a saga da CALHETA PERO DE TEIVE

Humilhação institucional
O social-democrata dr. José Manuel Bolieiro, na campanha eleitoral para o seu primeiro mandato como presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, prometeu que iria constituir um grupo de juristas para analisar o processo da Calheta de Pêro de Teive e que iria apresentar uma queixa junto da Comissão Europeia contra o então Governo Regional socialista pela respectiva envolvência nesta matéria. Uma vez eleito, não constituiu qualquer grupo de juristas, nem endereçou qualquer queixa à Comissão Europeia, pelo menos que se saiba. Mais tarde, numa reunião pública promovida pela Junta de Freguesia de São Pedro, em 2017, prometeu, em parceria com um representante do então Governo Regional socialista, que a demolição das galerias inacabadas da Calheta se iniciaria em 2018, o que nunca aconteceu. São factos!
A actual presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, drª Maria José Lemos Duarte, igualmente social-democrata, quanto à questão da Calheta, fez mais em pouco tempo do que o dr. José Manuel Bolieiro em cerca de seis anos, correspondentes a mandato e meio, pois depois zarpou para outras paragens políticas. Agora, quanto à questão da Calheta, sentiu “sombra” ao seu lado e reagiu. Como presidente do Governo Regional, segundo as notícias divulgadas, chamou ao Palácio de Sant´Ana a presidente Maria José e um representante do concessionário do espaço público da Calheta, supostamente para anunciar o que já era público: a demolição – de resto, parcial – das ruínas da Calheta a partir de segunda-feira próxima.
A presidente Maria José prometeu e pretendia uma maior “limpeza” na Calheta, mas o concessionário ameaçou recorrer aos tribunais. O presidente do Governo Regional disse que teve que intervir, mas, pelos vistos, não em defesa da presidente Maria José, resultando que nem tudo será demolido na Calheta.
Só por piada o presidente do Governo Regional pôde afirmar, segundo a comunicação social, que, como presidente da autarquia de Ponta Delgada, teve falta de colaboração do anterior Governo Regional socialista. Na tal reunião pública promovida pela Junta de Freguesia de São Pedro, o dr. José Manuel Bolieiro apareceu tão “amiguinho” do então Governo Regional socialista e vice-versa através de um director regional, tão colaborantes, com vista à solução desastrosa e contra os interesses da população, para a construção por um privado de um hotel monstruoso num espaço que é propriedade pública, consubstanciando, afinal, uma objectiva doação de um terreno público a uma empresa particular. Isto nem no Estado Novo seria possível!
A presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada assume – e muito bem! – a concretização da obra de demolição das galerias, embora parcialmente, como uma vitória pessoal e admite que foram palavras como “ordem” e “posse administrativa” que fizeram o concessionário avançar. Mas o presidente do Governo Regional parece não ter gostado dessas palavras, muito verdadeiras e muito certas, porque apressou-se a frisar que o Governo Regional é que é dono da obra e a entidade concedente. No fundo, o que o presidente do Governo Regional pretendeu dizer foi o seguinte, em meu entender: “Ó presidente da Câmara Municipal! Já brilhaste quanto baste, até demais, porque fizeste mais do que eu nessa função. Agora sossega e não aborreças mais com a questão da Calheta, que eu tenho mais que fazer”. Ou seja: a presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada saiu do Palácio de Sant´Ana desautorizada e humilhada institucionalmente, na minha interpretação. Mas, depois do que tudo aconteceu até agora em relação à Calheta, é mais fácil a população de Ponta Delgada apoiar a drª Maria José Lemos Duarte do que o dr. José Manuel Bolieiro. Ela cumpriu e só não fez ou não faz mais porque não a deixam! É óbvio!
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  • E pronto tudo bem explicado bravo sro Tomás Quental tem contribuído muito com seus comentários corretos para a demolição daquela medonha obra bjs Boa tarde
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