para termos vergonha mais tarde Mariana Machado

Quando isto tudo passar espero que tenhamos todos muita vergonha pela forma como, durante esta crise, nos manifestamos em relação às pessoas mais velhas. Desde respirarmos de alívio nas fases iniciais porque “é uma gripe que só mata os velhos” até não termos uma estratégia bem definida para proteger os mais frágeis (que não são só os mais velhos), nem haver qualquer preocupação acrescida com o que se está a passar em vários lares no país inteiro. Olhando para Itália e Espanha só uma grande negação (ou perversão) é que não nos deixaria prever este cenário.
Espero que tenhamos muita vergonha de nos mostrarmos abertamente como uma sociedade que se está a cagar para as pessoas que nela têm mais conhecimento acumulado e que no fundo nos tornaram o que somos. Nem todas as pessoas mais velhas que morreram ou irão morrer estavam demenciadas e incapacitadas de comunicar (e mesmo que estivessem esta bestialidade não se justificava), muitas ainda teriam carinho para dar aos netos, filhos, cônjuge, amigos e muitas ainda teriam capacidade de nos transmitir conhecimento, muito dele de uma ordem especial, a que só o tempo permite aceder.

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Publicado por

lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL

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