Crónica 273 o futuro está ao virar de qualquer eleição 17.7.2019

Crónica 273 o futuro está ao virar de qualquer eleição 17.7.2019 (as anteriores em https://www.lusofonias.net/mais/as-ana-chronicas-acorianas.html)

Li esta semana um artigo de um comentador açoriano que afirmava qualquer coisa como: 1º a razão da elevada abstenção nos Açores deve-se ao facto de a maior parte dos eleitores não se rever no governo desgastado do PS-Açores, 2º – não querer substituí-lo por um governo do PSD-Açores; 3º não existir nenhuma alternativa válida entre todos os restantes partidos em quem (aleatoriamente) votam a contragosto, como castigo dos primeiros.

Partindo da premissa disto ser real, o caminho abre-se a um futuro salvador da pátria como aconteceu em 1926.

Falta ainda descobrir (de onde sairá e quem será) a personagem que vai incarnar o papel sebastiânico de endireitar as contas públicas, acabar com a emigração ameaçadora, lutar contra a corrupção que envolve todos os partidos e resolver todos os restantes problemas (na Itália começaram já a preparar a extradição dos ciganos e a EU pune quem ajuda os barcos de refugiados e imigrantes).

Com as atuais taxas de abstenção, a qualquer sebastiânico lider basta atingir 8 a 10% dos eleitores para formar governo.

Candidatos não faltam por esse mundo fora, admiradores – prontos a emular – o grande líder Trump ou o enorme líder Bolsonaro. Com uma boa manipulação de “fake news”, “fake imagens” e “fake sons”, mais algumas promessas enfáticas de baixar IVA, IRS, taxas de combustíveis e outros impostos, após as eleições, o povo crédulo estará pronto a segui-los.

Depois lançam-se atoardas sobre os “dissidentes”, os que pensam “fora da caixa” ou contra a “maioria” dita “normal”. Começa-se por lhes chamar comunistas, ateus, desviantes e desviados, e por aí adiante. Nessa altura a sociedade está dividida entre “nós” e “eles” (o Adolfo fez isso muito bem na década de 1930), e a sociedade exige que as pessoas “se definam”.

A partir daí começa a discriminação, em que os “dissidentes” são equiparados a vermes, animais ou vírus que urge exterminar. Criam-se forças policiais ou militares para colocar em prática a aplicação de castigos e punições (a prisão é a mais suave de todas).

A massificação dos meios de comunicação, já então controlados pelas forças de apoio ao sebastiânico salvador da Pátria, cria campanhas de propaganda para virar as massas contra esses seres indignos de viverem em sociedade.

Só a partir desta fase, começa a remoção e relocalização desses vermes, os assassinatos, julgamentos forçados, roubo e anexação das suas propriedades e massacres em nome da salvação nacional.

Não se considera que esse processo de eliminação dos grupos dissidentes seja (de modo algum) uma exterminação pois eles nem sequer eram considerados humanos e o governo (claro está) negará ter cometido algum crime.

Se (aqueles que estudaram História) encontrarem alguma semelhança com a Alemanha nazi, o estalinismo, maoismo, a era Trump e Bolsonaro ou qualquer outro período similar da história, poderão mais tarde afirmar que o leram aqui primeiro, mas nessa altura (se tiverem sobrevivido) será tarde.

E as massas anestesiadas continuarão centradas nos seus smartphones aplaudindo.

Para o Diário dos Açores (desde 2018), Diário de Trás-os-Montes (desde 2005) e Tribuna das Ilhas (desde 2019)

Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713 / AU 3804 [Australian Journalists’ Association] MEEA/AJA]

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