obras no liceu antero de quental por emanuel carreiro

OS TETOS DO PALÁCIO E AS TÉRMITAS
POLITICAMENTE INCORRETO
EMANUEL CARREIRO
JORNALISTA
Os tetos decorados das salas nobres do Palácio Fonte Bela estão novamente em risco por ter sido descontinuada uma desinfestação contra as térmitas feita há já 11 anos.
O aparecimento da praga foi detetado por volta de 2006. Em 2008, o telhado do edifício foi inteiramente renovado, tendo o forro de madeira sido substituído por vigas de zinco, mantendo-se apenas as asnas de madeira que foram apoiadas em ferro e injetadas com o produto desinfestante. Todos os tetos de estuque, não decorados, foram substituídos por placas de gesso assentes em vigas de metal. Apenas permaneceram em estuque os tetos pintados das salas nobres do palácio, que foram pulverizados com o desinfestante. Essa grande obra de reparação e prevenção anti térmitas terá custado um milhão e setecentos mil euros. O combate às térmitas, como a outras pragas, é uma ação contínua. A empresa que efetuou a desinfestação propôs na altura à escola um contrato para a monitorização permanente e intervenção, sempre que necessário, que não viria a ser autorizado pela tutela.
Simultaneamente, para conservar as pinturas das paredes e tetos da ala poente do palácio e as antigas salas de jantar na ala nascente, foi contratada uma empresa especializada da cidade do Porto. As intervenções limitaram-se à limpeza de bolores e sujidade e retoques em alguns elementos. Ainda assim, só para se ter uma ideia do custo de uma operação dessa natureza, refira-se que os trabalhos atingiram os 400 mil euros.
As pinturas parietais do Palácio Fonte Bela foram executadas em duas fases, segundo a Professora Universitária, Isabel Soares de Albergaria e a Mestre em história de arte, Ana Cristina Moscatel. A primeira fase, aquando da sua construção, a partir de 1830, por Jacinto Inácio Rodrigues da Silveira, futuro 1º Barão da Fonte Bela, abrangeu os tetos do hall da escadaria e as salas de jantar (hoje Museu da Escola e sala de aula anexa) e as salas de baile e dos retratos (hoje biblioteca). O autor foi o pintor italiano Vicente Mallio. A segunda fase foi executada 60 anos mais tarde, no tempo do 3º Barão da Fonte Bela, Jacinto Inácio da Silveira Gago da Câmara, pelo pintor português, Guilherme Augusto Alves de Lima, contratado para vir pintar os cenários do Teatro Micaelense da época. Essa fase contemplou a sala de estar (sala dos professores) e as restantes salas a norte, então designadas por cores, bem como a capela ou oratório.
Já no século XX, em 1921, o edifício foi adquirido ao 4º Barão da Fonte Bela, para nele funcionar o então Liceu Central de Ponta Delgada, em risco de perder o estatuto de Central, pela precariedade das suas instalações no antigo convento da Graça. Para se reunir o valor pedido pelo proprietário, foi formada uma associação constituída pela Junta Geral e as câmaras municipais do Distrito de Ponta Delgada, com exceção da do Nordeste, mas incluindo a de Vila do Porto. A transação foi conduzida pelo Dr. Jeremias da Costa, simultaneamente Presidente da Comissão Executiva da Junta Geral e Reitor do Liceu.
Voltando à questão da preservação das pinturas parietais ameaçadas pelas térmitas, o assunto veio a público em 2018, após uma visita do Grupo Parlamentar do PSD na sequência do apelo da Assembleia de Escola. Os deputados sociais-democratas dirigiram então um requerimento ao Governo Regional que teve como resposta que estava em análise o melhor procedimento a adotar. Já este ano, o executivo anunciou a tomada de medidas concretas em 2020.

Publicado no jornal A. Oriental de 16/10/19

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lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL