Arquivo mensal: Fevereiro 2020

Coronavírus. Graça Freitas diz que, no pior cenário possível, Portugal poderá ter um milhão de infetados – Observador

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Source: Coronavírus. Graça Freitas diz que, no pior cenário possível, Portugal poderá ter um milhão de infetados – Observador

 

https://sicnoticias.pt/especiais/coronavirus/2020-02-28-DGS-visita-lojas-chinesas-do-Martim-Moniz-para-afastar-receios-sobre-o-coronavirus?fbclid=IwAR28X131A82r2KgfQxeQnthgqVuY74kPnU067eLZpdtM-fSMT3NchABG2zc

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  • Sara Sepulveda da Fonseca Que estranho apresentar este “espectável” panorama, mas nas notícias só se confirmam ” não casos”! Ontem a prioridade da senhora Directora Geral foi andar pelas lojas dos chineses , em Lisboa, parecendo que a grande preocupação seja a de que estes lojistas não fiquem prejudicados no seu negócio. Eu daria uma sugestão: seria bem mais importante perceber porque é que ontem uma pessoa esteve seis horas encerrada numa casa de banho dum centro de saúde do nosso país! Isso sim era de valor, Aperceberem-se dos constrangimentos ( e não são poucos) que temos por esse país fora, nos mais variados serviços de saúde, que “rebentam pelas costuras” em momentos de gripe sazonal, e que agora se confrontam com o malvado COVID 19!A publicidade é mais fácil….resolver os reais problemas com que se deparam ,dia após dia, os profissionais de saúde, dá muito trabalho! Ontem um colega que tinha vivido uma situação de atendimento de um caso suspeito desabafava: “isto é uma palhaçada pegada… é por isso , se calhar que não há casos confirmados. Assisti a uma situação em que a meu ver era imperativo, porque tinha critérios, para que a pessoa fizesse análises! Mas não foi essa a decisão…essa pessoa foi mandada para sua casa , fazer monitorização das temperaturas, e ao fim de uns dias logo se vê o que fazer”(sic.) É isto também o que temos senhora Drª Graça de Freitas.

controlo dos cruzeiros nos Açores

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Coronavírus – um plano cheio de contingências…

“O aumento das escalas de navios de cruzeiro da mais variada proveniência de passageiros e portos, pode trazer-nos transtornos imprevisíveis.
A meu ver, deverá fazer-se um controlo sanitário muito apertado, mesmo que isso gere constrangimentos aos visitantes, às empresas locais e, eventualmente, cancelamentos. O mais importante é a salvaguarda dos residentes.”

1. O coronavírus/COVID-19 continua a sua caminhada imparável, instalando-se aqui e ali, fazendo suas vítimas dentre os mais vulneráveis. Instala-se, sem apelo nem agravo, gera instabilidade pessoal, familiar, social e económica e nem mesmo os serviços de saúde mais preparados estão imunes aos seus malefícios.
Pode mesmo dizer-se que o coronavírus, transformando-se em pandemia, é – mutatis mutandis – a peste negra da Idade Média, a febre hemorrágica viral que tantos países ainda afeta, a lepra dos nossos dias.
Nestes pedaços da Europa banhados pelo Atlântico, não estamos imunes – Deus queira que sim! – a essa detestável maleita. Se aqui vier parar, poderá ter sido trazido por hospedeiro chegado via marítima, ou por via aérea. A nossa permeabilidade é de tal ordem que as nossas fronteiras marítimas, mesmo se encerradas a esse vírus terão muitas dificuldades em suster tal inimigo público.
O assunto tem sido sobejamente abordado nos media, sobretudo nas TV’s.
Especialistas da área, quando interrogados sobre se o país está preparado para uma pandemia, respondem, imediatamente que não. E justificam com os cortes na saúde, a falta de profissionais e de equipamentos adequados e as dificuldades no tratamento das populações do interior e das ilhas, quando o vírus atacar em força.
2. Com três hospitais centrais, (só o de Angra está integrado na rede nacional de diagnóstico de segunda linha) os serviços de saúde parecem impotentes, por comprovada e pública falta de meios humanos para responder satisfatoriamente e em circunstâncias excecionais, se a pandemia for declarada.
A notória incapacidade de instalações adequadas ao tratamento de doentes afetados; uma população envelhecida residente em seis ilhas, onde só existem centros de saúde, e não há meios humanos e técnicos adequados; os constrangimentos em instalar de quarentena idosos acamados e com difícil mobilidade… como vai ser possível diagnosticar o vírus em tempo útil e tratá-lo, se todos estes problemas existem? Com que rapidez serão transportados para os hospitais os pacientes afetados?
Estas são questões que ainda não vi respondidas satisfatoriamente.
Longe vão os anos em que famílias inteiras foram devastadas pela lepra. Nesses tempos, de que tanto ouvi falar meu pai que os guardava bem presentes, casas e famílias ficaram completamente isoladas para impedir o contágio, num abandono terrível. Muitas pessoas morreram devido à carência médica e de medicamentos.
Dessas tragédias por que passaram populações isoladas, a história açoriana quase nada relata. E seria importante, para que pudéssemos compreender melhor a luta de tanta gente que então viveu e cresceu sem o essencial e que só se resgatou com a emigração.
3. Agora que os Açores dispõem de administração autónoma exige-se que o anunciado plano de contingência para fazer face à eventualidade de um surto epidémico, seja adequado às conhecidas carências e especificidades e que, os diversos locais de tratamento funcionem bem.
Não podemos aceitar, nem esperar que sejam outros a definir o modo como devemos organizar-nos para responder a esta gripe. Precisamos de apoio e da solidariedade nacional e europeia, sim!, mas temos a noção de que quem não experienciou o viver em ilhas, dificilmente nos compreende.
A União Europeia anunciou há dias uma dotação orçamental importante destinada ao combate ao coronavírus e à investigação científica associada à descoberta da vacina.
As dificuldades decorrentes da ultraperiferia, aconselham que as autoridades regionais sejam corajosas e determinadas e, secundando este anúncio, solicitem às instâncias europeias, com projetos bem elaborados e fundamentados, apoios para prevenir e conter a propagação do vírus, que facilitem a mobilidade dos doentes em meios aéreos adequados à sua debilidade e reforcem a capacidade de resposta dos cuidados de saúde em todas as ilhas.
4. O aumento das escalas de navios de cruzeiro da mais variada proveniência de passageiros e portos, pode trazer-nos transtornos imprevisíveis.
A meu ver, deverá fazer-se um controlo sanitário muito apertado, mesmo que isso gere constrangimentos aos visitantes, às empresas locais e, eventualmente, cancelamentos. O mais importante é a salvaguarda dos residentes.
Sem serviços de saúde eficazes, competentes e rápidos – muito mais agora -, operadores e turistas dificilmente confiarão na qualidade das respostas que encontrarão nos portos de escala.
Prestes a entrar a época alta do turismo, espera-se que tudo seja feito para prevenir e cuidar de eventuais doentes afetados pelo COVID/19, para que esta indústria continue em franco crescimento.
Prevê, é certo, uma diminuição do número de turistas a nível mundial. Todavia, a saúde é um bem prioritário que anda de braço dado com qualquer destino turístico.
Façamos tudo o que está ao nosso alcance para promovê-la, sem nos esquecermos dos açorianos mais vulneráveis e com menores acessos aos cuidados médicos e hospitalares.

(José Gabriel Ávila – jgazores@gmail.com – jornalista c.p. 239 A – escritemdia.blogspot.com in Jornal Diário dos Açores de 29.02.2020)

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Comments
  • Cristi Amaral O meu ponto de vista não entrava nem saía ninguém, governo só pensa no turismo,deixa fulano A,B,C viajar depois sabe lá se teve em contato com alguém que ainda não manifestou os sintomas mas já tem o vírus, é uma bola de neve
  • Ulla Eduarda Machado-Damhaug Control d quem sai!
  • Maria Das Neves Baptista Muito bem! Espero que reflexões e alertas não caem em saco roto.
  • João Costa Relativamente ao 4 ponto, deveria ser como diz, mas como sempre, o capitalismo prevalece ao bem estar das populações e sua proteção…

a peste e o medo

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28 de fevereiro de 2020

A peste e o medo

ftin
“Dois homens batem à porta. ‘Bom dia, minha senhora, viemos para instalar o medo. E, vai ver, é uma categoria’” [A instalação do medo, Rui Zink, edição Teodolito 2012]. O medo é uma categoria, não há dúvida. E está bem instalado. Desta vez, o nome do agente é Covid-19 e Portugal não ficará imune. Preparado para viver em tempos de peste?

“A primeira coisa que a peste trouxe aos nossos concidadãos foi o exílio”, escreve Albert Camus na sua obra-prima A peste (1947), uma parábola sobre a ocupação de França pelos nazis durante a II Guerra Mundial que é uma peça de resistência mas também o desnudar da natureza humana em tempo de epidemias: expõem-se a solidariedade mas também a solidão, a desorientação, o açambarcamento, a desesperança, a discriminação, o pânico…

Sara Sofia Gonçalves está a viver no principal centro europeu da epidemia. “À parte lidar com chamadas de familiares, estudar em Milão em plena crise de um coronavírus altamente contagioso tem sido tranquilo. Estou a estudar e a viver há quase dois meses em Milão, ao abrigo do programa Erasmus. Desde o último fim-de-semana, as medidas de prevenção têm-se feito sentir de alguma forma no meu dia-a-dia. Não há aulas. Mas ‘calma’ é ainda a palavra de ordem”, escreveu para o P3.

Calma! “Você provavelmente vai ter o coronavírus” é o título de um longo artigo publicado esta semana na revista The Atlantic onde se avança com a hipótese de a “época das constipações e gripe poder tornar-se a época das constipações, gripe e Covid-19”. Então é caso para entrar em pânico? Não, responde a Andrea Cunha Freitas, citando muitos especialistas que defendem precisamente o contrário, que temos que aprender a viver com ele: “O novo coronavírus pode vir a entrar na rotina dos nossos Invernos e até, quem sabe, vir a ter uma vacina como existe para a gripe sazonal”.

O medo é pior do que o vírus”, escreveu o Pedro Esteves esta sexta-feira. “Logo a seguir, vem a ignorância” e é por isso que ele fala sobre os verdadeiros riscos do vírus e da doença, lembrando que a mortalidade por esta forma de pneumonia é na ordem dos 2%. “A única forma sã de lidar com o problema é assumir que o vírus chegou a Portugal e que temos de aprender a lidar com ele”. E você, já sabe o que fazer?

De que serve fechar fronteiras, exigir que se mostrem passaportes, encostar um termómetro a uma testa de um qualquer de nós assintomático? O historiador Manuel Loff conjectura que “de alguma coisa serve. Serve para continuar a alimentar esta cultura do medo coletivo que tem alastrado desde o 11 de Setembro. O medo, sabemo-lo há muito, ‘é um indicador de poder (…) uma emoção essencial na arte de governar’ […] Não surpreende que estes sejam tempos de racismo e de neofascismo”.

Certo é que estamos já numa nova fase em que o Covid-19 já se espalha mais rapidamente pelo resto do mundo do que na China. Mas ainda que o acelerar do surto esteja a gerar uma preocupação assumida no seio da União Europeia (UE), a situação não é, para já, considerada motivo de pânico, insistindo Bruxelas na necessidade de coordenação dos Estados-membros “em tempo real” para enfrentar um fenómeno que é “dinâmico”. Uma das grandes preocupações das instituições prende-se com os efeitos negativos nos mercados financeiros.

Outros contágios

Sabe-se como também são contagiosas as perdas financeiras dos bancos e como os seus efeitos se propagam em ondas de choque sobre as populações. No caso português mais grave, o remédio encontrado para o colapso do BES foi dividir o banco em dois, lembra-se? O banco bom era o Novo Banco e ainda assim, seis anos depois, continuamos a pagá-lo. Este ano, o Novo Banco vai pedir ao Fundo de Resolução 1037 milhões de euros por conta dos resultados de 2019. Em três anos, o banco que nasceu do fim do BES já foi buscar ao Mecanismo de Capital Contingente quase 3000 milhões de euros.

O problema das dívidas angolanas à construção portuguesa está igualmente longe de estar resolvido. Perdões elevados, problemas de certificação e efeitos cambiais penalizadores deixam empresas fragilizadas e preocupadas, uma situação que já contagiou o próprio FMI. Recorde-se que o montante das dívidas de Angola às construtoras portuguesas está estimado em cerca de 500 milhões de euros, resultado de um passivo que se acumulou durante décadas.

A ver passar aviões

Desta vez parece que não é por falta de dinheiro que o novo aeroporto de Lisboa avança. O Governo aposta tudo na solução Montijo, conseguiu o parecer favorável, ainda que condicionado, da Agência Portuguesa do Ambiente, mas está a esbarrar na vontade de dois autarcas do PCP que, por força da lei, têm poder de veto sobre a obra. Aqui d’el-rey, mude-se a lei, bradou o ministro das Infraestruturas em nome do Governo. Para isso precisaria do apoio do PSD que, por sua vez, já veio dizer que não. Rui Rio quer afastar o partido desse dossier e sugere que o Governo dialogue com os municípios em causa.

E quem são os autarcas que estão a enfrentar ‘Golias’? Um é professor de Matemática, no ensino básico, o outro engenheiro civil. Rui Garcia, 57 anos, presidente da Câmara da Moita, e Joaquim Santos, 44 anos, do Seixal, estão irredutíveis quanto à possibilidade de o aeroporto ser construído no Montijo. “A nossa posição está fundamentada, não é um capricho nem uma estratégia político-partidária. Não estamos à venda”, dizem.

Já no Reino Unido, a expansão do aeroporto Heathrow, o maior da área de Londres, foi travada por um tribunal de recurso britânico por não terem sido considerados devidamente os compromissos do Governo no cumprimento das metas do Acordo de Paris. É a primeira vez que este acordo internacional, que procura conter o aumento da temperatura do planeta, serve de base a uma decisão judicial.

O Observatório da Emigração confirmou esta semana uma tendência que já se prenunciava: no ano passado, antes que o Brexit começasse a doer, os emigrantes portugueses correram a instalar-se no Reino Unido antes que o Brexit começasse a “doer”. Em 2019, as autoridades britânicas registaram a entrada de 24.593 portugueses, o que traduziu um aumento de 30% comparativamente com o ano anterior.

Estado de alarme

Depois do ataque do regime sírio que matou 33 soldados turcos na fronteira entre os dois países, a Turquia avisou a Europa que não vai continuar a impedir a saída de refugiados da sua costa, o que lança um alerta vermelho a Bruxelas. Mesmo antes deste episódio, de consequências imprevisíveis, já a tensão e a violência estavam a explodir nas ilhas gregas onde estão mais refugiados – Lesbos, Samos e Quios, mais perto da Turquia. O novo Governo grego quer construir campos completamente fechados para os migrantes, contra a vontade das autoridades locais.

É preciso criar um estado de alarme que acorde as consciências”. A afirmação de Lídia Jorge numa das entrevistas de fundo que marcam os 30 anos do PÚBLICO (de que pode ouvir uma parte neste podcast) refere-se a outro tipo de vírus do nosso tempo: os populismos, a ignorância, a mentira institucionalizada que se propaga incontrolavelmente nas redes sociais. A romancista lança um desafio directo aos intelectuais, aos professores, aos jornalistas, pedindo-lhes “uma atitude de resistência”. E afirma a sua esperança nos jovens, que começam a manifestar-se, a “ensaiar” resistências colectivas, a “sentir que têm força e podem unir-se em torno de causas”.

No Brasil, o Carnaval que esta semana desfilou em todo o seu esplendor, também serviu como forma de resistência social e cultural. Uma das bandeiras foi o combate ao assédio e importunação sexual, numa época particularmente sensível para as mulheres. Em 2019, houve 348 queixas de importunação sexual durante o mês de Março, quando decorreu o Carnaval, em São Paulo, de acordo com o governo estadual. O novo correspondente do PÚBLICO no Brasil, o João Ruela Ribeiro, saiu à rua para nos contar como a sociedade brasileira tem começado a despertar para o problema.

Portugal na berra

Mais de 500 anos depois dos Descobrimentos, Portugal volta a ter “um papel pioneiro e de liderança no Atlântico”. Q​uem o afirma é Yasser Omar, que faz parte do projecto de investigação para o lançamento de novos cabos de comunicações submarinos entre Portugal continental, Açores e Madeira. Os novos cabos permitirão a investigação científica nas alterações climáticas, na oceanografia, geofísica e sismologia. “É a oportunidade de Portugal ser pioneiro no mundo em lançar uma infra-estrutura de telecomunicações que tem também esta componente científica, tecnológica e de aplicação à protecção civil e dar o exemplo ao mundo.”

No turismo, Portugal continua na berra. Desta feita, conquistou três lugares na lista das 10 melhores praias de nudismo do mundo. Um feito, tendo em conta que só há nove praias oficiais de naturismo no país. A Bela Vista da Caparica, a das Adegas, em Odeceixe, e a Barreta de Faro são belas praias, com menos ou mais têxteis no cenário. Vale a pena visitá-las, antes que sejam invadidas no Verão. Com temperaturas como as que temos tido em Fevereiro, já muita gente deu por aberta a época balnear. E você?

Esteja onde estiver, faça o que fizer, com mais máscara e menos medo,

Bom fim de semana!

Leonete Botelho
leonete.botelho@publico.pt
28 de fevereiro de 2020

A peste e o medo

“Dois homens batem à porta. ‘Bom dia, minha senhora, viemos para instalar o medo. E, vai ver, é uma categoria’” [A instalação do medo, Rui Zink, edição Teodolito 2012]. O medo é uma categoria, não há dúvida. E está bem instalado. Desta vez, o nome do agente é Covid-19 e Portugal não ficará imune. Preparado para viver em tempos de peste?

“A primeira coisa que a peste trouxe aos nossos concidadãos foi o exílio”, escreve Albert Camus na sua obra-prima A peste (1947), uma parábola sobre a ocupação de França pelos nazis durante a II Guerra Mundial que é uma peça de resistência mas também o desnudar da natureza humana em tempo de epidemias: expõem-se a solidariedade mas também a solidão, a desorientação, o açambarcamento, a desesperança, a discriminação, o pânico…

Sara Sofia Gonçalves está a viver no principal centro europeu da epidemia. “À parte lidar com chamadas de familiares, estudar em Milão em plena crise de um coronavírus altamente contagioso tem sido tranquilo. Estou a estudar e a viver há quase dois meses em Milão, ao abrigo do programa Erasmus. Desde o último fim-de-semana, as medidas de prevenção têm-se feito sentir de alguma forma no meu dia-a-dia. Não há aulas. Mas ‘calma’ é ainda a palavra de ordem”, escreveu para o P3.

Calma! “Você provavelmente vai ter o coronavírus” é o título de um longo artigo publicado esta semana na revista The Atlantic onde se avança com a hipótese de a “época das constipações e gripe poder tornar-se a época das constipações, gripe e Covid-19”. Então é caso para entrar em pânico? Não, responde a Andrea Cunha Freitas, citando muitos especialistas que defendem precisamente o contrário, que temos que aprender a viver com ele: “O novo coronavírus pode vir a entrar na rotina dos nossos Invernos e até, quem sabe, vir a ter uma vacina como existe para a gripe sazonal”.

O medo é pior do que o vírus”, escreveu o Pedro Esteves esta sexta-feira. “Logo a seguir, vem a ignorância” e é por isso que ele fala sobre os verdadeiros riscos do vírus e da doença, lembrando que a mortalidade por esta forma de pneumonia é na ordem dos 2%. “A única forma sã de lidar com o problema é assumir que o vírus chegou a Portugal e que temos de aprender a lidar com ele”. E você, já sabe o que fazer?

De que serve fechar fronteiras, exigir que se mostrem passaportes, encostar um termómetro a uma testa de um qualquer de nós assintomático? O historiador Manuel Loff conjectura que “de alguma coisa serve. Serve para continuar a alimentar esta cultura do medo coletivo que tem alastrado desde o 11 de Setembro. O medo, sabemo-lo há muito, ‘é um indicador de poder (…) uma emoção essencial na arte de governar’ […] Não surpreende que estes sejam tempos de racismo e de neofascismo”.

Certo é que estamos já numa nova fase em que o Covid-19 já se espalha mais rapidamente pelo resto do mundo do que na China. Mas ainda que o acelerar do surto esteja a gerar uma preocupação assumida no seio da União Europeia (UE), a situação não é, para já, considerada motivo de pânico, insistindo Bruxelas na necessidade de coordenação dos Estados-membros “em tempo real” para enfrentar um fenómeno que é “dinâmico”. Uma das grandes preocupações das instituições prende-se com os efeitos negativos nos mercados financeiros.

Outros contágios

Sabe-se como também são contagiosas as perdas financeiras dos bancos e como os seus efeitos se propagam em ondas de choque sobre as populações. No caso português mais grave, o remédio encontrado para o colapso do BES foi dividir o banco em dois, lembra-se? O banco bom era o Novo Banco e ainda assim, seis anos depois, continuamos a pagá-lo. Este ano, o Novo Banco vai pedir ao Fundo de Resolução 1037 milhões de euros por conta dos resultados de 2019. Em três anos, o banco que nasceu do fim do BES já foi buscar ao Mecanismo de Capital Contingente quase 3000 milhões de euros.

O problema das dívidas angolanas à construção portuguesa está igualmente longe de estar resolvido. Perdões elevados, problemas de certificação e efeitos cambiais penalizadores deixam empresas fragilizadas e preocupadas, uma situação que já contagiou o próprio FMI. Recorde-se que o montante das dívidas de Angola às construtoras portuguesas está estimado em cerca de 500 milhões de euros, resultado de um passivo que se acumulou durante décadas.

A ver passar aviões

Desta vez parece que não é por falta de dinheiro que o novo aeroporto de Lisboa avança. O Governo aposta tudo na solução Montijo, conseguiu o parecer favorável, ainda que condicionado, da Agência Portuguesa do Ambiente, mas está a esbarrar na vontade de dois autarcas do PCP que, por força da lei, têm poder de veto sobre a obra. Aqui d’el-rey, mude-se a lei, bradou o ministro das Infraestruturas em nome do Governo. Para isso precisaria do apoio do PSD que, por sua vez, já veio dizer que não. Rui Rio quer afastar o partido desse dossier e sugere que o Governo dialogue com os municípios em causa.

E quem são os autarcas que estão a enfrentar ‘Golias’? Um é professor de Matemática, no ensino básico, o outro engenheiro civil. Rui Garcia, 57 anos, presidente da Câmara da Moita, e Joaquim Santos, 44 anos, do Seixal, estão irredutíveis quanto à possibilidade de o aeroporto ser construído no Montijo. “A nossa posição está fundamentada, não é um capricho nem uma estratégia político-partidária. Não estamos à venda”, dizem.

Já no Reino Unido, a expansão do aeroporto Heathrow, o maior da área de Londres, foi travada por um tribunal de recurso britânico por não terem sido considerados devidamente os compromissos do Governo no cumprimento das metas do Acordo de Paris. É a primeira vez que este acordo internacional, que procura conter o aumento da temperatura do planeta, serve de base a uma decisão judicial.

O Observatório da Emigração confirmou esta semana uma tendência que já se prenunciava: no ano passado, antes que o Brexit começasse a doer, os emigrantes portugueses correram a instalar-se no Reino Unido antes que o Brexit começasse a “doer”. Em 2019, as autoridades britânicas registaram a entrada de 24.593 portugueses, o que traduziu um aumento de 30% comparativamente com o ano anterior.

Estado de alarme

Depois do ataque do regime sírio que matou 33 soldados turcos na fronteira entre os dois países, a Turquia avisou a Europa que não vai continuar a impedir a saída de refugiados da sua costa, o que lança um alerta vermelho a Bruxelas. Mesmo antes deste episódio, de consequências imprevisíveis, já a tensão e a violência estavam a explodir nas ilhas gregas onde estão mais refugiados – Lesbos, Samos e Quios, mais perto da Turquia. O novo Governo grego quer construir campos completamente fechados para os migrantes, contra a vontade das autoridades locais.

É preciso criar um estado de alarme que acorde as consciências”. A afirmação de Lídia Jorge numa das entrevistas de fundo que marcam os 30 anos do PÚBLICO (de que pode ouvir uma parte neste podcast) refere-se a outro tipo de vírus do nosso tempo: os populismos, a ignorância, a mentira institucionalizada que se propaga incontrolavelmente nas redes sociais. A romancista lança um desafio directo aos intelectuais, aos professores, aos jornalistas, pedindo-lhes “uma atitude de resistência”. E afirma a sua esperança nos jovens, que começam a manifestar-se, a “ensaiar” resistências colectivas, a “sentir que têm força e podem unir-se em torno de causas”.

No Brasil, o Carnaval que esta semana desfilou em todo o seu esplendor, também serviu como forma de resistência social e cultural. Uma das bandeiras foi o combate ao assédio e importunação sexual, numa época particularmente sensível para as mulheres. Em 2019, houve 348 queixas de importunação sexual durante o mês de Março, quando decorreu o Carnaval, em São Paulo, de acordo com o governo estadual. O novo correspondente do PÚBLICO no Brasil, o João Ruela Ribeiro, saiu à rua para nos contar como a sociedade brasileira tem começado a despertar para o problema.

Portugal na berra

Mais de 500 anos depois dos Descobrimentos, Portugal volta a ter “um papel pioneiro e de liderança no Atlântico”. Q​uem o afirma é Yasser Omar, que faz parte do projecto de investigação para o lançamento de novos cabos de comunicações submarinos entre Portugal continental, Açores e Madeira. Os novos cabos permitirão a investigação científica nas alterações climáticas, na oceanografia, geofísica e sismologia. “É a oportunidade de Portugal ser pioneiro no mundo em lançar uma infra-estrutura de telecomunicações que tem também esta componente científica, tecnológica e de aplicação à protecção civil e dar o exemplo ao mundo.”

No turismo, Portugal continua na berra. Desta feita, conquistou três lugares na lista das 10 melhores praias de nudismo do mundo. Um feito, tendo em conta que só há nove praias oficiais de naturismo no país. A Bela Vista da Caparica, a das Adegas, em Odeceixe, e a Barreta de Faro são belas praias, com menos ou mais têxteis no cenário. Vale a pena visitá-las, antes que sejam invadidas no Verão. Com temperaturas como as que temos tido em Fevereiro, já muita gente deu por aberta a época balnear. E você?

Esteja onde estiver, faça o que fizer, com mais máscara e menos medo,

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Coronavirus: Trump admin bars Anthony Fauci from discussing outbreak – Business Insider

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Dr. Anthony Fauci has advised six presidents on public-health crises. Now he’s not allowed to speak publicly without White House approval.

Source: Coronavirus: Trump admin bars Anthony Fauci from discussing outbreak – Business Insider

mais um…..Sissoco Embaló promove golpe de estado na Guiné-Bissau – DN

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O autoproclamado presidente Sissoco Embaló demitiu o primeiro-ministro em funções e nomeou outro político para o cargo. Militares tomaram conta da rádio e televisão públicas, suspendendo as emissões. Portugueses aconselhados a restringirem circulação em Bissau.

Source: Sissoco Embaló promove golpe de estado na Guiné-Bissau – DN