreno!
Xanana, resistiu e conseguiu com outros a liberdade para o país, após mais de duzentas mil mortes.
Xanana, regressou ao país e foi reconhecido pelos seus como o libertador do jugo indonésio, da potência ocupante.
Gritou-se liberdade, esperança, saudade e futuro.
Xanana dedicou-se ao palácio das Cinzas e daí para o país, descomprometido, aparentemente, não deixou de ser junto dos seus o homem “abençoado”, o mais “querido” e o mais que tudo para todos.
Xanana Gusmão, sempre foi impulsivo, arrogante quiçá, o que sabe “muito”, e por vezes “autista”, sempre tratou o povo como “seu” e o contrário também se registou/regista. E é nesse modo, do grande “pai”, do “irmão” maior, uma “divindade” viva no país, um ser “iluminado” protegido pelos antepassados, uma “lenda” real, visto como o mais “sagrado” das crenças timorenses.
Xanana, estará ao nível de Gandhi? Será, mais à imagem do Nelson Mandela? Fica ao vosso critério, para mim, é um homem com história, com virtudes e defeitos, mas um ser humano brutalmente impactante.
Xanana, não agride as pessoas… Xanana, usa do seu formato de carácter para tratar o outro como seu integrante, “filho”, “primo”, “irmão”, mas sempre na perspectiva do que tem razão, do que pode e todos aceitam… e aceitam. É um estatuto que merece.
Xanana, não “esbofeteou” a senhora com maldade, com punição, com dor, fê-lo como sempre o fez, com a atenção de um mais velho, de um “educador”. Algo que aos “malai’s” soa a estranho. A comunidade internacional não entende as crenças e os ritos animistas timorenses, jamais poderá compreender que o gesto de Xanana é permitido, aceite por “bem” maior. Xanana não agrediu a senhora como por aí se diz com base nas imagens. Se perguntarem à senhora ela esclarecerá o quão “honrada” se sentirá pela “distinção” de Xanana. Se me perguntam a mim, à luz das culturas ocidentais… direi que é o que parece, porém, tendo vivido dezassete anos em Timor-Leste, assim como na Indonésia e na Malásia, posso asseverar que não se pode interpretar facilmente como se da Europa se tratasse. Portanto, responderei apenas que foi algo que vi, em Timor, dos mais velhos para os mais novos, sem qualquer tipo de violência que justifique a minha crítica ou sensação de mal estar, Xanana não maltratou o sexo oposto. Não há género para Xanana, são todos iguais, homens e mulheres.
Xanana, quer se goste mais ou se goste menos, é um homem que sabe o que quer, que sabe para onde vai, que não esquece de onde vem. Não está “doido”, está igual a si mesmo, numa caminhada que só peca, como outros políticos timorenses, por praticamente ineficaz na aplicação de estratégias, através de quem o rodeia , alguns mesmo sem condições de caráter, para o desenvolvimento nacional e devido conforto do povo timorense.
Xanana não é o “homem” do planeamento nacional, mas sabe mais do que todos os seus opositores políticos. Tema para outra crónica, sei.
Assim, digo ao mundo e aos críticos da situação que respeitem Xanana, Timor e os timorenses!
Às lideranças, “antagónicas” a Xanana, a esses “arautos” da “desgraça” e da “inveja”, assim parece, digo que tenham “vergonha” quando se aproveitam de algo “natural”, dessa procura em “desvirtuar” a cultura maior de Timor-Leste, fica-lhes “mal”… e não lhes trará votos.
Xanana não é um “Deus”, mas em Timor-Leste, hoje vivo amanhã “saudoso”, será sempre figura maior, “sagrada” e “lendária”, para os atuais e para os vindouros. Algo que nenhum outro político jamais conseguirá ter na memória de um Povo!
Xanana é único, mas será mesmo o melhor? Não me compete, olho apenas à importância animista que lhe é dada. Por isso afirmo que ele é seguramente o mais marcante da história de sempre de um país, ele e Nicolau Lobato!
Respeito, a Xanana!
António Veladas
Jornalista Especialista em assuntos asiáticos e República Democrática de Timor-Leste.”
Este é o texto do senhor António Veladas e OBRIGADO por este escrito acerca de um homem que continua a dar seu melhor para o seu POVO.