OS PARDAUS DE TIMOR

“Circulou” em Timor durante séculos uma “moeda” de que não se fala: o Pardau Timor . Em que consistia? Os timorenses de algumas regiões, por métodos primitivos de lavagem das areias de algumas ribeiras colhiam lâminas e pepitas de ouro que depois guardavam no interior de penas de aves. Eram essas penas recheadas de pequenos fragmentos de ouro, pesando em média cerca de 1,793g, que depois eram usadas na compra de gado, panos, etc. A primeira notícia sobre este uso consta da “Memória resultante do inquérito industrial em Timor”, 1846, da autoria do governador de Timor Frederico Leão Cabreira. Descrevendo o processo de garimpagem do ouro levado a cabo pelos timorenses, acrescenta: “Juntam-no depois na parte oca das penas de alguns pássaros, e assim o trocam geralmente pelos panos de que precisam para se cobrir”. Este processo manteve-se: Em 1937, o “Exploration of Portuguese Timor: report of Allied Corporation to Asia Investment Company, limited”, p. 35, depois de descrever o método habitual de recolha, relata: “The gold is then picked from the sandstone and put in quills”. J. Ferraro Vaz, 1964, “Moeda de Timor”, p. 106, escreve: “Conjugando as notícias várias, não será descabido identificar o “pardau Timor” de então com as penas de ave contendo pepitas de ouro, que ainda hoje o povo traz ao mercado. Desprovido de meios de pesagem, o timor usaria (e ainda usa) estes recipientes naturais, escolhendo os de capacidade aproximadamente igual, para servir de medida padrão (“segundo informações colhidas, a pena mais usada actualmente – c.1964 – é a de milhafre que, quando carregada de pepitas se conhece por murak mano fulun”)”.
Será que algum amigo nosso timorense pode confirmar estes testemunhos? Ainda existirá memória do “Pardau Timor”?

Domingos de Oliveira

Junto uma gravura de uma pena de ave com pepitas, retirada da obra “Moeda de Timor”:

No photo description available.
Alfredo Azinheira, José António Cabrita and 19 others
5 comments
Comments
View 3 more comments
The admin has temporarily turned off com

Publicado por

lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL