Crónica 382 talvez amanhã

 

 

Crónica 382 talvez amanhã 17.2.2021

 

Depois de 2020 vem 2021 e a pandemia continua, com ou sem vacina, mais 500 estirpes vão surgindo, os mortos e infetados aumentam, e as liberdadezinhas que nos foram retiradas vieram para ficar. Nunca nada será como dantes. A coberto da noite esfrangalhou-se a sociedade que já estava decadente e começa a criar-se uma nova, em que para se viajar vai ser preciso passaporte de vacinas, dizem que é como dantes quando se usava o boletim de saúde (Certificado Internacional de Vacinação). A economia extingue-se por entre promessas de bazucas e apoios e um dia virá em que ficaremos todos dependentes de apoios do Estado para sobreviver, a coberto da promessa de um rendimento universal para todos, enquanto robôs e ciborgues ocupam os lugares dos trabalhadores.

Muitos postos de trabalho nunca mais serão reativados e outros permanecerão em teletrabalho. A nova era já começou e muitos não se aperceberam da traumática mudança que se apossou dos países mudando radicalmente a nossa forma de viver..

A crise financeira estourará mas ninguém sabe como, depois de os 4 bancos centrais (FED, BCE, Japão e Tesouro do Reino Unido) injetarem biliões de empréstimo a taxa zero…

As viagens de avião não tornarão a ser o que eram, as pessoas não poderão viajar livremente como dantes e o turismo terá de se reinventar. Tal como ando a prever, há anos a EU e os EUA seguem inexoravelmente o rumo do antigo império romano (bizantino ou outro) e a China a todos ultrapassará, seguida pela Índia e Rússia com a sua evolução tecnológica ímpar.

A vida a que nos habituamos de afluência do pós-guerra 1945 termina e seremos todos obrigados a levar uma vida mais modesta, mais frugal. Isso não fará de nós melhores pessoas, nem mais amigas do ambiente ou do próximo porque há muito que essas utopias se esfumaram e estaremos inseridos numa sociedade mais egoista e desumana do que alguém imaginaria. O exemplo de pular a fila das vacinas é disso paradigmático, a destruição do tecido social e da família nuclear há muito que nos alertava para isso, escrevi-o há mais de dez anos e o passar do tempo veio dar-me razão, a imposição do pensamento único, politicamente correto, só confirmou os meus piores presságios. Os anos que me restam vão ser de inquietude e rebeldia, tentando ser uma voz individualista num mar de carneirentos por isso mesmo me sinto um dos últimos moicanos. Resta-me desfrutar das memórias de momentos bons e esperar que os políticos de todo o mundo consigam rapidamente emigrar para Marte para criarem um novo caos lá enquanto a Terra se extingue sob o peso dos vírus, das alterações climáticas, e dos desastres naturais e humanos que a conduzirão a uma nova era.

Se acreditasse na reincarnação podia esperar voltar como barata ou formiga a um planeta sem humanos…

Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713

[Australian Journalists’ Association MEEA]

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Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL