AS COLÓNIAS

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Todos os dias somos assaltados por notícias, que nos dão conta de um Portugal colonizador sem escrúpulos e pronto para papel químico! As notícias que ouvíamos na altura sobre a Junta de Colonização Interna, cujo programa “estava a ser um sucesso em Angola e Moçambique” afinal não passavam de grande trapassa de um regime na altura já a cair de pôdre. Diziam-nos os Ferreiras da Costa da emissora nacional “a voz do dono” que os colonatos de Cela em Angola e outros em Moçambique constituiam um sucesso de expansão territorial. E houve gente que acreditou e toca a debandar com armas e bagagens, vacas, bois e algumas alfaias para as terras da prosperidade. Da ilha de S. Jorge, uma das então mais atrasadas do arquipélago, zarpou um navio carregado de gente e haveres que abandonou a sua terra para satisfazer os pedidos da JCI e dos seus agentes bem falantes . Davam milhares de hectares de terreno para que criassem gado e se dedicassem a uma lavoura de latifúndio. Do Faial, mais concretamente da freguesia dos Flamengos, alguns cairam na esparrela dos fabricantes de sonhos de Hollywood . Chegados å terra prometida, depressa se aperceberam que nada era como apregoavam ! Um clima equatorial extremamente quente com chuvas esporádicas, não permitia que as culturas progredissem . Nem as sementes que levaram, ajudaram a que, ao menos, colhessem para pagar as despesas ! Os nativos que foram selecionados para ajudar os novos colonos, só apareciam no corte de trabalho até å refeição que acontecia por volta do meio dia. Depois de terem a barriguinha cheia, cavavam a sete léguas. Os insectos encarregavam-se então de destruir todo o resto. Mas o drama da colonização, reservava algo inédito para os lavradores açorianos. É que, o pouco que restava da colheita do algodão – que nunca era classificado acima da bitola #2 – tinha de ser vendido aos chefes de posto que, numa manobra de gangsters vendiam com a bitola #1 para quem lhes pagasse mais e lhes garantisse melhor mercado. Conclusão, os pobres dos açorianos nunca passavam da cepa torta. Toda a produção tinha de passar pelos “sobas” que, juntamente com os chefes de posto, eram os únicos autorizados a venderem produtos para os habitantes dos colonatos. A falta de chuva, para que a terra progredisse, tinha ficado apenas nos contos de fadas do regime colonizador ! O mesmo que hoje faz dos Açores uma colónia ! Muitos abandonaram as ex-colónias, passados apenas três meses das suas chegadas. Outros, com famílias mais numerosas, aguentaram mais algum tempo mas, acabariam por abandonar o filme no meio da sessão. Alguns encontram-se no Canadá, onde com muito sacrifício refizeram as suas vidas. Com que então Angola e Moçambique é que eram bons países para se viver ? Está-se mesmo a ver ! /LF
” Quando a oferta é grande, o santo desconfia “
1otSponusoredhm

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Todos os dias somos assaltados por notícias, que nos dão conta de um Portugal colonizador sem escrúpulos e pronto para papel químico! As notícias que ouvíamos na altura sobre a Junta de Colonização Interna, cujo programa “estava a ser um sucesso em Angola e Moçambique” afinal não passavam de grande trapassa de um regime na altura já a cair de pôdre. Diziam-nos os Ferreiras da Costa da emissora nacional “a voz do dono” que os colonatos de Cela em Angola e outros em Moçambique constituiam um sucesso de expansão territorial. E houve gente que acreditou e toca a debandar com armas e bagagens, vacas, bois e algumas alfaias para as terras da prosperidade. Da ilha de S. Jorge, uma das então mais atrasadas do arquipélago, zarpou um navio carregado de gente e haveres que abandonou a sua terra para satisfazer os pedidos da JCI e dos seus agentes bem falantes . Davam milhares de hectares de terreno para que criassem gado e se dedicassem a uma lavoura de latifúndio. Do Faial, mais concretamente da freguesia dos Flamengos, alguns cairam na esparrela dos fabricantes de sonhos de Hollywood . Chegados å terra prometida, depressa se aperceberam que nada era como apregoavam ! Um clima equatorial extremamente quente com chuvas esporádicas, não permitia que as culturas progredissem . Nem as sementes que levaram, ajudaram a que, ao menos, colhessem para pagar as despesas ! Os nativos que foram selecionados para ajudar os novos colonos, só apareciam no corte de trabalho até å refeição que acontecia por volta do meio dia. Depois de terem a barriguinha cheia, cavavam a sete léguas. Os insectos encarregavam-se então de destruir todo o resto. Mas o drama da colonização, reservava algo inédito para os lavradores açorianos. É que, o pouco que restava da colheita do algodão – que nunca era classificado acima da bitola #2 – tinha de ser vendido aos chefes de posto que, numa manobra de gangsters vendiam com a bitola #1 para quem lhes pagasse mais e lhes garantisse melhor mercado. Conclusão, os pobres dos açorianos nunca passavam da cepa torta. Toda a produção tinha de passar pelos “sobas” que, juntamente com os chefes de posto, eram os únicos autorizados a venderem produtos para os habitantes dos colonatos. A falta de chuva, para que a terra progredisse, tinha ficado apenas nos contos de fadas do regime colonizador ! O mesmo que hoje faz dos Açores uma colónia ! Muitos abandonaram as ex-colónias, passados apenas três meses das suas chegadas. Outros, com famílias mais numerosas, aguentaram mais algum tempo mas, acabariam por abandonar o filme no meio da sessão. Alguns encontram-se no Canadá, onde com muito sacrifício refizeram as suas vidas. Com que então Angola e Moçambique é que eram bons países para se viver ? Está-se mesmo a ver ! /LF
” Quando a oferta é grande, o santo desconfia “

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lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL