José Soares A Segunda Vinda “Sou incorrigivelmente açoriano.”

Peixe do meu quintal José Soares

A Segunda Vinda

“Sou incorrigivelmente açoriano.”

Cuidem-se os adversários políticos nos Açores. Carlos César retorna às Ilhas com vários trunfos renovados numa inesgotável manga mágica.

“Não me excluo da participação política, das minhas responsabilidades cívicas, fá-lo-ei enquanto presidente do partido, enquanto o for, e enquanto cidadão. Vou continuar empenhado”.

Que fará César a seguir?

Vamos fazer um pequeno exercício especulativo;

César vai continuar a ser presidente do Partido Socialista Português. Para além disso, é o presidente honorário da sucursal insular daquele partido. Nas próximas eleições regionais, pode muito bem entrar na lista do PS, ser eleito e escolhido para presidente da Assembleia Legislativa Regional. Não nos parece. Ainda se fosse em São Bento…!

Pode ainda alternar com Vasco Cordeiro, na presidência do governo dos Açores. Mas isto talvez seja demasiado afrontoso para o eleitorado.

Uma das inovadoras ações de Marcelo Rebelo de Sousa, que não esconde a amizade com António Costa, seria dar a golpada histórica de nomear Carlos César como o primeiro Representante da República de origem insular, seja para a Madeira, seja para os Açores.

Nas próximas eleições para o Parlamento português de 6 de outubro, César irá, obviamente, fazer campanha para a tão secretamente desejada maioria socialista, que alguns círculos já comentam. Poderá até ser ministro. Daria um bom, nos Negócios Estrangeiros.

Nos Açores, as eleições para o parlamento da Horta irão decorrer em setembro ou outubro de 2020. A oposição que se cuide.

Para a presidência da República, afrontar Marcelo Rebelo de Sousa, decidindo este de se recandidatar a um segundo mandato, é derrota assegurada. Não que César não reúna as condições políticas (e não só) de o fazer, mas porque Marcelo continua em amores com o eleitorado e este com o atual presidente.

Temos outros saltos. A Europa há muito que pisca o olho a César e este pode deixar-se enfeitiçar por Bruxelas a médio-longo prazo. Para tal, António Costa tem os seus fortes contactos para ajudar o seu camarada em qualquer circunstância. É uma janela entreaberta.

Uma coisa podemos afirmar com certeza: César é politicamente irrequieto e imprevisível. Não ficará parado.

Deixar a Assembleia da República, enquanto deputado pelos Açores e sendo “um incorrigível açoriano”, só pode significar que, estando de perfeita saúde, algo estará planeado a seguir.

A sua dádiva cívica já vai longa, mas longe do final.

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Publicado por

CHRYS CHRYSTELLO

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL