16.1.2020 pg global

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O plano de Trump para militarizar o espaço

Posted: 15 Jan 2020 11:44 PM PST

EUA investirão U$738 bi em nova Força Espacial que inclui satélites, aviões, espionagem e armas atómicas em órbita. Iniciativa fere acordos internacionais e pode levar China, Rússia e outros países a corrida armamentista ainda mais insana

Nazanín Armanian | Outras Palavras | Tradução: Rôney Rodrigues

Em 1983, Ronald Reagan, um fanático religioso e ator de cinema convertido em presidente dos EUA, lançou sua Guerra nas Estrelas com o código Excalibur: enviaria ao espaço cerca de 2.200 satélites equipados com armas de partículas subatómicas, ainda por inventar, e que com a velocidade da luz destruiriam as ogivas nucleares soviéticas, hipoteticamente lançadas em direção aos EUA. O projeto não se concretizou: custava cerca de 20 biliões de dólares e só serviria como um videojogo infantil.

Hoje, 34 anos depois, o Congresso dos EUA, de maioria democrata, aprovou um projeto de lei de “defesa”, com orçamento de 738 biliões de dólares, que inclui a criação da Força Espacial (FE), proposto por Donald Trump, outro “presidente por acidente” que afirma que o espaço é o “novo território de combate”.

Essa declaração de guerra ao mundo, como de costume, vem acompanhada por uma grande mentira: que “os EUA perderam a supremacia militar no espaço para a Rússia e a China” e não poderiam “sobreviver a um ataque furtivo da China” ou que o país de Mao “pode instalar uma base militar no pólo sul da Lua” e converter a Via Láctea em uma Rota da Seda espacial! Mas a versão oficial não relata que o maior ataque aos EUA, o 11 de Setembro, foi realizado por uma força “vinda da Idade da Pedra” e não por uma “espacial”?

Na verdade, os EUA seguem liderando o uso de satélites e a tecnologia militar espacial. Possuem 901 satélites (em comparação, China tem 280; Rússia, 150) e planeiam lançar mais 1.300. Mas o Madman de rosto alaranjado que reina em Washington acredita que as armas de destruição em massa existentes na Terra não são suficientes para acabar com todos os seres vivos do cosmo.

A Odisseia Espacial de Trump

Desde 1982 já existe o Comando Espacial da Força Aérea dos EUA, que emprega 36 mil pessoas. Trump propõe criar um órgão semelhante, pelos seguintes motivos:

1- Subornar a indústria de armamentos na reta para as eleições de 2020. O Congresso norte-americano, em um assalto sem precedentes ao dinheiro público, aprovou um adiantamento de 40 biliões de dólares para a implementação da FE, que contratará inicialmente 16 mil pessoas. A dimensão do que a indústria militar vai ganhar só é comparável com o que veio após o 11 de Setembro e a farsa da Guerra ao Terror. O fim da Guerra Fria havia fechado a torneira. Tiveram que inventar um novo inimigo contra quem lutar. Em 12 de setembro, os EUA dão um golpe em si mesmos, outorgando suas rendas a pistoleiros, que lançaram operações militares ilimitadas. Washington desfez-se das armas antigas, testou novas (como os drones), às custas da destruição de nações inteiras e da vida de centenas de milhões de pessoas, entre mortes, feridas, mutiladas, deslocadas e refugiadas.

Um dado revelador: os caças F-22, fabricados nos anos 1980 para enfrentar caças soviéticos semelhantes (que nem haviam sido construídos) nunca foram utilizados. E daí? A Lockheed Martin agora está construindo 2.443 aviões F-35, por 323 biliões de dólares. O negócio da “guerra perpétua” traz recursos permanentes para esse crime organizado, e também perdas permanentes, não apenas para as centenas de milhões de pessoas de outros Estados, mas para os próprios cidadãos norte-americanos. Segundo o Children’s Defense Fund, no país mais rico do planeta, 40 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza – o dobro do que havia há cinquenta anos. Destes, 13 milhões são crianças.

O número de menores sem moradia, 1,5 milhões, é três vezes maior que durante a Grande Depressão da década de 1930. Ao orçamento do Pentágono, que é de 750 biliões de dólares para 2020, devem-se somar os 70 biliões destinados às 16 agências de inteligência, outros 70 biliões que vão para o Departamento de Segurança Nacional, mais 30 biliões designados para o Departamento de Energia, os 200 biliões para a Administração de Veteranos, e o que se destina a outros departamentos para fins militares, como o de Justiça, que recebe biliões de dólares para buscar “terroristas” fantasmas contra quem lutar. Por isso, chegou a mudar a definição de “terrorismo”, para poder incluir um número maior de pessoas de todo o mundo. Esse departamento está vinculado com a indústria carcerária – cujo negócio sem fronteiras vai de Guantánamo, em Cuba, até Bagram, no Afeganistão, passando pela Roménia e Polónia – encarregadas de praticar a pedagogia do terror norte-americano. Muitos são os buracos negros que absorvem o alimento, a saúde e o teto de milhões de pessoas no país.

2- Manter e ampliar a máquina de matar dos EUA, que vão deixando de ser a superpotência económica, comercial e tecnológica.

3- Privatizar o espaço, colocando uma portaria militar no céu para quais países, corporações e em quais condições poderão acessá-lo.

4- Converter em arma de guerra a própria galáxia, que já está militarizada, para manter seu domínio militar na Terra. De fato, a FE será um comando geográfico parecido com o Comando Europeu (EUCOM), o Africano (AFRICOM), o Central (CENTCOM), o Pacífico (PACOM), o Norte (NORTHCOM), o Sul (SHOUTHCOM) e o Estratégico (STRATCOM).

5- Colocar interceptadores de mísseis ou armas satelitais no espaço, com o objetivo de bloquear ou piratear sinais de dispositivos de outros países. Isso já se fará não apenas com aparatos electrónicos, mas também com armas antissatélites, aviões de combate equipados com laser, ogivas nucleares instaladas em órbita. Atentar contra as comunicações, a navegação aérea e outros serviços civis de outras nações.

6- Militarizar ainda mais a política exterior dos EUA: a demissão de Rex Tillerson [ex-secretário de Estado] colocou fim à diplomacia do governo Trump.

7- Colar Trump em alguma página da história por algo tão grande como o tamanho do universo (principalmente agora que não lhe venderam a Groenlândia) e também na mesma medida da estupidez de quem o aplaude iludido por “colocar botas (militares) na Lua” em 2024. É vital para a psique do estadunidense provinciano saber que está governando o mundo!

E porque os parlamentares do Partido Democrata apoiaram no projeto? Nos EUA, a economia baseada na guerra tem um nexo direto com a dependência política em relação ao militarismo. Muitos políticos, tanto republicanos quanto democratas, não estariam no Congresso sem o dinheiro das companhias de armas em suas campanhas.

Assim começou o Star Treck trumpiano

A FE não é algo apenas de Trump e sua família: cabe a ele apenas levar adiante essa nova fase da doutrina militar dos EUA. Após a Segunda Guerra, Washington acolheu cientistas nazistas, que presentearam os novos patrões com conhecimento técnico encharcado na ideologia do supremacismo. Em Redstone Arsenal, localizado em Huntville, o coração do militarismo espacial do mundo, fabricaram um míssil balístico para transportar armas atómicas. E quando em 1957 a União Soviética lançou o Sputinik, exibindo sua capacidade para explorar o espaço, os EUA aceleraram o projeto do presidente Eisenhower para criar, em 1958, a NASA, agência com aparência civil, que distrairia a atenção pública dos projetos espaciais com fins militares.

Em 1967, EUA, União Soviética e China e outros países assinaram o Tratado do Espaço Exterior, que autoriza a exploração e o uso do espaço exterior por todas as nações e proíbe que alguns possam reclamar soberania sobre ele ou implantar armas de destruição em massa — incluídas nucleares — ainda que tenham esquecido de impedir atividades militares no céu.

Em 2001, a China propôs à ONU um Tratado Preventivo contra uma corrida armamentista no espaço, mas não conseguiu a assinatura dos EUA. Seis anos depois, o regime de George W. Bush, formado por pessoas vinculadas a companhias de armas e petróleo, bloqueou a resolução da ONU sobre o controle de armas no espaço e revogou o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos, assinado com a União Soviética em 1972. A Guerra do Golfo Pérsico de 1991 seria a “primeira guerra espacial”: nela, os EUA usariam satélites para atacar o Iraque com novas armas guiadas, como os drones. Agora, Trump rompe a primeira medida de controle de armas nucleares de médio alcance (INF), assinado em 1987 com a União Soviética e também o acordo nuclear com o Irã. Quer ter as mãos livres e “Make America Great”, com o assalto da indústria aeroespacial a Casa Branca e ao Congresso.

Os EUA não serão mais um país mais seguro. A China, que baseia sua política exterior na coexistência pacífica, pode ver-se empurrada a uma corrida armamentista, como a União Soviética nos anos 80; o que não apenas prejudica a China e a economia mundial, mas também provocará o que se chama de “modelo espiral”. Quando um país aumenta suas forças militares para garantir sua segurança, provoca grande preocupação em outros, que por sua vez se armam, diminuindo a segurança do primeiro.

Com um multimilionário charlatão no Salão Oval, a ameaça de uma guerra espacial é muito séria. E sabem porque não existe um movimento antimilitarista em todo o mundo?

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Qual é a verdadeira ameaça nuclear no Médio Oriente?

Posted: 15 Jan 2020 09:34 AM PST

Manlio Dinucci*

O anúncio divulgado pelo Irão da sua retirada do acordo nuclear 5 + 1 (JCPoA), em represália pelo assassinato do General Qassem Soleimani não mudará nada, visto que os Estados Unidos já prescindiram dele. É muito mais preocupante que Israel possua um arsenal nuclear muito concreto e seja tentado a usá-lo, no caso da retirada das tropas americanas do Médio Oriente.

Irão não respeita os acordos nucleares» (Il Tempo), «O Irão retira-se dos acordos nucleares: um passo em direcção à bomba atómica» (Corriere della Sera), «O Irão prepara bombas atómicas: adeus ao acordo sobre o nuclear » (Libero): é assim apresentada por quase toda a comunicação mediática a decisão do Irão – após o assassinato do General Soleimani ordenado pelo Presidente Trump – de não aceitar mais os limites para o enriquecimento de urânio, estabelecidos pelo acordo assinado em 2015 com o Grupo 5 + 1, ou seja, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia, China) e a Alemanha. Portanto, não há dúvida, segundo estes meios de divulgação de “informação”, sobre qual é a ameaça nuclear no Médio Oriente. Esquecem-se que foi o Presidente Trump, em 2018, que fez com que os EUA se retirassem do acordo definido por Israel como “a rendição do Ocidente ao Eixo do Mal, liderado pelo Irão”. Silenciam o facto de que existe apenas uma única potência nuclear no Médio Oriente, Israel, que não está sujeita a nenhum controlo, visto que não adere ao Tratado de Não-Proliferação, assinado pelo Irão.

O arsenal israelita, envolto numa espessa capa de segredo e de silêncio, é estimado em 80-400 ogivas nucleares, além de plutónio suficiente para construir outras centenas. Israel também produz, seguramente, trítio, o gás radioactivo com o qual fabrica armas nucleares de nova geração. Entre estas, mini-bombas nucleares e bombas de neutrões que, provocando menor contaminação radioactiva, seriam as mais adequadas contra alvos não muito distantes de Israel. As ogivas nucleares israelitas estão prontas para serem lançadas em mísseis balísticos que, com o Jericó 3, atingem de 8 a 9 mil km de alcance. A Alemanha forneceu a Israel (sob a forma de um presente ou a preços promocionais) quatro submarinos Dolphin modificados para o lançamento de mísseis nucleares Popeye Turbo, com um alcance de cerca de 1.500 km. Silenciosos e capazes de permanecer imersos durante uma semana, atravessam o Mediterrâneo Oriental, o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico, prontos 24 sobre 24 horas, para o ataque nuclear.

Os Estados Unidos, que já forneceram mais de 350 caça-bombardeiros F-16 e F-15 a Israel, estão a fornecer-lhe pelo menos 75 caças F-35, também com dupla capacidade nuclear e convencional. Uma primeira entrega de F-35 israelitas entrou em operação em Dezembro de 2017. As Israel Aerospace Industries produzem componentes de asas que tornam o F-35 invisível aos radares. Graças a essa tecnologia, que também será aplicada nos F-35 italianos, Israel potencia a capacidade de ataque das suas forças nucleares.

Israel – que tem apontadas contra o Irão 200 armas nucleares, como especificou o antigo Secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, em 2015 [1]- está decidido a manter o monopólio da Bomba no Médio Oriente, impedindo o Irão de desenvolver um programa nuclear civil, que poderia permitir-lhe um dia fabricar armas nucleares, capacidade essa que hoje é possuída no mundo por dezenas de países. No ciclo de utilização do urânio, não há uma linha divisória clara entre o uso civil e o uso militar do material físsil. Para bloquear o programa nuclear iraniano, Israel está determinado a usar todos os meios. O assassinato de quatro cientistas nucleares iranianos entre 2010 e 2012 é, provavelmente, obra do Mossad.

As forças nucleares israelitas estão integradas no sistema electrónico da NATO, como parte do “Programa de Cooperação Individual” com Israel, um país que, embora não seja membro da Aliança, tem uma missão permanente no quartel general da NATO, em Bruxelas. Segundo o plano testado no exercício USA-Israel Juniper Cobra 2018, as forças USA e NATO viriam da Europa (sobretudo das bases em Itália) para apoiar Israel numa guerra contra o Irão [2]. Ela poderia iniciar-se com um ataque israelita às instalações nucleares iranianas, como o que foi efectuado em 1981 contra o reactor iraquiano de Osiraq. O Gerusalem Post [3] confirma que Israel possui bombas não nucleares anti-bunker, utilizáveis especialmente com os F-35, capazes de atingir a instalação nuclear subterrânea em Fordow. O Irão, no entanto, apesar de estar livre de armas nucleares, possui uma capacidade de resposta militar que a Jugoslávia, o Iraque ou a Líbia não possuíam no momento do ataque USA/NATO. Nesse caso, Israel poderia usar uma arma nuclear pondo em movimento uma reacção em cadeia de consequências imprevisíveis.

*Manlio Dinucci| Voltaire.net.org | Tradução: Maria Luísa de Vasconcellos | Fonte: Il Manifesto (Itália)

*Geógrafo e geopolítico. Últimas publicações : Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014; Diario di viaggio, Zanichelli 2017; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016; Guerra nucleare. Il giorno prima. Da Hiroshima a oggi: chi e come ci porta alla catastrofe, Zambon 2017; Diario di guerra. Escalation verso la catastrofe (2016 – 2018), Asterios Editores 2018.

Notas:

[1] “Israel, 200 armas nucleares apontadas para o Irão”, Manlio Dinucci, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Il Manifesto (Itália) , Rede Voltaire, 15 de Maio de 2018.

[2] “Nas garras dos USA/NATO”, Manlio Dinucci, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Il Manifesto (Itália), 13 de Março de 2018, “Direito de resposta da OTAN, réplica de Manlio Dinucci e comentário da Rede Voltaire”, Rede Voltaire, 22 de Março de 2018.

[3] “Would Israel still need US bunker busters for attacking Iranian nukes?”, Yonah Jeremy Bob, Jerusalem Post, January 3, 2020.

EUA intensificam sua guerra “democrática” pelo petróleo do Médio Oriente

Posted: 15 Jan 2020 09:18 AM PST

Michael Hudson

Os meios de comunicação de referência estão a evitar cuidadosamente o método oculto por trás da aparente loucura americana em assassinar o general da Guarda Revolucionária Islâmica Qassim Suleimani para iniciar o Ano Novo. A lógica por trás do assassinato foi uma aplicação da consagrada política global dos EUA, não apenas uma “loucura” da personalidade de Donald Trump por acção impulsiva. Seu assassinato do líder militar iraniano Suleimani foi na verdade um acto de guerra unilateral que viola o direito internacional, mas foi um passo lógico numa estratégia americana consagrada. Foi explicitamente autorizado pelo Senado na lei de financiamento do Pentágono que aprovou no ano passado.

O assassinato destinava-se a escalar a presença dos EUA no Iraque a fim de manter o controle das reservas de petróleo da região e apoiar as tropas Wahabi da Arábia Saudita (Isis, Al Quaeda no Iraque, Al Nusra e outras divisões que na verdade são a legião estrangeira da América) para apoiar o controle dos EUA do petróleo do Oriente Próximo como um baluarte do US dólar. Isto permanece como a chave para o entendimento desta política e a razão porque ela está em processo de escalada, não de abrandamento.

Participei de discussões sobre esta política quando foi formulada há quase cinquenta anos atrás, quando trabalhava no Hudson Instituto e comparecia a reuniões na Casa Branca, encontrava-me com generais em vários think tanks das forças armadas e com diplomatas nas Nações Unidas. Meu papel era como economista especializado em balança de pagamentos, especializado durante uma década na Chase Manhattan, na Arthur Andersen e em grupos de estudo da indústria de petróleo e de gastos militares. Estas foram duas das três principais dinâmicas da política externa e da diplomacia americanas. (A terceira preocupação era como travar uma guerra numa democracia em que os eleitores rejeitavam a conscrição após a Guerra do Vietname.)

Os media e a discussão pública têm desviado a atenção desta estratégia ao propalar especulações de que o presidente Trump fez isso, não para combater a (não)ameaça de impeachment como um volteio, ou para apoiar impulsos israelenses por espaço vital (lebensraum) ou simplesmente para render a Casa Branca à síndrome do ódio neocon pelo Irãoo. O contexto real da acção dos neocon foi a balança de pagamentos e o papel do petróleo e da energia como uma alavanca de longo prazo da diplomacia americana.

A dimensão da balança de pagamentos

O principal défice da balança de pagamentos dos EUA tem sido os gastos militares no exterior. Todo o défice de pagamentos, começando com a Guerra da Coreia em 1950-51 e estendendo-se pela Guerra do Vietname da década de 1960, foi o responsável por forçar a retirada do dólar do ouro em 1971. O problema enfrentado pelos estrategas militares dos Estados Unidos era como continuar a suportar as 800 bases militares dos EUA em todo o mundo e suportar tropas aliadas sem perder a alavancagem financeira dos EUA.

A solução acabou por ser substituir o ouro por títulos do Tesouro dos EUA (IOUs) como a base das reservas dos bancos centrais estrangeiros. Depois de 1971, os bancos centrais estrangeiros tinham pouca opção sobre o que fazer com a sua entrada contínua de dólares, excepto reciclá-los para a economia dos EUA através da compra de títulos do US Treasury. O efeito dos gastos militares estrangeiros dos EUA, portanto, não corroeu a taxa de câmbio do dólar e nem mesmo forçou o Tesouro e o Federal Reserve a aumentar taxas de juros para atrair divisas que compensassem as saídas de dólares na conta militar. De facto, os gastos militares estrangeiros dos EUA ajudaram a financiar o défice do orçamento federal dos EUA.

A Arábia Saudita e outros países OPEP do Médio Oriente rapidamente tornaram-se um pilar do dólar. Depois que destes países quadruplicarem o preço do petróleo (em retaliação pelos Estados Unidos quadruplicarem o preço das suas exportações de cereais, um dos pilares da balança comercial dos EUA), os bancos americanos foram inundados com um influxo de muitos depósitos estrangeiros – os quais foram emprestados ao países do Terceiro Mundo numa explosão de empréstimos podres que explodiu em 1972 com a insolvência do México e destruiu o crédito dos governos do Terceiro Mundo durante uma década, forçando-o a depender dos Estados Unidos via FMI e Banco Mundial).

Para coroar tudo, é claro, o que a Arábia Saudita não salva em activos dolarizados com os seus ganhos na exportação de petróleo é gasto na compra de centenas de milhares de milhões de dólares de armas exportadas pelos EUA. Isto tranca-a na dependência do fornecimento de peças de reposição e reparações dos EUA e permite que os Estados Unidos desliguem o equipamento militar saudita a qualquer momento, caso os sauditas tentem actuar de modo independente da política externa dos EUA.

Portanto, manter o dólar como moeda de reserva mundial tornou-se um dos suportes principais dos gastos militares dos EUA. Os países estrangeiros não têm de pagar directamente ao Pentágono por estes gastos. Eles simplesmente financiam o Tesouro e o sistema bancário dos EUA.

O medo deste desenvolvimento foi uma das principais razões pelas quais os Estados Unidos actuaram contra a Líbia, cujas reservas estrangeiras eram mantidas em ouro, não em dólares, o que instava outros países africanos a seguirem o exemplo a fim de se libertarem da “Diplomacia do Dólar”. Hillary e Obama invadiram-na, agarraram seus stocks de ouro (ainda não temos ideia de quem acabou com esse ouro no valor de milhares de milhões de dólares) e destruiu o governo da Líbia, seu sistema público de educação, sua infraestrutura pública e as demais políticas não-neoliberais.

A grande ameaça a isto é a desdolarização, pois a China, a Rússia e outros países procuram evitar a reciclagem de dólares. Sem a função do dólar como o veículo para a poupança mundial – com efeito, sem o papel do Pentágono em criar a dívida do Tesouro que é o veículo para as reservas dos bancos centrais do muno – os EUA se veriam constrangidos militarmente e portanto diplomaticamente, como acontecia sob o padrão divisas-ouro.

Esta é a mesma estratégia que os EUA têm seguido na Síria e no Iraque. O Irãoo estava a ameaçar esta estratégia de dolarização e o seu esteio na diplomacia estado-unidense do petróleo.

A indústria do petróleo como esteio da balança de pagamentos dos EUA e da diplomacia estrangeira

A balança comercial é respaldada pelo petróleo e excedentes agrícolas. O petróleo é a chave, porque é importado por empresas americanas quase sem nenhum custo para a balança de pagamentos (os pagamentos acabam nas administrações da indústria do petróleo como lucros e pagamentos à gestão), ao passo que os lucros nas vendas das empresas petrolíferas dos EUA a outros países são remetidos para os Estados Unidos (via centros de evasão fiscal offshore, durante muitos anos sobre a Libéria e o Panamá). E, como observado acima, os países da OPEP foram instruídos a manter suas reservas oficiais na forma de títulos dos EUA (acções e títulos, bem como títulos de dívida do Tesouro, mas não a compra directa de empresas dos EUA consideradas economicamente importantes). Financeiramente, os países da OPEP são estados clientes da Área do Dólar.

A tentativa americana de manter esse esteio explica a oposição dos EUA a quaisquer medidas de governos estrangeiros para reverter o aquecimento global [NR] e o estado atmosférico (weather) extremo causado pela dependência mundial do petróleo patrocinada pelos EUA. Quaisquer acções da Europa e de outros países que reduzisse a dependência das vendas de petróleo dos EUA e, portanto, a capacidade de os EUA controlarem a torneira global do petróleo como um meio de controle e coação, são encaradas como actos hostis.

O petróleo também explica a oposição dos EUA às exportações de combustíveis da Rússia via Nordstream. Os estrategas dos EUA querem tratar a energia como um monopólio nacional dos EUA. Outros países podem se beneficiar da maneira que a Arábia Saudita tem feito – enviando seus excedentes para a economia dos EUA – mas não para suportar o seu próprio crescimento económico e diplomacia. O controle do petróleo implica portanto apoio ao continuado aquecimento global [NR] como parte inerente da estratégia dos EUA.

Como uma nação “democrática” pode travar guerra e terrorismo internacionais

A Guerra do Vietname mostrou que as democracias modernas não podem montar exércitos para qualquer grande conflito militar, porque isto exigiria uma conscrição dos seus cidadãos. Isto levaria qualquer governo que tentasse tal projecto a ser votado para fora do poder. E sem tropas não é possível invadir um país para conquistá-lo.

O corolário desta percepção é que as democracias têm apenas duas opções quando se trata de estratégia militar: Elas só podem empregar poder aéreo, bombardeando oponentes; ou elas podem criar uma legião estrangeira, ou seja, contratar mercenários ou apoiar governos estrangeiros que providenciem este serviço militar.

Aqui, mais uma vez, a Arábia Saudita desempenha um papel crítico, através do seu controle dos Wahabi Sunita transformados em terroristas jihadistas dispostos a sabotar, bombardear, assassinar, explodir e combater qualquer alvo designado como um inimigo do “Islão”, o eufemismo para a actuação da Arábia Saudita como estado do cliente dos EUA. (A religião realmente não é a chave; não sei de nenhum ISIS ou ataque Wahabi semelhante a alvos israelenses.) Os Estados Unidos precisam que os sauditas forneçam ou financiem wahabistas loucos. Assim, além de desempenharem um papel chave na balança de pagamentos dos EUA pela reciclagem dos seus ganhos com a exportação de petróleo em acções, títulos e outros investimentos nos EUA, a Arábia Saudita fornece mão-de-obra apoiando os membros Wahabi da legião estrangeira americana, o ISIS e Al-Nusra/Al Qaeda. O terrorismo tornou-se o modo “democrático” de hoje da política militar dos EUA.

O que torna a guerra do petróleo da América no Médio Oriente “democrática” é que esta é a única espécie de guerra que uma democracia pode travar – uma guerra aérea, seguida por um exército terrorista odioso que compensa o facto de nenhuma democracia poder colocar em campo o seu próprio exército no mundo de hoje. O corolário é que o terrorismo se tornou o modo “democrático” de fazer a guerra.

Do ponto de vista dos EUA, o que é uma “democracia”? No vocabulário orwelliano de hoje, significa qualquer país que apoie a política externa dos EUA. Bolívia e Honduras tornaram-se “democracias” desde seus golpes, juntamente com o Brasil. O Chile, sob Pinochet era uma democracia de livre mercado no estilo Chicago. O mesmo acontecia com o Irãoo sob o xá e a Rússia sob Yeltsin – mas não desde que elegeu o presidente Vladimir Putin, tal como a China sob o presidente Xi.

O antónimo de “democracia” é “terrorista”. Isso significa simplesmente uma nação disposta a combater para se tornar independente da democracia neoliberal dos EUA. Isto não inclui os exércitos por procuração dos EUA.

O papel do Irão como inimigo norte-americano

O que obstaculiza a dolarização, o petróleo e a estratégia militar dos EUA? Obviamente, a Rússia e a China têm sido visadas como inimigos estratégicos de longo prazo por buscarem suas próprias políticas económicas e diplomacia independentes. Mas a seguir a elas, o Irão está na mira dos Estados Unidos há quase setenta anos.

O ódio americano ao Irãoo começa com sua tentativa de controlar sua própria produção, exportações e ganhos de petróleo. Isso remonta a 1953, quando Mossadegh foi derrubado porque pretendia soberania interna sobre o petróleo da Anglo-Persian. O golpe da CIA-MI6 substituiu-o pelo flexível Xá, que impôs um estado policial para impedir a independência iraniana da política dos EUA. Os únicos lugares físicos livres da polícia eram as mesquitas. Isso fez da República Islâmica o caminho de menor resistência para o derrube do xá e a reafirmação da soberania iraniana.

Os Estados Unidos chegaram a termos com a independência petrolífera da OPEP em 1974, mas o antagonismo em relação ao Irão estende-se a considerações demográficas e religiosas. O apoio iraniano à sua população xiita e ao Iraque e outros países – enfatizando o apoio aos pobres e a políticas quase-socialistas em vez do neoliberalismo – tornou-o o principal rival religioso do sectarismo sunita da Arábia Saudita e do seu papel como legião estrangeira americana dos Wahabi.

Os EUA opuseram-se ao general Suleimani, acima de tudo, porque ele estava combatendo contra o ISIS e outros terroristas apoiados pelos EUA na tentativa de romper a Síria e substituir o regime de Assad por um conjunto de líderes locais acomodatícios com os EUA – o velho estratagema britânico “dividir e conquistar”. Na ocasião, Suleimani havia cooperado com tropas americanas no combate contra grupos do ISIS que ficaram “fora de linha”, o que significa a linha do partido dos EUA. Mas todas as indicações são de que ele estava no Iraque para trabalhar com o governo que procurava recuperar o controle dos campos de petróleo que o presidente Trump jactou-se em alta voz de capturar.

Já no início de 2018, o presidente Trump pediu ao Iraque que reembolsasse os EUA pelo custo de “salvar sua democracia” pelo bombardeamento do remanescente da economia de Saddam. O reembolso era para assumir a forma de Petróleo Iraquiano. Mais recentemente, em 2019, o presidente Trump perguntou: por que não simplesmente agarrar o petróleo iraquiano. O gigantesco campo petrolífero tornou-se o prémio da guerra do petróleo de Bush-Cheney após o 11 de Setembro. “‘Foi em geral uma reunião muito comum e discreta”, disse a Axios uma fonte que estava na sala. E então, no final, Trump diz algo provocante, com um sorriso afectado no rosto e diz: ‘Então, o que vamos fazer acerca do petróleo?’ ” [1]

A ideia de Trump de que os EUA deveriam “obter algo” dos seus gastos militares na destruição das economias iraquiana e síria reflecte simplesmente a política dos EUA.

No final de Outubro de 2019, o New York Times informou que: “Nos últimos dias, Trump estabeleceu as reservas de petróleo da Síria como uma nova lógica para parecer inverter o curso e enviar centenas de tropas adicionais para o país devastado pela guerra. Ele declarou que os Estados Unidos “asseguraram” campos de petróleo no nordeste caótico do país e sugeriu que a captura (seizure) do principal recurso natural do país justifica que os EUA ampliem ainda mais sua presença militar ali. ‘Tomamos e garantimo-lo’, disse Trump sobre o petróleo da Síria durante declarações na Casa Branca no domingo, depois de anunciar a morte do líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi. ” [2] Um funcionário da CIA lembrou ao jornalista que tomar o petróleo do Iraque era uma promessa da campanha de Trump.

Isso explica a invasão do Iraque por petróleo em 2003, e novamente este ano, como o presidente Trump disse: “Por que simplesmente não tomamos o petróleo deles?” Também explica o ataque Obama-Hillary à Líbia – não apenas pelo seu petróleo, mas por investir suas reservas estrangeiras em ouro ao invés de reciclar suas receitas excedentes de petróleo em títulos do Tesouro dos EUA – e, é claro, por promover um estado socialista laico.

Explica porque os neoconservadores dos EUA temiam o plano de Suleimani de ajudar o Iraque a reafirmar o controle do seu petróleo e a resistir aos ataques terroristas ao Iraque apoiados pelos EUA e pela Arábia Saudita. Foi isso que tornou o seu assassínio um impulso imediato.

Os políticos americanos desacreditaram-se ao começarem a sua condenação de Trump dizendo, como fez Elizabeth Warren, quão “má” pessoa era Suleimani, como ele havia matado tropas americanas ao planear a defesa iraquiana de bombardementos rodoviários e outras políticas que tentavam repelir a invasão dos EUA para agarrar o seu petróleo. Ela estava simplesmente a papaguear a descrição de Suleimani como um monstro feita pelos media americanos, desviando a atenção da questão política que explica porque ele foi assassinado agora.

A contra-estratégia dos EUA para a diplomacia do petróleo, do dólar e do aquecimento global

Esta estratégia continuará até que países estrangeiros a rejeitem. Se a Europa e outras regiões não o fizerem, sofrerão as consequências desta estratégia dos EUA na forma de uma guerra crescente patrocinada pelos EUA por meio do terrorismo, do fluxo de refugiados e da aceleração do aquecimento global [NR] e de condições climáticas extremas.

A Rússia, a China e seus aliados já lideram o caminho da desdolarização como meio de conter a política militar global dos EUA como meio de apoio à sua balança de pagamentos. Mas todo mundo agora está a especular sobre qual deveria ser a resposta do Irão.

A pretensão – ou mais precisamente, o diversionismo – dos media norte-americanos no fim-de-semana foi descrever os Estados Unidos como estando sob ataque iminente. O presidente da municipalidade de Blasio posicionou policias em cruzamentos importantes para nos informar o quão iminente é o terrorismo iraniano – como se fosse o Irão, não a Arábia Saudita que montou o 11 de Setembro, e como se o Irão tivesse de facto efectuado alguma acção contundente contra os Estados Unidos. Os media e os tertulianos da televisão saturaram o público com advertências de terrorismo islâmico. Os âncoras da televisão estão simplesmente a sugerir onde será mais provável que ocorram os ataques.

A mensagem é que o assassinato do general Soleimani foi para nos proteger. Como Donald Trump e vários porta-vozes militares disseram, ele havia matado americanos – e agora eles devem estar a planear um ataque enorme que ferirá e matará muitos mais americanos inocentes. Esta posição tornou-se a postura da América no mundo: fraca e ameaçada, exigindo uma forte defesa – na forma de um forte ataque.

Mas qual é o interesse real do Irão? Se é realmente minar a estratégia do dólar e do petróleo, a primeira política deve ser a retirada das forças militares dos EUA do Oriente Próximo, incluindo a ocupação americana dos seus campos de petróleo. Acontece que o acto precipitado do presidente Trump agiu como um catalisador, provocando exactamente o oposto do que ele queria. Em 5 de Janeiro, o parlamento iraquiano reuniu-se para insistir em que os Estados Unidos saíssem. O general Suleimani era um convidado, não um invasor iraniano. São as tropas americanas que estão no Iraque em violação do direito internacional. Se eles partirem, Trump e os neocons perdem o controle do petróleo – e também da sua capacidade de interferir na defesa mútua iraniano-iraquiana-síria-libanesa.

Para além do Iraque, surge a Arábia Saudita. Tornou-se o Grande Satanás, o defensor do extremismo wahabista, a legião terrorista dos exércitos mercenários dos EUA que lutam para manter o controle das reservas de petróleo e de divisa estrangeira do Oriente Próximo, a causa do grande êxodo de refugiados para a Turquia, Europa e para onde mais puderem fugir das armas e do dinheiro fornecidos pelos apoiantes americanos do Isis, da Al Qaeda no Iraque e das suas legiões aliadas sauditas wahabistas.

O ideal lógico, em princípio, seria destruir o poder saudita. Esse poder jaz nos seus campos de petróleo. Eles já foram atacados por modestas bombas iemenitas. Se os neocons americanos ameaçarem seriamente o Irão, a sua resposta seria o bombardeio e a destruição por atacado dos campos de petróleo sauditas, juntamente com os do Kuwait e xeques aliados do Oriente Próximo. Isto acabaria com o apoio saudita aos terroristas wahabistas, bem como ao dólar americano.

Uma tal actuação seria, sem dúvida, coordenada com um apelo aos palestinos e outros trabalhadores estrangeiros na Arábia Saudita se levantassem e expulsassem a monarquia e seus milhares de vassalos familiares.

Além da Arábia Saudita, o Irão e outros defensores de uma ruptura diplomática multilateral com o unilateralismo neoliberal e neocon dos EUA deveriam pressionar a Europa a retirar-se da NATO, na medida em que esta organização funciona principalmente como uma ferramenta militar centrada nos EUA na sua diplomacia do dólar e do petróleo e, portanto, opondo-se às políticas de mudança climática [NR] e de confrontação militar que ameaçam tornar a Europa parte do turbilhão dos EUA.

Finalmente, o que podem fazer os opositores à guerra dos EUA para resistir à tentativa neocon de destruir qualquer parte do mundo que resista à autocracia neoliberal dos EUA? Esta foi a resposta mais decepcionante ao longo do fim-de-semana. Eles estão debater. Não foi útil para Warren, Buttigieg e outros acusarem Trump de agir precipitadamente, sem pensar nas consequências das suas acções. Aquela abordagem evita o reconhecimento de que a sua acção na verdade tinha uma lógica – trace uma linha na areia, para dizer que sim, a América IRÁ à guerra, combaterá o Irão, fará qualquer coisa para defender seu controle do petróleo do Oriente Próximo e ditará à OPEP a política dos bancos centrais, defenderá suas legiões do ISIS como se qualquer oposição a esta política fosse um ataque aos próprios Estados Unidos.

Posso entender a resposta emocional ou ainda novos pedidos de impeachment de Donald Trump. Mas isso é uma óbvia não-solução, em parte porque tem sido obviamente um movimento partidário do Partido Democrata. Mais importante é a falsa e egoísta acusação de que o presidente Trump ultrapassou seu limite constitucional ao cometer um acto de guerra contra o Irão ao assassinar Soleimani.

O Congresso endossou o assassínio cometido por Trump e é totalmente culpado por ter aprovado o orçamento do Pentágono com a remoção pelo Senado da emenda à Lei de Autorização de Defesa Nacional de 2019 que Bernie Sanders, Tom Udall e Ro Khanna haviam inserido na versão da Câmara dos Deputados, explicitamente não autorizando o Pentágono a travar guerra contra o Irão ou assassinar seus responsáveis. Quando este orçamento foi enviado ao Senado, a Casa Branca e o Pentágono (também conhecido como complexo militar-industrial e neoconservadores) removeram aquela restrição. Era uma bandeira vermelha anunciando que o Pentágono e a Casa Branca realmente pretendiam fazer guerra contra o Irão e/ou assassinar seus responsáveis. Faltou ao Congresso coragem para discutir este ponto no primeiro plano das discussões públicas.

Por trás de tudo isso está o acto do 11 de Setembro de inspiração saudita, que retira o único poder do Congresso de travar guerra – sua Autorização para o Uso da Força Militar, de 2002 (2002 Authorization for Use of Military Force), tirada da gaveta ostensivamente contra a Al Qaeda, mas na verdade o primeiro passo no longo apoio dos Estados Unidos ao próprio grupo que foi responsável pelo 11 de Setembro, os sequestradores sauditas de aviões.

A questão é: como fazer com que os políticos do mundo – EUA, Europa e Ásia – vejam como a política americana de tudo ou nada está a ameaçar novas ondas de guerra, refugiados, interrupção do comércio de petróleo no Estreito de Ormuz e, finalmente, global aquecimento [NR] e dolarização neoliberal impostas a todos os países. É um sinal de quão pouco poder existe nas Nações Unidas que não haja nenhum país a clamar por um novo julgamento de crimes de guerra no estilo de Nuremberga, nenhuma ameaça de retirada da NATO ou mesmo de evitar manter reservas sob a forma de dinheiro emprestado ao Tesouro dos EUA para financiar o orçamento militar dos EUA.

05/Janeiro/2020

Notas:

[1] www.axios.com/… O artigo acrescenta: “Na reunião de Março, o primeiro-ministro iraquiano respondeu: ‘O que quer dizer isso?’ segundo a fonte na sala. E Trump diz: ‘Bem, fizemos muito, fizemos muito por lá, gastamos triliões por lá e muitas pessoas têm falado sobre o petróleo’ “?
[2] Michael Crowly, ” ‘Keep the Oil’: Trump Revives Charged Slogan for new Syria Troop Mission’ “, The New York Times, 26/Outubro/2019. https://www.nytimes.com/2019/10/26/us/politics /trump-syria-oil-fields.html . O artigo acrescenta: “Eu disse para ficarem com o petróleo”, tornou a dizer Trump. “Se vão para o Iraque, que fiquem com o petróleo. Eles nunca o fizeram. Nunca o fizeram”?

[NR] Hudson sabe muito de economia, finanças e balanças de pagamentos – mas não de climatologia. Aparentemente deixou-se influenciar pela mistificação aquecimentista , agora transformada numa espécie de nova “religião” global. Mas o mundo já tem problemas reais suficientes e não precisa inventar outros adicionais.

O original encontra-se em thesaker.is/america-escalates-its-democratic-oil-war-in-the-near-east/

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/

Como a França amplia a revolta global

Posted: 15 Jan 2020 03:04 AM PST

Greve geral alastra-se, transborda sindicatos e coloca em xeque o governo Macron. Ao defender aposentadorias, manifestantes rechaçam lógica da mercantilização. Adesão vasta e radicalidade sugerem: pode vir aí novo desafio à ditadura financeira

Gabriel Rockhill, no RED – Radical Education Department | Tradução: Antonio Martins para Outras Palavras

O trabalho e o capital estão rangendo os dentes na França. À medida em que uma greve aberta lançada em 5 de dezembro para combater uma contrarreforma neoliberal do sistema de aposentadorias continua a se expandir, o governo do presidente Emmanuel Macron esforça-se para defender as vantagens que a mudança traria para os mais ricos (ainda que tenha sido forçado, há pouco, a apresentar o que chama de um “compromisso” com a liderança sindical). Para compreender em profundidade a natureza e importância da batalha, ele precisa ser situada em relação à história recente do movimento dos Coletes Amarelos, e com o contexto geral da luta de classes contemporânea.

Macron, um ex-dirigente de banco, chegou ao poder em 2017, como um suposto baluarte do centro, contra a extrema direita da Frente Nacional. Seu governo precisa, portanto, ser compreendido como parte de um movimento mais amplo, que pressiona a política eleitoral para a direita. Sua “reforma” do sistema de aposentadorias traduz-se em medidas como o aumento da idade mínima para aposentadoria (de 62 para 64 anos) e a redução do valor dos benefícios (calculados com base na média dos salários recebidos em toda a vida laboral do trabalhador – inclusive os mais baixos). Dissolvem-se os 42 diferentes programas de aposentadoria hoje existentes, reduzidos a um sistema único, que diminui de forma aguda os benefícios de muitos trabalhadores). Os distintos programas atuais, que incluem vantagens com a aposentadoria antecipada, foram resultado de lutas árduas dos empregados em funções perigosas ou extenuantes. Em termos práticos, a mudança proposta seria, portanto, pesaris sobre as costas dos trabalhadores – obrigados a trabalhar mais anos, com menos vencimentos e segurança –, poupando de impostos as corporações e os mais afortunados (o governo Macron é conhecido por ter abolido, em 2017, o imposto francês de solidariedade, que incidia sobre os ricos).

 

Forçado pela greve, o primeiro ministro Édouard Philippe anunciou há dias que o governo pretende retirar temporariamente a elevação da idade mínima para aposentadoria. Mas o fez mantendo o resto da contrarreforma e impondo um corte orçamentário de 12 bilhões de euros no sistema de aposentadorias. Não se trata de um compromisso real e sim de um ato de teatro político para apresentar o governo como aberto à negociação, atrair a liderança sindical para uma armadilha e qualificar os grevistas como intransigentes, irracionais e antidemocráticos). Além disso, quando se vê a proposta em suas entrelinhas, fica clar que ela não altera quase nada do plano originalo. Como explicou Damien Bernard, “o texto da lei governamental estabelece um “equilíbrio etário de longo prazo”, que permitirá, no sistema de aposentadoria baseado em pontos, elevar a idade de aposentadoria de acordo com a expectativa de vida, mas também os parâmetros orçamentários inerentes ao sistema, que levam a uma redução geral das aposentadorias diante do orçamento”.

Os trabalhadores do Sistema Nacional de Estradas de Ferro (SNCF) e da rede de transportes públicos de Paris (RATP), que têm direito a planos de aposentadoria “especiais”, estão à frente da greve. O movimento já é o mais longo “período contínuo de ativismo na história da empresa estatal de ferrovias”. Diversas centrais sindicais – inclusive as duas maiores, CGT e CFDT – aderiram. Também pararam trabalhadores públicos e privados dos setores de transportes, educação, saúde, saneamento, cultura, energia e comunicações. Trens e metrôs de todo o país estão quase paralisados. Muitos voos foram cancelados. As oito maiores refinarias de petróleo da frança pararam as atividades. Mais de cem escolas e universidades foram fechadas – em muitos casos, com ocupações. Mais de 1,5 milhão de pessoas já saíram às ruas em protestos. Com aprovação popular de 61%, já é agora “a maior greve geral desde maio de 1968, quando toda a economia foi paralisada por estudantes e trabalhadores, numa vasta revolta contra o governo”.

Esta greve aberta desenvolve-se no contexto do movimento dos Coletes Amarelos, que começou no outono francês de 2018 e cresceu nos calcanhares de outros movimentos sociais importantes – entre eles as grandes mobilizações pelo aniversário de maio de 1968 (em 2018) e o movimento Noites Despertas [Nuits Dobout], em 2016. Construído por fora dos sistemas clássicos de representação, como os partidos políticos e os sindicatos, o movimento dos Coletes Amarelos introduziu formas de luta inovadoras e combativas e ambições políticas ampliadas – bem além dos confins estreitos de “reivindicações” circunscritas. Muitos Coletes Amarelos [Gilets Jaunes] participam da greve de agora, e diversos analistas referiram-se ao fenômeno como giletjaunização. Há, de fato, um processo de autonomia ampliada, solidariedade expandida e radicalização, no qual os trabalhadores organizam-se por si mesmos, rompendo as fronteiras entre múltiplos setores. Há também uma escalada das lutas além das demandas imediatas para anular a contrarreforma. Nas palavras lúcidas de Yves Saintemarie, um aposentado e participante da greve, “não é só uma questão de aposentadorias. Tem a ver com as pessoas vivendo em pobreza e precariedade. Sou um Colete Amarelo e um sindicalista e é indispensável que nossas lutas convirjam. Precisamos derrubar um governo que nos mata”.

Na greve, os trabalhadores bloqueiam vias e fecham lugares turísticos. Os bombeiros esguicharam prédios governamentais em protesto. Os petroleiros articularam um bloqueio de 96 horas das instalações de combustíveis, o que impediu que produtos entrassem ou saíssem das refinarias, terminais petroleiros e tanques, e cortou o transporte de derivados de petróleo em todo o país. Os trabalhadores em energia restabeleceram o suprimento para bairros pobres, com valores reduzidos, enquanto cortavam, simultaneamente, a eletricidade de prédios estatais, estações de polícia, shopping centers e sedes de corporações. Membros do Ballet de Paris aderiram à greve e organizaram uma performance pública de Lago dos Cisnes na véspera do Natal, para expressar solidariedade. Tais atos criativos, e outros semelhantes, dão corpo à postura de ação direta, “organize você mesmo”, que se espalhou enquanto se desenrolava o movimento dos Coltes Amarelos. Elas também demonstram a importância dos bloqueios e do controle das redes de transportes e energia pelos movimentos sociais contemporâneos.

O governo Macron tem razões de estar amedrontado com a greve, devido a uma história relativamente recente de mobilizações bem sucedidas. Em 1995, foram necessárias apenas três semanas para que uma greve forçasse o primeiro ministro Alain Juppé a desistir de suas propostas de cortes. O recuo enfraqueceu de modo significativo o presidente Jacques Chirac e seus trunfos para impor as contrarreformas neoliberais da época. Se o movimento atual conseguir bloquear a contrarreforma das aposentadorias, será muito mais difícil para Macron impor outras políticas neoliberais. Não surpreende, portanto, que as respostas do governo aos protestos estejam totalmente afinadas com a natureza dupla da dominação pseudo-democrática sob o capitalismo global. De um lado, retórica política falsa; de outro, recusa a mudar de rumo e uso da repressão brutal do Estado. Esta estratégia dual, que busca manter hegemonia entre os setores acomodados da população enquanto despeja repressão sobre os demais, é uma constante em seu governo, como ilustra o uso de violência incessante contra os Coletes Amarelos.

O ataque de Macron contra as aposentadorias é, evidentemente, apenas um passo amais em sua investida contra os serviços sociais, para impor a agenda do capitalismo transnacional. Sob o grotesco eufemismo de “austeridade”, o projeto consiste em implementar políticas que concentram a riqueza entre os já favorecidos, transferindo mais custos da reprodução social para os trabalhadores e intensificando a exploração. Macron é somente um implementador tecnocrático a mais, no palco global, como claramente ilustra uma declaração recente do comissário europeu Therry Breton. Este empresário milionário, ex-ministro das Finanças da França, explicou que a Comissão Europeia considera o projeto de Macron “necessário” – assim como outras contrarreformas no continentes. Quis dizer que outros países europeus deveriam ser submetidos ao mesmo tipo de medidas antilaborais.

A crise de credibilidade do governo Macron está, portanto, conectada com uma crise de legitimidade mais ampla, que atinge um sistema internacional de governos pseudo-representativos, agindo em favor da oligarquia financeira. Como explicou William I. Robinson em livros como Global Capitalism and the Crisis of Humanity [Capitalismo Global e a Crise da Humanidade] a elite globalizada buscou estabelecer um consenso neoliberal na era da globalização. Ela foi bem sucedida, em integrar os escalões superiores da sociedade e seus intelectuais orgânicos, por meio de recompensas materiais e ideológicas. Mas o sistema global de acumulação capitalista minou as bases de uma dominação hegemônica mais vasta, ao retirar das classes populares a base material necessária para seu consentimento. Neste aspecto, o largo descontentamento com o “governo dos ricos” de Macron é indicativo da crise de legitimidade da elite tecnocrática global.

A greve francesa é parte de uma série de movimentos radicais que varre o globo – do Chile e Haiti ao Líbano, à Índia e muito além. Alguns analistas identificaram estes levantes como um novo ciclo de luta revolucionária, que revigora e desenvolve as batalhas das ocupações de praças de uma década atrás. Embora uma análise completa desta sequência revolucionária esteja muito além dos objetivos deste artigo, os movimentos na França precisam ser compreendidos como parte de um processo planetário das classes subalternas. A ilegitimidade do domínio capitalista torna-se cada vez mais aparente. A desigualdade e a destruição da biosfera avançam como nunca. As apostas são muito altas é há muitas similaridades táticas entre os movimentos. Elas incluem, não só na França, organização autônoma por fora das formas tradicionais de representação política e econômica; expansão das redes de solidariedade além das estruturas estabelecidas, das vocações particulares e dos status de emprego de cda um; ações focadas, protestos “selvagens”, dias de luta e bloqueios – agora, mais numerosos que as ocupações de praças públicas; e uma radicalização combativa que confronta diretamente o Estado e o poder das corporações.

A situação da França deveria, portanto, ser entendida como parte de uma luta transfronteiras contra a elite global que nos domina. Se um governo apoiado pelas corporações for capaz de esmagar a dissidência, ou se a liderança sindical contentar-se em aceitar concessões menores, que já parecem ser possíveis, isso poderá representar um retrocesso mais grave das lutas sociais. Se a greve continuar a se expandir e desenvolver, e lançar seus olhos contra o “governo que nos mata”, vitórias importantes estarão no horizonte. Eles poderão contribuiu para a luta internacional contra um mundo cada vez mais desigual.

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Portugal | Lembre-se do cartel da Banca

Posted: 15 Jan 2020 02:27 AM PST

Mariana Mortágua | Jornal de Notícias | opinião

Uma boa parte das propostas que já apresentei no Parlamento foram sobre a Banca. Algumas visavam impor regras mais apertadas ao seu funcionamento: limites à venda de produtos financeiros, interdição de certas operações dentro do mesmo grupo, eliminação de comissões bancárias absurdas, etc.

Outras pretendiam mais transparência: novas exigências de publicação de informações sobre acionistas, relações com offshores ou políticas de crédito. Apesar de várias tentativas, muitas destas propostas foram sendo rejeitadas por combinações de votos entre PSD, PS e CDS. Na base da rejeição estavam (e estão) normalmente três tipos de argumentos avançados pelos bancos: i) mais transparência prejudica as condições de concorrência; ii) limites à atividade prejudicam a rentabilidade; iii) o caminho não é limitar as atividades financeiras mas reforçar os mecanismos de supervisão e controlo interno.

Escândalo a escândalo, a realidade tem vindo a desmontar todas estas ficções.

Como se não nos bastassem os casos do BPN, do Banif, do BES, do BCP, do Montepio e da Caixa, aparece-nos agora o “cartel da Banca”, que juntou o BPN, o Banif, o BES, o BCP, o Montepio, a Caixa e mais oito bancos numa rede de troca de informações sensíveis. Segundo a Autoridade da Concorrência (AdC), os principais bancos trocaram entre si informações reservadas sobre as quantidades e condições de crédito que concediam, articulando ainda estratégias comerciais ou, por exemplo, para limitar a aplicação de leis sobre comissões bancárias.

Ou seja, durante mais de uma década, a Banca – sempre tão preocupada com as suas condições de concorrência – trocou entre si dados reservados, alinhou estratégias e concertou posições, em prejuízo de todos os clientes. Sendo verdade que foram condenados pela AdC a multas que somam 225 milhões de euros, também é público que o processo só teve início por denúncia de um participante. Mais uma vez, ao que se sabe, o Banco de Portugal foi incapaz de identificar estas práticas – transversais e reiteradas – atempadamente. A perda para os clientes, é claro, não foi ressarcida.

Existem todas as razões para reforçar as medidas destinadas a limitar as práticas abusivas da Banca (privada mas também, e especialmente, pública) e aumentar a transparência. Quando o momento chegar ouviremos os bancos, assim como alguns partidos, a argumentar com a concorrência, a rentabilidade e o controlo interno. Não acredite, lembre-se do cartel da Banca.

*Deputada do BE

Portugal | “Desrespeito do Governo.” — calote aos bombeiros soma milhões de euros

Posted: 15 Jan 2020 02:24 AM PST

Apoios prometidos aos bombeiros estão por pagar há meses

Associação de bombeiros voluntários diz que o Governo não cumpre a palavra dada. É uma “nódoa para a classe”.

Nem os 30 bombeiros que estiveram em Moçambique depois do ciclone Idai, nem os bombeiros voluntários a quem foi prometido apoio financeiro para a educação dos filhos com menos de seis anos receberam qualquer verba por parte do Governo.

Segundo avança esta quarta-feira o Jornal de Notícias, a Proteção Civil diz que ainda está à espera de autorização para proceder ao pagamento dos 35 mil euros em ajudas de custo correspondentes à participação de bombeiros profissionais e voluntários nas ações de resgate e apoio à população da região da Beira, em março do ano passado.

Em declarações à TSF, o presidente da – Associação Portuguêsa dos Bombeiros Voluntários (APBV), Rui Silva, lamenta o que diz ser o “desrespeito” e a “falta de consideração” do Governo. “Estamos a falar de mais de meio ano em falta”, lamenta.

Os bombeiros voluntários vão exigir à secretaria de Estado Patrícia Gaspar que o dinheiro em falta seja pago nos próximos 30 dias. “Sabemos que é preciso alguma ginástica financeira, mas não para um período de 10 ou 12 meses.”

Ao JN, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) justificou o atraso com o facto de os operacionais não terem “vínculo permanente de emprego público”, salientando estar a “desenvolver todos os esforços com vista à autorização de pagamento”.

“Nem um cêntimo” para os filhos dos bombeiros

O Governo também ainda não pagou o apoio financeiro para a educação dos filhos até aos seis anos dos bombeiros voluntários, que tinha sido promulgado em maio do ano passado.

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Jaime Marta Soares, disse ao jornal Público que o Governo “ainda não disponibilizou um cêntimo”. “Mais uma vez o Governo promete, decreta e, depois, nada faz para cumprir o que acordou”, disse Marta Soares.

A verba destina-se a beneficiar cerca de cinco mil bombeiros com filhos menores de seis anos e representaria uma despesa para o Estado de cerca de 2,5 milhões de euros por ano.

TSF | Carolina Rico com Lusa

Imagem: Bombeiros estão há quase um ano à espera de verbas prometidas — © Artur Machado/Global Imagens

 

Leia em TSF:

Médicos podem prescrever canábis mas ainda não se vende nas farmácias

Um ano após o uso terapêutico da canábis ter sido regulamentado, o Observatório Português para a Canábis Medicinal lamenta que a lei não tenha saído do papel, acusando as autoridades de empurrarem os doentes para a ilegalidade.

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Publicado por

lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL

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