Crónica 376 mais escravatura dissimulada 9.1.2021

Crónica 376 mais escravatura dissimulada 9.1.2021

Quando um Estado manda os seus concidadãos para casa confinados, como ora acontece em Portugal, as empresas poupam e os cidadãos opiparamente remunerados pagam o custo de trabalhar em casa. Usam o seu PC, impressora, smartphone, e equipamentos diversos, pagam mais luz e água, mais comida, mais eletricidade e aquecimento (que até então era encargo da empresa patronal).

Numa situação normal sairiam de manhã e chegavam à noite quando acendiam luzes e aquecimento, agora é todo o dia a debitar se não quiserem morrer de frio nestas casas que nunca a construção civil portuguesa quis dotar de meios de fabrico apropriados ao clima, muito frias nos invernos e muito quentes no verão, apesar dos inúmeros avanços tecnológicos em todo o mundo no isolamento e insulação de +perfis de construção. Tanto engenheiro, tanto criador, tanto arquiteto premiado e continuam a construir as casas como no séc. XVIII ou XIX…mas por via disso auferem lucros fabulosos na construção civil de casas inadequadas e como a grande maioria da população não aufere salários que lhe permitam manter as casas aquecidas nos mínimos salubres mais de um terço dos portugueses passa frio em casa, recorre a métodos pouco saudáveis e todos os anos morrem alguns intoxicados por braseiras ou outros meios…

Nos meses de inverno, a taxa de mortalidade cresce 28% devido ao frio. A solução seria o aquecimento, mas há o custo da eletricidade, uma das mais caras da Europa, e o custo de aparelhos eficientes de aquecimento e ventilação (ar condicionado, aquecedores, salamandras, lareiras elétricas ou a gás, etc.)

Ora bem, as pessoas confinadas quase não podem sair de casa, bem como as crianças sem irem à escola, umas trabalham em linha, outras em ensino à distância, gastando luz e aquecimento que muitas vezes não conseguem pagar e a EDP a aumentar os consumos e lucros dos seus donos chineses.

E não falei das doenças mentais, do medo, da psicose covidesca…dos danos irreversíveis causados às crianças com este sistema de parar e arrancar com aulas presencias e as inúteis aulas online. Das pessoas internadas no período em que decorreu o estudo, entre 22 de maio e 14 de agosto, 92% relataram sintomas de ansiedade moderada a grave e 43% sintomas de perturbação de estresse pós-traumático ( Instituto Nacional Ricardo Jorge (INSA).).

Se vivêssemos numa sociedade justa seriam as empresas a suportar esse excesso de despesas (dedutíveis no IRC) e com apoios estatais, mas como vivemos num mundo em que, encapotadamente, e à pala do Covid se retiram liberdades (quantas não serão repostas, nunca mais?) quem paga é o mexilhão que recebe dos salários mais baixos da EU.

Com a desculpa da pandemia aumentou a exploração dos trabalhadores, segundo um estudo recente, mas o desemprego galopante que se aproxima pode acelerar a chegada de um salário universal de miséria ou um rendimento universal a toda a gente (e aí todos ficam totalmente dependentes do Estado que lhes paga) pois vão sobrar muitos escravos e poucos empregos quando esta crise abrandar. E serão esses mesmos escravos que vão pedir ao governo mais medidas e mais restrições de liberdades que permitam aos mais ricos enriquecerem mais como já foi notado nas bolsas mundiais.

Com quantos pobres se faz um milionário?

 

Chrys Chrystello, Jornalista,

Membro Honorário Vitalício nº 297713 [Australian Journalists’ Association MEEA]

Diário dos Açores (desde 2018)

Diário de Trás-os-Montes (desde 2005)

Tribuna das Ilhas (desde 2019)

Jornal LusoPress Québec, Canadá (desde 2020)

esta e anteriores em As (Ana)Chrónicas Açorianas (lusofonias.net)

 

 

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lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL