SUÉCIA COVID E CONFINAMENTOS

TENHO A SENSACÃO QUE JÁ TIVÉMOS ESTA CONVERSA |
Hoje foi um dia estranho. Ou pelo menos desconsolador para quem, como eu, ainda acredita na boa fé dos Homens. Um dia onde aprendi, uma vez mais, porque razão o capitalismo selvagem não pode ser regulador de vidas e farol de decisões.
Uma empresa que durante seis anos recebeu uma percentagem do meu salário, trabalhando para isso 10 minutos por mês, achou por bem pedir uma indeminizacão de quase um milhão de euros quando eu disse “já chega”. Numa versão moderna de escravatura onde o trabalho, esse direito que julgamos ter, é substituído por uma corrente que nos prende ao lucro das corporacões, garantindo que nós, pedacos de carne, não podemos escolher livremente o empregador. Pergunto-me onde estarão os tais mercados que estimulam a concorrência? Perguntei se era possível resolver este assunto à Margem Sul mas não, parece que serão advogados a conversar sem aquela paixão que o momento pediria.
Quando chego a casa, ainda a pensar “mas que grande fdp aquele c***** me saiu”, vejo novos gráficos da Suécia por aqui e por ali.
Presumo que o Sócrates seja chão que já tenha dado uva e aguardamos agora serenos pela segunda parte na Relacão. O Benfica presenteou-nos com 5 e o Seferovic disfarcou-se de jogador de futebol. O Rio não apresentou mais ninguém às Autárquicas e não há maneira de morrer um velho em Portugal com a vacina da Zeneca.
De modo que está na altura de voltarmos aos gráficos da Suécia, não é? Pela terceira vez nestes 12 meses de pandemia vamos, todos e bem alto, repetir: “imagina se tivéssemos seguido a estratégia da Suécia!! Olha para eles!!”
Dito isto, aproveitamos a embalagem da indignacão e vamos ver os casos que sobem na Suécia durante a terceira vaga. E os que desceram em Portugal durante o confinamento. Depois discutimos o número de testes e acabamos, se a memória não me falha, ali pelas camas dos CI.
Entretanto algum gajo mais chato pergunta: “epá…mas quantos morreram?”. Nada contra Rs enormes, transmissões em barda e gráficos que sobem. Mas se não se importam, gostava de saber quantos morrem.
Não é que faca da necrologia um hobby, na verdade até é algo de que me incomoda falar, mas julgo ser essa a medida principal de uma pandemia.
No caso dos infectados, bom, em principio há mudanca de estado ao longo do tempo. Já nos gráficos dos mortos, tirando o caso particular de Jesus Cristo, em princípio os demais ficarão permanentemente na estatística oficial da coisa. De modo que me parece de bom tom olharmos para eles, se possível, antes de comecarmos novamente aos gritos.
É que em plena terceira vaga, com mais camas ocupadas nas UCIs, o governo sueco continua a aviar vacinas (todas, julgo eu), a manter as restricões de distanciamento, a permitir a possibilidade de circulacão e a exigir que cada um faca a sua parte.
Repito esta parte porque me parece importante. O covid matou gente em todo o mundo o que, obviamente, inclui a Suécia. Mas ao contrário do que aconteceu em Portugal, empurrado por confinamentos sucessivos, por este lado ninguém ficou na pobreza por causa do combate ao covid. E mesmo assim, morreu menos gente do que em Portugal.
Perdoem-me, por mais que me esforce, continuo a não entender para onde apontam o dedo. Muito menos o porquê.
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  • Acabei de passar por este parágrafo e deixo-o aqui pq não mereço ter de ler isto sozinho…
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