PEDRÓGÃO, LAXISMO, INCÚRIA E NADA FEITO 3 ANOS DEPOIS

For my Portuguese friends: Os incêndios de Pedrógao ocorreram há três anos.

Para o que se faz em Portugal, a nível de governação, não parece ser necessário um governo com 70 pessoas. Nem tantos acessores. Nem tantas direcções-gerais. Nem tantas empresas públicas. Nem tantos institutos. Nem tantos observatórios.

Passaram 3 anos e pouco ou nada foi feito: a floresta continua ardida (até o Pinhal de Leiria!), a região continua desordenada e descuidada, o SIRESP continua sem funcionar e com cabos aéreos, as administrações interna e pública continuam regidas com as mesmas irresponsabilidade e incompetência e os esquemas de corrupção – por onde se esvaíram muitos donativos privados – não foram investigados.

Entretanto, cerca de 22% da população portuguesa vive abaixo do nível de pobreza – que já de si é muito baixo – enquanto que uma casta de auto-iluminados se alimenta do nosso rico dinheirinho através da imensa corrupção – material e intelectual – que grassa nos corredores do poder. É possível encontrar uma interpretação segundo a qual algo não está explicitamente assinalado na lei como sendo ilegal, embora de ético nada tenha? Então aproveite-se já porque no futuro poderá não ser possível! Se necessário, contrate-se uma das firmas habituais de advogados para elaborar um parecer a apoiar, até porque mesmo não sendo todos sérios convém parecê-lo!

Entretanto o peso do Estado na economia e na sociedade continua a crescer, num esquema viciado que compra votos de pessoas desprovidas de pensamento crítico enquanto aumenta as vantagens para a casta de auto-iluminados.

Temos de educar as novas gerações em autonomia intelectual, com espírito crítico e criativo, para que responsabilidade possa ser um valor central da sua cultura e construam a vida em que acreditam e querem ter. Para incompetentes e irresponsáveis já bastam muitos dos que andam pelos corredores do poder. Isto é precisamente o que muitos políticos não querem mas é o que o país precisa se quiser ser mais desenvolvido e repleto de oportunidades ao alcance de todos em condições idênticas (“a level playing field”).

Crescentemente, a desigualdade mais gritante é a que ocorre entre governantes (e gestores públicos ou para-públicos) e governados. É uma desigualdade de poder, a mãe de todas as desigualdades. Geert Hosftede estudou esta “power distance” em pormenor e concluiu que em Portugal a cultura vigente aceita que este contraste de poder seja imenso. Portugal é o país europeu onde a população aceita esse tipo de contraste com mais naturalidade. No outro extremo, a cultura vigente na Noruega é oposta: na Noruega tal contraste de poder não existe porque a sua existência seria inadmissível. Até nisto a cultura portuguesa revela o imenso peso da parolice nas suas características.

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lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL