relato do país em um dia nas vacinas

Em homenagem aos irmãos Marx, eis UM DIA NAS VACINAS (e respectivos antecedentes):
Ontem fui levar a 1a dose da vacina, eis a minha experiência: andei em conflito com o meu centro de saúde durante um mês e meio, porque estando perto dos 70 e tendo 3 das comorbilidades previstas nos critérios da DGS, deveria ser incluído na lista. Acontece que o CS não me tinha atribuído médico de família, logo tinha de ser eu a apresentar um atestado para o efeito. A primeira vez que fui ao CS, disseram-me que não podiam receber a papelada porque não tinham instruções. Na semana seguinte regressei lá e queriam voltar a ignorar-me. Pedi o livro de reclamações e a coisa resolveu-se. Pediram- me para retirar a reclamação e eu respondi-lhes que só faria tal coisa quando visse o meu nome na lista da fase 1. Quando o governo pôs na internet a dita lista, fui lá à procura do meu nome e…népia. Volttei ao centro de saúde (note-se que as minhas presenças no CS deveram-se sempre ao facto de não atenderem os telefones, nem responderem aos emails) para saber por que motivo não figurava na lista. Voltaram a querer ignorar–me, voltei a escrever uma reclamação e, milagre, lá me puseram em contacto com a responsável pela vacinação naquele CS. A partir daí tudo melhorou. A senhora explicou-me que nos casos como o meu havia dificuldades para me incluir na lista, mas que eu estivesse descansado porque ela estaria presente no dia da vacinação e bastaria pedir para a chamarem.
Ontem, então, lá fui à vacina no Pavilhão Desportivo da Ajuda. Primeiro há fila à porta, estava uma manhã fria, com vento, felizmente sem chuva. Claro que o meu nome não estava na lista, pedi para chamarem a senhora que veio e resolveu o meu caso e de mais de dois iguais. O pavilhão é grande e alto e ninguém se lembrou de pôr uns resguardos em plexiglas para que não houvesse correntes de ar entre as portas de entrada e de saída que ficam em pontas opostas. Entra-se numa primeira zona com cadeiras, sento-me sujeito ao frio e à corrente de ar e surge uma jovem a fazer um questionário. Nota-se que sabe o que está a fazer, deve ser enfermeira e/ou foi bem formada. Avanço para a zona seguinte com cadeiras onde espero que me chamem. Chamam, vacinam e direccionam-me para uma 3a zona de cadeiras onde se fica à espera meia hora até nos deixarem sair. Resumindo, um retrato fiel do nosso país: muitas dificuldades com a logística e a organização, compensadas pela excelente dedicação de funcionários e voluntários. (continua)
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lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL