açores, um submarino e o separatismo despertado

* HISTÓRIA POSTAL AÇORIANA
** Como um submarino acordou o separatismo
O ataque de um submarino alemão à Base Naval de Ponta Delgada, criada em 1917 pelos Estados Unidos, no contexto da I Guerra Mundial, despertou desejos separatistas, revelou, quinta-feira, Álvaro Monjardino, numa conferência na Biblioteca de Angra do Heroísmo.
A ilha foi apanhada de surpresa pelo ataque, que aconteceu a quatro de julho de 1917. A resposta das baterias de costa portuguesas foi um “desastre” e a salvação veio pelo navio americano U.S.S. Orion, que estava no porto para reparações. A população de Ponta Delgada sentiu-se desprotegida, abandonada pelo Governo Português.
“Isto causou uma impressão tremenda em São Miguel, mormente na cidade de Ponta Delgada. Pensaram: Se não fosse esta gente, estávamos aqui à mercê… Deu-se uma coisa complicada. Os jornais começaram, embora com uma certa discrição, porque havia censura, a afirmar que o que nos valia eram os americanos”, explicou, na conferência inserida no ciclo “100 Anos da Primeira Guerra Mundial”, promovido pela direção regional da Cultura, através da Biblioteca de Angra.
A intenção de uns Açores independentes tinha já surgido no século XIX, com contornos mais teóricos. O submarino alemão acordou-os. “Isto teve eco nas comunidades emigradas nos Estados Unidos. Começaram a aparecer lá, nos jornais, referências segundo as quais o que os Açores tinham de fazer era separar-se de Portugal e passar-se para os americanos”, assinalou o advogado, primeiro presidente da Assembleia Regional.
Dali a uns meses, chegou a Ponta Delgada um almirante americano, OwarDunn, que, de alguma maneira, acalentou estes desejos. Já em 1918, passou em São Miguel um então jovem subsecretário da Marinha, chamado Franklin D. Roosevelt.
Uma carta de 1979, enviada a Álvaro Monjardino por um ex-membro da Casa dos Açores do Rio de Janeiro, relatava as memórias de um antigo chanceler brasileiro, Osvaldo Aranha. “Osvaldo Aranha contou que o presidente Roosevelt lhe tinha dito que, aquando da guerra de 1914, tinha, na sua qualidade de subsecretário da Marinha, passado nos Açores, sendo-lhe solicitada uma entrevista com uma proeminente figura da política açoriana, que pretendera recusar, sendo convencido do contrário pelo almirante Dunn”, revelou Monjardino. “Esse político explicou a Roosevelt que os açorianos, sentindo-se sobrecarregados pelo poder central, pretendiam separar-se de Portugal”, acrescentou. Roosevelt recusou a ideia.
O Dr. Álvaro Monjardino acredita que o político pudesse ser José Bruno Tavares Carreiro, até pela proximidade ao almirante Dunn.
Artigo publicado no Diário Insular a 22-NOV-2014
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