HUNGRIA A NOVA ESCRAVATURA

Lúcia Duarte

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Da Hungria e do regime autoritarista de Orbán tem-se falado da erosão da liberdade de imprensa, da promiscuidade da política no sistema judicial, da criminalização do aborto e da perseguição da comunidade LGBTQ+.
Mas poucos parecem ter notado que o país está a ir ainda mais além, num processo firme de retrocesso civilizacional que parece querer transformá-lo “numa espécie de colónia industrial para investidores estrangeiros”.
A Hungria tem vindo a aprovar, desde 2018, as chamadas “Leis da Escravidão”: um pacote legal que aumenta de 250 para 400 as horas extra obrigatórias que os patrões podem exigir de seus trabalhadores por ano. Para cumprir esta lei, muitos terão de trabalhar seis dias por semana, um retrocesso flagrante das conquistas laborais das últimas décadas.
Numa altura em que se discutem novamente as crises cíclicas de sobre-produção, e se fala que devemos trabalhar menos, e redistribuir melhor, os regimes autocratas pressionam para trabalhar mais – para quem?
Camaradas, o fascismo não é perigoso apenas por ir contra os valores e liberdades das minorias, ou por ser racista, misógino e homofóbico. O fascismo é a misantropia capitalista levada às últimas consequências – é a aniquilação do Estado Social, e o roubo dos direitos laborais e vitórias conquistados pela classe trabalhadora, mascarado sob uma farsa de proteccionismo nacionalista e de meritocracia.
Não deixemos que aconteça o mesmo em Portugal. A crise e instabilidade dos governos e regimes, agudizada pelas debilidades que a pandemia tem provocado, vai continuar. Mas cabe-nos exigir às esquerdas que tomem medidas ágeis de protecção intransigente da classe trabalhadora, e um investimento nas estruturas colectivas que previna o desmoronamento total. Proteger os direitos dos trabalhadores, a saúde e a educação, e não deixar o país resvalar para promessas milagreiras mas desventurosas que inevitavelmente, à semelhança da Hungria, vão dar nisto: o eclipse e remissão do progresso humano.
~ Ingrid V
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lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL