somos poucos mas dizemos não ao passaporte de vacinas

A ideia de um passaporte de vacinação ou de multas é realmente o fim da linha. A trapalhada é total: alguém com vacina poderia viajar sem teste quando não há certeza, isto dito pelas mesmas autoridades, que alguém com vacina não contagie os demais ou não possa reinfectar-se. E quem já teve a doença, e está imunizado, não pode ter acesso à liberdade, ou quem, aparentemente a larga maioria, não tem nem vai ter a doença porque é naturalmente imune. Mas o grave é isto: na França só 40% aceitam tomar a vacina, na Alemanha 60%; com idades abaixo dos 50 anos a população francesa que aceita tomar a vacina cai para 30%. As vacinas acumulam-se, em todos os países da Europa, e até em Israel, onde largas camadas das populações mais jovens não a querem tomar. Aliás grande parte da explicação do atraso das vacinas quanto a mim reside aqui – o vírus circulou mais depressa do que a vacina e largas camaradas da população recusam-se a tomá-la. Também no caso dos profissionais de saúde os números são significativos, mesmo em Portugal recentemente davam conta de centenas destes que recusaram e, mesmo nos sectores de risco agora chamados, os idosos, uma percentagem recusou-se a tomar. Como resolver isto? Com multas, corredores verdes, fichas de higiene que dão acesso a direitos, liberdades e garantias fundamentais. Chama-se totalitarismo. Aquilo que era impensável para a UE há 2 meses, agora que milhões recusaram a toma, passou a ser o novo normal. Duvido que consigam levar esta avante, a maioria não vai mudar de opinião, mas é significativo sobre o que os Estados estão dispostos a fazer, até com a autonomia das pessoas em relação à sua saúde. Seguem-se passaportes de fumadores, multas para quem beber vinho, e proibição de viajar aos obesos – aliás os obesos deviam já estar presos que são uma das grandes causas de internamento em UCI por COVID – sugeria mesmo imposto excepcional a quem ousar comer torresmos alentejanos. Tudo em nome da saúde. Um inferno de boas intenções. O interessante é isto: tal como na Alemanha de Weimar hoje vemos a quantidade de democratas de ontem que não se envergonha de hoje, em nome da excepção, da segurança, da pátria, do consenso nacional, deixar a democracia ir à vida num ápice.
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lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL