emancipação do Estado e da sociedade civil

Até meados dos anos sessenta (Concílio Vaticano II), a Igreja Católica usou a linguagem dogmática para comunicar com crentes e não crentes.
O feriado de 15 de agosto é ainda o resultado desta mundividência e deste modo de proceder. Em 1950, o papa Pio XII decretou para este dia a celebração do dogma da “assunção de Nossa Senhora ao céu, em corpo e alma”.

Só podia ser, pois, de grande dureza o combate na Europa católica entre a modernidade e a Igreja. Porque a mundividência e a prática da Igreja se opunham à civilização e à organização do Estado, laico e democrático.

Em Portugal, sobretudo nos 30 anos que precederam a implantação da República e acompanharam a promulgação da legislação republicana antirreligiosa de 1910 e 1911, a Igreja tornou-se no inimigo a abater.

As bandeiras modernas são as da liberdade, da ciência, da secularização, da laicidade, da separação entre o político e o religioso – para a Igreja de Pio IX (Syllabus, 1864), tudo “erros da nossa época”.

A luta pela emancipação do Estado e da sociedade civil fez-se, pois, contra a Igreja, em nome do crescimento humano sem barreiras, da educação laica, da consciência pessoal, da autonomia, da cidadania e da democracia.

É este o sentido da crónica que hoje publico no Correio do Minho.

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Publicado por

CHRYS CHRYSTELLO

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL