vila franca quer combater fake news cientificos??????

Já nem me incomoda um grupinho de arqueólogos e seus associados cuja grande função profissional parece ser definir o que é ciência e pseudociência. Podem escavar bem fundo ou mergulhar bem fundo, com as suas ferramentas epistemológicas, que nunca vão encontrar o conceito. Distinguir ciência de pseudociência depende da capacidade crítica e abrangência do conhecimento científico do analista. Só a arrogância de cada um lhe permite julgar sem provas e com meros preconceitos o que é ciência ou pseudociência, todavia, há ciência errada, que se prova com factos ou deduções matemáticas e lógicas.
Quer esse grupinho combater as “fakenews” no que se refere à presença pré-portuguesa nos Açores. Ora, em ciência não há “fakenews” poderá haver “fakefacts”, mas provar que um “fakefact” é falso, só se chega lá com trabalho e não com retórica. Excusam de evocar a história, pois isso é trabalho de historiadores. A história sabe com que linha é que se cose. Foquem-se nos factos: Algumas construções, tipologia das construções alvo, arte rupestre, dados paleoecológicos e datações.
Podem escavar com colheres de pedreiro todas as “fakenews”, mas o mais provável é encontrá-las no fundo das suas gargantas. Se usarem o pincel na escavação das “fakenews”, certamente fará pó, verão que vão tossir uma data delas. Não digo nomes porque considero o Argumentum ad Hominem inaceitável, até que usem o meu nome, e porque há várias pessoas a falar sobre a mesma coisa, sem que estejamos forçosamente de acordo. Em ciência as pessoas podem discordar sem se atropelarem com o “…eu é que sei”.
Enquanto a ciência tenta construir um discurso claro e objetivo, de modo a tornar tudo muito preciso, esses senhores gostam de misturar tudo: Atlântida, Fenícios, Megalitismo, Arte Rupestre, Epigrafia, Conspiração, Extra-Terrestres, Magia, etc. Sim de facto, acerca dessa problemática pode haver gente diversa a falar disso tudo. E de facto falam.
Ora, a arte rupestre é de antes da escrita e a epigrafia depois da escrita: nada como misturá-las para “…esclarecer as pessoas comuns com uma linguagem acessível”. Com essas misturas exemplifica-se muito bem como funciona a “Ciência Arqueológica”. Deste modo e para essa gente, a Arqueologia que é “Uma Ciência Social” deve questionar as “Ciências Naturais”. De facto todos temos uma ideia de que são as humanidades e as ciências sociais as grandes áreas fazedoras de ciência inequivocamente objetiva, e as ciências naturais aquelas que usam a retórica para produzir jornalisticamente “fakenews”…… A teoria da evolução das espécies é certamente para alguns “fakenews”. Certamente com a teoria da relatividade generalizada, os arqueológos especialistas em espaço de Minkowski, quereriam escavar um buraco negro. Nalguns contextos, de facto, criam buracos negros no conhecimento com alguns dos seus pareceres.
Mas ainda se vai mais longe num gruppetto aparentemente orquestrado: garante-se que “…há uma tentativa de enganar os açorianos acerca da sua história”. Afinal o megalitismo faz parte da história ou da pré-história? A história de um lugar natural é a história de uma comunidade? A história dos açorianos não é a história dos portugueses? É impressionante a profundidade dos argumentos científicos da ciência arqueológica desses arqueólogos.
A Ciência questiona, esses arqueólogos arremetem, mesmo que o questionamento venha de outros arqueólogos.
A Ciência data, esses arqueólogos não acreditam.
A Ciência volta a datar, esses arqueólogos não conseguem cheirar.
A Ciência tipifica, esses arqueólogos berram porque entendem que só eles é que têm competências para fazer isso. Qualquer um pode fazer um diagrama de Venn. Deviam ler o “Theatre/Archaeology” para terem uma ideia das limitações da “ciência arqueológica”.
A partir de agora vou citar apenas alguns arqueólogos inteligentes:
“Encontrar coisas pode ser algo de outra escala que não é a escala do objeto”.
“Na verdade, nós não descobrimos sítios arqueológicos – nós, na prática, com as nossas observações e restauros, construímos esses sítios.”.
“A arqueologia é um simulacrum” (algo que simula um passado que nunca existiu), é artificial e materializa uma narrativa do passado”.
Percebe-se a razão pela qual e de forma tão ostensiva alguns arqueólogos utilizam como ferramenta científica o Argumentum ad hominem e regurgitam todos, o mesmo vómito. A isso chama-se corporativismo.
Não construam significados acerca daquilo que todos nós já sabemos, usando outros termos.
Se não percebem o que digo, peçam um parecer.

A imagem não é um cachimbo (Ceci n’est pas une pipe- La trahison des images).

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Comments
  • Ricardo Dias A ciência vive essencialmente de factos, não de preconceitos
  • Alexandre Barbosa Alguma ciência actual (e de à muitos anos…) anda por caminhos suspeitos e falaciosos… Mas cada ser acredita no que mais lhe convém ou é de certo modo foi Programado…
  • Nuno Ribeiro Grande Félix, não dês importância. Os factos são incontornáveis, bem como as datações. O ano de 2021 vai ser o ano da derrota absoluta desses senhores. Espera mais um pouco🤓
  • Víctor Alves Fake them! Chega-lhes. Abraço

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lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL