SATA as desculpas tardias

SATA: A SECRETÁRIA (FINALMENTE) FALOU

Fiquei a saber que a secretária regional dos Transportes e Obras Públicas se reuniu hoje com o Conselho de Administração da SATA por causa dos voos para o Faial e Pico.

Conclusão: os recentes cancelamentos deveram-se a falta de tripulação e a uma avaria motivada por um pássaro que entrou num reator.

Quanto ao pássaro nada há a fazer, senão consertar o avião.

Quanto aos pilotos Ana Cunha anunciou a sua contratação através de ACMI (aluguer de aeronaves e profissionais). Para o Faial e o Pico, no entanto, só voarão pilotos da SATA, pois apenas estes têm a certificação necessária para operar nos dois aeroportos em causa.

Espera-se, por isso, que o número de contratados seja suficiente para suprir as necessidades de outras rotas e, assim, permitir que os pilotos «certificados» acudam às necessidades do Faial e do Pico.

A governante reconheceu que «existem constrangimentos na comunicação com os passageiros». Na verdade, não têm faltado queixas sobre este problema.

É estranho que, numa companhia com o historial e o know-how da SATA, nas épocas de hoje em que o marketing está em voga, persistam tantas dificuldades para informar as pessoas.

Além disso, também não se entende por que é que foi preciso esperar para esta reunião para divulgar os motivos dos cancelamentos e as medidas que serão adotadas. Seria bem mais simples cortar o mal pela raiz e explicar logo às pessoas as razões das anomalias.

Dá a impressão que a política de comunicação da empresa é feita por amadores, ou então há inconfessáveis razões por trás disto tudo.

Como é que se explica que Ana Cunha venha reconhecer tais dificuldades, hoje, quando elas já ocorrem há longo tempo, anos talvez?

Não haverá dinheiro para contratar um bom relações públicas, mas no (extenso) quadro de pessoal da SATA não existirá um funcionário experiente e competente, mesmo de outra área, que seja capaz de desempenhar este papel? A minha experiência diz-me que quando se está por dentro do assunto isso é meio caminho andado para se falar à vontade sobre ele.

Sem comunicação os problemas multiplicam-se. Não é preciso ir à universidade tirar um curso para saber isso, é da vida.

Por fim, a governante disse, após a citada reunião, que a SATA tem 60 pilotos, que alguns deles estão de férias ou em formação e que precisa de 90. E acrescentou que neste momento há uma «grande sobrecarga de trabalho» e que existem profissionais ao serviço nas suas folgas e nas férias.

Das duas, uma: ou estamos perante um risco (não quero ser alarmista, mas seria dramático que um piloto adormecesse com o avião nas mãos) ou, mais uma vez, a comunicação falhou, pois só é admissível que se trabalhe nas férias e nas folgas se estiverem garantidas todas as condições de segurança e cumpridas as regras sem exceção. Se assim é, porquê este «choradinho» de trabalho a mais?

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