LÍNGUA PORTUGUESA NA GALIZA

Acaba de cumprir-se 7 anos da entrada em vigor da Lei 1/2014 de 24 de março para o Aproveitamento da Língua Portuguesa e Vínculos com a Lusofonia, aprovada no Parlamento da Galiza por unanimidade, como consequência de uma Iniciativa Legislativa Popular que recolheu mais de 17000 assinaturas da cidadania.
Vendo o percurso destes anos e fazendo uma avaliação, o sabor é agridoce. Algo se avançou e para algo serviu, mas o problema de raiz continua. O statu quo de 1983 que nega a lusofonia galega continua em vigor, por incumprimento dos compromissos adquiridos, pelo Governo do presidente Feijoo, com maioria absoluta parlamentar do Partido Popular. Pediam tempo e paciência, e demos paciência, colaboração, lealdade institucional e tempo. Agora, qualquer observador alheio concorda em que a credibilidade do Governo galego está nos mínimos nos três eixos principais do texto da lei: Comunicação social, ensino e relações internacionais.
Porque aos 7 anos continua a ver-se uma desproporção gritante entre os discursos públicos a favor da integração da Galiza no espaço lusófono, e a fraqueza das iniciativas concretas, por não dizer claramente abandono de responsabilidades.
Ao mesmo tempo o ensino do português continua a depender, essencialmente, das iniciativas dos pais de alunos e dos professores com voluntarismo. Cada vez que são convocadas vagas para docentes no ensino público, as cifras para francês e alemão deixam em ridículo as de português. Na última ocasião, só 3, e só depois de muita pressão. A propaganda institucional, e as declarações de lusofilia, não conseguem ocultar que, na prática, o ensino da língua portuguesa na Galiza se mantém o mesmo quadro de precariedade e instabilidade prévio à aprovação da Lei. Isto não é sério, não é sério, e não podemos olhar para outro lado.
Visto o acontecido, qualquer compromisso com o Governo galego fica em suspenso pola nossa parte, por ‘incumprimento de contrato’. A fórmula do sucesso parece ser a mesma dos anos em que se elaborou a Iniciativa Legislativa Popular “Valentim Paz-Andrade”, nos anos 2012-2013: a mobilização e o esforço da sociedade civil, sem descartar o diálogo com todos. É cansativo, mas parece não haver outra opção.
Haverá notícias.
You, Mário J. Herrero Valeiro, Fiz Pousa and 11 others
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  • Felicito as pessoas, como o Ângelo Cristóvão, que lutam (sic) pacificamente para que a LUSOFONIA GALEGA possa ser manifesta, livre dos atrancos a que o reino del bourbon e as suas instituições a têm submetido. PARABÉNS!!! e não cedam, continuem a luta pacífica até que todas as pessoas na Galiza, e não só em “Galicia”, se reconheçam lusófonas ou, pelo menos, que as não propositadamente lusófonas, reconheçam a LUSOFONIA GALEGA e a condição lusófona das pessoas que assim se considerem com todas as consequências.