JORGE ARRIMAR E EDUARDO BETTENCOURT PINTO

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Há 16 anos foi apresentado em Lisboa o livro “A Casa das Rugas” de Eduardo Bettencourt Pinto, meu amigo e escritor a residir há longos anos no Canadá. Julgo valer a pena revisitar esse momento, que existiu “em memória de Angola e dos nossos tempos de exílio insular”. No ano em que a apresentação se fez, cumpria-se quase trinta anos que nos havíamos encontrado na ilha de S. Miguel, nos Açores, num tempo em que achávamos que “o céu tinha desabado sobre a nossa cabeça”. Mas apesar da tristeza que experimentávamos, apesar de, por vezes, pensarmos que a nossa vida se havia estilhaçado, espalhado sem remédio por todos os desertos deste mundo, tínhamos as mãos abertas em concha e delas elevavam-se as nuvens brancas dos sonhos próprios de quem era jovem.
Era o tempo de desenharmos mapas na pele com coordenadas largas que abarcassem a imensidão de vida que ainda tínhamos pela frente, uma paisagem de labirintos que não se esgotava nos limites das ilhas, sempre tão ali ao virar de cada monte, no final de cada prado. Os nossos gestos guardavam memórias largas, segredos abertos, silêncios e sombras, escorregando por entre os muros de um tempo roubado, de regressos, dia a dia, planeados.
Tínhamos vinte anos, apenas, e o sonho contornava o perfil arredondado do horizonte de uma ilha que se havia feito nossa jangada. Ambos vínhamos da terra africana, do sul angolano, espaço que fora o nosso berço e onde crescíamos ao cheiro morno do café e ao sabor doce da cana-de-açúcar. A nossa geografia até ali centrara-se entre a Gabela do Eduardo e a minha Chibia. Foi assim, enquanto a queimada não se alastrava das matas para as vilas e cidades, e a nossa infância ainda brincava entre cafeeiros em flor, à sombra de frondosas mangueiras e nos misteriosos esconderijos dos canaviais.
No dia em que descobrimos que a fuga nos afastava da terra e das raízes dos embondeiros, vimos que, nos Açores, a ilha de S. Miguel sorria hortênsias para nós. Foi em 1976 que eu e o Eduardo nos encontrámos pela primeira vez, abençoados pelo silêncio da Lagoa do Fogo, silêncio que só o guincho das cagarras conseguia, de longe em longe, quebrar como o vidro. Encontrámo-nos apenas, porque conhecer já nos conhecíamos das mesmas memórias que trazíamos. Só éramos diferentes raízes dum mesmo embondeiro. E foi com fogo que ele escreveu o primeiro poema que chegou até mim:
ESPERANÇA
[…]
Guardo na minha alma o vazio / de uma fogueira que se apagou / num assopro irreversível de um adeus, / que veio até mim por entre vagas espessas / e sóis sem calor… / Sou, na madrugada, a areia fria / a divagar em todos os prantos do mundo. / Ah…Quem me dera viver num minuto… / Escolher os meus passos na estrada estranha / palmilhando na derrota a força de vencer. / Oh! Alma inquieta, filha do sem fim, / sinto o teu vozear profundo, a tua razão / e quedo-me nos mais ínfimos pormenores / desse anseio que na paz faz germinar / a mais sagrada Esperança…
(Publ. pela 1ª vez a 27 Set. 1976, em Ponta Delgada, num jornal local)
O impulso poético foi-se tornando cada vez mais poderoso em Eduardo. É então que ele nos oferece “Emoções”, o seu primeiro livro, publicado em 1978, e dedicado (entre outros) “À minha terra longínqua onde, agora oiço a voz da distância; Aos Açores, terra de minha mãe, onde todos os homens de bem encontram a sua terra”.
De facto, seria entre a terra de sua mãe, os Açores, e a sua terra natal, Angola, que Eduardo descobriria a cor das tintas com que encheria o arco-íris da sua criação literária, nessa altura, muito partilhada comigo e com outros jovens poetas. É de 1979 a edição coletiva “Nós Palavras”, que reuniu a poesia de vários poetas naturais e residentes nos Açores, na qual nos incluíamos; e a publicação de “Poemas”, um livro de Eduardo e meu, onde se expressava, de forma muito forte, a nossa angolanidade e a saudade da terra natal.
Desde “Poemas” até ao livro “A Casa das Rugas”, que agora vos apresentamos, já lá vão nove títulos de poesia; quatro de ficção; a organização de uma Antologia da poesia açoriana contemporânea e a tradução de oito poemas de Michael Yates, para além de ter assumido, durante alguns anos, a edição da revista virtual “Seixo Review”.
A escrita lírica e narrativa do Eduardo é, pelo peso da interioridade, uma escrita de movimento quase pendular, e como diria dele João de Melo, (Prefácio de “Tangos nos Pátios do Sul”), saída da “voz de um poeta ao mesmo tempo nítido e embrumado nas suas memórias”. Atrevo-me a avançar um elemento de ligação entre o seu primeiro poema, atrás referido, e este seu livro, pese embora o facto de ambos os textos serem de géneros literários diferentes.
Descobre-se o fechar dum ciclo na já longa espiral da sua vida de autor. Se o poema “Esperança”, publicado em 1976 (Há já quase três décadas, portanto!), é dedicado ao seu irmão Guilherme, o único dos irmãos que havia ficado e que ainda permanece em Angola, querendo com isso manter a ligação e a esperança de um reencontro com a terra natal; “A Casa das Rugas” – título que em si mesmo é uma metáfora, pois trata-se de um livro que se constrói a partir das rugas de uma casa que é o próprio tempo onde viveram as suas principais personagens, Pedro Rico e Mamã Carminha – é o regresso do autor à terra natal, através de uma história de amor entre um europeu que consciente, assumidamente, se deixa tomar pela terra africana, primeiro, e pela mulher africana, depois.
Desse amor, violentado pela guerra civil que assola o país a partir de 1975, nasceu um menino – Alexandre – que é um símbolo de reunificação, de redescoberta, enfim!, de Esperança. É este filho, que assume a cor da sua pele como “a cor do amor entre dois mundos diferentes”, que vai tecendo a trama deste livro, “convencido de que a arrumação do mundo começa sempre em volta das nossas mãos”. Ele inicia a tarefa difícil, mas gratificante, de escrever um livro como se faz a reconstrução de uma velha casa, primeiro pintar as “cadeiras, portas e paredes […] até os muros onde as buganvílias, sedutoras, se estendem em cintilações solares.”
E o livro vai surgindo entre o pó de reboco velho e o arco-íris de tinta ressequida que a humidade deixa por mais tempo no ar, como se fosse uma névoa a embaciar “os espelhos da memória”. A Casa das Rugas abre as suas portas ao leitor, e convida-o a subir cada degrau, a percorrer devagar cada quarto, num percurso de amor e de esperança. Sobretudo da esperança que se fundamenta no amor, como se depreende das palavras que estão inscritas à entrada da casa… ou no começo do livro, e que são da autoria de Alexandre Rico:
“Vou para Portugal estudar e em busca do meu pai. Diria melhor: do homem que descobri nas palavras e no reboar do amor de Mamã Carminha. Vou atrasado? É esse o fim que me cabe?, de recolher os restos do passado e reconstruir, dos fragmentos um pai que só existe em palavras […]”. É no amor, amor completo, que se revela, também, como um símbolo de inconformismo em relação às barreiras étnicas, sociais e culturais da época e do lugar, que o Eduardo tem depositado, nestas quase três décadas de atividade literária, a esperança da reconciliação, por que é desta que nasce a paz. Para mim, A Casa das Rugas é um hino ao amor, ao amor entre um homem e uma mulher e, naturalmente, ao fruto desse amor, essa criança que, na ausência da figura paterna, juntava “as folhas das mangueiras [para] tentar fazer com elas o rosto do [seu] pai”, na pueril crença de que, assim, Deus o levantaria “daquelas folhas desesperadas, do pó, da terra e do silêncio” e lhe apertasse a mão, levando-o “até às lágrimas de Mamã Carminha e as secasse para sempre.”
Eis o livro, e eis o autor aqui ao meu lado, o meu amigo para quem escrevi um poema, há vinte e dois anos (1982), intitulado Flor de Milho, quando ainda tínhamos a ilha como nossa segunda casa, antes de partirmos, como as cegonhas, para uma outra qualquer chaminé. Depois de tanto tempo vou lê-lo de novo, e faço-o como um sinal de renovação da amizade, como se o tempo não fosse mais do que uma nave que levasse dentro, incólume, os mesmos sentimentos. Que seja então um símbolo daquilo que nós não queremos que vá com o tempo num só sentido, sem retorno. Assim, na ilha como agora junto ao Tejo, eu ofereço-lhe este poema com o meu aceno rosa-de-porcelana:
FLOR de MILHO
Soltaste um pássaro de sol / pelo infinito dos caminhos / a desintegrarem-se em espuma / no vale das estrelas caídas… / Somente aquele poema de fogo / gravado no corpo descarnado dos vulcões / te faz ainda promessas de silêncio, / a mais pura das vozes a descer sobre ti / em gotas de orvalho perfumado. / Do seio prateado das lagoas / enlaçam-te raízes brancas como asas de borboleta,/ mas da tua boca eleva-se um sorriso / lavado com a água da saudade: / -“Nunca me esqueci que vim do Sul” / onde o mágico crepúsculo se banhava / no rio Chilo / e os cafeeiros em flor / cantavam versos de luar / ao som do velho quissanje / de Paulino Valúnje! / Das folhas do teu cajueiro / dispersas na tempestade de uma noite / que jamais se apagará / começa já a despontar a aurora / de uma flor de milho / que tu depuseste no colo nordestino / do teu ser em fuga…
(Jorge Arrimar, Açores, ilha de S. Miguel, 24 Out. 1982)
[…]
Jorge Arrimar
(Lisboa, Bairro Alto, Livraria “Ler Devagar”, 19.30 H, sábado, 20Nov. 2004. Publ. em Cadernos de Estudos Açorianos : Suplemento, 10Mar.2011, p.14-17)
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Chrys Chrystello
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Por que metade dos funcionários da Holanda trabalha apenas meio período – Época Negócios | Economia

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País do norte europeu consegue aliar qualidade de vida a um bom nível de desenvolvimento econômico.

Source: Por que metade dos funcionários da Holanda trabalha apenas meio período – Época Negócios | Economia

flores, açores

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João SilveiraAZORES: Nice people in a nice place.
nt1SpoSns1moeared ·
Ilha das Flores: Poça das Salemas.
From Azores is at Ilha das Flores (Açores).
1tSu2gt Nspooeaaoveemnbeesotr ralhtandlg e1sdi0:fa56 ·
Azores
Poça das salemas.
Santa Cruz das Flores.
📸 @extremocidente_carlosmendes
#FromAzores9
#floresislandazores #ilhadasflores #azoreslovers #triptocorvo #corvoislandazores #azoresgeopark #azoreswhatelse #visitportugal #visitazores #iloveazores #extremocidente_carlosmendes #photographer #photographer_day #triptocorvo #azores #landscape #photooftheday #natgeo #landscapephotography #wildlife #natgeotravel #wildlifephotography #natgeolandscape

o café majestic dos turistas fechou

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O café Majestic fechou por falta de…turistas!
Mas há muitos anos atrás o Majestic foi ponto de encontro dos intelectuais e artistas do Porto. Marginais e outros bem integrados. Fica aqui o testemunho do Júlio Gago em relação aos anos 1965-68, mas há muitas outras histórias nos anos posteriores
As nossas tristezas não estão apenas ligadas aos amigos e familiares que morrem. Nem a tudo o que vamos perdendo ao longo da vida, quer integrantes da natureza ou sonhos perdidos. O gato ou o cão que amámos; o pinheiro cuja sombra procurávamos… Ou um café…
Nesta última segunda-feira o Café Majestic, na Rua de Santa Catarina, no Porto, fechou sem uma data apontada para qualquer reabertura. Há pouco mais de um mês fui lá filmado como um dos clientes com memórias longínquas do Café. No próximo ano completavam-se 100 anos sobre a sua abertura. A data historicamente apontada para essa abertura é o dia 17 de Dezembro de 1921; pesquisas recentes querem apontar-nos outra data! Disto me falaram no dia em que filmaram a entrevista que dei. Desses tempos já ninguém por cá anda.
Fui um frequentador diário entre 1965 e Junho de 1968; o período em que, pela primeira vez, integrei o elenco do Teatro Experimental do Porto, pelo menos a partir da meia-noite ou um pouco mais até fechar pelas duas horas da manhã. A nossa mesa, sempre com à volta de vinte pessoas, era a do fundo do lado esquerdo de quem entra. No Verão ficávamos, por vezes, na esplanada interior. Por vezes prolongávamos a nossa presença até às três da madrugada, com a dona, a D. Beatriz a pedir-nos para que passássemos para a mesa em frente, onde os fiscais que passavam na rua não nos viam. Era uma quarentona solteirona muito simpática para nós; por vezes oferecía-nos um pão com um pastelão dentro, que elogiámos na primeira vez em que fez isso. Depois, começou a fazer-nos novas ofertas iguais muitas outras vezes; a determinada altura já não podíamos ver o pastelão no pão. As mulheres do grupo escondiam nas respectivas malas, por vezes acompanhadas pelas dos homens presentes. Outras vezes, os homens guardavam-nas num bolso da roupa que traziam. Na última temporada em que integrei o elenco do TEP (1967-1968), que terminou em Junho íamos ao Majestic ainda com mais vezes ao dia. Após o almoço, ao final da tarde antes do jantar ligeiro que fazíamos, ou, quando não tínhamos ensaios à tarde era o nosso local de repouso, de leitura, de desenho ou de escrita, de convívio… Como dizia a D. Beatriz: era uma outra casa que tínhamos… tal era a nossa ligação a este café. Saudades dos mazagrans (agora ninguém sabe o que isto era), do café de saco e do primeiro cimbalino que chegou ao Porto, das cervejolas e dos vinhos de mesa que por lá bebíamos, das aguardentes e outras bebidas alcoólicas, de um ou outro bolo ou de uma torrada. Mas, quem era os frequentadores deste grupo? Quase uma centena; mas de uma forma diária uns vinte pelo menos. Do Teatro Experimental do Porto: a Fernanda Alves e o Ernesto Sampaio, o João Guedes (quando não ia ao Ceuta), o Luís Alberto e a Isabel de Castro, o David Silva e a Mulher (que nesses anos foram pelo menos duas), a Alina Vaz e o Orlando Neves, a Madalena Braga e o Jorge Corte-Real, a Glicínia Quartin e o Carlos Neto, o José Barrias, o Manuel Ferreira Dias, os Irmãos Calvário (o José Emílio e o João), o Ernesto de Sousa, o João Luiz, a Eduarda Marina, a Maria Alice Vasconcelos, o Egito Gonçalves e a Fernanda Gonçalves; o António Assunção, o António Montez, o Mário Jacques, a Anamaria Sobrinho, o Fernando Rangel, o Júlio Cardoso, o Fernando Gusmão, o Nunes Vidal, o Gomes Carneiro, o Luís Jacobetty, a Lídia de Sousa, o José Luelmo (depois jornalista), o Rui Branco (depois diplomata), a Maria Emília Correia, o Carlos Avilez (enquanto esteve no Porto, no TEP), eu, enfim… Depois, tínhamos o “exército” das Belas Artes: o Júlio Resende, o Augusto Gomes, o José Rodrigues, o Ângelo de Sousa e a Marina, o Armando Alves, o Jorge Pinheiro, o Manoel Pinto, o Eduardo Dixo, o José Grade, o Jaime Isidoro, a Totó (ou seja a Maria Antónia Siza, que viria a ser Mulher do Álvaro Siza Vieira), a Rosa Ramos, o Pichel, o João Machado, e outros ainda alunos como o Barrosinho (Fernando Barroso), o José Bizarro, etc. Havia, também, o grupo de arquitectos e contavam-se entre os mais assíduos: o Lúcio Estrela Santos, o José Pulido Valente, o Pedro Ramalho, o Jorge Gigante, o Álvaro Siza, o Luís Praça e outros. Escritores e poetas como o Eugénio de Andrade, o António Rebordão Navarro, o Papiniano Carlos. Os mais habituais da música eram o Jorge Constante Pereira, a Clotilde Rosa, o Jorge Peixinho e outros. Os jornalistas eram sobretudo os de O Primeiro de Janeiro que ficava a menos de 100 metros, por vezes acompanhados de gente de outros jornais ou rádios; o Ernesto Balmaceda, o Basílio Sousa Dias, o Manuel Dias, o Júlio Sereno, o Teixeira e Castro, e, tantas vezes, o Emílio Loubet, o Pacheco, o João Arnaldo Maia e a Orquídea, o Djalme Neves, os Vilas Pai e Filho, o Frederico Martins Mendes (o Fred), o Pai e um ou outro Irmão, o Nuno Teixeira Neves, o Machadinho do Diário de Lisboa, e mais uns quantos. Do teatro, vindos de Lisboa, eram também frequentadores o Ruy de Carvalho, o Raúl Solnado e a Joselita Alvarenga, o Carlos José Teixeira, o Curado Ribeiro, a Delfina Cruz, o João Lourenço (enquanto esteve no Regimento de Infantaria da Senhora da Hora a fazer a tropa)… Porque comecei a escrever nomes quando faltam sempre muitos… Muitos destes nomes já morreram; outros andam pelo facebook ou pela vida. Vamos lá a ver se algum reage. E, recebíamos gente vinda de Lisboa; alguns tinham recepção especial. A D. Beatriz não retirou as lâmpadas eléctricas, que estavam apagadas todos os dias e haviam dado o lugar à luz fluorescente, que era mais barata. Mas, quando vinham alguns importantes de Lisboa ela ligava a luz eléctrica e apagava a fluorescente. Tinham essa honra gente como o Mário Cesariny, o Rogério Paulo, o José Cardoso Pires, o Artur Bual (estes aqueles que eu vi com esta distinção da dona do café). Portanto, hoje escrevi nomes que frequentaram o Majestic, entre 1965 e 1968.
Depois chegou um brasileiro de torna-viagem, cujo nome não me recordo, que se casou com a D. Beatriz e lá acabaram por morrer os dois. A vida, entretanto, fez-me afastar do Porto e do Majestic, mas muitas vezes regressei ao meu Café. Muito aprendi nestas tertúlias… Em 1994 o Agostinho Barrias comprou o Café, fez profundas obras de remodelação e na reabertura apareceu com a configuração inicial; os anos vinte do século passado voltaram ao número 122 da Rua de Santa Catarina. Já nos anos dois mil foi considerado o sexto mais belo do mundo. Os turistas estrangeiros passaram a ser a frequência normal e os preços foram acentuadamente elevados. Costumo dizer que nos últimos anos não tinha dinheiro para o frequentar como dantes!… Agora desapareceram os turistas e o Café fechou. Lembro-me que quando lá fui filmado, creio que em Outubro deste ano, muitas mesas estavam já desertas; e eu fui filmado em várias diferentes…
Apesar de tudo: AMO O MAJESTIC, como em Lisboa amei o Monte Carlo. São partes importantes da minha vida. São partes importantes da História da Cultura do século XX em Portugal… O Majestic fechou nesta última segunda-feira sem data para a reabertura. Efeitos da pandemia.
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  • Depois lerei o texto todo que me parece interessante – só dizer, para quem vinha do Algarve ao Porto que adoro, via filas na Lello e os preços do Majestic…a ganância também mata. Lamento a situação dos trabalhadores.
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