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Navio dos EUA navega pelo estreito de Taiwan apesar das tensões com a China

Posted: 23 Aug 2019 08:31 PM PDT

Um navio de guerra da Marinha dos EUA navegou pelo estreito de Taiwan na sexta-feira (23) apesar das tensões entre Pequim e Washington que se intensificaram nas últimas semanas.

As tensões entre Pequim e Washington agravaram-se depois da proposta de venda de dezenas caças norte-americanos para Taiwan e a inquietação que a proposta gerou em Pequim.

Os navios de guerra norte-americanos navegam regularmente pelo estreito de Taiwan que separa a China continental e a ilha de Taiwan, que Pequim considera ser sua província separatista.

“O trânsito do navio pelo estreito de Taiwan demonstra o empenho dos EUA em um Indo-Pacífico livre e aberto”, disseram os militares dos EUA em comunicado à agência de notícias Reuters.

O navio foi identificado como sendo o USS Green Bay, um navio anfíbio da classe San Antonio.

Discussão sobre estreito de Taiwan

O estreito de Taiwan, de 180 quilómetros de largura, separa a ilha de Taiwan da China continental. A ilha obteve sua autonomia durante a guerra civil de 1949. Pequim reclama a soberania da ilha, que se considera a si mesma como um país independente.

Os EUA são o principal protetor e aliado de Taiwan e realizam patrulhas para assegurar a livre navegação no estreito, que a China considera serem suas águas territoriais. Os EUA enviam normalmente um ou dois navios demonstrando seu desafio e afirmando que eles têm o direito de passagem livre através das águas internacionais.

Cruzador USS Antietam

O último caso ocorreu em 24 de julho, quando o cruzador USS Antietam navegou pelo estreito um dia depois de Pequim ter avisado que estava preparada para usar a força a fim de proteger seus interesses territoriais.

Sputnik | Foto: © AP Photo/ Carolyn Thompson

Putin ordena tomada de ‘medidas simétricas’ após testes de mísseis dos EUA

Posted: 23 Aug 2019 08:02 PM PDT

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, convocou uma reunião urgente com o Conselho de Segurança em meio aos últimos testes de mísseis dos EUA.

Na reunião urgente, o presidente encarregou o Ministério da Defesa da Rússia e o Ministério das Relações Exteriores de analisarem o nível de ameaça à Rússia, criado pelas ações dos EUA.

“Além disso, tendo em conta as circunstâncias atuais, eu encarrego o Ministério da Defesa da Rússia, o Ministério das Relações Exteriores e outras instituições especiais de analisarem o nível da ameaça criada ao nosso país pelas ações mencionadas dos EUA e de tomarem as medidas necessárias de preparação de resposta simétrica.”

O teste mais recente foi realizado pelos EUA em 18 de agosto. Trata-se de um míssil de cruzeiro de baseamento terrestre com alcance de 500 quilómetros, o que seria proibido pelo tratado INF.

Os EUA deixaram o tratado INF no início de agosto, tendo anunciado a saída ainda em outubro. Em julho, Vladimir Putin também anunciou a suspensa da participação da Rússia no acordo.

Sputnik | Foto: © Sputnik / Aleksei Nikolsky

Instalação de mísseis russos na Venezuela em resposta aos dos EUA no Pacífico

Posted: 23 Aug 2019 07:49 PM PDT

Em resposta à implantação de mísseis estadunidenses na região da Ásia-Pacífico, Rússia poderia considerar a implantação de seus próprios sistemas na Venezuela.

De acordo com Aleksandr Sherin, primeiro-vice-presidente do Comité da Duma de Estado para a Defesa, isso seria uma resposta dura, mas eficaz.

“EUA e os líderes deste país ao longo de toda a sua história, infelizmente, demonstraram apenas que a linguagem da comunicação sensata e adequada, dos acordos, não funciona com eles. Infelizmente, os EUA só entendem a força bruta e grosseira. Basicamente, eles só entendem aquilo que eles mesmos utilizam. A implantação dos nossos sistemas na Venezuela, por exemplo, [é possível] como opção, isso poderá ser denominado como uma segunda Crise do Caribe, mas foi precisamente a Crise do Caribe que arrefeceu o ímpeto dos Estados Unidos por muito tempo”, disse Sherin.

“Se esta opção, Deus nos livre, tiver que ser considerada e colocada em prática, isso seria uma opção muito dura, mas muito eficaz”, ressaltou o parlamentar.

Entretanto, de acordo com ele, Moscovo irá obter o consentimento de Caracas para esta solicitação e a liderança da Venezuela manifesta sua total solidariedade para com as ações da Rússia.

“Temos um chamado parceiro comum, não o vou apelidar de inimigo”, disse o deputado.

“A implantação de sistemas de defesa antiaérea S-400, por exemplo, ou sistema de mísseis terrestres Bastion ou Iskander no território [da Venezuela] seria multiplicar por zero todos os esforços realizados durante décadas e o investimento de biliões de dólares na criação de sistemas de defesa contra mísseis, no sistema de vassalos e na OTAN”, afirmou Aleksandr Sherin.

Hoje, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, convocou uma reunião urgente com o Conselho de Segurança em meio aos últimos testes de mísseis dos EUA.

Sputnik | Foto: © Sputnik / Pavel Lisitsyn

Brasil | Bolsonaro, a opção de anular o mandato

Posted: 23 Aug 2019 01:57 PM PDT

Diante de uma agenda de destruição nacional e de um presidente sem limites, que desconcerta seus próprios aliados, surge uma hipótese: levar adiante – sem protelação – as denúncias de crime eleitoral, cassar a chapa e refazer as eleições

Posicionamento da Plataforma Reforma Política* | em Outras Palavras

A escalada arriscada de posições e atitudes assumidas pela presidência da República nas últimas semanas, aliada à revelação de uma rede de corrupção e fraudes envolvendo membros do Judiciário, fez acender, até em quem outrora apoiou o projeto político de Jair Bolsonaro, uma luz de alerta quanto aos caminhos que estão sendo trilhados pelo país.

Ante a gravidade das denúncias que envolvem os procedimentos adotados por promotores e juízes à frente da Operação Lava Jato, os tradicionais aliados da mídia hegemônica, alguns militares e representantes do sistema financeiro entraram em ação para desacreditar os diálogos revelados. Estes apontam evidências de que a Lava Jato não respeitou o sistema legal brasileiro, violando a Constituição, o Código da Magistratura e o Código da Lei Penal. A seriedade destas denúncias exige uma resposta efetiva do Estado à sociedade brasileira.

Nas redes sociais e em debates, algumas pessoas começaram a levantar a possibilidade de impedimento do presidente por crimes de responsabilidade. Também no âmbito da Plataforma dos Movimentos Sociais Pela Reforma do Sistema Político refletimos sobre esta alternativa.

Compreendemos que o impedimento do presidente Jair Bolsonaro não resolve o sério processo de fragilização do sistema democrático, aprofundado nos últimos anos. É necessário analisar o papel do presidente Jair Bolsonaro em um contexto maior de disputas geopolíticas e de uma agressiva política de implementação de um projeto ultraneoliberal. Isso significa que o impedimento não resolve as questões estruturais que ameaçam a nossa soberania e democracia. A saída de Jair Bolsonaro apenas viabilizaria que seu lugar fosse ocupado por alguém um pouco mais cauteloso nos pronunciamentos públicos e no respeito aos ritos do cargo.

Não é de agora que as limitações do sistema político se manifestam em nosso país, e entendemos que qualquer saída efetiva só se dará em médio/longo prazo, por envolver rupturas profundas com nosso passado colonialista e autoritário. Sem ampliarmos a participação da sociedade nos processos decisórios, inclusive com a conquista de representação plurirracial e pluriétnica nas instâncias políticas, a democracia não se consolida.

Contudo, avaliamos que, paralelamente à construção cotidiana de novos paradigmas de democracia, é também preciso responder ao cenário preocupante que se apresenta. Não podemos assistir placidamente ao processo em curso de ameaça à soberania do país, ao total desmonte das políticas socioambientais, à retirada de mais direitos, além de episódios cada vez mais frequentes de recrudescimento da violência contra as chamadas minorias e ataques constantes do Estado à liberdade de expressão.

As eleições de 2018, segundo a revelação das mensagens secretas feitas pelo The Intercept Brasil, foram fraudadas: o candidato com mais chance de ganhar foi afastado por um processo eivado de irregularidades, sem provas, pelo qual foi condenado e preso. A operação Lava Jato, longe de ser uma iniciativa para acabar com a corrupção no Brasil, perseguiu o PT e suas lideranças, em articulação com a grande mídia, criando a narrativa da “maior história de corrupção do país”. Foi a base para a campanha pelo impedimento da presidenta Dilma e a condenação de Lula.

Se o impeachment não é um caminho a se considerar, há um outro bastante razoável: o julgamento de diversas ações ainda do processo eleitoral, especialmente as que versam sobre abuso do poder econômico que poderiam resultar na cassação da chapa, considerando que a chapa é una e indivisível – o que provocaria a posse temporária do presidente da Câmara e novas eleições seriam convocadas, se isto ocorrer ainda antes do cumprimento de dois anos de mandato. Estes processos são AIJEs, Ações de Investigação Judicial Eleitoral, e dependem, portanto, de investigação. Matéria recente do jornal a Folha de S. Paulo relata que eles se encontram parados, enquanto outros mais recentes já andaram rapidamente.

Isto, porém, depende da celeridade da Justiça Eleitoral, que ainda vem julgando prefeitos eleitos em 2016 e não pode fugir de suas responsabilidades com os destinos do país, diante de tantos abusos e irregularidades, cassando a chapa como um todo e convocando novas eleições. Com a palavra, portanto, a Justiça Eleitoral. Para além disso, como acreditamos que um mandato não pertence apenas a quem foi eleito ou mesmo a quem o elegeu, mas a todos os eleitores, pensamos que possam ser adotados mecanismos como recall ou mandatos revogatórios: os eleitores podem tirar o eleito se não cumprir o prometido ou cometer atrocidades com o mandato.

Nós cobraremos e pressionaremos para que o país retome os seus rumos e se livre de qualquer viés autoritário que ameace o nosso ainda frágil Estado Democrático de Direito, e que a nossa democracia seja de fato construída livremente pelo povo!

*Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político

PLATAFORMA REFORMA POLÍTICA

A Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político é uma articulação de movimentos, entidades, fóruns e redes que, desde 2004, atua para mudar a forma como o sistema político brasileiro está organizado institucionalmente.

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Queimem os fascistas, não as florestas — a revolta que Bolsonaro causa

Posted: 23 Aug 2019 11:29 AM PDT

No Twittão Maior, de Carta Maior podemos ver a postagem que exibe a foto esclarecedora sobre a polémica postura de Jair Bolsonaro sobre os incêndios que consomem a Amazónia. Também ali o comentário é esclarecedor: “O clamor que corre o mundo aponta outro destino para o governo imposto ao país pela aliança da mídia com a escória, o dinheiro e o judiciário.”

Em Portugal são imensas as contestações à figura de Bolsonaro, por configurar “um inapto para a função de PR, um fascista pela sua mentalidade boçal, tacanha, de troglodita. Senhor de uma forte dose de desumanidade”. Há mesmo uma “máxima que o refere como alguém que “não foi parido mas sim cagado – que saiu pelo canal errado, para ele certo.

Não deixa de ser perturbante e triste saber que o Brasil elegeu um presidente como Bolsonaro e que o destino do país, na governação e na democracia que já vinha experimentando, no desenvolvimento, na justiça social, no reconhecimento da sua evolução quanto ao cumprimento dos Direitos Humanos e Defesa da Natureza, no seu prestigio, quebrou, ruiu. Tudo obra de um tal Bolsonaro e sua trupe de gentes estupidamente revanchistas e inaptas para governar seja o que for e muito menos um país como o Brasil. O povo brasileiro merece muito melhor. Um povo enganado por “boca mole”, mentirosa, hipócrita, de fossa… de Bolsonaro e seus sequazes.

Governo brasileiro minimiza dimensão dos incêndios na Amazónia

Posted: 23 Aug 2019 02:00 PM PDT

O Governo brasileiro minimizou hoje as dimensões dos incêndios que lavram na Amazónia, declarando que os fogos “não estão fora de controlo” e que a maioria se encontra no “nível mais baixo” de emergência.

Num comunicado enviado à agência Lusa, intitulado “nove factos sobre os incêndios na Amazónia”, o executivo brasileiro defende que todos os anos ocorrem incêndios florestais no Brasil, e que o país está, precisamente, a atravessar “o período crítico de ocorrência de queimadas”

O governo brasileiro refere ainda que os recursos financeiros disponibilizados para o controlo de fogos permanecem em níveis similares ao passado recente, e que 2.409 “brigadistas de incêndio” do Governo Federal estão à disposição dos executivos estaduais para atuar no local, frisando que se trata de um “contingente acima da média de anos anteriores”.

“O Governo Federal está a atuar, por meio do Ibama(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do ICMbio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), assim como em conjunto com os estados, para conter os focos de incêndios”, refere o comunicado.

O executivo, liderado pelo Presidente Jair Bolsonaro, insistiu que o país é uma “referência mundial” no combate terrestre aos fogos florestais, e que coordena a Rede Sul-Americana de Incêndios Florestais, providenciando treino e assistência a outros países.

A informação deste comunicado colide com outros dados também divulgados.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais brasileiro (Inpe) informou que o número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada.

Foram várias as figuras internacionais que se mostraram preocupadas com a situação da Amazónia, como é o caso dos chefes de Estado da França e Alemanha, assim como o primeiro-ministro do Canadá.

“A nossa casa está a arder. Literalmente. A floresta Amazónia, o pulmão que produz 20% do oxigénio do nosso planeta, está em chamas. É uma crise internacional. Membros da cimeira do G7, vamos discutir esta emergência de primeira ordem em dois dias”, pediu o chefe de Estado francês.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa áreado planeta.

Com cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados, a Amazónia inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

Notícias ao Minuto | Lusa

Leia também em NM: Amazónia: “Situação de emergência aguda” que deve ser discutida no G7

Macron diz que Bolsonaro mentiu e opõe-se a acordo com Mercosul

Posted: 23 Aug 2019 10:32 AM PDT

Em meio à crise das queimadas na Amazónia, governo francês acusa presidente brasileiro de desrespeitar compromissos firmados na cúpula do G20. Proteção do meio ambiente foi condição para acordo comercial com a UE.

Diante da crise gerada pelas queimadas na Amazónia, o governo do presidente francês, Emannuel Macron, disse nesta sexta-feira (23/08) que Jair Bolsonaro mentiu ao assumir compromissos em defesa do meio ambiente durante a cúpula do G20 no Japão, algo que, segundo a França, deve inviabilizar a ratificação do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.

“Dada a atitude do Brasil nas últimas semanas, o presidente da República [francesa] só pode constatar que o presidente Bolsonaro mentiu para ele na cúpula [do G20] em Osaka”, declarou o Palácio do Eliseu, sede do governo francês, em nota.

“Nessas circunstâncias, a França se opõe ao acordo com o Mercosul”, conclui o comunicado, lembrando que o Parlamento da França ainda precisa ratificar o acordo comercial.

Na quinta-feira, Macron já havia sugerido que as queimadas e o desmatamento da Amazónia brasileira deveriam ser tema de reuniões na cúpula do G7, que ocorre a partir desta sexta-feira em Biarritz, no sudoeste da França. A proposta foi apoiada pela chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel.

O governo da Irlanda também adotou uma posição similar à francesa, afirmando que não deve ratificar o acordo por causa da falta de comprometimento dos brasileiros “em honrar seus compromissos ambientais”.

Nas últimas semanas, a França e outros países europeus vêm criticando a política ambiental do governo brasileiro. Desde que tomou posse, Bolsonaro e membros do seu governo vêm defendendo a exploração de minerais em terras indígenas, contestando dados científicos sobre aumento do desmatamento, propondo a legalização de garimpos, esvaziando órgãos de proteção ambiental e promovendo mudanças unilaterais no Fundo Amazónia, que conta com financiamento europeu.

Bolsonaro também já ameaçou em algumas ocasiões deixar o Acordo de Paris sobre o clima e, mais recentemente, reagiu com desprezo quando a Alemanha e a Noruega suspenderam repasses para programas ambientais diante da nova guinada na política ambiental brasileira.

No final de julho, Bolsonaro ainda menosprezou uma visita do ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian. Na ocasião, o presidente cancelou de última hora o encontro com o ministro que estava agendado em Brasília e, pouco depois, apareceu ao vivo na internet cortando o cabelo. O gesto teatral repercutiu mal na imprensa francesa.

A queda de braço com os franceses ocorre em meio a dúvidas sobre o futuro do acordo entre a UE e o Mercosul, fechado em junho após 20 anos de negociações. À época, o governo Bolsonaro celebrou o desfecho como um trunfo da política externa, mas não parou de antagonizar com vários países da UE, cujos parlamentos ainda precisam ratificar o acordo.

Na França, o presidente Macron já havia colocado um reforço da proteção ambiental no Brasil como condição para implementação do acordo de livre-comércio. Após um início tenso na cúpula do G20, em junho, o líder francês disse que o acordo foi finalmente fechado porque Bolsonaro havia oferecido garantias de preservação do meio ambiente brasileiro.

“A verdadeira mudança na fase final de negociação foi a afirmação clara pela qual o Brasil se comprometeu com o Acordo de Paris e na luta pela biodiversidade”, disse Macron na ocasião, em Osaka, no Japão.

Deutsche Welle

Um controle médico da ONU para Julian Assange

Posted: 23 Aug 2019 07:51 AM PDT

Aymeric Monville [*]

Porque o advogado britânico de Julian Assange, John Jones, morreu, supostamente por suicídio, em Abril de 2016.


Porque o seu colega nos Estados Unidos morreu um mês depois.

Porque os Estados Unidos tentam intimidar as testemunhas Chelsea Manning e Jacob Appelbaum.

Porque estamos, infelizmente, sem notícias de Sarah Harrison, que havia ajudado tanto Assange como Edward Snowden.

Porque, no que resta o actual círculo em torno de Assange, Joseph Farrell, apresentado como o embaixador da WikiLeaks tem assento no conselho do Centre for Investigative Journalism, o qual é financiado pela Open Society de George Soros.

Porque uma advogada de Assange, Renata Ávila, desde 2018 é directora executiva da Fundación Ciudadania Inteligente financiada pela Open Society (Soros) e mesmo pela National Endowment for Democracy, fundada durante o governo de Ronald Reagan.

Porque a Bertha Foundation, o escritório do advogado de Assange, Jennifer Robinson, encontra-se frequentemente no mesmo tipo de campanhas de apoio que a Open Society de Soros.

Porque George Soros reconheceu abertamente ter apoiado a revolução laranja na Ucrânia, a qual converge com um plano claramente ostentado pelos apoiantes do imperialismo estado-unidense de fragmentação do espaço ex-soviético, tendo Zbigniew Brzezinski revelado este plano.

Porque a WikiLeaks revelou as conivências entre Soros e a equipe de campanha de Clinton em 2016,

Porque os dirigentes dos EUA, Hillary Clinton inclusive, não ocultam o ódio para com Julian Assange nem a sua vontade de calá-lo para sempre.

Porque responsáveis como George W. Bush e Dick Cheney reconheceram e justificaram a existência de centros de detenção secretos da CIA e a prática da tortura.

Porque existem centros como Guantánamo que, pelo seu carácter extra-territorial, permitem escapar a qualquer controle da justiça.

Porque o relator da ONU sobre a tortura, Nils Melzer, disse que Julian Assange sofria de tortura psicológica, que o seu estado era preocupante e que podia morrer na prisão.

Porque não nos podemos contentar com o testemunho de um simples jornalista, ainda que bem intencionado e preocupado com a saúde de Julian Assange como John Pilger, para confirmar que Assange continua em Belmarsh e que não está em perigo de morte.

Porque além deste comunicado não temos outras notícias de Assange desde há várias semanas.

Por todas estas razões, e sem fazer processo de intenção a quem quer que seja nem contestar o direito de cada um de ter esta ou aquela opinião política, nem à defesa e aos apoiantes de Julian Assange de se organizarem como entenderem, não podemos entretanto fazer com que a nossa confiança repouse sobre este o aquele indivíduo participante do círculo de Julian Assange – ou melhor, do que resta dele actualmente – para tomar as medidas necessárias a fim de preservar a sua vida e a sua saúde.

Exigimos que um médico mandatado pela ONU possa entrar na prisão de Belmarch a fim de controlar o estado de saúde de Julian Assange e garantir-nos que ele continua detido no momento actual. Pedimos que a entrevista e a visita sejam filmadas e que um relatório médico muito preciso seja elaborado.

Julian Assange deve igualmente ser libertado de imediato a fim de ser cuidado numa estrutura médica benevolente que o atenda. É inconcebível que o ditador Pinochet tenha sido libertado por razões de saúde enquanto Julian Assange continua sempre nas mãos de Estados que se erigiram em polícias do mundo e cujos crimes ele desmascarou amplamente.

[*] Redigido com os elementos fornecidos por Véronique Pidancet Barrière para WikiJustice Julian Assange.

O original encontra-se em www.initiative-communiste.fr/…

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

UE | Migrantes do Ocean Viking vão desembarcar em Malta

Posted: 23 Aug 2019 07:38 AM PDT

Portugal é um dos países de acolhimento

Países europeus chegaram a acordo sobre o destino dos 365 migrantes que viajavam no navio humanitário.

O ministro francês do Interior, Christophe Castaner, anunciou esta manhã que os 365 migrantes que estão a bordo do navio humanitário Ocean Viking vão poder desembarcar em Malta.

A SOS Méditerranée confirmou à TSF que o navio vai aceitar a decisão da União Europeia e desembarcar num porto de Malta.

“Recebemos a autorização, e, depois de 14 dias neste impasse, as 356 pessoas resgatadas vão finalmente desembarcar, vão ser transferidas para navios da marinha e só depois vão desembarcar em Malta”, refere Isabella Trombeta, da organização.

“Este é um acordo entre seis países da União Europeia para receber os migrantes “, explica a representante da ONG.

Para Isabella Trombeta, e sobretudo para os migrantes a bordo do Ocean Viking, a espera foi longa. “Demorou muito tempo: 14 dias é tempo demasiado para qualquer um, e está na altura de a União Europeia encontrar soluções comuns para estes desembarques; um sistema que esteja estabelecido e partilhado. Mas são ótimas notícias, de qualquer forma.”

As boas notícias têm sido comemoradas pelos tripulantes, em clima de festa. “Estão tão felizes… É muito emocionante vê-los a cantar, a chorar, a abraçarem-se. É um alívio, depois de dias e dias em que eles tiveram medo que os mandássemos de novo para a Líbia, algo que nunca faríamos”, conta Isabella Trombeta à TSF.

O anúncio foi feito depois de um acordo alcançado entre vários países europeus, adiantou o ministro francês. De acordo com o comissário europeu para as migrações, Dimitris Avramopoulos, seis países concordaram em receber as pessoas a bordo.

A França irá acolher 150 dos migrantes. Também Portugal, a Alemanha, a Roménia, o Luxemburgo e a Irlanda irão receber migrantes.

Já na quinta-feira (22), em declarações à TSF, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, confirmou à TSF que Portugal iria acolher até 35 migrantes a bordo do Ocean Viking, em resposta a um apelo da Comissão Europeia.

O Ocean Viking estava há 11 dias à espera da autorização para atracar num porto europeu seguro.

Rita Carvalho Pereira com Cláudia Arsénio e Catarina Maldonado Vasconcelos | TSF

Um quarto da população alemã tem origem estrangeira

Posted: 23 Aug 2019 07:21 AM PDT

Em 2018, 20,8 milhões de habitantes do país tinham origem migratória – um aumento de 44% em relação a 2005. Destes, 52% possuem cidadania alemã.

Um levantamento do Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha (Destatis) divulgado nesta quarta-feira (21/08), quase um quarto da população alemã possui origem estrangeira.

Em 2018, as pessoas com origem migratória somavam 20,8 milhões, no país de população de mais de 80 milhões. Os dados registram um aumento de 2,5% em relação a 2017 (20,3 milhões). São considerados de origem migratória aqueles que migraram de outros países ou que têm pai ou mãe que não nasceram com a cidadania alemã.

No ano passado, 52% dessas pessoas (10,9 milhões de pessoas) eram cidadãos alemães. Cerca da metade destes (5,5 milhões) possui a cidadania desde o nascimento, sendo que um dos pais é estrangeiro ou naturalizado. Quase 48% (9,9 milhões) seriam estrangeiros com passaportes de outros países.

Dos 20,8 milhões de pessoas com origem migratória, 13,5 milhões não nasceram na Alemanha, mas sim, migraram para o país. Os principais motivos para os que buscaram a vida em solo alemão foram família (48%), emprego (19%) e educação (5%).

Em relação a 2005, a diferença é ainda mais significativa. Naquele ano, em uma população de 80,5 milhões, 66 milhões de alemães não possuíam nenhuma origem estrangeira. Em 2018, o número de alemães sem passado migratório caiu para 60,8 milhões em uma população total de 81,6 milhões. Já o número de habitantes com origem estrangeira subiu de 14,1 milhões para 20,3 milhões.

A grande maioria (72%) dos que vieram por motivos de família ou trabalho é de países europeus. Entre os que buscavam oportunidades no sistema de educação alemão, 40% são da Europa e 38% da Ásia.

Apenas 15% dos migrantes – quase a metade dos quais (47%) são oriundos do Oriente Médio – chegaram ao país na condição de refugiado ou requerente de asilo.

Os dados levantados pelo Destatis foram colhidos através do chamado microcenso, um tipo de pesquisa onde 1% da população é entrevistada anualmente em residências particulares, excluindo alojamentos coletivos.

Deutsche Welle | RC/dpa/epd

União Europeia | De braços bem fechados

Posted: 23 Aug 2019 03:50 AM PDT

Não haja ilusões, nem equívocos: aos braços abertos, estendidos aos refugiados pela boa vontade isolada de alguns grupos de pessoas, a União Europeia contrapõe uma política de braços bem fechados.

José Goulão | AbrilAbril | opinião

Os pouco mais de cem refugiados que penavam à deriva no Mediterrâneo a bordo do barco Open Arms desembarcaram, finalmente, em Lampedusa, Itália. Cem refugiados, cem vidas salvas à condição, mas uma parcela ínfima de um drama que persiste mesmo quando a comunicação social domesticada não dá por ele. A embarcação, porém, foi apresada: parece que salvar vidas é crime.

Os náufragos desembarcaram por ordem de um tribunal italiano porque, ao menos uma vez, a justiça conseguiu sobrepor-se a uma política sinistra que não é apenas de Itália – ao contrário do que pretende fazer-se crer – mas de toda a União Europeia. A realidade é esta, não haja ilusões nem equívocos: aos braços abertos, estendidos aos refugiados pela boa vontade isolada de alguns grupos de pessoas, a União Europeia contrapõe uma política de braços bem fechados. Como tenazes.

É verdade que, na iminência do desembarque, o governo espanhol mandou um navio de guerra para recolher os náufragos. Porque se tratava de uma «emergência humanitária», disse. Explicação estranha depois de o mesmo governo não ter permitido ao próprio Open Arms recolher-se a um porto espanhol, durante as mais de duas semanas em que andou à deriva1.

No guião de uma novela assente na interrelação entre os refugiados que procuram abrigo em costas europeias e os picantes episódios da crise política em Itália – e só praticamente por causa dela volta a falar-se no drama humano que cruza ininterruptamente as águas do Mediterrâneo Ocidental – não cabem, sem surpresa, os aspectos essenciais da chamada «crise dos refugiados».

Não são «migrantes» ou «imigrantes», como tantas vezes se lhes chama. São seres humanos que procuram sobreviver fugindo da fome, de guerras, do caos climático, de perseguições étnicas, políticas e religiosas.

São refugiados.

Bruxelas não sabe agora o que fazer com as cem pessoas que chegaram a Lampedusa, um número que representa a sétima parte dos deputados do Parlamento Europeu numa União com 600 milhões de pessoas. Convenhamos que é uma tarefa difícil: acolher uma centena de vivos depois de se contarem por muitos milhares os que já morreram afogados por buscarem o mesmo destino.

A questão fundamental da situação não tem a ver com as chamadas «políticas de imigração» deste ou daquele governo da União Europeia; não nasceu por geração espontânea depois da entronização de executivos que já se assumem abertamente como xenófobos, depois de outros lhes franquearem o caminho praticando, de forma encapotada, essa mesma política. Outra vantagem que têm os barcos errando pelo Mediterrâneo recolhendo náufragos – além de salvar vidas – é a de exporem, para quem quiser ver, o vergonhoso e desumano jogo do empurra a que se dedicam todos os governos dos países da União Europeia, tenham costas marítimas na zona de crise ou não, sejam socialistas ou sociais-democratas, direitistas, nacionalistas ou mesmo fascistas.

Se dúvidas houvesse em relação ao desprezo pelos direitos humanos em que assentam as políticas europeias, a atitude da União perante os refugiados deixa tudo bem espelhado.

Um pouco de história

Fazer do mussoliniano Salvini o mau da fita é um descarado exercício de procura do velhíssimo bode expiatório, como se apenas as suas atitudes viessem instaurar uma crise que afinal se arrasta há muitos anos e se agravou desde que potências da União Europeia e da NATO, sob o comando de sucessivos presidentes dos Estados Unidos, democratas ou republicanos, decidiram multiplicar guerras «libertadoras» em África e no Médio Oriente.

Não é altura de remontar aos efeitos das pestes colonial e neocolonial sobre as populações à escala planetária e reflectidos em milhões de refugiados à deriva ou internados em eternos campos «transitórios».

Concentremo-nos nos que procuram a Europa como consequência da degradação das condições de vida sobretudo em África e no Médio Oriente. Que são, ainda assim, uma pequeníssima minoria das movimentações totais, que atingem principalmente países vizinhos dos epicentros de crise como a Jordânia, o Líbano, a Turquia, a Líbia. São estes países que estão, na verdade, a contas com problemas trágicos. No Líbano, os 800 mil refugiados da guerra da Síria representam a quinta parte da população do país.

Comparando com estas situações, a Europa é uma privilegiada. Não são apenas os neofascismos na Hungria, na Polónia, em Itália que se recusam a receber refugiados. As deambulações do Open Arms à procura de um porto de abrigo revelam, em boa verdade, que para a União Europeia acolher um refugiado já é demais.

A União Europeia, porém, é uma das principais responsáveis pelas vagas de refugiados que lhe batem à porta. E que constituem uma parcela dos que perderam a vida nas águas mediterrânicas, em areias do deserto ou são enviados de volta, por exemplo, para os campos de concentração a que estão submetidos na Líbia.

Não chegava à Europa um único refugiado da Líbia antes de potências da União, sob bandeira da NATO, procederam à devastação do país sob pretexto de o «libertarem». Desde então, o território líbio tornou-se um paraíso das máfias de tráfico humano que exploram cada um e a totalidade dos refugiados, prometendo-lhes nova vida no Velho Continente.

A União Europeia é cúmplice desse tráfico, por um lado ao criar as condições objectivas para que ele exista e funcione rentavelmente; por outro lado, porque contribui directamente para alimentar essas redes mafiosas, ajudando a financiar os campos ditos de refugiados – mas que são de concentração; e apoiando também as polícias marítimas controladas, de facto, pelas milícias que dominam a Líbia, as quais têm como missão interceptar os barcos que se fazem ao mar rumo à Europa e devolvê-los à procedência por incumbência dos conselheiros europeus. Para a União Europeia, os bons refugiados são os que estão ao largo, de preferência o mais longe possível, de maneira a que não lhe cheguem os ecos dos seus trágicos destinos.

Também podiam contar-se pelos dedos os refugiados sírios e iraquianos que buscavam a Europa antes de ali terem chegado os arroubos «libertadores» dos mesmos de sempre. Em relação à Síria, por exemplo, o mainstream informa-nos que «a culpa é de Assad». A família Assad, porém, controla o governo de Damasco há décadas e o êxodo só existe há oito anos, quando grupos terroristas islâmicos mais ou menos «moderados», sob a asa da al-Qaeda e sustentados por potências da União Europeia e da NATO, começaram a devastar o país em nome da «democracia».

Salvar por obrigação

Na Europa existe uma reconhecida indisponibilidade para acolher barcos que transportem refugiados salvos de afogamento. Na verdade, a indisponibilidade é mais lata: abrange todos os refugiados.

Por outro lado, quando alguns escapam ao crivo, e são cada vez menos, a União Europeia é incapaz de chegar a um acordo de rateio para que sejam repartidos pelos 28 países. Bruxelas aceita que Estados membros se recusem, pura e simplesmente, a receber um único refugiado mesmo que haja decisões sobre quotas de distribuição.

A União Europeia, alérgica a refugiados, tornou-se um vasto e repugnante mecanismo para dar largas à xenofobia.

A União Europeia financia campos de concentração na Líbia para impedir que refugiados embarquem para a Europa; paga a polícias marítimas para travarem as embarcações precárias que conseguem fazer-se ao mar – depois de os passageiros terem sido espoliados de todos os seus bens pelas máfias de tráfico humano.

A União Europeia prometeu pagar três mil milhões de euros anuais à Turquia para fechar as suas fronteiras europeias, de modo a impedir a passagem de refugiados. O embaraço em Bruxelas agora é grande porque Ancara vai deixar de cumprir o «acordo» – usando as zonas fronteiriças como instrumentos de chantagem.

Na União Europeia erguem-se muros, alinham-se cercas, escavam-se valas para caçar refugiados.

Em tempos, quando o mussoliniano Salvini ainda nem sequer era um projecto para governar Itália, um alto responsável do Frontex, a «polícia marítima» da União Europeia, explicou que não era missão da organização recolher refugiados náufragos – e que só o fazia por ser uma imposição do direito marítimo.

É difícil expor melhor o humanismo do estado de espírito da União Europeia em relação a quem pretende apenas sobreviver, se possível com dignidade.

Imagem: Desde a intervenção da NATO na Líbia, um Estado que acolhia imigrantes, o país norte-africano, controlado por milícias, passou a ser uma das principais rotas de passagem de migrantes e refugiados com destino à Europa Créditos/ ladomenicasettimanale.it

Nota: 1. O governo espanhol do socialista Pedro Sanchéz ameaçou a catalã Open Arms, no passado mês de Julho, com multas que poderiam ir até 900 mil euros, caso voltasse a tentar resgatar migrantes ao largo da Líbia. «Se temos que decidir entre ser cúmplices no assassinato de pessoas ou ser multados, a nossa decisão é muito clara, (…) preferimos ficar presos em vez de ser cúmplices», respondeu Anabel Montes, a chefe de missão da ONG. Europa Press, 3 de Julho de 2019. Sobre o comportamento do governo de Sanchéz escreve Gabriel Beceiro, no galego Ollaparo, a 21 de Agosto de 2019, ser contra o Código Penal espanhol e contra a Convenção Internacional do direito marítimo.

Salazar encarcerava assim | Campo do Tarrafal, o campo da morte lenta

Posted: 23 Aug 2019 03:38 AM PDT

Vista da entrada do Campo de Concentração do Tarrafal (mais fotos no original)

A Colónia Penal do Tarrafal foi criada pelo Governo português do Estado Novo, corria o ano de 1936. Fica situada no extremo norte da ilha de Santiago, em Cabo Verde, num lugar ironicamente chamado de Chão Bom.

Filipe Morato Gomes | Alma de Viajante

O complexo prisional terá sido inspirado nos campos de concentração nazis, tendo como objetivo não declarado a eliminação dos opositores políticos ao regime fascista de Portugal.As condições de encarceramento eram deploráveis, com os presos a serem sujeitos a uma alimentação muito deficitária e à execução de trabalhos forçados; além da ausência quase total de medicamentos.

As palavras atribuídas tanto ao diretor do Campo de Concentração do Tarrafal, Manuel dos Reis (“Quem vem para o Tarrafal vem para morrer.”) como ao médico Esmeraldo Pais Prata (“Não estou aqui para curar, mas para assinar certidões de óbito.”) são bem elucidativas do inferno a que seriam sujeitos os presos no Tarrafal.

Foi, pois, na companhia desses pensamentos que me dirigi à antiga prisão do Tarrafal. Na verdade, já a tinha visitado em 2007, pelo que, descontando as notórias melhorias entretanto introduzidas ao nível da preservação e musealização do espaço, sabia mais ou menos o que iria encontrar. O que não sabia é que iria fazer uma visita guiada ao Campo do Tarrafal.

 

O nome dos presos no Campo de Concentração do Tarrafal

A minha visita ao Campo de Concentração do Tarrafal

Assim que cheguei ao Campo de Concentração do Tarrafal, localizado a pouco mais de 3km do centro da vila, o jovem guia cabo-verdiano que guardava a entrada ofereceu-se para o mostrar. Sugeriu, antes de mais, que visse um pequeno filme sobre a história do antigo complexo prisional no chamado Museu da Resistência do Tarrafal. Naturalmente, aceitei a sugestão.

O museu é uma pequena sala integrada no projeto de preservação do Campo do Tarrafal, que visa “dar dignidade ao espaço e às memórias das vítimas”.

Terminado o filme, que contextualizava a existência da prisão do Tarrafal, dirigi-me então ao interior da penitenciária.

Não há, na verdade, muito a contar. O ambiente era pesado como em qualquer campo de concentração. Daqueles locais para visitar em respeitoso silêncio.

Vi as celas, a enfermaria, a cozinha e até a infame “Frigideira”, uma solitária brutal de onde os prisioneiros saíam “sujos, mirrados e desgrenhados”, parecendo “seres evadidos da cela de tortura de um manicómio”, “com vincos de martírio cavados no fundo dos rostos esquálidos”.

Vi a lista com os nomes dos prisioneiros detidos no Tarrafal, escritos numa parede em jeito de homenagem.

Mas o que verdadeiramente me impressionou foram os relatos do guia, cujo nome infelizmente não registei, sobre as degradantes condições em que os detidos se encontravam, praticamente sem comida nem medicamentos nem sequer esperança.

“A dieta no Campo do Tarrafal

A dieta no campo de concentração era uma arma e foi utilizada para humilhar os presos; para além de ser uma das principais fontes de doenças como o beribéri, escorbuto, xeroftalmia, anemia, infeções intestinais, entre outras (1). A comida era sempre a mesma, de péssima qualidade, diminuta e mal confecionada. Era de tal modo intragável que os presos tapavam as narinas com bolas de pão para conseguirem ingeri-la”. in informação exibida na antiga cozinha do campo

Caminhei pelo espaço ajardinado entre as celas, em fúnebre silêncio, imaginando o sofrimento dos homens cujo destino terminou ali mesmo, em Chão Bom.

O Campo do Tarrafal não é bonito, mas visitá-lo é um imperativo moral. “Tarrafal, nunca mais!”.

Nota PG

(1) – Foram 36 os prisioneiros políticos que morreram no Tarrafal: 32 portugueses, 2 angolanos e 2 guineenses

Portugal | SALAZAR TORTURAVA ASSIM…

Posted: 23 Aug 2019 01:51 AM PDT

Montagem para utilização didáctica em aulas de História feita a partir da reportagem “24 de Abril” de Sofia Arêde.

João Cardoso, em Youtube

Portugal | Pardal & Pinto, pantomineiros, Lda.

Posted: 23 Aug 2019 01:27 AM PDT

José Manuel Diogo | Jornal de Notícias | opinião

O Pardal Henriques não queria ser deputado, mas o antigo bastonário Marinho Pinto, vendo como ele defendia bem o povo, convenceu-o.

O líder em outsourcing do sindicato dos camionistas de cenas perigosas vai agora ser o ponta de lança da equipa do PDR para as eleições de outubro. Perfeito!

A jogada nem está mal pensada, mas é o cúmulo da esperteza saloia. Se funcionar, e em outubro o povo votar Pardal (ou Pinto), merecemos todos pagar o dobro dos impostos.

É uma cena de filme. Num restaurante da Mealhada, Marinho e Henriques, sócios únicos da Pinto & Pardal, combinam a tática.

Ação!

“Pardal, há aí uns sindicatos com um enorme poder nas mãos e não percebem nada de comunicação”, diz Pinto, dando uma garfada no reco tostado.

“Com um treinador Pardal, perdão profissional, convencemos os tansos dos camionistas que ganham mal e montamos aqui uma greve ao gasóleo no fim de semana das férias, que durante uma semana a TV não fala de outra coisa” retorque Pardal.

“Brilhante”, remata Pinto, “É uma campanha inteira à borla, vai ser o tal Pardal”.

Corta!

A greve dos motoristas de matérias perigosas, entre 12 e 18 de agosto, registou, em apenas 7 dias, um total de 3 475 notícias em mais de 200 horas de emissão de Televisão. (E ainda falta contabilizar as notícias de que Pardal aceita o convite de Pinto). Para termos uma noção da dimensão deste número, Uriel Oliveira da Cision compara-o à semana dos incêndios de Pedrógão, quando, em 2017, as televisões portuguesas dedicaram o mesmo tempo à morte de 66 portugueses.

Cabe-nos a todos denunciar oportunismos básicos. Quem se aproveita da inocência e da fraqueza dos outros não devia ser candidato, devia ser mudo.

*Especialista em Media Intelligence

Portugal | Mais de 23 mil assinaturas. Há petições contra e a favor do Museu Salazar

Posted: 23 Aug 2019 12:56 AM PDT

Assinantes das petições: Museu NÃO 15 mil | Museu SIM 8 mil

Petições públicas eletrónicas contra e a favor da instalação de um museu Salazar, em Santa Comba Dão, já motivaram a assinatura de mais de 23 mil pessoas.

Há sete dias, um primeiro documento digital foi colocado na Internet, no site Petição Pública tendo como subscritores o antigo líder sindical Carvalho da Silva, o analista político Pedro Adão e Silva, a escritora Maria Teresa Horta, o antigo reitor da Universidade de Lisboa José Barata Moura ou o cantor de intervenção Francisco Fanhais, entre outros. O total de assinaturas contra o museu vai agora com mais de 15 mil assinaturas.

Todos se insurgiam no texto “Museu de Salazar, não!” e apoiavam uma outra carta aberta dirigida ao primeiro-ministro, António Costa, em 12 de agosto, na qual 204 ex-presos políticos exigem ação ao executivo do PS, além de expressar “o mais veemente repúdio” pela iniciativa anunciada pelo autarca socialista local.

Segundo esta petição, o projeto de Santa Comba Dão, “longe de visar esclarecer a população e sobretudo as jovens gerações”, seria “um instrumento ao serviço do branqueamento do regime fascista (1926 – 1974) e um centro de romagem para os saudosistas do regime derrubado com o 25 de Abril”.

Entretanto, há dois dias, uma outra petição foi criada e colocada em linha, desta feita “Museu Salazar, sim” porque “a memória histórica de um povo não pode ser apagada porque um minoria ruidosa assim o exige”.

Neste texto dirigido à Assembleia da República, que também já conta com 8.162 aderentes, embora não estejam acessíveis os nomes, os subscritores dizem que não aceitam “que aqueles que evocam constantemente o valor da liberdade se revelem inimigos dessa mesma liberdade quando ela não vai de encontro aos seus interesses”.

A Câmara de Santa Comba Dão, no distrito de Viseu, anunciou que pretende iniciar este mês a primeira fase de requalificação da Escola Cantina Salazar, com o objetivo de aí instalar o Centro Interpretativo do Estado Novo.

De acorda com o município, “a primeira fase das obras de requalificação da Escola Cantina Salazar em Centro Interpretativo do Estado Novo vai avançar ainda no decorrer deste mês de agosto, prevendo-se que esteja concluída até ao final do ano”.

O auto de consignação da empreitada, no valor de cerca de 150 mil euros, já foi assinado e agora “é altura de avançar com este projeto, cujas obras projetadas abrangem o exterior e uma parte do interior do antigo e icónico equipamento escolar”, explica a nota.

“Este será um local para o estudo do Estado Novo e nunca um santuário para nacionalistas. O que vai ser dado a conhecer é um período de 50 anos da história do nosso país, que teve como figura chave Salazar”, garantiu o presidente da Câmara, Leonel Gouveia (PS).

O autarca acrescentou que, “de modo algum, se pretende contribuir para a sacramentalização ou diabolização da figura do estadista”, sendo o objetivo, “apenas e só, fazer um levantamento científico e histórico de um regime político, enquanto acontecimento factual”.

António Oliveira Salazar nasceu no Vimieiro, uma freguesia do concelho de Santa Comba Dão, mas a criação de um espaço dedicado àquele período da história portuguesa não tem sido pacífica ao longo dos anos.

Notícias ao Minuto | Lusa

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Publicado por

CHRYS CHRYSTELLO

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL