covid muitas perguntas sem resposta

Ok. Apenas para reflexão. Medidas para proteger contra covid-19 vs impacto ambiental.
1) lavar e desinfectar mãos. Isto implica gastar água, sabão que depois entram no sistema de águas pluviais que precisa de ser limpa, ora isto significa que estamos a consumir mais água porque lavamos mais vezes as mãos. O uso de gel e álcool requer mais consumo de energia para produção e gera mais lixo, talvez reciclável, talvez não. Ponto um fechado, qual a conclusão? Que estamos a poluir ainda mais o ambiente? Não sei, talvez.
2) o uso de máscaras. Primeiro não existe total garantia de que, de facto protege. Segundo, implica ter que produzir mais máscaras (descartáveis ou não), o que significa mais consumo de energia porque é um bem essencial (sem sequer pensar em que condições são produzidas, onde e por quem; haverá trabalho escravo e mão de obra infantil a produzir estas máscaras?). Terceiro, as máscaras descartáveis que deveriam ser apenas para os profissionais de saúde, pois os hospitais têm forma de processamento do lixo hospitalar, estão a ser largadas no chão, porque as pessoas não têm civismo. Quarto, ao usar máscaras não estaremos a respirar o próprio CO2 que produzimos? O que se conclui sobre as máscaras? Que tem mais aspectos negativos do que positivos? Não sei. Não tenho respostas, não sou especialista, isto é uma simples reflexão com base no senso comum, como tal requer argumentos científicos que agradeço alguém me explique.
3) o distanciamento social. Ficar em casa e manter distância social. Primeiro aspecto a considerar é que é contra natureza humana ser isolado. Só os eremitas gostam de isolamento. A maioria da pessoas precisa de contacto social. Privar o homem disso é criar depressao nas pessoas. Segundo, isto significa privar as pessoas da mobilidade. As pessoas precisam de andar, mover-se. Fazer exercício físico. É contra natureza humana não o fazer. O corpo ganha peso e os músculos começam a atrofiar. A única vantagem (talvez) é que se reduz bastante a produção de CO2 resultante da queima de combustíveis fósseis dos automóveis e barcos e aviões, logo aparentemente tem vindo a reduzir a poluição atmosférica. Terceiro, as pessoas precisam de entretenimento cultural. Como as aglomerações estão restritas, os eventos culturais estão parados, isto significa que os profissionais dos espectáculos estão sem trabalho. Depois há as festas populares e tradições religiosas. As pessoas sem isso ficam depressivas, ora isto significa que têm que encontrar outras formas de se entreter. Algumas conseguem, mas outras não. Quarto, está tudo estagnado/atrasado (escolas, consultas de saúde e cirurgias, serviços públicos mais lentos e que podem não ser acessíveis a todos porque há pessoas que não sabem usar tecnologia de computadores). Quinto, estará a nossa liberdade cada vez mais condicionada e vigiada? Usamos cada vez mais a tecnologia digital para trabalhar, mas isso implica perder um pouco a nossa privacidade. O trabalho agora é feito em casa, quando deveria ser o espaço para descansar. É uma nova dinâmica que se nos apresenta? Estamos preparados para este tipo de vida? As lei protegem os trabalhadores que fazem tele trabalho? O que se conclui aqui? Que a única vantagem é a redução de poluição atmosférica? Não sei, talvez.
O que se pode concluir destas reflexões? Que é uma nova realidade que se nos apresenta e que para a qual ninguém estava preparado e que apontar culpados não resolve nada? Implica repensar estilos de vida? Implica criatividade? Implica que é preciso repensar o sistema de ensino para nos adaptarmos a nova realidade? Isto são apenas meras reflexões. Não são verdades absolutas. Gostaria que as vissem como tal e se quiserem refutar com factos, façam. Obrigado e desculpem o longo texto.

Comments
  • Isabel Pereira 1- Há outras formas de poluição bem mais significativas, como fábricas, aviões, cruzeiros, carros…e ninguém fala em reduzir.
  • Isabel Pereira 2- Quem tiver dúvidas sobre a utilidade das máscaras, basta pensar que qualquer ato cirúrgico não a dispensa. Ninguém me convence da sua inutilidade.
  • Isabel Pereira 3 – Claro que o distanciamento físico – não social porque me parece que nunca socializámos tanto – é contranatura, mas acredito que seja o meio mais seguro de nos defendermos. Claro que o risco é muito maior para os mais velhos (a peste grilsalha, como alguém lhes chamou) e doentes crónicos, aqueles que menos produzem. Se assim não fosse, acredito que haveria ainda muito mais rigidez nas medidas. As questões do teletrabalho são pertinentes, mas pode ser uma forma de aliviar o planeta da poluição. Vou ficar por aqui, são também reflexóes, as minhas, claro. Ah, ao contrário do que muita gente alvitrou, não me parece que haja uma grande reflexão no sentido das mudanças para proteger o ambiente e, consequentemente, os mais jovens e os vindouros.
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Publicado por

lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL

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